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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Invasão ao WC

O Benfica inicia quarta-feira a venda de bilhetes para o «derby» da 11.ª jornada da Liga com o Sporting, que se realiza no próximo dia 28, no Estádio José Alvalade.

Até sexta-feira, a venda de ingressos será exclusiva aos sócios com lugar cativo/fundador/centenarium e com a quota de Setembro em dia, alargando-se, a partir de sábado, a todos os sócios com a quota de Setembro em dia – o mesmo se aplica aos associados das Casas do Benfica.

Os bilhetes estarão disponíveis ao preço unitário de 22 euros.

Saviola em Entrevista à Bola

No seu primeiro dia no Benfica disse que queria voltar a sentir-se goleador. Já tem dez golos em todas as competições. Satisfeito?

— Não. Sou ambicioso e perfeccionista, quero sempre marcar mais. Tenho muito mais para dar, jogar a um nível muito mais alto.

— O melhor golo até agora?

— Contra o Belenenses. Dificilmente corri tanto para fazer um golo, pois jogo sempre mais perto da área.

— Como é que consegue adormecer os seus adversários que o marcam ao segundo poste?

— Duas razões: primeiro, não posso estar perto de Luisão, David Luiz ou Javi García; tenho então de encontrar outra forma de chegar à bola. Raramente nunca me chega limpa. É uma questão de matreirice, de picardias, mais do que o posicionamento. Estou sempre dependente do que pode acontecer dentro da área.

«enorme PRAZER

DE JOGAR COM AIMAR»

— Considera que Aimar voltou ao seu melhor momento de forma?

— Ambos ainda podemos chegar a um nível mais elevado. Às vezes rimo-nos porque sabemos que já não temos 17 e 19 anos, como nos nossos tempos no River Plate. Agora custa-nos mais aguentar todos aqueles jogos de seguida, mas ainda podemos dar mais, chegar um degrauzinho mais acima. Ele é imprevisível, encanta vê-lo pisar um relvado, nunca se sabe o que ele pode fazer. Para mim e para todos, é um prazer ver jogar Aimar.

— Ele é imprevisível mas você adivinha muitas das suas jogadas. Começa a ser imagem de marca as vossas tabelinhas...

— Mas isso é quando nos deixam jogar! A Liga portuguesa é difícil, muito física, os jogadores tratam sempre de destruir o futebol, no bom sentido da palavra: muito defensivo, correr, não deixar jogar. Mas quando podemos, desfrutamos. Isso é o mais importante. Quando se juntam jogadores que sabem jogar futebol chega o momento em que além de ganhar te divertes em campo. Adoro fazer túneis, tabelas, marcar um golo numa jogada ao primeiro toque. Quando podemos, divertimo-nos.

— Compara a qualidade de futebol do Benfica com alguma equipa que já tenha representado?

— Nenhuma equipa é comparável, porque todas têm lacunas e virtudes. A equipa que neste momento tem menos defeitos é o Barcelona. Quando eu estava no Barcelona jogava ao lado de Kluivert e Rivaldo. São diferentes de Cardozo e Aimar.

— Mas este é o tipo de futebol que mais gosta?

— No Benfica jogamos o futebol que mais me beneficia. No Barcelona, por exemplo, joguei muito tempo sozinho na frente, com quatro defesas atrás de mim. Mas este futebol convém-me mais, pois tenho referências como Cardozo, Aimar, Di María... em qualquer momento eles podem decidir um jogo. Esta é uma equipa muito bem formada e se tudo correr bem chegaremos lá acima.

«JESUS LEMBRA-ME

O MELHOR DE BIELSA»

— A qualidade de jogo deve-se mais aos jogadores ou a Jorge Jesus?

— As duas coisas. Um treinador é importante mas se não tiver o apoio dos jogadores a missão torna-se muito difícil. Mas Jesus é um apaixonado pelo futebol, o que nos beneficia muito. Ele está sempre em cima de tudo o que envolve o jogo, os jogadores, não deixa escapar o mínimo detalhe. Para uma equipa é muito motivador saber que se tem esse apoio por parte do treinador. Ele e nós andamos sempre de mão dada. Ele com a motivação que nos dá e os princípios que nos ensina; nós com o nível de compromisso máximo com o que nos é pedido.

— Jesus está ao nível dos melhores treinadores que já teve na sua carreira?

