Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Tetra Campeões

Red Pass

Tetra Campeões

Benfica 2 - 0 Vitória de Setúbal: Os Mistérios do Futebol Português num Apuramento Lógico

_JPT7106.jpg

 Vou começar pelos pormenores que ninguém quer saber. Um jogo da Taça de Portugal no Estádio da Luz, o primeiro desta temporada. Ora, diz a regra, bem velhinha, que nesta competição em caso de semelhança nas cores dos equipamentos a equipa da casa muda o equipamento. Passei a minha vida toda a ver jogos entre Benfica e Vitória F.C. tanto no Bonfim como na Luz com os clubes a usarem as suas cores de equipamento normais. Aliás, em 2005 no Jamor o Vitória bateu o Benfica com as suas camisolas verde e brancas às riscas verticais.

Pois bem, expliquem-me lá qual é a necessidade de usar o equipamento alternativo. E se havia essa necessidade porque é que não foi a equipa da casa a mudar?

O mais engraçado é que com tanta preocupação em alterar as cores tradicionais, a equipa sadina conseguiu ir a jogo com um guarda redes equipado com cores que se confundiam com as camisolas do Benfica. Dizem-me que na televisão ainda era mais evidente do que no estádio. Tanto assim foi que Cristiano na 2ª parte aparece equipado de... amarelo!

Eu sei que sou um chato do caraças com estes pormenores, mas também gostava de saber o que aconteceu às quinas de campeão nacional nas mangas das camisolas do clube campeão? Não era costume na Taça de Portugal o "ovo" da Liga desaparecer para dar lugar às quinas de campeão numa manga? Agora, só vejo lá outro "ovo", o da Taça de Portugal, presumo que seja devido ao Benfica ser o actual vencedor do troféu.

Mistérios do futebol português que não interessam a ninguém mas que eu gostava muito de saber as respostas.

 

 

 

Para entrarmos no jogo mais uma curiosidade, o Vitória F.C. de José Couceiro não perdeu a oportunidade de trocar o campo obrigando o Benfica a jogar para sul na primeira parte. Fica registado.

 

Depois de uma paragem para as selecções definirem as suas posições no próximo mundial, a competição regressou a Portugal. A 4ª eliminatória da Taça de Portugal, 2ª para estas duas equipas, foi disputada na Luz e resultou no apuramento do Benfica para a próxima ronda.

Curiosamente, foi a Taça de Portugal a abrir um novo ciclo positivo para o Benfica nas competições internas. Desde o desafio no Algarve com o Olhanense que a equipa de Rui Vitória só soma triunfos. Foi ao norte bater o Aves e o Vitória de Guimarães, ganhou ao Feirense em casa e agora confirmou o ciclo positivo com mais uma vitória. O próximo desafio interno é uma repetição do encontro de hoje mas a contar para o campeonato e será bem diferente do que vimos hoje.

 

O Benfica apresentou duas ideias fortes para esta partida, a manutenção na aposta do 4-3-3 que deu bons sinais em Guimarães e uma janela de oportunidade para vários jogadores menos utilizados. Ao que se acrescenta mais uma estreia de um miúdo trabalhado no Seixal, o norte americano Keaton Parks que até fica bem ligado ao jogo por acção sua no 2º golo da equipa.

 

Portanto, o desenho táctico manteve-se, as individualidades mudaram. Varela regressou à baliza, curiosamente bem menos ansioso do que no começo da época, Douglas na direita, Grimaldo na esquerda, Luisão e Jardel no meio, isto na defesa.

No meio campo, Samaris, Pizzi e Krovinovic, nas alas Cervi e Rafa, na frente Jonas.

O Benfica venceu o jogo mas voltou a demonstrar uma atracção pelo perigo algo incompreensível, isto porque chega ao 1-0 de maneira natural. Após muita posse de bola, vários ataques, pressão alta, velocidade e oportunidades de perigo até chegar o golo. Um original canto batido por Pizzi com a bola rasteira que vai até Cervi, o argentino agradece e remata convictamente para golo.

Antes de Pizzi bater o canto, o capitão do Vitória, Nuno Pinto, não tirou uma bola do relvado que estava ao seu lado a atrasar a continuação do jogo. Irritou Pizzi e a bancada. Acabou por sofrer golo. O futebol por vezes bate tão certo.

Depois de conseguida a vantagem a equipa caiu na tal tentação de recuar, ceder a posse de bola e voltar a procurar o segundo golo. É estranho e tem acontecido regularmente esta época.

 

A tendência manteve-se na 2ª parte e só com as entradas de André Almeida, Raul e Keaton é que se sentiu sangue novo na equipa. Estar a vencer por 1-0 é sempre intranquilo e se pensarmos que nos últimos três encontros com o Vitória de Setúbal o Benfica só venceu um que acabou com um grande susto que podia ter dado um dramático 2-2, temos o cenário que justifica os nervos vividos nas bancadas da Luz.

Por falar em bancadas, nem 30 mil benfiquistas acharam que este cartaz, um duelo entre clubes que já venceram Taças de Portugal e Taças da Liga, com bilhetes a preços reduzidos, era digno da sua presença. Os outros aguardam confortavelmente pelo Jamor.

