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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 4 - 1 Santa Clara: Ao Benfica o que é do Benfica!

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Após o último jogo do campeonato, entre abraços e cumprimentos, várias vezes me lembraram que agora iria ter a crónica mais complicada para escrever. Compreendo a expectativa pela responsabilidade que é estar à altura deste feito do Benfica mas acabei por chegar à conclusão que é uma ideia errada. 

Em seis anos, esta é a quinta vez que me sento tranquilamente com o sentido do dever cumprido e começo a escrever uma prosa sobre um campeonato ganho pelo Benfica. Quinta vez em seis anos é de uma grandeza brutal. Isto leva-me aquele pensamento que várias vezes repito ao longo da época, a maravilhosa monotonia da felicidade. Tudo o que eu quero na minha vida é esta reconfortante sensação que o universo está alinhado e equilibrado com o Benfica a cumprir o seu destino. º

Comecemos pelo jogo. Era preciso levar o desafio com o Santa Clara de maneira muito séria e concentrada. Depois dos sustos com o Braga e com o Portimonense, depois do emocionante jogo em Vila do Conde, eu só pedia uma partida sem incertezas no resultado e de sentido único. Curiosamente, o resultado foi muito melhor do que a exibição. Aos 39' já se festejava o título com o 3-0. A facilidade com que o Benfica rematou quatro vezes à baliza de Marco Rocha e fez três golos afastou em definitivo todo e qualquer cenário menos esperado e indesejado.

Chegar ao intervalo com um sentimento de campeão, felicitar a equipa feminina de futebol do Benfica pela conquista da Taça de Portugal, olhar à volta e ver a felicidade estampada no rosto dos benfiquistas pelas bancadas da Luz fez com que este intervalo tenha sido o mais rápido da época. 

Segunda parte, 3-0, o tempo a correr a nosso favor, esperar 11' pelo bis de Seferovic e ter a certeza que o helvético ganha a bola de prata. Uma tranquilidade que contrasta com o ambiente electrizante do estádio.

Começar a passear pela bancada, abraçar um a um amigos e amigas, companheiros de longa data ou outros mais recentes, sim porque o segredo do benfiquismo é o constante abrir de portas nas nossas vidas a novas caras que se ligam a nós pelo amor que temos pelo clube. 

Os minutos a passarem e o olhar para o relvado já não transmite ao cérebro as nuances tácticas das equipas, as marcações individuais ou as curiosidades do jogo, antes serve para um desfile de imagens que vou recuperando desde Agosto. As viagens por esse país fora com diferentes carros, diferentes condutores, diferentes companheiros. Os inesquecíveis repastos, as maravilhosas horas de tertúlias, os encontros e reencontros com benfiquistas que vivem longe da Luz, a sul e a norte. As histórias partilhadas, o que partilhamos, o que aprendemos, as horas nas auto-estradas deste país, o pesadelo que foi aquele regresso de Portimão, o impulso de ir a Aves numa 2ª feira, o festejo do golo do Ferreyra no Bessa, as épicas vitórias nos terrenos de quem mais nos odeia. Que viagem que foi este 37.

E nisto, o Santa Clara marca por César que não festeja. Foi simbólico. Serviu para me chamar de volta à realidade e para termos um termo de comparação entre um rapaz que o Benfica transformou em jogador do Real e o simpático César, um central esquecido mas que, por mérito próprio, se fez notar como mais um jogador agradecido e respeitador. O outro é que é a excepção que confirma a regra. A regra que pôde ser testemunhada no pós jogo com o desfile de ex jogadores do Benfica que quiseram dar os parabéns. Tantos e tão bons. Que bem trabalhado o Benfica nos últimos anos no sentido de ser servido por óptimos jogadores e por estes ficarem ligados ao clube sentimentalmente.

Terminar a Liga com uma vitória natural de 4-1 é uma excelente amostra do que foi este Benfica desde a entrada de Bruno Lage. Ele que, primeiro, reconquistou os adeptos de uma forma inédita. Explicando o seu jogo, a passagem para o 4-4-2, a aposta nos miúdos que conhecia da B, mais o Taarabt, em vez de atacar o mercado de inverno. Mostrando um futebol atraente de pressão alta, de atracção ofensiva e com uma veia goleadora à Benfica. Um verdadeiro conto de fadas que culminou neste dia 18 de Maio em festa exuberante.

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Foi preciso recorrer a crimes organizados de informática, expondo de maneira inédita a vida privada e empresarial do Benfica, perante a euforia da comunicação social que elevou à condição de heróis fracas figuras como esse Jota Marques, para abanarem o universo benfiquista. Foram dois anos em que todos os dias tivemos que ouvir falar em mails, vouchers, malas, toupeiras e muitas outras coisas que nada se parecem com futebol. Ia tudo preso, o Benfica descia de divisão, ia perder campeonatos passados, íamos descobrir que o Benfica era uma fraude desde os tempos do Cosme Damião. As noites deste país passaram a ter como desporto nacional a militância do ódio anti benfiquista. De tudo valeu para se estragar todo o ambiente à volta do futebol em Portugal. Todos os complexados deste país unidos a uma só voz gritando que o Benfica tem de acabar. Perdeu-se um título e todos eles rejubilaram, mesmo os que não ganham um campeonato há quase duas décadas. Tentaram dividir a nação benfiquista. E quando o Benfica estava no final das suas forças, a sete pontos do líder, aparece um inesperado homem do leme que, com a bênção presidencial, resgatou o orgulho, o amor próprio, a honra, a ambição, a mística e o amor incondicional pelo clube em todos os adeptos. 

Depois de todo este quadro negro e de pesadelo, depois de assistirmos a inacreditáveis decisões de arbitragem que levaram a um avanço tão confortável que o rival chegou a prometer ir festejar o título nos Açores, depois de nos sentirmos impotentes perante tamanho ataque o que é aconteceu? O Benfica reapareceu forte e jogo a jogo recuperou tudo o que lhe pertencia. O Benfica acaba campeão quando acharam que tinha morrido. O único Jota deste país que decide e lidera a opinião pública é o Jota Félix!  O miúdo foi um dos rostos da revolta e da revolução do Benfica. E Acabou no Marquês com mais de meio milhão de benfiquistas. Com uma festa que foi reproduzida um pouco por todo o mundo.

