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Red Pass

Tetra Campeões

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Um Ano Depois, o Que Mudou?

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Faz um ano que escrevi este balanço do Portugal campeão europeu de futebol. Desde aí, muita coisa mudou no futebol nacional. A Selecção arranjou uma claque oficial legalizada, inspirada por uma santa aliança em que os Saraivas deram lugar aos Baluartes para uma nova colecção de Truques. O Porto passou a ser o campeão dos hackers informáticos e da caça aos bruxos, o Sporting venceu brilhantemente vários campeonatos nacionais. Só no verão passado passaram a ter 22 ligas conquistas de forma nobre.

Um ano depois, só o Benfica continua em crise.

O dia inesquecível, e único, faz hoje um ano:

 

Portugal 1 - 0 França, Visto por João Gonçalves

 

Chego a estas linhas após um longo caminho que começou há mais de três décadas quando percebi o quanto gostava de futebol. Há três caminhos possíveis para se viver com paixão o futebol. O óbvio, que é começar a gostar tanto de um clube que o acabamos por seguir e defender até ao fim do mundo. O geral, que é perceber que se gosta tanto do jogo que a dedicação a ele vai muito além da paixão clubística. E o patriótico, naturalmente se gostamos de futebol queremos que o nosso país seja o melhor neste desporto.

O caminho clubístico foi interiorizado muito cedo e nem merece discussão.

O caminho de gostar do jogo em geral veio logo a seguir quando senti que os jogos de uma só equipa não satisfaziam o meu gozo de ver futebol. Veio o Mundial 1982 e tudo mudou, percebi que se podia vibrar com um emblema de forma incondicional mas também se podia ver futebol com prazer.
O caminho patriótico foi o mais complicado de sentir, explicar e viver até hoje. E é sobre esse que vou falar neste espaço dedicado à final do Euro 2016, o tal onde vim parar por paixão ao jogo e pela necessidade de me juntar com amigos, até de outros clubes, que vivam estas fases finais com o mesmo entusiasmo que eu.

 

Já o meu clube ganhava campeonatos e jogava finais europeias quando me encantei pela primeira vez pela Selecção portuguesa. Foi no verão de 1984, finalmente podia ver jogos com o prazer supremo da descoberta que já vinha do Mundial dois anos antes e, ao mesmo tempo, ter uma equipa com quem sofrer e torcer. Quando perdemos com a França fiquei de rastos. Por um lado não tinha noção do valor dos gauleses, só mais tarde percebi que era uma grande equipa, por outro lado começava a desconfiar que o futebol bonito não vencia taças, ainda não tinha recuperado da queda do Brasil'82. Mas o pior foi ouvir os comentários dos mais velhos a dizer que nunca iríamos fazer melhor do que aquilo. Nem o Eusébio em 1966 tinha conseguido melhor que um 3º lugar no Mundial, portanto...

Ou seja, cresci com a barreira invisível de nunca poder ver o meu país fazer melhor do que deixou feito num Mundial em que eu ainda nem era nascido. Interessei-me, li sobre a epopeia dos Magriços, vi as imagens icónicas do Rei a chorar. Portugal era aquilo. Fomos longe mas não nos deixaram fazer mais. Nem o Eusébio foi capaz. Era este o mote para a minha vida de adepto da Selecção.

 

Claro que a minha geração recusou acreditar nesta fatalidade e entre nós dizíamos que íamos ver mais e melhor. Estivemos em França em 84 graças a um milagre duplo, Chalana cavou um penalti e Jordão bateu o monstruoso Dasayev. Estava no 3º anel com os meus amigos de vários clubes da minha rua. Vibrámos e festejámos tão intensamente esse apuramento como o seguinte para o México. Outro milagre, Carlos Manuel do meio do campo manda uma bomba que "Toni" Schumacher, outro guardião monstruoso, não segurou. Portugal batia a RFA em Estugarda, coisa inédita! Crescia entre nós, putos, a convicção que íamos celebrar grandes feitos da nossa Selecção. O entusiasmo durou até ao final do jogo com a Inglaterra, vitória épica por 1-0. Olhava para os mais veteranos com o orgulho de dizer aos 13 anos que a tal derrota em Wembley estava agora vingada, tínhamos caminho livre para o sonho que José Torres alimentou. Acabámos atraiçoados com o que se passou a seguir. Derrota com a Polónia e humilhação com Marrocos. Que facada, Saltillo!

Ficámos sozinhos na dor já que as gerações mais velhas encolhiam os ombros e pareciam pouco surpreendidas com tamanha vergonha. Se calhar 1966 era mesmo irrepetível.
Atraiçoados mas não convencidos, continuámos a acreditar que Portugal ia dar a volta e apresentar uma Selecção à medida da nossa paixão e ambição. Mesmo sabendo que íamos para um apuramento para o Euro da Alemanha em 1988 com uma equipa de segunda escolhida por um advogado(!), lá fomos para o Jamor ver o empate com a Suécia e a derrota com a Itália. O jogo com Malta foi marcado para o Funchal e acabou num embaraçoso empate 2-2. Falhámos a presença no Euro 1988 e o nosso orgulho estava cada vez mais ferido. Já não havia como gostar e vibrar com a nossa Selecção, tiraram-nos todos os argumentos.

 

É aqui que a minha geração fica com uma cicatriz difícil de sarar, olhamos sempre desconfiados para a Selecção depois de tantas esperanças nela depositadas. Como a paixão pelo jogo se mantinha intacta, é por estas alturas que somos obrigados a eleger selecções alheias para dar mais emoção ao acompanhamento de fases finais que Portugal teimava em ficar de fora. Uns torciam pelo rigor italiano visto em 1982, outros ficaram para sempre encantados pela canarinha de 82, muitos ainda hoje torcem pela Argentina de D10S Maradona e há quem goste da Alemanha. Eu, neste caso.

Foi no Euro'88 que um amigo da minha mãe a viver em Hamburgo ao saber da minha dedicação ao futebol ofereceu-me aquela camisola da RFA com listas frontais com as cores da bandeira. Foi antes do torneio e fiquei fascinado com o futebol alemão desde aí. Tão simples como isto, passei a ter uma equipa pela qual torcia nas fases finais de Euros e Mundiais. Eu fiquei com a Alemanha, os meus amigos e vizinhos torciam por outras equipas. Sem problema nenhum, sem ninguém nos apontar o dedo acusador de traição. Foi adopção por ausência própria.

 

Euro 1988, Mundial 1990, Euro 1992, Mundial 1994, tudo torneios onde Portugal não entrou. Cheguei aos meus vinte anos, já adulto trabalhador sem esperar absolutamente nada de Portugal. Foi assim que cresci, foi este contexto que me apresentaram. E o fantasma de 1966 cada vez maior e mais pesado.

 

No entanto, houve uma esperança muito importante que nos voltou a dar algum alento. Ainda em 1989 quando os juniores se sagram campeões do Mundo em Riade, com direito a dispensa das aulas para ir ver a final, voltou o direito ao sonho. Direito esse que foi reforçado dois anos depois na Luz com renovação do título mundial na Luz contra o Brasil. EM 1991 fui ver os jogos todos de Portugal na Luz e vivi, ainda com os amigos de infância, toda a aventura rumo ao título mundial. A final na Luz foi dos ambientes mais impressionantes e loucos que presenciei na minha vida. A chama voltava a estar acesa. Mas foi preciso esperar por 1996 para voltarmos a vibrar com Portugal.

Novamente em Inglaterra caímos no antepenúltimo jogo antes do sonho. O fantasma de 1966 estava maior que nunca.

Para piorar o cenário, voltámos a falhar uma presença num Mundial em 1998. Era o regresso a França. Nova facada.

O triste fado parecia não ter fim, as fases finais eram vividas com picardias em base de apoios em países emprestados, não era a mesma coisa que torcer pelo nosso país. Foram muitos anos nisto.

Até que em 2000 tudo mudo. Portugal passou a ser presença habitual nas fases finais. Também porque os formatos de Europeus e Mundiais foram evoluindo no sentido de se alargarem e receberem muito mais equipas de acordo com o desenvolvimento europeu e mundial. Passou a ser mais acessível e Portugal aproveitou para se fixar entre os grandes.