 

É verdade que a vantagem era mínima mas também não se pode dizer que o Vitória tenha estado muitas vezes perto do empate. Varela respondeu muito bem a uma oportunidade que podia ter dado o empate com uma finalização de um jogador do Vitória em flagrante fora de jogo. Depois veio o lance que os entendidos vão falar para sempre e até, quem sabe, fazer livros. João Amaral isolado tenta meter a bola entre as pernas de Varela, só que este consegue parar o remate fazendo a bola ressaltar para as suas costas onde já estava Jardel a aliviar. Enquanto se virava para chegar à bola envolveu-se com o jogador sadino que caiu. João Capela podia ter apitado penalti mas interpretou que Jardel já tinha resolvido o lance antes. Foi isto que vi.

 

Para acabar com as dúvidas, Krovinovic fez o 2-0 que arrumou a questão e apurou a equipa para os 1/16 de final da Taça de Portugal.

Uma vitória lógica e natural, um ciclo de vitórias a nível interno muito interessante, um sistema táctico que parece que veio para ficar, algumas oportunidades agarradas, outras nem tanto e uma exibição que não deslumbrou mas suficiente para garantir o objectivo da noite.

Segue-se a Europa.

Futebol com Talento para o... Desprezo Total.

aves.jpg

 Lembram-se do caso da conferência de imprensa do Rio Ave para um jornalista? Falei disso aqui:

O Que Estão a Fazer ao Futebol Português?

 

Pois bem, hoje foi a vez de Lito Vidigal cancelar a conferência de imprensa que antecedia o jogo com o Vitória FC porque apenas compareceu a Rádio Santo Tirso!

Isto duas semanas depois de sala cheia antes da recepção ao Benfica.

Ninguém quer saber do jogo, ninguém quer saber do encontro entre o Vitória de Setúbal e o Desportivo das Aves. Um jogo da Liga do futebol com talento. Uma partida no país do campeão europeu de futebol. O presidente da FPF terá alguma coisa a dizer sobre este desprezo pelo futebol ou só está preocupado em cursos para dirigentes?

E a culpa desta ausência de interesse por jogos da Liga é dos grupos organizados adeptos e das claques legalizadas? Os programas de televisão que poluem horas e horas o futebol português nada comentam sobre esta autentica anormalidade digna de um país culturalmente e desportivamente de terceiro mundo?

O futebol em Portugal é um circo à volta de três clubes, dois deles juntaram-se contra o que tem ganho mais e o resto é deserto como dizia o outro.

Alguém se vai preocupar com isto? Liga? FPF? Imprensa?

Claro que não.

Vergonhoso mas previsível. Ninguém gosta de futebol em Portugal. Tirando meia dúzia de "malucos" que ainda se indignam com isto. A minha indignação fica aqui testemunhada, tal como fiz quando aconteceu em Vila do Conde.

O Que Estão a Fazer ao Futebol Português?

ra1.jpg

 A primeira pergunta é: o que significa esta imagem de um espaço vazio apenas com um jornalista sentado?

O director de comunicação do Rio Ave, Marco Carvalho, explica:

ra2.jpg

 

A indignação de um clube profissional da primeira divisão do futebol nacional é legítima. Isto acontece numa prova organizada pela Liga de Clubes. O mesmo organismo que há uns tempos, pela voz do seu presidente, prometeu aproximar o futebol profissional dos adeptos chamando mais pessoas para os estádios, e até famílias, com preços mais adequados e, principalmente, com uma organização do calendário de jogos com datas e horas divulgadas com uma digna antecedência que permitisse os adeptos orientarem as suas vidas no sentido de poderem ir ver as partidas dos seus clubes.

Como bem sabemos, as promessas não passaram disso mesmo, promessas. Já estamos em Setembro e a única jornada que tem datas e horas publicadas é a... próxima. E mesmo assim, foram divulgadas há poucos dias.

A verdade é que nos últimos anos o futebol português quase que só se resume a um clima de ódio total contra o clube que tem ganho os campeonatos. Como falamos das últimas quatro temporadas, só sobram representantes de dois clubes para semearem esse ódio profundo, os rivais do Tetra Campeão.

Surpreendentemente, esse clima de ódio tem sido muito bem aceite por toda a comunicação social que abriu todos os seus espaços na televisão, rádio e jornais a comentadores, directores de comunicação e dirigentes para que possam espalhar a espuma da sua raiva, das suas teorias, das suas conspirações, dos seus insultos, das suas suspeições e de todo o seu ódio.

Os anos vão passando e cada vez menos se fala de futebol, cada vez menos há espaço para o futebol e o palco principal passou a ser de incendiários.

Isto traz consequências mesmo que ninguém queira saber e todos limpem as mãos.

Basta ir ver jogos do Benfica fora da Luz para se sentir o ódio cada vez mais cego e assustador com que equipa e adeptos são recebidos. Ironicamente, os mesmos adeptos que vão enchendo os pobres cofres de todos os clubes portugueses. É isto, o único clube que movimenta multidões a sério, o único clube que enche todos os estádios deste país é alvo de ódio, inveja e raiva doentia.

