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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Uma Equipa em Construção. Muitas Opções, Algumas Dúvidas

 

Os dados da época 2014/15 já estão lançados mas as cartas definitivas com que o Benfica vai a jogo só agora são definitivas. Sem baixas de última hora a lamentar e com três entradas a apontar à estreia no onze, o plantel encarnado ganhou em quantidade mas há dúvidas quanto à qualidade em todos os sectores. Vejamos:

 

Guarda redes

O Benfica começa com o mesmo drama da época passada, aliás, de quase todas as últimas épocas em que falta um Número 1 capaz de acabar com a discussão à volta da baliza. Oblak parecia ser a solução definitiva. Mas recorde-se que para o esloveno chegar à titularidade absoluta foi preciso ver Artur quase meia época preso por arames e que só caiu devido a lesão a Olhão. Oblak superou os testes mais delicados, nomeadamente na vitória ao Porto na Luz a fechar a 1ª volta da Liga.

 

Com a partida do último titular indiscutível o Benfica precisava de renovar as suas opções. Manter Paulo Lopes não merece discussão. Formado em Portugal, bom profissional e elemento essencial nos festejos de fim de época.

O problema começa em manter Artur em vez de se ter apostado em contratar um titular indiscutível e um suplente que desse garantias. Há um ano ouviam-se histórias incríveis de Artur e da Direcção e equipa técnica ninguém escondia o desconforto que se sentia em relação às exibições do brasileiro na negra recta final de época. Como e porque ficou é um mistério.

Esta época voltou à baliza e passou por uma pré época assustadora para quando já ninguém acreditava ressuscitou! Segurou a Supertaça, segurou os 3 pontos na estreia da Liga e passou pelo Bessa sem mácula. O derbi veio mostrar porque não pode ser o titular.

 

A escolha para a sucessão de Oblak foi feita já com a época em andamento. Chegou o internacional Júlio César, uma escolha forte embora não unânime. Na verdade não é nada fácil contratar um guarda redes que ofereça todas as certezas que se querem para aquele lugar. Júlio César está com 35 anos, tem uma carreira de respeito, diz que vem motivado e conta com uma experiência internacional que merece todo o crédito. Mas ainda ninguém o viu jogar pelo Benfica. Para já pede-se que não tenha paragens cerebrais como aquela de Artur que comprometeu a vitória no derbi. Júlio César deve avançar para a titularidade após esta pausa de Selecções. No Bonfim tem o primeiro teste na peculiar Liga portuguesa.

 

Parece resolvido o problema quanto à baliza mas continuam a faltar opções. Apostar em Artur para as Taças será sempre um susto para os adeptos.

 

Defesa

As saídas de Garay e Siqueira são baixas pesadas. No centro da defesa esperava-se ver ao lado de Luisão o compatriota de Garay, Lisandro Lopez que fez época muito positiva em Espanha. Comprou-se o jovem brasileiro César que teve de entrar a frio na pré temporada e nada de muito entusiasmante mostrou. Com a chegada dos jogos a doer a aposta foi para o suplente Jardel. Neste momento a dupla de centrais é formada por Luisão e Jardel. Se Lisandro não se revelar mesmo o sucessor de Garay então pode-se afirmar sem rodeios que o centro da defesa perde metade da qualidade embora Jardel garanta o mínimo de eficácia.

 

Na direita tudo tranquilo com Maxi Pereira de pedra e cal tendo como alternativas Sílvio ou André Almeida.

Na esquerda o filme do costume. Foi-se buscar Djavan para semanas mais tarde o vender ao Braga, chegou Loris Benito que viu as suas esperanças de jogar reduzidas com a entrada de Eliseu. O ex-Málaga é o dono do lugar e até já foi decisivo na vitória do Bessa com um golo.

 

A defesa perde qualidade muito por culpa da saída de Garay mas mantém o nível nas alas.

 

Meio Campo

A grande preocupação era a saída de Enzo Perez. O argentino ficou e logo a qualidade do meio campo benfiquista mantém-se em alta mesmo porque foi reforçado com dois jogadores que muito prometem. Samaris é jogador feito, internacional pela Grécia, esteve no Mundial e sabe tudo sobre os terrenos que pisa. Pode ser 6 ou 8 tal como a jovem promessa chegada do AC Milan, Cristante. Dois valiosos reforços que se esperam aproveitados por Jorge Jesus e para fazer esquecer o azar de Rubém Amorim e a ausência prolongada de Fejsa. O reforço brasileiro Talisca tem andado atrás dos avançados como opção mais regular mas tem que evoluir mais e depressa. Ainda há André Almeida para o que for preciso a meio. A grande expectativa é saber em quem vais apostar Jesus para as posições 6 e 8, sendo que Enzo é intocável, claro. Não havendo Matic é preciso criar um novo "craque" no meio, opções não faltam.

 

Alas

Na direita há Sálvio e Tiago (Bebe). O argentino é um importante reforço em comparação com a época passada em que parou logo no arranque devido a lesão. Este ano Sálvio tem via aberta para fazer a diferença no seu corredor e formar com Maxi uma excelente dupla. Teoricamente Tiago veio para ser opção mas não seria de espantar que Jesus o puxasse mais para o meio para tentar fazer dele o tal 9,5 que falta ao ataque encarnado. Até agora o ex-Manchester United tem sido guardado mas percebe-se que potencial para fazer figura na equipa principal não lhe falta.

 

Na esquerda a boa notícia é manutenção de Nico Gaitán, uma das estrelas maiores do Benfica e garante muita qualidade ao futebol atacante. As opções passam por Pizzi que pode fazer várias posições como já referiu Jesus, Ola John que terá nova oportunidade de mostrar que não é só um jogador de fogachos tendo que ganhar rapidamente consistência e Sulejmani que quando estava a mostrar qualidade na final da Liga Europa teve lesão complicada que o afasta até agora dos relvados.

 

Não há Markovic mas não faltam soluções de valor aos flancos do Benfica.

 

Ataque

É o sector que mais calafrios causa ao vermos as opções que saíram e as que não entraram. Foi com surpresa que se viu o mercado fechar e o Benfica sem reforçar o ataque. Lima continua sozinho na frente o que só por si já é alto risco, pois uma lesão ou um castigo deixa a nação benfiquista em nervos. Não há Rodrigo, não há Cardozo e as opções que ficam são Derley, Jara ou Nelson Oliveira... O maior risco do Benfica 2014/15 está no ataque. Lima é curto. Talvez a solução passe por Jesus apostar apenas num avançado centro mas mesmo assim na ausência de Lima não se está a ver quem possa fazer o lugar garantido a qualidade que o Benfica tem mostrado nos últimos anos com Jorge Jesus.

É a grande questão que o treinador tem para resolver. Entre Derley, Jara e Nelson Oliveira, algum terá de dar um salto qualitativo muito significante para que não se volte a falar nesta posição em Janeiro.