 

O Europeu de 2000 devolveu a felicidade juvenil de vestir a camisola das quinas, juntar os amigos e voltar a sonhar. Um trajecto orgulhoso que nos levou ao penúltimo jogo. Caímos contra os franceses. Lá vinha o fantasma.

O entusiasmo voltou e carregou a equipa nacional para o apuramento para o primeiro Mundial asiático. Depois de tão boa prestação na Bélgica e Holanda a esperança era enorme. Voltámos a ser atraiçoados por uma comitiva que ficou mais conhecida por episódios pouco dignos em Macau do que pelo futebol que não apresentou perante Estados Unidos da América e Coreia do Sul. Voltávamos aos tempos humilhantes.

 

E, 2004 o ponto alto de toda uma vida a acompanhar a Selecção. Finalmente, tinha chegado o nosso momento. Íamos mostrar ao mundo que podemos ir mais longe que os Magriços e ganhar uma prova importante. Acabou numa tragédia grega. Nunca sofri tanto com uma derrota de Portugal como em 2004. Meto a final perdida no meu Top10 de momentos angustiantes vividos no futebol.

 

Mesmo assim, voltei a acreditar no Mundial da Alemanha, as bases estavam lançadas e não havia Grécia pela frente. Eliminados pela Alemanha, não era uma surpresa, só mais uma desilusão anunciada. E tal como em 1988 a "minha" Alemanha também não venceu em casa, desilusão a dobrar.

 

O tempo passava e o respeito pela Federação Portuguesa de Futebol era cada vez menos existente a nível pessoal. Deixei de acreditar. Quando vi Carlos Queirós de regresso torci o nariz. Queria uma boa prestação no primeiro Mundial africano de 2010 mas não acreditava. Já nem senti grande dor quando caímos frente aos espanhóis.

No Euro 2012 voltámos a sair por causa da Espanha, desta vez nos penaltis e com Paulo Bento a não entusiasmar. Mais uma desilusão nas meias finais. Já não tinha dúvidas, não nasci para ver Portugal ser feliz. Lá está, isto nem com o Eusébio fomos lá...

 

Chegava o Mundial do Brasil e, apesar, de continuarmos sem ganhar nada, tínhamos feito progressos, jogámos uma final, andámos em meias finais, já não éramos o país que nem ia às fases finais, estávamos mais perto de ganhar.

A esperança numa boa campanha no Brasil em 2014 era legitima. Como sempre, o nosso entusiasmo voltou a ser traído por uma presença humilhante em que não passámos a fase de grupos! Passei a vida nisto, dar um passo para a frente para depois dar dois para trás.

 

Passei a ver os jogos da Selecção com aquela indiferença de quem não acredita nada nisto mas se correr bem fico contente. Reparem, desde 1984 À espera de algo maior, desde 1991 à espera de ver a nossa qualidade provada com um troféu nos seniores.

 

Nos tempos mais recentes senti uma enorme melhoria na FPF. Mudança de atitude, mudança de mentalidade, sangue novo, ambição e muito trabalho à mostra. Falo com conhecimento de causa, conheço duas pessoas que entraram para a organização e que me devolveram a esperança de ver a Federação de futebol do meu país a ir de encontro às minhas expectativas.

Os resultados estavam à vista antes deste europeu, a Taça de Portugal foi revista, aumentada e muito melhorada. Um excelente trabalho que merece todos os elogios, embora achemos sempre que se pode melhorar ainda mais. Mas é um facto que a competição deu um grande salto qualitativo.

Depois, o meu projecto favorito, a renovação da 3ª divisão do futebol nacional. Um patrocinador capaz de impulsionar um campeonato com forte componente regional, jogos em directo num canal por cabo, grande visibilidade de um torneio que tem tudo para ser acarinhado por todos.

Também uma revista que dá eco de todas estas melhorias, enfim, senti que se deu um salto qualitativo e ambicioso na FPF. Depois a estreia da casa das Selecções, algo que ouvia falar desde miúdo, a aposta no futsal e, especialmente, no futebol feminino. Uma modernização que passa pela presença inteligente nas redes sociais e a aposta num treinador que passou pelos três clubes de futebol com mais adeptos no nosso país.

 

Fernando Santos apanhou uma Selecção deixada em cacos por Paulo Bento. Trouxe pragmatismo e realidade, que ele tanto usa nas suas palestras, à equipa. O Engenheiro veio provar o que eu já desconfiava há uns tempos, é muito melhor seleccionador do que treinador. Parecendo que é a mesma coisa, não é. Santos trouxe um ambiente de paz, chamou jogadores afastados por outros guerras, motivou os mais novos, confiou nos melhores e tentou fugir à inevitável pressão externa de agentes ligados ao futebol. Ganhou o respeito de todos e até a simpatia de quem não tinha saudades dele pelas passagens nos clubes. Recuperou a equipa na fase de apuramento que parecia perdida e qualificou directamente Portugal.

Soube fazer crescer a onda de entusiasmo. Tudo na FPF foi em crescendo nos últimos meses.

 

Eu e a minha geração sorrimos, ao menos voltámos a ter alguém que quer nos dar novamente o direito a sonhar. Mesmo que não tenhamos acreditado em nenhum momento que ia ser desta que ia acontecer magia.

 

O Euro em França começou, eu juntei amigos que adoram futebol e fizemos este espaço porque gostamos de escrever sobre a competição e tudo o que engloba todas as equipas e todos os jogadores. Temos uma paixão pelo jogo que vai muito além da confiança na Selecção, que era cerca de zero da minha parte.

Além da curiosidade sobre Portugal, lá vinham as picardias com amigos que torcem pela Itália ou Inglaterra e que não gostam que a Alemanha ganhe. Portugal faz uma fase de grupos ridícula e apura-se em 3º. É a antítese de tudo o que conheci no futebol até agora. Em 1984 eram 8 equipas a disputar o Euro, hoje uma equipa que empata todos os jogos segue em frente.

Nos jogos a eliminar já a conversa era outra. Já que ali estamos não quero ver Portugal perder mas a confiança continua a ser zero. Gostei do golo do Quaresma à Croácia. Já sofri qualquer coisa com os penaltis contra a Polónia. Tinha a certeza que íamos ganhar ao País de Gales. Mas tinha a mesma certeza que não ia servir de nada porque na final vinha um papão daqueles que nunca dobrámos nas fases finais.

Mas estar na final já era um grande feito. Fruto de uma incrível onda de sorte que nos meteu a jogar com os adversários mais acessíveis possíveis. E é aqui que comecei a desconfiar que o fado podia mudar. O Fernando Santos sempre foi um homem com ar de perdedor, era aquele treinador que num jogo com o Boavista na Luz viu a sua equipa acertar no poste vezes sem conta, por exemplo. Mas as vitórias da fase de apuramento, o golo da Islândia fora de horas da fase grupos, a sorte do jogo com a Croácia, tudo indicava que a sorte só queria o Engenheiro como Seleccionador de Portugal para o premiar.

 

O jogo com a França foi o único que vi no meio da multidão, no Terreiro do Paço em frente a um écran gigante. Estive mais de 100 minutos em crescendo. Fui da fase de acreditar zero à euforia do festejo. Mas passei pela motivação comovente dada por um grupo de jovens turistas estrangeiros que sofriam mais com o jogo do que eu. Gritavam por Portugal com convicção. Acabei completamente envolvido no jogo quando percebi que atrás de mim estava um grupo de franceses cheios de soberba à espera do seu golo para nos humilhar. Riram-se na bola à trave do Raphael e das imagens de Ronaldo a sofrer no banco. Eu sorri quando vi a bola de Gignac a bater no poste. Pensei mesmo, ora aqui está! Isto com Fernando Santos treinador era o golo da ordem no final dramático. Com Fernando Santos seleccionador vai tão acontecer epicismo.

Foi o que aconteceu naquele golo surreal de ... Éder! Andei 32 anos a conviver com esta estranha ligação à nossa Selecção para tudo ser resolvido com um golo do... Éder? Um pontapé em corrida sem olhar para a baliza matou os franceses. Finalmente, fui feliz com as cores do meu país no final de um jogo decisivo. Graças ao Éder e com o Fernando Santos a treinar. O futebol é mesmo algo de maravilhoso.