Mas estas são as nossas dores, dos benfiquistas, e lidamos bem com elas.

O problema começa a espalhar-se por todo o futebol.

Podem dizer que esta situação absurda de Vila do Conde não está ligada a tudo isto que expliquei. Continuem a assobiar para o lado.

A verdade é só esta, na véspera de um jogo oficial para a Taça CTT apareceu no estádio do Rio Ave UM jornalista para a conferência de imprensa. UM!

Tivesse sido anunciado para o mesmo local à mesma hora uma declaração pública de um saraiva ou jota da vida e iam ver quantos jornalistas iam a correr para aquelas cadeiras.

É isto o #futebolcomtalento.

 

Acabou a Pré Época. Rumo ao Penta Inspirados no Livro do Tetra!

livro4.jpg

  Finalmente, chegou ao fim a pré época. A partir de agora entramos em Agosto e já só pensamos em voltar a erguer um troféu, o jogo com a Supertaça de sábado marca o arranque da temporada 2017/18.

Altura ideal para recordarmos como foi duro o caminho que nos levou ao Tetra. Lembrar que há um ano se esperava pelos homens que iam fazer esquecer Renato Sanches e Nico Gaitán. Parecia impossível. Acabámos campeões.

Lutámos muito, passámos muito durante 10 meses, entre Agosto de 2016 e Maio de 2017. Neste espaço ficou tudo documentado, mais de meia centena de jogos, quatro competições diferentes, jogos na Luz, no resto de Portugal e até uma inesquecível viagem a Dortmund. Tudo ficou aqui guardado no arquivo.

 

Agora, com o propósito de nos focarmos, aproveitando o tempo de verão e de férias, para muitos, resolvi desafiar a Amazon a publicar um livro com a compilação de todas crónicas da época 2016/17. Uma época épica merece ser documentada. Voltar a ler os textos, mês a mês, jogo a jogo, faz-nos voltar a lembrar o quão duro é o caminho até sermos felizes em Maio.

Assim, deixo a minha modesta sugestão e humilde contributo para motivar, ainda mais, este arranque de nova temporada.

 

Basta irem ao site Amazon.com escolherem o livro O Caminho Para o Tetra: 10 meses do Tri ao Tetra e descarregarem para os vossos smartphones ou tablets. Só precisam de ter a app Kindle devidamente instalada para começarem a leitura. Tem o preço simbólico de 3€ e há a hipótese da Amazon partir para uma edição tradicional em papel em breve.

Se resolverem comprar não se esqueçam de deixar uma breve critica no site da Amazon. É importante para quem está envolvido neste processo.

Rumo ao Penta!

Um Ano Depois, o Que Mudou?

545972590.jpg

Faz um ano que escrevi este balanço do Portugal campeão europeu de futebol. Desde aí, muita coisa mudou no futebol nacional. A Selecção arranjou uma claque oficial legalizada, inspirada por uma santa aliança em que os Saraivas deram lugar aos Baluartes para uma nova colecção de Truques. O Porto passou a ser o campeão dos hackers informáticos e da caça aos bruxos, o Sporting venceu brilhantemente vários campeonatos nacionais. Só no verão passado passaram a ter 22 ligas conquistas de forma nobre.

Um ano depois, só o Benfica continua em crise.

O dia inesquecível, e único, faz hoje um ano:

 

Portugal 1 - 0 França, Visto por João Gonçalves

 

Chego a estas linhas após um longo caminho que começou há mais de três décadas quando percebi o quanto gostava de futebol. Há três caminhos possíveis para se viver com paixão o futebol. O óbvio, que é começar a gostar tanto de um clube que o acabamos por seguir e defender até ao fim do mundo. O geral, que é perceber que se gosta tanto do jogo que a dedicação a ele vai muito além da paixão clubística. E o patriótico, naturalmente se gostamos de futebol queremos que o nosso país seja o melhor neste desporto.

O caminho clubístico foi interiorizado muito cedo e nem merece discussão.

O caminho de gostar do jogo em geral veio logo a seguir quando senti que os jogos de uma só equipa não satisfaziam o meu gozo de ver futebol. Veio o Mundial 1982 e tudo mudou, percebi que se podia vibrar com um emblema de forma incondicional mas também se podia ver futebol com prazer.
O caminho patriótico foi o mais complicado de sentir, explicar e viver até hoje. E é sobre esse que vou falar neste espaço dedicado à final do Euro 2016, o tal onde vim parar por paixão ao jogo e pela necessidade de me juntar com amigos, até de outros clubes, que vivam estas fases finais com o mesmo entusiasmo que eu.

