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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 1 - 2 RB Leipzig: Eurocépticos

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O grande dilema é o seguinte: o discurso de retoma europeia não bate certo com os zero pontos no final do dia depois da estreia europeia. 

O Benfica começou a disputar a fase de grupos da Champions League pelo 10º ano seguido e não há maneira de sentirmos que a equipa dá o necessário salto qualitativo para bater certo com a promessa de pensar em grande na Europa. 

As campanhas todas acumuladas adensam mais o sabor amargo de uma derrota caseira no arranque de mais uma campanha na Liga dos Campeões. 

Nas últimas décadas o Benfica chegou aos 1/4 de final com o Bayern e com o Chelsea. Depois é preciso recuar a Koeman e lembrar o Liverpool. Foram as excepções que nos fizeram sonhar e que nos mostraram que podia acontecer um Benfica mais ambicioso na Liga dos Campeões. Mas por diferentes razões, o sonho de chegar mais alto vem sendo sempre adiado. Verdade que as duas caminhas até às finais da Liga Europa atenuaram bastante a frustração europeia mas não serviram de alavanca para mais e melhor. 

Parece que há um medo cénico do Benfica em tentar regressar ao mais alto patamar europeu. Os adeptos não levam a sério as noites europeias na Luz que apresenta sempre uma triste moldura humana entre os 16 estádios que desfilam nos resumos no final da noite, e, há que dizê-lo, depois outros compensam com prestações vocais memoráveis longe de Portugal agarrando a ideia que há que ter euro ambição. Os vários treinadores do Benfica vacilam entre usar o 11 mais forte e consolidado e tentar lançar novas caras para não comprometer os pontos na liga portuguesa. Liga essa que é outro problema para o Benfica. O nível é tão mais baixo do que qualquer campeonato do top 5 europeu que os treinadores ficam sempre tentados a mudar algo táctico, individual ou colectivo para improvisar e surpreender o adversário. Isto porque fica demasiado fácil para qualquer clube que tenha de defrontar o Benfica vir observar a prestação interna da equipa e perceber como se joga. São cerca de 30 jogos internos que o Benfica tem para contornar adversários a jogar quase sempre da mesma maneira. 

É isto em traços gerais. 

Vamos ao desafio de hoje. Bruno Lage mexeu na equipa e no plano de jogo. Parece-me óbvio que o faça. Seguir para este jogo com o habitual 4-4-2 seria tornar tudo ainda mais previsível para o adversário. Já com o Frankfurt se percebeu que houve uma preocupação de montar um ataque diferente sem dar nenhum jogador à marcação da linha defensiva. 

Hoje, Lage apostou em RDT mais à frente e Jota atrás, Cervi, uma surpresa mas que já tinha jogado no tal jogo com o Eintracht e Pizzi nas alas. Entregou o meio a Fejsa e Taarabt, dando continuidade a aposta do último jogo. Atrás também uma novidade, Tomás Tavares. André Almeida não estará ainda capaz de jogar dois jogos com um tempo de recuperação tão curto. Aqui parece mais uma necessidade do que um risco, mesmo porque Tomás Tavares fez uma exibição muito prometedora. 

Portanto, a novidade era Jota a atacar as entrelinhas e Cervi mais fresco, primeiro jogo da época, para atacar e defender com a mesma velocidade e intensidade. 

Curiosamente, de todas estas apostas a maior desilusão foi Pizzi. Mais uma vez em contexto europeu Pizzi parece eclipsar-se e até hesitar na hora do remate. É estranho o rendimento de um dos melhores jogadores do campeonato variar tanto em noites europeias. O valor de Pizzi quase que o obriga a estar no banco mas depois do jogo acho que até o próprio concordaria que teria sido melhor ter ido a jogo Rafa de inicio. São daquelas conclusões fáceis de tirar depois do jogo, antes é mais complicado. 

Com tudo isto, o Benfica conseguiu dividir o jogo. Conseguiu mostrar momentos de bom futebol, especialmente guiados por Adel Taarabt e com combinações de primeiro toque que chegaram a empolgar a Luz. 

A verdade é que o Benfica construiu oportunidades suficientes para marcar e isso é um bom indicador. O mais dramático é que continua a ser mortal a este nível não se concretizar as boas oportunidades. Grimaldo de livre viu Gulacsi a negar o golo, RDT arrancou grande remate mas voltou a sair ao lado, Pizzi foi irreconhecível na finalização e Cervi ainda devia estar a pedir desculpa pela envergonhada maneira como não marcou golo depois de um passe magistral de Taarabt.

Acrescenta-se a esta falta de qualidade na hora de fazer golo dois argumentos pesados. O primeiro é a diferença na hora de decisão de Timo Werner para a realidade que conhecemos. O alemão em oportunidade e meia faz dois golos. É duro mas é mesmo assim.

O segundo argumento é que há uns meses atrás quando batemos o Eintracht na Luz quem fez de avançado foi João Félix. Podem gostar muito ou pouco mas o rapaz é um craque e fez 3 golos resolvendo uma questão que hoje nem RDT, nem Jota conseguiram. E não conseguiram porque João Félix só há um de tempos a tempos e por isso é que saiu pelo valor que se sabe.

Então porque é que não se foi buscar um jogador assim? Bom, por mim trazia-se o Timo Werner, por exemplo. O problema é que só o dinheiro não chega para ter um jogador daqueles no nosso quadro competitivo e foi isso que Bruno Lage explicou na conferencia de imprensa antes do jogo com o Gil Vicente. 

É neste drama que vivemos. 

Houve coisas boas mas no fim da noite lá está o último lugar do grupo à nossa espera. 

Há jogadores importantes de fora por lesão e há uma pressão extra pela nuvem negra que tem pairado sobre as prestações do clube na prova. Só um bom resultado na Rússia e um positivo confronto duplo e directo com o Lyon pode devolver a esperança europeia aos adeptos. Há condições para isso desde que a objectividade na hora de concretizar suba aos níveis desejados. 

Hoje foi uma decepção. 

Benfica 2 - 0 Gil Vicente: A Naturalidade Que Já Não Chega

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Há uma enorme diferença entre as expectativas dos profissionais e dos adeptos. Isto é, quem faz parte da organização do futebol profissional do Benfica, técnicos e dirigentes, não vê o pré jogo e o pós jogo da mesma maneira que os adeptos nas bancadas ou em frente à televisão. 

Uma das grandes mais valias que Bruno Lage trouxe ao universo do Benfica foi humanizar essa visão sobre o futebol em geral. Não se repete entre lugares comuns, não avalia os jogos segundo uma realidade paralela ou uma ciência obscura só ao alcance de uns iluminados e tenta sempre explicar as suas opiniões. 

Serve esta introdução para contextualizar os sentimentos mistos que ouvi e li após o jogo deste sábado à noite. 

É verdade que não se pode justificar uma exibição menos conseguida logo à partida com a paragem das datas FIFA. Mas não se deve ignorar quando o melhor jogador em campo, Adel Taarabt, diz que a tal paragem tornou este jogo mais difícil. 

Também não se deve justificar a menor intensidade de jogo do Benfica, principalmente depois do 2-0, com o facto de estarmos a poucos dias da estreia na Champions League. Mas na verdade é algo comum a quase todas as trinta e duas equipas que vão disputar a maior prova de clubes do mundo. É reparar nos resultados e exibições de Juventus, das equipas de Madrid, do Manchester City ou mesmo dos três adversários do Benfica, só o Zenit venceu e com bastantes dificuldades. 

Isto nem são desculpas, são factos para tentar chegar aquilo que quero. Penso que a melhor maneira de avaliar e analisar a exibição do Benfica é utilizar o pragmatismo e o equilíbrio contextualizando o momento competitivo do calendário.

Posto isto, recupero as diferenças entre profissionais e adeptos para ir directamente a um momento do jogo que me deixou confuso. Quando Jota está na linha lateral pronto para entrar começou uma corrente de desabafos nas bancadas. Aconteceu na minha bancada e acredito que tenha sido em todo estádio. "Pronto, ele vai tirar o RDT". 

