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Red Pass

Rumo ao 38

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Zenit 3 - 1 Benfica: Profunda Desilusão

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As noites europeias fizeram muito pelo crescimento da mística benfiquista e da paixão ao clube de milhares de adeptos que foram passando esse amor de geração em geração. Essas noites europeias eram mágicas e marcaram a minha infância, a minha adolescência e boa parte da minha vida adulta. 

Começaram por ser noites de mistério. Nunca sabíamos bem que nos vinha visitar à Luz, os jogadores, os equipamentos e como jogavam. Para quem vivia perto do antigo Estádio da Luz, como eu, eram noites de agitação mesmo antes de ter idade de poder ir ao jogo. A rumaria do povo com bandeiras e cachecóis vermelhos e brancos que enchia as ruas entre a Estrada de Benfica e os montes para lá do campo dos Pupilos do Exército. O fascínio dos holofotes ligados, coisa rara nos anos 80 em que se jogava quase sempre à tarde nas provas internas, as originais e lindas torres de iluminação da Luz que rasgavam o céu negro nocturno com um clarão impressionante que só aumentava o desejo de ali estar a quem não podia ir ao estádio. Horas à janela a olhar para aquele clarão e à espera do emocionante "bruá" que se ouvia a céu aberto a cada golo do Benfica e que a rádio logo a seguir confirmava com todos os detalhes narrados a alta velocidade. 

As noite das vitórias dramáticas com o Karl Zeiss Jena, com o Liverpool e com o Dukla de Praga, as noites de glória com a Roma, com o Steaua de Bucareste, com o Marselha, aqueles jogos de primeira mão que nos deixavam desconfiados mas que depois acabavam em festa com o Arsenal, com o Leverkusen, com o Craiova, com o Betis e tantos outros. 

Estas eram as noites do Benfica, quando se saía da pasmaceira da competição interna e se mostrava ao mundo o que era o Benfica. Está no nosso ADN. Deviam ser as noites mais desejadas por toda a gente. 

Não sei quando é que isto deu a volta mas a verdade é que os sinais foram aparecendo nos últimos anos. Cada vez que oiço que é preciso poupar num jogo europeu porque a seguir há campeonato fico sempre baralhado. Quando comecei a ter a sorte de ver os jogos europeus na Luz, e posso dizer que desde o começo da década de 80 que não perco uma partida do Benfica nas provas da UEFA ao vivo no Estádio da Luz, era precisamente o contrário. Antes do compromisso europeu é que se poupava um ou outro jogador para a noite de gala. Até o ensaio geral costumava ser sábado à noite. 

Isto mudou quando os Halmstads da vida conseguiam afastar o Benfica. Bateu no fundo quando o Benfica ficou fora das provas da UEFA dois anos seguidos. Impensável! Que dor. Depois de ter ficado fascinado pelas noites europeias, ver o Benfica fora da Europa foi das maiores decepções da vida.

Houve retoma e lentamente o Benfica lá voltou ao seu lugar europeu. Discutiu uma eliminatória com o Inter, bateu o Manchester United na Luz, eliminou o Liverpool campeão europeu em Anfield, voltou a duas finais europeias, reencontrou o seu espaço. 

Depois disto, o clube entrou num impasse misterioso. Vai dez vezes seguidas à Champions League, o que é óptimo, mas de ano para ano aparece menos ambicioso no discurso e no campo. Parece que garantir a presença na competição é um fim e não um meio de voltar a fazer história internacional. O ciclo agravou-se nos anos recentes com uma série de derrotas e apenas duas vitórias contra o... AEK. 

Sempre houve desculpa e os próprios sócios parecem ir desculpando os insucessos com a prioridade ao campeonato nacional. É uma postura perigosa como agora se vê. 

A atitude nunca pode ser de desprezo pelas provas da UEFA e ganhar em Portugal. Também não deve ser de candidatos a ganhar a Champions League e ter um Benfica europeu até Maio todos os anos. Tem que haver um equilíbrio. E esse equilíbrio tem que começar quando se assume a importância e o peso que as provas internacionais têm no passado do clube. O Benfica nunca foi só de consumo interno. Também nunca foi um clube presente em finais europeias todos os anos, tirando ali a década de 60 e 80, mais as duas finais de Liga Europa mais recentes. Mas o Benfica cresceu muito e angariou muitos fieis graças à ilusão dos duelos europeus. Isso não se pode perder. 

Um clube estável a nível financeiro como nunca esteve, ganhador a nível interno nesta última década, com uma organização invejável não pode desprezar os compromissos europeus. 

Por isto mesmo, no arranque desta época ouvimos Direcção e treinador sintonizados na vontade de fazer mais e melhor na Champions League, assumir a dimensão internacional. A International Champions Cup foi um bom aperitivo mas as duas primeiras jornadas da Liga dos Campeões foram uma forte e profunda desilusão. 

Bruno Lage não conseguiu transitar o futebol ambicioso que mostrou no campeonato desde que chegou para a Europa. Sente-se que o que jogamos é curto neste contexto de Champions. 

Já o tinha escrito na jornada 1, o discurso não batia certo com o que jogamos. Agora é preciso reflectir. O Benfica tem que pensar em grande, tem que assumir o desafio em vez de entrar com receio, desconfiado das suas capacidades. Tem que deixar os complexos de inferioridade e assumir que é capaz. 

Na Rússia só se aproveitou a estreia de Raul de Tomás a marcar. Que se parta daí para novas ideias. 

Exige-se que o futebol do Benfica dê outra imagem na Europa e termine este ciclo horrível que nos consome a todos. Quanto mais depressa assumirmos que algo está errado nestas abordagens europeias, mais depressa podemos responder de outra maneira. 

O Benfica não pode virar costas à Europa. Às vezes acontece o pior, como nos casos que dei das noites com o Karl Zeiss ou Dukla, mas temos que sentir a ilusão do apuramento algures na luta e não este deserto de sentimentos que nos invade invariavelmente após sofrermos o primeiro golo. 

Há quatro jogos pela frente, sintam a vontade de os jogar como nós já sentimos desde os tempos das torres de iluminação acesas na velha catedral. Estas noites não podem ser de pesadelo, foram feitas para serem mágicas. O Benfica que volte a assumir essa responsabilidade de iludir e fazer sonhar. Todo o Benfica, de dentro para fora e de fora para dentro. O nosso passado assim o exige. 

Benfica 1 - 0 Vitória de Setúbal: O Valioso Golo de Vinicius e a Lata do Amarelo a Odisseas!

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Aos 83 minutos de jogo, cartão amarelo para Odisseas Vlachodimos. O guarda redes do Benfica é advertido por demorar tempo a repor uma bola em jogo. Makaridze, o guardião do Vitória terminou o jogo sem ver nenhum cartão. Isto depois de ter passado os primeiros 64 minutos, mais de uma hora de jogo, sem pressa nenhuma em jogar futebol. 

É daqueles momentos que vou guardar com carinho no final deste campeonato. 

Também posso trazer para a discussão as diferenças entre a entrada de Masilla sobre Rafa e a de Taarabt sobre Zequinha. 