 

Sei que não mereci tamanha alegria de ver Portugal campeão da Europa, sei que o futebol tem sido mesmo muito generoso para com a minha paixão e toda a minha dedicação ao jogo mas não me esqueço que nas inúmeras caminhadas infelizes de Portugal ao longo destas décadas estive muitas vezes a torcer por dentro. Lembro também que no outro caminho paralelo de viver o futebol com dedicação a um clube passei mais de uma década de amargas tardes e noites e mesmo assim nunca desisti, nunca virei costas ao meu clube. Reforcei anualmente a minha paixão ao clube, ao futebol e de dois em dois anos às fases finais de grandes torneios internacionais que continuam a deliciar-me como no primeiro momento em 1982. Acabou-se o fantasma de 1966 e eu vivi o suficiente para testemunhar isso. Estou grato.

 

Viva Portugal

Viva o futebol.

Convide-se o Hajduk Split para a Eusébio Cup

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A CBF arranjou maneira de anular o encontro inédito entre o Benfica e a Chapecoense que iria marcar a Eusébio Cup 2017. O assunto ainda vai alimentar muita polémica no Brasil, os observadores brasileiros apontam o dedo à CBF dizendo que se o convite tivesse sido endereçado aos clubes mais poderosos a Confederação não iria actuar desta maneira. Isto faz-nos lembrar que o São Paulo já foi um dos convidados deste troféu e compareceu a meio do Brasileirão. Fica a curiosidade de ver se a Chapecoense também vai faltar ao torneio Juan Gamper em Camp Nou com o Barcelona.

Entretanto, o Benfica tem que arranjar um novo adversário e, humildemente, deixo aqui uma sugestão que é do agrado de muitos benfiquistas e que marcaria um reencontro na história do nosso clube com os croatas do Hajduk Split. Seria bonito. Não sei se é viável porque o Hajduk já tem um calendário competitivo carregado desde cedo mas podia acontecer um acerto de datas.

Fica a sugestão.

Benfica 5 - 0 Vitória de Guimarães: Tetra Campeões !

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Por um lado, é a crónica mais fácil de fazer, por outro sinto que nesta altura só o Cervi deve estar mais ressacado que eu. Abraço, puto!

Lembram-se de ter aqui publicado a teoria da monotonia? Algo como o que eu quero na minha vida é jogos completamente desprovidos de emoção. Pronto, estava a pensar em algo como um 4-0 ao intervalo num jogo decisivo. Assim mesmo, só com a emoção de festejar os golos e olhar para o relógio. Daqueles resultados que mesmo que me digam que podemos sofrer 4 golos na 2ª parte já não me conseguem preocupar.

É esta monotonia que quero, isto que contrasta com o sofrimento atroz das bancadas de Vila do Conde enquanto o golo do Raul não chegava.

Ah mas é mais emocionante festejar assim um só golo perto do fim. Ok mas mesmo assim prefiro um 4-0 ao intervalo, dá mais saúde.

 

Começar um jogo decisivo na Luz com o estádio cheio, sentir o cheiro de História a acontecer, olhar para o marcador ao fim de dois minutos e achar que não está fácil marcar. E depois constatar que os onze escolhidos estão determinados em corresponder às expectativas do povo. O Benfica resolveu arrancar para uma exibição fabulosa. Das melhores que já vi nos nossos estádios, seguramente uma das melhores que assisti num jogo decisivo.

Uma resposta forte às nossa dúvidas, um sinal para os aliados que espreitavam na secreta esperança que isto durasse mais uma semana, uma demonstração de qualidade e competência para fechar um campeonato que teve sempre o Benfica como farol.

Golos para todos os gostos e feitios, futebol para divertir e apreciar, sorrisos em todo o estádio, trocas de sms durante o jogo. O tetra chegou assim, arrebatador, num ápice passámos da tensão pré festejo para o sentimento único de sermos campeões.

Mais do que falar do jogo e dos golos, quero agradecer ao meu Benfica pela exibição de gala que nos levou ao céu em tempo recorde. Foi do domínio do sonho.

 

Ainda quero agarrar na teoria da monotonia para a transportar para isto da conquistas de títulos. Estamos a festejar a conquista de um campeonato pela quarta vez seguida. Quatro anos seguidos a terminar o campeonato desta maneira. Ontem, depois dos dois primeiros golos senti que o Estádio da Luz vive uma maioridade maravilhosa, os benfiquistas estão habituados a ser campeões, crescemos de forma gigante nos últimos anos, é emocionante ver como a repetição dos festejos se tornaram monótonos. Mesmo para quem organiza já não é fácil surpreender.

Portanto, aquilo acaba, a malta abraça-se há invasão de campo só para intérpretes, monta-se o palco, chamam-se os jogadores, entrega-se o troféu, festeja-se, espera-se pelo Paulo Lopes na trave, e por aí fora. A novidade foi o Eliseu de scooter. Eliseu com contrato vitalício, já!

É tudo isto. Para repetir todos os anos, por favor. Isto nunca cansa.

Permitam-me só um reparo, dar olés com 5-0 contra o Vitória de Guimarães não é só de mau gosto, é uma manifestação de falta de cultura desportiva muito grande. Porque o Vitória não é um clube qualquer, como se viu pela falange de apoio que trouxe à Luz e, também, porque vieram para jogar futebol de maneira positiva contrastando com o anti jogo que se viu na época passada.

 

Depois, fora do estádio o que se me oferece dizer da festa do povo benfiquista é o seguinte; Lisboa fica tão bonita invadida pelas nossas cores que eu até apelo aos companheiros que saem uma noite por ano de vermelho e branco, para andarem assim mais vezes. Andemos assim o ano todo várias vezes por semana, muito bem vestidos com as nossas cores e o nosso emblema.

Somos Tetra Campeões. Se alguém me dissesse isto na noite de 16 de Março de 1997 (vão ver a efeméride, vale a pena) eu mais depressa chorava deprimido do que me ria esperançado. Obrigado, Benfica!

Festejemos. E depois foco no Jamor. O Benfica é assim. É tão bom ser do Benfica.

 

 

Finalmente, a Oficialização da Santa Aliança!

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 Chegou o dia que a estratégia passou para o papel. Sou do tempo em que o Porto vencia quase sempre o campeonato e deixava o Sporting ficar com o 2º lugar, isto enquanto os seus dirigentes diziam coisas lindas na imprensa desejando o regresso de um Benfica forte porque o futebol português precisava que o Sport Lisboa e Benfica voltasse a ser importante. Nem foi há muito tempo. Enquanto tentavam tudo para acabar com o Benfica, diziam que desejavam o contrário.

Eu sempre apontei o dedo a esta estratégia, por isso vou guardar hoje com carinho estes recortes que aqui publico da imprensa desportiva enquanto relembro o dia em que escrevi outras coisas.

 

Para quem não acompanha o blog há mais tempo, deixo aqui uma amostra do que sempre disse sobre esta Santa Aliança.

Entretenham-se:

 

O Sporting pedia a despromoção do Benfica ?

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 É uma fixação/sonho que existe em Alvalade há muito tempo, portanto o Bruno nem está a fazer nada de original. É mais do mesmo.

Nem sou eu que o digo, basta recordar o que contou João Rocha, um sportinguista que foi uma referência naquele clube e que aprendi a respeitar, numa célebre entrevista ao Record:

 

Em entrevista ao Record, João Rocha, ex-presidente do Sporting, denunciou um acordo obscuro entre José Roquette e Pinto da Costa, que tinha como objectivo afastar o Benfica dos primeiros lugares... Vozes leoninas discordaram e as pessoas sérias do clube de Alvalade ficaram indignadas...

 

Eis uma parte da entrevista de João Pedro Abecassis

 

RECORD – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette,você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?

 

JOÃO ROCHA – Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.

 

Esta ânsia de acabar com o Benfica é só mais uma vontade hooliganesca agora recuperada pelo actual Presidente. Dedico estes momentos a todos que sempre criticam textos irónicos sobre aquele clube neste espaço. São muito dignos do nosso respeito, é isso.

O Hino à Isenção

 

Antes de passarmos ao que interessa, ou seja, a luta pelo apuramento para o Jamor, uma última visita ao clássico de sábado.

Viram o resumo do jogo que o canal público apresentou? A RTP cheia de vontade de mostrar serviço e isenção publica um resumo que passa pela entrada das equipas em campo, com imagens da coreografia da Luz, que sempre dá jeito para embelezar estes momentos, ouve-se, naturalmente, o Ser Benfiquista porque na Luz os jogos começam sempre assim. Depois o jogo, as declarações dos intervenientes e as conclusões finais. Tudo bem. Até que percebemos que a peça termina com a montagem sonora do hino do... Porto!