Placas levantas e sai mesmo o espanhol. A reacção das bancadas veio nessa sequência, assobios para a repetida decisão de Bruno Lage. Algo que me pareceu lógico e natural numa relação aberta e honesta entre adeptos e treinador. Os adeptos não estão a gostar que saia sempre Raul de Tomas e manifestaram-se. Não vejo mal nenhum mesmo porque este é um estádio que tem um legado assustador nas bancadas onde adeptos assobiavam lendas como Nené ou Cardozo e a própria equipa a ganhar quando não goleava. Até aqui nada de anormal. 

Mas reparei que a reacção de Lage, RDT e Seferovic é que baralhou isto tudo porque todos interpretaram a assobiadela como se fosse para o jogador a sair. E não foi. Até foi uma manifestação de carinho e confiança no espanhol, os adeptos queriam mais tempo em campo. 

Esta á minha interpretação de um dos momentos mais acesos da noite. Posso estar enganado mas o protesto foi para a decisão da equipa técnica. Repito que não vejo mal nenhum nisso e acredito que Bruno Lage também não se importe de explicar a opção. Mas isto faz parte do futebol porque, como comecei por dizer, há sempre uma visão do banco e outra das bancadas. E assim é que tem de ser. 

Já agora, deixo aqui também a minha visão de adepto de bancada sobre a não entrada de Tomás Tavares. Se era para lançar o miúdo porque é que não se tratou da substituição mais cedo? Mais um exemplo da maneira diferente como se vive o mesmo jogo.

Por falar em jogo, o que mais interessava era garantir os três pontos. Estes são os jogos que precisam de ser resolvidos com convicção. Bruno Lage ao ter normalizado as goleadas do Benfica no campeonato corre sempre este risco quando vence "só" por 2-0. É uma pressão óptima, uma dádiva só ao alcance de poucos treinadores. Elevar a fasquia para ser cobrado por vitórias menos expressivas e empolgantes. Há treinadores que fazem toda uma carreira contentes com um triunfo por 1-0. Lage no Benfica tem que se justificar quando ganha por 2-0. 

Um jogo no Estádio da Luz contra uma equipa repescada da 3ª divisão, depois de uma goleada em Braga, depois de um último jogo na Luz de má memória, tudo isto somado pedia uma goleada com futebol atractivo num sábado à noite e motivação para o grande embate com o líder da Bundesliga que, diga-se, não está a entusiasmar os 60 mil que podem encher a Luz, o que lamento.

A realidade é que o Gil Vicente é uma equipa já bem arrumada, muito bem treinada por Vítor Oliveira, com alguns jogadores muito interessantes, como Kraev, Sandro Lima, Baraye ou o guarda redes Denis, e veio à Luz com um plano de jogo digno e bem pensado pelo seu treinador. 

Conseguiu atrapalhar os pontos fortes do Benfica, faltou mais qualidade ofensiva e assustar a defesa do Benfica mais vezes. Mas deixou boa imagem na visita à casa do campeão. 

No Benfica houve estreia na dupla do meio campo, Fejsa regressou à posição "6" e Taarabt voltou a ser "8" e, tal como em Braga, esteve muito bem. Tão bem que acabou por ser o melhor em campo tendo naquele passe que acabou por dar o 1-0 o melhor lance para recordar. 

De resto, a mesma equipa do Benfica com as qualidade de Pizzi e Rafa, as expectativas em Seferovic e RDT, os apoios de Grimaldo e André Almeida e a segurança de Ruben e Ferro. Odysseas voltou a assinar uma folha limpa, a quinta em seis jogos. 

Não foi exuberante, não foi entusiasmante mas é muito agradável que se passe a avaliar as exibições do Benfica do ponto de vista do luxo. É que foram décadas a analisar jogos do ponto vista do lixo onde algumas vitórias pela margem mínima eram elogiadas pelo esforço e triunfos por mais de um golo de diferença eram tranquilas. Eu gosto mais assim. Um 2-0 ao Gil Vicente que deixa o pessoal alarmado. É preciso mais e melhor. 

Volto a referir o conceito de equilíbrio, acho que é o mais sensato. Era preciso regressar ao ciclo de jogos de clube com uma vitória e sem sobressaltos. Depois de Pizzi ter falhado o penalti o jogo podia ter ficado feio. Felizmente, a equipa procurou o golo antes do intervalo. Até no feliz 1-0 há drama no Benfica, o autogolo de Ygor Nogueira deixou RDT em nervos. Ou seja, o Benfica resolvia um problema antes do intervalo mas como não foi de forma imaculada viu-se drama. Isto, às vezes, não parece um clube de futebol, parece um enredo do dramaturgo William Shakespeare. 

O Benfica ganhou bem, fez a sua parte antes de começar a caminhada europeia. Estamos com cinco jornadas na Liga e há dúvidas dentro do futebol do Benfica. Há e vai continuar a haver. Foi o primeiro jogo após o fecho de mercado e com as lesões vamos ter ser matéria para especular entre as posições "6" e "8" além das dinâmicas da dupla atacante. Um 2-0 é um resultado natural que já não chega para satisfazer as exigências dos adeptos porque Bruno Lage vulgarizou as goleadas. Engraçado. 

Mas a tudo isto chama-se época de uma equipa de futebol que costuma ultrapassar a meia centena de jogos. 

Segue-se nova viagem ao Minho, estamos em ciclo de jogos com equipas minhotas na Liga e essa estreia na Liga dos Campeões com os líderes da Bundesliga na Luz. Uma visita à dimensão maior do futebol mundial numa pausa da limitada realidade do futebol português. 

Braga 0 - 4 Benfica: Uma Exibição ao Nível do Preço Luxuoso dos Bilhetes

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São 3h56 da manhã de dia 2 de Setembro. Fui ver um jogo da jornada 4 da Liga NOS no domingo, o Braga - Benfica, e consegui chegar a casa antes das 4h da manhã. O meu muito obrigado para quem tutela o futebol em Portugal.

Quis o "sorteio" que o Benfica voltasse à Pedreira quatro meses depois daquela vitória por 1-4 com um estádio cheio num grande fim de tarde de futebol. Desta vez, o estádio esteve longe de encher e o jogo começou depois das 21h de um domingo. Há que esclarecer que o sector visitante não teve uma ocupação só de 1/3. Isso é uma análise errada. O Braga é que fez questão de só ceder bilhetes para 1/3 daquela bancada. Esse espaço esteve cheio de benfiquistas. O resto que esteve vazio foi por opção do clube da casa. 

Depois, importa dizer que para aquela "caixa de segurança" foram vendidos bilhetes de 31€ e 93€.

Pergunta o leitor: e qual era a diferença nos acessos e nos lugares?

Eu respondo: absolutamente nenhuma. 

Ou seja, para o Braga e para a Liga Portugal, um bilhete de 93€ dá acesso a um lugar com a mesma visibilidade e com a mesma entrada de um bilhete de 31€.

E em Abril como foi? Foi bancada esgotada de uma ponta a outra e sem bilhetes a 93€.

Eu esperava que os adeptos portadores de bilhetes de 93€ fossem levados ao colo por aquela interminável escadaria, tivessem uma água fresca à sua espera lá em cima e que no fim fossem transportados para o Aeroporto para regressarem a Lisboa de avião. 

Os preços aumentaram para lá dos limites do razoável, mas dentro dos limites da Liga Portugal, e as condições para os adeptos continuam as mesmas. Uma só escadaria de acesso para entrar e para sair. Saída que acontece para lá das 23h30 e que fora do estádio não tem iluminação até à estrada. 

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Realmente, é preciso gostar muito do Benfica para nos sujeitarmos a tudo isto. 

 

O plano da viagem foi feito entre amigos. Saída da Luz pelas 16h, paragem em Condeixa para uma boa sandes de leitão, umas imperiais e um pastel de Tentúgal e seguir caminho para a Pedreira. 

A expectativa para saber o 11 do Benfica era grande. Confirmou-se o regresso de André Almeida e a aposta em Taarabt. 

