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Graeme Souness Conta a Sua Passagem Pelo Benfica no Seu Livro

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 Acaba de ser editada a biografia de Graeme Souness. Um livro bem interessante e com uma passagem dedicada à sua estadia no Benfica de... Vale e Azevedo. Partilho aqui as páginas em que o treinador fala das mentiras do presidente, explica como era impossível o Benfica ganhar o título ao Porto por causa do sistema de arbitragens, conta como o Benfica falhou a contratação de Nistelrooy, esse mesmo, e ainda fala de Hugo Leal.

Tempos que parecem fictícios mas que aconteceram mesmo e nós lá estávamos atrás da equipa a acreditar sempre que ia ser possível. Nem foi assim há tanto tempo.

Para ler aqui:

 

 

 

 

O Dia de Treino do Benfica em Imagens

 

O Benfica 2017/18 já Mexe

 

Rui Vitória no Top 26 dos Melhores Treinadores do Mundo Para a 442

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 A conceituada revista inglesa Four Four Two está a escolher os melhores 50 treinadores do mundo ao seu melhor estilo. No site perguntam:

Who are the 50 greatest bosses in football right now? Follow the FourFourTwo countdown this week to the No.1
 
A contagem já está a chegar ao Top 20, começou pelo 50º classificado, e já elegeu alguns treinadores portugueses passando pela Liga portuguesa.

Marco Silva (ex-Hull City, agora no Watford) foi o primeiro a aparecer na contagem decrescente, na 42ª posição. Jorge Jesus, treinador do Sporting, surge na 28ª posição.
O nosso Rui Vitória, Bi Campeão pelo Benfica, está num honroso 26º lugar, o lugar mais alto de todos os que treinam em Portugal.

Rui Vitoria, el triunfo por encima del ruido

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 O ruído atravessa fronteiras e os observadores internacionais mostram-se atentos a quem vence por cima do surreal ambiente de ódio anti-Benfica que se vive no futebol português. Aqui fica um artigo interessante de um escriba espanhol numa publicação que é uma das melhores que se fazem em Espanha, a Spherasports.com:


 

«Só falo com quem quero e quando quero» y fin. Así acabo Rui Vitória con las preguntas que hacían los periodistas buscando que respondiera hace poco más de un año a las insinuaciones de Jorge Jeús, su antecesor en el banquillo de SL Benfica, y preparador de Sporting CP.

«Os trabalhos de gabinetes de comunicação e as palavras de circunstância não são importantes. É tempo de atuar». Y este era el turno de la réplica a Nuno, más recientemente, inquilino del banquillo de FC Porto.

Son solamente dos muestras de lo que han durado las polémicas en manos de Rui Vitória, un suspiro.

Tras dos temporadas en SL Benfica, el técnico de Alverca está firmando una de las etapas más interesantes de la historia reciente del equipo. A los dos campeonatos conquistados de manera consecutiva, se le suman una Copa de Portugal, una Copa de la Liga y una Supercopa, por lo que mejora en mucho a sus antecesores, incluyendo a Jorge Jesús.

Procedente de Vitória SC, club con el que logró una Copa de Portugal, anteriormente había dirigido en la Primeira Liga a Paços de Ferreira, y si repasamos su carrera siempre fue cumpliendo sus objetivos, aunque eso sí, sin hacer ruido.

No lo hizo, como hemos visto, ni ante las provocaciones de Jorge Jesús el curso pasado, cuando Sporting CP comenzó mucho mejor la temporada, ni cuando cuando SL Benfica se recompuso y le dio la vuelta a la situación. Ni si quiera ha alzado la voz ante las acusaciones de arbitrajes parciales en las que Nuno, técnico de FC Porto ha buscado justificar su triste balance y desgastar al equipo campeón.

Rui Vitória se ha centrado en ser un gestor real. Y así, desde verano, buscó solucionar los vacíos que dejaron las marchas de dos de los motores del equipo en el curso anterior: Renato Sanches y Gaitán, que han tenido una fortuna dispar en el Bayern de Munich y el Atlético de Madrid.

Sin huir del 4-4-2 que ya ponía en marcha Jorge Jesús (cuestión que hacía que su rival se “apuntara” méritos en el triunfo del equipo), Cervi en el extremo izquierdo y Pizzi (que ha marcado 10 goles y ha dado 8 asistencias en el la liga) en el medio, han sido dos de las claves de un grupo en el que el guardameta Ederson Moraes, el lateral izquierdo Grimaldo y el pivote Fejsa han sido las notas más brillantes.

Sí bien no hay que olvidar la capacidad goleadora de los tres delanteros benfiquistas (Jonas, Mitroglou y Jiménez), en los cuatro partidos en los que se ha decidido el campeonato, la realidad es que la solidez ha sido su mejor arma.