Mas a que propósito?! Porque também passou um pouco da música popularizada por Luís Piçarra?

Então mas no jogo da primeira volta o resumo também terminou com o Ser Benfiquista?

 

Meus amigos, se querem falar de isenção então falem da iniciativa da BTV que abriu as perguntas ao treinador do Benfica aos representantes dos três jornais diários desportivos. No espaço em que Hélder Conduto recebe Rui Vitória, depois da conferência de imprensa, o jornalista coloca questões ao treinador, são escolhidas algumas perguntas recolhidas junto aos adeptos no final do jogo para que Vitória responda e, desta vez, foi dada a oportunidade aos jornalistas que iam fazer a crónica do clássico para a A Bola, Record e O Jogo, de deixarem uma questão no ar.

Rui Vitória não só respondeu a todos com ainda elogiou a iniciativa.

E sim, até o representante do jornal O Jogo teve o privilégio de fazer uma pergunta ao treinador do clube que tão mal o seu jornal trata.

Sobre isto, o elogio público do jornal A Bola:

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Não sei, sinceramente, se os outros jornais elogiaram. Sei que não vi isto ser devidamente divulgado e elogiado. Talvez porque tenha sido uma iniciativa inesperada, contra a corrente e se tenha resumido a falar de futebol.

Acho que foi mais um avanço da BTV para juntar à qualidade que as transmissões do canal apresentam, nomeadamente os relatos do grande profissional que é Hélder Conduto.

 

Em vez de falarmos disto, todos preferem ir atrás de coisas destas:

Leões pedem suspensão de Jonas e Samaris

Porquê? Porque se portaram mal no derby da primeira volta? Porque afrontaram o Sporting?

Não. Porque estiveram atentos ao clássico e têm sempre coisas para dizer.

É engraçado que o Porto - Sporting nem foi assim há tanto tempo e não vi tantos verdes a comentarem esse jogo. Aliás, não vi verdes nenhuns a apontarem nada ao jogo do Dragão e agora estão todos excitados com o Benfica - Porto da Luz? 

Preocupem-se em apoiar o vosso companheiro e aliado da claque da FPF que está na ribalta.

 

Futebol português ou o mundo ao contrário.

 

 

Pedro Marques Lopes, a Pressão e o Lixo. Aguenta, Pizzi!

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Hoje n'A Bola, o Pedro Marques Lopes cumpre a cartilha e, também ele, menciona a questão dos cartões amarelos ao Pizzi. Nem levo a mal, é pago para isto. Os floreados à volta da questão é que eram desnecessários porque são todos facilmente rebatidos. Mas era preciso encher a coluna e escrever só vejam lá se mostram o raio do amarelo ao Pizzi, era pouco.

 

Tenho para mim que esta conversa dos cartões para o Pizzi encontra semelhanças naquela "polémica" com a data do aniversário do nosso clube. Enquanto o Sport Lisboa e Benfica assinalou, comemorou e festejou o 28 de Fevereiro, anos após ano, até 2003, nunca ninguém levantou nenhum problema. Em 2004, o clube deu natural destaque ao seu centenário e apareceram os experts com os seus dogmas históricos. Os azuis resolveram a questão inventando uma data de nascimento para o século 19, os verdes arranjaram mais uma razão para chorar e berrar. O espelho dos três clubes.
Esta novela à volta do desejado 5º cartão amarelo é a mesma coisa. Durante quase meio campeonato ninguém falou da possibilidade, ou não, do Pizzi ver cartões. Aproxima-se o clássico e, de repente, passou a ser questão nacional. Se durante dezenas de jogos, o Pizzi faz o seu trabalho sem falhar partidas no campeonato, o mérito é seu.

Agora, eu também vi o que foi termos o Pizzi condicionado no jogo dos Barreiros. Com metade desta pressão, Pizzi jogou em bicos de pés e até evitou fazer uma falta numa jogada que podia ter dado golo para o Marítimo. Curiosamente, perdemos esse jogo.

Está explicada a urgência em pressionar o jogador, os adversários e o árbitro para o jogo da Mata Real. O Pizzi tem sido superior a isto mas não é nada bom conviver com esta loucura. É preciso manter a frieza e ser inteligente.

 

Quanto ao resto do artigo do Pedro Marques Lopes, acho que se entusiasmou divagando nas suas fantasias. A história do Jesus afastado das fotografias é só mais uma mentira repetida para passar a ser verdade. Ora então, diga lá em que fotografias o treinador Jorge Jesus foi apagado pelo Sport Lisboa e Benfica. Eu poupo-lhe trabalho, em nenhuma. Para que não fiquem dúvidas, eu esclareci tudo neste artigo: Isto não é uma foto!
De nada, Pedro.

 

Quanto à posição táctica e posicional de Pizzi na equipa do Benfica, nem Luís Filipe Vieira, nem Rui Costa, decidiram onde ele joga. Jorge Jesus tirou proveito de Pizzi, utilizou-o à direita e no meio. Umas vezes melhor, outras pior. Mesmo porque usou outros jogadores nessas posições.

O Pizzi com Jesus fez 31 jogos e marcou por 4 vezes. Depois, chegou Rui Vitória, que até conhecia muito bem Pizzi de outras épocas em que estiveram juntos, e o rendimento foi 47 jogos, 8 golos , na época passada e 42 jogos e 12 golos, só nesta época. Dá para ver bem a diferença e a evolução , certo?

 

Portanto, por estes últimos números percebo bem a necessidade da pressão, o resto do texto é lixo.

Aguenta, Pizzi!

 

 

 

 

O Malandro do Pizzi, o Malandro do Presidente do Vitória SC e a Ausência de Penaltis Contra o Benfica

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 Chegámos aquela fase que eu chamo de carreira de tiro final. Isto é, a recta final do nosso peculiar campeonato. É a altura em que o desespero justifica que vale tudo. Jornais estrategicamente colocados na luta, disfarçados de isenção, calúnias, afirmações incendiárias, polémica, enfim, o verdadeiro vale tudo.

 

Sabemos que estamos nesta fase decisiva quando vemos um jornal diário desportivo, teoricamente isento, a levantar suspeitas sobre os jogos em que o nosso Pizzi não vê cartão amarelo. Assim, à cara podre mesmo.

Depois recupera-se o soundbyte que esteve muito na berra na época passada, por esta altura, claro, que é o facto do Benfica não ter penaltis assinalados contra. Não, não se levanta a questão daquele penalti que ficou por marcar no Bonfim por falta no Carrillo. O problema é a falta de penaltis marcados contra o Benfica.

Aliás, esse árbitro agradou tanto ao país do futebol que está nomeado para nos apitar em Paços de Ferreira!

 

A enorme vantagem do crescimento desportivo do Benfica na última década, é que nos colocou nos centros das decisões de todas as competições de futebol. Algo que se tinha perdido e que chegou a parecer impossível voltar a acontecer.

Fala-se que o Benfica corre atrás do seu Tetra, do seu quarto campeonato seguido conquistado. Mas é bom lembrar que podíamos estar a ambicionar algo bem mais grandioso. É que o Benfica tem estado na luta pelo título sempre até ao fim nos últimos dez anos, umas épocas mais, outras menos. Mas tem sido o objectivo real do clube. A partir de 2009, já lá vão 8 anos, o Benfica tem andado sempre lá em cima. Descontem-se duas épocas de desorientação técnica, e pensemos que podíamos estar neste momento a lutar por um penta. Bastava não ter acontecido aquele empate com o Estoril na Luz, para não voltar a falar do golo do Kelvin.

Isto só trouxe mais maturidade aos jogadores que vão fazendo os plantéis, às equipas técnicas, aos dirigentes e também aos adeptos. Nós já sabemos muito bem o que é viver estas últimas semanas de campeonato, a tal fase do vale tudo. A nós não nos dão nada. Nunca festejamos títulos no sofá como o rival do norte teve. Temos sempre algum clube em cima, nem que seja o Braga! Sim, o Braga lutou até ao último jogo da época em que no Benfica jogavam Cardozo, Aimar, Saviola, Ramires, Coentrão, Javia Garcia, Di Maria e David Luiz!