Mais do que acertar na equipa, a exibição do Benfica trouxe de volta aquele conforto, aquele entusiasmo e aquela tranquilidade de ver um futebol atraente. Perceber que esta é a normalidade da Era Lage. Sentir que a jogar assim estamos sempre mais perto de ganhar. 

Adel entrou de forma perfeita na posição "8", Florentino fez uma exibição magnifica, Raul de Tomas sempre que esteve em jogo fez quase tudo bem, Rafa foi sempre uma ameaça com a sua velocidade, Pizzi voltou a bisar quatro meses depois naquele relvado. Só Seferovic é que teve uma noite desinspirada mas mesmo assim trabalhou o suficiente para ficar ligado a um dos golos, neste caso, auto golos. 

Odysseas quando teve de aparecer esteve bem, e a defesa do Benfica só por uma vez foi ultrapassada, uma grande recepção de Ricardo Horta com um remate que o poste caprichosamente devolveu. Podia ter sido o 1-1 antes do intervalo. 

Para evitar mais sustos, o Benfica entrou ainda mais forte na 2ª parte e rapidamente ampliou a vantagem. De forma normal e natural. 

Cedo se resolveu um problema que não se adivinhava de fácil resolução. 

O apoio na bancada visitante foi brutal. Quando começam a jogar sujo com os adeptos do Benfica, a inventar obstáculos, a quererem evitar a presença de muitos, é quando os benfiquistas se juntam para apoiar mais forte. Se pensavam que depois de uma derrota, a Pedreira ia conseguir afastar o povo da equipa, enganaram-se. E vão estar sempre enganados quando esfregaram as mãos a pensar que estão todos a ser muito espertos prejudicando os benfiquistas com preços vergonhosos. 

Os adeptos do Braga que trataram os benfiquistas que se manifestaram no primeiro golo na bancada inferior de forma cobarde e violenta, são os mesmo que se riram com as condições impostas a quem quis ir para o sector visitante do seu estádio. Não se esqueçam que ainda vão ter de ir à Luz.

 

Uma resposta do Benfica de Lage à Benfica de Lage. Sem dramas, sem lamúrias, com trabalho, com motivação, e construindo mais uma goleada, mostrando que o normal deste Benfica é isto. Jogar e ganhar bem. 

Os que encheram o peito há uma semana com uma efémera liderança e os que acharam que uma derrota ia derrubar o campeão, devem ter percebido algo que já é certo e sabido há muito tempo: vão ter que levar connosco. Quer gostem ou não, quer queiram ou não. Com preços luxuosos ou com regressos a casa de madrugada já em dia útil de trabalho. A força do Benfica não se anula assim.

Uma nota final, mesmo na bancada superior, bem longe da zona de acção do primeiro tempo, consegui ver nitidamente João Novais a cortar com a mão uma bola que podia levar perigo à baliza do Braga. Não precisem de Juízos Finais. Mas o árbitro conseguiu não ver. Aposto que se estivesse numa zona de 93€ tinha visto. Afinal, os lugares até eram baratos com tão boa visibilidade.

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Não tentem brincar com o Benfica, respeitem o Campeão. 

 

Benfica 0 - 2 Porto: Desilusão

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Um jogo e tudo muda no universo dos dois candidatos ao título. Uma vitória justa do Porto no Estádio da Luz e a vantagem pontual no campeonato ficou anulada. 

A verdade é que a história deste derby ficou influenciada pelo momento em que as duas equipas chegaram à jornada 3. 

O Benfica não teve influência nenhuma no falhanço europeu do Porto nem na inesperada derrota em Barcelos para o campeonato. Bruno Lage limitou-se a preparar a entrada na temporada de forma tranquila desenhando um onze em 4-4-2 que teve na ausência de André Almeida a maior dor de cabeça e na lesão de Gabriel o maior contra tempo. A saída de João Félix já estava assimilada e nem conta para esta equação. 

Se o Benfica vinha com um registo de vitórias seguidas, não era expectável que fosse o seu treinador a inovar algo para este clássico, nem tacticamente nem individualmente. Adivinhava-se o mesmo onze dos últimos jogos. E é aqui que o Benfica começa a perder, por estranho que pareça.

É que do outro lado, subitamente este jogo passou a ser tudo ou nada para Sérgio Conceição que percebeu a importância histórica de motivar a equipa no confronto directo com o grande inimigo. A isso acrescentou uma ousada ambição e deu todos os sinais de querer entrar na Luz para vencer e dar a volta à má entrada na época. Em relação à equipa que lançou contra o Vitória FC, manteve ambiciosamente Corona no lado direito da defesa e Romário Baró na sua frente. Ou seja, repetiu a equipa que tinha goleado na jornada anterior. 

A isto, o Porto juntou uma atitude ousada baseada numa pressão alta muito forte e com os jogadores a mostrarem uma motivação enorme. 

O facto do Benfica chegar bem em termos de resultado ao clássico tornou a abordagem ao jogo previsível e o Porto apostou tudo na tentativa bem sucedida de anular todos os pontos fortes do jogo do Benfica. 

Cedo se percebeu que perante aquele 4-3-3 de Conceição levantava muitos problemas ao futebol do Benfica. Ou a equipa de Lage se enchia de paciência e saía a jogar no limite com calma, atraindo a marcação agressiva do Porto para a contornar com troca de bola apoiada para depois criar situações de superioridade mais à frente do terreno ou então era preciso afinar posicionalmente a equipa chamando a jogo um médio de ligação e abdicando de um dos dois avançados. Penso que não sobravam mais alternativas depois de ver como o jogo estava ao fim de algum tempo. 

O Benfica precipitou a saída de bola sem paciência optando por bater na frente facilitando a vida a Marcano e, especialmente, Pepe que esteve como quis a noite toda. Depois o jogo interior do Benfica não entrava e tanto Rafa como Pizzi acabaram por ter de correr atrás das tais bolas batidas em largura. Vimos Rafa a lutar pela posse bola no ar com os centrais do Porto. Dificilmente podia resultar. 

Com estes sinais todos evidentes, sobrava ao Benfica a esperança da inspiração individual ou associativa dos dois do costume. Infelizmente, a inspiração individual global esteve tão apagada como a colectiva. E quando assim é, a tendência é para o jogo partir e ficar resolvido para o outro lado. Marega não marcou na primeira oportunidade clara mas fez o 0-2 na segunda. 

Até neste pormenor o Benfica falhou. Depois daquele falhanço de Marega, o Benfica devia ter ido para cima e puxar pelo ditado popular "Quem Não Marca Sofre". Mas não era noite para isso. 

A troca de Samaris por Taarabt trouxe mais personalidade na construção mas não resolveu o problema da superioridade numérica e posicional do Porto. 

O Porto apostou em surpreender, arriscou, foi ambicioso e conseguiu transformar a tranquilidade do Benfica em previsibilidade fácil de anular. 

Agora, é fácil olhar para trás e pensar que o Benfica podia ter feito outras opções mas não fazia sentido à luz dos resultados obtidos até aqui. Por isso é muito mais fácil escrever agora que devia ter sido diferente. 

A maior desconfiança que tinha antes do jogo era, precisamente, o momento do Porto. É que sinto que não há maneira de darmos um golpe profundo quando eles estão magoados. Isto nem tem nada a ver com o jogo de hoje, é algo tradicional e histórico nas últimas décadas. O Porto precisa do Benfica para se recompor e, geralmente, consegue. É uma motivação extra enfrentar o inimigo, nem a saída da Champions, nem a derrota em Barcelos, pesam na hora de mostrar unhas e dentes ao rival. Sempre foi assim, sempre assim será. 

A tranquilidade e a zona de conforto em que os jogadores do Benfica vivem desde a conquista do campeonato, mais a supertaça e a entrada triunfante nesta Liga, acabou por ser uma sensação traiçoeira quando confrontada com a fúria e a determinação de prova de vida do rival. 

Agora sai o Porto deste confronto directo em vantagem e com um onze desenhado e cabe a Bruno Lage analisar e meditar sobre o que não correu bem neste clássico que ditou a primeira derrota do técnico no campeonato. 
Claro que não se espera uma revolução mas há conclusões a tirar desta noite. Nomeadamente, as que abordei na crónica. 

