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Red Pass

Tetra Campeões

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Benfica 3 - 0 Nacional: Jonas Anti-Nacional

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 Uma novidade no lançamento do jogo, entrávamos em campo no 2º lugar do campeonato. Pressão para todos, nas bancadas, no banco, no relvado, tribuna. Um jogo em que a equipa precisava, mais do que nunca, de um estádio cheio a apoiar o Benfica a terminar o dia no seu lugar. Infelizmente, a lotação da Luz ficou abaixo dos 50 mil numa fase crucial da época.

 

A equipa respondeu bem e confirmou o teórico favoritismo perante o último classificado do campeonato. Rui Vitória, ainda suspenso, resolveu fazer regressar Eliseu ao lado esquerdo da defesa, opção mais do que natural, não abdicou de Pizzi, mesmo condicionado após o jogo do Bonfim, e apostou em Sálvio e Zivkovic. O reforço Filipe Augusto teve entrada directa no banco de suplentes, Cervi e André Almeida passaram para a bancada.

 

O mais importante foi resolvido na primeira parte antes que o  jogo ficasse perigosamente bloqueado. Jonas apareceu em grande e confirmou a tendência para fazer golos ao Nacional, bisou em meia parte e , praticamente, resolveu o jogo.

 

O Nacional mostrou porque é que luta dramaticamente para não descer, muito pouca qualidade, apesar da aposta em vários jogadores novos chegados no mercado de inverno.

 

O ambiente na Luz não era totalmente de festa, as últimas duas derrotas pesaram nas bancadas e isso sentiu-se quando os adeptos ensaiavam alguns assobios a uma posse de bola da equipa no meio campo. Depois o jogo esticou e originou o 2º golo do Benfica. Foi um sinal claro da equipa para o tribunal da Luz. A malta gosta imenso de meter likes nas publicações das redes sociais que mostram posses de bola de 40 toques seguidos mas depois refila quando a sua equipa o faz em vantagem no marcador.

 

( Fotogaleria de João Trindade )

 

O que interessa é que ficou uma boa resposta após uma fase má. A equipa reagiu, ganhou e manteve a liderança. Na época passada o Benfica chegou a entrar a 11 pontos do 1º lugar em Braga e conseguiu lidar com a pressão. A recta final do último campeonato é todo um manual de como conviver com a alta pressão na tabela classificativa. Como o grupo é quase o mesmo, há que acreditar que vamos lutar da mesma maneira.

 

No entanto, há dúvidas que se levantam em cada treinador de bancada. Pizzi não devia ter saído mais cedo? A questão dos cartões amarelos não preocupa? Temos Pizzi  e Nelson Semedo a um cartão de ficarem de fora no próximo jogo. A próxima jornada é em casa com o Arouca, a seguir vamos a Braga... Aceito que me digam que temos de jogar sempre com os que dão melhores garantias, não deixa de ser legítimo reflectir sobre estas questões.

 

Nota positiva para  a estreia de Filipe Augusto, bem recebido pela Luz, e para o golo de Mitroglou. Foi cumprida a missão de voltar às vitórias e já olhamos para 6ª feira onde esperamos repetir a receita de hoje.

 

Nacional 1 - 3 Benfica: Marcar, Falhar, Sofrer, Reagir e Matar

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 Desde domingo a acordar todos os dias a pensar como é que aquela bola do Lindelof não entrou na baliza do Vitória de Setúbal. Uma semana inteira à espera de voltarmos a jogo e as conversas a irem dar sempre ao mesmo, como é que o Benfica ia dar a volta a uma exibição preocupante na estreia em casa.

 

Lentamente, chegou a hora do jogo. Uma das deslocações mais delicadas do campeonato, a ida à Choupana onde se acumulam novelas de nevoeiros e adiamentos, além das dificuldades naturais e tradicionais.

Sinais de mudança na hora de conhecer a equipa inicial. Revolução no ataque. Algo tinha de mudar e Rui Vitória mudou mesmo. Surpreendente regresso de Jonas após a cirurgia, algo que veio dar razão ao que aqui escrevi há uma semana, para o lugar de Jonas só temos Jonas porque ele é único. Sálvio sobreviveu do lado direito com a braçadeira e confirma subida de forma entusiasmante. Mitroglou pagou pelas exibições apagadas que rubricou neste arranque de temporada e Raul Jimenez aproveitou para mostrar toda a sua disponibilidade, vontade e eficácia. Cervi perdeu a titularidade e Pizzi voltou para uma ala, a esquerda. De resto, tudo igual. Chegaria para dar a volta?