 

Para não andar muito para trás, recuemos só até a 2016. O Sporting fez o que faz sempre, chateia, insulta, aponta, inventa, reclama, duvida e ameaça. Só que no ano passado estavam a lutar anormalmente pelo título. Uma coisa que lhes acontece de vez em quando. Geralmente, nesta altura preparam a nova época.

Contaram com a abençoada colaboração dos eternos aliados azuis, o clássico no Dragão foi um amigável oferecido ao Sporting na luta desesperada de evitar o título benfiquista. Quando começaram a perceber que o Benfica não ia perder pontos, partiram para ataques jamais vistos em Portugal. Recordo apenas o que fizeram com o menino Renato Sanches. Eu não esqueço o racismo dos verdes no alto do seu desespero. Foi do pior que assisti.

Assim, posso afirmar com tranquilidade que aguardo ataques a ferro e fogo até Maio. Isto do Pizzi é só o começo. Será que este "artigo" não é matéria suficiente para o Benfica fechar as portas das suas instalações ao O Jogo ? Fica a dúvida.

 

Dando o mote para o que aí vem, acho oportuno referir os seguintes factos neste campeonato:

 

Penalties a favor:

Sporting - 7

Porto - 6

Benfica - 4

 

Inferioridade numérica:

Benfica - 50'

Sporting - 26'

Porto - 0'

 

Superioridade numérica:

Porto - 284'

Sporting - 100'

Benfica - 1'

 

Curioso, não?

Mas preparem-se porque o grande escândalo do nosso futebol foi o presidente do Vitória SC ter estado ontem no Seixal a ver um jogo da 2ª divisão com dirigentes do Benfica. Isto sim, uma pouca vergonha.

Além, claro, de não haver penaltis contra o Benfica e do Pizzi não ver cartões amarelos.

Vamos à luta sem medo porque destas batalhas já nós estamos calejados.

 

 

Benfica 4 - 0 Belenenses: Resposta à Campeão

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Perdoem-me os benfiquistas que vêm aqui logo em busca de umas linhas sobre o jogo do Benfica porque hoje vou ter de começar pelo adversário. Nunca consegui detestar o Belenenses. Mesmo que ao longo da vida tenha aprendido que eles odeiam o Benfica, mesmo percebendo a rivalidade que alguns amigos sentem com os azuis do Restelo por serem de Alcântara e estarem mais ligados ao Atlético da Tapadinha, por exemplo.

Não tenho nenhuma ligação real ao Belém mas houve na minha formação de adepto pontos interessantes que me fizeram gostar do Belenenses. O pai da minha mãe, o meu avô, viveu numa moradia, que ainda existe, na Av. Ilha da Madeira situada do lado direito antes de chegar ao estádio para quem desce em direcção ao rio. Logo aqui ficou uma curiosidade pelo clube porque passava ali algum tempo e o futebol já era a minha paixão maior. Vi lá jogos incríveis de noites europeias como o Bayer, que caiu, ou o Barcelona, que ia caindo.

Depois, tenho um tio que gosta do Belenenses, e o falecido padrasto da minha mãe também era todo "pastel". Ouvi boas histórias dos tempos do Matateu, do jogo com o Vasco da Gama, entre outras.

Finalmente, um senhor que todos os que frequentavam a pastelaria Califa, em Benfica, desde os anos 80, como eu, deviam conhecer. O Sr. Costa, um cavalheiro à moda antiga, sempre atrás do balcão pronto a atender e a dar uma palavra simpática. Um enorme belenense com quem passei horas da minha vida à conversa. Enquanto vivi ali bem perto do Califa era raro o dia que não ia meter a conversa em dia com o Sr. Costa.

Hoje, dia de clássico, recebi um triste SMS da minha mãe a dar conta que a pastelaria estava fechava porque o Sr. Costa faleceu. Duvido que alguém que o conheça leia estas humildes linhas mas , de qualquer maneira, quero deixar aqui a minha singela homenagem a um senhor que tanto me aturou, que tanto me falou da sua paixão, o Belenenses. Que descanse em paz.

 

Posto isto, estranho que a bancada dos visitantes tenha levado tão pouca gente de um clube que é de Lisboa. Não bate certo a militância azul com a qualidade do campeonato que a equipa está a fazer.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

E deu para ver essa qualidade em campo, a equipa de Quim Machado procurou sempre equilibrar o jogo e um resultado positivo. Basta recordar que aquele tiro de Miguel Rosa ao poste podia ter empatado o jogo.

Por falar no ex-jogador do Benfica. Quando não joga um derby é uma vergonha porque não quer defrontar a sua equipa de formação ou não o deixam. Quando joga, é uma vergonha porque esteve infeliz num golo de André Almeida. Decidam-se!

 

O Benfica tinha de responder ao mau resultado europeu e também ao triunfo do Porto para voltar a liderar o campeonato. Surpreendentemente foi a jogo sem Nelson, lesionado, e com Almeida no seu lugar. Correu bem já que o André foi considerado o melhor em campo.

Aliás, o jogo correu muito bem. De forma prática até podemos dizer que o Benfica jogou à Dortmund, depois de sofrer um aperto com 1-0 no marcador, reagiu e rapidamente chegou ao 3-0 que matou o adversário.

Boas notícias no golo de Salvio, na exibição de Jonas, no regresso de Mitroglou à lista de marcadores, e em Ederson imbatível em mais uma partida da Liga.

O regresso de André Horta à competição também é factor positivo, já havia saudades daqueles festejos como se viu no 4-0 que fechou o jogo.

Um resultado óptimo no regresso à prova que é a principal preocupação do Benfica até ao final da época.

Saborear esta vitória e começar a pensar no difícil jogo na Mata Real. Até ao fim vai ser sempre assim, preocupação e concentração total no próximo desafio.

 

PS: com tantas preocupações com equipamentos alternativos e cores descabidas, como é que em 2017 um jogo da primeira Liga começa com a equipa de arbitragem vestida com cores semelhantes à da equipa visitante?! E quando mudaram ao intervalo, escolheram a mesma cor do equipamento do guarda redes do Benfica. Lamentável.

 

 

Borussia Dortmund 4 - 0 Benfica: Crónica de uma Viagem a Dortmund

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 Para eles será sempre a noite de Aubameyang, para nós será sempre a noite dos adeptos do Benfica no Westfalenstadion.
A esta hora já todos os leitores viram os vídeos que captaram os cânticos dos benfiquistas que deixaram os alemães rendidos. Foi um momento de inspiração, não foi exibicionismo porque ao intervalo não há jogadores em campo, não há televisões em directo, só há adeptos no estádio.

Quem se emociona a ver os vídeos não consegue imaginar o que foi viver aquilo ao vivo. Mas já volto a este momento.

 

Como tudo começa

 

Muita gente, conhecida ou não, contacta-me das mais variadas maneiras perguntando como é que é a melhor maneira para ir ver o Benfica no estrangeiro. Meus amigos, estamos em 2017 portanto permitam-me que diga que o que é mesmo preciso é muita força de vontade. Havendo essa vontade e sentindo que não podemos ficar de fora desse momento único que é estar nas bancadas de um estádio mítico a apoiar o nosso clube, meio trabalho está feito. O resto é capacidade de sacrifício, poder financeiro e sentido de organização. Há hipóteses para todos.

Pessoalmente, não tenho um plano definitivo. Em Liverpool, há 11 anos, investi bastante dinheiro para poder ir e vir no mesmo e não ter de faltar mais de 8 horas no trabalho. Mas também já fui para Faro apanhar um avião para Birmingham e depois seguir para Londres, assim como já segui de carro para o Porto onde dormi umas horas para depois ir de avião para Eindhoven, ou ir de avião para o Porto e seguir no dia seguinte para Munique, ou fazer Lisboa - Madrid - Bruxelas de avião, alugar uma carrinha e seguir por estrada até Amesterdão.

Enfim, dou todos estes exemplos para se perceber que há opções para todos os gostos. A comodidade e o conforto pagam-se, quem pode pagar avança das formas mais simples e óbvias, quem não pode tem que se fazer à vida. Claro que dormir em aeroportos, stressar com ligações que chegam a parecer perdidas, lidar com imprevistos, torna tudo mais emocionante e desesperante. Óbvio, que quando contamos o que passamos e fazemos só para estar 90 minutos ao lado da nossa equipa, há muita gente que não entende mas para nós faz todo o sentido. Sendo que todos os que sentimos isto da mesma maneira temos tendência para nos aproximar-mos, para nos ajudarmos e assim nascem companheirismos e amizades que ficam para a vida, apenas e só baseado em algo abstracto chamado benfiquismo.

