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Benfica 3 - 1 Vitória de Guimarães: Supertaça Conquistada!

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 Até meio dos anos 90, um ritual familiar levou-me a passar grande parte do mês de Agosto no Pinheiro da Bemposta. Para quem não sabe, e devem ser quase todos os que estão a ler esta prosa que inaugura a nova temporada, o Pinheiro da Bemposta é uma freguesia que fica perto de Oliveira de Azeméis. Fica antes da cidade quando se viaja desde o sul pela antiga estrada nacional Nº1.

Nesses tempos a Supertaça não era o troféu que abria a temporada com todo este mediatismo. Era uma prova que se jogava a duas mãos, na maior parte das vezes, e que passava até um pouco despercebida no calendário, chegando mesmo a atrapalhar a organização do mesmo. Nem me lembro de ter grande problemas nesses verões para ver o Benfica a disputar a Supertaça, porque raramente acontecia.

Como era um retiro de familiares mais velhos que foram, naturalmente, falecendo, os verões na Bemposta, mais precisamente em Palmaz, acabaram. Nunca mais houve férias na aldeia. Os anos foram passando e, como em tudo na vida, um dia deu-me a saudade e a curiosidade de saber como estava aquela freguesia ali bem escondida no distrito de Aveiro. Numa das minhas viagens pelo no começo deste século passei por lá e até consegui voltar a comer uns bons rojões num restaurante perto da Nº1.

Como o futebol tem o condão de nos fazer viver e aumentar as nossas amizades de norte a sul, um dia descobri que um ilustre benfiquista residente em Vila da Feira frequenta a freguesia do Pinheiro da Bemposta por razões de gastronomia. Daí a combinarmos um repasto lá com outros companheiros destas viagens foi só uma questão de tempo.

E é assim que chegamos ao almoço de ontem que nos lançou para a Supertaça. Pessoalmente, é uma emoção voltar a conviver naquele ambiente de aldeia e desfrutar daquela gastronomia. É uma viagem à juventude mas contextualizada com amigos das mais diferentes origens. É o Benfica a unir e a dar-nos vida à vida.

O repasto e o convivo já tinha sido óptimo os imprevistos seguintes só serviram para elevar este dia à galeria de viagens inesquecíveis. Vamos chamar uma espécie de adaptação à população local. Integração num desfile de bombos da festa da aldeia, beber umas cervejas em casas escondidas e acabar na "mansão" do Sr. Fernando, um filho da terra, emigrante, que em dia de aniversário recebeu esta turma com champanhe, salgados e presunto, oferecendo a sua piscina para uns mergulhos que muitos não recusaram. A família do Sr. Fernando e a família benfiquista, tudo em harmonia numa casa "perdida" em Alviães, mesmo ao lado do restaurante Azevedo, onde come à grande por cerca de 10€.

E estava feito o aquecimento. Viagem até ao Pinheiro da Bemposta, almoço, convivio e tudo pronto para o que interessa.

 

Nos últimos anos só me lembro de ver o Benfica ao vivo na Supertaça no Algarve. E uma vez em Coimbra, há mais tempo. Já nem me recordava da vergonha que são os acessos ao Estádio de Aveiro. Ou então, vou sempre na esperança que tenha havido um milagre e tudo tenha melhorado. Não melhorou. Este estádio não tem condições, ao nível do trânsito, para receber competições destas. E como ninguém consegue ir para ali a pé ou de transportes, o caso já devia estar resolvido há muito tempo.

 

Entrar no estádio e ver a equipa do Benfica a aquecer. Sentar, respirar fundo e procurar na memória qual tinha sido o último contacto visual com a nossa equipa ao vivo. Foi debaixo de um temporal no Jamor. Parece que foi no outro dia mas, ao mesmo tempo, também se sente que foi há muito tempo. A vida volta a fazer sentido. Nós e o Benfica, prontos para mais um jogo, para mais uma época, para mais uma luta por um troféu.