Nada estaria ganho em caso de triunfo, como nada está perdido com esta derrota. Nos últimos seis anos o Benfica venceu cinco campeonatos e nenhum foi fácil nem folgado. Este não ia ser diferente. A luta continua. Como sempre. 

Belenenses SAD 0 - 2 Benfica: Rafa Anti Tudo e Todos!

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Antes de irmos ao jogo tenho de começar por falar naquilo que o rodeia. 

Este foi o segundo jogo fora da Luz da época. O primeiro foi organizado pela FPF, este foi responsabilidade da Liga Portugal. Sobre as condições miseráveis do Estádio do Algarve está tudo escrito na crónica da Supertaça. Esta partida era do campeonato da Liga e as razões de queixa dos adeptos são na mesma escala.

Reparem, quem é que se preocupou em promover este jogo, em chamar gente ao Jamor em preocupar-se com iniciativas que passaram por publicar vídeos com jogadores a convidarem os adeptos a ir ao estádio? 

O Belenenses SAD, vamos chamar-lhe assim, nunca iria fazer tal coisa, mesmo porque não tem adeptos para convidar. 

Terá sido a Liga Portugal? 

Não. Foi o Benfica. O Benfica desafiou os seus adeptos a invadirem o Jamor. Mesmo na condição de visitante, foi o Benfica o responsável pela melhor assistência que o Belenenses SAD terá para apresentar no final da época, arrisco eu. Não sei quantos milhares de benfiquistas foram ao Jamor porque não encontrei até agora o número oficial mas, claramente, foram muito mais do que na época passada. 

E porque é que a Liga não se mete nisso de chamar gente ao Estádio. Uma rápida reflexão dá-nos uma possível resposta. Aquilo funciona bem como está na maior parte dos jogos da competição ali disputados. Sem transito, sem problemas de acessos, sem pessoas a desesperarem para entrar no Estádio. Sem adeptos, tudo corre melhor. Os adeptos atrapalham muito e depois são chatos com reparos. 

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Meia dúzia de torniquetes em cada lado da Praça da Maratona mais uma revista policial lenta leva a uma espera desesperante. Aliás, o jogo começa e continuam adeptos a entrar em número impressionante.

Casas de banho no Estádio é tarefa quase impossível, bares nem vê-los e, finalmente, as cadeiras imundas à  nossa espera. Parece ser um toque de classe do nosso futebol, não é? Venham ao futebol, pá! Ah, e tragam um kit de limpeza de cadeiras de plástico. Que vergonha, que nojo. A FPF e a Liga deviam pensar numa parceria com a 5àSec para umas limpezas de calças e calções de borla. 

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O cenário à volta do jogo é todo tão mauzinho que nem a cobertura de rede de dados para telemóveis é decente. Em compensação, tivemos a constante visita de vespas que fazem um curioso ninho naquela bancada. 

E no final quem optar por sair por cima do Topo vai dar a um caminho de corta mato com obstáculos numa descida radical às escuras.

Enfim, é preciso gostar muito do Benfica para passar sábados numa realidade de terceiro mundo. 

Compreendo perfeitamente quem já não tenha paciência para meter os pés nos estádios com estas condições. Já tenho mais dificuldade em perceber a mentalidade de todos aqueles, e são muitos, que se dão ao trabalho de ir ver o jogo mas depois viram as costas à equipa completamente imunes à incerteza no resultado. Parece que há um despertador invisível na bancada que toca sem parar a partir do minuto 70 e empurra os adeptos do estádio para fora criando um cenário surreal para quem fica sofrer com a reacção do Belenenses SAD à vantagem do Benfica. Ou seja, está 0-1 e há centenas (milhares?) de benfiquistas que não estão preocupados com desfecho final do jogo e vão à sua vida. Ou então, todos eles são movidos a uma confiança tão alta que têm a certeza que o Benfica ganha os três pontos e a prioridade deles passa a ser chegar à A5 antes dos outros. Não entendo. 

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Finalmente, o jogo.

Começou por Silas. O treinador que descobriu como trabalhar um sistema que parte de uma linha de 5 defesas para condicionar por completo o jogo ofensivo do Benfica. Funcionou nos últimos três jogos, hoje voltou a apostar neste conceito. Silas colocou muitas dificuldades ao Benfica, principalmente no jogo interior e ainda viu Odysseas negar um golo que ia repetindo o cenário do jogo da época passada. Desta vez o internacional grego foi determinante para manter tudo igual. 

Apesar de gostar muito do trabalho do Silas, não consigo compreender como é que o treinador passou o jogo a ir até perto do relvado dar instruções à sua equipa. O Rúben Amorim não foi castigado por estar numa condição académica parecida? 

No Benfica voltou a ficar aquela sensação que a equipa mesmo sem conseguir fazer uma exibição empolgante, cria três ou quarto oportunidades em cada parte. Geralmente, com a qualidade individual que tem, é futebol suficiente para chegar à vitória. Neste caso, a tradução à letra de qualidade individual escreve-se assim: Rafa. 

Jogo soberbo do avançado do Benfica, foi ele quem desequilibrou a organização azul e inventou o primeiro golo que desbloqueou a equipa para uma vitória muito saborosa. 

A juntar a tudo isto havia a componente psicológica, ou como diz o Valdano, o medo cénico de encarar uma equipa treinada por um homem que não sabia o que era perder para o Benfica no Restelo, no Jamor e na Luz. 

Olhando mais a fundo para a equipa do Benfica, há algumas dúvidas que persistem do meio campo para a frente quando o jogo está demasiado previsível. Hoje houve Pizzi a menos e Rafa a mais, RDT parece menos confortável atrás de Seferovic que não mostrou eficácia na hora da verdade. 

Só que depois, nas contas finais, vemos que Seferovic só não marcou por causa do VAR e Pizzi acabou a noite a festejar o 0-2, mais um jogo a marcar! 

Por falar em VAR, além de todas as questões que já lancei extra jogo, vamos juntar mais esta. Há uma semana, a Liga inglesa estreou o VAR e uma das preocupações principais dos ingleses é informar os adeptos nos estádios sobre o que é que o VAR está a intervir. 

Que me lembre, em Portugal já estamos a levar com o VAR, nós benfiquistas, desde a final da Taça de 2017 contra o Vitória SC. Em plena época 2019/2020 continuamos entregues aos mistérios do VAR sem termos a menor ideia do que se está a passar. Saí do Jamor sem entender porque é que o golo foi anulado. Nada vai ser feito para informar quem está no estádio, pois não? Claro que não, esta malta que vê jogos ao vivo só atrapalha. O melhor é recorrer à internet do smarphone. Ah, espera... a cobertura de rede é horrível. Quando conseguimos aceder a uma rede social qualquer é para ficarmos a saber que o mesmo VAR ignorou este lance do Rafa que estas pessoas insuspeitas analisam assim:

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Estamos esclarecidos.

Por falar nisto, quem era o árbitro e quem estava no VAR? 

Pois. 

É que há as regras escritas, as normas e as leis que devem ser seguidas. E depois, como em tudo na vida, há a invisível lei do bom senso que pede que não se criem dilemas desnecessários. Qual é o objectivo de quem manda em chamar Veríssimo e Xistra para apitar um jogo com um historial tão complicado para o Benfica depois daquele atentado que foi a actuação da dupla em Janeiro deste ano na Final Four da Taça da Liga? Não houve lei do bom senso. Houve provocação. 

Também por isto, esta foi uma vitória importantíssima. 

Apesar da forma como somos tratados, para a semana lá estaremos no nosso lugar pago indiferentes ao local e adversário. 

Ao Jamor espero só voltar na final da Taça de Portugal, a ver se escapamos a esta aberração chamada Belenenses SAD nos sorteios da Taça. 

Se em Maio cá voltarmos, espero que a FPF se digne a limpar os lugares dos adeptos, pelo menos. É que isto não pode só ser frases fortes como Futebol a Sério e Futebol com talento e depois apresentarem um embrulho todo bonito para um conteúdo de terceiro mundo. Vejam lá isso. 