— Já tive de tudo [risos]: é um treinador que me faz lembrar os melhores momentos de Marcelo Bielsa na Argentina: era um técnico que motivava muito os jogadores, estava atento a todos os pormenores tácticos e técnicos, queria os jogadores sempre a 100 por cento. Depois tive outros treinadores que queriam outras coisas... gosto muito da forma como Jesus trabalha, pois tenta fazer tudo para que a equipa seja sempre ofensiva, olhe sempre para a baliza adversária, que em nenhum momento relaxe. Não é bom quando temos um técnico muito defensivo, que empurra a equipa para trás, não demonstra valentia em campo. Com Jorge Jesus mostramos essa valentia, ele fez-nos ter uma identidade ofensiva.

«JAVI GARCIA ESTÁ

EM GRANDE NÍVEL»

— Tem também uma grande relação com Javi Garcia. O que sentiu quando ele marcou o golo da vitória frente à Naval?

— Primeiro, alívio. Estávamos num momento difícil, sem encontrar a chave da vitória. Às vezes temos este tipo de jogos em que a única forma de decidir um jogo é através de um livre, um canto ou uma recarga mais estranha. Fiquei muito feliz por Javi García.

— Está a ser uma grande surpresa. Acha que um dia o Real Madrid poderá arrepender-se de ter vendido o seu passe?

— Quem sai de um grande clube não volta.

— Mas ele voltou: saiu para o Osasuna e foi novamente adquirido...

— Sim, mas isso não vai acontecer duas vezes! Sempre que falamos ele diz-me que está muito feliz no Benfica, sente-se querido, sente-se um grande jogador. Ele encontrou tudo isso aqui. Oxalá que mantenha este nível durante vários anos.

«SINTO-ME MUITO

ÚTIL À EQUIPA»

— Você é o quinto jogador mais utilizado em todas as competições. As pernas já começam a pesar?

— Não. É bom ter uma continuidade. Estar num clube grande implica jogar duas a três vezes por semana. Isso é difícil mas não me sinto cansado. Aguento bem e quando estiver cansado toda a gente irá perceber.

— Disse há dois meses que ainda não tinha atingido o seu tecto no Benfica. E agora?

— Ainda posso melhorar. Já ganhei uma continuidade, sinto-me muito útil à equipa, mas ainda posso dar mais.

— A equipa vai estar preparada fisicamente para o ciclo que aí vem (sete jogos em 28 dias)?

— Só poderemos fazer essa análise depois desse ciclo. No jogo com a Naval, por exemplo, fizemos um esforço terrível: foi ir, ir, chocar, chocar... se esse jogo tivesse sido depois de três semanas difíceis não sei se teríamos forças para o vencer na parte final. Mas estamos bem fisicamente, a equipa tem vontade de ganhar, temos muitos jogadores jovens com vontade de crescer enquanto futebolistas, casos de Fábio Coentrão, David Luiz, Di María, que podem ainda dar muito mais.

«SER CAMPEÃO SERÁ

ALGO GRANDIOSO»

— Desde 2006 que você não ganha um título. É uma sensação difícil para quem se habituou a jogar em grandes clubes?

— É lindo ganhar. Mas há que ter paciência. Ninguém nos vai dar nada, sabemos das dificuldades que vamos ter pela frente, quer na Liga Europa, Liga e Taça de Portugal: é tão difícil vencer a Naval como o FC Porto ou o Sporting. Hoje em dia as equipas estão muito equilibradas, há que lutar sempre. Se queremos ser campeões teremos de sofrer muito.

— Estes meses já serviram para entender a importância de o Benfica ser campeão?

— À medida que o tempo passa noto essa vontade nos adeptos. Cada vez vou imaginando mais a conquista desse objectivo. Ainda falta muito campeonato, mas tenho a perfeita noção de que ser campeão pelo Benfica será algo grandioso.

— Qual foi o episódio que já o marcou no encontro com adeptos na rua?

— Não foi um episódio particular, antes uma coisa mais global: tem-me surpreendido o carinho e a paixão que os benfiquistas têm pelo seu clube. É algo muito específico.

— O que lhe falta para se sentir plenamente realizado enquanto jogador de futebol?

— Hoje em dia é ser campeão. Seria incrível ganhar o título logo no meu primeiro ano no Benfica. É o meu objectivo primordial, mais do que qualquer coisa ligada com a selecção argentina.

Surpreso ao perceber que 'El Pibe' pode convocá-lo a qualquer momento; quer jogar ainda melhor pelo Benfica; as gargalhadas que uma frase provocou Como é que recebeu as declarações de Maradona, ao afirmar que deverá chamá-lo em breve à selecção argentina?