 

A equipa pode ainda não estar a jogar na perfeição das suas rotinas, longe disso, mas com Jonas em campo a ligação entre ataque e meio campo acontece mesmo com o brasileiro a meio gás. Não há volta a dar, Jonas é a peça chave desta dinâmica que Rui Vitória construiu. Pode não haver plano B consistente mas quando o "10" está no relvado o futebol do Benfica funciona.

Nem se pode dizer que tenha sido uma entrada empolgante mas percebeu-se a vontade e viu-se a atitude certa para colocar o Benfica no caminho certo. Sabendo que Manuel Machado tinha vários problemas para chegar a um "11" ideal, Aly Ghazal teve de fazer de defesa central improvisado e Witi também não estava a 100% no lado direito do ataque, cabia ao Benfica explorar essas dificuldades e, desde logo, tentar travar esse fenómeno anti-Benfica chamado Salvador Agra que sempre que defronta o Glorioso parece estar a fazer o jogo da sua vida. Desconfio que quer jogar na Luz quando for grande. Felizmente, já não cresce mais que aquilo.

Ainda era preciso ter em conta as motivações extra de Tiago Rodrigues, jogador ligado ao Porto, e Tobias Figueiredo que chegou a fazer as delicias dos sportinguistas com o golo do empate. Ironicamente, foi outro ex-leão a resolver o jogo para o lado certo.

 

O futebol tem destas coisas, estivemos uma noite inteira à espera de um golo contra o Vitória FC que só apareceu de penalti, chegamos à Madeira e aos 17' marcamos um golo por desentendimento dos adversários, Rui Silva falha a saída da baliza e Ali Ghazal confirma-se como o homem no lugar errado à hora errada. Foi assim até sair lesionado.

Um golo que deu tranquilidade dentro e fora de campo. Sentia-se que era preciso marcar mais porque o jogo estava sempre muito aberto. É verdade que Fejsa voltou a fazer um jogo incrível ao nível da cobertura do meio campo mas falta mais consistência para podermos controlar o jogo. Por exemplo, André Horta tem que conseguir pegar mais no jogo e marcar o ritmo de maneira que não passemos tanto tempo a jogar em vertigens de ataque e contra ataque.

Grimaldo podia ter ampliado o resultado numa das suas boas incursões pelo lado esquerdo mas a bola saiu para a malha lateral. Júlio César ia mostrando eficácia contra a vontade de Washington, médio interessante, e do pequeno Agra.

 

Na 2ª parte o Benfica assumiu a necessidade de fazer o 0-2 e aqui esbarramos noutro capítulo que urge afinar, a finalização. Vejamos: aos 53' Salvio acerta no poste, aos 54' Raul Jimenez na hora de marcar acerta em Rui Silva, aos 55' Jonas faz uma incrível recepção de bola no peito após um canto e quando atira para festejar acerta em cheio no guarda redes do Nacional!

São perdidas a mais. Também é verdade que seria mais importante não termos construído estas oportunidades mas a equipa pode não resistir a tanto falhanço. A prova apareceu poucos minutos depois desta azarada sequencia. Após mais uma bomba de Agra que Júlio César defendeu para a frente valendo a pronta intervenção de Lindelof, aconteceu o canto que trouxe o empate pela cabeça de Tobias Figueiredo. Desacerto de marcações à zona.

 

Tal como no jogo da Luz da semana passada, o golo contrário aparece na altura em que Rui Vitória preparava uma mexida que já tardava, tirar Horta que já estava amarelado e reforçar o meio campo com Célis. Com um empate, além do colombiano foi também chamado o peruano Carrillo.

A boa notícia é que a equipa reagiu muito bem ao empate e transformou aquela ineficácia toda em golos. Primeiro com Raul a fazer óptimo passe para Salvio que cruzou na perfeição para o coração da grande área onde apareceu Carrillo cheio de calma a finalizar com segurança repondo a vantagem. Estava dada a resposta. O Nacional acusou a nova desvantagem e desmoronou-se com as mexidas de Machado que não percebeu que o infeliz Ghazal estava por um fio em campo. Esgotou as substituições e depois perdeu o seu capitão ficando apenas com 10 jogadores.

