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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Vitória de Guimarães 0 - 2 Benfica: Naturalmente, na Final Four

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 Ao ver o jogo de hoje lembrei-me de um livro sobre Bill Shankly e de uma passagem em que ele dizia com piada:

"There are only two sides in Liverpool. Liverpool and Liverpool reserves."

 

Parece-me que é o que se está a passar no futebol português. As duas melhores equipas, pelo menos na Taça CTT, são o Benfica e as "reservas" do Benfica. Este reservas com aspas muito realçadas.

Voltar a Guimarães depois do triunfo para o campeonato e mudar a equipa quase toda, só resistiram Pizzi e André e Nelson, para voltar a fazer uma exibição tranquila, segura com nova vitória é uma proeza que merece todos os elogios. Isto porque os jogadores mudam mas a cara do futebol encarnado é a mesma.

A primeira parte do Benfica foi tudo o que se pedia, marcar e procurar resolver o jogo mesmo sabendo que o empate era suficiente para atingir o objectivo principal. Mas para não se por a jeito, a equipa procurou com toda a seriedade garantir o apuramento e ficar longe de critérios de arbitragem ou dos factores de sorte e azar.

Rafa arranjou um penalti para Pizzi falhar mas depois apareceu Gonçalo Guedes possuído para bisar e colocar o Benfica na desejada Final Four do Algarve. Boas exibições de Zivkovic, a deixar cada vez mais água na boca, Rafa, que tem de marcar golos urgentemente, e Carrillo que procurou entrar na história do jogo com sucesso.

 

Ver o jogo na RTP trouxe uma grande vantagem para nós benfiquistas, pudemos ouvir os nossos adeptos a puxar incansavelmente pela equipa e até deu para ver grandes planos da bancada benfiquista. Estão a ver, Sport Tv ?

 

A postura competitiva do Benfica é impressionante e não é de hoje. É das maiores mais valias do clube nos últimos anos, a motivação com que a equipa do Benfica ataca todas as competições onde entra, seja a Taça da Liga, seja a Liga dos Campeões. Isto é que é à Benfica. Assim fica mais fácil inscrever o nosso nome entre os finalistas e os vencedores das várias provas. É disto que é feito o Glorioso!

 

O valor e a validade do plantel do Benfica é de realçar agora que estamos a meio da temporada. A passagem pela fase de grupos da Taça CTT foi um sucesso só possível por existir um plantel equilibrado. O problema é que o mercado está aberto e muita coisa pode mudar neste mês, mas até aqui já ninguém pode tirar o mérito do caminho feito.

Agora, no Algarve é para ganhar. Como sempre.

Vitória de Guimarães 0 - 2 Benfica: A Culpa é do Benfica!

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 Depois de uma semana de alta intensidade fora dos relvados que terminou com o árbitro desta partida a apresentar queixa na polícia contra terceiros, entrou em campo o Benfica e somou mais uma vitória que em nada vai contribuir para a paz no futebol, o que é lamentável.

Obviamente, que o árbitro apresentou queixa por causa do Benfica, o Porto a seguir perdeu mais dois pontos por causa do Benfica e o Benfica venceu este jogo em Guimarães por causa do Benfi... do Jonas e companhia.

 

É um prazer indescritível ver o Benfica jogar à bola indiferente a todo o folclore que os rivais têm montado para disfarçar os sucessivos falhanços. É um orgulho imenso ver o Jonas pegar na bola e transformar os nossos receios em sorrisos. Quando Jonas fez o 0-1 a primeira coisa que pensei foi: caramba, estava preocupado com o quê?! Temos o Jonas!

 

A verdade é esta, o Benfica tem uma atitude incrível nestes jogos. Entre forte, determinado, pressiona alto, ataca rápido e cria perigo com facilidade. Então se calha chegar cedo à vantagem no marcador sente-se que fica completamente confortável no jogo. É quase sempre assim.

 

Antes do golo de Jonas houve um momento de grande apreensão, a saída de Fejsa para a entrada de Samaris. A presença do sérvio costuma ser meio caminho andado para partidas tranquilas. Só espero que a lesão não seja grave.

Mas Samaris hoje entrou muito bem, a equipa manteve-se equilibrada e começa a acontecer aquilo que tenho vindo a avisar, o nosso maior reforço de inverno vem mesmo  subir de nível o futebol encarnado. Com Jonas a titular e a caminho da melhor forma a conversa é outra. Quem não entender a dimensão que o brasileiro traz ao jogo é porque não percebe de futebol. E chegámos até aqui na frente sem Jonas.