Quanto ao Benfica, é continuar a trabalhar, há muito para melhorar no jogo e manter este foco frio e objectivo no próximo adversário. 

 

Benfica 5 - 0 Paços de Ferreira: Então, E Se...

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Quis o "sorteio" da Liga 2019/20 que, caprichosamente, duas das três equipas que subiram à primeira divisão começassem a competição contra os primeiros dois classificados da última temporada. Para o Estádio da Luz avançava o campeão da 2ª Liga que manteve uma boa parte do seu experiente plantel e reforçou-o. Para o Porto ficava o clube que vinha do 3º escalão directamente para a Liga NOS e que tinha de fazer uma equipa em pouco mais de um mês.

As previsões começaram, os prognósticos sucediam-se. Passou a ser banal começar frases por "Então, e se ...". 

Então, e se o Benfica vier "morto" lá do torneio dos "states" e chegar ao Algarve e perder a Supertaça para os rivais de Lisboa? É que o Sporting não vai perder ninguém até lá e se está a reforçar. Aposto que o Bruno Fernandes só sai depois de ganhar ao Benfica. 

Ah, e se o Benfica perde a Supertaça aquilo abana tudo, ficam nervosos e podem perder pontos na estreia em casa. Olha que neste milénio o Benfica já teve muitos arranques aos soluços. Isto até dava uma boa capa para o jornal O Jogo.

Entretanto, o Porto começa no Minho com o Gil Vicente que teve de ir comprar um plantel novo e está a meio de uma eliminatória europeia. Vai correr tudo bem.

Curiosamente, não li, nem ouvi, ninguém lançar a seguinte suposição: então, e se o Benfica ganhar a ICC, chegar ao Algarve e golear o Sporting na conquista da Supertaça, voltar a golear na estreia da Liga e partir para a jornada 2 já com 3 pontos de avanço para o Porto? 

Não lembrava a ninguém, pois não?

A estreia num campeonato é sempre um momento simbólico muito esperado por adeptos e jogadores. Mais de 62 mil (!) benfiquistas encheram a Luz para o arranque da Liga. Depois da vitória na Supertaça, a ambição e o optimismo, que já vinha reforçado de Maio, aumentaram. A vontade de voltar a ver a equipa atinge níveis de inquietação geral. Além de tudo isto, enquanto a equipa está a aquecer chega do Minho a notícia da derrota do Porto. 

A resposta do Benfica? 5-0 ao Paços de Ferreira. 
Mas 5-0 com vários sinais para serem decifrados. Samaris regressou à equipa com a ausência de Gabriel. Nuno Tavares voltou a jogar à direita. Mais do que uma interessante solução, o miúdo hoje baralhou as contas todas aqueles que o apontavam como um erro de casting de Lage. Um golo, duas assistências. Já vi estreias piores na Liga.

Por falar no golo de Nuno Tavares, queria agradecer, sinceramente, ao Paços de Ferreira a troca de campo que obrigou o Benfica a jogar para sul primeiro. Foi da maneira que vi na perfeição o golaço de Nuno Tavares na Baliza Grande. Que momento inesquecível.

O sinal mais interessante desta goleada é que me parece que a equipa do Benfica até aparenta ainda estar longe do patamar de qualidade de jogo ideal. Há muito para melhorar. Mas com uma exibição normal, sem deslumbrar, o Benfica consegue ganhar por 5-0. Com Bruno Lage as goleadas voltaram a fazer parte dos hábitos de campeonato da equipa. 

Último sinal interessante, Carlos Vinicius apresentou-se na Luz com um golo à ponta de lança. Estrear a marcar, o que se pode pedir mais a um avançado?

Depois da conquista da Supertaça, começámos a grande maratona até Maio da melhor maneira. Com a ambição de sempre, com a vontade do costume, pelo Benfica. 

Benfica 5 - 0 Sporting: Supertaça na Manita !

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Quando em Maio fechei a temporada com uma crónica de campeão, depois de uma goleada por 4-,1 nem sabia com quem íamos abrir a época 2019/20. Tão pouco, esperava regressar à escrita para voltar a falar de uma goleada. Mas a verdade é que o mundo avançou após a conquista do quinto título em seis épocas, entrou o verão e o Benfica já começou a dar trabalho a quem organiza o espaço do Museu Cosme Damião. Entrou a Taça Hospital da Luz ganha em Coimbra e vai caminho o troféu do prestigiado torneio International Champions Cup , assim como a oitava Supertaça da história do clube. 

Toda esta dinâmica contrasta com o barulho e o ruído que os tolinhos, que são pagos para agitar o defeso nos meios de comunicação deste país, fazem de forma absurda diariamente sem pausas e que agitam os (ainda mais) tolinhos que alimentam o circo vendo, ouvindo, discutindo e repetindo argumentos de uma realidade paralela.

No fim do dia temos o Benfica a abrir a nova época de taça na mão com uma exibição categórica, com um resultado de mão cheia (literalmente) e a festejar em harmonia com aqueles que realmente se dão ao trabalho de os acompanhar de Agosto a Maio, de sul a norte. 

Tudo isto seria já suficiente para se perceber que o Benfica continua insaciável na hora de somar troféus mas tudo se torna mais especial se pensarmos que o adversário escolhido. numa cimeira maior de anti benfiquismo, para vir dificultar e mostrar ao mundo que todas as debilidades apontadas ao Campeão Nacional, pelos tais tolinhos, são verdadeiras, foi o rival da cidade de Lisboa. Pois, o Sporting chegou ao Algarve como sempre chega a todos os derbys, de peito feito e favorito nas suas convicções. 

Esta é a grande diferença ente Benfica e Sporting actualmente. Não, nem me refiro aos 5-0. Refiro-me à preparação na pré época até aqui.

O Benfica tratou de planear um regresso ao trabalho pensando em todos os pormenores. A inevitável saída de João Félix e a chegada de Raul de Tomas, o adeus emocionante e emocionado a Jonas com um jogo na Luz que serviu de pretexto para os adeptos dizerem adeus ao lendário brasileiro, mais do que ver algum progresso na equipa que tinha acabado de voltar ao trabalho, o adeus repentino a Salvio, que já marca feliz no grande Boca Juniors, e um rápido partir para a nova realidade com novos objectivos. Uma digressão aos Estados Unidos da América que foi exemplar em termos sociais, hierárquicos e, acima de tudo, desportivos, que acabou com a espectacular conquista do torneio mais mediático de verão no mundo do futebol. Um regresso pensado ao pormenor para que as rotinas voltassem com normalidade e a preocupação de tudo estar bem para o primeiro jogo oficial da época. 

Do outro lado, o Sporting limitou-se a passar a pré época a pensar no jogo da Supertaça. Um derby com o Benfica é caso de vida ou morte para aqueles lados. A obsessão de vencer o Benfica é mais forte do que pensar num futuro a médio prazo. Preparar a equipa para as quatro ou cinco dezenas de jogos que vão ter até Maio foi secundário. O que interessava era manter Bruno Fernandes até ao jogo do Algarve e vencer. 

São duas maneiras diferentes de estar e de pensar. A diferença é gigante. 

 

Em Portugal, actualmente, temos duas forças vaidosas a tomar conta do futebol. A Liga Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol.

Quando se joga a Final Four da Taça da Liga, em Braga, entramos numa dimensão diferente da nossa realidade. Tudo é tão lindo, tanto fair play, tanta exposição mediática, tão bonito que é o futebol, os pormenores e detalhes à volta de cada um dos três jogos que definem um (absurdo) título de campeão de inverno. São uns dias de auto promoção da Liga de Pedro Proença que tenta fazer esquecer as condições miseráveis com que os adeptos do futebol que andam atrás dos seus clubes precisam de lidar durante toda época.

A FPF não quer ficar atrás e monta o seu show à volta da final da Taça de Portugal e na Supertaça. A ideia é exactamente a mesma da Liga Portugal, auto promoção, sinais exteriores de riqueza, agora reforçados com a entrada do Canal 11, e a montagem de uma feira à volta de um simples jogo que ultrapassa os limites do compreensível. 