— Fiquei muito surpreendido. Não esperava que ele falasse de mim numa conferência de Imprensa antes de um jogo. Pensei que ele iria apenas falar de jogadores que estivessem convocados, como Di María ou Aimar... deu-me uma motivação extra, sinto agora que posso voltar a ser convocado a qualquer momento.

— Foi ver o jogo com a Espanha, em Madrid?

— Não, vi na televisão, aqui em Lisboa. Infelizmente perdemos. Fiquei logo com aquela tristeza...

«já sabemos

como é diego...»

— Ficará agora mais ansioso?

— Não. Vou continuar a jogar da mesma maneira, sem me sentir pressionado, sem coisas que possam prejudicar o meu jogo. Vou tentar continuar como tenho vindo a fazer agora: pensar primeiro no Benfica e só depois na selecção. Essas declarações deixaram-me algo de muito positivo cá dentro, porque sei que Maradona está a observar-me.

— Acha que já merecia uma oportunidade?

— Agora estou a jogar com assiduidade. No Real Madrid jogava pouco e por isso o seleccionador não podia ver-me. Agora voltei a um bom nível e creio que a melhor maneira é continuar assim.

— Se estivesse no Benfica há mais tempo acredita que já teria sido convocado?

— As carreiras são feitas de altos e baixos. Hoje estás num mau momento, amanhã estás num bom momento. Tens de aproveitar quando estás bem mas também ter a consciência de que nem sempre podes estar no máximo.

— Qual foi a sua reacção quando ouviu Maradona a dizer 'sigan chupando' naquela polémica conferência de Imprensa?

[não evita o riso malandro] A primeira reacção, em conversas com os meus colegas, foi uma enorme gargalhada. As pessoas não estão habituadas que alguém pertencente ao futebol diga uma coisa daquelas, mas há que entender os impulsos de Maradona: ele é uma pessoa muito espontânea, às vezes não mede as consequências do que diz. Diego é assim, sabemos tudo o que ele sofreu e continua a sofrer com tudo o que gira à sua volta. Já sabemos como ele é.

— Às vezes também tem vontade de dizer o mesmo?

— Às vezes [solta uma gargalhada]. Só que há pessoas que se sabem controlar, outras não. Na vida ou dentro de um campo de futebol.

Não vê os leões como candidatos; mas isso será irrelevante no 'derby' marcado para AlvaladeAinda falta mais de uma semana mas aos poucos o jogo vai concentrando as atenções: dia 28 joga-se o derby com o Sporting, no Estádio José Alvalade, o primeiro de Saviola em Portugal. A primeira reacção do argentino ao projectar o jogo é uma enorme satisfação.

«Gosto destes jogos», diz, lembrando-se dos escaldantes River Plate-Boca Juniors ou Sevilha-Bétis, «uma coisa de loucos». Lembra que nestes encontros «não interessa para nada a distância que separa as equipas na classificação», admitindo que nem a possibilidade de o Benfica poder afastar definitivamente os leões do título em caso de vitória garante o favoritismo aos encarnados. «É cedo para dizer o que quer que seja», admitindo que o factor Carvalhal pode ser «motivador». Ainda assim, garante: «Vamos jogar em Alvalade da mesma forma: para ganhar

A conquista do título é a prioridade, numa luta que não incluiu, por enquanto, o Sporting:

— Os nossos concorrentes directos são o Sp. Braga e o FC Porto. Se estão lá em cima na classificação connosco não é por obra do acaso. Já jogámos com o Sp. Braga e percebemos que se trata de uma equipa bem organizada. O jogo teve mais picardias do que eu esperava, mais parecia um jogo disputado na Argentina, mas o futebol é assim... Estamos colados ao Sp. Braga no primeiro lugar com justiça, porque o Benfica é uma equipa que tenta jogar sempre bem, respeita o futebol e não entra por caminhos especulativos. Sabemos que para sermos campeões teremos de sofrer muito, como se viu com a Naval.


Ramires e a Confusão de Braga

Hoje n'O Jogo

Foi mesmo agredido no túnel no jogo com o Braga?

Sim.

O que aconteceu?

Eu estava a separar os meus companheiros à entrada do túnel, virado de costas, e veio um segurança por trás e fez-me uma gravata. Eu tentava libertar-me mas ele sufocava-me cada vez mais. Até que me largou, empurrou-me e agrediu-me. Não entendi, pois eu estava a tentar separar os colegas.

E não sabe quem foi?

Ainda fui atrás dele para lhe perguntar porque tinha feito aquilo, mas ele fugiu. Sei que foi um segurança mas, no meio de tanta confusão, não gravei o rosto dele.