Isto para dizer que o árbitro Tiago Martins não veio à Luz para mostrar desacerto, falta de talento ou incompetência. Tiago Martins veio à Luz para provocar e atrapalhar. Não foi por acaso que conseguiu ser o elemento que mais influenciou as reacções das bancadas. 

Foi só mais uma pedra no caminho do Benfica. A tarefa já era complicada, o golo tardava em aparecer e tudo somado foi mais uma noite de grande sofrimento para a nação benfiquista que acabou bem com os três pontos conquistados, ou seja, o mais importante foi feito.

Já se percebeu que a equipa do Benfica entrou numa fase mais desinspirada com muita dificuldade em resolver jogos teoricamente mais fáceis. Foi assim com o Gil, foi assim em Moreira de Cónegos e voltou a ser assim nesta recepção ao Vitória de Setúbal. E só estou a falar de jogos da Liga porque é o que interessa para esta análise.

Bruno Lage está a sentir isto mesmo e hoje optou por uma mudança relevante. Desfez a dupla de ataque, Tirou RDT e lançou Gedson naquela posição.

A ideia era boa mas não entusiasmou. Contra um Vitória FC de carácter defensivo a solução não teve efeitos imediatos. Depois, confirma-se o eclipse exibicional de Pizzi e com isso a falta de profundidade no jogo exterior da equipa, o que leva para opções mais interiores, previsíveis e fáceis de contrariar. Mais uma vez, foi Rafa a dar um toque extra de qualidade no futebol do Benfica. 

Com uma primeira parte cinzenta e uma segunda a prometer muito sofrimento, foi do banco que veio a solução. Vinicius entrou e marcou, justificando a aposta do clube, Gabriel tinha entrado para o lugar de Fejsa e adiantou a equipa no terreno.
A Luz suspirava de alivio e virava-se para o árbitro que ia ganhar maior protagonismo a partir daqui. Os mais de 53 mil adeptos na Luz perceberam a importância do momento e manifestaram-se com um carinhoso apoio à equipa enquanto reagia revoltada com decisões provocadoras de Tiago Martins.

O Vitória acreditou que podia reagir e largou a postura mais defensiva para se lançar em ataques, especialmente depois da expulsão de Taarabt.

O Benfica resistiu e segurou mais uma vitória muito importante. Sem empolgar, longe das grandes exibições mas a conseguir ganhar jogos que não correm tão bem. Vai recuperando gente como Gabriel e Vinicius, o que são boas noticias.

Hoje o desafio era maior do que bater o Vitória, resistir à condução de jogo de Tiago Martins também foi um importante obstáculo. No fim do dia são 3 pontos, missão cumprida.. 

Benfica 0 - 0 Vitória de Guimarães: Quase 40 Mil na Luz Pedem Mais

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Tenho que começar por congratular os benfiquistas que foram à Luz ver a estreia do Benfica na Taça da Liga 2019/20. Quase 40 mil adeptos nas bancadas é muito significativo para assistir a um jogo da terceira competição, em termos hierárquicos, do calendário do futebol português. Tanta vez que critiquei ao longo dos últimos anos o desinteresse do público afecto ao Benfica por jogos oficiais, mesmo que da Taça da Liga, que devo mesmo elogiar a composta plateia do Estádio da Luz nesta 4ª feira. E uma palavra também para os muitos adeptos do Vitória que conseguiram estar a apoiar a sua equipa a meio da semana às 19h tão longe da sua cidade. Grandes.

O jogo despertava interesse por colocar frente a frente duas equipas já bem rodadas esta época, com compromissos europeus, e com promessa de bom futebol. 

Já se sabe que nesta prova os treinadores acabam por mudar bastante o desenho e os nomes das suas equipas e, por isso, dificilmente temos ideias tão organizadas e articuladas como no campeonato. 

A verdade é que foi a equipa de Ivo Vieira, que se confirma como um treinador muito interessante, a mostrar mais qualidade colectiva e com futebol mais convincente. Numa espécie de 4-2-3-1, o Vitória apresentou algumas caras novas. Douglas na baliza, Sacko na direita, Florent na esquerda, Pedro Henrique e Frederico Venâncio como centrais. Depois Agu e Denis como médios mais baixos, Davidson, André Almeida e Rochinha no apoio a Léo Bonatini. Uma boa ideia com lances promissores e que só não deram vantagem aos minhotos porque esbarraram numa bela estreia de Zlobin com alguma infelicidade à mistura. 

Já Bruno Lage lançou Zlobin, a melhor revelação da noite, Jardel ao lado de Ruben, Tomás e Nuno Tavares nas alas. Samaris regressou ao meio, Gedson estreou-se como titular esta época, Taarabt manteve a posição e Caio como extremo. Na frente, Seferovic novamente a titular com a companhia de Jota, eles que inventaram o golo da vitória em Moreira de Cónegos.
Houve muitos problemas para ligar o jogo e para conseguir que Adel, Jota ou Gedson fizessem a diferença no jogo interior. Ideias que foram bem contrariadas pelo posicionamento do Vitória. 

Um 0-0 inquietante e que foi enervando a plateia da Luz habituada a festejar golos.

Na 2ª parte houve mais Benfica. Tomás Tavares soltou-se e apareceu bem ofensivamente, Gedson e Taarabt assumiram mais jogo mas não foi o suficiente para fazer a diferença na finalização. 

Samaris acabou substituído e mostrou um momento de forma pouco interessante, Caio e Jota também não conseguiram agarrar a oportunidade e deram lugar a Rafa e RDT. Para o lugar de Samaris entrou Gabriel, a melhor notícia do dia. 

Com estes três reforços, o Benfica ganhou dinamismo, mais objectividade, velocidade e impôs o seu futebol mais habitual. 

Mas não chegou. Mesmo porque do outro lado foram a jogo Lucas Evangelista, André Pereira e Marcus Edwards, tudo jogadores de boa qualidade. 

O Benfica foi mais forte depois das trocas e mostrou querer ganhar o jogo, esteve perto de conseguir fazer golo em duas ou três oportunidades mas acabou mesmo a zero. 

Os quase 40 mil que foram à Luz deram o sinal que querem ver o Benfica ganhar esta competição, cabe agora à equipa lutar pelo apuramento em Setúbal e na Covilhã. 

Moreirense 1 - 2 Benfica: Reviravolta Épica no Minho do Benfica

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A alma do Benfica está nas bancadas do norte. Não me interpretem mal. Gosto muito do Estádio da Luz, tenho lugar cativo há décadas e é a minha casa. Mas, neste momento, para sentir aquela dedicação e motivação extra das bancadas é preciso assistir a um jogo do Benfica no norte do país. Foi assim em Braga e voltou a ser em Moreira de Cónegos. 