Quando eu escrevi aqui depois da última Taça de Portugal ganha para os benfiquistas não caírem na tentação de desprezar conquistas, nem se acomodarem de mais, ninguém levou a sério. Agora perceberam que é um erro. TODAS as conquistas são para se festejar a sério. Ninguém nos dá nada. Ninguém nos quer felizes. Mas nós todos juntos temos uma força de vontade e de mobilização única no mundo e, por isso, este campeonato também foi ganho na rotunda da Luz a receber o autocarro ou no Seixal na despedida da equipa ou em Gaia no Hotel onde o Benfica fica, ou na chegada a Braga ou nos Arcos, em Vila do Conde. E nos estádio de norte a sul e na Luz. Porque este gigante quando se empolga é imbatível. Marca mais de 100 golos na Liga, fabrica bolas de prata, reis de assistências e deixa a Europa louca com mais uma mão cheia de putos imunes ao ódio e à inveja que caracteriza este país. Por isto é que o Benfica é maior que Portugal. Por isto é que o Benfica é maior que as nossas vidas.

A festa rebentou, o povo anda sorridente na rua envergando orgulhosamente roupa e adereços do Glorioso, o povo está ainda mais orgulhoso do seu Benfica depois de tudo o que fizeram de mal ao clube.

Este título é muito importante, vale mais do que só o 37. Esta reconquista deixa-nos mais perto do 38 e dá um forte aval à ideia que foi lançada nos últimos anos, um Benfica forte com atletas da sua formação, com jogadores que já são referências no clube e à procura de reforços pontuais que acrescentem qualidade inquestionável para novos desafios e mais conquistas.

O 37 já cá está. Temos muitas semanas pela frente para o celebrar como merece ser celebrado mas todos já com o olhar focado no horizonte para o 38. Rumo às quatro estrelas por cima do nosso emblema. Está perto. Vai acontecer.

Tão bom ser do Sport Lisboa e Benfica. 

 

Rio Ave 2 - 3 Benfica: Por Este Rio Acima

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Dia 12 de Maio, dia de peregrinação em Portugal. Os mais fervorosos a saírem um pouco de todo o lado do país rumo a Vila do Conde para a última deslocação da temporada do Benfica. 

Quando seguia viagem para norte, dei por mim a pensar se já tinha assistido a alguma vitória tranquila do Benfica nos Arcos. Nunca tive essa sorte.

Aliás, andei tão para trás nas minhas memórias que recuperei um jogo em que estádio do Rio Ave se vestiu totalmente de vermelho para uma apresentação do Benfica aos adeptos do norte nos Arcos. Foi na pré temporada de 2002/03 contra o Celta. Nem o regresso de Nuno Gomes evitou outra derrota com os espanhóis. 

Porque é que é importante recuperar esse dia de verão de 2002? Porque eu estava em Vila do Conde e fiquei surpreendido com a quantidade de adeptos que foram ao estádio apoiar a equipa. Não por ser no norte, o Benfica sempre teve apoio a norte, mas pela grave crise que o clube estava a atravessar. Em pleno Vietname do Benfica, os adeptos do norte eram tão fieis e dedicados que a Direcção do clube achou pertinente fazer ali um jogo de apresentação. 

Pois bem, esse respeito foi muito importante para o Benfica nunca perder a sua ligação com o povo. Por muito maus que fossem os resultados, o carinho dos adeptos do Benfica nunca faltou. E foi essa resistência que fez possível que o clube recuperasse a sua identidade, o seu destino de vencer e chamar as pessoas à sua passagem. Só isto explica que em 2019 tenhamos ficado com imagens eternas de uma multidão apaixonada por uma equipa, por um emblema, pelo nome do Sport Lisboa e Benfica.

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Estes milhares de adeptos estão ali para mostrar o seu agradecimento a todo o futebol do Benfica. O agradecimento por nunca terem desistido mesmo depois deste país ter condenado o clube na praça pública de todos os crimes e mais alguns, mesmo depois deste país ter manchado o nome do clube nos últimos anos, e acima de tudo, mesmo depois de termos passado os últimos dois anos numa luta suja, titânica e desnivelada com todos os adeptos do único clube maior que o Benfica em Portugal, o Anti Benfica. 

Não se tratava de euforia, não se tratava de festa antes do tempo, não se tratava de deitar os foguetes antes da festa, tratava-se, apenas e só, de uma gigantesca demonstração de carinho, de apoio, de acreditar que o Benfica pode continuar a conquistar campeonatos mesmo que haja um surreal trabalho diário em toda a imprensa para evitar que isso aconteça. 

Meus amigos, esta é que é a força do Benfica. São os milhares que esgotaram o Estádio dos Arcos para apoiar durante o jogo e, arrisco escrever, os outros tantos milhares de benfiquistas que mesmo sem bilhete para entrar no recinto, invadiram a rotunda e as imediações do Estádio para dar este apoio incrível. 

Tudo isto foi importante para dar mais força ao Benfica que, afinal, ia começar a partida com o Rio Ave em 2º lugar na Liga NOS. Estes eram os factos às 20h de domingo. O Benfica tinha muito que trabalhar, tinha que encarar o jogo com toda a concentração para garantir que saía dos Arcos na liderança novamente. 

Foi isso que aconteceu. Tanto se pediu que o Benfica entrasse melhor nos jogos, que aos 3' Rafa fez o 0-1 dando origem a uma explosão de alegria movida pelo alivio de ver recuperado o 1º lugar bem cedo.

Como era de esperar, o Rio Ave deu muita luta e voltou a complicar muito a vida do Benfica. Na Luz chegou a estar a vencer por 0-2, no jogo que marcou a estreia de Bruno Lage e Daniel Ramos em cada banco.

Quando tudo apontava para o 0-1 ao intervalo aconteceu o momento mais polémico. O Rio Ave queixou-se de um penalti de Florentino, o Benfica respondeu com o 0-2.
São momentos marcantes porque há motivos para dúvidas. Daniel Ramos diz que se transformou o 1-1 em 0-2. 

A verdade é que Florentino pôs-se a jeito para ser marcada falta. Mas como já ouvi nesta Liga, a falta começa fora da área e, por isso, nunca seria penalti. Seria um livre perigoso que estava longe de dar o 1-1. Mas mesmo que acontecesse o penalti reclamado e fosse transformado, é preciso lembrar que o Benfica em Braga foi para o intervalo a perder e na Luz com o Portimonense estava empatado. Reagiu sempre bem, como se sabe.

Já o 0-2 parece-me que não tem discussão, João Félix está fora de jogo. Acho muito estranho que o VAR não tenha mandado o árbitro analisar tudo com calma. 
Mas eu também achei muito estranho que o VAR não funcionasse na Luz com a SAD de Belém ou no Jamor com a mesma SAD. E aí não vi ninguém preocupado. Aliás, eu ainda gostava de perceber o papel do VAR em lances que deram 10 pontos a mais ao Porto, como explica o insuspeito Rui Santos, e qual foi o seu papel nas meias finais da Taça da Liga. Mas aqui já não vejo ninguém muito interessado. A época tem sido toda isto, desculpem mas a mim não me vão convencer que os problemas com o VAR começaram em Vila do Conde. Antes pelo contrário, é uma nota de rodapé na quantidade de disparates que vimos por esses campos fora. Terceiro classificado incluído, basta ver o número de penaltis a favor.

