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Red Pass

Rumo ao 38

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Uma Vida de Football Manager

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Hoje sai o novo Football Manager, jogo que é uma autêntica instituição entre os fãs de futebol. Cada um dos seguidores da série tem as suas histórias construídas ao longo de anos e anos de jogo. O Assunto é de tal maneira sério e global que até existe um livro que conta as melhores histórias dos últimos 20 anos à volta do jogo. Entre jogadores que deviam ter sido enormes craques mas que nunca o foram até nomes fictícios há um pouco de tudo para descobrir no livro Football Manager Stole My Life: 20 Years of Beautiful Obsession. Aconselho a todos que se considerem viciados na saga.

 

Em jeito de comemoração por mais uma edição do Football Manager partilho aqui as minhas raízes de treinador de rato e teclado. Podem deixar as vossas nos comentários, sintam-se à vontade.

 

Aos 41 anos já não se mostra ao mundo a felicidade infantil por aceder ao novo FM com receio que haja sempre quem olhe de lado. Felizmente, os autores do jogo tiveram a brilhante ideia de lançar este ano um documentário sobre o jogo onde se mostra que há treinadores da vida real que jogam e seguem conselhos dos seus filhos, aparecendo também gente com ar respeitável a contar as figuras miseráveis que já fizeram à conta do jogo. É de ver An Alternative Reality: The Football Manager Documentary e ficar com menos peso na consciência.

 

No meu caso o acesso a jogos de simulação de futebol aconteceu em 1984 quando lá em casa entrou uma coisa chamada ZX Spectrum 48k. Comecei deslumbrado com um jogo chamado World Cup onde se jogava mesmo contra o computador ou outro jogador. Foi um caminho que me levou pelos Match Day's, P.E.S. e FIFA's. Hoje a minha preferência neste género é o FIFA 15 para a PS4.

 

Mas esta não era a variante mais perigosa. O descalabro começou quando descobri um jogo chamado simplesmente Football Manager. O desafio era sermos o "Manager", escolher a equipa, comprar e vender jogadores e escolher a melhor táctica. A base que ainda hoje se mantém. Era começar na 4ª Divisão inglesa e tentar ir subindo. Os golos tinham este aspecto:

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Isto explica quase tudo. A paixão pelo futebol inglês, a quantidade de nomes de clubes britânicos alojados na minha memória e a festa que fiz quando o Wrexham eliminou o Porto. Parecia uma brincadeira tornada realidade! O Wrexham saía da 4ª divisão do meu jogo no Spectrum para o estádio das Antas e afastava o Porto. Incrível. E aconteceu mesmo, não estou a brincar.

 

Depois veio a segunda versão do Football Manager mais completa e outros parecidos. Recordo com saudade de títulos mais simples mas igualmente eficazes em termos de vicio. O FA Cup, era só escolhermos equipas para entrar na Taça inglesa e depois ir sorteio a sorteio até Wembley. Escolhia-se uma táctica, podia haver mudança ao intervalo e ficávamos a ver o tempo passar e o resultado a mudar.

Uns anos mais tarde o European II, dava para jogar uma competição europeia, a mais apetecida sempre. Horas e horas naquilo.

Houve também a loucura de 1986 com o México'86, jogava-se a fase de qualificação com a Inglaterra e depois do apuramento conquistado íamos para a fase final. Uma pessoa ficava fã da Inglaterra em pouco tempo.

Mais tarde um jogo mais completo dava para escolher outros países, o Tracksuit Manager em que tínhamos de meter à unha o nome dos nossos convocados. Fiz campanhas inesquecíveis com a Alemanha, a minha selecção. Duelos incríveis com a Itália nas meias finais e finais. Enfim.

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 Mas antes disso houve a evolução do velhinho Football Manager e o ponto alto do Spectrum em termos de simulação de futebol para treinadores, o Football Director! Chegou a ser uma obsessão vencer campeonatos e taças em Inglaterra. Sendo que a 2ª versão desse jogo dava para jogar competições europeias, uma autêntica loucura que nos levava a uma realidade paralela com os colegas da escola.

Em vez de fazer o TPC e ter as páginas dos livros abertas na matéria do dia na sala de aula, tinha folhas A4 completamente cheias de apontamentos com nomes de jogadores comprados, craques que resolviam jogos e os resultados todos apontados das partidas que tinha feito em casa para comparar com outros "doentes". A década de 80 já era muito isto!

Claro que apareceram muitos outros títulos do género, tanto para quem queria efectivamente jogar com a bola como para quem preferia ser o "manager". Lembro do The Double, por exemplo. Mas nada se comparava à saga Football Director, digna sucessora do Football Manager que nos ensinava nomes como Port Vale, Blackpool e afins. Deram jeito para brilhar nas aulas de inglês.

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 Quando parecia que o tempo das simulações de jogos de treinadores tinha ficado para trás, há o boom da venda de PC's domésticos. Em 1992 aparece o jogo que toda uma geração esperava e não sabia. Chamava-se Championship Manager e resumia tudo o que aprendemos nos anos 80 mas com gráficos modernos e um motor de jogo impressionante. Era toda uma nova época que se abria. Primeiro só a jogar em Inglaterra, sendo que nessa altura já era a nossa "casa", nenhuma divisão tinha segredos, e os 90' das partidas resumiam-se a uma barra inferior com o tempo a passar e uns comentários a relatar a partida até ao golo que piscava a meio do écran.