 

Então vamos lá a ver que equipa vai o Benfica apresentar no meio da crise e do caos que a imprensa anuncia todos os dias de pré época. Defesa com Almeida, Jardel, Luisão e Grimaldo. Ok, quantas vezes já vi este quarteto a jogar como titular da equipa? Muitas. Novidades aqui, zero.

Dali para a frente, Fejsa, Pizzi, Cervi, Salvio, Jonas e Seferovic.

Ah, temos um reforço! Seferovic é a grande novidade da nova época. Bruno Varela na equipa é um regresso a casa mas também uma novidade numa equipa principal do Benfica. Vem dentro da lógica de apostas do clube. Pareceu-me que era um onze muito aceitável para começar a competir.

 

Obviamente, voltou a acontecer a mesma sensação da Supertaça do ano passado. Em pouco mais de 10 minutos a equipa tetra campeã dizimou todas as teorias que a davam como acaba e, até, morta. Futebol de alta rotação, individualidades de nível superior, entendimentos que já se trazem de temporadas passadas e futebol muito atractivo que resultou em dois golos, um de Jonas, outro de Seferovic. Olha, o Seferovic a estrear-se e a marcar. Não está mal.

Depois, as bancadas empolgaram-se, os benfiquistas voltar aos níveis de confiança normais dos últimos quatro anos, a equipa motivou-se e aconteceu show de bola. O que é que não correu bem? A finalização. Neste particular, o argentino Salvio ficou a dever a si próprio 3 golos que tinham colocado facilmente o jogo num 5-0.

Não se marcou, não se matou o jogo e, tal como no Jamor, o Vitória, que nunca desiste, acaba por reduzir para 2-1 relançando o jogo antes do intervalo. Apatia no golo do Vitória, uma bola ganha na linha final que devia ter tido oposição, Varela surpreendido que não conseguiu melhor do que desviar a bola para a entrada confiante de Raphinha que cabeceou sem oposição dos centrais.

 

Portanto, de uma possível goleada passou-se para um jogo em aberto. O Vitória embalado por uma massa associativa impressionante, incansável e apaixonada, fez tudo para empatar o jogo mas acabou por devolver a amabilidade da falta de qualidade na finalização que o Benfica tinha mostrado na 1ª parte e acabou por adiar um golo que nunca apareceu.

Rui Vitória sentiu o perigo, desviou Pizzi para o lugar do Salvio, que até devia ter acontecido mais cedo, lançou Felipe Augusto para a luta do meio campo e ainda chamou Raul Jimenez que, como é costume, mostrou logo ao que veio para esta época. Uma oportunidade um golo, problema fechado, troféu conquistado.

Grimaldo saiu lesionado e Eliseu estreou-se na temporada com para alegria das bancadas que agora o estimam, mais do que nunca.

Curiosamente, o Benfica sofreu mais nesta Supertaça do que na final da Taça de Portugal, mas agora venceu por uma margem mais folgada.

O que não muda é a fome de conquistas, depois de conquistado o Tetra, o Benfica já meteu no Museu Cosme Damião uma Taça de Portugal e mais uma Supertaça. Para começar a época não está mal.

Está tudo bem no futebol encarnado? Não, não. Ninguém disse isso. O mercado só fecha no final do mês, temos que estar preparados e atentos para saídas e entradas.

Está tudo mal no futebol encarnado? Não me parece. Já se devia ter percebido que é preciso respeitar jogadores como Jardel ou André Almeida que levam muitos anos de Benfica juntos e não são atletas com poucos títulos.

 

O importante é estarmos focados e juntos numa luta só nossa, o que os outros espumam é um problema deles. O Benfica continua a ganhar e isso ninguém pode contrariar, por muito que lhes custe e que lhes doa.

Para primeira viagem da temporada, diria que foi à campeão.

Benfica 2 - 1 Vitória de Guimarães: Triplete à Campeão!

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 Abrimos a época em Agosto a celebrar a conquista da Supertaça. Foi um belo lançamento para dez meses de luta, sofrimento, empenho, trabalho e capacidade de acreditar que íamos chegar ao fim de Maio bem felizes. O tão ambicionado Tetra já é uma realidade, faltava fechar em grande.