 

O Benfica ficou confortável no jogo, Salvio e Jonas aguentaram o jogo todo e foram sempre o farol que a equipa precisava para não perder de vista o ataque. Raul Jimenez guardou energia suficiente para matar o jogo numa das suas pressões altas que Washington não aguentou. O mexicano isolou-se e não hesitou em fazer o seu 2º golo na prova. Um final de jogo já sem Jonas e com Gonçalo Guedes em campo que valeu a Raul o título de melhor jogador em campo. Uma distinção que ficaria bem também ao capitão Salvio que fez uma excelente exibição.

 

Era esta a resposta que se pedia, é este o caminho que temos de seguir. Vem a paragem para as selecções, a janela de mercado de transferências vai fechar e agora podemos arrumar a casa em termos de plantel ao mesmo tempo que recuperamos o essencial Jonas para os níveis ideais. 

A viagem mais delicada à Madeira está feita e com sucesso. Menos um obstáculo.

 

 

 

 

 

 

 

Benfica 4 - 1 Nacional: Tri Campeões !

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 (Fotos: João Trindade) 

 

Este é sempre o texto mais fácil de escrever. Ou devia ser.

Teoricamente, é para este momento que andamos aqui todos os dias na esperança de chegar a meio de Maio e publicar o post sobre o jogo que nos dá o título.

Felizmente, tem acontecido várias vezes ao longo da vida do Red Pass chegar ao fim da Liga como campeão. 

Também por já ser hábito, devida saber que acaba por ser o momento mais delicado para partilhar umas palavras. Toda a tensão acumulada em meses tem uma inexplicável descarga emotiva de adrenalina que pode demorar horas ou dias. É durante essa descarga que gosto de vir aqui e deixar testemunhado mais um momento histórico. 

De uma forma mais directa, meus amigos, não é nada fácil escrever dignamente em pleno estado de ressaca que ainda não chegou e já vai a caminho de mais festa. É aquela fase da vida que todos deviam viver pelo menos uma vez mas só alguns têm esse privilégio. Falo em festejar a sério, não me refiro a vice campeonatos. No dia que me virem a festejar como vice campeão ou uma final perdida hospitalizem-me. Obrigado.

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Depois do jogo da Madeira entrei numa espécie de estado zen. As horas a partir de 2ª feira pareciam dias e os dias pareciam durar anos. Nunca mais chegava o jogo com o Nacional. Pelo meio o Benfica dava motivos para passarmos melhor o nosso tempo. Por exemplo, a meio da semana, 4ª feira à noite, lá nos juntámos na Luz para apoiar o nosso andebol no segundo jogo da final do campeonato. Correu bem, soube melhor. Estar a ver uma equipa do Benfica com os nossos, entre os nossos. Ajuda muito a combater a grande estreia.

 

Na 6ª feira ao fim da tarde senti que o fim de semana começou de uma forma diferente. Havia que comprar bilhete para a final da Taça da Liga e era mais uma boa desculpa para ir à Luz. No sábado houve que assumir que o melhor era rumar para o estádio antes de almoço. 

Neste momento, na minha cabeça parece que estou acordado desde sábado e que até ir à Praça do Município é sempre o mesmo dia! 

No sábado uma jornada de hóquei em patins incrível. Afastar o Barcelona na meia final da Euroliga e ao mesmo tempo saber que somos campeões nacionais. Que festa no nosso pavilhão! 

Festejar no restaurante, que também é a nossa casa, Terceiro Anel com um ambiente de festa e de benfiquismo contagiante. Aliás, as horas parecem não custar nada a passar. Estamos todos em sintonia. Ainda há tempo para à noite ir apoiar o andebol, agora na Challenge Cup e sair já bem tarde do estádio. Juntar com o grupo de companheiros do costume e ir cear ficando até às tantas a falar do dia seguinte. 

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Não me lembro do que dormi de sábado para domingo. Sei que acordei fresquinho que nem uma alface, como dizia o outro, e antes do almoço já estava na Catedral. Fui de mota e senti aquele arrepio na espinha ao ver a quantidade de carros com cachecóis e bandeiras que faziam fila nos acessos ao Alto dos Moinhos. Fiz questão de dar uma volta maior e passar pela zona onde vivi mais de 30 anos, fui até perto do Califa e do parque do Fonte Nova e sorri com a imagem de dezenas de benfiquistas junto aos carros a comerem e a beberem como eu via da janela do meu quarto desde criança em dias como este. 