 

Já o meu clube ganhava campeonatos e jogava finais europeias quando me encantei pela primeira vez pela Selecção portuguesa. Foi no verão de 1984, finalmente podia ver jogos com o prazer supremo da descoberta que já vinha do Mundial dois anos antes e, ao mesmo tempo, ter uma equipa com quem sofrer e torcer. Quando perdemos com a França fiquei de rastos. Por um lado não tinha noção do valor dos gauleses, só mais tarde percebi que era uma grande equipa, por outro lado começava a desconfiar que o futebol bonito não vencia taças, ainda não tinha recuperado da queda do Brasil'82. Mas o pior foi ouvir os comentários dos mais velhos a dizer que nunca iríamos fazer melhor do que aquilo. Nem o Eusébio em 1966 tinha conseguido melhor que um 3º lugar no Mundial, portanto...

Ou seja, cresci com a barreira invisível de nunca poder ver o meu país fazer melhor do que deixou feito num Mundial em que eu ainda nem era nascido. Interessei-me, li sobre a epopeia dos Magriços, vi as imagens icónicas do Rei a chorar. Portugal era aquilo. Fomos longe mas não nos deixaram fazer mais. Nem o Eusébio foi capaz. Era este o mote para a minha vida de adepto da Selecção.

 

Claro que a minha geração recusou acreditar nesta fatalidade e entre nós dizíamos que íamos ver mais e melhor. Estivemos em França em 84 graças a um milagre duplo, Chalana cavou um penalti e Jordão bateu o monstruoso Dasayev. Estava no 3º anel com os meus amigos de vários clubes da minha rua. Vibrámos e festejámos tão intensamente esse apuramento como o seguinte para o México. Outro milagre, Carlos Manuel do meio do campo manda uma bomba que "Toni" Schumacher, outro guardião monstruoso, não segurou. Portugal batia a RFA em Estugarda, coisa inédita! Crescia entre nós, putos, a convicção que íamos celebrar grandes feitos da nossa Selecção. O entusiasmo durou até ao final do jogo com a Inglaterra, vitória épica por 1-0. Olhava para os mais veteranos com o orgulho de dizer aos 13 anos que a tal derrota em Wembley estava agora vingada, tínhamos caminho livre para o sonho que José Torres alimentou. Acabámos atraiçoados com o que se passou a seguir. Derrota com a Polónia e humilhação com Marrocos. Que facada, Saltillo!

Ficámos sozinhos na dor já que as gerações mais velhas encolhiam os ombros e pareciam pouco surpreendidas com tamanha vergonha. Se calhar 1966 era mesmo irrepetível.
Atraiçoados mas não convencidos, continuámos a acreditar que Portugal ia dar a volta e apresentar uma Selecção à medida da nossa paixão e ambição. Mesmo sabendo que íamos para um apuramento para o Euro da Alemanha em 1988 com uma equipa de segunda escolhida por um advogado(!), lá fomos para o Jamor ver o empate com a Suécia e a derrota com a Itália. O jogo com Malta foi marcado para o Funchal e acabou num embaraçoso empate 2-2. Falhámos a presença no Euro 1988 e o nosso orgulho estava cada vez mais ferido. Já não havia como gostar e vibrar com a nossa Selecção, tiraram-nos todos os argumentos.

 

É aqui que a minha geração fica com uma cicatriz difícil de sarar, olhamos sempre desconfiados para a Selecção depois de tantas esperanças nela depositadas. Como a paixão pelo jogo se mantinha intacta, é por estas alturas que somos obrigados a eleger selecções alheias para dar mais emoção ao acompanhamento de fases finais que Portugal teimava em ficar de fora. Uns torciam pelo rigor italiano visto em 1982, outros ficaram para sempre encantados pela canarinha de 82, muitos ainda hoje torcem pela Argentina de D10S Maradona e há quem goste da Alemanha. Eu, neste caso.

Foi no Euro'88 que um amigo da minha mãe a viver em Hamburgo ao saber da minha dedicação ao futebol ofereceu-me aquela camisola da RFA com listas frontais com as cores da bandeira. Foi antes do torneio e fiquei fascinado com o futebol alemão desde aí. Tão simples como isto, passei a ter uma equipa pela qual torcia nas fases finais de Euros e Mundiais. Eu fiquei com a Alemanha, os meus amigos e vizinhos torciam por outras equipas. Sem problema nenhum, sem ninguém nos apontar o dedo acusador de traição. Foi adopção por ausência própria.

 

Euro 1988, Mundial 1990, Euro 1992, Mundial 1994, tudo torneios onde Portugal não entrou. Cheguei aos meus vinte anos, já adulto trabalhador sem esperar absolutamente nada de Portugal. Foi assim que cresci, foi este contexto que me apresentaram. E o fantasma de 1966 cada vez maior e mais pesado.

 

No entanto, houve uma esperança muito importante que nos voltou a dar algum alento. Ainda em 1989 quando os juniores se sagram campeões do Mundo em Riade, com direito a dispensa das aulas para ir ver a final, voltou o direito ao sonho. Direito esse que foi reforçado dois anos depois na Luz com renovação do título mundial na Luz contra o Brasil. EM 1991 fui ver os jogos todos de Portugal na Luz e vivi, ainda com os amigos de infância, toda a aventura rumo ao título mundial. A final na Luz foi dos ambientes mais impressionantes e loucos que presenciei na minha vida. A chama voltava a estar acesa. Mas foi preciso esperar por 1996 para voltarmos a vibrar com Portugal.