 

Entre 1997 e 2004, o Benfica não jogou uma final no Jamor. Parecia uma tarefa quase impossível, até que naquela tarde de 2004, Hélder e Simão levantaram a Taça de Portugal e todos sentimos que a normalidade vencedora do nosso clube ia voltar a ser uma realidade.

Treze anos depois, novo encontro marcado no último jogo da temporada no cenário único do Jamor. Desde a compra do bilhete às combinações para os convívios cheios de comes e bebes, tudo nos soa muito mais familiar. Não temos voltado todos os anos, mas desde 2013 já é a terceira vez que passamos o dia mágico no Estádio Nacional. É um bom hábito que devia ser uma rotina.

Alguns ainda se devem recordar dos anos negros quando Vale e Azevedo organizava no final da temporada um dia à Benfica no Estádio da Luz. Era uma boa ideia que só não pode ser válida porque o clube tem de ter como objectivo estar presente no último jogo de cada época proporcionando aos seus adeptos um legítimo dia à Benfica.

Isto que se viu hoje na mata do Jamor é Benfica. É Benfica por todos os lados. Grupos de adeptos do Benfica organizados à volta de grelhadores, muitos de cervejas na mão, alguns nem bilhete tinham para o jogo, um mar vermelho de todas as idades, homens, mulheres e crianças, tudo num convívio incrivelmente bonito. Isto sim, é que é um dia à Benfica, com benfiquistas vindos das mais diversas partes do país e do mundo.

 

Depois o jogo. Não me lembro de assistir a uma final de Taça com uma chuvada destas. Nas bancadas tentámos recuperar entre as memórias, as maiores molhas a ver o Benfica. Um Benfica - Penafiel na Luz, um clássico com o Porto na Luz, uma noite europeia com o Olympiakos e por aí fora. No Jamor não me lembro de tal coisa. Fica esta para a história colectiva. Sendo que o pessoal vinha preparado para um dia primaveril, ténis, calções e manga curta. O São Pedro foi abusador.

O que não me esqueço é do sentimento de ver o Benfica entrar naquele relvado para o jogo decisivo. Em 1981, tinha oito anos e vivi pela primeira vez a experiência. Ainda hoje sinto o mesmo arrepio ao ver as camisolas berrantes alinhadas naquele ambiente.

 

Jogo intenso, Benfica dominador mas poucas oportunidades de golo. Animação nas bancadas, se do nosso lado nunca surpreende o apoio, já do outro lado do estádio sentia-se o clube de uma maneira muito particular. Os adeptos do Vitória são muito grandes.

Com a equipa do Benfica a atacar para a nossa baliza, tal como acontece na Luz, o jogo foi completamente diferente. Aquela vontade de ganhar, aquela motivação de campeão, aquela qualidade individual aliada a uma harmonia colectiva, veio tudo ao de cima e Raul Jimenez respondeu rápido a uma defesa incompleta após remate de Jonas. Um chapéu mexicano tão arqueado, tão convicto, que por momentos pensei que a bola ia para fora. Não foi, entrou e mais de metade do estádio explodiu num festejo anunciado. A celebração de Raul só serviu para a euforia ser ainda maior.

Não foi preciso esperar muito pelo segundo, Nelson Semedo pela direita cruza e cabeçada perfeita de Salvio para golo. A ala direita do Benfica a deixar o mar vermelho do Jamor em delírio. Ainda vimos ali naquela baliza o Pizzi a imitar o Raul mas em mau, em termos de chapéus, o Jonas a acertar na trave e o Raul a mandar uma bola para Queijas, em vez de fechar o jogo facilmente.

O Vitória reduziu, um prémio merecido para a luta que deu e uma felicidade para os seus adeptos que acreditaram até ao fim. Dispenso estas emoções até final das partidas mas o sentimento de alegria no apito final é único.

 

Então e o vídeo árbitro?

Gostei muito. Dois penaltis por mão na área, que se viram bem da bancada, por acaso, uma tentativa de assassinato ao Fejsa que acabou por só levar 12 pontos e tudo escapou ao sistema salvador do futebol português. Promete muito...