 

Se há coisa que nunca me habituo é a controlar a ansiedade pré campeão. Apesar de ter 43 anos e já ter vivido dias assim, tantas e tantas vezes, parece que é sempre a estreia. É incontrolável. 

A alegria de chegar perto da estátua do Eusébio e encontrar um amigo que conheci no liceu de Benfica em 1989. O Vítor Pimenta, de quem já falei aqui algumas vezes. Ele, o filho e os seus amigos vindos lá do norte onde o Benfica é tão bem representado. Sempre generosos partilharam um farnel digno dos Deuses e umas cervejas fresquinhas. Bem hajam, benfiquistas do norte com esse sotaque abençoado e essa vontade de estar perto do clube. Todos. 

 

No grande dia as horas já parecem minutos. É tipo dia de casamento. Meses à espera do dia e passa num instante. 

Às 14h no pavilhão para testemunhar história. Vitória na final da Euroliga de hóquei em patins. Campeões Europeus! 

Festejos feitos e saída para o exterior à conversa com um companheiro sempre presente na hora de apoiar as modalidades, um tal de André Horta que jogou na nossa formação, brilhou no Vitória FC e agora, já se pode ir dizendo, volta às origens. Um puto cinco estrelas, um dos nossos, um dos que nos levam connosco para junto daquele emblema quando vestir o manto sagrado.

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E de repente estava na hora de entrar no Estádio da Luz que se ia enchendo. Desde que saí de casa até entrar na minha bancada passaram horas que a mim me pareceram uns minutitos.

 

Descer as escadas até ao relvado para dar aquele abraço forte e sentido ao João Martins que tanto tem sofrido comigo ao longo dos últimos meses. A casa dele também é Tri Campeã, lá viveram-se vitórias forasteiras fortíssimas.

 

Juntar a turma de sempre, conhecer outros sócios sempre generosos a apresentarem-se e a elogiarem este espaço, tal como o Uma Semana do Melhor, que são feitos, exactamente, para nos juntarmos todos à volta do Benfica. Abraço ao pessoal de Santarém, fica prometida a sopa em Almeirim.

 

O jogo começa mas hoje os nervos eram diferentes. A minha atenção não estava tanto na táctica que Manuel Machado apresentava, ou na atenção aos melhores jogadores do Nacional. Hoje só via Benfica. Punha os olhos na bola e nem prestava atenção a quem a conduzia, só fazia a ligação visual entre a bola e a baliza vislumbrando linhas rápidas para lá chegar. Não queria pensar nos castigados, lesionados ou escolhidos para a equipa. O momento era de cumprir um destino que nos estava traçado, não queria pensar em surpresas ou desfeitas. Só queria perceber como é que a bola ia parar no fundo da baliza de Gottardi rapidamente. 

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Entretanto, a bola não entrava mas o ambiente da Luz era à antiga. Infernal, sentia-se a vontade enlouquecida dos mais de 60 mil ali presentes em festejar. Alguém diz atrás de mim: golo Sporting. 

Nem liguei. Desde o derby que o Mitroglou decidiu a nossa vida é esta. Lutar até à última gota de suor por vitórias arrancadas a ferro enquanto os outros passeiam contra adversários surpreendentemente passivos. Portanto, não esperava menos que uma goleada dos rivais em Braga. Se no Dragão foi o que foi... 

 

Antes que o povo entrasse em transe com a realidade matemática do momento, o Sporting esteve na frente uns bons 3 minutos, apareceu Nico Gaitán a abrir mais um livro de recital na relva. Golo do Benfica, explosão nas bancadas, nas ruas, no país, no mundo. Alguém a partir dali pensou que isto não ia acabar em festa de arromba?

 

Para não haver dúvidas, antes do intervalo Jonas faz o seu golo da ordem e olha para as bancadas com expressão de soltem os fogos. O melhor intervalo da época. Ver nas televisões do estádio o festejo do Gaitán foi a confirmação do que se passou esta época, jogadores a atirarem-se para os braços dos adeptos. Ver a equipa de hóquei correr pelo relvado fora como uns putos foi igualmente marcante.

Nós prontos a retribuir.

