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Red Pass

Rumo ao 38

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Braga Pondera Queixas Contra Talisca e Enzo

Fica o aviso à nação benfiquista em geral e aos seus dirigentes em particular, em Braga pondera-se a hipótese de apelar à suspensão de Talisca e Enzo com base nestas imagens. A vontade de vingarem a suspensão de 3 meses de Vandinho pode dar seguimento às queixas bracarenses. Isto depois de tudo o que vimos ao longo do jogo. Fica o aviso.

Braga 2 - 1 Benfica : Voltar a Cair no Canto da Pedreira

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Faz-me mesmo muita confusão como é que ao fim de meia dúzia de anos com a mesma equipa técnica, os mesmos dirigentes e com jogadores que na sua maioria conhecem o local, o Benfica continua a cair e a espalhar-se ao comprido neste ambiente da Pedreira. Isto para começar pelo fim.

Ao minuto 82 o Braga faz o 2-1 elevando um mau resultado, o empate, a uma dimensão trágica de derrota. O jogo terminou aos 96 minutos, nos 14 minutos que passaram entre o golo de Agra e o apito final jogaram-se quantos minutos de futebol? Cinco? Nesses cinco minutos o Benfica tentou desesperadamente voltar ao empate que era uma mau resultado, recorde-se. Não consegui por ineficácia atacante e boa exibição de Matheus na baliza arsenalista. E no resto do tempo o que se fez? Nada. Aconteceu Pedreira e o Benfica, como sempre, foi no embalo com jogadores embrulhados, a malta do banco a saltar para todo o lado e ninguém é capaz de perceber que cada minuto que se passou naquilo era ouro para quem estava a ganhar. Em vez de se colocarem logo à parte da confusão e regressarem o mais depressa ao jogo quiseram mostrar que são todos machos no jogo do empurra e das ameaças. Ao fim de tantos anos de Pedreira e continuamos a cair naquilo...

 

Mas a questão de fundo que eu gostava de ver definitivamente esclarecida já vem de trás. O discurso oficial desta temporada tem ultrapassado todos os limites do bom senso quando se desvaloriza a Champions League colocando todas as fichas no bi-campeonato. Vamos lá ver se nos entendemos... Para que fique claro, eu acho que o mais importante esta época é conquistarmos o título de campeão. Portanto, até estamos sintonizados quanto a objectivos.

O que me baralha todo é a fórmula que se está a usar. Antes dos jogos europeus o discurso oficial tira peso da Champions e lembra que o importante é a Liga. Em três jogos europeus o discurso não bateu certo com a escolha dos jogadores. Há algo que está a ser mal feito. Se é mesmo para "esquecer" a Champions então não se usem os melhores jogadores e faça-se rotação. Escolher o "11" mais forte e depois ir tudo a meio gás na maior competição do mundo de clubes não me parece nem muito inteligente nem prestigiante.

 

Acabámos a 1ª volta da Champions com um ponto, chegamos a Braga e perdemos. O que está mal aqui? Tudo!

O Benfica tem um prestigio europeu a defender, quando se opta por dar prioridade ao campeonato aceita-se que se poupem dois ou três titulares mas temos de ir a jogo (europeu) com tudo e para ganhar, à Benfica. Se não der, paciência. Assim nem vejo poupança nenhuma na equipa, nem vejo prestações dignas em campo.

 

Depois do tal compromisso europeu o Benfica tinha um desafio muito sério no Minho. A equipa foi quase toda poupada na Taça de Portugal há uma semana, foi ao Mónaco na máxima força e não ganhou. Chega a Braga e entra muito bem no jogo, faz uns 20 minutos de muita qualidade, marca um golo cedo, muito bem Eliseu a assistir Talisca para mais um golo do brasileiro. E depois fechou-se a loja!

 

O primeiro sinal de desorientação do Benfica notei nos cantos a nosso favor. Como Sérgio Conceição opta por não defender com todos os seus jogadores na área colocando dois ou três na frente para uma resposta rápida caso ganhe a bola, gerou-se confusão no posicionamento atacante. Pareceu-me que não estavam preparados para aquela situação de bolas paradas a nosso favor o que é preocupante.

 

Percebeu-se que o Braga queria esticar e partir o jogo para utilizar ataques rápidos pelas alas e com passes longos. O Benfica teria de encurtar espaços e não deixar que um contra ataque nosso a partir da defesa de um canto a favor do Braga morra nos pés de lima à entrada da área bracarense e ainda vá originar o golo do empate. É inadmissível sofrer um golo daqueles. Estava anulado o efeito de uma excelente entrada e ficava tudo por decidir. E aqui veio ao de cima a incapacidade da equipa pressionar alto. Não se vê o Benfica a fazer aquela pressão à saída do ataque adversário, parece não haver pulmão para isso.