 

Repito os elogios aos adeptos do Vitória, são incríveis. Contribuíram muito para uma tarde inesquecível.

 

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Agora, permitam-me um pequeno reparo aos meus companheiros de luta benfiquistas. Então passamos mais de 90 minutos debaixo de uma chuva que não poupou nem as cuecas e depois aproveitamos o apito final para virar costas ao estádio!?

Eu nestes dias de finais, não venho para apreciar um grande jogo ou um belo duelo táctico. Não, não. Nada disso. Eu venho apenas e só com um objectivo, ver o nosso capitão levantar a taça no fim. Vivemos para ver os capitães do Benfica levantarem taças. E quando estamos a minutos disso acontecer debandamos e deixamos meia bancada vazia para o grande momento? Não faz sentido nenhum.
Muita atenção, meus caros, nunca se cansem de ganhar. Nunca desprezem uma conquista. Nunca!

Da mesma maneira digo que os jogadores do Benfica também não se podem cansar de celebrar. Nem terem pressa para irem para o balneário em vez de mostrarem a Taça aos que ali estão por eles. Eliseu salvou o momento e não deixou ninguém recolher. Grande final de época para Eliseu.

 

Ganhar a Supertaça, vencer o campeonato e conquistar a Taça de Portugal é um triplete à antiga. Parecendo fácil e normal é coisa que já não acontecia desde o começo da década de 80! Um triplete histórico, estamos a viver história. Estamos a começar e a terminar épocas da maneira que faz mais sentido, a jogar e a ganhar. Em Aveiro batemos o Braga, no Jamor derrotámos o Vitória, pelo meio deixámos os rivais a falarem sozinhos e a consumarem alianças no campeonato.

 

Benfiquistas, o Benfica voltou a encontrar-se com a História. A sua história! O Benfica voltou a estar à altura do... Benfica. E o que nós penámos para aqui chegar. Nós somos o Benfica que sempre sonhámos. Nos próximos dias, nas próximas semanas, nos próximos meses, sintam esta alegria, desfrutem a sorte de serem benfiquistas, juntem-se, almocem, jantem, lanchem, recuperem as memórias desta época. E da anterior. Aliás, lembrem-se daquela tarde no Jamor em 2013 e de como partimos para um ciclo maravilhoso.

Vivam o Benfica, ignorem o resto. Tudo é insignificante perante a nossa alegria. Mas nunca se cansem de ganhar, nunca se cansem de festejar, nunca se cansem de ver troféus ao alto nas mãos dos nossos jogadores.

Viva o Benfica!
Voltamos lá mais para o verão para a conquista da Supertaça. Sempre a somar.

Benfica 5 - 0 Vitória de Guimarães: Tetra Campeões !

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Por um lado, é a crónica mais fácil de fazer, por outro sinto que nesta altura só o Cervi deve estar mais ressacado que eu. Abraço, puto!

Lembram-se de ter aqui publicado a teoria da monotonia? Algo como o que eu quero na minha vida é jogos completamente desprovidos de emoção. Pronto, estava a pensar em algo como um 4-0 ao intervalo num jogo decisivo. Assim mesmo, só com a emoção de festejar os golos e olhar para o relógio. Daqueles resultados que mesmo que me digam que podemos sofrer 4 golos na 2ª parte já não me conseguem preocupar.

É esta monotonia que quero, isto que contrasta com o sofrimento atroz das bancadas de Vila do Conde enquanto o golo do Raul não chegava.

Ah mas é mais emocionante festejar assim um só golo perto do fim. Ok mas mesmo assim prefiro um 4-0 ao intervalo, dá mais saúde.

 

Começar um jogo decisivo na Luz com o estádio cheio, sentir o cheiro de História a acontecer, olhar para o marcador ao fim de dois minutos e achar que não está fácil marcar. E depois constatar que os onze escolhidos estão determinados em corresponder às expectativas do povo. O Benfica resolveu arrancar para uma exibição fabulosa. Das melhores que já vi nos nossos estádios, seguramente uma das melhores que assisti num jogo decisivo.

