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União da Madeira 0 - 0 Benfica: Um Triste Adeus ao Tri

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Andou-se a gerir os danos até acertarmos o calendário de maneira a manter a motivação em níveis aceitáveis. Os danos foram as derrotas contra os rivais mais a derrota em Aveiro contra o Arouca. Logo à 2ª jornada a equipa de Rui Vitória cometia um grave erro no campeonato ao sair derrotada de um jogo que não podia perder. Assim, desvalorizaram-se os desaires no clássico e no derby, partidas sempre de resultado imprevisível, e quisemos acreditar que o jogo com o Arouca tinha sido um acidente. Não foi. Esta noite na Choupana ficou provado que não foi.

 

O cenário não podia ser mais simbólico, um estádio que adia jogos devido ao nevoeiro, que recebe jogos do Nacional e às vezes do União. O mesmo estádio que um dia antes vivia mais uns minutos peculiares do futebol português com um penalti por marcar mesmo sem nevoeiro. Foi aqui que o Benfica tentou jogar após a vitória de Madrid mas voltou para o Continente para distribuir os seus jogadores pelas selecções.

O jogo ficou marcado para dia 23 de Dezembro mas os responsáveis do Benfica fizeram todos os esforços para antecipar a data. Tendo como objectivo o bem estar dos atletas, permitindo que passem um natal mais descansado perto das suas famílias, o Benfica aproveitou a trágica saída da Taça de Portugal para convencer o União a jogar agora. Para isso ajudou-se a encher o estádio com oferta de bilhetes pelos supermercados da Ilha. Tudo pensado para que não falte nada aos jogadores.

O Benfica chega à Madeira depois de vitórias no Bonfim e em Braga, sabendo que para gerir uma desvantagem de 5 pontos para o primeiro classificado teria de dar tudo na Choupana para não se atrasar mais. Não era aceitável que uma equipa embalada por vitórias seguidas na liga cedesse pontos contra uma fragilizada formação que acabava de sofrer uma pesada goleada em Paços de Ferreira.

 

Só que apesar do esforço e iniciativa de quem organiza o futebol do Benfica, da presença de milhares de adeptos nas bancadas e da necessidade absoluta de não falhar, a equipa do Benfica repetiu a exibição miserável de Aveiro na primeira saída deste campeonato.

Não há explicação possível para a entrada em jogo tão desleixada nem para a falta de atitude no resto do primeiro tempo. Ver uma equipa a atirar-se contra um muro vezes sem conta sem pensar em soluções para o contornar ou derrubar é aflitivo. Não é compreensível o que se tentou fazer com a inclusão de Fejsa num meio campo que pouco ou nada tinha para defender. Cedo se viu que o União não ia abdicar do seu 4-5-1 e que não estava interessado em atacar.

 

O jogo pedia alternativas e soluções mas no Benfica ninguém mudava nada, ninguém tentava improvisar nada. Nem dentro, nem fora de campo. Pizzi, que tem sido o melhor jogador do Benfica, voltou a tentar as movimentações que tão bem funcionaram contra equipas que mostraram outra postura em campo, isto é, mais ofensivas. As transições rápidas de Pizzi a sair das alas para o meio aqui valiam de zero uma vez que os adversários nem tentavam acompanhar quem transportava a bola limitando-se a concentrarem-se posicionalmente criando uma barreira intransponível. Era preciso que os defesas laterais subissem com mais qualidade, que arrancassem bons cruzamentos, que tentassem o remate de longe, especialmente Eliseu. Foi tudo o que não aconteceu. O União controlou com tranquilidade as ofensivas do Benfica.

O jogo pedia Samaris no lugar de Fejsa ou então Pizzi na posição do sérvio. Como estava é que não podia ser. Surpreendentemente não foi essa a interpretação do treinador do Benfica que manteve tudo na mesma.

O Benfica entrou mais objectivo na 2ª parte sentindo que já tinha dado meio jogo de avanço a um adversário que estava disposto a defender com tudo o pontinho. Como nenhumas das iniciativas deu golo a equipa voltou à triste de figura de correr de cabeça contra o muro e voltar para trás para fazer o mesmo. Depois, o União fez o mesmo que o Arouca tinha feito assim que se apanhou a ganhar na 2ª jornada, anti jogo roubando minutos atrás de minutos úteis ao jogo. O Benfica voltou a cair nesta armadilha, até o Renato interrompeu um ataque para atirar a bola para fora permitindo assistência a um adversário! Surreal.

É verdade que há duas ou três defesas decisivas do guarda redes do União mas tudo o resto era zero. O posicionamento dos jogadores com bola em situação de ataque continuado é medíocre, o aproveitamento das bolas paradas é embaraçoso, a falta de ideias para mexer na equipa e no jogo é assustadora. Lançar Carcela, juntar Raul a Mitroglou e recorrer a Talisca é só mais do mesmo que já vimos noutras derrotas.

Acresce ainda a falível postura defensiva, tanto em transição como em bolas paradas, que explica como o União podia ter chegado ao golo mesmo sem atacar. Tudo demasiado preocupante para nós, adeptos, e para quem orienta a equipa, acredito eu.

 

O jogo de hoje anulou tudo de bom que vinha a verificar no crescimento da equipa porque são jogos deste tipo que dão campeonatos, se quase 4 meses depois a equipa volta a bloquear da mesma maneira contra um dos adversários mais fracos da Liga então a esperança esfuma-se. A margem de manobra é nula, era ganhar ou ganhar, fez-se tudo à volta da equipa dando todas as condições para se trazer um bom resultado da Madeira e a resposta de jogadores e treinador foi decepcionante.

Devíamos ter saído deste jogo a 5 pontos da liderança e pensar no duelo entre os dois rivais para reentrarmos nas contas do título. Saímos do acerto de calendário a 7 pontos do líder. É inadmissível!

O facto de termos jogado agora significava duas coisas, que já estávamos fora de uma competição e aproveitámos essa folga e que queríamos premiar os atletas no Natal. Se a resposta foi esta sugiro que se marque um treino aberto para o final da tarde do próximo dia 23 para retribuir o seu empenho.

 

É, sem dúvida, uma boa época para casar e arrumar a vida familiar e passar a lidar jogo a jogo com a realidade. É pena porque já me tinha habituado bem à ideia de ir ao Marquês em anos seguidos.

Não perceber que era preciso dar tudo contra o União é não entender a importância que teria um tricampeonato para o Benfica. À volta do plantel percebeu-se, no estádio da Choupana é que não.

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