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Tetra Campeões

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Martin Chrien por Rui Malheiro

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O eslovaco voador

 

Não foi, seguramente, no Europeu sub-21, competição em que José Boto, scout dos encarnados, marcou presença, que o Benfica detetou o talentoso destro Martin Chrien (pronuncia-se 'Crrriéne'). A excelente primeira metade de temporada ao serviço do Ruzomberok, bem atestada em 5 golos e 4 assistências, onde atuou por empréstimo do Viktoria Plzen, clube que representa desde junho de 2014, mas onde nunca se fixou, terão reclamado a atenção do departamento de prospeção das águias, que aproveitaram a grande competição internacional de seleções sub-23 para confirmar a sua capacidade de afirmação num patamar competitivo bem mais exigente do que a Fortuna Liga (campeonato nacional da Eslováquia).

 

O que aconteceu, ao assumir um papel de relevo nos triunfos ante Suécia – marcou um golo num cabeceamento oportuno ao segundo poste – e Polónia – realizou uma assistência para golo, através de um suculento passe de rutura para Valjent –, e mesmo na derrota ante a Inglaterra, partida em que marcou um tento numa pungente ação de antecipação aérea ao primeiro poste na sequência de um pontapé de canto da esquerda.

 

Médio-ofensivo de origem, muitas vezes utilizado como "10" numa estrutura em 4x2x3x1, parece mais talhado para cumprir o papel de médio-interior numa estrutura em 4x3x3, como acontece na seleção, mas poderá transformar-se num "8" numa estrutura em 4x4x2 clássico ou 4x1x3x2.

 

Muito disponível do ponto de vista físico e bastante dinâmico, mostra atributos no capítulo defensivo, principalmente na antecipação/interceção e a protagonizar ações de pressão, mas destaca-se, principalmente, pelo que oferece a nível ofensivo, tirando partido da sua mobilidade – o espaço interior é a sua área de ação, mas não se inibe de esgaravatar os corredores laterais – e destreza no ataque aos espaços vazios. Inteligente na leitura do jogo e na perceção das desmarcações dos seus colegas de equipa, mostra atributos na construção: bom passe curto/médio numa construção mais apoiada pelo espaço interior, procurando sempre oferecer linhas de passe próximas ao portador; variações muito interessantes do centro de jogo em direção aos corredores laterais; e argumentos no passe de rutura que poderá solidificar. Além disso, não se esconde na condução, exibindo pormenores técnicos muito interessantes e argúcia a marcar tempos (falta-lhe alguma explosão com bola), e surge com grande ímpeto em zonas de finalização, onde se destaca pelo potencial no futebol aéreo – em bola parada e bola corrida – e no remate com o pé direito.

 

Mesmo que no imediato não venha a ser opção inicial para Rui Vitória, até porque Pizzi é indiscutível na posição "8" (e ainda haverá o virtuosismo de Krovinovic, que poderá ser opção noutros espaços, e de André Horta, que poderá ficar com o espaço ainda mais reduzido), o Benfica contrata uma promessa indiscutível de 21 anos – bem superior a Celis, reforço da mesma estirpe no exercício passado – com uma grande margem de crescimento. Poderá vir a ser útil no "upgrade tático" prometido por Rui Vitória, que deverá passar pela implementação do 4x3x3 como estrutura alternativa, e, em alguns jogos, poderá cumprir o papel de segundo médio-defensivo tão ao gosto do treinador dos encarnados na defesa de uma vantagem no marcador.

 

Rui Malheiro, in Record

Borussia Dortmund - A Análise de Rui Malheiro

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 Uma perturbante onda de lesões durante a primeira metade da temporada, que afastou várias unidades nucleares das opções regulares de Thomas Tuchel, é a principal responsável por um trajeto muito titubeante na Bundesliga, onde o Borussia Dortmund se posiciona a 15 pontos do líder Bayern. Contudo, a campanha dececionante tem contrastado com um percurso imaculado na Champions, competição em que venceu o Grupo F, onde se digladiaram com Real Madrid (dois empates frente ao campeão europeu), Sporting e Legia Varsóvia, com 21 golos marcados, novo recorde da primeira fase da principal competição de clubes da UEFA.

 

Mutantes. Durante a metade inicial do exercício, à semelhança de 2015/16, Tuchel alternou a utilização do 4x1x4x1 e do 4x2x3x1 como estruturas táticas preferenciais. Mas nunca escondeu a sua predileção por estruturas com três defesas, algo que colocou em prática, com veemência, no último mês, à medida que o seu leque de opções foi alargando. Por isso, nos últimos jogos, o Borussia apresentou-se mais próximo de um 3x5x2, com variações para 3x4x1x2 e 3x4x3, fruto do posicionamento de Dembélé, sagaz a desdobrar-se entre o papel de quinto médio e de terceiro avançado, no apoio a Aubameyang e Reus. Na Luz, face à desastrosa prestação, no último sábado, ante o Darmstadt (1-2), Tuchel poderá sentir-se tentado a recuperar uma estrutura com quatro defesas, de forma a equilibrar mais a equipa.