Falemos de termos práticos, daquilo que nem a Liga, nem a FPF, estão muitos interessadas em discutir. Falemos então dos adeptos que se dão ao trabalho de ir até ao Estádio do Algarve ver o jogo. Adeptos, esse conceito tão vago e que tantas chatices dão com as suas criticas e opiniões.

O jogo estava marcado para as 20h45. A essa hora o que víamos nós, chatos adeptos, dos nossos lugares no estádio? Víamos uma espécie de concerto num pequeno palco junto da bancada central com os Expensive Soul a cantarem, deduzo eu porque não consegui ouvir nada, um grupo de pessoas demasiado excitadas em frente ao palco e um relvado invadido por um coro Gospel, uma banda filarmónica (?) e os dois emblemas expostos no relvado. Os minutos passavam, olhávamos para os ecrans e lá víamos os protagonistas do jogo em enorme compasso de espera enquanto nos perguntávamos na bancada o que se estava ali a passar? 

Jogo atrasado por um espectáculo sem sentido, sem contexto e que, talvez, tenha resultado em termos de televisão. No estádio foi um estorvo. 

E o que é que revolta nisto tudo? Eu nada tenho contra espectáculos de bandas portuguesas ao vivo, antes pelo contrário, a minha vida profissional vive muito disso, como bem sabem aqueles que melhor me conhecem. Mas numa altura em que estamos no auge dos Festivais de verão, em que semanalmente tenho que estar presente em diversos concertos, nunca vi nenhum show atrasar para ver futebol antes. Ou seja, cada coisa no seu lugar. Sendo que isto não é o mais importante, é só uma nota de rodapé e subjectiva. 

A minha grande questão para a Federação Portuguesa de Futebol é a seguinte: como é que explicam aos adeptos, os tais chatos do costume, que haja tanta verba disponível para se montar fans zones, palcos musicais, coreografias vistosas e por aí fora, e não haja um orçamento para limparem as cadeiras do Estádio antes do jogo!

Perguntem aos adeptos, os que pagaram para ali estar, em que estado ficaram as roupas usadas nesta bela noite de verão no Algarve. Calças e calções que passaram de ganga azul para branca com a brutalidade de sujidade com que estavam as cadeiras. Vergonhoso! E os bares do estádio? E aqueles topos eternamente provisórios que fazem com que uma carteira ou telemóvel caído acidentalmente das calças sujas vá parar ao abismo negro que é o labirinto de andaimes que suporta a bancada? E aqueles acessos de trânsito? Sem opções de transportes para o estádio, o que podemos dizer do caos que é tentar sair dos parques do estádio com esperas de duas horas após um jogo que devia começar às 20h45 mas que, como já vimos, começou e acabou bem depois da hora prevista. E sem prolongamento nem penaltis. 

Desculpem lá o desabafo mas é que ainda há adeptos que se sacrificam pelos seus clubes mesmo sabendo que são o menos importante dentro desta feira de vaidades em que se transformou o futebol português. O que interessa é que chegámos todos com saúde a casa, uns de madrugada outros já com o dia a nascer. 

Quanto ao jogo, só posso falar de uma vitória normal do Benfica. Pode soar a presunção mas é a verdade. Desde que Bruno Lage tomou conta da equipa, os derbys têm sido entretidos.

Em Alvalade para o campeonato o Benfica venceu por 2-4. Teve golos anulados, falhou outros tantos e, mesmo assim, no dia seguinte houve quem dissesse que não foi goleada nenhuma e que não houve uma superioridade assim tão grande. Depois, na Luz para a Taça de Portugal, o Benfica chegou ao 2-0 e quando se esperava o 3-0, o Sporting teve uma oportunidade e fez o 2-1. Passámos de mais um passeio num derby para um resultado perigoso que depois se transformou numa inesperada derrota que nos afastou do Jamor. Mas, na verdade, nos três derbys jogados, o Benfica andou sempre muito mais perto de golear do que acabar a perder. 

Agora, na Supertaça voltou a ser evidente a superioridade do Benfica. Antes do jogo, Bruno Lage disse como ia jogar o Sporting. Acertou e por isso já estava um passo à frente em relação ao rival. Preparou a equipa, mesmo improvisando Nuno Tavares na direita, que foi bem testado e rodado ali na pré época, e lançou RDT como novidade no onze. Alta pressão, fecho do corredor central obrigando o Sporting a jogar por fora, Rafa e Pizzi a fecharem, Florentino a cobrir as subidas por fora a partir do corredor central, Gabriel a recuperar bolas e Raul de Tomas a recuar e a ser decisivo no equilíbrio defensivo.

Foram estas as chaves decisivas para uma noite tranquila do Benfica. A associação entre Pizzi e Rafa é letal e quando uma equipa é preparada no seu todo, colectivamente, com plano de jogo flexível e ainda com recurso a um banco de nível elevado, o resultado acaba por aparecer. Estar agarrado a um só jogador e preparar uma Supertaça como se o mundo acabasse a seguir não podia ter um bom fim. 

A goleada por 5-0 é histórica mas é mais saborosa por ter acontecido de uma maneira tão natural como aconteceu aquele 2-4 em Alvalade. Ou aquele 2-0 na Taça que esteve quase, quase a ser alargado e acabou por ficar 2-1 porque o futebol também é aquilo. 

A trabalhar como se trabalha no Benfica, o normal é termos mais noites destas do que o contrário. Reparem que, praticamente, metade dos jogos oficiais que Bruno Lage leva à frente do Benfica acabaram com goleadas. Não deve ser por acaso...

De tudo isto resulta uma imensa e enorme vontade de começarmos o campeonato. Que esta ambição nunca acabe. Ao Benfica o que é do Benfica.

 

Benfica 4 - 1 Santa Clara: Ao Benfica o que é do Benfica!

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Após o último jogo do campeonato, entre abraços e cumprimentos, várias vezes me lembraram que agora iria ter a crónica mais complicada para escrever. Compreendo a expectativa pela responsabilidade que é estar à altura deste feito do Benfica mas acabei por chegar à conclusão que é uma ideia errada. 

Em seis anos, esta é a quinta vez que me sento tranquilamente com o sentido do dever cumprido e começo a escrever uma prosa sobre um campeonato ganho pelo Benfica. Quinta vez em seis anos é de uma grandeza brutal. Isto leva-me aquele pensamento que várias vezes repito ao longo da época, a maravilhosa monotonia da felicidade. Tudo o que eu quero na minha vida é esta reconfortante sensação que o universo está alinhado e equilibrado com o Benfica a cumprir o seu destino. º

Comecemos pelo jogo. Era preciso levar o desafio com o Santa Clara de maneira muito séria e concentrada. Depois dos sustos com o Braga e com o Portimonense, depois do emocionante jogo em Vila do Conde, eu só pedia uma partida sem incertezas no resultado e de sentido único. Curiosamente, o resultado foi muito melhor do que a exibição. Aos 39' já se festejava o título com o 3-0. A facilidade com que o Benfica rematou quatro vezes à baliza de Marco Rocha e fez três golos afastou em definitivo todo e qualquer cenário menos esperado e indesejado.

Chegar ao intervalo com um sentimento de campeão, felicitar a equipa feminina de futebol do Benfica pela conquista da Taça de Portugal, olhar à volta e ver a felicidade estampada no rosto dos benfiquistas pelas bancadas da Luz fez com que este intervalo tenha sido o mais rápido da época. 

Segunda parte, 3-0, o tempo a correr a nosso favor, esperar 11' pelo bis de Seferovic e ter a certeza que o helvético ganha a bola de prata. Uma tranquilidade que contrasta com o ambiente electrizante do estádio.

Começar a passear pela bancada, abraçar um a um amigos e amigas, companheiros de longa data ou outros mais recentes, sim porque o segredo do benfiquismo é o constante abrir de portas nas nossas vidas a novas caras que se ligam a nós pelo amor que temos pelo clube. 