Não é uma deslocação fácil, pela logística, pela distância (do ponto de vista de um lisboeta), pela ausência familiar em metade do fim de semana, pelo cansaço que é ir e vir no mesmo dia, pela chuva e nevoeiro que nos acompanhou durante mais de 700 km, pelo desgaste, pelos acessos ao Estádio, pela espera na entrada, até pelos preços dos bilhetes que não condizem com a qualidade dos lugares. Mas tudo é compensado pela jornada de convívio entre benfiquistas, pelo encontro com outros grupos de benfiquistas. Pelas histórias trocadas, pelas opiniões divergentes e, acima de tudo, pela vontade de estar ao pé da equipa e ajudá-la a ganhar três pontos. 

O ponto alto é o repasto. Aconteceu já perto do Estádio na Tasca du Nuno 7Olhinhos, pelo menos é assim que está no trip advisor. Uma casa muito conhecida naquela zona e que em nada desiludiu. As referências eram óptimas e confirmou-se como escolha acertada. A começar no facto de terem aberto a casa mais cedo de propósito para um jantar antes do jogo e pela oferta gastronómica irrepreensível. Entradas como queijo, paio, alheira à braz, moelas e panados. Depois, arroz de camarão com filetes, e secretos de porco preto. Tudo óptimo!

Já estava ganha a viagem. 

Faltava o jogo. Felizmente, a chuva deu tréguas e conseguimos estar na bancada ainda em modo de verão, manga curta e calções ainda foi indumentária aceitável. 
O relvado aguentou-se muito bem e estava bem melhor que o do Jamor, por exemplo. 

Tudo em condições para o Benfica repetir a boa exibição da última temporada no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas. 

Só que o momento não é o mesmo. Bruno Lage voltou ao desenho normal de campeonato, o 442 com RDT e Seferovic na frente, Rafa e Pizzi nas alas, Taarabt e Fejsa no meio. Também André Almeida regressou ao seu posto. O começo de jogo mostrou um Benfica com demasiada circulação de bola, pouca velocidade e a jogar muito longe da baliza de Pasinato, onde se encontravam os adeptos do Benfica. 

Demorou bastante até vermos o ataque do Benfica a funcionar com perigo, Pizzi não acertou na baliza e desperdiçou a primeira boa jogada já a meio da primeira parte. Aliás, Pizzi é o espelho deste menor fulgor da equipa. Sobra Rafa para pautar os tempos de arranque dos ataques da equipa. Ele e Taarabt são os que mais procuram a bola e tentam com a sua qualidade individual dar um rasgo de génio que acabe com a previsibilidade da equipa. 

Isto perante o mérito de um Moreirense muito bem organizado por Vítor Campelos que posicionou o seu 433 de forma superior tirando espaços no jogo entrelinhas do Benfica e deixando sempre Bilel, Nené e Luther como principais ameaças quando tinha bola. Sobreviveram à melhor fase do Benfica na primeira parte e conseguiram chegar vivos ao intervalo.

Regressaram ambiciosos no 2ª tempo e com três minutos jogados fizeram o 1-0 por Luther com todo o mérito numa bonita jogada onde ficaram expostas deficiências da organização defensiva encarnada.

A partir dali cabia ao Benfica mostrar outra face, mais ambição, mais velocidade, mais objectividade e dar tudo para revirar um resultado que era muito negativo. 

Até ao minuto 85, o Moreirense pareceu sempre confortável no jogo, a defender de frente para a bola a maior parte das vezes e mesmo apertado parecia ter o resultado controlado. 

Bruno Lage tentou de tudo, trocar os alas de posição, fez regressar Gedson, uma excelente notícia, fez entrar Caio Lucas para o lugar do "desaparecido" Pizzi e apostou tudo em Jota no lugar de André Almeida. 

Rafa, tinha de ser ele, fez o empate a 5 minutos dos 90 de cabeça com uma naturalidade que nem parecia que estávamos ali há 85 minutos a sofrer. Esse momento de aparente normalidade que foi o empate fez com que as bancadas no Minho explodissem num apoio incondicional à equipa. Começou fora do relvado a reviravolta. Como que a empurrar a equipa desde a o sector por trás de Vlachodimos até ao outro lado do campo. 

E quando Ruben Dias mete a bola por alto para o lado esquerdo onde Jota recebe e prepara o cruzamento, foi como se o tempo tivesse parado. Foi como se o mundo fizesse ali uma pausa. Todos os olhos nos pés de jota onde estava a bola, as gargantas roucas a puxarem pelo Benfica, a distância ficou mais curta, por segundos parecia que a bancada estava tão crente e tão forte que podia estar na linha de meio campo a assistir ao cruzamento. E quando a bola sai por cima numa trajectória perfeita para a cabeça de Seferovic foi só suster a respiração, arregalar os olhos e contemplar a viagem final da bola até ao fundo da baliza do Moreirense. 

Naquele momento, desculpem-me mas não há nada tão bonito, emocionante, justo e arrebatador como um festejo em plena bancada em estado puro de alegria. 

Tudo dentro da normalidade, o Var analisou, o tempo de descontos ainda não tinha acabado, o árbitro até era o insuspeito Soares Dias e o Benfica ganhou assim. Da forma mais dramática, da maneira mais dura mas venceu sem deixar margem para discussões. 

Numa maratona como é a Liga NOS, ganhar jogos em que a equipa não esteve bem é essencial para manter a chama. Na época passada vimos isso com o Tondela na Luz e com Seferovic a resolver. 

Precisamos de voltar a jogar mais e melhor mas esta vontade, determinação e procura pelo golo final nunca pode ser diminuída nem ignorada porque isto também é futebol. 

Como já sabem eu sou simpatizante do 3-0 aos 20 minutos e de uma aborrecida monotonia sem emoção com o Benfica a ganhar. Mas quando se ganha desta maneira voltamos sempre a festejar como uns putos que foram à bola pela primeira vez na vida. Uma adrenalina que torna a viagem de regresso mais simpática. Uma dose de felicidade que faz com que venha aqui desabafar a caminho das 5 da manhã antes de ir descansar de mais uma épica odisseia atrás da equipa que escolhi para me fazer regressar à infância todos os fins de semana.

Que esta vitória seja recordada em Maio com a mesma satisfação que recordei aquela com o Tondela na Luz.

O Minho é Benfica. Ser do Benfica é incrível. 

 

Benfica 1 - 2 RB Leipzig: Eurocépticos

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O grande dilema é o seguinte: o discurso de retoma europeia não bate certo com os zero pontos no final do dia depois da estreia europeia. 

O Benfica começou a disputar a fase de grupos da Champions League pelo 10º ano seguido e não há maneira de sentirmos que a equipa dá o necessário salto qualitativo para bater certo com a promessa de pensar em grande na Europa. 

As campanhas todas acumuladas adensam mais o sabor amargo de uma derrota caseira no arranque de mais uma campanha na Liga dos Campeões. 

Nas últimas décadas o Benfica chegou aos 1/4 de final com o Bayern e com o Chelsea. Depois é preciso recuar a Koeman e lembrar o Liverpool. Foram as excepções que nos fizeram sonhar e que nos mostraram que podia acontecer um Benfica mais ambicioso na Liga dos Campeões. Mas por diferentes razões, o sonho de chegar mais alto vem sendo sempre adiado. Verdade que as duas caminhas até às finais da Liga Europa atenuaram bastante a frustração europeia mas não serviram de alavanca para mais e melhor. 