Por isso, o conselho que dou é que quando tiverem muita vontade de estar com a equipa do vosso coração seja onde for, juntem-se a quem já esteja mais habituado. Mas comecem o trabalho ainda antes do sorteio, prevejam cenários e definam os vossos orçamentos para a aventura. Se for grande sigam directos da maneira mais rápida, ninguém vos pode levar a mal. Se não podem gastar o que não têm, há um mundo de alternativas mais fáceis do que parece.

Só para finalizar este primeiro capítulo, desta vez, assim que soube que o Benfica ia ao Westfalenstadion avisei uns amigos que já estavam com o dedo no gatilho para contarem comigo. Voo na véspera do jogo, com regresso marcado para o dia seguinte, pela TAP de Lisboa para Dusseldorf, casa alugada via Airbnb, viagem de comboio Dusseldorf - Dortmund - Dusseldorf para o dia de jogo e bilhete de jogo comprado. Tudo tratado via chat de facebook entre uma dezena de benfiquistas. Tudo correu bem, tudo bateu certo. É muito simples quando a vontade é maior que hesitação.

Isto tudo, claro, partindo do principio que estamos no universo dos benfiquistas disponíveis para uma aventura destas. Para não virem já os que não podem por razões profissionais, familiares, de saúde, financeiras e afins. Como é evidente.

Eu cruzei-me nestes dias com amigos de longa data e desconhecidos que chegaram ao jogo vindos dos pontos mais incríveis do mundo. Seis canadianos foram para Dusseldorf sem bilhete de jogo. Só para dar um exemplo. E também posso falar aqui de quem venceu todas as contrariedades e foi sempre arranjando soluções entre TGV's e carrinhas até chegar ao destino.

 

 

 

Que tal é Dusseldorf?

 

À hora que escrevo esta crónica sabe-se que o dia seguinte ao jogo de Dortmund fica marcado por um ataque assustador na estação central de comboios de Dusseldorf. Só por isto, apetece-me dizer que a cidade não merece este mediatismo por estas razões.

Dusseldorf é uma cidade simpática quando vivida na parte mais perto do rio Reno. A zona de Altstadt é bonita. Fiquei a saber que a Volta à França vai partir de uma praça daquele bairro e já tem publicidade ao evento. A oferta gastronómica é boa e basta seguir as indicações do Trip Advisor para se encontrar um local simpático para degustar um clássico joelho de porco com cerveja.

À noite também se encontra boa oferta de restaurantes, bons bares irlandeses sempre com muita atenção para o futebol. Em noite de Liga dos Campeões podíamos seguir os jogos em qualquer lado.

Nota-se que é uma cidade habitada por gente com poder de compra, basta reparar nas lojas de marcas fortes no centro da cidade. Ou seja, vale uma visita, sim senhor.

 

E a cidade de Dortmund? O Museu do Futebol.

 

Não querendo ser injusto, devo dizer que fui influenciado pelas opiniões de quem já lá tinha estado. Todas as indicações apontavam para não passar lá muito tempo porque não era uma cidade atraente, nem de dia, nem de noite. Daí a opção de teremos dormido as duas noites em Dusseldorf.

O clima não ajudou nada. Um dia cinzento, sempre a chover e com um frio desagradável.

O plano era simples. Sair na estação central de comboio de Dortmund, atravessar a rua, literalmente, e visitar uma loja do Borussia. Deu para comprar o cachecol do jogo e ver a excelente oferta que há para os adeptos do clube amarelo. Depois, andar uns metros e entrar no Museu do Futebol. Os 17€ que pedem à entrada podem desmotivar alguns mas eu ia determinado a encontrar-me com a minha história de adepto.

Quem costuma acompanhar as minhas prosas sabe da minha admiração pelo futebol alemão, a minha simpatia pelo Hamburgo e pela Selecção da Alemanha.

Podem imaginar a emoção que senti quando fiquei a centímetros da camisola 6 de Buchwald. Entre mim e o camisola mais linda de sempre em competições de Selecções estava apenas um vidro a separar-nos. Para animar, mesmo ao lado estava a azul de um tal de Maradona, a relembrar o grande duelo daquela final de Roma de 1990. Nunca tinha estado tão perto de um futebol que me marcou para sempre.

Senti o mesmo arrepio quando estive à mesma distância das camisolas do Hamburgo, claro, do Borussia Mönchengladbach, um clube respeitadíssimo na Alemanha, do Colónia ou da mítica 18 do Klinsmann, meu ídolo de juventude, do Bayern.

Há muito para ver, tudo sobre a selecção campeã do mundo, muitas curiosidades. É uma visita que recomendo a quem apreciar o futebol da Bundesliga. Gostei, foi uma óptima maneira de passar o tempo até ao almoço.

Aí valeu de novo o Trip Advisor. Fomos parar a um restaurante de decoração incrivelmente clássica, com pratos locais e boa cerveja. Já se sabe que almoço em dia de jogo do Benfica no estrangeiro é coisa para durar horas.  Histórias desta época e recordações de outros tempos. Gerações mais novas a ouvirem, aprenderem e, também, a ensinarem. Gente que vai ao Estádio da Luz e benfiquistas que vieram da Holanda. Realidades diferentes, mundos distantes, apenas unidos por um simples fio, o Benfica. Um restaurante em Dortmund que por algumas horas parecia uma casa portuguesa com mesas cheias de benfiquistas vindos sei lá eu de onde. Um aceno, um sorriso, um "vamos a eles", unem o universo benfiquista que parece estar todo ali naquela zona da Alemanha.

Depois umas cervejas bebidas no centro da cidade, algumas num bar de adeptos do Borussia nada incomodados com a invasão vermelha, diga-se, mas com pouco ambiente nas ruas devido à chuva e frio.

A ida para o estádio é muito fácil, tal como já tinha sido em Munique. Transportes eficientes, saída mesmo no estádio, tudo bem organizado sem margem para erros. É a Alemanha.

 

 

 

O Westfalenstadion

 

Sim, eu reparei numa tarja que os adeptos do Borussia mostraram a recordar que ali é o Westfalenstadion, apesar do naming obrigar a chamá-lo de Signal Iduna Park. É o estádio com maior capacidade na Alemanha, mais de 80 mil pessoas devido aos lugares em pé. Em noites europeias baixa para 65 mil por causa da UEFA.
A grande atracção é a bancada, chamada muro amarelo, por trás da baliza .

Mas o encanto começa cá fora. É uma zona de parque, acessos pedonais amplos, muitos pontos de venda de comida, bebida e artigos do Borussia. Há uma imagem incrivelmente romântica e forte que é observar a fachada da bancada central do estádio paralela ao recinto antigo do clube. O passado e a modernidade lado a lado. Lindíssimo cartão de visita para quem vê numa espécie de beer garden.

Adeptos da casa simpáticos e tolerantes, ambiente descontraído. Entrada fácil e acesso à nossa bancada sem problemas.

Primeiro impacto com o estádio vazio. Aquilo é maior do que parece na televisão. Não é só o muro. É tudo.

Muitos adeptos nossos queixaram-se do ambiente, esperava-se mais. Eu não consigo concordar. Só não ouvi o muro a cantar porque o sector do Benfica teve uma noite de sonho. Não se ouvia nada mais a não ser Benfica.

Porque eu vi e ouvi o que esperava dali. Antes das equipas entrarem, escutei, e até cantei para dentro, o You'll Never Walk Alone em versão alemã. É bonito mas não chega ao epicismo de Anfield Road. De qualquer maneira, foi respeitado pela nossa bancada que até aplaudiu no fim. Era o mote para uma noite memorável.

A coreografia não desiludiu. Uma original alusão à goleada do Borussia em 1963. Se ainda se lembram e até levaram jogadores dessa época ao relvado para os homenagear só engrandece o Benfica, eles sabem que foi uma proeza incrível bater o Glorioso dos anos 60. Gostei de ver.