Novamente em Inglaterra caímos no antepenúltimo jogo antes do sonho. O fantasma de 1966 estava maior que nunca.

Para piorar o cenário, voltámos a falhar uma presença num Mundial em 1998. Era o regresso a França. Nova facada.

O triste fado parecia não ter fim, as fases finais eram vividas com picardias em base de apoios em países emprestados, não era a mesma coisa que torcer pelo nosso país. Foram muitos anos nisto.

Até que em 2000 tudo mudo. Portugal passou a ser presença habitual nas fases finais. Também porque os formatos de Europeus e Mundiais foram evoluindo no sentido de se alargarem e receberem muito mais equipas de acordo com o desenvolvimento europeu e mundial. Passou a ser mais acessível e Portugal aproveitou para se fixar entre os grandes.

 

O Europeu de 2000 devolveu a felicidade juvenil de vestir a camisola das quinas, juntar os amigos e voltar a sonhar. Um trajecto orgulhoso que nos levou ao penúltimo jogo. Caímos contra os franceses. Lá vinha o fantasma.

O entusiasmo voltou e carregou a equipa nacional para o apuramento para o primeiro Mundial asiático. Depois de tão boa prestação na Bélgica e Holanda a esperança era enorme. Voltámos a ser atraiçoados por uma comitiva que ficou mais conhecida por episódios pouco dignos em Macau do que pelo futebol que não apresentou perante Estados Unidos da América e Coreia do Sul. Voltávamos aos tempos humilhantes.

 

E, 2004 o ponto alto de toda uma vida a acompanhar a Selecção. Finalmente, tinha chegado o nosso momento. Íamos mostrar ao mundo que podemos ir mais longe que os Magriços e ganhar uma prova importante. Acabou numa tragédia grega. Nunca sofri tanto com uma derrota de Portugal como em 2004. Meto a final perdida no meu Top10 de momentos angustiantes vividos no futebol.

 

Mesmo assim, voltei a acreditar no Mundial da Alemanha, as bases estavam lançadas e não havia Grécia pela frente. Eliminados pela Alemanha, não era uma surpresa, só mais uma desilusão anunciada. E tal como em 1988 a "minha" Alemanha também não venceu em casa, desilusão a dobrar.

 

O tempo passava e o respeito pela Federação Portuguesa de Futebol era cada vez menos existente a nível pessoal. Deixei de acreditar. Quando vi Carlos Queirós de regresso torci o nariz. Queria uma boa prestação no primeiro Mundial africano de 2010 mas não acreditava. Já nem senti grande dor quando caímos frente aos espanhóis.

No Euro 2012 voltámos a sair por causa da Espanha, desta vez nos penaltis e com Paulo Bento a não entusiasmar. Mais uma desilusão nas meias finais. Já não tinha dúvidas, não nasci para ver Portugal ser feliz. Lá está, isto nem com o Eusébio fomos lá...

 

Chegava o Mundial do Brasil e, apesar, de continuarmos sem ganhar nada, tínhamos feito progressos, jogámos uma final, andámos em meias finais, já não éramos o país que nem ia às fases finais, estávamos mais perto de ganhar.

A esperança numa boa campanha no Brasil em 2014 era legitima. Como sempre, o nosso entusiasmo voltou a ser traído por uma presença humilhante em que não passámos a fase de grupos! Passei a vida nisto, dar um passo para a frente para depois dar dois para trás.

 

Passei a ver os jogos da Selecção com aquela indiferença de quem não acredita nada nisto mas se correr bem fico contente. Reparem, desde 1984 À espera de algo maior, desde 1991 à espera de ver a nossa qualidade provada com um troféu nos seniores.

 

Nos tempos mais recentes senti uma enorme melhoria na FPF. Mudança de atitude, mudança de mentalidade, sangue novo, ambição e muito trabalho à mostra. Falo com conhecimento de causa, conheço duas pessoas que entraram para a organização e que me devolveram a esperança de ver a Federação de futebol do meu país a ir de encontro às minhas expectativas.

Os resultados estavam à vista antes deste europeu, a Taça de Portugal foi revista, aumentada e muito melhorada. Um excelente trabalho que merece todos os elogios, embora achemos sempre que se pode melhorar ainda mais. Mas é um facto que a competição deu um grande salto qualitativo.

Depois, o meu projecto favorito, a renovação da 3ª divisão do futebol nacional. Um patrocinador capaz de impulsionar um campeonato com forte componente regional, jogos em directo num canal por cabo, grande visibilidade de um torneio que tem tudo para ser acarinhado por todos.

Também uma revista que dá eco de todas estas melhorias, enfim, senti que se deu um salto qualitativo e ambicioso na FPF. Depois a estreia da casa das Selecções, algo que ouvia falar desde miúdo, a aposta no futsal e, especialmente, no futebol feminino. Uma modernização que passa pela presença inteligente nas redes sociais e a aposta num treinador que passou pelos três clubes de futebol com mais adeptos no nosso país.

