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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Reforço Felipe Menezes em Discurso Directo

FELIPE MENEZES
«O Benfica é a realização de um sonho!»
Entrevista de

ANTÓNIO BARROSO

OAjax e o Manchester United tinham-no referenciado, o Benfica avançou e contratou-o antes que, perante a campanha do Goiás, a sua cotação atingisse um valor mais elevado. Porque escolheu o Benfica?

— Sabia que havia alguns clubes europeus que estavam a observar-me lá em Goiânia, mas o que chegou perto e firme, mesmo, foi o Benfica. Fez a proposta ao Goiás... Foi maravilhoso, uma proposta boa para o clube e para mim, repito, é maravilhoso estar num dos grandes clubes da Europa e do Mundo! Nem hesitei ou pensei duas vezes: é uma daquelas oportunidades que não se pode desperdiçar, uma chance muito boa de trabalho, e a visibilidade do meu trabalho será muito grande. Espero ter, aqui no Benfica, um bom desempenho e conquistar títulos, que é aquilo a que mais aspiro!

— Para além das posições que pode jogar e da sua apetência para rematar de fora da área, quais são as suas principais características?

— Jogo com os dois pés, de cabeça também não tenho problemas, pois a minha estatura, 1,84 metros e 78 quilogramas, também ajuda. E posso jogar em qualquer posição no meio-campo. Mas gosto de jogar a número dez.

— A adaptação, de que tanto fala, será mais fácil num país onde fala a mesma língua e tem tantos compatriotas junto de si? Quais as primeiras impressões do Benfica?

— Sem dúvida! Isso foi outro factor decisivo para a minha vinda, é bastante fácil com muitos brasileiros no grupo. Os adeptos do Benfica, deu para perceber no jogo com o V. Setúbal, são muito calorosos. Na rua, já me reconheceram e dei autógrafos, todos de dão as boas-vindas e desejam muita sorte. É impressionante como o Benfica abarca tantos adeptos no Mundo, em Portugal e, especialmente, aqui em Lisboa.

— A marcação é mais apertada na Europa do que no Brasil, especialmente a um número dez...

— Sim, no Brasil o polícia sempre dá um pouco mais de espaço. Mas tudo isso é questão de adaptação. Nunca tive problemas em jogar com um adversário a marcar-me directamente.

— Não serão exactamente golos que se lhe vão exigir, antes passes de para os seus companheiros finalizarem. Está ciente desse papel?

— Essa é a função de um número dez. Mesmo assim, este ano nem me estava a correr mal nesse domínio: no Goiás, em 19 jogos do Brasileirão, metade do Campeonato, já tinha conseguido três golos...

«OXALÁ CONSIGA O TÍTULO ESTA ÉPOCA!»— Está a par da exigência dos adeptos e dos pergaminhos do Benfica? Não basta ganhar, há que jogar bem e vencer. Aos 21 anos, está preparado para essa responsabilidade?

— Sei que o Benfica não conquista o título nacional já há algum tempo, quatro anos. Mas a responsabilidade não me assusta, o Benfica está bem e na briga pelo título, que, espero, consiga esta época!

— Chega como aposta para o futuro e, como disse o técnico, é aposta não imediata, antes a médio e longo prazo. Com o Benfica a golear e a jogar bem, como sucedeu diante do V. Setúbal, está mentalizado para passar muito tempo no banco ou bancada, nesta sua época de estreia na Europa?

— Jorge Jesus conversou comigo. Deu para perceber que o futebol cá é um pouco diferente, e, pelo que vi neste último jogo, o ritmo é muito diferente, mais rápido. Terei de me adaptar rapidamente para poder ajudar a equipa dentro de campo. A minha expectativa é essa. Entendo que ainda não é o momento de jogar, que vou ter de me adaptar e entrosar mais com os companheiros. Sei que investiram em mim e me trouxeram com o objectivo de ser útil e ajudar a equipa talvez dentro de um ou dois anos, não imediatamente. Mas se conseguir adaptar-me rapidamente, espero enquadrar-me no perfil que Jorge Jesus pretende e conquistar a sua confiança, para poder jogar.