 

O Benfica com 0-2 tremeu por culpa própria, não soube matar o jogo e acabou por sofrer o 1-2 que trazia à memória a recuperação muito apreciado do Rio Ave com o Porto naquele mesmo local. 

Pizzi fez o 1-3 e parecia ter resolvido a questão. Só que o 1-4 nunca aconteceu, oportunidades não faltaram, e o Benfica acaba a sofrer com o 2-3 do Rio Ave.

Um belo jogo numa atípica noite quente nos Arcos, cinco golos, emoção e uma felicidade imensa no sentimento do dever cumprido no final da partida.

Ponderei não o fazer mas não resisto. O Benfica nunca falhou com nada ao Coentrão, pois não? Pagou tudo, a tempo e horas. Recuperou o homem, revelou o jogador, apoiou-o sempre em tudo. Fez dele um jogador tão bom que até o Real Madrid achou que estava à altura dos maiores desafios. O Benfica fez do Coentrão um quase ex jogador para um craque do plantel do Real Madrid. Como todos os outros jogadores que saem da Luz para vidas melhores, o clube nunca lhes faltou ao respeito. Infelizmente, este Coentrão quer acabar como começou, uma triste e embaraçosa nota de rodapé no futebol português. Desprezo e que daqui a uns anos não tenhamos que ter mais pena dele do que temos agora.

 

Ir ao norte significa comer bem. Desta vez a sugestão foi a gastronomia da Adega do Testas em Vila do Conde. Atendimento de simpatia superior, carne grelhada de qualidade imbatível. Batata frita caseira, arroz com grelos e enchidos num caldo irresistível. Tudo mais do que aprovado. 

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A última saída da época foi tão cansativa como reconfortante. Uma jornada de benfiquismo para a história deste campeonato e do clube.

Para tudo isto fazer sentido, já sabem, encarar o último jogo na Luz com a mesma seriedade, a mesma convicção e a mesma ambição. Falta menos de uma semana para carimbarmos um dos títulos mais incríveis de sempre. Até lá ficam as recordações de um norte vermelho.

 

Benfica 5 - 1 Portimonense: Os Sagrados 10 Segundos do Minuto 65

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Muita concentração para este exercício: voltemos ao minuto 65 deste jogo. Tentem imaginar uma sensação melhor, uma  emoção maior, na vossa vida do que aqueles 10 segundos entre a recepção de Rafa na grande área, o disparo para o 2-1 e a maneira como festejaram a reviravolta. 

Não há nada superior a isto, pois não?

É por isto que o futebol do Benfica tem tanta importância na nossa vida.

Para trás tinha ficado uma hora de agonia e sofrimento. 

Sair da Luz e voltar à vida é ter de explicar a familiares ou amigos que o resultado final foi 5-1 mas que nesta tarde durante uma hora sentimos o mundo perto de desabar. Ninguém entende fora do contexto certo.

O Portimonense de Folha jogou muito bem, não caiu na tentação do anti jogo, esteve a ganhar e assustou a sério Bruno Lage e os seus seguidores. 

As culpas do Benfica não fáceis de decifrar. Será ansiedade, medo de falhar, pressão extra pelo pouco que falta jogar, alguma coisa se está a passar com as entradas do Benfica nos últimos dois jogos. 

O que não é atacável é alma e a determinação com que a equipa responde quando o quadro é negro. Aqueles cinco minutos em que Rafa nos resgatou da depressão ao alivio foram absolutamente mágicos. Poucas vezes se viu, sentiu, viveu um ambiente assim na Luz. 60 mil adeptos em êxtase numa explosão colectiva de raiva e acreditar nos seus que fez tremer todo o estádio. O Benfica empatou e a Luz entrou em erupção. No 2-1 ouviu-se um festejo tão ensurdecedor que fez lembrar as melhores celebrações da antiga Luz. Ao nível de um golo ao Steaua ou Marselha. Sem exageros.

Foi de tal maneira libertador que a equipa arrancou para mais uma épica goleada. Uma série de golos até como que a compensarem todo o sofrimento que tinha ficado para trás e que já ninguém se recorda.

Não vale a pena virmos para aqui dizer o óbvio que é ter de evitar sofrimentos. Num mundo ideal o Benfica começava todos os jogos a ganhar e chegava ao intervalo com um 4-0. Bruno Lage e os jogadores lá saberão como preparar a viagem a Vila do Conde. Uma coisa certa, nos Arcos os benfiquistas lá estarão em peso preparados para sofrer e carregar a equipa para mais uma vitória. Nem é nada de novo naquele estádio, certo Raúl?

Hoje o jogo resolveu-se na 2ª parte, a baliza Grande da Luz cumpriu o seu destino e todos temos um resto de fim de semana bem melhor.

Faltam dois jogos. São os dois para ganhar. 
A montanha russa de emoções deste sábado vai dar lugar a um vazio e ansiedade própria de quem vai começar tudo do zero de novo no próximo fim de semana. 

Ai aqueles 10 segundos no minuto 65... 

 

 

Braga 1 - 4 Benfica: O Minho é Benfica!

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Para quem acha que isto de fazer mais de 700 Km's num dia só para estar onde o Benfica joga é uma festa e só divertimento deixo aqui o relato de um final de jogo que devia corar de vergonha todos os responsáveis pela organização do jogo de Braga e do seu policiamento. Num dos momentos mais felizes da temporada, no desfecho de um dos jogos mais complicados deste final de temporada, a euforia marcava aquela bancada superior destinada aos adeptos do Benfica. Uma goleada construída na 2ª parte garantiu os 3 pontos e a liderança a três jogos do fim. É ali, naquele momento, que os adeptos têm o direito de se manifestar, de celebrarem a vitória, de mostrar o seu alivio e contentamento. Devia ser naqueles minutos que a expressão festa do futebol desse sentido à vida de homens, mulheres, crianças, mais velhos e mais novos, todos unidos pelo amor ao Benfica. 

Nada mas mesmo NADA pode justificar a carga policial que testemunhámos das filas mais altas da bancada por ali abaixo, com os policias a baterem descontroladamente em TODOS os adeptos que pagaram para ir ver este jogo da Liga NOS.

Momentos de pânico e de vergonha que deve ter tirado a vontade de um dia voltarem a um estádio a dezenas de crianças, de pais, de homens e mulheres, jovens e idosos. 