 

Contundência ofensiva. Mantendo alguns princípios fundamentais do futebol a todo o gás de Klopp, como a agressividade superlativa colocada na reação à perda, recorrendo a uma asfixiante pressão alta ou média-alta, e os veementes contragolpes, onde Aubameyang, referência ofensiva de grande mobilidade e agressividade, e Reus, cirúrgico no último passe, perspicaz a desmarcar-se e letal como finalizador, assumem um papel decisivo, Tuchel privilegia futebol de posse e dominador, o que conduziu a um robustecimento do jogo interior, mesmo não abdicando da exploração vigorosa dos corredores laterais. Apesar da forma cirúrgica com que alterna a circulação de bola pelos três corredores, o que lhe permite chegar com facilidade a zonas de finalização, uma das armas mais utilizadas em ataque organizado é a busca da profundidade através de passes de rutura, aproveitando o posicionamento subido da última linha rival. Em jogos mais embrulhados, os lances de bola parada são um dos pontos que o Dortmund busca exaustivamente.

 

Debilidades defensivas. O sector defensivo tem denotado uma tremenda falta de estabilidade, bem patente nos erros na definição da última linha – convidativos a que o adversário explore as suas costas – e a nível posicional, nomeadamente no espaço entre centrais e, principalmente, entre central e falso lateral. Além disso, a forte vocação ofensiva faz com que se exponha excessivamente no momento de transição defensiva, nomeadamente sobre os corredores laterais, mas também no central, fruto dos riscos assumidos nas saídas em condução e pelas dificuldades de assimilação de alguns conceitos de uma defesa a três, sobretudo quando Sokratis denota muitas dificuldades no um contra um defensivo em velocidade: algo que o jogar mais explosivo de Jiménez ou de Rafa poderá retirar mais dividendos do que o estaticismo oportunista de Mitroglou.

 


Autor: Rui Malheiro/Record

Dinamo Kiev - A Análise de Rui Malheiro (Record)

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 Rui Malheiro escreve no jornal Record sobre o adversário do Benfica de amanhã:

 

O 4x3x3, partindo, muitas vezes, de um 4x1x4x1, fruto do recuo – nem sempre eficaz – dos médios-ala em momento defensivo, é a estrutura tática preferencial de Serhiy Rebrov. Apesar de se tratar de uma equipa habituada a assumir o jogo na competição interna, mostrando-se confortável a realizar uma circulação de bola muito direcionada aos corredores laterais, o Dínamo perde várias bolas em zonas de construção e de criação. Ao invés, revela-se letal no contragolpe, ao perscrutar o virtuosismo de Yarmolenko, incisivo a realizar diagonais para o espaço interior em busca do seu forte remate ou a procurar assistências para zonas de finalização através de cruzamentos e passes de rutura, bem secundado pela velocidade, aceleração e sagacidade na desmarcação de Derlis González, e pelo oportunismo e ataque feroz à profundidade do avançado Júnior Moraes, um ninja ardiloso a ganhar posição na área e a conquistar segundas bolas.

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Análise

A este trio juntam-se a revelação Tsygankov, habitual relevo do internacional paraguaio, e Garmash, extremamente sagaz a surgir em posições de remate dentro e fora da área, procurando dar sequência a passes atrasados ou bolas perdidas. Outro aspeto a ter em conta é a capacidade dos ucranianos para criarem oportunidades a partir de lances de bola parada. O Dínamo é forte na exploração de livres laterais, direcionados ao segundo poste, e apresenta inúmeras soluções na execução de pontapés de canto – curtos e atrasados –, o que abre a possibilidade a remates de fora da área e ao eventual ataque a segundas bolas (Moraes é um especialista). Além disso, apresenta soluções de qualidade na execução de livres diretos, como Moroziuk, Yarmolenko ou Antunes.

 

Além dos riscos assumidos em zonas de construção e de criação, que acabam por conduzir a perdas de bola, o Dínamo desequilibra com extrema facilidade em transição defensiva, sobretudo quando o rival ultrapassa uma primeira linha de pressão mais alta e busca os corredores laterais. Quando se apresenta com linhas mais recuadas, denotam-se arduidades na defesa do espaço entre a linha defensiva e intermediária, na definição da última linha e no controlo da profundidade, e na reação a segundas bolas, fruto de alguma falta de agressividade dos médios, convidativa à exploração de remates de meia distância.


Autor: Rui Malheiro

 

 

GoalCast: Um Novo Desafio

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Um convite de Rui Malheiro para entrar num projecto onde esteja inserido é sempre irrecusável. Foi assim que comecei a escrever no saudoso  Terceiro Anel em 2003. Desta vez o desafio é trocar o teclado pela voz. Aceitei contribuir semanalmente para o GoalCast! , um podcast conduzido pelo Rui e que tem descrição mais abaixo. Divulgarei revistas, livros e publicações em vários formatos que eu ache realmente interessantes para quem adoro futebol sobre nós e tem o prazer da leitura. Na semana de estreia escolhi as duas publicações ilustradas no começo do texto.
O GoalCast! é de ouvir e esperar por mais, como está bom de ver. Só para quem ama verdadeiramente o futebol, para usar a frase mais célebre do último mundial.

 

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Goalcast! Episódio #2. Debruçamo-nos sobre as aquisições de Bruno César e Ezequiel Schelotto, os novos rostos do Sporting, contando com o precioso auxílio de Gil Sousa, que nos desvenda o possível enquadramento do internacional brasileiro no reencontro com Jorge Jesus, e de Alexandre Calado, que nos rememora os tempos do Chuta-Chuta na Luz. Pedro Varela oferece-nos o batimento do coração do adepto leão face à chegada dos novos reforços. Viajamos até Londres, através de Simão Coutinho, que nos desvenda os “pormaiores” do maior evento de scouting do Mundo sob a chanchela da WyScout, e até à Hungria, onde Joachim Rodrigues L, scout de futebol internacional da plataforma Talent Spy, nos dá a conhecer as maiores promessas do futebol magiar, e Valter Marques, jornalista do Record, recorda, com o som de um piano melancólico como pano de fundo, um País distante do desporto-rei. João Gonçalves comprova que não há revista ou livro sobre futebol que lhe escape, oferecendo-nos as sugestões de leitura para a semana. A não perder:

(caso o widget não carregue na totalidade por favor refresque a página)

GoalCast é um podcast GoalPoint com Rui Malheiro, GoalPointer e analista de futebol, que pode acompanhar no Record e RTP (Grande Área). Acompanhe o GoalCast todas as sextas-feiras em www.goalpoint.pt, iTunes eSoundcloud.