Os minutos a passarem e o olhar para o relvado já não transmite ao cérebro as nuances tácticas das equipas, as marcações individuais ou as curiosidades do jogo, antes serve para um desfile de imagens que vou recuperando desde Agosto. As viagens por esse país fora com diferentes carros, diferentes condutores, diferentes companheiros. Os inesquecíveis repastos, as maravilhosas horas de tertúlias, os encontros e reencontros com benfiquistas que vivem longe da Luz, a sul e a norte. As histórias partilhadas, o que partilhamos, o que aprendemos, as horas nas auto-estradas deste país, o pesadelo que foi aquele regresso de Portimão, o impulso de ir a Aves numa 2ª feira, o festejo do golo do Ferreyra no Bessa, as épicas vitórias nos terrenos de quem mais nos odeia. Que viagem que foi este 37.

E nisto, o Santa Clara marca por César que não festeja. Foi simbólico. Serviu para me chamar de volta à realidade e para termos um termo de comparação entre um rapaz que o Benfica transformou em jogador do Real e o simpático César, um central esquecido mas que, por mérito próprio, se fez notar como mais um jogador agradecido e respeitador. O outro é que é a excepção que confirma a regra. A regra que pôde ser testemunhada no pós jogo com o desfile de ex jogadores do Benfica que quiseram dar os parabéns. Tantos e tão bons. Que bem trabalhado o Benfica nos últimos anos no sentido de ser servido por óptimos jogadores e por estes ficarem ligados ao clube sentimentalmente.

Terminar a Liga com uma vitória natural de 4-1 é uma excelente amostra do que foi este Benfica desde a entrada de Bruno Lage. Ele que, primeiro, reconquistou os adeptos de uma forma inédita. Explicando o seu jogo, a passagem para o 4-4-2, a aposta nos miúdos que conhecia da B, mais o Taarabt, em vez de atacar o mercado de inverno. Mostrando um futebol atraente de pressão alta, de atracção ofensiva e com uma veia goleadora à Benfica. Um verdadeiro conto de fadas que culminou neste dia 18 de Maio em festa exuberante.

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Foi preciso recorrer a crimes organizados de informática, expondo de maneira inédita a vida privada e empresarial do Benfica, perante a euforia da comunicação social que elevou à condição de heróis fracas figuras como esse Jota Marques, para abanarem o universo benfiquista. Foram dois anos em que todos os dias tivemos que ouvir falar em mails, vouchers, malas, toupeiras e muitas outras coisas que nada se parecem com futebol. Ia tudo preso, o Benfica descia de divisão, ia perder campeonatos passados, íamos descobrir que o Benfica era uma fraude desde os tempos do Cosme Damião. As noites deste país passaram a ter como desporto nacional a militância do ódio anti benfiquista. De tudo valeu para se estragar todo o ambiente à volta do futebol em Portugal. Todos os complexados deste país unidos a uma só voz gritando que o Benfica tem de acabar. Perdeu-se um título e todos eles rejubilaram, mesmo os que não ganham um campeonato há quase duas décadas. Tentaram dividir a nação benfiquista. E quando o Benfica estava no final das suas forças, a sete pontos do líder, aparece um inesperado homem do leme que, com a bênção presidencial, resgatou o orgulho, o amor próprio, a honra, a ambição, a mística e o amor incondicional pelo clube em todos os adeptos. 

Depois de todo este quadro negro e de pesadelo, depois de assistirmos a inacreditáveis decisões de arbitragem que levaram a um avanço tão confortável que o rival chegou a prometer ir festejar o título nos Açores, depois de nos sentirmos impotentes perante tamanho ataque o que é aconteceu? O Benfica reapareceu forte e jogo a jogo recuperou tudo o que lhe pertencia. O Benfica acaba campeão quando acharam que tinha morrido. O único Jota deste país que decide e lidera a opinião pública é o Jota Félix!  O miúdo foi um dos rostos da revolta e da revolução do Benfica. E Acabou no Marquês com mais de meio milhão de benfiquistas. Com uma festa que foi reproduzida um pouco por todo o mundo.

Quando eu escrevi aqui depois da última Taça de Portugal ganha para os benfiquistas não caírem na tentação de desprezar conquistas, nem se acomodarem de mais, ninguém levou a sério. Agora perceberam que é um erro. TODAS as conquistas são para se festejar a sério. Ninguém nos dá nada. Ninguém nos quer felizes. Mas nós todos juntos temos uma força de vontade e de mobilização única no mundo e, por isso, este campeonato também foi ganho na rotunda da Luz a receber o autocarro ou no Seixal na despedida da equipa ou em Gaia no Hotel onde o Benfica fica, ou na chegada a Braga ou nos Arcos, em Vila do Conde. E nos estádio de norte a sul e na Luz. Porque este gigante quando se empolga é imbatível. Marca mais de 100 golos na Liga, fabrica bolas de prata, reis de assistências e deixa a Europa louca com mais uma mão cheia de putos imunes ao ódio e à inveja que caracteriza este país. Por isto é que o Benfica é maior que Portugal. Por isto é que o Benfica é maior que as nossas vidas.

A festa rebentou, o povo anda sorridente na rua envergando orgulhosamente roupa e adereços do Glorioso, o povo está ainda mais orgulhoso do seu Benfica depois de tudo o que fizeram de mal ao clube.

Este título é muito importante, vale mais do que só o 37. Esta reconquista deixa-nos mais perto do 38 e dá um forte aval à ideia que foi lançada nos últimos anos, um Benfica forte com atletas da sua formação, com jogadores que já são referências no clube e à procura de reforços pontuais que acrescentem qualidade inquestionável para novos desafios e mais conquistas.

O 37 já cá está. Temos muitas semanas pela frente para o celebrar como merece ser celebrado mas todos já com o olhar focado no horizonte para o 38. Rumo às quatro estrelas por cima do nosso emblema. Está perto. Vai acontecer.

Tão bom ser do Sport Lisboa e Benfica. 

 

Rio Ave 2 - 3 Benfica: Por Este Rio Acima

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Dia 12 de Maio, dia de peregrinação em Portugal. Os mais fervorosos a saírem um pouco de todo o lado do país rumo a Vila do Conde para a última deslocação da temporada do Benfica. 

Quando seguia viagem para norte, dei por mim a pensar se já tinha assistido a alguma vitória tranquila do Benfica nos Arcos. Nunca tive essa sorte.

Aliás, andei tão para trás nas minhas memórias que recuperei um jogo em que estádio do Rio Ave se vestiu totalmente de vermelho para uma apresentação do Benfica aos adeptos do norte nos Arcos. Foi na pré temporada de 2002/03 contra o Celta. Nem o regresso de Nuno Gomes evitou outra derrota com os espanhóis. 

Porque é que é importante recuperar esse dia de verão de 2002? Porque eu estava em Vila do Conde e fiquei surpreendido com a quantidade de adeptos que foram ao estádio apoiar a equipa. Não por ser no norte, o Benfica sempre teve apoio a norte, mas pela grave crise que o clube estava a atravessar. Em pleno Vietname do Benfica, os adeptos do norte eram tão fieis e dedicados que a Direcção do clube achou pertinente fazer ali um jogo de apresentação. 

Pois bem, esse respeito foi muito importante para o Benfica nunca perder a sua ligação com o povo. Por muito maus que fossem os resultados, o carinho dos adeptos do Benfica nunca faltou. E foi essa resistência que fez possível que o clube recuperasse a sua identidade, o seu destino de vencer e chamar as pessoas à sua passagem. Só isto explica que em 2019 tenhamos ficado com imagens eternas de uma multidão apaixonada por uma equipa, por um emblema, pelo nome do Sport Lisboa e Benfica.

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Estes milhares de adeptos estão ali para mostrar o seu agradecimento a todo o futebol do Benfica. O agradecimento por nunca terem desistido mesmo depois deste país ter condenado o clube na praça pública de todos os crimes e mais alguns, mesmo depois deste país ter manchado o nome do clube nos últimos anos, e acima de tudo, mesmo depois de termos passado os últimos dois anos numa luta suja, titânica e desnivelada com todos os adeptos do único clube maior que o Benfica em Portugal, o Anti Benfica. 