Se a justificação era a pirotecnia usada na bancada, e que resultou em imagens incríveis como a que se pode ver abaixo, então isto devia dar até demissão do ministro da Administração Interna. 

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É que não conheço nenhuma lei neste país que diga que o uso de pirotecnia deve ser punida com violência gratuita e indiscriminada. Há castigos previstos, há multas previstas, até há quem todos os dias sonhe em fechar o estádio da Luz, o que não pode acontecer é este espectáculo absolutamente repugnante de violência policial. 

 

Quem organiza os jogos do Braga também devia vir dar explicação aos milhares de adeptos que encheram aquela bancada superior. Porque é que só se usa uma escadaria de acesso à bancada obrigando dezenas de milhares de adeptos a uma espera para entrar e, sobretudo, para sair absolutamente anormal. Repito, só se se pode usar uma escadaria, e portanto, uma entrada, para TODA a bancada. Vergonhoso, irresponsável, desrespeitoso.

E o que dizer dos relatos que nos chegaram do outro lado do estádio onde adeptos do Benfica foram agredidos, muitos tiveram que ter tratamento hospitalar, com invasões de adeptos do Braga até aos camarotes? E agressões adeptos à saída do estádio. Vai tudo assobiar para o ar? Vergonha alheia.

Para terminar este quadro negro, porque raio temos que levar com uma coreografia que não nos deixa ver nada para o relvado até o jogo começar? Era do lado das claques "legalizadas" do Braga? Ok, então façam coreografia em que a altura não ultrapasse as suas bancadas. Na Luz não se tapa a bancada dos visitantes com panos. 

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Como se vê, o respeito pelo adepto do futebol é zero. Tudo se faz para afastar as pessoas dos estádios. Mesmo assim, a Pedreira hoje teve a maior enchente da temporada. E isso deve-se apenas e só a um amor incondicional e irracional que os adeptos do Benfica têm pelo seu clube. É caso único em Portugal, é caso raro na Europa. É uma das principais fontes de inveja e ódio do resto do país. Esta invasão benfiquista a Braga transtornou muita gente e deu um conforto à equipa que pode valer momentos históricos. 

Mandaram 1500 bilhetes para a Luz? A resposta dos benfiquistas foi esmagadora. 

O jogo não começou bem? Não. Até parecia que o empate de Vila do Conde bloqueava o futebol ofensivo do Benfica, quando devia ser o contrário. Ao intervalo a derrota pesava imenso nos pensamentos de quem tanto espera da equipa. Não tínhamos atravessado o país para ver uma exibição tão apagada. O povo benfiquista que invadiu a Pedreira não foi ali para ver o Braga a ganhar com um penalti de Wilson Eduardo. 

A 2ª parte começa com um apoio ainda mais forte da bancadas. Quando aos 52' João Félix viu a bola ser desviada por Tiago Sá para o poste, a Pedreira estremeceu com o bruá dos benfiquistas. A equipa acordou de vez, as bancadas explodiram de vez em apoio furioso para a reviravolta, não houve ninguém naquele recinto que não tenha sentido que ia acontecer remontada.

Aos 59' e 65', Pizzi não vacilou e colocou o Benfica na frente com dois penaltis. 
Pizzi que passou a ser o jogador com mais influência neste campeonato, com 12 golos e 19 assistências. Esteve directamente ligado em 31 dos 91 golos do Benfica. Isto porque além dos golos, ainda fez uma assistência para Rúben Dias aos 69'. 

Rúben Dias que está a fazer uma temporada soberba, bateu hoje o recorde de jogos pelo Benfica numa época, superando... Pizzi. Líder natural da defesa e da equipa. Autoridade do Seixal para a equipa principal do Benfica.

Rafa fechou a contagem regressando aos golos. Aos 90', um grande golo a fechar uma 2ª parte de sonho da equipa. Rafa que também está na sua melhor campanha de sempre, já bateu o ser recorde de golos marcados.

Toda a equipa percebeu o momento do jogo, o contexto do campeonato e a necessidade de vencer num campo complicado. Repetiu os 4 de Moreira de Cónegos e de Santa Maria da Feira, as últimas saídas da equipa.

É muito importante perceber que só com uma atitude superior nos segundos 45' foi possível evitar um drama. Estamos tão perto de ser felizes como de entrar em depressão profunda. Tem que haver equilíbrio. Dentro e fora de campo. Celebrar os 3 pontos e depois esquecer este jogo e começar a pensar que o Portimonense em Janeiro ganhou por 2-0. Levar isto a sério, sem euforias nem fanfarronices. Era importante que todos pensassem assim. Não faltam exemplos de falhanços na recta final do campeonato. De preferência, que nos próximos três jogos haja mais Benfica da 2ª parte e menos da 1ª. 

Antes do grande jogo em Braga, houve desvio até Vila Verde para revisitar um restaurante que devia ser considerado uma das maravilhas de Portugal. O Torres, em Vila Verde, tem uma oferta gastronómica imbatível ao nível da proteína. 
Foi isto que aconteceu:

Longa vida aos senhores benfiquistas do Torres.

Grande dia passado na estrada, mais uma visita ao Minho bem sucedida no dia em que César Brito fez magia nas Antas em 1991. Um dia inspirador que trouxe o Famalicão de volta À primeira divisão. Mais uma viagem ao Minho para a próxima temporada. Aliás, duas, que o Gil Vicente também vem aí. Gastronomia da boa não faltará na próxima época.

Para já, só interessa o jogo com o Portimonenses. Temos um 2-0 para rectificar na Luz.

Só isto interessa. 

 

Benfica 6 - 0 Marítimo: Campo Trocado? Resultado Pesado.

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Pessoal da Madeira que torce por um dos clubes da Ilha:

Até há pouco tempo tinham três equipas na divisão maior, não raras vezes viam os seus clubes a lutarem por uma vaga europeia. Ultimamente, só Marítimo tem representado a Madeira com regularidade na Liga NOS e este ano lutam para não descer juntamente com o Nacional. Quero que ponderem o seguinte detalhe, ambas as equipas quando tiveram o privilégio de visitar a Luz resolveram fazer a rábula de obrigar o Benfica a atacar para Sul primeiro. Resultado das duas visitas ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 16-0! 

Pode ser coincidência mas os 10-0 do Nacional e estes 6-0 ao Marítimo começaram com uma troca de campo invulgar na Luz. Pensem nisso.

 

O Benfica vinha de uma ressaca europeia, entrava com a habitual pressão de saber que o rival já tinha despachado a sua tarefa, na prática já despachou todas as tarefas até ao fim, e voltou a dar uma excelente resposta a todos os que esperam um mau resultado na Liga. Bruno Lage na Liga NOS leva 15 jogos, venceu 14, empatou 1 e leva 56 golos marcados contra 11 sofridos. Recuperou a liderança e tem mantido a equipa na frente com categoria. 