Depois, a partir do começo do jogo não deu para perceber mais nada porque o os 3 ou 4 mil, não sei ao certo, que estavam no sector visitante resolveram dar um show vocal como nunca tinha visto. Pelo menos, com aquele intensidade e durabilidade.

Mas o estádio tem ambiente, estava esgotado e aqueles adeptos têm cultura de futebol.

 

 

 

O respeito do Borussia merece ser eternamente reconhecido

 

O jogo começou e o apoio ao Benfica disparou para níveis altos. Não sei o que se cantava no muro amarelo porque os nossos cânticos faziam eco! O 1-0 veio muito cedo e o Westfalenstadion explodiu, mais de alivio do que de euforia. A eliminatória estava empatada e poderia esmorecer o apoio vermelho e branco.

Mas aquilo só serviu para motivar ainda mais a mancha vermelha. Os golos ali são assinalados nas colunas com a passagem do "Go West" dos Pet Shop Boys. Pois bem, o pessoal aproveitou e imprimiu a sua força roubando o cântico e começando a cantar "Allez, Força Benfica, Allez", sem parar. Mas sem parar mesmo.

A equipa correspondeu e equilibrou o jogo. Passámos a discutir a posse de bola, soltámos os artistas. Salvio andava a fintar amarelos no meio campo, Nelson subia com perigo, Cervi pedia bolas em velocidade. Finalmente, o Benfica discutia o apuramento cara a cara.

Tal como em Munique no ano passado, o golo cedo só veio dar força à nossa equipa para subir no terreno e mostrar os seus argumentos.

A bancada sentiu o crescimento dos jogadores, os adeptos sentiram que todo os esforços feitos para ali estar naquela noite faziam sentido e expressavam-se a uma só voz com uma força que entrava nos ouvidos de quem lá longe acompanhava o jogo, via televisão, internet ou rádio.

Quando se chega ao intervalo com 1-0 significa que após um jogo e meio estávamos empatados na discussão de um apuramento na Champions League com o colosso de Dortmund.

Quando o apito soou para o intervalo cantava-se a versão "Lisboa Menina e Moça" adaptada pelo Topo Sul que termina com um forte "O Amor da Minha Vida".

Os jogadores saíram ao som disto. Os adeptos no resto do estádio preparavam-se para um intervalo normal. Só que o sector visitante num momento de inspiração benfiquista, numa espontaneidade sem igual e numa demonstração de benfiquismo puro e descontrolado não parou de cantar "Benfica, o Amor da Minha Vida" em loop. O tal momento que tem sido divulgado em vídeos.

O que esses vídeos não mostram é o espanto dos alemães a olhar, a fotografar, a filmar e a aplaudir aquela dezena mágica de minutos.

O que esses vídeos não explicam é a vontade incontrolável que eu tive de fechar os olhos enquanto gritava a plenos pulmões: Benfica, o Amor da Minha Vida. Olhos que quando se abriam estavam húmidos de tanta emoção de fazer parte daquele momento.

O que esses vídeos não captam é o que cada um de nós observou. Olhei para trás e vi uma menina, tinha uns 15 anos, de braços no ar, olhos brilhantes a olhar para o céu enquanto gritava Benfica, e de mão a bater no peito do lado do coração quando chegava a parte do Amor da Minha Vida.

Isto explica-se? Não. Sente-se.

Cinco minutos já me lavava a alma. Mais de dez, marca-me para sempre. Ao nível do que vivi há 11 anos em Anfield Road.

E há ingénuos que pensam que aquilo vem por causa de uma alucinação colectiva. Uma bebedeira geral. Pensam que é tudo por causa de um jogo, de 90 minutos na Champions, pela possibilidade de apuramento. Nada disso. Estão enganados. O Benfica é muito mais que um jogo. É muito mais que uma vitória inesperada ou uma derrota mais pesada. É muito mais que uma eliminatória. O Benfica também é muito maior do que aquilo que cabe em estádios como o do Feirense. Por isso, os benfiquistas quando sentem que o Benfica está no local certo, na hora certa, no estádio certo com o mundo todo a ouvir, manifestam-se assim.

O Benfica é o amor da nossa vida e nós cantamos desta maneira não pelo presente, não pelo imediato, mas sim pelo futuro. Por sentirmos que temos o Benfica de volta. Aquele Benfica que anda sempre na alta roda europeia. Que nos faz sonhar mesmo nos estádios mais míticos do mundo. Nós cantamos assim porque temos memória. Temos bem presentes na memória os grandes feitos que já vivemos, conhecemos bem a Glória conquistada nos anos 60 mas também não nos esquecemos nunca da sensação de impotência de não termos futebol para um HJK na Luz, de cair aos pés de um Halmstadt ou , pior, nem participar nestas noites.

Nós temos muita memória e muito benfiquismo, sabemos contextualizar um jogo como este em Dortmund. Isto não são só mais 90 minutos. Por isso cantamos assim. Agora, o muro e as muralhas amarelas à volta, ficaram a saber o que é a força do Benfica.

E sabem porque é que tudo isto foi possível?
Porque aconteceu num local onde o futebol é sagrado. Onde o respeito pelos adeptos é uma lei omnipresente.

Os responsáveis do Borussia ao assistirem aquela manifestação única e apaixonante dos adeptos visitantes optaram por não interromper. Não meteram música, não falaram, não estragaram. E estavam na sua casa, ninguém lhes levava a mal. Estiveram 10 minutos em silêncio como se não houvesse instalação sonora e speaker no relvado. E quando tiveram que abrir as colunas tiveram o cuidado de deixar as da nossa bancada em silêncio.

No final do jogo a mesma coisa. Os adeptos do Benfica assistiram ao festejo da equipa com o muro amarelo e aplaudiram em sinal de respeito. A equipa do Borussia deu uma volta ao campo para se despedir dos seus adeptos e ao passar no nosso canto, que não parava de cantar Eu Amo o Benfica, olharam cá para cima e chegaram a aplaudir! Ao nosso lado, no topo e na central, vi adeptos de camisolas amarelas a sorrir e a aplaudir. No metro fomos elogiados e cumprimentados com respeito e admiração.

Isto também faz um clube ser grande. O nosso e o deles.

 

O Jogo

 

Todos sabíamos ao que íamos, certo?

Vimos a maneira como ganhámos na Luz onde o Borussia mostrou um poder ofensivo impressionante e uma ideia de jogo atraente. Precisávamos de mais uma noite feliz para dar tudo certo.

Depois daquela derrota em Lisboa, o Borussia goleou por 3-0 duas vezes, e despachou com um 6-2 o Bayer. Não estamos a falar de uma equipa qualquer, é um dos modelos de jogo mais fascinantes do futebol actual.

O futebol é engraçado, o Aubameyang deve ter tido uma das noites mais infelizes da sua carreira na Luz. Em casa só precisou de 4 minutos para fazer um golo. Como é que se lidava com aquele desbloqueador tão rápido?

O Benfica respondeu bem. Equilibrou o jogo até ao intervalo.

O futebol pode ser muito cruel. Quando me perguntam qual é o auge de emoção na tua vida, eu invento qualquer coisa para não dizer: são aqueles décimos de segundo quando estou a olhar para um jogador do Benfica que se prepara para fazer golo. Sentir aquela adrenalina descontrolada no momento em que a bola vai parar aos pés de Cervi, ali bem no meio da área amarela, mesmo à nossa frente, parece que a vida pára e tudo acontece em fragmentos mais lentos que a câmara lenta da tv. Em tão curto espaço de tempo eu consigo ver onde é que o Cervi tem de meter a bola, consigo imaginar a melhor maneira de rematar, já estou a ver a bola a entrar naquelas redes pretas e amarelas. Tudo em 2 ou 3 segundos. É esta a magia de vivermos para estas emoções. Só que o remate do argentino é bloqueado por um muro. Parece que a outra bancada entrou dentro de campo e tapou a baliza do Burki. Se aquela bola entra estou convencido que estávamos a falar de uma noite mais do que épica, bíblica!

Não entrou.

O Borussia sentiu a ameaça, esteve perto de ficar atrapalhado na eliminatória. A resposta foi esmagadora. Em três minutos acabaram com a questão. E só assim podiam mesmo resolver o duelo.

O 2-0 nem tem grande impacto porque continuavamos a ter de marcar um golo para seguir em frente e isso permanecia possível. Mas o 3-0 logo a seguir, e a bater um Ederson que tinha estado em modo Galrinho Bento, abateu todas as possibilidades.