 

 

Bruno Cortês Apresentado por Rui Malheiro

Bruno Cortês, 26 anos, agora conhecido por Cortez, protagonizou um trajeto errante, até chegar, em 2011, ao Botafogo. Passou pelo Arturzinho, Paysandu, Al-Shahaniya (Qatar), Castelo Branco, Quissamã e Nova Iguaçu, onde se destacou no Cariocão’2011. Rumou ao Botafogo, em abril de 2011, destacando-se no Brasileirão, o que lhe garantiu o prémio de melhor lateral-esquerdo da competição, a estreia pela Seleção brasileira e a cobiça de vários clubes dentro e fora de portas.

 

No final de dezembro, assinou pelo São Paulo, que investiu 3,3 milhões na sua aquisição, números pouco habituais em transferências entre clubes brasileiros. Apesar de não ter atingindo o mesmo patamar exibicional revelado no Botafogo, Cortez foi titular indiscutível ao longo do Brasileirão’2012.

Este ano, os maus desempenhos do Tricolor na Libertadores e no Paulistão’2013 conduziram ao seu afastamento, até porque Juan, Carleto e Clemente Rodríguez são opções para o mesmo lugar. É um lateral-esquerdo muito ofensivo, quase um ala, que se enquadra no futebol vertigem que o treinador do Benfica preconiza, ainda que tenha tendência também para explorar movimentos interiores com e sem bola e aparecer em zonas próximas à área (ou mesmo dentro desta).

 

Pontos fortes: velocidade, poder de aceleração, capacidade de desmarcação e disponibilidade física (faz o vaivém defesa-ataque-defesa inúmeras vezes). Cria desequilíbrios no 1x1 e tem uma boa condução, ainda que se tenha que se perceber como será que vai reagir a um futebol com muito mais pressão e menos espaços. Ainda assim, bons atributos técnicos na receção/controlo de bola e pormenores técnicos interessantes. No passe e no cruzamento é muito razoável, mas, mais uma vez, é preciso ver o enquadramento num futebol mais intenso e com muito mais pressão. Denoto, ainda assim, alguma precipitação em algumas decisões, principalmente no passe.

Do ponto de vista defensivo, mostrou mais consistência no Botafogo do que no São Paulo. Recupera bem, mas, mais uma vez, jogar no Brasil não é o mesmo que jogar em Portugal: quando procura o espaço interior em momento ofensivo, precisa de ter um médio a fechar a esquerda para evitar um desequilíbrio em transição defensiva.

Agressivo, parece-me mais forte na antecipação (de frente) do que no desarme, demonstrando lacunas na defesa de espaços interiores: sobretudo aérea. Precisa também de corrigir aspetos a nível posicional e de ser mais concentrado a defender, pois está sempre a pensar em atacar. Ou seja, pensa mais o jogo como ala do que como lateral. É um especialista a executar lançamentos manuais longos e a sua força de braços permite-lhe colocar a bola na área a larga distância.

O Perfil do Novo Reforço Elbio Álvarez por Rui Malheiro

Jogador formado nas escolas do Peñarol, à semelhança de Juan San Martín e Jim Morrison Varela, Elbio Álvarez atingiu, desde cedo, plano de destaque nas equipas jovens dos «Carboneros», o que lhe permitiu participar, ao serviço da Selecção uruguaia, no Sul-Americano de Sub-15 de 2009. No entanto, foi em 2011 que o seu nome começou a ganhar maior projecção mediática. Primeiro, no Sul-Americano de Sub-17, ao contribuir para que o Uruguai se sagrasse vice-campeão, apesar de não ser titular indiscutível.

 

Depois, no Mundial Sub-17, onde se assumiu como a principal figura da formação «Celeste», novamente vice-campeã, o que lhe valeu a nomeação da FIFA para melhor jogador do torneio, prémio que seria ganho pelo mexicano Julio Gómez, e a alcunha de «Cristiano Ronaldo uruguaio». Esqueçam, como é óbvio, a comparação com o internacional português.

 

Quando se esperava que 2012 marcasse a sua afirmação na equipa principal do Peñarol e nos Sub-20 uruguaios, que estão, neste momento, a disputar o Sul-Americano, uma grave lesão no joelho, que obrigou a uma operação, afastou-o quase toda a época dos relvados. Se é certo que a lesão parece estar debelada, a longa paragem obrigará a que readquira a confiança, a forma e o ritmo competitivo, a que se juntará a necessária adaptação à intensidade do futebol europeu.