A 4 jornadas do final do campeonato, o Benfica tem 87 golos marcados. O segundo classificado tem 62. 

Esta superioridade tem que ser demonstrada e defendida até ao fim. Hoje, o Benfica voltou a começar o jogo muito bem e abriu a partida com o 1-0. Mais um golo de João Félix. Canto de Pizzi e Félix a rematar de primeira. 

Não há nada melhor do que começar assim os jogos. Depois é continuar a carregar e partir para uma noite descansada. Hoje só na 2ª parte veio a tranquilidade absoluta. Cervi aproveitou a titularidade para bisar, imitou o inevitável Félix, Pizzi fez o seu golo e ainda houve tempo para Salvio regressar aos golos. 

O golo de Salvio aparece ao minuto 90. O segundo do Cervi tinha acontecido aos 88'. A quantidade de adeptos que não viram os golos por já terem virado costas ao Estádio da Luz é absurda. 

Num mundo perfeito o Benfica só marcava golos a partir do minuto 88 para castigar todos aqueles que teimam em não ficar no seu lugar até ao momento de aplaudir a equipa no final do jogo. 

Goleada entusiasmante numa noite de frio e chuva numa época familiar festiva que dá o mote para as 4 finais que o clube tem de vencer para voltar a ser feliz. 

Eintracht Frankfurt 2 - 0 Benfica: Falta de Ambição Castigada

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Boas exibições, jogar bem, ganhar e convencer, nada disto pode ser um problema para o Benfica. Bruno Lage chegou à equipa do Benfica e ganhou no Dragão com exibição personalizada, encantou em Alvalade com um 2-4 que soube a pouco, voltou a bater o Sporting na Luz na 1ª mão da final da Taça de Portugal com um resultado demasiado curto para aquilo que a equipa jogou e deu espectáculo na Luz contra o Eintracht há uma semana, esteve perto do 5-1 e levou um traiçoeiro 4-2 para a Alemanha.

Ora, estes resultados juntam-se a outros menos mediáticos e devolveram aos benfiquistas o orgulho e o prazer de ver o Benfica jogar. Colocou o Benfica na rota do título, a Taça da Liga ficou marcada por uma arbitragem vergonhosa, deixou o Benfica às portas do Jamor e das meias finais da Liga Europa. 

Sempre a jogar ao ataque, com uma futebol ambicioso, com uma atitude conquistadora. 

Então, pergunto eu, porque raio se abdica dessa filosofia à Benfica em dois momentos chaves da época?! Em Alvalade, na 2ª mão da Taça de Portugal, fiquei com a clara sensação de falso conforto com uma vantagem mínima. Falharam-se oportunidades que podiam ter dado outro rumo, é certo, mas o pior foi a sensação de nos metermos a jeito. Isto, depois de dois derbys em que o Benfica não foi superior, foi muito superior! 

Agora em Frankfurt a mesma sensação. 

Houve uma pergunta na conferencia de imprensa antes do jogo da Alemanha que levantou a questão da gestão do resultado. Correu mal em Alvalade, teria servido de aviso para a Europa? Lage respondeu que não tinha comparação mesmo pelo espaço de intervalo entre os jogos das eliminatórias. Isto descansou-me, no sentido em que percebi que a lição estava aprendida. Por isto, quero pensar que a estratégia preparada para esta noite era ambiciosa e seria procurar marcar um golo ignorando a vantagem trazida da Luz. 

No papel via Félix na esquerda, Rafa na Direita, Seferovic no centro e Gedson pelo corredor central para desequilibrar. Ligeiramente diferente do que se viu na Luz mas parecia um plano válido. 

O problema foi perceber com o decorrer do jogo que a equipa ia abdicando de pressionar alto, de ter a bola e de procurar criar perigo. Foi um convite para o Eintracht tomar conta do jogo. A tal falsa sensação de controlo e conforto com uma vantagem curta. 

Volto então a dizer que depois de vermos o Benfica a jogar bem, a ser ambicioso e a mostrar vontade de vencer nos estádios dos maiores inimigos da sua história, fica muito complicado de entender esta apatia.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Tem sido tudo tão rápido que não podemos esquecer que esta equipa técnica só lidera o futebol do clube há pouco mais de três meses. Não sei se estas hesitações estão ligadas a tão prematura experiência mas é estranho ver que tudo o que queremos do futebol do Benfica pode ser bem feito contra as equipas mais temidas do nosso calendário e depois se caia numa vulgaridade surpreendente. 

A formula já está descoberta, rapazes! Entrar para ganhar, ter atitude ambiciosa, jogar bem e lutar por uma vitória em cada jogo. Tal com já fizeram em, quase, todos os jogos. 

É que esta exigência dos adeptos clube não é só um capricho arrogante. Esta exigência vem da gloriosa história do clube que tem muitas, demasiadas, noites de infelicidade marcantes. Os benfiquistas quando exigem que a equipa jogue sempre como jogou no Dragão ou em Alvalade para a Liga, por exemplo, é porque sabem que só assim ficam a salvo das maiores injustiças e infelicidades que o futebol tem para oferecer. 

O Benfica acaba eliminado nos 1/4 de final da Liga Europa sem ter sofrido mais golos do que marcou. Sai vitima de uma regra que daqui a uns meses já não estará em vigor. Daqui a uns anos vamos figurar como um dos últimos clubes afastados pela regra do golo fora da UEFA. Um sabor amargo que já vem daquela noite com o Dukla na Luz. Na nossa história figura também a última decisão europeia de apurar uma equipa por moeda ao ar. Passou o Celtic. Como se vê, não nos podemos colocar a jeito destas infelicidades.

Mesmo porque a tudo isto junta-se os famosos casos de arbitragens. Já deixámos de ganhar uma Liga Europa por causa de uma arbitragem terrível em Turim. Mas, lá está, se tivéssemos concretizado uma das muitas oportunidades teríamos sido tão felizes contra o Sevilha. 

Hoje custa mais engolir o golo que abriu o caminho para a reviravolta dos alemães. Perto do intervalo nenhum dos elementos da equipa de arbitragem consegue ver um fora de jogo tão óbvio que o próprio Kostic antes de ir festejar olhou duas vezes para o árbitro auxiliar. Isto numa prova organizada pela UEFA que passou o dia a elogiar o desfecho do louco jogo da véspera em Manchester. E bem. Por muito que tenha custado a Guardiola, o 5-3 foi bem anulado pelo VAR que viu Aguero em posição irregular. É muito complicado de entender que 24 horas depois seja possível uma equipa chegar à vantagem com um golo ilegal. Isto num jogo disputado entre dois clubes já habituados a conviver com o VAR nas suas ligas. Mais uma vez, vamos ficar ligados a um momento de injustiça. 