Mitroglou pode explicar a qualidade de Jonas. O grego parece outro quando faz dupla com o "10". Entre eles saíram as assinaturas dos dois golos desta vitória muito importante no Minho.

 

Tanta gente à espera de um escorregão e uma resposta mesmo à Tricampeão. E o pior de tudo, sem casos de arbitragem para passarem o tempo até à próxima jornada.

 

Um sábado à Benfica. Ir à Luz almoçar, ir espreitando o voleibol na televisão, arrancar para o Pavilhão Fidelidade para testemunhar um atropelo ao Porto em Hóquei em Patins, voltar ao local do almoço para festejar os golos e a vitória do Benfica, ficar para ver o Porto perder mais dois pontos. Vir para casa encantado.

 

É tão bom ser do Benfica.

 

Datas e Horas das Jornadas 2 e 3 da Taça CTT

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 O jogo com o Vizela para a 2ª jornada da Taça CTT é na Luz dia 3, terça-feira, às 19h15.

O jogo em Guimarães para a 3ª jornada da Taça CTT, fica marcado para dia 10, terça feira, às 21h15.

Recorde-se que o jogo da 1ª jornada é no próximo dia 29 na Luz contra o Paços de Ferreira às 21h15.

Benfica 1 - 0 Vitória de Guimarães: Jardel Resolve!

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 (Fotos: João Trindade) 

 

Desta vez tive o cuidado de ir espreitar o que diz a imprensa desportiva sobre o jogo antes de vir aqui deixar a habitual crónica de jogo. Confirma-se que vivem numa realidade paralela e acabam por ver um jogo diferente daquele que vi. Sobre a primeira parte absolutamente vergonhosa que o adversário do Benfica fez ontem na Luz nem uma critica. Faz tudo parte do espectáculo e da estratégia. Por isso, voltei a lembrar-me o que , realmente, me motivou a abrir um blog para escrever sobre o futebol do Benfica. Voltei a recordar o dia em que tive uma imensa vontade de desabafar após cada jogo do meu clube num espaço público. A razão é a mesma de sempre, não vejo o mesmo futebol que aparece reproduzido e tratado nos meios de comunicação social tradicionais. E , por acaso, até há mais pessoas que pensam como eu e gostam de passar os olhos pelas minhas crónicas, e por outros textos de outros companheiros que fazem o mesmo, porque se revêem nestas palavras.

 

Por outro lado, não vim a correr para casa ligar o computador à internet numa 6ª à noite porque, felizmente, não vivo solitário e sem amigos, por isso acabo por ir saborear o triunfo à mesa rodeado de companheiros de sempre. Infelizmente, não me pagam para estar aqui a escrever, nem sabia que isso faz parte das tarefas de um presidente de clube bem remunerado. 

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Não há que ter rodeios na abordagem a este jogo. Que fique aqui documentado que aquilo que vi no Estádio da Luz na primeira parte foi tudo o que futebol não pode nem devia ser. Nunca tinha visto um festival tão intenso de anti-jogo como este que o Vitória veio mostrar. Depois do minuto 20 e até perto do intervalo não houve futebol. Jogadores no chão por todo o lado, a equipa médica a entrar em campo mais vezes do que a soma de todos os jogos que vi nas competições europeias durante a semana, um treinador que converte a sua expulsão de campo num acto de circo interminável aos olhos de mais de 60 mil adeptos que pagaram para ali estar a ver futebol. Nós vamos preparados para sofrer com a nossa equipa, para respeitar o adversário e sabemos que ninguém nos vai oferecer nada, por isso temos muito que aguentar mas nada nos prepara para um encontro entre uma equipa que joga para ser campeã e outra que joga para nada mais do prestigiar o emblema que leva o peito mas prefere usar o anti-jogo reles e baforento para se agarra a um ponto que lhe vai dar não se sabe bem o quê a mais.

 

Sobre os primeiros 45 minutos não há muito mais a dizer, lamento o que vi e também que o Benfica não tenha conseguido meter mais intensidade no seu ataque para contornar o mural de três centrais, cinco defesas mais um reforço de médios defensivos. Ao fim de 45 minutos senti-me enganado, a loucura que se tem abatido sobre os últimos jogos do campeonato transformam-nos em batalhas com guerreiros improváveis que nada têm a ver com a luta pelo título mas lutam como se a vida terminasse ali. Usar métodos pré históricos é que me parece um pouco de mais. Mas já estamos habituados desde a jornada 2 em Aveiro quando o Arouca passou metade do tempo a não jogar futebol.