 

Para a baliza grande impunha-se nova dose. Mitroglou fez uma justa homenagem a Ruiz e não quis marcar à boca da baliza mas também não atirou para fora porque não é nenhum vice campeão. Mandou a bola à trave fazendo uma bela assistência para a entrada de cabeça do "10" Gaitán. Que Bonito. Os fogos já se soltavam no piso 1, no piso 2 e no piso 3 em vários sectores do estádio. Todos improváveis. Como é lindo ver tochas e fumos nas bancadas que costumam estar desertas em jogos da Taça da Liga.

 

Não foi uma segunda parte de um jogo de futebol, foram 45 minutos de festa rija na bancada. Troncos nús ao vento e ao sol, cânticos para todos os gostos, sorrisos com a goleada do vice campeão e abraços repartidos por todos.

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O momento que marca a diferença deste título para outros recentes, o estádio a pedir Paulo Lopes e Rui Vitória a fazer gestos para a bancada explicando que sabe que o nosso careca trepador de balizas tem de entrar. Calma, ele já entra. Diálogo entre benfiquistas directamente do banco para a bancada, coisa linda.

Claro que Paulo Lopes entrou, emocionou-se e emocionou-nos. 

 

Quase que me esquecia de um pormenor. Houve mais um golo! Assistência de Jonas e golão de Pizzi com remate de primeira para mandar o Topo Sul abaixo. Estávamos a fechar o campeonato como o abrimos, quatro golos em casa e final de jogo em festa.

Naquela primeira jornada contra o Estoril o estádio acreditou que em Maio isto ia acontecer e aconteceu. Nas derrotas com o Sporting e Porto na Luz o ambiente no fim de jogo foi de confiança à equipa, ficou célebre a reacção do povo ao minuto 70 contra os verdes. Fomos recompensados. O Benfica é assim.

 

Depois seguiu-se a festa. Cada um de nós viveu-a à sua maneira, as fotos, os vídeos, os testemunhos estão por aí.

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Eu tento sempre celebrar da mesma forma, junto dos meus companheiros que me aturam durante a época, dos que me convencem a viajar quando hesito, dos que gostam tanto de comer e beber como eu, dos que vejo sempre, dos que vejo às vezes, dos que me pedem para lhes dar confiança em tempos de ansiedade, dos que me dão confiança quando estou nervoso, dos que me arranjam bilhete em tempos de filas, dos que me dão o seu cartão quando é a minha vez de arranjar para eles, de todos.

E mesmo assim ficam sempre tantos e tantos abraços por dar. Só trocas de sms e chamadas telefónicas que sabem a pouco, queria abraçar, um por um, todos aqueles que partilham comigo sempre este amor incondicional ao Sport Lisboa e Benfica.

Com os meus pais é diferente, desde sempre que me sinto logo acarinhado pelo pai sportinguista mas que gosta de me ver feliz e pela minha mãe que vibra tanto com isto que se tivesse um red pass era tão "índia" como nós. E a santa da minha mulher que só com uma troca de sms sabe perfeitamente o estado tresloucado em que estou nestas alturas, sendo o mais importante e incrível é que compreende sempre com um sorriso.

Mais complicado é pensar nos que já não estão aqui connosco. E já vão sendo alguns. Sempre que olho para o céu, naquele espaço entre a cobertura do estádio por cima de nós, lembro-me de quem já esteve naquela bancada comigo, naquele estádio e no outro e que agora estão lá em cima a aplaudir e a piscar o olho. Acredito que continuam a celebrar.

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Somos Tri Campeões. Tecnicamente, já vivi isto, tal como o Pietra, só que o nosso defesa direito lembra-se e eu não. 

Agora sim, começa a festa. Até aqui a festa do futebol é sofrer desgraçadamente. 

A sorte é ser do Benfica e ser do Benfica é tão bom. Hoje e sempre.

Rumo ao 36!

 

 

Benfica - Nacional Domingo às 17h

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Os jogos do Benfica e do Sporting na 34.ª e última jornada da Primeira Liga, nos quais se vai apurar o campeão, disputam-se no domingo, a partir das 17:00, anunciou hoje o Nacional.

 

O clube madeirense, que visita o Benfica na última ronda, divulgou a marcação do encontro no Estádio da Luz, em Lisboa, para a 17:00 de 15 de maio, o que implica que pelo menos a visita do Sporting ao Sporting de Braga esteja agendada para a mesma hora.