 

O que se viu de Elbio em 2011? Um grande talento para ser lapidado: indiscutivelmente, dos 5 jogadores uruguaios apontados ao Benfica, o de maior qualidade. Muitas vezes utilizado a partir de uma das alas, de forma a explorar os seus movimentos em diagonal, as suas características parecerem ser mais as de um «enganche» ou segundo avançado. Conjuga capacidade para assumir a condução de jogo ofensivo, tirando partido da sua qualidade técnica e visão de jogo, o que lhe permite criar desequilíbrios e realizar assistências para situações de finalização, com mobilidade e astúcia a aparecer em posições de remate, onde procura tirar partido do seu pé esquerdo. É, igualmente, um bom executante de lances de bola parada: directos ou indirectos. Ao seu jogo, faltará ainda adquirir uma maior maturidade táctica, principalmente nos momentos defensivos, apesar de se lhe denotar alguma agressividade, como também ganhar uma maior objectividade, já que, em algumas situações, tende a adornar excessivamente os lances ou a procurar a solução menos óbvia e de maior grau de dificuldade.

O Perfil de Juan San Martín por Rui Malheiro

 

No final de 2011, cinco jovens uruguaios, Gastón Silva, Gianni Rodríguez, Jim Varela, Elbio Álvarez e Juan San Martín, que acabavam de se sagrar vice-campeões mundiais de Sub-17, foram apontados como futuros reforços do Benfica, num negócio que estaria alegadamente envolvido no processo de renovação de Maxi Pereira e que reflectia a prospecção feita pelos encarnados nos grandes torneios internacionais jovens.

 

Gastón Silva, central do Defensor Sporting, Gianni Rodríguez, lateral esquerdo do Danubio, e Jim Morrison Varela, médio defensivo do Peñarol, já somaram alguns minutos pelas equipas principais dos seus clubes e estarão presentes no Sul-Americano Sub-20, competição que hoje se inicia. Já Elbio Álvarez, versátil médio ofensivo canhoto e uma das grandes figuras do Mundial Sub-17, e Juan San Martín, ambos do Peñarol, ainda não tiveram a oportunidade de se estrear pela equipa principal e ficaram de fora da lista de convocados para o Sul-Americano.

 

Juan San Martín foi, do grupo de 5 jogadores, aquele que menos se destacou na grande competição internacional, apesar de ter apontado um golo, nas meias-finais diante do Brasil (3-0), em 263 minutos de utilização. Unidade móvel de ataque, capaz de jogar a partir de um dos flancos ou como (segundo) avançado, mostrou-se particularmente talhado a explorar transições ofensivas. Destro, 1.79, tem na mobilidade, agilidade e velocidade as suas principais armas, mostrando argumentos razoáveis de ordem técnica, que deverá refinar, assim como terá que gerir melhor a sua condição e desgaste físico: luta e corre muito, por vezes até em demasia, o que faz com que raramente complete os 90 minutos. Em zona de finalização, destaca-se, principalmente, em remates cruzados com o pé direito, mas é um aspecto em que, à semelhança do que acontece no passe e nos cruzamentos, terá que tornar-se mais constante e efectivo nas decisões. Um talento interessante, com margem de progressão e que terá, certamente, o seu enquadramento na equipa B ou até, numa primeira fase, nos juniores, já que só completará 19 anos no próximo dia 20 de janeiro.

 

Por: Rui Malheiro

Twente: o relatório , por Rui Malheiro

in Futebol Mundial

 

foto © fctwente.nu

 

Campeão holandês, pela primeira vez na sua história, em 2009/10, sob o comando técnico do inglês Steve McClaren, o Twente, com o belga Michel Preud'homme como treinador, esteve muito perto de repetir o êxito no último exercício, mas uma derrota na deslocação ao terreno do Ajax (1-3) aniquilou, na derradeira jornada da competição, o sonho do bicampeonato. Um desfecho doloroso para uma época marcada pelas conquistas da Taça e da Supertaça holandesa, como também pela chegada aos quartos-de-final da Liga Europa, na sequência de um 3º lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões, onde se cruzaram com Tottenham, Inter Milão e Werder Bremen.

As saídas do técnico Michel Preud'homme, seduzido por uma proposta avultada do Al-Shabab Riyadh, e do médio Theo Janssen, «bad-boy» transformado pelo antigo guardião do Benfica em unidade nuclear dos «Tuckers» e numa das maiores figuras da Eredivisie 2010/11, não diminuíram a ambição do Twente na abordagem à nova época, onde se assume, mais uma vez, como candidato ao título. O irascível Co Adriaanse, campeão português e austríaco, foi a escolha para assumir a sucessão de Preud'homme e regressa, seis anos depois, ao seu País com o objectivo de conquistar o campeonato que lhe escapou ao serviço de Willem II, Ajax e AZ Alkmaar. Garantida a manutenção da estrutura base da temporada anterior, Adriaanse libertou alguns dos excedentários do plantel e apenas efectuou duas aquisições cirúrgicas a «custo-zero»: Willem Janssen, unidade nuclear do meio-campo do Roda, assume a complicadíssima sucessão de Theo Janssen; o veterano Tim Cornelisse, ex-Vitesse, reforça o lado direito do sector defensivo.

O início de temporada tem correspondido às elevadas expectativas em redor da equipa: 5 jogos oficiais, 4 vitórias e 1 empate, apenas 1 golo sofrido, apuramento para a eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões e um título conquistado – a Supertaça, diante do Ajax, em plena Amsterdam Arena, o mesmo local onde os «Tuckers» perderam, há três meses, o histórico bicampeonato. Em termos tácticos, Adriaanse tem mantido o 4x3x3 dinâmico utilizado por Preud'homme, muitas vezes desdobrável em 4x2x3x1, mas não se coibiu de elevar fasquias – para além das vitórias, disse que quer o Twente a jogar à Barcelona – e de, como é seu timbre, afastar do «onze» alguns titulares com Preud'homme – Rosales, Buysse ou Landzaat – e de promover à titularidade escolhas menos óbvias como os laterais Cornelisse e Tiendalli ou os jovens promissores Berghuis, Ola John e Leugers.