Com 3-0 o assunto estava encerrado. Mas o benfiquismo no sector visitante estava mais vivo que nunca. Não havia problema sermos afastados pelo Borussia. Fizemos o que pudemos, lutámos e sonhámos com aquele remate do Cervi. Acabou por prevalecer a lógica e a equipa com maiores craques, sem desrespeito para nenhum dos nossos, ganhou. O Aubameyang não tem duas noites horríveis. Ontem levou a bola de jogo e do seu hat tirck para casa. Geralmente, no futebol, ganham as equipas onde jogam os "Aubameyang's".

O resultado ficou em 4-0 mas ninguém naquela bancada se sentiu envergonhado. Vimos como foi construído, discutimos isto durante mais de partida e meia. Ganhámos em casa, perdemos fora. Paciência.

A sensação não é boa mas depois pensamos nos adeptos do milionário PSG e até dá vontade de sorrir. Ou da tareia que o Arsenal levou do Bayern, ou do triste fim das fanáticas gentes do San Paolo. É a Champions.

Em Setembro há mais e nós lá estaremos para mais histórias.

 

 

Um Enervante Rescaldo

 

Esta é a parte mais pessoal da crónica.

A seguir à dramática derrota de Amesterdão com o Chelsea tive tempo de sobra na viagem de regresso para ver as redes sociais que frequento. Fiquei de tal maneira revoltado com a absurda alegria de pessoas que gostam mais que o Benfica perca do que das vitórias dos seus clubes que dei por mim a eliminar dezenas e dezenas de "amigos". Foi libertador e fiquei com timelines muito mais dignas. Hoje em dia mantenho alguns amigos adeptos de outros clubes. São amigos que respeitam e merecem o meu respeito.

Isto só foi possível porque percebi que no Benfica não precisamos de lidar com o ódio. Nós estamos sempre mais perto de arrancar momentos mágicos como estes que aqui falei porque os nossos cânticos são TODOS pró Benfica. Não se canta uma única vez num jogo de Champions algo contra lagartos ou tripeiros como ouvimos constantemente nos momentos de alegria deles. Nem em jogos de Champions nem em nenhum. Felizmente, é uma cultura de estádio 100% pelo Benfica que foi adoptada por todos os adeptos.

Também não precisamos do sarcasmo, ironia ou humor de terceiros. É que para nos rirmos nas nossas desgraçadas temos também os melhores. Quem tem a rapaziada do Azar do Kralj, do Cota do Bigode, do Boloposte ou Insónias de Carvão, não precisa de mais nada. Nós lidamos bem com as piadas sobre os nossos dramas.

Eu não conheço outro clube onde isto aconteça, ou seja, as melhores piadas virem de dentro. É que isto vacina-nos para o que vem de fora. Também aí são mais fracos que nós. Não é uma opinião, é constatar um facto.

 

Bem, mas onde eu quero chegar é a algo mais pessoal e aborrecido. Depois daquela lavagem que referi no pós final de Amesterdão, dei por mim ontem à noite a remover "amizades" e "follows" a uma velocidade alucinante. Mas só a gente benfiquista.

Desculpem mas a minha tolerância para a parvoíce acabou. Continuem lá nos vossos dramas, na vossa realidade paralela mas longe do meu olhar. Não estou para sair de alma cheia de um estádio como o do Dortmund e levar com comentários do tipo: que vergonha não jogaram nada.

Aliás, isto serve para a nossa imprensa. Não toquei num único jornal português desde que voltei. Olhei para as capas e desisti.

Não perceber a diferença de valor individual e colectivo entre Benfica e Borussia é preocupante.

Mas exigir ao Benfica que passe pelo Dortmund como se estivesse a jogar com o Arouca, só porque também são amarelos, é parvo. Comentar que os jogadores são uns tristes e ignorar que estivemos dentro do sonho mais de meia partida é desonestidade intelectual.

Reagir desta maneira severa após um duelo desta intensidade é, em última análise, uma prova que, se calhar, torcem pelo clube errado.

Cada vez tenho mais a impressão que a grande maioria de benfiquistas, aquela dos milhões do Guiness, aquela que invade o Marquês, aquela que pode ser sócia mas não quer, aquela que pode ir ao estádio mas não vai, aquela que pode apoiar mas prefere assobiar, só é do Benfica porque quer estar ligada, de alguma maneira, a um clube ganhador. Portanto, o Benfica ganha 49 jogos seguidos mas quando perde um é o fim do mundo. O Benfica chega aos 1/8 de final da Champions, mas é pouco. Tem que ir às meias finais, no mínimo.
O Benfica ganha ao Borussia em casa mas não serve porque jogou muito mal, porque foi o 1-0 que envergonha a maioria benfiquista que se manifesta nas redes sociais.

Realmente, voltou a ser muito fácil ser do Benfica.

Eu não consigo ser assim, e agora também já não consigo tolerar isso. Estou a ficar velho e resmungão, eu sei. Mas cada vez que me lembro que estive na Luz a ver jogos de competições oficiais com mais 2 mil benfiquistas num estádio que chegou a levar mais de 120 mil... Desculpem, mas quando falo disto com alguém que me responde que também lá estava, chego à conclusão que devo conhecer todos os que iam nessa altura miserável aos jogos. Ou então, éramos mesmo poucos e hoje vive-se o milagre da multiplicação.

Não sou nem mais nem menos que ninguém, mas já não me apetece conviver com falsos exigentes e residentes de um mundo perfeito que não existe.

Meus amigos, o Benfica não vai ganhar sempre todos os jogos. Mas enquanto tiver uma massa adepta como a que tem actualmente nos estádios, vai estar sempre muito mais perto de ganhar do que perder. Isto devia chegar para se encherem de orgulho, para aprenderem alguma coisa em vez de quererem que o Benfica seja o vosso super homem particular e vos levarem às festas e a fazerem boas piadas nas redes sociais contra os vossos rivais.

Que os tristes de verde façam piadas no ano em que o Legia foi à Liga Europa e eles ficaram no sofá é digno da alarvidade odiosa em que vivem. Que benfiquistas se sintam envergonhados e revoltados com uma noite destas, é porque não percebem o que é o Benfica.

Para começar, esgotem o nosso estádio em qualquer jogo da Champions League, como eu vi ontem na Alemanha, e não apenas quando cá vem o Barça ou o Bayern. Esgotem os Red Passes no começo da época. Quando isso acontecer, aí sim, podemos falar de exigência galáctica.

O Benfica foi eliminado da Champions. Sim, fomos varridos pelos alemães.

E sim, pode acontecer uma surpresa do Estoril na Luz e ficarmos sem Jamor.

E sim, podemos perder o campeonato numa dessas finais que faltam até Maio.

E então? Se acontecer vão ficar mais felizes para poderem escrever "eu não disse?".

Isto é futebol, não são decretos. Temos que ir à luta e vencer. Ninguém nos dá nada. São todos contra nós. O que nos motiva é que hoje estamos sempre muito mais perto de ganhar do que perder. Foi isso que senti em Dortmund.

Se amanhã a equipa falhar e não corresponder ao que esperava não vou deitar os cartões fora, não vou virar costas, nem vou por tudo em causa.

Eu passei o Vietname do Benfica, expressão usada pelo Pedro Ribeiro, e não desisti nunca. Agora, em tempos destes é que ia deprimir? Só sou maluco pelo Benfica, não sou parvo.
Mas eu sou dos que ainda hoje não lidam bem com o afastamento europeu em Braga, e fico possuído quando alguém me diz que foi melhor assim porque perdíamos a final com o Porto. Nós que não perdemos uma final de Taça de Portugal ou confronto com eles na Taça da Liga, há anos e anos. Mas eu é que sou o maluco...

Não gostam do Luisão, do Salvio ou do Pizzi? Eu vi o Beto a marcar contra o Manchester e a assistir contra o Liverpool. Eu acreditava que o Rojas e o Leónidas iam ser campeões pelo Benfica. Não me lixem.

Acreditem em mim, hoje na casa do muro amarelo há muito mais respeito pelo Benfica do que havia antes dos 4-0. Pensem nisto.
Não perguntem o que o Benfica deve fazer mais por vocês, vejam o que podem fazer pelo Benfica. Vivam mais o clube. Vivam o Benfica. Viva o Benfica!