Parece que há um medo cénico do Benfica em tentar regressar ao mais alto patamar europeu. Os adeptos não levam a sério as noites europeias na Luz que apresenta sempre uma triste moldura humana entre os 16 estádios que desfilam nos resumos no final da noite, e, há que dizê-lo, depois outros compensam com prestações vocais memoráveis longe de Portugal agarrando a ideia que há que ter euro ambição. Os vários treinadores do Benfica vacilam entre usar o 11 mais forte e consolidado e tentar lançar novas caras para não comprometer os pontos na liga portuguesa. Liga essa que é outro problema para o Benfica. O nível é tão mais baixo do que qualquer campeonato do top 5 europeu que os treinadores ficam sempre tentados a mudar algo táctico, individual ou colectivo para improvisar e surpreender o adversário. Isto porque fica demasiado fácil para qualquer clube que tenha de defrontar o Benfica vir observar a prestação interna da equipa e perceber como se joga. São cerca de 30 jogos internos que o Benfica tem para contornar adversários a jogar quase sempre da mesma maneira. 

É isto em traços gerais. 

Vamos ao desafio de hoje. Bruno Lage mexeu na equipa e no plano de jogo. Parece-me óbvio que o faça. Seguir para este jogo com o habitual 4-4-2 seria tornar tudo ainda mais previsível para o adversário. Já com o Frankfurt se percebeu que houve uma preocupação de montar um ataque diferente sem dar nenhum jogador à marcação da linha defensiva. 

Hoje, Lage apostou em RDT mais à frente e Jota atrás, Cervi, uma surpresa mas que já tinha jogado no tal jogo com o Eintracht e Pizzi nas alas. Entregou o meio a Fejsa e Taarabt, dando continuidade a aposta do último jogo. Atrás também uma novidade, Tomás Tavares. André Almeida não estará ainda capaz de jogar dois jogos com um tempo de recuperação tão curto. Aqui parece mais uma necessidade do que um risco, mesmo porque Tomás Tavares fez uma exibição muito prometedora. 

Portanto, a novidade era Jota a atacar as entrelinhas e Cervi mais fresco, primeiro jogo da época, para atacar e defender com a mesma velocidade e intensidade. 

Curiosamente, de todas estas apostas a maior desilusão foi Pizzi. Mais uma vez em contexto europeu Pizzi parece eclipsar-se e até hesitar na hora do remate. É estranho o rendimento de um dos melhores jogadores do campeonato variar tanto em noites europeias. O valor de Pizzi quase que o obriga a estar no banco mas depois do jogo acho que até o próprio concordaria que teria sido melhor ter ido a jogo Rafa de inicio. São daquelas conclusões fáceis de tirar depois do jogo, antes é mais complicado. 

Com tudo isto, o Benfica conseguiu dividir o jogo. Conseguiu mostrar momentos de bom futebol, especialmente guiados por Adel Taarabt e com combinações de primeiro toque que chegaram a empolgar a Luz. 

A verdade é que o Benfica construiu oportunidades suficientes para marcar e isso é um bom indicador. O mais dramático é que continua a ser mortal a este nível não se concretizar as boas oportunidades. Grimaldo de livre viu Gulacsi a negar o golo, RDT arrancou grande remate mas voltou a sair ao lado, Pizzi foi irreconhecível na finalização e Cervi ainda devia estar a pedir desculpa pela envergonhada maneira como não marcou golo depois de um passe magistral de Taarabt.

Acrescenta-se a esta falta de qualidade na hora de fazer golo dois argumentos pesados. O primeiro é a diferença na hora de decisão de Timo Werner para a realidade que conhecemos. O alemão em oportunidade e meia faz dois golos. É duro mas é mesmo assim.

O segundo argumento é que há uns meses atrás quando batemos o Eintracht na Luz quem fez de avançado foi João Félix. Podem gostar muito ou pouco mas o rapaz é um craque e fez 3 golos resolvendo uma questão que hoje nem RDT, nem Jota conseguiram. E não conseguiram porque João Félix só há um de tempos a tempos e por isso é que saiu pelo valor que se sabe.

Então porque é que não se foi buscar um jogador assim? Bom, por mim trazia-se o Timo Werner, por exemplo. O problema é que só o dinheiro não chega para ter um jogador daqueles no nosso quadro competitivo e foi isso que Bruno Lage explicou na conferencia de imprensa antes do jogo com o Gil Vicente. 

É neste drama que vivemos. 

Houve coisas boas mas no fim da noite lá está o último lugar do grupo à nossa espera. 

Há jogadores importantes de fora por lesão e há uma pressão extra pela nuvem negra que tem pairado sobre as prestações do clube na prova. Só um bom resultado na Rússia e um positivo confronto duplo e directo com o Lyon pode devolver a esperança europeia aos adeptos. Há condições para isso desde que a objectividade na hora de concretizar suba aos níveis desejados. 

Hoje foi uma decepção. 

Benfica 2 - 0 Gil Vicente: A Naturalidade Que Já Não Chega

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Há uma enorme diferença entre as expectativas dos profissionais e dos adeptos. Isto é, quem faz parte da organização do futebol profissional do Benfica, técnicos e dirigentes, não vê o pré jogo e o pós jogo da mesma maneira que os adeptos nas bancadas ou em frente à televisão. 

Uma das grandes mais valias que Bruno Lage trouxe ao universo do Benfica foi humanizar essa visão sobre o futebol em geral. Não se repete entre lugares comuns, não avalia os jogos segundo uma realidade paralela ou uma ciência obscura só ao alcance de uns iluminados e tenta sempre explicar as suas opiniões. 

Serve esta introdução para contextualizar os sentimentos mistos que ouvi e li após o jogo deste sábado à noite. 

É verdade que não se pode justificar uma exibição menos conseguida logo à partida com a paragem das datas FIFA. Mas não se deve ignorar quando o melhor jogador em campo, Adel Taarabt, diz que a tal paragem tornou este jogo mais difícil. 

Também não se deve justificar a menor intensidade de jogo do Benfica, principalmente depois do 2-0, com o facto de estarmos a poucos dias da estreia na Champions League. Mas na verdade é algo comum a quase todas as trinta e duas equipas que vão disputar a maior prova de clubes do mundo. É reparar nos resultados e exibições de Juventus, das equipas de Madrid, do Manchester City ou mesmo dos três adversários do Benfica, só o Zenit venceu e com bastantes dificuldades. 

Isto nem são desculpas, são factos para tentar chegar aquilo que quero. Penso que a melhor maneira de avaliar e analisar a exibição do Benfica é utilizar o pragmatismo e o equilíbrio contextualizando o momento competitivo do calendário.

Posto isto, recupero as diferenças entre profissionais e adeptos para ir directamente a um momento do jogo que me deixou confuso. Quando Jota está na linha lateral pronto para entrar começou uma corrente de desabafos nas bancadas. Aconteceu na minha bancada e acredito que tenha sido em todo estádio. "Pronto, ele vai tirar o RDT". 