Cuestiones como las suplencias de Julio César o la de André Carrillo, “robado” a Sporting CP y que pese a estar llamado a ser una estrella ha tenido un curso discreto, han sido solventadas sin dificultades, de principio a fin de la temporada.

En los duelos directos, SL Benfica ha sumado tres empates a uno (dos ante FC Porto y otro en su visita a Sporting CP) y una victoria (en casa, ante su rival en Lisboa), en partidos muy igualados en los que no fue superior del todo a sus contendientes y en los que supo sufrir y mantener el tipo.

Y este fue el secreto, saber esperar el momento, a pesar de las circunstancias, de la presión y del ruido. Sin duda, Rui Vitória ha demostrado que sabe defenderse, eso sí, sin perder la sonrisa.

Imagen de Portada: FPF/Diogo Pinto

Mário Wilson, o Amor, o Carinho e o Seu Cunho Pessoal

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Estão a ver esta caderneta mais acima com jogadores do Benfica em 1980? O primeiro cromo do lado esquerdo é do treinador Mário Wilson.  Esta foi a minha primeira forte ligação ao senhor Wilson. Não dá para ver com pormenor mas a imagem é composta por uma caricatura feita por Francisco Zambujal e uma pequena foto no rodapé.

Eu tinha 9 anos e esta foi a primeira colecção de cromos que me marcou a sério. Talvez pela engraçada combinação entre o cartoon e a realidade. Foi por aqui que comecei a decorar os nomes dos jogadores e a reconhecê-los cada vez que apareciam na televisão. Tenho uma curiosa recordação destes dias que foi o impacto que teve o facto de estar a ver um noticiário da televisão e apareceu o Velho Capitão a falar. A minha reacção imediata foi correr para o quarto e ir buscar esta caderneta para abrir nesta página da fotografia lá de cima. Orgulhoso e excitado gritei para os meus pais que eu já conhecia o nosso treinador. Não era assim tão frequente ver jogadores e técnicos de futebol a toda a hora na televisão, talvez por isso esse momento me tenha marcado. Senti que fiquei mais próximo de Wilson.

 

Sinto que foi nesta época que o meu benfiquismo subiu para níveis descontrolados. Assisti a intermináveis discussões sobre a famosa Assembleia Geral de 1979 que durou oito horas e onde centenas de benfiquistas aprovaram a entrada de jogadores estrangeiros na equipa de futebol. Era um assunto de estado, aquilo fascinava-me. Foi por aquela altura que comecei a ir ao Estádio da Luz, embora ainda sem grande noção do que era toda aquela grandeza. 

O nome de Mário Wilson já fazia parte do universo do Sport Lisboa e Benfica quando o descobri à frente da nossa equipa. Uma das primeiras frases que decorei foi a famosa "quem treina o Benfica arrisca-se a ser campeão nacional". Tão simples e tão forte.

 

Sei que esta temporada 1979/80 não foi famosa no campeonato, acabámos em 3º, e na Europa caímos na 1ª ronda da Taça UEFA com o Aris Salonica. Um começo de uma espécie de maldição com camisolas amarelas na Luz. O Aris tinha ganho 3-1 no primeiro jogo e o Benfica aos 50' já tinha dado a volta com Jorge Gomes, o tal primeiro estrangeiro, a fazer o 2-0. Mas a 9' do fim Semertzois marcou o golo que nos afastou de forma inesperada.

A época foi salva no Jamor numa das finais mais épicas da Taça de Portugal. O ambiente estava completamente incendiado por Pedroto que achava que valia fazer tudo para o Porto ganhar. A guerra "norte-sul" era de tal maneira intensa que os sportinguistas juntaram-se aos benfiquistas na hora de apoiar o Benfica contra o FC Porto em Junho de 1980.

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Foi um grande dia para mim, de maneira completamente inesperada fiz a minha estreia no Jamor. A seguir ao almoço o meu pai é convocado à última da hora por uns colegas que o foram buscar a Benfica e mesmo no limite, já de porta de casa aberta, fui resgatado com um inesquecível; "também queres vir?".

Jogo muito duro, o Alberto partiu uma perna por causa de uma entrada assassina de Frasco, o ambiente era incrível nas bancadas e o golo de César, o primeiro estrangeiro a marcar numa final da Taça pelo Benfica, fez o golo da vitória aos 36'. Lembro-me da festa no final e de ficar maravilhado com o autêntico caos instalado no relvado do Jamor com invasão de campo dos adeptos benfiquistas. E alguns com camisolas do Sporting e cartazes que ainda hoje são engraçados de se lerem.

