Benfica 3 - 0 Vitória de Guimarães: Mais Uma Vitória Para Eusébio. E Para Nós. E Para a Mãe
Todas as Fotos: João Trindade
Dia 10 de Janeiro com Benfica torna-se sempre num dia muito especial. Antes de ser dia de jogo do Benfica, o que só por si o torna especial, é dia de aniversário da mãe Dalila. Não tem acontecido muito nos últimos 40 anos mas de vez em quando lá se atravessa o Benfica no dia da mãe. A vantagem de ter uma excelente relação e tudo bem resolvido com a minha Master é poder explicar com antecedência que há jogo na Luz a meio do dia e ela entender perfeitamente. Marca-se almoço de família, festeja-se a importante data e segue-se para a Luz.
No estádio verifico que é dia de casa quase cheia. Chegámos ao ponto que ter cerca de 44 mil pessoas para um jogo contra uma equipa do cimo da tabela é considerado digno. É o que há...
Era dia de recordar Eusébio e o ambiente voltou a ser empolgante na Luz. Recordou-se o jogador nos écrans antes do jogo e repetiu-se a coreografia de há um ano nas bancadas.
Tal como aconteceu há um ano o Benfica voltou a não desiludir a sua memória e fez por dignificar a sua herança, tornou fácil um jogo que não se previa assim de tão simples resolução.
Para começar eu espero que alguém no Benfica anote todas as equipas que resolvem chegar à Luz e nos obrigam a trocar de campo. É que quando lá formos na 2ª volta devemos devolver a gentileza. A todos.
A primeira parte do Benfica foi do melhor que se tem visto esta época. Futebol solto, virado para o ataque, oportunidades de golo, a primeira logo nos primeiros segundos, jogadas entusiasmantes e sinal de claro de querer resolver o jogo cedo.
Não sei quantas equipas é que Jesus já inventou desde que chegou ao Benfica e concordo com ele que é para isso que ele é bem pago. Mas se me dissessem no dia a seguir à eliminação do Brasil do Mundial que daí a uns meses o Benfica teria de jogar com uma defesa composta por Júlio César, André Almeida, César, Jardel e Eliseu eu era gajo para ficar enervado.
Mas foi esta defesa que garantiu mais um jogo sem sofrer golos para o campeonato! Júlio César determinante para segurar o resultado numa defesa a dois tempos, que meteu o pé e tudo, a mostrar que pode fazer a diferença.
Uma dupla de centrais sem rede, não havia suplentes para a posição no banco, um André Almeida que vai da esquerda para a direita sem precisar de GPS e um Eliseu a regressar à competição em bom plano.
Este acerto não deve ser obra do acaso, digo eu. Alguém há de ter mérito por isto funcionar assim sem Luisão e Maxi, para já nem ir buscar Garay.
Por falar em saídas, Enzo foi à vida dele e o meio campo do Benfica lá vai sobrevivendo. Seis golos em dois jogos não é mau.
Hoje Samaris voltou à equipa e sentiu-se que está mais motivado do que nunca para jogar a "6". Talvez o melhor jogo ou o jogo mais à vontade do grego desde que chegou.
Talisca lá continua a procurar o seu espaço e mostrar toda a sua facilidade de remate. Hoje não marcou porque acertou no poste.
Depois há Ola John que é o homem que mais sofre com a ausência de Salvio. O holandês é rapaz para 45 minutos. Ou 30 minutos. 20 minutos, vá. 20 minutos em que entre com toda a velocidade, fresco, motivado, pronto para partir para cima dos defesas com a sua criatividade arranjando desequilíbrios, de preferência em adversários já desgastados. Pode ser muito importante nesse papel. Durante o jogo todo é que não. O que consegue fazer de bom acaba por ser ofuscado por erros infantis e irritantes. Ola John é o golo que marcou. Quando viu a bola chegar pensou o que haveria de fazer e falhou o remate, à segunda sem pensar duas vezes meteu o pé à bola e fez golo. É aquilo, não pode ter tempo para pensar.
Falar de Nico Gaitán em 2015 quase que é preciso fazê-lo com a mão à frente da boca, como agora é moda nos campos de futebol, para que o Peter Lim não perceba o que se passa. O homem é o craque da equipa. Estatuto que ganhou com todo o mérito ao longo destes anos todos. Tem sempre um pormenor guardado para enganar um adversário e arrancar um sorriso da bancada, mesmo que ele raramente apareça a sorrir. O, hoje, capitão dá todo o brilho ao "10" que carrega nas costas. Isso só por si já é extraordinário. Mereceu muito fechar o marcador de hoje.
Na frente a dupla Lima - Jonas continua a ser produtiva. Os mais pessimistas já estarão a desvendar uma crise tramada no "11" por mais um jogo sem marcar mas o entendimento com Jonas melhora a cada jogo. Jonas fez mais um golo e uma exibição bem simpática. Nada mau para um reforço fora de horas e a preço zero. Tal como Júlio César. Acho que não custa muito admitir que foram duas apostas de excelência, pois não?
O Benfica venceu por 3-0 e o resultado até é magro para o que se viu na Luz. Só na primeira parte houve 3 bolas devolvidas pelos postes além do golo de Jonas...
O Vitória não teve hipótese de discutir o resultado porque Júlio César apareceu na única vez que podia ter acontecido o empate. A equipa de Rui Vitória andou sempre atrás do resultado, do jogo e do adversário.
Triunfo importante e convincente. Foi o 86º jogo seguido a marcar no Estádio da Luz para a Primeira Liga!
A memória de Eusébio continua bem respeitada. É como dizia uma tarja mostrada no Topo Norte, continuar a ganhar por ele, por nós, pelo Benfica. De preferência sem o folclore de ondas e olés porque foram só 3 pontos. As ondas até dou de barato mas os olés irritam-me quando ainda nem terminou a primeira volta. Mas já sei que isto sou a embirrar por tudo e por nada. Paciência, é a minha opinião.
Aliás, aproveitem a onda e apareçam dia 14 que há mais.
São uns "arruaças" do pior (termos quase elogiosos) mas fazem falta à primeira divisão. Quantos clubes metem tanta gente no sector visitante como o "Bitória"? Pois.
Parabéns, mãe! O Benfica ganhou!