Estes são os factos de uma noite em que tudo o que podia correr mal, correu. E não foi por falta de aviso. Foi dito e repetido que o ambiente em Frankfurt era fervoroso, que a equipa alemã tinha dignos argumentos e que não se podia facilitar com uma vantagem de um golo e meio. Mais uma vez, ficou a sensação que a equipa do Benfica não se importava de passar com uma derrota por 1-0. Noites de sofrimento e resistência épica acontecem pouco porque acabam traídas por golpe de sorte, de azar, de uma má decisão do árbitro, de uma falha ou seja lá o que for. Noites como aquelas de Turim contra a Juventus são raras.

Ser afastado do sonho europeu pela regra do golo fora, por ausência de VAR e com a sensação que não somos inferiores ao sobrevivente alemão nas provas europeias só é superado em termos de agonia pela tal falta de ambição que todos sentimos. 

Sim, porque andar na Europa no mês de Abril também não pode ser um problema. A carreira europeia no Benfica não pode ser vista como uma chatice. O Benfica também se fez grande por todo o respeito que conquistou na Europa. 

Repito que esta equipa técnica só tem cerca de 3 meses de trabalho com esta equipa. Admito que haja hesitações, erros de avaliação e até erros do treinador. Isso não tem problema. Os últimos dois treinadores do Benfica tiveram ciclos de trabalho muito longos onde puderam errar à vontade. Não exijo a perfeição a Lage ao fim de 3 meses mas garanto que estou intrigado com esta forma de abdicar nas provas a eliminar daquela filosofia tão maravilhosa que nos voltou a colocar na liderança do campeonato de forma quase milagrosa. 

No fundo, não estava a pedir nada de mais para esta noite. Apenas e só que percebessem que o resultado da Luz era traiçoeiro e por isso teríamos de começar tudo de novo na Alemanha e voltar a fazer uma exibição igual ou, pelo menos, ao nível do que costumamos fazer na Liga. 

Fica este amargo de boca de falharmos as meias finais europeias. Que seja uma obsessão do clube chegar lá o quanto antes, é o que peço. 

Sobram as cinco finais do contra relógio do campeonato. Pronto, agora não há mais distracções, nem desculpas, nem tentações. Façam com que as exibições do Dragão e de Alvalade para a Liga não caiam no esquecimento. 

Rumo ao título e que para o ano não se hesite nas Taças nem na Europa. 

Benfica 4 - 2 Vitória de Setúbal: If The Kids Are United

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Passo já a explicar o titulo da crónica. Quando João Félix fez o seu golo e correu para o irmão lembrei-me de uma canção dos Sham 69 que diz "If The Kids Are United, Then We'll Never be Divided". Uma das músicas que mais ouvi, certamente. 

Só um momento muito especial, uma imagem muito forte, é que faria com que eu fosse buscar este tema na minha memória. 

Vivem-se noites de magia na Luz, João Félix tem tornado tudo muito mais especial e continua a coleccionar momentos e imagens para a eternidade com uma naturalidade impressionante! 

O Benfica anda a transformar períodos de tensão em celebrações divinas. 

Isto porque estamos na recta final daquilo que é uma corrida a dois mas não da maneira que nos querem vender. Oiço e leio por aí que a Liga está a ser decidida como se fosse uma renhida corrida de formula 1 com os carros lado a lado até ao momento final. Não concordo. A impressão que tenho é mais de um contra relógio ao mais alto nível do ciclismo. Há um rival que já fez o seu trajecto sem falhas e o Benfica está a 5 Km de completar a sua parte. Só que já sabe que não poderá falhar uma pedalada que seja, sob pena de perder a corrida. É que o concorrente está descansado na meta à espera de um tropeção. É ver o que tem sido os jogos do Porto neste campeonato, até o insuspeito Rui Santos acha que levam 10 pontos a mais...

Com este cenário, ao Benfica só resta ter a concentração máxima nos seus jogos e fazer o que Bruno Lage tem dito desde aquela vergonhosa meia final da Taça da Liga, foco naquilo que podemos controlar, ou seja, o nosso futebol. 

Nesse aspecto, o momento é prometedor. Depois dos 1-4 em Santa Maria da Feira, dos 4-2 ao Eintracht na 5ª feira, nova chapa 4, agora ao Vitória de Setúbal. 

É prometedor porque na última vez que o Vitória FC veio à Luz numa recta final de campeonato, perdi uns anos de vida com aquele triunfo por 2-1 com Pizzi a desafiar o 2-2 que, felizmente, não apareceu. 

Desta vez, o Benfica esteve sempre na frente e marcou logo no arranque da partida. Grande jogo de João Félix, de Florentino e de Rafa. Todos os jogos há um conjunto de jogadores a aparecerem mais fortes e inspirados que guiam a equipa para os resultados pretendidos. Claro que ainda há a destacar o jogo de Seferovic, que marcou e de todos os que ajudaram a conquistar os 3 pontos.

Pizzi ficou marcado pelo penalti que não conseguiu converter, Ruben Dias fez um penalti desnecessário, Ferro não teve a sua melhor noite e Samaris esteve um pouco abaixo da noite europeia mas todos foram importantes para controlar a vantagem e construir um resultado que permitisse uma noite mais tranquila do que seria de esperar. 

Regresso ao tema "If The Kids Are United" para realçar, com tristeza, que continuamos a ter um ambiente muito estranho na Luz. Os putos Félix deram o exemplo de união, a equipa toda dá o mesmo exemplo quando se trata de celebrar golos mas isto não se reflecte nas bancadas. Absolutamente deprimente a assobiadela prestada à equipa, pior do que isso, a um miúdo como Florentino, antes do intervalo com a equipa a vencer por 2-1. Inexplicável. Isso não é exigência, é demência, meus caros.

E depois, antes dos 60 minutos, ver Bruno Lage a pedir apoio a umas bancadas adormecidas é embaraçoso. O que é que se passa?! Não percebo em que ponto é que a Luz se transformou num espaço assim. Esta plateia não mereceu aquele desarme do "Tino" que acabou em golo. Desculpem mas não merece mesmo. Talvez por saberem isso, a maioria dos espectadores vira costas ao jogo 10 minutos antes do seu final, completamente  desinteressados da possibilidade de mais um golo ou de uma possível calorosa ovação já depois do jogo terminado que conforte os nossos jogadores para as cinco finais que faltam. Nada disso, quando a equipa se junta no relvado para agradecer ao público já só deve lá estar 20% da assistência anunciada uns minutos antes nos marcadores da Luz. Deprimente. 