Uma resposta forte às nossa dúvidas, um sinal para os aliados que espreitavam na secreta esperança que isto durasse mais uma semana, uma demonstração de qualidade e competência para fechar um campeonato que teve sempre o Benfica como farol.

Golos para todos os gostos e feitios, futebol para divertir e apreciar, sorrisos em todo o estádio, trocas de sms durante o jogo. O tetra chegou assim, arrebatador, num ápice passámos da tensão pré festejo para o sentimento único de sermos campeões.

Mais do que falar do jogo e dos golos, quero agradecer ao meu Benfica pela exibição de gala que nos levou ao céu em tempo recorde. Foi do domínio do sonho.

 

Ainda quero agarrar na teoria da monotonia para a transportar para isto da conquistas de títulos. Estamos a festejar a conquista de um campeonato pela quarta vez seguida. Quatro anos seguidos a terminar o campeonato desta maneira. Ontem, depois dos dois primeiros golos senti que o Estádio da Luz vive uma maioridade maravilhosa, os benfiquistas estão habituados a ser campeões, crescemos de forma gigante nos últimos anos, é emocionante ver como a repetição dos festejos se tornaram monótonos. Mesmo para quem organiza já não é fácil surpreender.

Portanto, aquilo acaba, a malta abraça-se há invasão de campo só para intérpretes, monta-se o palco, chamam-se os jogadores, entrega-se o troféu, festeja-se, espera-se pelo Paulo Lopes na trave, e por aí fora. A novidade foi o Eliseu de scooter. Eliseu com contrato vitalício, já!

É tudo isto. Para repetir todos os anos, por favor. Isto nunca cansa.

Permitam-me só um reparo, dar olés com 5-0 contra o Vitória de Guimarães não é só de mau gosto, é uma manifestação de falta de cultura desportiva muito grande. Porque o Vitória não é um clube qualquer, como se viu pela falange de apoio que trouxe à Luz e, também, porque vieram para jogar futebol de maneira positiva contrastando com o anti jogo que se viu na época passada.

 

Depois, fora do estádio o que se me oferece dizer da festa do povo benfiquista é o seguinte; Lisboa fica tão bonita invadida pelas nossas cores que eu até apelo aos companheiros que saem uma noite por ano de vermelho e branco, para andarem assim mais vezes. Andemos assim o ano todo várias vezes por semana, muito bem vestidos com as nossas cores e o nosso emblema.

Somos Tetra Campeões. Se alguém me dissesse isto na noite de 16 de Março de 1997 (vão ver a efeméride, vale a pena) eu mais depressa chorava deprimido do que me ria esperançado. Obrigado, Benfica!

Festejemos. E depois foco no Jamor. O Benfica é assim. É tão bom ser do Benfica.

 

 

Vitória de Guimarães 0 - 2 Benfica: Naturalmente, na Final Four

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 Ao ver o jogo de hoje lembrei-me de um livro sobre Bill Shankly e de uma passagem em que ele dizia com piada:

"There are only two sides in Liverpool. Liverpool and Liverpool reserves."

 

Parece-me que é o que se está a passar no futebol português. As duas melhores equipas, pelo menos na Taça CTT, são o Benfica e as "reservas" do Benfica. Este reservas com aspas muito realçadas.

Voltar a Guimarães depois do triunfo para o campeonato e mudar a equipa quase toda, só resistiram Pizzi e André e Nelson, para voltar a fazer uma exibição tranquila, segura com nova vitória é uma proeza que merece todos os elogios. Isto porque os jogadores mudam mas a cara do futebol encarnado é a mesma.

A primeira parte do Benfica foi tudo o que se pedia, marcar e procurar resolver o jogo mesmo sabendo que o empate era suficiente para atingir o objectivo principal. Mas para não se por a jeito, a equipa procurou com toda a seriedade garantir o apuramento e ficar longe de critérios de arbitragem ou dos factores de sorte e azar.