 

2011/12: Jogo a Jogo

 

 


Ajax 1-2 Twente

Ajax 1-2 Twente


Ao intervalo, Co Adriaanse lançou Bryan Ruiz e abdicou de Ola John. Dois minutos após o reinício, Steven Berghuis foi expulso e o Twente ficou reduzido a 10 unidades. Adriaanse, com o Twente em vantagem no marcador, não demorou a abdicar de Janko e a lançar Leugers, passando a jogar num 4x4x1, por vezes desdobrável em 4x3x2. O Ajax empataria o jogo pouco depois, mas o Twente conseguiria chegar à vitória graças a um golo de Bryan Ruiz.


Ajax 1-2 Twente

 

 


NAC Breda 0-1 Twente

NAC Breda 0-1 Twente


Como acabou:


NAC Breda 0-1 Twente

 


Twente 2-0 AZ Alkmaar

Twente 2-0 AZ Alkmaar


Como acabou:


Twente 2-0 AZ Alkmaar

 

Twente: 4x3x3/4x2x3x1

- Nikolay Mihailov, internacional búlgaro, é o titular indiscutível na baliza e atravessa um excelente momento de forma. O veteraníssimo Sander Boschker, 40 anos, grande referência do clube, é o seu suplente, enquanto que o jovem Nick Marsman é o terceiro guardião do plantel.

- Na defesa, Co Adriaanse definiu rapidamente um quarteto e não deverá promover qualquer alteração. Peter Wisgerhof, capitão de equipa, e o brasileiro Douglas formam a habitual dupla de centrais, cabendo ao sueco Rasmus Bengtsson o papel de principal alternativa. Na lateral direita, o veterano Tim Cornelisse, ex-Vitesse, conquistou o lugar a Roberto Rosales, internacional venezuelano e titular indiscutível com Preud'homme. A forte vocação ofensiva de Rosales fez com que só tenha sido utilizado por Adriaanse a médio ala direito. À esquerda, Dwight Tiendalli, um lateral direito de origem, conquistou, com alguma surpresa, a titularidade, até por se tratar de um jogador de características marcadamente defensivas e que dá muito pouca profundidade do ponto de vista ofensivo. Com isso, o belga Bart Buysse, aposta de Preud'homme na segunda metade da época passada, perdeu espaço, tratando-se, à semelhança de Rosales, de um jogador mais vocacionado para atacar do que para defender. Nicky Kuiper, internacional sub-21 holandês, parece ser, de momento, apenas a terceira opção para a posição.

- No meio-campo também não existem dúvidas: Wout Brama e Willem Janssen formam a dupla de médios centro, tratando-se, no entanto, de jogadores «box to box» e que integram frequentemente acções ofensivas, penetrando, com e sem bola, na 3ª e até na 4ª fase de construção de jogo. Por norma, Brama está obrigado a maiores labores defensivos e Janssen tem maior liberdade para atacar, mas é normal permutarem os papéis. Já Luuk de Jong, um avançado centro de origem, desempenha funções de médio mais ofensivo, usufruindo de liberdade para jogar a toda a largura do campo: não raras vezes, em momento ofensivo, aparece sobre as alas ou, dentro da área, como segundo avançado, como também, em momento defensivo, baixa para zonas próximas às de Brama e Janssen. O jovem alemão Thilo Leugers, também capaz de actuar como lateral ou ala esquerdo, surgiu, nos primeiros jogos da temporada, como principal alternativa para a zona central do terreno, mas uma lesão, que poderá ser impeditiva da sua utilização no jogo da 1ªmão, permitiu ao veterano Denny Landzaat, titular com Preud'homme e antiga unidade nuclear do AZ Alkmaar de Adriaanse, reconquistar espaço. Na defesa de um resultado, sobretudo nos últimos 20-25 minutos, o técnico do Twente tem abdicado de Janko e reforçado o sector intermediário com mais uma unidade, aproximando-se de um 4x3x3 mais clássico, fruto do avanço Luuk de Jong para o papel de referência ofensiva da equipa.

- Nas alas, a titularidade de Bryan Ruiz é uma certeza, devendo actuar a partir do flanco direito, ainda que a troca de posição entre os extremos seja frequente. Restam muitas dúvidas sobre quem será o outro extremo. O internacional belga Nacer Chadli, também capaz de actuar como médio ofensivo, seria a opção mais natural, mas lesionou-se na pré-temporada e deve falhar o duplo confronto com o Benfica. O seu substituto natural seria o internacional sueco Emir Bajrami, só que, à semelhança de Chadli, tem convivido com inúmeros problemas físicos durante esta fase inicial de época e, apesar de ter sido dado como apto, a sua utilização está em dúvida. Por isso, o canhoto Steven Berghuis, o mais utilizado até ao momento, e o destro Ola John, dois jovens de 19 anos, surgem como as principais opções para o lugar em aberto. Na frente do ataque, o internacional austríaco Marc Janko, autor de 5 golos nos 5 primeiros jogos da temporada, será o titular. Reencontra-se com Adriaanse, técnico que já o orientara no Red Bull Salzburgo, na melhor temporada da sua carreira: 39 golos em 34 jogos na Bundesliga austríaca. Luuk de Jong é a principal alternativa para a sua posição, a que se junta ainda o jovem eslovaco Andrej Rendla, utilizado durante alguns minutos na pré-eliminatória diante do Vaslui.