Mais uma prova superada, uma vitória justa, segura e relativamente tranquila que nos deixa optimistas para o que falta jogar.

Os putos estão unidos. Falta o resto. 

Benfica 4 - 2 Eintracht Frankfurt: Euro Félix !

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Apetece-me agradecer. Obrigado, Benfica por uma magnifica noite de futebol. De futebol de ataque, com espaço para pensarmos o jogo, com tempo para analisarmos o adversário e percebermos como podemos ultrapassá-lo. Que noite de futebol na Luz. Que jogo do João Félix! Que prazer que foi viver esta partida, antes durante e depois. 

Quem diz que estes jogos não interessam e que quanto mais depressa o Benfica ficar de fora da Europa, melhor é para a equipa, é porque não conhece o clube. Estas é que são as noites do Benfica. 

Vão lá perguntar a um adepto do Eintracht o que achou dos golos do Félix no Dragão e em Alvalade. Não vão responder. Sabem porquê? Porque lá fora sabem mais de um tal de Rui Pinto do que do João. O nosso campeonato não tem expressão no estrangeiro e a imagem que o futebol português tem transmitido para o exterior é de uma lixeira a céu aberto. Por isso, só hoje é que a Europa descobriu, verdadeiramente, o que vale o puto Félix. 

O Eintracht é a única equipa alemã nas provas da UEFA em Abril. O mediatismo germânico está todo à volta deste duelo com o Benfica. Fazer 4 golos ao Eintracht faz mais pelo prestigio internacional do Benfica numa noite do que 10 vitórias em Santa Maria da Feira com os mesmos 4 golos marcados. É esta a realidade. Com a vantagem de que a seguir ao jogo ninguém vem falar de árbitros, VAR e afins. 

Quem não percebe que estamos a 3 jogos de voltar a fazer história na Europa gosta do clube errado. Por outro lado, quem julga os adversários apenas e só pelos nomes também precisa de se actualizar. Esta equipa alemã é uma das revelações do futebol europeu desta temporada. Hoje mostraram os argumentos que validam esta teoria. Fortes ao nível atlético e físico, duros, com a ideia jogo assimilada e uma grande vontade em marcar golos, este Frankfurt é uma bela equipa de futebol.

Recebi várias mensagens indignadas com o "11" escolhido por Bruno Lage. Li comentários devastadores nas redes sociais sobre a equipa do Benfica. 

Os anos passam e o pessoal não aprende. Há muitas maneiras de pensar o jogo. O facto da escolha não ser óbvia não significa desprezo ou desistência de nada.Pede-se compreensão, respeito e calma. Em vez disso, os adeptos parecem entrar numa espécie de suicídio colectivo baseado num "11" que não esperavam. 

E no final, na conferência pós jogo está lá tudo explicadinho. O Seferovic ficou de fora para evitar haver uma referência óbvia para a defesa, o Gedson entrou para desiquilibrar no jogo entrelinhas e ligar o jogo, Bruno Lage percebeu o desenho táctico do adversário e as consequências de jogar com uma defesa de uma linha de três e reinventou o ataque do Benfica. Mais mobilidade, três jogadores na linha da frente, Rafa, Cervi e João Félix e reforçar o meio do campo onde o adversário é muito forte. 

A desconfiança deu lugar à euforia, o Benfica chegou ao 1-0 de penalti e com expulsão para adversário. Só que os alemães não se retraíram. Em vez de recuar 10 metros, tirar um avançado e lançar um defesa, o Frankfurt manteve-se equilibrado e com a mesma ideia de jogo. Um risco que lhes valeu o empate por Jovic, inevitável. 

Félix inventou uma vantagem antes do intervalo, num grande golo, que moralizou a equipa, apesar do susto do 2-2 anulado mesmo em cima do intervalo.

O Benfica sentiu que podia marcar mais e rapidamente chegou ao 4-1.

Um resultado tão bom que devia ter levado a luz à loucura e não aconteceu. 

Seferovic podia e devia ter acabado com a eliminatória quando falhou o 5-1. Kevin Trap fez uma enorme defesa, diga-se.

Assim, de um resultado confortável passou.se para um 4-2 traiçoeiro e incómodo para o jogo da 2ª mão.

O pior ficou para o fim, com o jogo sempre partido, sempre aberto, com ambas as equipas a tentarem surpreender, o Benfica optou por gerir a posse de bola. Pois, houve uns milhares de benfiquistas que resolveram assobiar a equipa nesse momento do jogo levando Bruno Lage ao desespero.

Quem não entendeu o que se passou na Luz, a riqueza táctica do jogo, a exibição colectiva superior do Benfica, a noite individual de Félix, Gedson e Samaris, a importância da vitória, a qualidade dos golos, a necessidade de posse de bola, não merece o privilégio de viver estas noites europeias. 

4-2 é curto para Alemanha? Pode ser, sim. Mas o Benfica pode marcar em Frankfurt e fazer a sua história. 

Aconteça o que acontecer, esta noite já ninguém me tira.

E acabar a noite no Edmundo, em Benfica, a jantar e a conviver com adeptos alemães do Frankfurt, não há dinheiro nenhum que pague. Quando ganhamos internamente sentimos apenas e só um alivio. Vamos jantar e temos que nos esforçar para não sabermos o que se diz nas lixeiras transformadas em canais interessados em futebol.
Ganhar na Europa é outra coisa. 

Grande noite europeia que se viveu na Luz! 

Feirense 1 - 4 Benfica: Aquele Arco de 3 Maravilhosos Segundos no País dos Apitos

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 Desde sempre, acontece aquela desconfiança de quem nos rodeia e não entende a necessidade que temos em estarmos onde o Benfica joga. Mesmo que tenhamos de sacrificar um domingo familiar. Mesmo que tenhamos de acordar cedo num domingo após um sábado de borga. Mesmo que tenhamos que contornar vários obstáculos no trânsito, ironicamente originados pelo Benfica e a sua corrida anual, para reunirmos todos os elementos que vão viajar. Mesmo que saibamos que vamos passar o dia todo debaixo de chuva, A1 acima, A1  abaixo, e juntar o tempo frio à chuva no Estádio Marcolino de Castro. Já sabemos que isto não faz muito sentido mas o local onde o Benfica joga é uma espécie de íman que nos atrai fatalmente. Porque queremos fazer a nossa parte. Queremos sentir que estamos lá na bancada a apoiar os jogadores, um a um, quanto entram em campo e desviam o olhar para a plateia a ver se há muito apoio ou não. E, também, porque vamos à procura de viver emoções que só o futebol nos pode dar. Aliás, só o futebol do Benfica nos pode dar, porque isto é mais forte do que gostar só de futebol. 