Rafa arranjou um penalti para Pizzi falhar mas depois apareceu Gonçalo Guedes possuído para bisar e colocar o Benfica na desejada Final Four do Algarve. Boas exibições de Zivkovic, a deixar cada vez mais água na boca, Rafa, que tem de marcar golos urgentemente, e Carrillo que procurou entrar na história do jogo com sucesso.

 

Ver o jogo na RTP trouxe uma grande vantagem para nós benfiquistas, pudemos ouvir os nossos adeptos a puxar incansavelmente pela equipa e até deu para ver grandes planos da bancada benfiquista. Estão a ver, Sport Tv ?

 

A postura competitiva do Benfica é impressionante e não é de hoje. É das maiores mais valias do clube nos últimos anos, a motivação com que a equipa do Benfica ataca todas as competições onde entra, seja a Taça da Liga, seja a Liga dos Campeões. Isto é que é à Benfica. Assim fica mais fácil inscrever o nosso nome entre os finalistas e os vencedores das várias provas. É disto que é feito o Glorioso!

 

O valor e a validade do plantel do Benfica é de realçar agora que estamos a meio da temporada. A passagem pela fase de grupos da Taça CTT foi um sucesso só possível por existir um plantel equilibrado. O problema é que o mercado está aberto e muita coisa pode mudar neste mês, mas até aqui já ninguém pode tirar o mérito do caminho feito.

Agora, no Algarve é para ganhar. Como sempre.

Vitória de Guimarães 0 - 2 Benfica: A Culpa é do Benfica!

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 Depois de uma semana de alta intensidade fora dos relvados que terminou com o árbitro desta partida a apresentar queixa na polícia contra terceiros, entrou em campo o Benfica e somou mais uma vitória que em nada vai contribuir para a paz no futebol, o que é lamentável.

Obviamente, que o árbitro apresentou queixa por causa do Benfica, o Porto a seguir perdeu mais dois pontos por causa do Benfica e o Benfica venceu este jogo em Guimarães por causa do Benfi... do Jonas e companhia.

 

É um prazer indescritível ver o Benfica jogar à bola indiferente a todo o folclore que os rivais têm montado para disfarçar os sucessivos falhanços. É um orgulho imenso ver o Jonas pegar na bola e transformar os nossos receios em sorrisos. Quando Jonas fez o 0-1 a primeira coisa que pensei foi: caramba, estava preocupado com o quê?! Temos o Jonas!

 

A verdade é esta, o Benfica tem uma atitude incrível nestes jogos. Entre forte, determinado, pressiona alto, ataca rápido e cria perigo com facilidade. Então se calha chegar cedo à vantagem no marcador sente-se que fica completamente confortável no jogo. É quase sempre assim.

 

Antes do golo de Jonas houve um momento de grande apreensão, a saída de Fejsa para a entrada de Samaris. A presença do sérvio costuma ser meio caminho andado para partidas tranquilas. Só espero que a lesão não seja grave.

Mas Samaris hoje entrou muito bem, a equipa manteve-se equilibrada e começa a acontecer aquilo que tenho vindo a avisar, o nosso maior reforço de inverno vem mesmo  subir de nível o futebol encarnado. Com Jonas a titular e a caminho da melhor forma a conversa é outra. Quem não entender a dimensão que o brasileiro traz ao jogo é porque não percebe de futebol. E chegámos até aqui na frente sem Jonas.

Mitroglou pode explicar a qualidade de Jonas. O grego parece outro quando faz dupla com o "10". Entre eles saíram as assinaturas dos dois golos desta vitória muito importante no Minho.

 

Tanta gente à espera de um escorregão e uma resposta mesmo à Tricampeão. E o pior de tudo, sem casos de arbitragem para passarem o tempo até à próxima jornada.

 

Um sábado à Benfica. Ir à Luz almoçar, ir espreitando o voleibol na televisão, arrancar para o Pavilhão Fidelidade para testemunhar um atropelo ao Porto em Hóquei em Patins, voltar ao local do almoço para festejar os golos e a vitória do Benfica, ficar para ver o Porto perder mais dois pontos. Vir para casa encantado.

 

É tão bom ser do Benfica.