 


 

Chaves

1. Poder ofensivo – Equipa de forte pendor atacante, o Twente cria, com facilidade, situações de finalização, tirando partido do enorme dinamismo e da grande mobilidade dos seus jogadores, como também das rotinas já criadas. Capaz de explorar o jogo exterior, principalmente pelo flanco direito, a formação orientada por Co Adriaanse coloca, habitualmente, três jogadores na área, que procuram, na maior parte das ocasiões, finalizações em antecipação: Marc Janko, a principal referência ofensiva, tende a atacar o 1º poste, espaço para onde são direccionados a maior parte dos cruzamentos, mas de Jong – ou um dos médios centro – e o extremo do lado oposto ao que é realizado a acção ofensiva atacam o 2º poste. Existe também uma grande tendência dos alas/extremos em explorar movimentos em diagonal com bola: o canhoto Bryan Ruiz, pela sua qualidade, imprevisibilidade e sentido de baliza, é o jogador mais perigoso, sobretudo quando sai da direita para o meio.

 

2. Posse e circulação de bola – Adriaanse prometeu, no início da época, um Twente «a jogar à Barcelona». É pedir muito ao conjunto de jogadores que tem à sua disposição, mas a sua tendência para o exagero é sobejamente conhecida. Contudo, é uma equipa que se sente confortável com bola e que joga à base de passes curtos e médios a partir da 1ª fase de construção. Os centrais e os médios centrais procuram, em algumas situações, variações médias e longas em direcção às alas, que se tornam mais acutilantes entre a 2ª e a 3ª fase de construção, onde Brama, o jogador mais eficaz nesse aspecto, assume, por norma, as acções de condução e distribuição. Na 3ª fase, por exemplo, quando o adversário está bem organizado do ponto de vista defensivo, o Twente consegue ser paciente e fazer a bola circular, através de passes curtos e médios, de um flanco ao outro, à espera do momento certo para criar um desequilíbrio e chegar à área adversária. Apesar da maior tendência para sair em ataque organizado, a formação holandesa também se mostra perigosa na exploração de ataques rápidos: nesse aspecto, Bryan Ruiz é o jogador mais perigoso, muitas vezes a partir de acções individuais, mas Ola John também consegue criar problemas com a sua velocidade e poder de drible.

 

3. Capacidade de pressão e agressividade – Em casa, o Twente tende a subir as linhas e, em algumas ocasiões, coloca os seus 10 jogadores de campo no meio-campo adversário. Uma perda de bola na 3ª ou entre a 3ª e a 4ª fase de construção deixa a equipa muito exposta a transições rápidas do adversário, aspecto que é compensado com grande pressão e agressividade assim que a bola é perdida. Não raras vezes, dois jogadores caem imediatamente sobre o portador da bola e procuram dificultar a transição e efectuar a recuperação. Quando não conseguem, não hesitam em recorrer a pequenas faltas. Em vantagem no marcador ou fora de casa, a equipa tende a baixar as linhas, muitas vezes com 9 jogadores de campo atrás da linha da bola, e a efectuar uma pressão média ou média-baixa. A agressividade e intensidade na pressão, principalmente em zona central, é muito forte, tanto por parte dos defesas como dos médios, que procuram impor-se na antecipação.

 

Análise

 


Defesa

- O internacional búlgaro Nikolay Mihailov, de 23 anos, filho de Borislav Mihaylov, antigo guarda-redes do Belenenses e da Selecção AA da Bulgária, tem sido uma das figuras do início de época do Twente e as suas excelentes actuações diante de Ajax, Vaslui e AZ Alkmaar – apenas 1 golo sofrido em 4 jogos – levaram Co Adriaanse a elogiá-lo publicamente. Dono de muito bons reflexos, grande agilidade e elasticidade, mostra-se capaz de protagonizar excelentes intervenções entre postes, como também revela bons argumentos nas saídas pelo chão e aéreas, principalmente dentro da pequena área. Se é certo que, em algumas ocasiões, se mostra excessivamente confiante na abordagem aos lances, aspecto que deverá rever, sente-se extremamente confortável a jogar com os pés, o que faz com que os seus colegas de equipa o procurem muitas vezes, assumindo as saídas para ataque como se de um libero se tratasse.


- Apesar dos números aparentemente o desmentirem – 1 golo sofrido em 5 jogos oficiais em 2011/12 -, a consistência do sector defensivo está longe de ser uma das imagens de marca do Twente de Adriaanse. Os centrais são fortes fisicamente, agressivos e revelam bons argumentos no futebol aéreo, mas mostram-se algo vulneráveis em velocidade e pouco ágeis. Os laterais sentem-se muito pouco confortáveis quando as suas costas são exploradas, como também revelam uma preocupação excessiva em fechar espaços interiores – principalmente Tiendalli, um jogador rápido e ágil, mas algo lento a reagir aos lances e, por vezes, pouco concentrado –, o que os leva a descurar um pouco a defesa dos espaços exteriores, nem sempre contando com o devido apoio dos alas – Bryan Ruiz é o que confere menos apoio defensivo -, o que abre espaço a acções de combinação e de desequilíbrio dos alas e dos laterais adversários. A opção, em algumas ocasiões, por uma marcação homem a homem, leva os centrais – principalmente Douglas, mais impetuoso e pressionante - a saírem frequentemente de posição, o que abre espaços em zonas centrais. Nos jogos em casa, o Twente, enquanto não se coloca em vantagem, tende a defender muito alto, o que faz com que exista imenso espaço nas costas do sector defensivo, aspecto que deve ser explorado em transições rápidas.


