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Tal como acontece esta época, ir ao Bonfim significa fazer a única viagem em direcção ao sul neste campeonato virado a norte ( e Madeira ). É das deslocações mais curtas que o Benfica tem mas é também das mais complicadas.
Os encontros com o Vitória Futebol Clube são um clássico do nosso futebol com um historial muito rico nas três competições internas. Desde muito novo que aprendi a não confiar neste Vitória verde e branco, cada visita à Luz no inicio da década de 80 era um caso sério de trabalho.
A primeira vez que os vi na Luz foi em Maio de 1981 já com o Benfica campeão, o jogo terminou com goleada 5-1 e com um festival de tareia entre polícia e adeptos que chocou o país ainda a viver a ressaca do 25 de Abril. Foi uma bela estreia, portanto.
A partir daí só me lembro de vitórias curtas, um empate a 1 em 1983, um épico 4-3 em 1984, em 85 novo empate e em 1987 derrota 0-1! Isto é só para se ter uma ideia de como era complicado receber os sadinos. Tem sido assim até aos dias de hoje, recentemente houve a derrota no Jamor e mais alguns dissabores em casa. Por isto é que vibrei tanto com aqueles 8-1 na chegada de Jesus à Luz.
Se a história na Luz é delicada é óbvio que os jogos em Setúbal ainda são mais duros. O estádio do Bonfim é um dos que mais visitei para ver o Benfica. Guardo já um interessante volume de histórias vividas por ali, sendo que não foram poucas as vezes que regressei a Lisboa chateado.
Dentro de campo já se sabe que é sempre complicado mas quem já se deslocou ao Bonfim sabe que a vida de adepto benfiquista dentro e fora daquele estádio nunca é fácil. Raras são as vezes que não acontece intervenção policial e confusões nas entradas. Um clássico.
Assim de repente quando penso nos jogos do Benfica em Setúbal há sempre cinco que me assaltam a memória em primeiro lugar. Dois com resultados trágicos e três com vitórias memoráveis.
Comecemos pelas tragédias.
Época 1993/94, em Novembro o Benfica visita a equipa do Sado que só tinha ganho 1 jogo até ali e estava no último lugar. O jogo foi numa tarde de domingo e na impossibilidade de ir fiquei no meu quarto com o amigo J.D. a jogar F.M. e a ouvir o relato que nesta altura não havia transmissões de jogos a toda a hora.
De vez em quando lembramo-nos desta tarde, tal não foi o choque...
Na rádio só dava Vitória e Yekini. O nigeriano primeiro assustou acertando no poste, depois marcou e voltou a acertar na barra. Antes do intervalo 2-0! No relato ouvia-se bem o ambiente, 35 mil nas bancadas. Comentávamos que na 2ª parte dava-se a volta...
Atenção que estamos a falar de um Benfica com Rui Costa, João Pinto, Yuran, Schwarz, Paneira, etc... Começa a 2ª parte e lá está o homem da rádio a gritar golo do... Vitória! Silêncio no meu quarto que foi quebrado com aquilo que ia ser a recuperação épica, Paneira aos 55' e Ailton aos 66' reduzem para 3-2. Vá, já só faltavam dois golos. Entusiasmo no quarto.
Realmente apareceram mais dois golos... Yekini e Chiquinho Conde fecharam o resultado num impensável 5-2! De tão baralhados que estávamos acabámos a rir e lá fomos ver o resumo do jogo na TV2 com 15 minutos que em baixo reproduzo. Antes que alguém se indigne por recordar tarde tão negra recordemos que esta época acaba com a conquista do campeonato e aqueles 3-6 em Alvalade. Apesar desta passagem pelo Sado.
Outro jogo negro aconteceu em Fevereiro de 1999. Era dia de Carnaval e à tarde aconteceu Taça de Portugal nas Antas, o Torreense foi eliminar o Porto por 0-1! Motivado com a surpresa desafio uns amigos ao fim da tarde e à pressa para irmos para o Bonfim ver o Benfica. O jogo dava na televisão mas o resultado das Antas motivou muito boa gente a ir até Setúbal. O efeito Torreense passou num instante e saímos de lá eliminados por um 2-0 sem espinhas. Não se fala mais nisto.
Agora a parte das melhores recordações.
Fevereiro de 2003, noite fria no Bonfim e ao intervalo o Benfica de Camacho já perdia por 2-0. 15 minutos de intervalo para pensar o porquê de perder tempo com aqueles desgraçados que só nos dão desgostos e tal. Simão Sabrosa 44', 70' (g.p.) e 90', Carlos Martins 61' (p.b.), Tiago 63' e Tomo Šokota aos 80' fizeram o 2-6 final naquela que terá sido uma das segundas partes mais incríveis que vi do Benfica! Da depressão à euforia em 45 minutos. Assim é o futebol, assim é o Benfica.
Há outro jogo no Bonfim com história pessoal engraçada. Novamente em Fevereiro mas do ano 2000, jogo marcado para a noite de uma 2ª feira no dia 14, o tal dos namorados. Fiz surpresa à namorada. Final do dia de trabalho e arranco com ela para Setúbal. "Vamos comer choco?" Sim mas primeiro é ver o Benfica a ganhar. Ainda por cima a vitória foi dramática, o grande Poborsky fez o 0-1 aos 36' mas a 6' do fim Chiquinho Conde (outra vez?!) empatou. Valeu o golo aos 87' daquele gordo que usava alcunha de craque dinamarquês. Ela achou inesquecível. E inacreditável, também.
Das recentes visitas destaco a vitória com Trapattoni a caminho do título de 2005 e a vitória da época passada num jogo tão aborrecido que só me lembro dos golos de Rodrigo e Lima e da grande jantarada com amigos na baixa setubalense que acabou com Simone de Oliveira na nossa mesa a cantar a "Desfolhada" mas com letra à Benfica.
Este ano mais uma viagem ao Bonfim mais histórias para partilhar. Mas não nos esqueçamos que o Vitória no último jogo na Luz fez um empate na nossa festa de campeões. Sempre a desconfiar daqueles esverdeados.