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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 0 – 0 Rio Ave ( 3-2 nos Penaltis ) - Está Feito o "Póquer"

Há uns anos estava de férias no Algarve, tal como agora, e num passeio acabei em Olhão a espreitar o treino do Olhanense mesmo no relvado. Aproveitando a oportunidade tirei uma foto com o telemóvel a uma dupla que vinha fazendo corrida pela linha lateral. Só mais tarde percebi que um deles era o defesa central Jardel. Uns meses mais tarde Jardel vem parar ao Benfica. Por causa desta curiosidade simpatizo com o brasileiro desde a sua chegada. Passados estes anos é justo começar uma crónica de jogo a falar dele porque tenho para mim que também é destes jogadores que se fazem as equipas vencedoras. Jardel não é o melhor central do mundo, não joga sempre mas quando é chamado costuma cumprir o seu papel, nunca o vi amuado no banco, não me lembro de ler declarações suas a ameaçar ir embora ou a pedir ordenados mais altos. Esta noite numa jogada aflitiva na nossa área Jardel resolveu chutando contra a barra da baliza de Artur, evitou o golo do Rio Ave, não cedeu canto e ainda tentou lançar o contra ataque. Precisamos de “Jardeis”, não duvidem.

 

Depois de uma pré temporada tão intensa quanto preocupante, o Benfica apresentou-se para o jogo inaugural da época com um 11 em que apenas Eliseu e Talisca eram novidade. O Rio Ave tinha mais novidades na equipa e um novo treinador em relação ao que vimos no Jamor.

O ano 2014 fica na gloriosa história do Benfica como aquele em pela primeira vez em Portugal um clube venceu todos os troféus oficiais em disputa. Quis o destino que o Rio Ave estivesse envolvido nas decisões finais por três vezes a que se junta o duplo confronto para o Campeonato. O Benfica venceu sempre mas o triunfo mais suado acabou por ser este de Aveiro, no jogo em que a equipa melhor jogou comparando com todos os outros quatro duelos!

 

Em Aveiro a primeira parte do Benfica foi incrivelmente dominante, um autêntico assalto à baliza de Cássio que voltou a fazer um grande jogo contra nós.

Com Maxi e Salvio na direita, Eliseu e Gaitan pela esquerda, Luisão e Jardel no centro da defesa, Ruben Amorim e Enzo no meio campo e Lima na frente ajudado por Talisca, o Benfica produziu um vistoso futebol de ataque só pecando na finalização.

Comparando com a época passada diria que faltou ali um Rodrigo na frente para ajudar a concretizar tanta oportunidade. Talisca naquele lugar não convenceu totalmente. O outro problema está na baliza, Artur não tem condições para dar segurança defensiva. Quando se armou em Neuer fora da área o bruá bem audível vindo da bancada diz tudo quanto à confiança que ele transmite, depois veio a habitual rábula de se atrapalhar todo com a bola nos pés para ficar claramente definido que precisamos de um guarda redes a sério.

 

Mas com tanto futebol ofensivo temos que nos preocupar com o futuro imediato da equipa? Em termos de onze titular se Enzo e Gaitán não saírem é preciso urgentemente encontrar parceiro para Lima e dono para a baliza. Se os argentinos saírem as contas terão de ser refeitas.

 

A verdade é que a bola não entrou e o Rio Ave foi crescendo na segunda parte do tempo regulamentar e também na segunda metade do prolongamento, muito por culpa das entradas em campo de Boateng, só o nome mete respeito, e do nosso bem conhecido Diego Lopes. E também, lá está, com a ajuda de Artur. O Rio Ave fez a exibição menos conseguida das três finais mas nunca esteve tão perto de vencer uma competição. Porquê? Porque isto é o futebol! Uma palavra elogiosa para o trabalho dos vila condenses que vieram de um momento histórico com um incrível apuramento europeu e defenderam superiormente a maior parte do jogo nunca abdicando de tentar chegar ao golo em contra ataque. Boa sorte para a campanha europeia e nacional, valorizaram muito as nossas conquistas.

Para os entendidos que agitam o facto destas finais terem sido ganhas ao Rio Ave e não a nenhum dos rivais maiores eu quero só perguntar: e sabem porque é que os rivais não chegaram a nenhuma final? Caíram contra quem na Taça de Portugal e na Taça da Liga?

 

A justiça chegou nos penaltis com Artur a defender três pontapés. A deliciosa ironia do elo mais fraco da equipa chegar ao momento decisivo e decidir tudo a nosso a favor, não tirando o mérito a quem não falhou o seu penalti. Soube muito bem ganhar assim porque ainda tenho pesadelos com as corridas de Beto em Turim que quase chegava à bola primeiro que os nossos jogadores em igual sistema de desempate.

Ganhámos bem, foi um prémio inesperado para Artur, ao mesmo tempo foi um prémio compensador para a brava luta do Rio Ave que perdeu na última possibilidade.

 

Artur acaba a noite como herói. É o futebol.

Continuamos a precisa de um guarda redes, é óbvio. Nos festejos Paulo Lopes cortou-se ao levantar o troféu ( que ficou danificado ) em cima da barra. Terá sido para relembrar os dirigentes do clube que não podemos só ter estes guarda redes, para todos os efeitos o suplente sai desta partida lesionado numa mão. O Paulo Lopes é outro “Jardel” que merece a nossa estima. O Benfica trouxe um troféu novo e intacto para o Museu, a FPF já contava com os estragos e tinha outro para substituir o partido.

Tudo é bonito quando acaba bem.

 

Até dia 31 de Agosto muito teremos de discutir entre entradas e saídas mas agora respiremos fundo por umas horas, cumpriu-se o primeiro objectivo e fez-se história em Portugal com as cores do Benfica. Queremos continuar a ganhar por isso há que pensar em estar na Luz daqui a uma semana para ver se acabamos com a maldição dos arranques tortos de campeonato. Esta rapaziada merece o nosso apoio. Não está tudo bem, obviamente, mas a História do futebol faz-se de conquistas de troféus oficiais e não de torneios de pré época. O Benfica fez História. Porquê? Porque isto é o Benfica!