Placas levantas e sai mesmo o espanhol. A reacção das bancadas veio nessa sequência, assobios para a repetida decisão de Bruno Lage. Algo que me pareceu lógico e natural numa relação aberta e honesta entre adeptos e treinador. Os adeptos não estão a gostar que saia sempre Raul de Tomas e manifestaram-se. Não vejo mal nenhum mesmo porque este é um estádio que tem um legado assustador nas bancadas onde adeptos assobiavam lendas como Nené ou Cardozo e a própria equipa a ganhar quando não goleava. Até aqui nada de anormal. 

Mas reparei que a reacção de Lage, RDT e Seferovic é que baralhou isto tudo porque todos interpretaram a assobiadela como se fosse para o jogador a sair. E não foi. Até foi uma manifestação de carinho e confiança no espanhol, os adeptos queriam mais tempo em campo. 

Esta á minha interpretação de um dos momentos mais acesos da noite. Posso estar enganado mas o protesto foi para a decisão da equipa técnica. Repito que não vejo mal nenhum nisso e acredito que Bruno Lage também não se importe de explicar a opção. Mas isto faz parte do futebol porque, como comecei por dizer, há sempre uma visão do banco e outra das bancadas. E assim é que tem de ser. 

Já agora, deixo aqui também a minha visão de adepto de bancada sobre a não entrada de Tomás Tavares. Se era para lançar o miúdo porque é que não se tratou da substituição mais cedo? Mais um exemplo da maneira diferente como se vive o mesmo jogo.

Por falar em jogo, o que mais interessava era garantir os três pontos. Estes são os jogos que precisam de ser resolvidos com convicção. Bruno Lage ao ter normalizado as goleadas do Benfica no campeonato corre sempre este risco quando vence "só" por 2-0. É uma pressão óptima, uma dádiva só ao alcance de poucos treinadores. Elevar a fasquia para ser cobrado por vitórias menos expressivas e empolgantes. Há treinadores que fazem toda uma carreira contentes com um triunfo por 1-0. Lage no Benfica tem que se justificar quando ganha por 2-0. 

Um jogo no Estádio da Luz contra uma equipa repescada da 3ª divisão, depois de uma goleada em Braga, depois de um último jogo na Luz de má memória, tudo isto somado pedia uma goleada com futebol atractivo num sábado à noite e motivação para o grande embate com o líder da Bundesliga que, diga-se, não está a entusiasmar os 60 mil que podem encher a Luz, o que lamento.

A realidade é que o Gil Vicente é uma equipa já bem arrumada, muito bem treinada por Vítor Oliveira, com alguns jogadores muito interessantes, como Kraev, Sandro Lima, Baraye ou o guarda redes Denis, e veio à Luz com um plano de jogo digno e bem pensado pelo seu treinador. 

Conseguiu atrapalhar os pontos fortes do Benfica, faltou mais qualidade ofensiva e assustar a defesa do Benfica mais vezes. Mas deixou boa imagem na visita à casa do campeão. 

No Benfica houve estreia na dupla do meio campo, Fejsa regressou à posição "6" e Taarabt voltou a ser "8" e, tal como em Braga, esteve muito bem. Tão bem que acabou por ser o melhor em campo tendo naquele passe que acabou por dar o 1-0 o melhor lance para recordar. 

De resto, a mesma equipa do Benfica com as qualidade de Pizzi e Rafa, as expectativas em Seferovic e RDT, os apoios de Grimaldo e André Almeida e a segurança de Ruben e Ferro. Odysseas voltou a assinar uma folha limpa, a quinta em seis jogos. 

Não foi exuberante, não foi entusiasmante mas é muito agradável que se passe a avaliar as exibições do Benfica do ponto de vista do luxo. É que foram décadas a analisar jogos do ponto vista do lixo onde algumas vitórias pela margem mínima eram elogiadas pelo esforço e triunfos por mais de um golo de diferença eram tranquilas. Eu gosto mais assim. Um 2-0 ao Gil Vicente que deixa o pessoal alarmado. É preciso mais e melhor. 

Volto a referir o conceito de equilíbrio, acho que é o mais sensato. Era preciso regressar ao ciclo de jogos de clube com uma vitória e sem sobressaltos. Depois de Pizzi ter falhado o penalti o jogo podia ter ficado feio. Felizmente, a equipa procurou o golo antes do intervalo. Até no feliz 1-0 há drama no Benfica, o autogolo de Ygor Nogueira deixou RDT em nervos. Ou seja, o Benfica resolvia um problema antes do intervalo mas como não foi de forma imaculada viu-se drama. Isto, às vezes, não parece um clube de futebol, parece um enredo do dramaturgo William Shakespeare. 

O Benfica ganhou bem, fez a sua parte antes de começar a caminhada europeia. Estamos com cinco jornadas na Liga e há dúvidas dentro do futebol do Benfica. Há e vai continuar a haver. Foi o primeiro jogo após o fecho de mercado e com as lesões vamos ter ser matéria para especular entre as posições "6" e "8" além das dinâmicas da dupla atacante. Um 2-0 é um resultado natural que já não chega para satisfazer as exigências dos adeptos porque Bruno Lage vulgarizou as goleadas. Engraçado. 

Mas a tudo isto chama-se época de uma equipa de futebol que costuma ultrapassar a meia centena de jogos. 

Segue-se nova viagem ao Minho, estamos em ciclo de jogos com equipas minhotas na Liga e essa estreia na Liga dos Campeões com os líderes da Bundesliga na Luz. Uma visita à dimensão maior do futebol mundial numa pausa da limitada realidade do futebol português. 

Braga 0 - 4 Benfica: Uma Exibição ao Nível do Preço Luxuoso dos Bilhetes

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São 3h56 da manhã de dia 2 de Setembro. Fui ver um jogo da jornada 4 da Liga NOS no domingo, o Braga - Benfica, e consegui chegar a casa antes das 4h da manhã. O meu muito obrigado para quem tutela o futebol em Portugal.

Quis o "sorteio" que o Benfica voltasse à Pedreira quatro meses depois daquela vitória por 1-4 com um estádio cheio num grande fim de tarde de futebol. Desta vez, o estádio esteve longe de encher e o jogo começou depois das 21h de um domingo. Há que esclarecer que o sector visitante não teve uma ocupação só de 1/3. Isso é uma análise errada. O Braga é que fez questão de só ceder bilhetes para 1/3 daquela bancada. Esse espaço esteve cheio de benfiquistas. O resto que esteve vazio foi por opção do clube da casa. 

Depois, importa dizer que para aquela "caixa de segurança" foram vendidos bilhetes de 31€ e 93€.

Pergunta o leitor: e qual era a diferença nos acessos e nos lugares?

Eu respondo: absolutamente nenhuma. 

Ou seja, para o Braga e para a Liga Portugal, um bilhete de 93€ dá acesso a um lugar com a mesma visibilidade e com a mesma entrada de um bilhete de 31€.