 

O regulamento de competições determina que os jogos da última jornada devem ser realizados ao mesmo dia e à mesma hora, excluindo-se aqueles cujos resultados não interfiram direta ou indiretamente na classificação, em matéria de promoção e despromoção, obtenção do primeiro lugar, de lugares de posicionamento nas fases da Taça da Liga e de lugares de acesso às competições europeias.

Nacional 1 - 4 Benfica: 3 Pinceladas de Jonas no Surrealismo da Choupana

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 O nosso último jogo da primeira volta do campeonato começou num domingo à noite e acabou à hora de almoço de 2ª feira. Pelo meio perdemos David Bowie.

Foi só mais um episódio surreal numa liga que tenta ser profissional mas continua a contemplar jogos na Choupana à noite.

O Benfica já ali tinha estado em Outubro para jogar contra o União após uma grande vitória em Madrid. Não houve jogo. Quando voltámos em Dezembro perdemos ali dois pontos. Desta vez o Benfica fz questão de jogar meio dia do dia seguinte. Fez bem para não complicar ainda mais o calendário.

Um jogo à hora de almoço e a contar para o campeonato, não me lembro de ver o Benfica numa situação destas. Mas há mais.

Primeiro o habitual nevoeiro a adiar um jogo depois de se terem gasto sete minutos para nada. Depois é uma sucessão de factos que valem a pena enumerar. O jogo recomeça ao meio dia com um canto contra e sob ameaça de nova interrupção devido ao nevoeiro novamente instalado à volta da Choupana. O relvado está num estado inacreditável, escorregadio, cheio de buracos e traiçoeiro. O Pizzi sai disparado pela linha lateral e lesiona-se na face porque embate num painel de publicidade! A banda sonora do jogo é ao som de tambores torturantes elogiados pelos comentadores de serviço. Comentadores que falam dos problemas à volta do jogo como se o canal para o qual trabalham nada influenciasse nas marcações dos horários de jogos naquele estádio. Canal que prefere mostrar repetições em loop em vez de acompanhar o jogo em directo e assim deixar os seus espectadores incrédulos quando sabem que um canto é aliviado só pelo relato, porque as imagens continuam a mostrar a origem do canto! "Novo canto para o Nacional, tira Jardel..." e a repetição acaba. Surreal.

 

Valeu a atitude dos jogadores do Benfica que responderam ao começo do jogo (hoje) a contra atacarem após defenderem o canto com que recomeçou a partida. Carcela não conseguiu fazer o golo mas deu o mote para uma boa primeira parte. Jonas falhou incrivelmente à primeira tentativa mas depois acertou o passo de cabeça ao fazer o 0-1. Na primeira parte podia e devia ter aumentado a vantagem mas o Benfica chega ao intervalo com vantagem mínima.

 

Só anotei duas situações más no jogo, um passe do Fejsa à saída da nossa grande área que foi parar aos pés do adversário que podia ter feito o 2-3 e a hesitação dos nossos centrais em frente à baliza de Júlio César quando o Nacional chegou ao empate. Dou o desconto ao Fejsa pela enorme exibição que fez, uma das melhores com a camisola do Benfica, e espero não voltar a ver o Lisandro a hesitar em vez de aliviar.

 

Em resposta ao empate o Benfica voltou à procura do golo que só não apareceu de imediato porque o árbitro invalidou o remate de Jimenez. A equipa não desarmou e foi com naturalidade que chegou ao 1-2 por Jonas num belo remate de primeira. Sentia-se que a vitória não fugia e os dois golos que se seguiram davam razão a essa suspeita. Jonas aproveitou para fazer o hat trick , nenhum golo de penalti, e Mitroglou ainda entrou a tempo de fazer o 1-4.

Uma exibição muito bem conseguida num contexto surreal onde o mais importante foi trazer os 3 pontos e deixar a Choupana para trás.

 

Vale a pena recuar umas semanas para recordar estas palavras:
"O Benfica, a jogar no seu estádio, com 20 mil adeptos, que acho fantásticos, com tão pouco futebol e vibram tanto e são tão alegres e tão apoiantes da sua equipa. Ainda para mais numa terça-feira..."

Ora, hoje é segunda-feira e não ouvi Manuel Machado fazer reparos à qualidade de futebol nem ao surrealismo que quase sempre envolvem os jogos naquele estádio. Foi pena.