 

Fernando Santos apanhou uma Selecção deixada em cacos por Paulo Bento. Trouxe pragmatismo e realidade, que ele tanto usa nas suas palestras, à equipa. O Engenheiro veio provar o que eu já desconfiava há uns tempos, é muito melhor seleccionador do que treinador. Parecendo que é a mesma coisa, não é. Santos trouxe um ambiente de paz, chamou jogadores afastados por outros guerras, motivou os mais novos, confiou nos melhores e tentou fugir à inevitável pressão externa de agentes ligados ao futebol. Ganhou o respeito de todos e até a simpatia de quem não tinha saudades dele pelas passagens nos clubes. Recuperou a equipa na fase de apuramento que parecia perdida e qualificou directamente Portugal.

Soube fazer crescer a onda de entusiasmo. Tudo na FPF foi em crescendo nos últimos meses.

 

Eu e a minha geração sorrimos, ao menos voltámos a ter alguém que quer nos dar novamente o direito a sonhar. Mesmo que não tenhamos acreditado em nenhum momento que ia ser desta que ia acontecer magia.

 

O Euro em França começou, eu juntei amigos que adoram futebol e fizemos este espaço porque gostamos de escrever sobre a competição e tudo o que engloba todas as equipas e todos os jogadores. Temos uma paixão pelo jogo que vai muito além da confiança na Selecção, que era cerca de zero da minha parte.

Além da curiosidade sobre Portugal, lá vinham as picardias com amigos que torcem pela Itália ou Inglaterra e que não gostam que a Alemanha ganhe. Portugal faz uma fase de grupos ridícula e apura-se em 3º. É a antítese de tudo o que conheci no futebol até agora. Em 1984 eram 8 equipas a disputar o Euro, hoje uma equipa que empata todos os jogos segue em frente.

Nos jogos a eliminar já a conversa era outra. Já que ali estamos não quero ver Portugal perder mas a confiança continua a ser zero. Gostei do golo do Quaresma à Croácia. Já sofri qualquer coisa com os penaltis contra a Polónia. Tinha a certeza que íamos ganhar ao País de Gales. Mas tinha a mesma certeza que não ia servir de nada porque na final vinha um papão daqueles que nunca dobrámos nas fases finais.

Mas estar na final já era um grande feito. Fruto de uma incrível onda de sorte que nos meteu a jogar com os adversários mais acessíveis possíveis. E é aqui que comecei a desconfiar que o fado podia mudar. O Fernando Santos sempre foi um homem com ar de perdedor, era aquele treinador que num jogo com o Boavista na Luz viu a sua equipa acertar no poste vezes sem conta, por exemplo. Mas as vitórias da fase de apuramento, o golo da Islândia fora de horas da fase grupos, a sorte do jogo com a Croácia, tudo indicava que a sorte só queria o Engenheiro como Seleccionador de Portugal para o premiar.

 

O jogo com a França foi o único que vi no meio da multidão, no Terreiro do Paço em frente a um écran gigante. Estive mais de 100 minutos em crescendo. Fui da fase de acreditar zero à euforia do festejo. Mas passei pela motivação comovente dada por um grupo de jovens turistas estrangeiros que sofriam mais com o jogo do que eu. Gritavam por Portugal com convicção. Acabei completamente envolvido no jogo quando percebi que atrás de mim estava um grupo de franceses cheios de soberba à espera do seu golo para nos humilhar. Riram-se na bola à trave do Raphael e das imagens de Ronaldo a sofrer no banco. Eu sorri quando vi a bola de Gignac a bater no poste. Pensei mesmo, ora aqui está! Isto com Fernando Santos treinador era o golo da ordem no final dramático. Com Fernando Santos seleccionador vai tão acontecer epicismo.

Foi o que aconteceu naquele golo surreal de ... Éder! Andei 32 anos a conviver com esta estranha ligação à nossa Selecção para tudo ser resolvido com um golo do... Éder? Um pontapé em corrida sem olhar para a baliza matou os franceses. Finalmente, fui feliz com as cores do meu país no final de um jogo decisivo. Graças ao Éder e com o Fernando Santos a treinar. O futebol é mesmo algo de maravilhoso.

 

Sei que não mereci tamanha alegria de ver Portugal campeão da Europa, sei que o futebol tem sido mesmo muito generoso para com a minha paixão e toda a minha dedicação ao jogo mas não me esqueço que nas inúmeras caminhadas infelizes de Portugal ao longo destas décadas estive muitas vezes a torcer por dentro. Lembro também que no outro caminho paralelo de viver o futebol com dedicação a um clube passei mais de uma década de amargas tardes e noites e mesmo assim nunca desisti, nunca virei costas ao meu clube. Reforcei anualmente a minha paixão ao clube, ao futebol e de dois em dois anos às fases finais de grandes torneios internacionais que continuam a deliciar-me como no primeiro momento em 1982. Acabou-se o fantasma de 1966 e eu vivi o suficiente para testemunhar isso. Estou grato.

 

Viva Portugal

Viva o futebol.

