... BUFAS! Mas estou a adorar assistir ao pânico que por ali vai com toda a gente a sair da toca e a dizer coisas. Até já falam para os mortos! Tanto que eu esperei por este espectáculo que não me apetece comentar, só sentar e apreciar rindo muito.
Moçambique é, a igual que congéneres como Burkina Faso e Malawi, um contendor com objectivos modestos, como humilde é o próprio grupo, carente de jogadores de topo. Portanto, passar da primeira fase é o simples desejo dos Mambas.
Com Tico-Tico e Dário à cabeça, Moçambique não se pode dar ao luxo de sonhar muito alto, embora não seja proibido.
Sou fã da Taça de África das Nações. Não acompanho tão exaustivamente como faço de 4 em 4 anos com o Mundial, mas fico sempre atento à competição que se joga em Janeiro e que deixa muitas equipas do topo do futebol europeu à beira de um ataque de nervos por perder alguns dos jogadores mais influentes a meio da época.
Este ano o CAN joga-se em Angola e antes da bola começar a rolar a vergonha da morta apareceu em Cabinda. Nada que não se esperasse. Há esperança que tenha sido um episódio triste, sangrento, e isolado nesta aventura angolana.
O jogo de abertura foi épico. Um resultado que entrou directamente para o top de jogos lendários a nível mundial. Com espanto os organizadores goleavam por 4-0 o Mali, um dos fortes candidatos à vitória final, a pouco mais de 10' do fim. Com maior espanto o Mali fez 4 golos até ao fim e conseguiu o empate! Manuel José ainda não deve ter dormido a esta hora e deve estar a pensar que da próxima vez aposta em Mantorras só para não ter azar.
Ontem mais dois jogos, não foram 3 porque confirmou-se a saída do Togo da competição, e mais duas belas surpresas. A Argélia, com Yebda e Halliche, não confirmou a boa forma mostrada contra o Egipto a quem roubou a vaga no próximo Mundial. Foi uma decepção ver os argelinos serem completamente dominados por um surpreendente Malawi que ganhou fácil por 3-0!
Mas a favorita Costa do Marfim não fez melhor. O adversário de Portugal no Mundial não conseguiu marcar um golo à resistente selecção do Burkina Faso treinada por Paulo Duarte que fez alinhar dois jogadores do União de Leiria e Narcisse, primo de Edinho (Málaga).
O jornal I encontrou Ricky e apresenta hoje uma bonita entrevista com o ex-jogador do Benfica que vale a pena ler. Destaco esta parte:
Paciência que foi coisa que não teve quando a dupla Toni/Jesualdo o lançou a titular no Benfica, não foi?
Ah, já entendi. Esse jogo dos 14-1 ao Riachense calha por estes dias, não é?
Sim, foi a 11 de Janeiro de 1989.
Xiii, há 21 anos. Sim, claro que me lembro desse jogo. Mas essa história tem de ser bem contada aos adeptos, sobretudo aos benfiquistas. Estava em França, a jogar na 1.a divisão pelo Metz [oito golos em 32 jogos durante 1987-88], quando o empresário português Lucídio Ribeiro me negociou para o Benfica, tinha eu 27 anos. Só que tive um azar tremendo e parti a perna no meu primeiro jogo, durante o estágio nos EUA. Não me lembro do adversário. Só sei que foi em Nova Iorque, no Giants Stadium. Fiquei arrumado e nunca pude evidenciar a minha pontaria pelo Benfica.
Nunca, não! Nesse jogo de Taça, foi um ver se te avias.
Sim [risos], nessa tarde fiz tudo o que podia. Tinha acabado de regressar após a lesão e estava ligeiramente desanimado pois perdera os dois primeiros jogos oficiais [1-2 com Boavista na Maia, a 31 de Dezembro de 1988, e 0-1 em Penafiel, uma semana depois]. Aquele jogo com o Riachense era importantíssimo.
Do que é que se lembra desse jogo?
Bem, além de conseguir a espantosa marca de seis golos, dois na primeira parte e quatro na segunda, lembro-me de uma tarde de Inverno com sol, da minha camisola vermelha com o número 9 nas costas, patrocinada pela Fnac, e dos adeptos numa gritaria danada, muito por culpa dos milhares dos torcedores do Riachense. Sabe que o golo deles foi no último minuto e os adeptos festejaram como se fosse a decisão do Mundial? Aí, percebi a grandeza do Benfica. E também a do Bento, um senhor guarda-redes [que foi junior no Riachense]. Era ele que estava na baliza e foi a ele que eles [Tochinha, um jovem fundador metalúrgico, futebolista nas horas vagas] marcaram. Também me recordo daquele esquerdino que veio do Portimonense... até jogou na selecção portuguesa... isso, o Pacheco! Ele foi espectacular, baralhou toda a gente e ofereceu-me sei lá quantos golos. Cá fora, demorei mais de 30 minutos para sair do Estádio. Eram tantos pedidos de autógrafos! Só no dia seguinte é que percebi que o Benfica tinha batido o seu recorde na Taça [datado de Abril de 1949, com 13-1 ao Académico de Viseu]. E eu fiz parte dessa história [Direito, autogolo, Ademir-2, Pacheco-2, Lima, Garrido e Miranda também marcaram].
Mas depois nunca mais jogou!
É verdade. Nessa época, marquei seis golos em seis jogos, cinco deles incompletos [ao todo, foram 210 minutos, o que dá um golo por cada 38'], porque a concorrência era enorme. Havia o Vata, que se sagrou melhor marcador da 1.a divisão nessa época [16 golos, 18 com a Taça de Portugal] e ainda o Magnusson [nove no total]. Sem esquecer o central brasileiro Ricardo Gomes [oito, todos no campeonato]. Não havia espaço para mim naquele Benfica que se sagrou campeão nacional, e que só não teve direito a dobradinha, com a Taça, devido àquele livre do Juanico, do Belenenses.
O Sport Lisboa e Benfica informa que o extremo Urreta vai jogar no Peñarol até Junho deste ano, sendo que o clube uruguaio não tem direito de opção no final do empréstimo.
O jovem futebolista uruguaio vai jogar ao serviço do Peñarol no Torneio Clausura, prova que começa no dia 25 de Janeiro.
Esta cedência poderá permitir a Urreta sonhar com a presença no Mundial 2010, que irá decorrer na África do Sul.