- O guarda-redes e os defesas assumem, frequentemente, a saída para ataque e trocam a bola, através de passes curtos e médios, na 1ª e na 2ª fase de construção, arcando várias acções de risco. O facto de Mihaylov se assumir como um libero, faz com que seja frequentemente solicitado e os centrais, ao procurarem criar linhas de passe, abrem, muitas vezes, junto às laterais, o que deixa o Twente muito exposto, em caso de perda de bola, na sua zona central. Por isso mesmo, torna-se crucial uma pressão média-alta por parte do adversário em busca da recuperação. Douglas é o jogador que assume mais acções de risco, ainda que, em algumas situações, acabe por realizar boas acções de desequilíbrio – chega a penetrar com bola na 3ª fase de construção – e aberturas em direcção ao ataque. Já Wisgerhof é menos expansivo, optando, quase sempre, por acções de risco reduzido e passes em segurança. Os laterais Cornelisse e, principalmente, Tiendalli - muito limitado tecnicamente e com grande tendência a realizar atrasos – mostram-se falíveis quando são pressionados. No entanto, Cornelisse é capaz de realizar bons passes laterais e de penetrar, principalmente em combinações com o ala, na 3ª e 4ª fase de construção, procurando, quase sempre, cruzamentos ao 1º poste. Já Tiendalli projecta-se muito pouco do ponto de vista ofensivo e é raro vê-lo efectuar um cruzamento ou um passe lateral médio-longo.

 


Meio-Campo

- A perda de uma unidade nuclear como Theo Janssen, preponderante em lances de bola corrida e bola parada, constitui uma baixa de muito peso no meio-campo do Twente. William Janssen, o seu substituto, assumia um papel preponderante na equipa do Roda, principalmente em lances de bola corrida, mas apesar de dinâmico, não se trata de um jogador tão agressivo, intenso e decisivo. Ainda está em fase de adaptação ao seu novo clube e o seu rendimento tem crescido de jogo para jogo, conferindo equilíbrios do ponto de vista defensivo, fruto do seu sentido táctico e disponibilidade física, como também evidencia argumentos interessantes no passe – mais curto e médio – e uma óptima capacidade de desmarcação: falta-lhe, no entanto, uma maior confiança e acutilância a realizar passes de ruptura e no capítulo do remate.


- Wout Brama, jogador de uma tremenda disponibilidade física e elevada cultura táctica, não tem parado de crescer e parece claramente talhado para voos mais altos. Exímio recuperador, tanto a partir de acções de antecipação ou no desarme pelo chão, mostra também desenvoltura do ponto de vista técnico e uma boa capacidade de passe, principalmente curto e médio, o que lhe permite assumir acções de condução e distribuição de jogo, aparecendo, muitas vezes, em plena 3ª fase de construção ou a fazer a ligação entre esta e a 4ª. Assume, por isso mesmo, um papel preponderante, no jogo de posse e circulação que caracteriza o Twente, mostrando óptimos argumentos, à semelhança do que acontece com William Janssen, a abrir o jogo em direcção aos flancos.


- Luuk de Jong, um avançado-centro de origem, tem vindo a desempenhar funções de médio mais ofensivo. Jogador de enorme mobilidade e capaz de produzir desequilíbrios, está longe de cingir a sua acção ao espaço central do meio-campo e, não raras vezes, abre sobre os flancos, procurando combinar com os alas ou com os laterais. Capaz de realizar passes de ruptura, de frente ou de costas para a baliza, destaca-se também pela enorme inteligência e perspicácia a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, revelando grande sentido de oportunidade em zona de finalização: sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define e também o utiliza de fora da área - e dos seus bons argumentos no jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, não se nega a trabalhar do ponto de vista defensivo e consegue efectuar várias recuperações.

 


Ataque

- Equipa marcadamente ofensiva, o Twente apresenta um sector ofensivo muito dinâmico e já com bastantes automatismos, o que lhe permite criar, com grande facilidade, situações de finalização. As trocas entre os extremos são frequentes, como também a exploração dos seus movimentos em diagonal: Bryan Ruiz é, de longe, o jogador mais forte e acutilante nesse aspecto, principalmente quando actua a partir do flanco direito, não só pelos desequilíbrios que consegue provocar, ao conciliar velocidade, poder de aceleração e agilidade a capacidade de drible, mas também pelo seu sentido de baliza e facilidade de remate com o pé esquerdo: à entrada da área ou já dentro desta. O destro Ola John, quando actua sobre a esquerda, e o canhoto Steven Berghuis, quando actua sobre a direita, também procuram, diversas vezes, esse tipo de movimento, mas falta-lhes uma maior capacidade de definição. No entanto, Ola John é um jogador que promove grande agitação no jogo, fruto da sua velocidade, poder de aceleração e capacidade de drible, ainda que a sua tendência para individualizar de forma excessiva as acções o leve a perder objectividade. Já o canhoto Bajrami, por actuar, quase sempre, sobre a esquerda, tende a procurar a linha de fundo e os cruzamentos para a área, a maior parte deles direccionados ao primeiro poste.