«RUI COSTA PASSOU-ME MUITA CONFIANÇA»

— Conversou com o presidente, Luís Filipe Vieira, e com Rui Costa, antes de se decidir. Este último terá tido um papel decisivo para terminar com as suas dúvidas. Que lhe disseram?

— Foram muito gentis comigo. Rui Costa já conhecia, foi um enorme jogador, para mais na mesma posição que a minha. Foi uma honra falar com ele e depois tê-lo a receber-me, no Seixal, a explicar-me a grandeza e dimensão do Benfica. Fiquei muito lisonjeado com o que me disse e as expectativas que depositam em mim, vindo de quem vêem, daquele que foi um jogador de selecção e de eleição. Ter um ídolo nacional, como Rui Costa, a receber-me, foi... soberbo! Rui passou-me muita confiança. Também me inteirou da responsabilidade que é jogar no Benfica.

«Agarrar OPORTUNIDADE

dE JOGAR CHAMPIONS!»

— Está com 21 anos. Há no plantel compatriotas que deram o salto para o Benfica e para a Europa, ainda mais cedo, como Sidnei, David Luiz ou Fellipe Bastos. Esta era a altura certa para dar o salto para a Europa? A melhoria da sua condição financeira também o seduziu?

— Sim. A questão financeira até ficou em segundo plano: tratou-se, mais do que tudo, de uma oportunidade de trabalho que não poderia desperdiçar. Já tenho três anos como profissional no Goiás, adquiri um pouco de experiência. É lógico que não é uma bagagem muito grande, ainda, mas vai ajudar-me a triunfar aqui e a auxiliar o Benfica a conquistar títulos, espero!

— Que sonho lhe falta cumprir?

— Estar no Benfica já é a realização de um sonho! Mas agora não quero parar por aqui, não. Quero dar um título nacional ao Benfica, esse é o meu sonho profissional, agora. E disputar a Champions League, que é o sonho de qualquer jogador! Sei que o Benfica já foi campeão da Europa duas vezes e esteve cinco vezes nas finais. Deve ser dos que tem mais, com o Real Madrid, Milan e Liverpool, não? Espero estar a jogar a Champions pelo Benfica dentro de um ano!

Porquê Tratar Assim o Balboa?!

À segunda tentativa, Balboa atende o telefone. Está em casa, percebe-se o silêncio à sua volta, ouve-se apenas a voz e assim parece ainda mais isolado. Balboa está sozinho, sente-se abandonado pelo Benfica, o clube que o contratou há um ano por quatro milhões de euros, a pedido de Quique Flores, treinador que logo o deixou cair. "Nunca fui titular duas vezes seguidas", queixa-se. Agora, elogia a frontalidade de Jorge Jesus - "agradeci a sua clareza" - mas não percebe a razão de treinar à parte, de ser barrado à porta do Estádio da Luz quando quer ver um jogo, de estar a desvalorizar quando podia ser emprestado ao Maiorca. E também não entende por que razão não lhe pagam o ordenado.

Sim, Balboa? O mercado fechou, nenhuma transferência ou empréstimo anunciados. Qual é a sua situação?

É uma situação jodida! [a tradução já aí vem, pelo próprio]

Perdão?

Perguntou-me como estou no Benfica? Estou numa situação jodida, fodida! O clube não está a portar-se bem, posso entender que não gostem de mim mas pelo menos respeitem-me. Além de estar a treinar à parte estão a roubar-me outros direitos. Tenho contrato!

O clube está a falhar em que aspecto?

