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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 0 - 2 Zenit : Não Deu Para Mais. Apoio Aumentou

 

Tudo esclarecido em 22 minutos. O Zenit é muito melhor equipa do que era em 2012 quando foi eliminada na Luz e confirma-se como principal candidato a ganhar este grupo . O clube russo usou todos os trunfos, e eram mesmo muitos, que tinha do seu lado para anular o Benfica.

Três jogadores no onze que sabem tudo sobre as ideias de Jorge Jesus, Javi, Garay e Witsel, um jogador que sabe tudo sobre defrontar o Benfica, Hulk e ainda dois internacionais portugueses, um no banco outro como capitão. A este contingente de caras familiares junta-se o treinador Villas-Boas que também sabe tudo sobre vitórias épicas na Luz contra Jesus.

O Zenit entrou no jogo com demasiada informação sobre o futebol do Benfica e apostou tudo em agarrar muito cedo no jogo procurando chegar ao golo que deixasse o Benfica sem reacção. Tudo correu bem aos russos, tudo correu mal ao Benfica.

 

Os dois golos do Zenit têm uma história que se conta no sector defensivo do Benfica.

Falemos de Jardel.

Já disse por aqui que o central brasileiro é daqueles jogadores muito úteis para ter sempre no plantel, combativo, bom profissional, bom suplente. Se fosse um titular de qualidade não seria só um recurso muito útil mas sim um titular indiscutível. A diferença, infelizmente, é enorme!

Jardel não pode ser a solução em jogos destes com grau de dificuldade no máximo. Os exemplos maus são mais que muitos. Hoje ficou ligado aos dois momentos que deram a vantagem russa. Por isto ando a pedir ao tempo que se lance Lisandro para ver se temos central à altura da companhia de Luisão ou se assumimos que passamos de um central de classe mundial (Garay) para um... muito útil. Gosto de Jardel, longe de mim querer fazer dele o culpado da derrota mas penso que os argumentos são mais do que evidentes para se compreender o meu ponto de vista.

 

Quando pensamos que já aconteceu tudo ao pobre Artur reparamos que lhe faltava uma expulsão em noite europeia. Momento decisivo do jogo, andar a brincar aos guarda redes pode dar dissabores destes, isto porque me pareceu que o brasileiro hesitou na saída. Mesmo que não tenha tido alternativa, tudo lhe acontece e já todos percebemos isso, logo devia estar longe da baliza ao tempo. Uma palavra de incentivo para Paulo Lopes que hoje se estreou na Champions League e transmitiu mais confiança que o número 1.

 

Chegando à fase do 0-2 e percebida a impotência para mudar o rumo do resultado uma sensação conhecida toma conta da minha cabeça.

Dentro dos vários estádios de decepção em que mergulho quando um jogo corre mal há opções más, muito más e menos más. A menos má acontece quando percebo que o adversário é realmente mais poderoso, está a jogar mais e melhor e tem argumentos suficientes para não ser surpreendido. Felizmente, isto acontece muito raramente na Luz. Lembro-me que a primeira vez que senti isto foi no inicio da década de 80 quando vi o Liverpool a ganhar por 1-4. É uma sensação de impotência mas também de tranquilidade por saber que se trata de uma excepção.

O Benfica voltou a perder um jogo na Luz após 51 partidas invicto, foi a primeira vez que um clube russo aqui venceu em sete tentativas. Estamos, pois, perante uma excepção e temos que saber lidar com ela.

 

 

Esta equipa do Zenit é a prova que o dinheiro traz felicidade, não são o colectivo mais forte da prova mas têm argumentos para ir longe.

 

Após a expulsão e a saída do estreante Talisca, aconteceu o 0-2 por Witsel e depois, resumindo o resto da noite, tanto os russos podiam ter chegado ao 3º, como o Benfica podia ter reduzido. Muito trabalhou a equipa de Jesus na 2ª parte para minorar os estragos e , pelo menos, um golo seria justo prémio. Não aconteceu, paciência. Os adeptos sabem quando a equipa dá tudo e mesmo assim não chega para ganhar. Hoje foi um desses dias e por isso das bancadas veio a força necessária para dar a volta a uma derrota dura, uma forte demonstração de orgulho e apreço pela equipa de futebol que tantas alegrias nos tem dado e um claro sinal de confiança no trabalho de todos.

 

Olhando para as bancadas só dá vontade de exclamar: poucos mas bons!

E a seguir de interrogar: onde se meteram os benfiquistas?!

 

Podem ser dadas milhares de explicações que eu nunca vou entender, aliás, eu recuso-me a compreender como é que o clube chegou a esta triste realidade.

Hoje, 16 de Setembro, é o dia de aniversário da minha irmã. Ela foi percebendo com o tempo que não valia a pena lamentar a minha ausência do jantar de anos sempre que o Benfica joga neste dia.

Aconteceram algumas vezes.

Hoje ela marcou almoço e tudo ficou mais fácil. Mas em 1987 a reacção da família não foi a melhor quando eu teimei em ir para a Luz ver o Partizani Tirana em vez de ficar no jantar de aniversário. Nessa altura bastava entrar na Luz e ver que uma casa fraca numa 4a feira à noite contra um adversário miserável significava ter mais de 60 mil adeptos nas bancadas!

 

o Benfica deu a maior das alegrias aos seus adeptos há poucos meses ganhando tudo em Portugal, o Benfica anda há dois anos seguidos a fazer TODOS os jogos possíveis dentro das competições europeias chegando às finais e estando no top 10 de melhores clubes da Europa, o estádio da Luz há meses foi o centro do mundo recebendo a final desta competição que hoje voltou à acção e compareceram na Luz cerca de 35 mil adeptos. Isto, por muito que custe a muita gente, não tem justificação absolutamente nenhuma. Em 1987, 60 mil pessoas era uma má casa e não havia marketing, descontos, compras online e publicidade na internet. Hoje a equipa joga a mais importante prova do mundo a nível de clubes e só 35 mil benfiquistas não desprezam a sua equipa. Não é de estranhar que o jogo tenha acabado em clima de apoio incondicional à equipa, é que só aqueles que lá costumam ir sempre que podem sabem como podem ajudar a dar a volta.

 

Faltam cinco jogos, acredito que tudo pode acontecer mas, acima de tudo, acredito muito que começámos pela pior parte e que não se voltará a repetir uma noite destas na Luz. Parabéns ao Zenit que tem ali uma bela equipa.

Domingo voltamos à nossa luta, o bi-campeonato!