E em Abril como foi? Foi bancada esgotada de uma ponta a outra e sem bilhetes a 93€.

Eu esperava que os adeptos portadores de bilhetes de 93€ fossem levados ao colo por aquela interminável escadaria, tivessem uma água fresca à sua espera lá em cima e que no fim fossem transportados para o Aeroporto para regressarem a Lisboa de avião. 

Os preços aumentaram para lá dos limites do razoável, mas dentro dos limites da Liga Portugal, e as condições para os adeptos continuam as mesmas. Uma só escadaria de acesso para entrar e para sair. Saída que acontece para lá das 23h30 e que fora do estádio não tem iluminação até à estrada. 

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Realmente, é preciso gostar muito do Benfica para nos sujeitarmos a tudo isto. 

 

O plano da viagem foi feito entre amigos. Saída da Luz pelas 16h, paragem em Condeixa para uma boa sandes de leitão, umas imperiais e um pastel de Tentúgal e seguir caminho para a Pedreira. 

A expectativa para saber o 11 do Benfica era grande. Confirmou-se o regresso de André Almeida e a aposta em Taarabt. 

Mais do que acertar na equipa, a exibição do Benfica trouxe de volta aquele conforto, aquele entusiasmo e aquela tranquilidade de ver um futebol atraente. Perceber que esta é a normalidade da Era Lage. Sentir que a jogar assim estamos sempre mais perto de ganhar. 

Adel entrou de forma perfeita na posição "8", Florentino fez uma exibição magnifica, Raul de Tomas sempre que esteve em jogo fez quase tudo bem, Rafa foi sempre uma ameaça com a sua velocidade, Pizzi voltou a bisar quatro meses depois naquele relvado. Só Seferovic é que teve uma noite desinspirada mas mesmo assim trabalhou o suficiente para ficar ligado a um dos golos, neste caso, auto golos. 

Odysseas quando teve de aparecer esteve bem, e a defesa do Benfica só por uma vez foi ultrapassada, uma grande recepção de Ricardo Horta com um remate que o poste caprichosamente devolveu. Podia ter sido o 1-1 antes do intervalo. 

Para evitar mais sustos, o Benfica entrou ainda mais forte na 2ª parte e rapidamente ampliou a vantagem. De forma normal e natural. 

Cedo se resolveu um problema que não se adivinhava de fácil resolução. 

O apoio na bancada visitante foi brutal. Quando começam a jogar sujo com os adeptos do Benfica, a inventar obstáculos, a quererem evitar a presença de muitos, é quando os benfiquistas se juntam para apoiar mais forte. Se pensavam que depois de uma derrota, a Pedreira ia conseguir afastar o povo da equipa, enganaram-se. E vão estar sempre enganados quando esfregaram as mãos a pensar que estão todos a ser muito espertos prejudicando os benfiquistas com preços vergonhosos. 

Os adeptos do Braga que trataram os benfiquistas que se manifestaram no primeiro golo na bancada inferior de forma cobarde e violenta, são os mesmo que se riram com as condições impostas a quem quis ir para o sector visitante do seu estádio. Não se esqueçam que ainda vão ter de ir à Luz.

 

Uma resposta do Benfica de Lage à Benfica de Lage. Sem dramas, sem lamúrias, com trabalho, com motivação, e construindo mais uma goleada, mostrando que o normal deste Benfica é isto. Jogar e ganhar bem. 

Os que encheram o peito há uma semana com uma efémera liderança e os que acharam que uma derrota ia derrubar o campeão, devem ter percebido algo que já é certo e sabido há muito tempo: vão ter que levar connosco. Quer gostem ou não, quer queiram ou não. Com preços luxuosos ou com regressos a casa de madrugada já em dia útil de trabalho. A força do Benfica não se anula assim.

Uma nota final, mesmo na bancada superior, bem longe da zona de acção do primeiro tempo, consegui ver nitidamente João Novais a cortar com a mão uma bola que podia levar perigo à baliza do Braga. Não precisem de Juízos Finais. Mas o árbitro conseguiu não ver. Aposto que se estivesse numa zona de 93€ tinha visto. Afinal, os lugares até eram baratos com tão boa visibilidade.

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Não tentem brincar com o Benfica, respeitem o Campeão. 

 

Benfica 0 - 2 Porto: Desilusão

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Um jogo e tudo muda no universo dos dois candidatos ao título. Uma vitória justa do Porto no Estádio da Luz e a vantagem pontual no campeonato ficou anulada. 

A verdade é que a história deste derby ficou influenciada pelo momento em que as duas equipas chegaram à jornada 3. 

O Benfica não teve influência nenhuma no falhanço europeu do Porto nem na inesperada derrota em Barcelos para o campeonato. Bruno Lage limitou-se a preparar a entrada na temporada de forma tranquila desenhando um onze em 4-4-2 que teve na ausência de André Almeida a maior dor de cabeça e na lesão de Gabriel o maior contra tempo. A saída de João Félix já estava assimilada e nem conta para esta equação. 

Se o Benfica vinha com um registo de vitórias seguidas, não era expectável que fosse o seu treinador a inovar algo para este clássico, nem tacticamente nem individualmente. Adivinhava-se o mesmo onze dos últimos jogos. E é aqui que o Benfica começa a perder, por estranho que pareça.

É que do outro lado, subitamente este jogo passou a ser tudo ou nada para Sérgio Conceição que percebeu a importância histórica de motivar a equipa no confronto directo com o grande inimigo. A isso acrescentou uma ousada ambição e deu todos os sinais de querer entrar na Luz para vencer e dar a volta à má entrada na época. Em relação à equipa que lançou contra o Vitória FC, manteve ambiciosamente Corona no lado direito da defesa e Romário Baró na sua frente. Ou seja, repetiu a equipa que tinha goleado na jornada anterior. 

A isto, o Porto juntou uma atitude ousada baseada numa pressão alta muito forte e com os jogadores a mostrarem uma motivação enorme. 

O facto do Benfica chegar bem em termos de resultado ao clássico tornou a abordagem ao jogo previsível e o Porto apostou tudo na tentativa bem sucedida de anular todos os pontos fortes do jogo do Benfica. 

Cedo se percebeu que perante aquele 4-3-3 de Conceição levantava muitos problemas ao futebol do Benfica. Ou a equipa de Lage se enchia de paciência e saía a jogar no limite com calma, atraindo a marcação agressiva do Porto para a contornar com troca de bola apoiada para depois criar situações de superioridade mais à frente do terreno ou então era preciso afinar posicionalmente a equipa chamando a jogo um médio de ligação e abdicando de um dos dois avançados. Penso que não sobravam mais alternativas depois de ver como o jogo estava ao fim de algum tempo. 

O Benfica precipitou a saída de bola sem paciência optando por bater na frente facilitando a vida a Marcano e, especialmente, Pepe que esteve como quis a noite toda. Depois o jogo interior do Benfica não entrava e tanto Rafa como Pizzi acabaram por ter de correr atrás das tais bolas batidas em largura. Vimos Rafa a lutar pela posse bola no ar com os centrais do Porto. Dificilmente podia resultar. 