Não estão a pagar o meu salário. Não percebo... somos pessoas, supostamente devia haver respeito, compromissos. Tenho família, tenho pessoas que dependem de mim e não merecem ver-se envolvidas nesta situação. Eu também não mereço - não faltei a nenhum compromisso com o Benfica.

Jorge Jesus falou consigo?

Falámos na pré-temporada. Lembra-se dos dois primeiros jogos em que todos os jogadores disponíveis foram utilizados e eu não joguei um minuto? Depois disso, quando fomos para o Algarve, perguntei ao treinador se contava comigo, precisava de perceber isso. E ele disse- -me: "Balboa, sei que és bom jogador, vi--te jogar contra o Belenenses num jogo particular pelo Real Madrid, mas esta temporada vou apostar no Ruben Amorim e no Ramires. Já falei sobre isto com o Rui Costa mas ele disse-me que tinhas de fazer a pré-época. De qualquer forma estás à vontade para tratar da tua vida." Agradeci a clareza, percebi o que me esperava e comecei a procurar equipa.

O que falhou?

Penso que o Rui Costa podia ter facilitado a situação. Tive oportunidade de sair para o Maiorca! Agora o mercado fechou e o que faço? Fico nesta situação até Dezembro? Sem jogar, a treinar à parte, em Dezembro serei um futebolista ainda mais desvalorizado. Se fosse emprestado, se estivesse a jogar, o meu valor iria subir. Depois vieram as mentiras.

Mentiras?

Que eu não queria sair para Espanha! Como é que eu podia não querer?

Tinha mais alguma proposta?

Maiorca e Santander, para onde foi o Sepsi. O Maiorca foi a melhor oportunidade mas nada se resolveu. Entretanto vieram mais histórias... Na segunda-feira fui ao Estádio da Luz para ver o jogo com Vitória de Setúbal e fui barrado pelos seguranças. Não me deixaram entrar! Tive de telefonar ao Rui Costa e ele, ao telefone, deu-lhes ordens contrárias. É claro que não foram eles a inventar aquela decisão.

Então o Rui Costa parece compreender a sua situação.

Mas não sei se fez tudo. Quando tem um plantel grande é natural que tenha de colocar jogadores, é natural que os faça jogar noutro lado para que se valorizem. Claro que o Maiorca não podia pagar o meu salário por inteiro, mas é preferível eu ficar parado? Por isso estou fodido... Tinha uma imagem boa em Espanha e de repente passo a ser o reforço dos quatro milhões que não joga nada. Isto quando. na verdade, não tive oportunidades. Estive para sair em Dezembro mas o Rui Costa disse-me que o Quique Flores não queria, que eu iria jogar mais. Foi o que se viu. E agora ninguém facilita, ninguém fala comigo.

Mas não foi o Quique Flores que pediu a sua contratação?

Foi, eu estava de férias e ele telefonou- -me a dizer que me queria no Benfica. Disse-lhe "sim, vou". Tinha sido treinado por ele nos juvenis do Real Madrid, como dizer não? Com o Quique não tive qualquer mal-estar mesmo quando, a partir de determinada altura, toda a gente jogava no meu lugar. Menos eu. Jogavam Aimar, Reyes, Amorim, até Felipe Bastos, todos menos eu.

Vimos o verdadeiro Balboa?

Como podia jogar quanto entrava apenas cinco minutos? Ninguém consegue! O Javi García e o Saviola também vieram do Real Madrid, têm qualidade, mas jogam sempre. Eu não fiz dois jogos seguidos como titular! E quando fui titular o treinador tirou-me aos 33 minutos num jogo em que estávamos a ganhar 1-0!

O Benfica está a forçar a ruptura?