Sim, o jogo dá na televisão e pode ser visto no maior conforto caseiro. Mas é a mesma coisa? Nem pensar! 

 

Vamos começar pelo minuto 49 do jogo Feirense - Benfica. Agora, o Glorioso está a atacar para o lado onde estamos a ver o jogo. Pela linha do meio campo, Grimaldo resolve surpreender chutando uma bola por alto que vai cair à entrada da grande área do Feirense. O guarda redes Caio precipita-se e tenta chegar à bola que entretanto é aliviada de cabeça por Bruno Nascimento. Rapidamente percebemos que Seferovic vai aproveitar para rematar de primeira, tentando uum golo épico de chapéu. Olhos na bola a sair do pé de Seferovic, silêncio quase total espontâneo e repentino, respiração suspensa e os olhares acompanham a trajectória de um arco perfeito que vai acabar dentro da baliza dos fogaceiros e que duras uns longos três segundos no ar. Explosão de alegria, o silêncio dá lugar a festejos exuberantes. Querem convencer-me que aqueles três segundos vistos em casa despertam a mesma emoção e os mesmo sentimentos? Não queiram. São instantes únicos. É futebol. 

Só momentos como este é que dão sentido à nossa presença ali. É que estar num estádio onde se permite que soe um apito nas bancadas que baralha espectadores e jogadores remete-me sempre para aquela final de Viena em 1990. Aconteceu hoje e parece que ninguém se importou. Deixo aqui a minha estranheza.

 

Para trás tinha ficado o golo de Pizzi que empatou o jogo. Também um momento muito emocionante, ao fim de vinte e oito (28) jornadas, o VAR conseguiu ver, finalmente, um penalti para o Benfica. 

Logo depois, o capitão André Almeida foi lá à frente garantir que o Benfica saía para o intervalo na frente do marcador.

Entre os minutos 40 e 50 do jogo, o Benfica resolveu um problema que se ia complicando com o passar do tempo. O golo de Sturgeon, aos 10', mostrou um Feirense que não bate certo com o lugar que ocupa na tabela. 

Todo o mérito para a equipa do Benfica pela maneira como deu a volta ao jogo e garantiu a vitória. Seferovic confirmou o 1-4 no último minuto de jogo proporcionando um excelente regresso a casa a todos os adeptos que só queriam sair dali na liderança do campeonato. 

Ver Ferro ao vivo é outra atracção que não dá para resistir. O central do Benfica está a crescer de tal maneira que não sei quanto tempo vamos poder ter o prazer de o ver a defender o manto sagrado. 

Samaris, Florentino e Taarabt apareceram nos lugares de Fejsa, Gabriel e Rafa, voltaram a dar óptimos sinais de validade como opções para titulares. A equipa pareceu segura e confiante, regressamos à exibição de Moreira de Cónegos. Apesar do golo sofrido, os ataques do Benfica voltaram a render quatro golos. Missão cumprida.

Falta falar do pré jogo. 

A viagem Lisboa - Santa Maria da Feira fez-se bem e sem paragens. A ideia era atacar logo o almoço bem perto do estádio. A escolha foi o restaurante Adega O Monhé. Fomos para a especialidade da casa, um cozido à portuguesa dentro de pão. Tem que ser encomendado porque é feito de véspera. O Chefe vem à mesa abrir o pão e explicar o processo de confecção. Há vários tipos de carne, enchidos, um molho apurado e couves no ponto.

Aprovadíssimo. Ficam as fotos para testemunhar o repasto:

Almoço bem sucedido, curta viagem para o estádio. Três pontos conquistados e para aproveitar esta dádiva de termos um jogo a terminar a horas decentes, desvio no regresso a casa para matar saudades do arroz de tomate com pasteis de bacalhau e panados no Manjar do Marquês em Pombal.

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Domingo à noite em casa, missão cumprida. Menos um jogo para terminar o campeonato e a mesma sensação, temos capacidade para vencermos os próximos seis jogos. Tarefa árdua mas que tem de ser cumprida porque o nosso concorrente parece já ter esses jogos todos ganhos como temos constatado jornada após jornada. 

Sporting 1 - 0 Benfica: Ficar à Porta do Jamor por Culpa Própria

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Esta é a primeira grande desilusão da Era Lage. 

Fui para Alvalade consciente que o resultado da Luz era enganador e traiçoeiro. Quando na primeira mão o Benfica não conseguiu fazer o 3-0 e acaba por sofrer o 2-1, acabou por voltar a dar vida a um Sporting que já estava quase KO. 

Não dei muita importância ao golo do adversário porque estava convicto que o Benfica ia repetir a exibição que fez no campeonato e na primeira mão da Taça. Foi isso que me habituei a esperar deste Benfica. E se alguma coisa corresse mal, cá estaria eu para dar força e olhar em frente. O que não aconteceu esta noite em Alvalade foi aquela atitude à Benfica. Eu não me importo de perder desde que seja com as ideias de jogo que Bruno Lage trouxe ao Benfica. Isto é, entrar para ganhar, saber que somos melhores do que o adversário e ir para cima deles. Ter bola, construir, procurar vencer, como se estivesse tudo zero a zero. Fiquei admirado com a passividade da equipa. Fiquei decepcionado com a postura do Benfica em deixar o tempo passar. É certo que houve algumas ocasiões de golo que podiam ter resolvido a meia final mas nunca é boa ideia gerir uma vantagem tão curta. Demos oportunidade para que Bruno Fernandes, o único jogador acima da média deste Sporting, voltasse a dar ânimo ao rival. 

O Benfica hoje colocou-se muito a jeito para um triste fim. E isso era algo que eu já não esperava ver tão cedo. 

Foi um duro golpe na moral do universo Benfica que já sonhava com uma dobradinha.
Agora, é preciso cerrar fileiras e ir à luta nas sete finais que faltam no campeonato. Um campeonato completamente inquinado, como se viu no sábado, onde o Benfica não tem margem de erro. Onde é importante manter a cabeça fria, ao contrário do que aconteceu hoje no final do jogo com Rafa a ser expulso. 

O país ficou feliz com o reencontro de irmãos verdes e azuis no Jamor, como tinha ficado feliz na final 4 da Taça da Liga, em Braga. O Benfica tem que se esmerar dentro e fora de campo. 

Hoje foi mau porque perdemos com passividade e expectativa. Não pode voltar a acontecer. E quem tiver que levantar a voz contra todo este esquema de arbitragem e VAR que tanto beneficia o Porto, que levante bem alto e todos os dias, se for preciso. 

Hoje fiquei decepcionado. Domingo lá estarei no próximo jogo fora.

Ganhar na Feira!