Para piorar, os jogadores pareciam admirados com o critério da arbitragem, tanto pelas repetidas faltas de Danilo, como no pontapé de Santos na cara de Talisca, como na entrada de Ruben Micael em Jonas, só para falar em expulsões. Neste aspecto estranho muito as reacções que vejo nas faces de Gaitan e Enzo! Os argentinos parecem estar sempre a um passo de perderem a cabeça. O semblante sempre carregado, o ar zangado com que jogam, e a qualidade do jogo de ambos a descer drasticamente. Já foram vezes suficientes à Pedreira para não estarem com aquela cara irritada e admirada. Pedia-se precisamente o contrário, que se concentrassem no jogo, que dessem qualidade ao nosso futebol e mostrassem aos estreantes nestas lides o caminho. Infelizmente, parecem ser os primeiros a perder a cabeça e a concentração.

 

Voltando à gestão de esforço, não se entende como é que Jonas não entra em Braga de inicio. Deu boas indicações na Covilhã, não teve que ir ao Mónaco, estaria no ponto para jogar no nosso ataque. Lima não está numa boa fase e jogou na Europa. São decisões destas que me deixam intrigado...

Se o campeonato é a prioridade máxima como é que se justifica que num jogo tão conflituoso como este o Benfica chegue ao fim da partida com duas substituições por fazer?! O desgaste da equipa é evidente na hora de pressionar, de pensar e de atacar mas apenas se troca Samaris por Jonas aos 62 minutos e não se mexe mais?! Isto enquanto Sérgio Conceição foi mexendo bem na equipa, lançou Salvador Agra que decidiu o jogo.

 

Há grande confusão de prioridades, conceitos e escolhas. Se a fraca rota europeia é para ser explicada pela entrega ao campeonato então este resultado vem colocar em causa o discurso e as decisões.

Agora nem boas expectativas na Europa nem invencibilidade na Liga e muitas dúvidas para o futuro imediato. Era importante dar uma boa resposta num dos estádios mais complicados da longa maratona da Liga, não estivemos à altura. O Benfica entrou bem, fez o mais difícil e depois esqueceu-se do resto. Se isto acontece com todos concentrados só nesta competição, então é caso para ficarmos muito preocupados.

 

Depois há coisas que não se percebem de todo, a tendência para trocas de bola na defesa deixando jogadores em posição de perigo de perder a bola em zona delicada, a insistência em passar bolas para os pés de Artur, a lentidão de jogo quando o que se pede é mudança de velocidade.

 

Lisandro Lopez pareceu-me que está a ganhar o lugar confirmando que se não fosse a expulsão a sua exibição no Mónaco teria sido muito positiva. Samaris tarda em trazer à equipa o mais urgente, pegar na bola e dar soluções de passe. Vem muito atrás na construção mas depois não mostra capacidade para lançar os companheiros ou levar a bola com segurança para zonas de desequilíbrio. É aqui que reside boa parte da explicação para o eclipse de Enzo. Talisca aparece muito bem quando a equipa está em alta ou quando tem espaço para dar um safanão no jogo, quando o adversário aperta na marcação o futebol do meio campo do Benfica reduz-se muito.

 

Foi a pior noite da época, não trazendo para aqui a tal participação europeia, uma derrota dura que expôs demasiados erros na preparação do jogo.

Insisto nas atitudes de dois jogadores mais influentes na equipa, Gaitan e Enzo não podem estar bem daquelas cabeças para olharem o mundo com aquela raiva toda enquanto fazem o que mais gostam que é jogar à bola. Não entendo porque não se fazem substituições, não percebo como é se voltou a cair no canto da Pedreira entrando naquelas confusões e não estou nada convencido que no próximo jogo europeu Jesus resolva poupar Luisão, Gaitán, Salvio ou Enzo a pensar no bi-campeonato. Estamos a entrar em conflito de interesses ao nível dos discursos oficiais que por sua vez colidiam com o prestigio europeu do clube e que não teve efeitos práticos nenhuns em termos de invencibilidade nacional.

 

Não gostei nada disto, lamento. Não acho que haja grandes desculpas para gente com tanta experiência dentro e fora de campo. Acertem discursos e objectivos e digam-nos lá afinal ao que vamos. É que de noites destas já tenho a minha quota cheia há muito tempo.