Convide-se o Hajduk Split para a Eusébio Cup

eusebio cup.png

A CBF arranjou maneira de anular o encontro inédito entre o Benfica e a Chapecoense que iria marcar a Eusébio Cup 2017. O assunto ainda vai alimentar muita polémica no Brasil, os observadores brasileiros apontam o dedo à CBF dizendo que se o convite tivesse sido endereçado aos clubes mais poderosos a Confederação não iria actuar desta maneira. Isto faz-nos lembrar que o São Paulo já foi um dos convidados deste troféu e compareceu a meio do Brasileirão. Fica a curiosidade de ver se a Chapecoense também vai faltar ao torneio Juan Gamper em Camp Nou com o Barcelona.

Entretanto, o Benfica tem que arranjar um novo adversário e, humildemente, deixo aqui uma sugestão que é do agrado de muitos benfiquistas e que marcaria um reencontro na história do nosso clube com os croatas do Hajduk Split. Seria bonito. Não sei se é viável porque o Hajduk já tem um calendário competitivo carregado desde cedo mas podia acontecer um acerto de datas.

Fica a sugestão.

Benfica 5 - 0 Vitória de Guimarães: Tetra Campeões !

benfica tetra.jpg

 

Por um lado, é a crónica mais fácil de fazer, por outro sinto que nesta altura só o Cervi deve estar mais ressacado que eu. Abraço, puto!

Lembram-se de ter aqui publicado a teoria da monotonia? Algo como o que eu quero na minha vida é jogos completamente desprovidos de emoção. Pronto, estava a pensar em algo como um 4-0 ao intervalo num jogo decisivo. Assim mesmo, só com a emoção de festejar os golos e olhar para o relógio. Daqueles resultados que mesmo que me digam que podemos sofrer 4 golos na 2ª parte já não me conseguem preocupar.

É esta monotonia que quero, isto que contrasta com o sofrimento atroz das bancadas de Vila do Conde enquanto o golo do Raul não chegava.

Ah mas é mais emocionante festejar assim um só golo perto do fim. Ok mas mesmo assim prefiro um 4-0 ao intervalo, dá mais saúde.

 

Começar um jogo decisivo na Luz com o estádio cheio, sentir o cheiro de História a acontecer, olhar para o marcador ao fim de dois minutos e achar que não está fácil marcar. E depois constatar que os onze escolhidos estão determinados em corresponder às expectativas do povo. O Benfica resolveu arrancar para uma exibição fabulosa. Das melhores que já vi nos nossos estádios, seguramente uma das melhores que assisti num jogo decisivo.

Uma resposta forte às nossa dúvidas, um sinal para os aliados que espreitavam na secreta esperança que isto durasse mais uma semana, uma demonstração de qualidade e competência para fechar um campeonato que teve sempre o Benfica como farol.

Golos para todos os gostos e feitios, futebol para divertir e apreciar, sorrisos em todo o estádio, trocas de sms durante o jogo. O tetra chegou assim, arrebatador, num ápice passámos da tensão pré festejo para o sentimento único de sermos campeões.

Mais do que falar do jogo e dos golos, quero agradecer ao meu Benfica pela exibição de gala que nos levou ao céu em tempo recorde. Foi do domínio do sonho.

 

Ainda quero agarrar na teoria da monotonia para a transportar para isto da conquistas de títulos. Estamos a festejar a conquista de um campeonato pela quarta vez seguida. Quatro anos seguidos a terminar o campeonato desta maneira. Ontem, depois dos dois primeiros golos senti que o Estádio da Luz vive uma maioridade maravilhosa, os benfiquistas estão habituados a ser campeões, crescemos de forma gigante nos últimos anos, é emocionante ver como a repetição dos festejos se tornaram monótonos. Mesmo para quem organiza já não é fácil surpreender.

Portanto, aquilo acaba, a malta abraça-se há invasão de campo só para intérpretes, monta-se o palco, chamam-se os jogadores, entrega-se o troféu, festeja-se, espera-se pelo Paulo Lopes na trave, e por aí fora. A novidade foi o Eliseu de scooter. Eliseu com contrato vitalício, já!

É tudo isto. Para repetir todos os anos, por favor. Isto nunca cansa.

Permitam-me só um reparo, dar olés com 5-0 contra o Vitória de Guimarães não é só de mau gosto, é uma manifestação de falta de cultura desportiva muito grande. Porque o Vitória não é um clube qualquer, como se viu pela falange de apoio que trouxe à Luz e, também, porque vieram para jogar futebol de maneira positiva contrastando com o anti jogo que se viu na época passada.

 

Depois, fora do estádio o que se me oferece dizer da festa do povo benfiquista é o seguinte; Lisboa fica tão bonita invadida pelas nossas cores que eu até apelo aos companheiros que saem uma noite por ano de vermelho e branco, para andarem assim mais vezes. Andemos assim o ano todo várias vezes por semana, muito bem vestidos com as nossas cores e o nosso emblema.

Somos Tetra Campeões. Se alguém me dissesse isto na noite de 16 de Março de 1997 (vão ver a efeméride, vale a pena) eu mais depressa chorava deprimido do que me ria esperançado. Obrigado, Benfica!

Festejemos. E depois foco no Jamor. O Benfica é assim. É tão bom ser do Benfica.

