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Vianense 1 - 2 Benfica: Havemos de ir a Viana

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Assim que se soube o resultado do sorteio para o primeiro jogo da época do Benfica na Taça de Portugal começámos a combinar a logística.

Felizmente, bateu tudo certo. Jogo marcando para as 16h de sábado em Viana do Castelo. Grande oportunidade para um belo passeio até ao Minho. Pessoal motivado, contas feitas e temos dois carros com uma dezena de benfiquistas prontos para mais uma viagem de ida volta com o pretexto de ver o Benfica.

Entre o último jogo em Madrid e a estreia na Taça de Portugal passaram muitos dias. Dias a mais que aumentou a ansiedade em rever o Glorioso ao vivo. Pelo meio só más notícias, a lesão do Nelson na estreia pela Selecção, a chuva que ameaça começar a cair no fim de semana do jogo e o ruído incrível que se instalou diariamente à volta de um derby que há de vir.

 

Na véspera da viagem para o Minho a maior parte dos aventureiros quis abortar a jornada porque estava em pânico com o facto do Benfica ir para à 2ª divisão em breve. Tive que os convencer lembrando que, mesmo assim, ficaríamos um escalão acima do Vianense e continuávamos a ser favoritos.

Completamente despedaçados e desmoralizados com o intenso ruído lá partimos contrariados para o Minho.

Saída de Lisboa bem cedo, às 9h da manhã concentrámo-nos na estação de serviço de Aveiras. Encontrámos mais benfiquistas que iam iniciar a longa viagem. Desta vez sem grandes paragens já que o objectivo era chegar ao Minho com apetite e a horas de almoçar.

O ponto alto destas viagens, tirando o prazer de ver o Benfica, é a gastronomia. Para isso contámos com a ajuda de amigos benfiquistas do norte que dominam a preciosa equação qualidade/preço.

Viagem animada, como sempre. Já ninguém se lembrava do ruído e do pesadelo que nos atormenta: a descida de divisão.

Paragens curtas para verter as águas acumuladas das cervejas ingeridas e um bom ritmo para cumprir horários.

 

Já tenho estado em Viana do Castelo. Quando era puto passeava por lá no verão com o meu avô que dava a desculpa de irmos ao miradouro de Santa Luzia para acabarmos a almoçar à grande num qualquer canto que um amigo lhe aconselhou.

Mais recentemente voltei lá por alturas do Festival Paredes de Coura. Uma cidade bonita que vale a pena visitar, sem dúvida.

Chegámos a Viana, GPS ligado e mesmo assim várias voltas até encontrarmos a turma do norte que nos esperava. Para eles é sempre fácil chegar onde combinam. Para nós há sempre enganos. Faz parte. Com isto acabámos por chegar ligeiramente atrasados mas com um apetite incrível.

Tiveram o cuidado de escolher um restaurante relativamente perto do estádio do Vianense para que depois do repasto ninguém tivesse que guiar.

O restaurante era pequeno, típico, modesto e acolhedor, o pessoal da casa muito simpático e pronto para nos servirem do melhor que a gastronomia regional tem.

Broa de milho, azeitonas, Rojões à Moda do Minho, Cabrito assado, Arroz de sarrabulho e Bacalhau à Viana. O tinto foi Solar de Merufe e mal ficou espaço para as sobremesas. Uma refeição dos deuses, tudo óptimo. Acabámos em alegre tertúlia com as gentes da terra a contarem histórias de outros tempos sobre o Vianense e ficámos a saber que a maioria era benfiquista.

 

Quando demos conta já estávamos em cima das 16h! Rápidas despedidas, trocas de contactos, pagar e correr para o estádio. Bem, correr talvez seja um exagero. Ninguém conseguia andar muito depressa depois daquele ataque gastronómico. Fomos atrás de três senhores com um ritmo mais próximo do nosso. Na minha frente ia aquele que parecia ser o mais velho e atento. Boina a tapar os cabelos brancos já molhados da chuva fraca que caía, mão direita junto ao ouvido que agarrava um rádio. Uma imagem tão anos 80 que dava gosto. De repente o homem pára e espantado partilha: o Talisca isolado não conseguiu marcar porque o Jonas fez grande defesa!