Com estes sinais todos evidentes, sobrava ao Benfica a esperança da inspiração individual ou associativa dos dois do costume. Infelizmente, a inspiração individual global esteve tão apagada como a colectiva. E quando assim é, a tendência é para o jogo partir e ficar resolvido para o outro lado. Marega não marcou na primeira oportunidade clara mas fez o 0-2 na segunda. 

Até neste pormenor o Benfica falhou. Depois daquele falhanço de Marega, o Benfica devia ter ido para cima e puxar pelo ditado popular "Quem Não Marca Sofre". Mas não era noite para isso. 

A troca de Samaris por Taarabt trouxe mais personalidade na construção mas não resolveu o problema da superioridade numérica e posicional do Porto. 

O Porto apostou em surpreender, arriscou, foi ambicioso e conseguiu transformar a tranquilidade do Benfica em previsibilidade fácil de anular. 

Agora, é fácil olhar para trás e pensar que o Benfica podia ter feito outras opções mas não fazia sentido à luz dos resultados obtidos até aqui. Por isso é muito mais fácil escrever agora que devia ter sido diferente. 

A maior desconfiança que tinha antes do jogo era, precisamente, o momento do Porto. É que sinto que não há maneira de darmos um golpe profundo quando eles estão magoados. Isto nem tem nada a ver com o jogo de hoje, é algo tradicional e histórico nas últimas décadas. O Porto precisa do Benfica para se recompor e, geralmente, consegue. É uma motivação extra enfrentar o inimigo, nem a saída da Champions, nem a derrota em Barcelos, pesam na hora de mostrar unhas e dentes ao rival. Sempre foi assim, sempre assim será. 

A tranquilidade e a zona de conforto em que os jogadores do Benfica vivem desde a conquista do campeonato, mais a supertaça e a entrada triunfante nesta Liga, acabou por ser uma sensação traiçoeira quando confrontada com a fúria e a determinação de prova de vida do rival. 

Agora sai o Porto deste confronto directo em vantagem e com um onze desenhado e cabe a Bruno Lage analisar e meditar sobre o que não correu bem neste clássico que ditou a primeira derrota do técnico no campeonato. 
Claro que não se espera uma revolução mas há conclusões a tirar desta noite. Nomeadamente, as que abordei na crónica. 

Nada estaria ganho em caso de triunfo, como nada está perdido com esta derrota. Nos últimos seis anos o Benfica venceu cinco campeonatos e nenhum foi fácil nem folgado. Este não ia ser diferente. A luta continua. Como sempre. 

Belenenses SAD 0 - 2 Benfica: Rafa Anti Tudo e Todos!

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Antes de irmos ao jogo tenho de começar por falar naquilo que o rodeia. 

Este foi o segundo jogo fora da Luz da época. O primeiro foi organizado pela FPF, este foi responsabilidade da Liga Portugal. Sobre as condições miseráveis do Estádio do Algarve está tudo escrito na crónica da Supertaça. Esta partida era do campeonato da Liga e as razões de queixa dos adeptos são na mesma escala.

Reparem, quem é que se preocupou em promover este jogo, em chamar gente ao Jamor em preocupar-se com iniciativas que passaram por publicar vídeos com jogadores a convidarem os adeptos a ir ao estádio? 

O Belenenses SAD, vamos chamar-lhe assim, nunca iria fazer tal coisa, mesmo porque não tem adeptos para convidar. 

Terá sido a Liga Portugal? 

Não. Foi o Benfica. O Benfica desafiou os seus adeptos a invadirem o Jamor. Mesmo na condição de visitante, foi o Benfica o responsável pela melhor assistência que o Belenenses SAD terá para apresentar no final da época, arrisco eu. Não sei quantos milhares de benfiquistas foram ao Jamor porque não encontrei até agora o número oficial mas, claramente, foram muito mais do que na época passada. 

E porque é que a Liga não se mete nisso de chamar gente ao Estádio. Uma rápida reflexão dá-nos uma possível resposta. Aquilo funciona bem como está na maior parte dos jogos da competição ali disputados. Sem transito, sem problemas de acessos, sem pessoas a desesperarem para entrar no Estádio. Sem adeptos, tudo corre melhor. Os adeptos atrapalham muito e depois são chatos com reparos. 

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Meia dúzia de torniquetes em cada lado da Praça da Maratona mais uma revista policial lenta leva a uma espera desesperante. Aliás, o jogo começa e continuam adeptos a entrar em número impressionante.

Casas de banho no Estádio é tarefa quase impossível, bares nem vê-los e, finalmente, as cadeiras imundas à  nossa espera. Parece ser um toque de classe do nosso futebol, não é? Venham ao futebol, pá! Ah, e tragam um kit de limpeza de cadeiras de plástico. Que vergonha, que nojo. A FPF e a Liga deviam pensar numa parceria com a 5àSec para umas limpezas de calças e calções de borla. 

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O cenário à volta do jogo é todo tão mauzinho que nem a cobertura de rede de dados para telemóveis é decente. Em compensação, tivemos a constante visita de vespas que fazem um curioso ninho naquela bancada. 

E no final quem optar por sair por cima do Topo vai dar a um caminho de corta mato com obstáculos numa descida radical às escuras.

Enfim, é preciso gostar muito do Benfica para passar sábados numa realidade de terceiro mundo. 

Compreendo perfeitamente quem já não tenha paciência para meter os pés nos estádios com estas condições. Já tenho mais dificuldade em perceber a mentalidade de todos aqueles, e são muitos, que se dão ao trabalho de ir ver o jogo mas depois viram as costas à equipa completamente imunes à incerteza no resultado. Parece que há um despertador invisível na bancada que toca sem parar a partir do minuto 70 e empurra os adeptos do estádio para fora criando um cenário surreal para quem fica sofrer com a reacção do Belenenses SAD à vantagem do Benfica. Ou seja, está 0-1 e há centenas (milhares?) de benfiquistas que não estão preocupados com desfecho final do jogo e vão à sua vida. Ou então, todos eles são movidos a uma confiança tão alta que têm a certeza que o Benfica ganha os três pontos e a prioridade deles passa a ser chegar à A5 antes dos outros. Não entendo. 

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Finalmente, o jogo.

Começou por Silas. O treinador que descobriu como trabalhar um sistema que parte de uma linha de 5 defesas para condicionar por completo o jogo ofensivo do Benfica. Funcionou nos últimos três jogos, hoje voltou a apostar neste conceito. Silas colocou muitas dificuldades ao Benfica, principalmente no jogo interior e ainda viu Odysseas negar um golo que ia repetindo o cenário do jogo da época passada. Desta vez o internacional grego foi determinante para manter tudo igual. 

Apesar de gostar muito do trabalho do Silas, não consigo compreender como é que o treinador passou o jogo a ir até perto do relvado dar instruções à sua equipa. O Rúben Amorim não foi castigado por estar numa condição académica parecida? 