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Como ninguém quer saber disto para nada, basta ver os resumos dos canais de televisão e ler as crónicas dos jornais desportivos, ninguém condena o anti jogo, levanto aqui outra questão curiosa. Num jogo do principal campeonato português é possível ter um guarda redes a usar as mesmas cores de camisola que a equipa de arbitragem usa? Num lance na área do Benfica há dois elementos de amarelo, porquê? Estou a delirar ou isto é mais uma falha amadora de quem devia mandar no jogo? 

 

Felizmente, a 2ª parte abre com um golo do Benfica. Tudo o que devia ter acontecido logo nos primeiros minutos do jogo aconteceu quando a equipa virou o ataque para a baliza grande. Livre de Gaitán, cabeçada de Jardel.

O mais complicado estava feito, porque se aquela bola não entrasse íamos ser levados à loucura com a perda de tempo que se seguiria. 

A partir dali apareceu uma nova equipa em jogo. O Vitória de Guimarães afinal sabe jogar à bola, sabe o que é o conceito de atacar e até percebe que os seus jogadores devem repor a bola rapidamente em campo mantendo-se em pé o tempo todo. Curioso! 

O Benfica acusou a reacção do Vitória e o jogo ficou equilibrado.

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A aposta de Rui Vitória no mesmo onze começa a evidenciar o desgaste de alguns jogadores. Desde logo Pizzi, Mitroglou e Renato Sanches, que muitas vezes querem mas as pernas não obedecem. Também Gaitán está longe da frescura física. Mesmo assim o argentino somou mais uma assistência à sua conta pessoal. Em sentido de forma oposto está Fejsa que tem sido o seguro desta equipa nestas batalhas. Já nem vale a pena desfilar elogios ao sérvio, basta dizer que quando ele é titular não há outro jogador que mereça mais o prémio de melhor em campo. Monstruoso! 

Também Ederson merece destaque, decisivo e corajoso a negar o golo a Hurtado. Já é uma certeza absoluta entre os postes. A ajudar o guarda redes esteve André Almeida que efectuou o duplo corte da época ao negar o golo a Hurtado, outra vez. Ainda teve o discernimento de ser expulso para poder jogar na Madeira falhando a Taça da Liga. 

Para todos aqueles que embirram com Eliseu, revejam o jogo do defesa esquerdo e percebam a utilidade e a entrega do homem. Essencial.

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As substituições de Rui Vitória foram todas trocas directas sem mudar o seu 4-4-2. A entrada de Raul Jimenez voltou a ser épica. O mexicano sente-se confortável com o estatuto de reserva moral e entra com tudo. Podia ter feito um dos golos do ano mas Miguel Silva negou-lhe com uma grande defesa que foi transformada em pontapé de baliza! Depois arrancou um daqueles pontapés fora da área que a barra devolveu e justificou a sua entrada. 

 

Faltou ver o Benfica fazer uns 15/20 minutos convincentes como aqueles em que deu a volta ao resultado com o Setúbal mas, ainda assim, a equipa não se recusou a encarar o desafio com toda a alma. 

No fim Sérgio Conceição disse que os adeptos do Benfica são fabulosos, são o 12º jogador. Pois somos. O treinador do Vitória deve saber do que fala quando nos elogia porque está num clube que tem uma massa adepta incrivelmente dedicada ao clube que não merecia passar pelo enxovalho que a sua equipa mostrou em metade deste jogo.

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O Sérgio em vez de elogiar os adeptos do Benfica devia era honrar os vimarenenses e jogar com honra, orgulho, para ganhar. Olhem, como aquele Vitória que eu vi há um ano por esta altura em Guimarães que jogou olhos nos olhos com o Benfica prestes a ser campeão nacional, curiosamente, treinado por Rui Vitória. 

 

Esta passagem pela Luz do Vitória quase que me faz perder o imenso respeito que tenho pelo clube. Nem faltou uma vergonhosa e embaraçosa declaração pública de uma rádio minhota para me deixar feliz com a classificação final miserável que o clube vai ter.

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Da nossa parte, objectivo cumprido. Mais um triunfo, fim de semana descansado e pensar nos dois últimos jogos da competição. Preparar muito bem a ida ao Funchal é o maior objectivo a partir de agora.

Estamos perto mas falta sofrer muito.

 

Vitória de Guimarães 0 - 1 Benfica: Rei D. Renato Sanches !

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(Fotos: João Trindade)

 

O Castelo de Guimarães costuma ser o símbolo da fortaleza que é o estádio D.Afonso Henriques para o Vitória Sport Clube. Hoje a cidade berço ficou a conhecer um novo Rei, o puro Renato Sanches que resolveu um problema complicado para o Bi Campeão.