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Mário Wilson para vencer esta Taça teve de eliminar a CUF, o Tandim,  o Portimonense, o Sporting, o Bragança e o Varzim. A vitória foi especial porque o Porto já não perdia há três anos com o Benfica. Foi uma injecção de benfiquismo fortíssima.

 

Dois anos mais tarde voltei a ouvir falar muito de Mário Wilson mas por causa da sua filha que fez furor ao vencer o, na altura, muito mediático concurso de Miss Portugal.

Entretanto, sempre que o Benfica vencia um campeonato lá vinha a famosa frase de Mário Wilson. O Velho Capitão, esta alcunha vem dos tempos da Académica quando foi nomeado capitão de equipa pelo seu carisma e não pelos estudos como era tradição até aí, andou sempre ligado ao Benfica porque não escondia o seu amor ao clube. Gostava muito da Briosa mas o Benfica era o seu amor.

Nem era preciso ter voltado ao clube para eu aumentar a minha estima por ele. Só pelo que aprendi com ele em criança já o tinha como uma figura maior do nosso clube.

No entanto, Mário Wilson voltou para juntar os cacos de uma triste passagem de Artur Jorge pelo Benfica. Em 1996 o Benfica venceu a Taça de Portugal batendo o Sporting por 3-1 na final do Jamor. O Velho Capitão voltou para mostrar que o Benfica nunca desiste mesmo em tempos complicados, ajudou o clube a manter a cabeça fora de água quando já se sentia a queda no abismo. Foi graças a ele que o nosso jejum de títulos não começou em 1994 e ainda fez de 1996 um ano agradável com aquele troféu.

Nesta altura era uma delicia ouvir Mário Wilson falar sobre a nossa equipa. Os jogadores só precisam de amor e carinho. Ele estava lá para isso e dar o seu cunho pessoal, expressão que gostava muito de usar.

 

Em 1997 fez a ponte entre Paulo Autuori e Manuel José orientando a equipa à 17ª jornada em Janeiro. Mas Manuel José também não durou muito no banco encarnado. Em plena travessia do deserto, lá voltava Mário Wilson para pegar na equipa até à chegada de Souness. Foram 4 jogos entre Setembro e Novembro de 1997 em que Wilson assumia o papel de bombeiro do clube. Sem nunca se queixar, sem nunca fazer dramas, apenas a ajudar com o seu cunho pessoal e o seu carinho pelos meninos que compunham o plantel do Benfica. Foi assim a sua despedida como treinador do Benfica.

 

Muito mais do que um treinador, o Mário Wilson dos anos 90 foi a nossa maior reserva moral. Ele foi o nossa esperança em nunca deixarmos de ser Benfica tal como estávamos habituados a ser. O homem nunca se deu por derrotado mesmo vendo a qualidade do plantel a cair a pique de ano para ano, mesmo quando chegaram tempos ainda mais adversos, Wilson sempre teve o condão de ter um discurso positivo e de nos fazer lembrar que nós todos é que somos o Benfica mesmo que muito deprimidos.

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 Terá sido Mário Wilson uma das figuras mais importantes na altura de darmos a volta e nos reerguemos. A famosa frase dos anos 70 que nos dizia que qualquer um podia ser campeão no Benfica, passou de consensual a recordação de baú. Já se falava do Benfica dos tempos em que Mário Wilson disse aquilo. Mas o autor da frase nunca se deixou convencer por um ciclo negro. Repetiu que esta ideia ia voltar a fazer sentido no Benfica porque nós somos o... Benfica.

Mais recentemente vieram as Galas do clube e como as Direcções de Vieira fizeram tudo para recuperar as nossas maiores figuras ao mesmo tempo que o clube estabilizava, foi com naturalidade que Mário Wilson voltou ao nosso universo para acrescentar mais frases e discursos intemporais. Palavras que deixaram as gerações mais novas empolgadas, frases que despertaram os mais jovens para a sabedoria do Mestre Wilson.

Hoje, Mário Wilson, é um nome respeitado e venerado por todos. Pelos que o conheceram nos cromos nos anos 70, pelos que se agarraram à mística dele nos anos 90, pelos que se emocionaram ao ouvi-lo falar em público sobre os valores mais altos que se levantam, ou seja, o Benfica. E pelos que são de outros clubes, como a Académica, claro, ou o Belenenses, que ele treinou, ou o Alverca, onde se despediu dos bancos, ou o Sporting que ele representou e uniu ao seu maior rival na tal final de 1980.

Não há muitos homens assim, o nosso Mário Wilson é eterno e está à altura dos maiores que representaram o Sport Lisboa e Benfica. Com amor, carinho e o seu cunho pessoal.