O que acha? Se o plantel principal treina às 10 horas, eu tenho de lá estar com o Jorge [Ribeiro] às 8h30. Isto é normal? Percebo o que querem mas eu não vou falhar, sou um profissional, vou treinar todos os dias. Não têm nada a dizer de mim, nunca me viram em festas ou na noite, não criei problemas a ninguém. Ficar à parte? Tenho contrato e não me posso calar agora que o mercado encerrou e nada foi resolvido... Vou aguentar, vou treinar... muitos jogadores saíram daqui e triunfaram. Tenho 24 anos e também vou conseguir.

fonte: I

Transferências Pela Europa

Franck Ribéry, David Villa, John Terry e Sergio Aguero eram alguns dos jogadores mais pretendidos no futebol europeu, mas permaneceram nos respectivos clubes. Pensava-se que casos como estes seriam a regra, mas a verdade é que foram a excepção. Muitos dos futebolistas mais desejados do mundo (Kaká, Ronaldo, Benzema, Xabi Alonso, Adebayor, Tévez, Eto'o, Ibrahimovic) mudaram de clube neste Verão, em que se registaram três das cinco maiores transferências de sempre.

Em tempo de crise, e embora não haja números finais, os clubes gastaram mais do que se poderia imaginar. Em Inglaterra até houve uma redução, mas em Espanha e França os indicadores apontam para gastos superiores aos da temporada passada. O Real Madrid e o Manchester City foram os agitadores e injectaram liquidez num mercado que se previa quase parado. "Criou-se uma pressão inflacionista sobre as transferências e os salários dos jogadores", analisa Emanuel Medeiros, director executivo da Associação Europeia de Ligas de Futebol (EPFL).

Esta resistência à crise é um sinal "da vitalidade e potencial do futebol", mas também inclui um "reverso da medalha", avisa Emanuel Medeiros, alertando para "o preocupante" nível de endividamento dos clubes.

Contas à parte, a Liga espanhola é a grande vencedora desta "batalha". Tirou o melhor jogador à Liga inglesa (Ronaldo, o mais caro de sempre), os dois melhores ao campeonato italiano (Ibrahimovic e Kaká, terceiro e quinto na lista dos recordes ) e o melhor da Liga francesa (Benzema).

Os gastos de Real Madrid e Barcelona conferem um novo protagonismo a Espanha, cujos clubes do escalão principal investiram cerca de 481 milhões de euros, segundo o site Transfermarkt, que regista todas as transferências do futebol. A Liga que mais gastou, porém, foi a inglesa: 541 milhões de euros, apesar da relativa discrição dos candidatos ao título.

A liderança de Inglaterra na tabela dos gastos deve-se ao Manchester City e a uma grande dispersão de investimento pelos clubes médios. Equipas como Everton (23 milhões), Aston Villa (40), Stoke City (21), Sunderland (42,3) e Birmingham (20) gastaram tanto ou mais do que Benfica e FC Porto, os mais gastadores em Portugal.

A par de Portugal (ver outro texto), a Espanha é um exemplo do desequilíbrio entre "grandes" e pequenos. Real Madrid e Barcelona foram responsáveis por 77 por cento das despesas em transferências. "É uma certeza que o fosso entre grandes e pequenos está a aumentar", refere Medeiros.

Em França, o Lyon (gastou 72,5 milhões e recebeu 52,5) e o Marselha (despendeu 40,9 e encaixou 28,3) foram os maiores dinamizadores do mercado, enquanto em Itália o Inter foi o que mais recebeu (muito graças a Ibrahimovic) e o que mais gastou (Diego Milito, Sneijder, Thiago Motta, Lúcio, Arnautovic e Eto'o). O Génova (68 milhões) foi o segundo clube italiano a reforçar-se mais, mesmo à frente da Juventus (55 milhões).

Na Alemanha, o Bayern de Munique (que pagou 25 milhões por Robben e 20 por Mario Gomez) foi o maior investidor (66,4 milhões), muito à frente do Hamburgo (25,7). Curioso é que todas as cinco principais ligas apresentam saldos negativos entre receitas e despesas em transferências, algo que Portugal contraria, com um saldo positivo de cerca de 28 milhões de euros.

fonte Público