No regresso ao local onde se sagrou pela 34ª vez campeão nacional, o Benfica conseguiu fazer melhor resultado do que nessa gloriosa tarde de Maio. Era preciso resgatar os 3 pontos para continuar a sonhar com o Tri e o objectivo foi conseguido. O herói foi mesmo o número 85 que nunca se cansou de lutar nem de tentar bater Miguel Silva. O jovem guarda redes dos minhotos já tinha negado o golo a Jonas e a Pizzi de maneira incrível mas aos 74 minutos nada pode fazer para contrariar o pontapé cheio de raiva e emoção com que Renato selou a vitória. É mais um grande momento para guardar na galeria de memórias em Guimarães, ao lado daquela rabona de Aimar para Suazo, por exemplo.

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 Já mencionei todos os bons momentos de ataque do Benfica, o resto é para reflectir. Comecemos pela abordagem ao jogo na primeira parte.

Sérgio Conceição apostou tudo numa pressão muito agressiva dos seus homens da frente logo na saída de jogo do Benfica. Sabendo da dificuldade que a equipa de Rui Vitória tem mostrado a construir jogo desde trás, a decisão do treinador do Vitória foi acertada, depois o critério muito largo de Carlos Xistra a deixar passar várias entradas muito duras sobre jogadores encarnados. O Benfica encolheu-se, voltou a cair na armadilha dos duelos individuais com bola e sem ela, enervou-se a sair com a bola jogada e mostrou desnorte total nas opções atacantes no meio campo adversário. Fica na memória uma tentativa de Fejsa meter a bola num flanco e acaba por acertar em Renato Sanches que estava ali tão perto que atrapalhou o passe. Foi a imagem perfeita da falta de organização na hora de atacar. Tudo dependia da inspiração de Nico Gaitán mas o argentino ainda está longe do seu melhor e acabou substituído. Jonas recuava à procura de dar linhas de passe, Raul ia aos flancos fugir das marcações individuais e tentar desequilíbrios que nunca aconteceram, Pizzi foi anulado nas suas tentativas de diagonais e os médios não criavam alternativas. Havia que aproveitar as bolas paradas e as iniciativas de Renato Sanches sempre muito esforçado para levar o jogo o mais para a frente possível.

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O problema é que o Vitória pressionava alto com Dourado, Licá, Alexandre Silva e Otávio a tentarem roubar a bola para aplicarem o contra ataque. Tiveram uma boa oportunidade que Licá não quis assumir preferindo assistir Cafú. Apesar do Vitória ter feito quase o dobro das faltas do Benfica, o jogo acabou com 4 cartões amarelos para jogadores encarnados e apenas 3 para os da casa.

 

O nulo ao intervalo percebia-se bem pelo que o Benfica não fez e pela pressão defensiva que o Vitória aplicou. Pedia-se mais às duas equipas em termos atacantes, principalmente ao Bi Campeão.

A entrada na 2ª parte foi desastrosa com os jogadores do Benfica a caírem em discussões e perdas de tempo. De tal maneira que aos 50 minutos pouco ou nenhum futebol se tinha jogado.

O Benfica tentou pegar mais no jogo mas não mostrava soluções para contornar a defesa branca. Tudo muito lento, muito previsível e demasiado fraco a nível táctico e técnico.

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 Até que Pizzi consegue isolar-se na área mas permite a tal grande defesa de Miguel Silva. A equipa do Benfica começou a acreditar e Rui Vitória decidiu retirar o limitado Gaitán para lançar Carcela. O marroquino voltou a entrar bem no jogo e justificou a aposta do treinador. Pouco menos de 10 minutos após a troca o Benfica chegava ao golo. Uma bola parada, lá está, que resultou num cruzamento para a área que a defesa vimaranense não afastou com eficácia tendo a bola caído na zona de Renato. O miúdo disparou à primeira mas apanhou um adversário pela frente, a bola voltou e à seguida saiu uma bomba para dentro da baliza. Acto contínuo, Renato corre para a bancada onde estavam os adeptos benfiquistas e vai abraçá-los numa imagem que vale o preço de um bilhete, num momento mágico que é estragado pelo futebol moderno e as suas estranhas regras que obrigam a castigar o herói do povo com um cartão amarelo.

 

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 Estava feito o mais complicado, sobrava um quarto de hora para segurar os 3 pontos. A equipa não vacilou e já com Cristante no lugar de Raul e Mitroglou na posição de Jonas, o Benfica somava uma importante e difícil vitória perante mais de 22 mil adeptos num recinto muito complicado.

Entre a apatia da equipa na maior parte do tempo e o momento épico de Renato Sanches, está o encanto do futebol. Um pontapé feliz tudo muda. Hoje correu bem para o nosso lado.