 

 

Finalmente, a Oficialização da Santa Aliança!

aliana.jpg

aliasant.jpg

alianca.jpg

alia.jpg

 Chegou o dia que a estratégia passou para o papel. Sou do tempo em que o Porto vencia quase sempre o campeonato e deixava o Sporting ficar com o 2º lugar, isto enquanto os seus dirigentes diziam coisas lindas na imprensa desejando o regresso de um Benfica forte porque o futebol português precisava que o Sport Lisboa e Benfica voltasse a ser importante. Nem foi há muito tempo. Enquanto tentavam tudo para acabar com o Benfica, diziam que desejavam o contrário.

Eu sempre apontei o dedo a esta estratégia, por isso vou guardar hoje com carinho estes recortes que aqui publico da imprensa desportiva enquanto relembro o dia em que escrevi outras coisas.

 

Para quem não acompanha o blog há mais tempo, deixo aqui uma amostra do que sempre disse sobre esta Santa Aliança.

Entretenham-se:

 

O Sporting pedia a despromoção do Benfica ?

ng4EEBECA1-3638-4F7E-932A-A13BC8307D89.jpg

 É uma fixação/sonho que existe em Alvalade há muito tempo, portanto o Bruno nem está a fazer nada de original. É mais do mesmo.

Nem sou eu que o digo, basta recordar o que contou João Rocha, um sportinguista que foi uma referência naquele clube e que aprendi a respeitar, numa célebre entrevista ao Record:

 

Em entrevista ao Record, João Rocha, ex-presidente do Sporting, denunciou um acordo obscuro entre José Roquette e Pinto da Costa, que tinha como objectivo afastar o Benfica dos primeiros lugares... Vozes leoninas discordaram e as pessoas sérias do clube de Alvalade ficaram indignadas...

 

Eis uma parte da entrevista de João Pedro Abecassis

 

RECORD – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette,você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?

 

JOÃO ROCHA – Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.

 

Esta ânsia de acabar com o Benfica é só mais uma vontade hooliganesca agora recuperada pelo actual Presidente. Dedico estes momentos a todos que sempre criticam textos irónicos sobre aquele clube neste espaço. São muito dignos do nosso respeito, é isso.

O Hino à Isenção

 

Antes de passarmos ao que interessa, ou seja, a luta pelo apuramento para o Jamor, uma última visita ao clássico de sábado.

Viram o resumo do jogo que o canal público apresentou? A RTP cheia de vontade de mostrar serviço e isenção publica um resumo que passa pela entrada das equipas em campo, com imagens da coreografia da Luz, que sempre dá jeito para embelezar estes momentos, ouve-se, naturalmente, o Ser Benfiquista porque na Luz os jogos começam sempre assim. Depois o jogo, as declarações dos intervenientes e as conclusões finais. Tudo bem. Até que percebemos que a peça termina com a montagem sonora do hino do... Porto!

Mas a que propósito?! Porque também passou um pouco da música popularizada por Luís Piçarra?

Então mas no jogo da primeira volta o resumo também terminou com o Ser Benfiquista?

 

Meus amigos, se querem falar de isenção então falem da iniciativa da BTV que abriu as perguntas ao treinador do Benfica aos representantes dos três jornais diários desportivos. No espaço em que Hélder Conduto recebe Rui Vitória, depois da conferência de imprensa, o jornalista coloca questões ao treinador, são escolhidas algumas perguntas recolhidas junto aos adeptos no final do jogo para que Vitória responda e, desta vez, foi dada a oportunidade aos jornalistas que iam fazer a crónica do clássico para a A Bola, Record e O Jogo, de deixarem uma questão no ar.

Rui Vitória não só respondeu a todos com ainda elogiou a iniciativa.

E sim, até o representante do jornal O Jogo teve o privilégio de fazer uma pergunta ao treinador do clube que tão mal o seu jornal trata.

Sobre isto, o elogio público do jornal A Bola:

abola.jpg

 

Não sei, sinceramente, se os outros jornais elogiaram. Sei que não vi isto ser devidamente divulgado e elogiado. Talvez porque tenha sido uma iniciativa inesperada, contra a corrente e se tenha resumido a falar de futebol.

Acho que foi mais um avanço da BTV para juntar à qualidade que as transmissões do canal apresentam, nomeadamente os relatos do grande profissional que é Hélder Conduto.

 

Em vez de falarmos disto, todos preferem ir atrás de coisas destas:

Leões pedem suspensão de Jonas e Samaris

Porquê? Porque se portaram mal no derby da primeira volta? Porque afrontaram o Sporting?

Não. Porque estiveram atentos ao clássico e têm sempre coisas para dizer.

É engraçado que o Porto - Sporting nem foi assim há tanto tempo e não vi tantos verdes a comentarem esse jogo. Aliás, não vi verdes nenhuns a apontarem nada ao jogo do Dragão e agora estão todos excitados com o Benfica - Porto da Luz? 

Preocupem-se em apoiar o vosso companheiro e aliado da claque da FPF que está na ribalta.

 

Futebol português ou o mundo ao contrário.