Não se tratava de euforia, não se tratava de festa antes do tempo, não se tratava de deitar os foguetes antes da festa, tratava-se, apenas e só, de uma gigantesca demonstração de carinho, de apoio, de acreditar que o Benfica pode continuar a conquistar campeonatos mesmo que haja um surreal trabalho diário em toda a imprensa para evitar que isso aconteça. 

Meus amigos, esta é que é a força do Benfica. São os milhares que esgotaram o Estádio dos Arcos para apoiar durante o jogo e, arrisco escrever, os outros tantos milhares de benfiquistas que mesmo sem bilhete para entrar no recinto, invadiram a rotunda e as imediações do Estádio para dar este apoio incrível. 

Tudo isto foi importante para dar mais força ao Benfica que, afinal, ia começar a partida com o Rio Ave em 2º lugar na Liga NOS. Estes eram os factos às 20h de domingo. O Benfica tinha muito que trabalhar, tinha que encarar o jogo com toda a concentração para garantir que saía dos Arcos na liderança novamente. 

Foi isso que aconteceu. Tanto se pediu que o Benfica entrasse melhor nos jogos, que aos 3' Rafa fez o 0-1 dando origem a uma explosão de alegria movida pelo alivio de ver recuperado o 1º lugar bem cedo.

Como era de esperar, o Rio Ave deu muita luta e voltou a complicar muito a vida do Benfica. Na Luz chegou a estar a vencer por 0-2, no jogo que marcou a estreia de Bruno Lage e Daniel Ramos em cada banco.

Quando tudo apontava para o 0-1 ao intervalo aconteceu o momento mais polémico. O Rio Ave queixou-se de um penalti de Florentino, o Benfica respondeu com o 0-2.
São momentos marcantes porque há motivos para dúvidas. Daniel Ramos diz que se transformou o 1-1 em 0-2. 

A verdade é que Florentino pôs-se a jeito para ser marcada falta. Mas como já ouvi nesta Liga, a falta começa fora da área e, por isso, nunca seria penalti. Seria um livre perigoso que estava longe de dar o 1-1. Mas mesmo que acontecesse o penalti reclamado e fosse transformado, é preciso lembrar que o Benfica em Braga foi para o intervalo a perder e na Luz com o Portimonense estava empatado. Reagiu sempre bem, como se sabe.

Já o 0-2 parece-me que não tem discussão, João Félix está fora de jogo. Acho muito estranho que o VAR não tenha mandado o árbitro analisar tudo com calma. 
Mas eu também achei muito estranho que o VAR não funcionasse na Luz com a SAD de Belém ou no Jamor com a mesma SAD. E aí não vi ninguém preocupado. Aliás, eu ainda gostava de perceber o papel do VAR em lances que deram 10 pontos a mais ao Porto, como explica o insuspeito Rui Santos, e qual foi o seu papel nas meias finais da Taça da Liga. Mas aqui já não vejo ninguém muito interessado. A época tem sido toda isto, desculpem mas a mim não me vão convencer que os problemas com o VAR começaram em Vila do Conde. Antes pelo contrário, é uma nota de rodapé na quantidade de disparates que vimos por esses campos fora. Terceiro classificado incluído, basta ver o número de penaltis a favor.

 

O Benfica com 0-2 tremeu por culpa própria, não soube matar o jogo e acabou por sofrer o 1-2 que trazia à memória a recuperação muito apreciado do Rio Ave com o Porto naquele mesmo local. 

Pizzi fez o 1-3 e parecia ter resolvido a questão. Só que o 1-4 nunca aconteceu, oportunidades não faltaram, e o Benfica acaba a sofrer com o 2-3 do Rio Ave.

Um belo jogo numa atípica noite quente nos Arcos, cinco golos, emoção e uma felicidade imensa no sentimento do dever cumprido no final da partida.

Ponderei não o fazer mas não resisto. O Benfica nunca falhou com nada ao Coentrão, pois não? Pagou tudo, a tempo e horas. Recuperou o homem, revelou o jogador, apoiou-o sempre em tudo. Fez dele um jogador tão bom que até o Real Madrid achou que estava à altura dos maiores desafios. O Benfica fez do Coentrão um quase ex jogador para um craque do plantel do Real Madrid. Como todos os outros jogadores que saem da Luz para vidas melhores, o clube nunca lhes faltou ao respeito. Infelizmente, este Coentrão quer acabar como começou, uma triste e embaraçosa nota de rodapé no futebol português. Desprezo e que daqui a uns anos não tenhamos que ter mais pena dele do que temos agora.

 

Ir ao norte significa comer bem. Desta vez a sugestão foi a gastronomia da Adega do Testas em Vila do Conde. Atendimento de simpatia superior, carne grelhada de qualidade imbatível. Batata frita caseira, arroz com grelos e enchidos num caldo irresistível. Tudo mais do que aprovado. 

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A última saída da época foi tão cansativa como reconfortante. Uma jornada de benfiquismo para a história deste campeonato e do clube.

Para tudo isto fazer sentido, já sabem, encarar o último jogo na Luz com a mesma seriedade, a mesma convicção e a mesma ambição. Falta menos de uma semana para carimbarmos um dos títulos mais incríveis de sempre. Até lá ficam as recordações de um norte vermelho.

 

Benfica 5 - 1 Portimonense: Os Sagrados 10 Segundos do Minuto 65

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Muita concentração para este exercício: voltemos ao minuto 65 deste jogo. Tentem imaginar uma sensação melhor, uma  emoção maior, na vossa vida do que aqueles 10 segundos entre a recepção de Rafa na grande área, o disparo para o 2-1 e a maneira como festejaram a reviravolta. 

Não há nada superior a isto, pois não?

É por isto que o futebol do Benfica tem tanta importância na nossa vida.

Para trás tinha ficado uma hora de agonia e sofrimento. 

Sair da Luz e voltar à vida é ter de explicar a familiares ou amigos que o resultado final foi 5-1 mas que nesta tarde durante uma hora sentimos o mundo perto de desabar. Ninguém entende fora do contexto certo.

O Portimonense de Folha jogou muito bem, não caiu na tentação do anti jogo, esteve a ganhar e assustou a sério Bruno Lage e os seus seguidores. 

As culpas do Benfica não fáceis de decifrar. Será ansiedade, medo de falhar, pressão extra pelo pouco que falta jogar, alguma coisa se está a passar com as entradas do Benfica nos últimos dois jogos. 

O que não é atacável é alma e a determinação com que a equipa responde quando o quadro é negro. Aqueles cinco minutos em que Rafa nos resgatou da depressão ao alivio foram absolutamente mágicos. Poucas vezes se viu, sentiu, viveu um ambiente assim na Luz. 60 mil adeptos em êxtase numa explosão colectiva de raiva e acreditar nos seus que fez tremer todo o estádio. O Benfica empatou e a Luz entrou em erupção. No 2-1 ouviu-se um festejo tão ensurdecedor que fez lembrar as melhores celebrações da antiga Luz. Ao nível de um golo ao Steaua ou Marselha. Sem exageros.

Foi de tal maneira libertador que a equipa arrancou para mais uma épica goleada. Uma série de golos até como que a compensarem todo o sofrimento que tinha ficado para trás e que já ninguém se recorda.

Não vale a pena virmos para aqui dizer o óbvio que é ter de evitar sofrimentos. Num mundo ideal o Benfica começava todos os jogos a ganhar e chegava ao intervalo com um 4-0. Bruno Lage e os jogadores lá saberão como preparar a viagem a Vila do Conde. Uma coisa certa, nos Arcos os benfiquistas lá estarão em peso preparados para sofrer e carregar a equipa para mais uma vitória. Nem é nada de novo naquele estádio, certo Raúl?

Hoje o jogo resolveu-se na 2ª parte, a baliza Grande da Luz cumpriu o seu destino e todos temos um resto de fim de semana bem melhor.

Faltam dois jogos. São os dois para ganhar. 
A montanha russa de emoções deste sábado vai dar lugar a um vazio e ansiedade própria de quem vai começar tudo do zero de novo no próximo fim de semana. 

Ai aqueles 10 segundos no minuto 65...