Os seus companheiros pareciam orgulhosos do feito e repetiam: granda Jonas, granda Jonas.

Pensámos que não estávamos assim tão bem bebidos, afinal ainda sabíamos que o Jonas não evita golos, marca-os!

Com isto tudo já não havia dúvidas, íamos perder os primeiros minutos. Enquanto esperávamos pacientemente pela entrada alguns adeptos com camisolas do Vianense mas de cachecol do Glorioso avisavam para os perigos do Tsoumagkas, um grego que já andou no Leixões, do Márcio Martins que foi comprado pelo West Ham como goleador promissor, e Mohamed.

Surpreendidos pelos argumentos individuais entrámos no velho campo Dr. José de Matos. De um lado a central coberta com cadeiras azuis atrás dos bancos de suplentes, do outro uma central transformada em peão dos anos 70. Também nos topos muita gente em pé por trás de uma rede. Ambiente incrível, dia inesquecível para as boas gentes do Vianense.

 

Confirmou-se que havia qualidade aceitável na equipa minhota e, afinal, há mesmo um Jonas na baliza adversária. O jogo a decorrer, nós a descobrirmos todas estas curiosidades e a dividirmos o olhar entre o relvado e a paisagem verde por trás dos prédios brancos à volta do campo que apresentava varandas sobrelotadas.

Com isto tudo só à meia hora reparámos que o Rui Vitória nem mexeu muito na equipa. O Sílvio no lugar do Nelson, Pizzi e Fejsa no meio, Carcela e Nuno Santos nas alas e Talisca ao lado de Mitroglou. Já com a equipa reconhecida aparece o golo de Carcela.

Pareceu-nos um grande golo mas não vimos bem no meio da multidão. No intervalo as imagens chegavam nos smartphones e confirmavam a grande execução de Carcela.

Havia sede e havia cerveja ao alcance de ser comprada por trás da bancada do peão onde estávamos. Que maravilha.

A segunda parte arrastou-se mas as conversas na bancada valiam a viagem. O Benfica não marcava o 2º e acontece o momento mágico e inesquecível para os adeptos que costumam ver ali o seu Vianense, o tal Mohamed faz um remate de classe mundial e bate Júlio César. Apesar do aperto de ver o Benfica sofrer um golo conseguimos sorrir e comentar: que golão!!

Seguiram-se minutos de silêncio e de contas que não estavam para acontecer. Isto vai logo a penaltis, perguntava-se atrás de nós. Andaram a brincar e isto ainda acaba mal, queixavam-se os mais nervosos um mais à frente. Chegavam sms de ruído. Começava a não ter piada.

Ainda alguém faz uma bela piada sobre o autor do golo: não sabia que o Laionel tinha acabado no Vianense, esse sacana só sabe fazer disto ao Benfica.

Canto do nosso lado direito. Tudo amontoado no peão a tentar ver mais de perto. Bola para a área e aparece Jardel a colocar a normalidade de volta ao mundo.

Curiosamente, os mesmos adeptos que perto de nós tinham rejubilado com o 1-1 também festejavam aliviados o 1-2. É bonita a festa da Taça.

 

Não foi nada disto mas devia ter sido. Assim foi só mais um jogo sem grande história que o Benfica venceu com maiores dificuldades mas próprias destes jogos. Alguém se lembra que há um ano estivemos a perder ao intervalo na Covilhã? Pois.

O estádio de Barcelos foi muito longe de encher e ninguém se vai lembrar desta 6ª feira à noite daqui a uns meses.

Havemos de ir a Viana, como diz a Sra. Amália.

 

 

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