No Benfica voltou a ficar aquela sensação que a equipa mesmo sem conseguir fazer uma exibição empolgante, cria três ou quarto oportunidades em cada parte. Geralmente, com a qualidade individual que tem, é futebol suficiente para chegar à vitória. Neste caso, a tradução à letra de qualidade individual escreve-se assim: Rafa. 

Jogo soberbo do avançado do Benfica, foi ele quem desequilibrou a organização azul e inventou o primeiro golo que desbloqueou a equipa para uma vitória muito saborosa. 

A juntar a tudo isto havia a componente psicológica, ou como diz o Valdano, o medo cénico de encarar uma equipa treinada por um homem que não sabia o que era perder para o Benfica no Restelo, no Jamor e na Luz. 

Olhando mais a fundo para a equipa do Benfica, há algumas dúvidas que persistem do meio campo para a frente quando o jogo está demasiado previsível. Hoje houve Pizzi a menos e Rafa a mais, RDT parece menos confortável atrás de Seferovic que não mostrou eficácia na hora da verdade. 

Só que depois, nas contas finais, vemos que Seferovic só não marcou por causa do VAR e Pizzi acabou a noite a festejar o 0-2, mais um jogo a marcar! 

Por falar em VAR, além de todas as questões que já lancei extra jogo, vamos juntar mais esta. Há uma semana, a Liga inglesa estreou o VAR e uma das preocupações principais dos ingleses é informar os adeptos nos estádios sobre o que é que o VAR está a intervir. 

Que me lembre, em Portugal já estamos a levar com o VAR, nós benfiquistas, desde a final da Taça de 2017 contra o Vitória SC. Em plena época 2019/2020 continuamos entregues aos mistérios do VAR sem termos a menor ideia do que se está a passar. Saí do Jamor sem entender porque é que o golo foi anulado. Nada vai ser feito para informar quem está no estádio, pois não? Claro que não, esta malta que vê jogos ao vivo só atrapalha. O melhor é recorrer à internet do smarphone. Ah, espera... a cobertura de rede é horrível. Quando conseguimos aceder a uma rede social qualquer é para ficarmos a saber que o mesmo VAR ignorou este lance do Rafa que estas pessoas insuspeitas analisam assim:

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Estamos esclarecidos.

Por falar nisto, quem era o árbitro e quem estava no VAR? 

Pois. 

É que há as regras escritas, as normas e as leis que devem ser seguidas. E depois, como em tudo na vida, há a invisível lei do bom senso que pede que não se criem dilemas desnecessários. Qual é o objectivo de quem manda em chamar Veríssimo e Xistra para apitar um jogo com um historial tão complicado para o Benfica depois daquele atentado que foi a actuação da dupla em Janeiro deste ano na Final Four da Taça da Liga? Não houve lei do bom senso. Houve provocação. 

Também por isto, esta foi uma vitória importantíssima. 

Apesar da forma como somos tratados, para a semana lá estaremos no nosso lugar pago indiferentes ao local e adversário. 

Ao Jamor espero só voltar na final da Taça de Portugal, a ver se escapamos a esta aberração chamada Belenenses SAD nos sorteios da Taça. 

Se em Maio cá voltarmos, espero que a FPF se digne a limpar os lugares dos adeptos, pelo menos. É que isto não pode só ser frases fortes como Futebol a Sério e Futebol com talento e depois apresentarem um embrulho todo bonito para um conteúdo de terceiro mundo. Vejam lá isso. 

Quanto ao Benfica, é continuar a trabalhar, há muito para melhorar no jogo e manter este foco frio e objectivo no próximo adversário. 

 

Benfica 5 - 0 Paços de Ferreira: Então, E Se...

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Quis o "sorteio" da Liga 2019/20 que, caprichosamente, duas das três equipas que subiram à primeira divisão começassem a competição contra os primeiros dois classificados da última temporada. Para o Estádio da Luz avançava o campeão da 2ª Liga que manteve uma boa parte do seu experiente plantel e reforçou-o. Para o Porto ficava o clube que vinha do 3º escalão directamente para a Liga NOS e que tinha de fazer uma equipa em pouco mais de um mês.

As previsões começaram, os prognósticos sucediam-se. Passou a ser banal começar frases por "Então, e se ...". 

Então, e se o Benfica vier "morto" lá do torneio dos "states" e chegar ao Algarve e perder a Supertaça para os rivais de Lisboa? É que o Sporting não vai perder ninguém até lá e se está a reforçar. Aposto que o Bruno Fernandes só sai depois de ganhar ao Benfica. 

Ah, e se o Benfica perde a Supertaça aquilo abana tudo, ficam nervosos e podem perder pontos na estreia em casa. Olha que neste milénio o Benfica já teve muitos arranques aos soluços. Isto até dava uma boa capa para o jornal O Jogo.

Entretanto, o Porto começa no Minho com o Gil Vicente que teve de ir comprar um plantel novo e está a meio de uma eliminatória europeia. Vai correr tudo bem.

Curiosamente, não li, nem ouvi, ninguém lançar a seguinte suposição: então, e se o Benfica ganhar a ICC, chegar ao Algarve e golear o Sporting na conquista da Supertaça, voltar a golear na estreia da Liga e partir para a jornada 2 já com 3 pontos de avanço para o Porto? 

Não lembrava a ninguém, pois não?

A estreia num campeonato é sempre um momento simbólico muito esperado por adeptos e jogadores. Mais de 62 mil (!) benfiquistas encheram a Luz para o arranque da Liga. Depois da vitória na Supertaça, a ambição e o optimismo, que já vinha reforçado de Maio, aumentaram. A vontade de voltar a ver a equipa atinge níveis de inquietação geral. Além de tudo isto, enquanto a equipa está a aquecer chega do Minho a notícia da derrota do Porto. 

A resposta do Benfica? 5-0 ao Paços de Ferreira. 
Mas 5-0 com vários sinais para serem decifrados. Samaris regressou à equipa com a ausência de Gabriel. Nuno Tavares voltou a jogar à direita. Mais do que uma interessante solução, o miúdo hoje baralhou as contas todas aqueles que o apontavam como um erro de casting de Lage. Um golo, duas assistências. Já vi estreias piores na Liga.

Por falar no golo de Nuno Tavares, queria agradecer, sinceramente, ao Paços de Ferreira a troca de campo que obrigou o Benfica a jogar para sul primeiro. Foi da maneira que vi na perfeição o golaço de Nuno Tavares na Baliza Grande. Que momento inesquecível.

O sinal mais interessante desta goleada é que me parece que a equipa do Benfica até aparenta ainda estar longe do patamar de qualidade de jogo ideal. Há muito para melhorar. Mas com uma exibição normal, sem deslumbrar, o Benfica consegue ganhar por 5-0. Com Bruno Lage as goleadas voltaram a fazer parte dos hábitos de campeonato da equipa. 

Último sinal interessante, Carlos Vinicius apresentou-se na Luz com um golo à ponta de lança. Estrear a marcar, o que se pode pedir mais a um avançado?

Depois da conquista da Supertaça, começámos a grande maratona até Maio da melhor maneira. Com a ambição de sempre, com a vontade do costume, pelo Benfica.