Quem não estava por dentro do assunto e ia espreitar ficava doido com tamanha insignificância. Os meus pais repetiam a pergunta: mas tu passas horas e horas a ver só isso?!

Não dava para explicar.

Depois o CM foi evoluindo. Veio a versão Serie A, Bundesliga, La Liga, mas sempre separadas. Cada país era um jogo à parte. A base de dados foi evoluindo, começámos a descobrir os craques que só víamos em resumos. A evolução foi lenta mas apaixonante. Até chegarmos a esta possibilidade de termos várias ligas jogáveis, ver o jogo em 2D, alargar as tarefas chegando aos pormenores incríveis que fazem parte desta nova versão, passaram 20 anos em que todos anos anos por esta altura a nossa vida ficava mais emocionante com uma porta aberta para uma realidade paralela que cada vez mais se confunde com a verdadeira. Houve alturas da minha vida que já me baralhava todo em relação ao clube de um ou mais jogadores. De tão habituado que estava a jogar com um craque na minha equipa, ou a vê-lo brilhar noutra equipa do jogo, quando via na televisão um jogo a sério ficava admirado e a pensar: caramba, mas este tipo não estava no Milan?! O que está a fazer no Real ?!

Às vezes comentava coisas destas em voz alta e sentia aqueles olhares com pena da minha sanidade mental.

Foram anos e anos de impulsos incompreensíveis para quem não vive o jogo. Acabar as noites de copos mais cedo porque tenho uma eliminatória na UEFA para resolver em casa, soava a bebedeira da grande. Mas era a cena mais séria do mundo.

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Joguei CM até 2005 e passei para o FM nesse ano. Até hoje. O percurso é este e deve ser semelhante ao de milhares de pessoas por esse país fora.

Não vou estar aqui a recordar os melhores craques que lancei ou descobri porque sabemos que vai dar sempre aos mesmos nomes. 

Nos últimos tempos nem tenho jogado com o Benfica porque acho sempre que não vou fazer muito melhor que o Jesus. Descobri o prazer de ir mais além no jogo e colocar uns add ons que permitem jogar nos Distritais e agarro no Silves rumo à primeira. Ou tento devolver a dignidade ao Liverpool.

Este ano voltei ao Benfica. Vamos ver até onde vai a aventura. Para já há Romero e Elm chegados por empréstimo. Mas Maxi partiu-me o coração ao forçar a saída para o São Paulo. É o FM!

 

Se sofrem da mesma doença não percam o livro e o documentário de que falo mais acima e vamos lá para o Football Manager 2015. Se quiserem partilhem nos comentários as vossas experiências.

Há 23 Anos em Londres

 

Já passaram 23 anos desde aquele apuramento épico.Mais uma noite europeia mágica do Benfica em Londres. O afchistory.wordpress.com/ recorda assim a vitória por 1-3 após prologamento que levou o Benfica para a Liga dos Campeões:

 

Before the match, there was an air of confidence. Arsenal had been to Lisbon and came home with a point thanks to Kevin Campbell’s equaliser in the Stadium of Light. At Highbury, well, we would win surely? The Portuguese champions were not a great team, a great European club by all means but not a foe to be feared. In that sense, the optimism was not misplaced but Arsenal had their own problems.

Colin Pates had dropped into the centre of defence in the absence of Bould, O’Leary and Linighan. The former returned to the bench for this match. Tony Adams meanwhile, was struggling with an achilles injury. The team itself was in mixed form. The title defence was not going well, partly due to George Graham’s inability to strengthen the squad in the summer and a record of 9 wins with 6 draws and 6 defeats in all competitions underlined that.

 

 

A Imprensa Internacional Sobre Talisca

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(Foto: João Trindade)

 

L'Equipe: "A equipa do Mónaco vai lamentar por muito tempo a ineficácia que a caracterizou na zona de finalização, frente a um Benfica que teve a felicidade do seu lado para vencer."

La Gazzetta dello Sport: "A primeira parte foi uma cura para a insónia, com as equipas a anularem-se mutuamente. No segundo tempo, Jesus trocou Samaris por Lima, inclinou a equipa e foi recompensado com o golo de Talisca."

Globoesporte: "Virou rotina na temporada: mais uma vez, Anderson Talisca foi decisivo para o Benfica: ele começou no ataque, foi recuando e apareceu para salvar perto do fim. Agora o panorama é mais animador."

ESPN: "Talisca, apelidado de "novo Rivaldo", chutou uma bola solta na sequência de um canto e arruinou a excelente segunda parte dos monegascos, que tinham estado muito perto de se adiantar no marcador."

Marca: "Talisca foi mais uma vez o maestro, Júlio César segurou a barra atrás. Talvez tenha sido a melhor atuação do Benfica até aqui na Champions. Mesmo com uma dose de sufoco, foi suficiente para assegurar a vitória."