- O maior envolvimento ofensivo do lateral direito Cornelisse em relação a Tiendalli, lateral esquerdo que raramente penetra na 4ª fase de construção de jogo, faz com que a equipa privilegie os ataques pelo flanco direito. Cornelisse, lateral que tende a cruzar ao primeiro poste, conquista, algumas vezes, a linha de fundo, a partir de combinações com o ala – beneficiando também do facto de Adriaanse optar, quase sempre, por extremos canhotos à direita (Ruiz ou Berghuis), o que os leva a procurar movimentos em diagonal – ou com de Jong. A falta de apoio ofensivo de Tiendalli faz com que os ataques pela esquerda dependam muito da capacidade de condução e de promover desequilíbrios dos ala/extremos: Ruiz, Berghuis, Bajrami e John já foram utilizados nessa posição em 2011/12.


- Marc Janko é a principal referência ofensiva do Twente e atravessa um excelente momento de forma, bem atestado nos 5 golos em 5 jogos oficiais. Forte fisicamente, sem perder mobilidade e perspicácia a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora de jogo, mostra-se particularmente astuto a atacar o 1º poste em lances de bola corrida, procurando antecipar-se aos defesas adversários. Define, preferencialmente, com o pé esquerdo ou através do jogo aéreo. Adriaanse, no entanto, não se limita a colocar o seu avançado referência na área: De Jong – ou um dos médios centro – e o extremo do lado oposto ao que é realizado a acção ofensiva atacam, muitas vezes, o 2º poste.

 


Banco

- Quando pretende segurar um resultado, Co Adriaanse, nos últimos 20-25 minutos, abdica do avançado centro Marc Janko e lança mais um médio (face à lesão de Leugers, o veterano Denny Landzaat passou a ser a principal opção), aproximando-se de um 4x3x3 clássico, já que Luuk de Jong avança no terreno e passa a ser a principal referência ofensiva da equipa. Landzaat, com a sua experiência, oferece o seu sentido posicional e capacidade de trabalho a nível defensivo, mas destaca-se sobretudo pela visão de jogo e argumentos no passe – não só curto e médio, mas também longo –, como também pelo seu forte remate com o pé direito. Leugers, por sua vez, é um jogador canhoto, com argumentos interessantes do ponto de vista defensivo, ao combinar sentido táctico a um bom poder de antecipação, mas também capaz de se desdobrar do ponto de vista ofensivo, tirando partido da sua velocidade e disponibilidade física, a que junta atributos muito razoáveis no passe e algum sentido de baliza.


- Como nunca esteve em desvantagem no marcador em 2011/12, Co Adriaanse ainda não se viu na necessidade de fazer alterações para tentar dar a volta a um resultado. No entanto, não será de estranhar a adopção de um 4x2x4. E nem precisará de recorrer ao banco dos suplentes: poderá avançar de Jong para o lado de Marc Janko. Outra opção poderá ser o 3x3x4, abdicando de uma das unidades do sector defensivo.


- Co Adriaanse tem substituído, na maior parte dos jogos, os dois alas/extremos no decurso das segundas partes, procurando manter sempre uma intensidade alta sobre os flancos. Conta com várias soluções para a posição: se Bryan Ruiz é, à partida, titular indiscutível, Bajrami, Berghuis e John disputam o outro lugar nas alas. Os dois jogadores que não forem titulares serão, juntamente com Rosales, lateral ou ala direito, opções a serem lançadas no decurso da etapa complementar. Caso recupere, o que não se afigura fácil, o internacional belga Nacer Chadli, titular em 2010/11, poderá ser mais uma opção para o jogo da segunda mão. É um desequilibrador, ao aliar velocidade e agilidade a um bom poder de drible, características a que junta ainda capacidade de remate com o pé direito e no capítulo das assistências para situações de finalização.

 


Bolas Paradas

- A saída de Theo Janssen para o Ajax fez com que o Twente perdesse o seu maior especialista na execução de lances de bola parada: directos ou indirectos. O aproveitamento dos livres directos tem sido muito baixo e Adriaanse ainda não encontrou o sucessor de Janssen: Bajrami e Berghuis, dois canhotos, e Landzaat, destro, foram as soluções testadas. Janko é o marcador de grandes penalidades, mas Landzaat, Bryan Ruiz e de Jong são outras opções às quais Adriaanse pode recorrer.


- Já a nível dos livres laterais e pontapés de canto, os «Tuckers» revelam-se extremamente perigosos, tirando partido da subida dos dois centrais - Wisgerhof e Douglas, que atacam um dos postes (Wisgerhof, preferencialmente, o primeiro, e Douglas, o segundo), mas também da presença de de Jong e Janko, entre o centro e um dos postes. Os cantos e livres laterais à direita são batidos, normalmente, por Berghuis, surgindo Bryan Ruiz como segunda opção: ambos procuram, quase sempre, o primeiro poste. À esquerda, Adriaanse já testou 4 jogadores: Janssen - direcciona ao 1º poste - e John - direcciona ao 2º poste -, dois destros, têm sido as opções mais habituais, mas Cornelisse e Brama também já foram chamados a executá-los. Em algumas situações, os cantos são batidos à maneira curta, procurando uma tabela 2x1 com um dos extremos, que sai do 1º poste e devolve o passe para depois ser executado um cruzamento tenso para a área. Brama e Janssen (ou Ruiz) costumam posicionar-se à entrada da área para um eventual remate de ressaca.


- Nas bolas paradas defensivas, o Twente tende a defender com 8 jogadores de campo dentro da área, assumindo, por norma, uma marcação mista zona/homem a homem. Apesar da elevada estatura de vários jogadores, reforçada pela presença de de Jong e Janko, por vezes são surpreendidos por acções de antecipação aérea dos jogadores adversários, aspecto que poderá ser explorado.