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Red Pass

Rumo ao 37

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Júlio César, Tello e Nani na Pobre Liga Tuga

 

À primeira vista parece um milagre que a triste e desorganizada liga portuguesa apresente como cabeças de cartaz para a nova época nomes como estes.

Júlio César, guarda redes brasileiro que dispensa apresentações e ainda há poucas semanas nos entrava todos os dias em casa via cobertura televisiva do mais espectacular Mundial das últimas décadas. Com um curriculum de nível superior chega ao Benfica mais novo do que Michel Preud'homme.

Tello, grande esperança do futebol catalão com várias chamadas à equipa principal do Barcelona, chegou a defrontar o Benfica na Champions, cobiçado por muitos clubes europeus chega ao Porto versão espanhola de Lopetegui.

Nani, uma das maiores figuras da Selecção Nacional, sete anos na Premier League ao mais alto nível no gigante Manchester United vem para o Sporting e troca os campos ingleses por palcos bem mais modestos.

Há mais mas estes casos são exemplos de enorme qualidade que chegam para uma competição que pouco ou nada tem feito para evoluir e se promover.

 

Nos últimos dez anos a Europa do futebol habituou-se a ver clubes portugueses no topo das decisões das provas da UEFA, o Benfica nos últimos dois anos fez caminhadas incríveis até duas finais da Liga Europa, o Porto, o Sporting e até o Braga marcaram presenças em várias finais europeias. Será isto sinal de qualidade da organização da liga portuguesa?

Não é. É fruto do trabalho dos clubes portugueses que desenvolvem trabalho incrível para andarem acima da nível mediano do nosso futebol. Há o exemplo do Rio Ave que recentemente se estreou na Liga Europa deixando de fora um dos clubes com tradições na prova e que pouco eco teve por cá. Ou o caso do Estoril que de repente garante mais 6 jogos europeus no seu historial pouco tempo depois de andar pelas divisões inferiores.

 

Voltando aos craques, o eco da chegada de Júlio César ao Benfica na imprensa europeia e brasileira é estrondoso colocando o nome do Benfica na ordem do dia dos assuntos internacionais relacionados com futebol. O mesmo aconteceu com a chegada de Nani na imprensa inglesa e portuguesa e , na altura com a vinda de Tello a imprensa espanhola deu conta da escolha do Porto. Esta visibilidade devia ser aproveitada pela Liga Portuguesa.

 

A triste verdade é que nem sabemos quem vai ficar a mandar na Liga. Nem sabemos como se chama oficialmente a competição. É o caso mais básico da falta de identidade da prova. Há muito que se devia ter designado o campeonato nacional como Primeira Liga ou Liga 1 ou qualquer coisa do género. O nome que for escolhido tem que ficar para sempre mudando apenas o acréscimo do nome do patrocinador principal. Não faz sentido que nos últimos anos o campeonato nacional tenha sido conhecido como Superliga, Liga Sagres e Liga Zon Sagres. Agora, pelos vistos, não há patrocinador e não há nome. Depois da polémica da Sagres, que os rivais diziam ser encomenda do Benfica, não se lembrem de chamar ao campeonato Liga No Name se não ninguém os atura.

 

A realidade é que o nosso campeonato é fraco a nível organizativo, as informações sobre a competição são discretas, não há uma presença digna da competição nas redes sociais, nomeadamente facebook e twiter, ferramentas essenciais para a interacção e informação dos adeptos, as marcações dos jogos são feitas tarde e a más horas, muitas das vezes menos de duas semanas antes de serem realizados.

 

Um campeonato que tem revelado ao mundo craques como Garay, Javi Garcia, Matic, Fabio Coentrão, Markovic, Hulk, James, Falcao e outros tantos merecia um tratamento administrativo de nível muito melhor. Apesar desta pobreza de dirigentes lá teremos muito com que nos entreter nos relvados.