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Red Pass

Rumo ao Tetra

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140 Mil num Clássico? Está documentado.

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 Tenho publicado muitos artigos sobre a lotação do Estádio da Luz. Quando senti que o universo benfiquista, e não só, achava que uma média de 30 e poucos mil adeptos na Luz era aceitável para jogos do campeonato, fiz sempre questão que isso teria de ser metade do número que se adequava à nossa história grandeza. Nem foi assim há muito tempo.

Felizmente, a média de espectadores no estádio do Sport Lisboa e Benfica tem crescido nos últimos anos e começa a ser normal termos cerca de 50 mil adeptos nas bancadas em jogos da Liga portuguesa.

Mesmo assim, sabe-me a pouco. Tento explicar que fui criado e cresci num estádio da Luz que me habituou a um ambiente glorioso e arrebatador.

Para os companheiros que não entendem esta fixação numa lotação maior, que não tiveram a sorte de viver estes anos, deixo aqui esta notícia publicada no dia a seguir a um Benfica - Porto na Luz. Aconteceu há 30 anos. Estive lá, tinha 13 anos, e se me dissessem no final da partida que dali a 30 anos um recinto com 65 mil lugares demoraria a esgotar para outro clássico decisivo eu ia rir.

O recorte é do blog A Minha Chama que descreve bem esta vitória história por 3-1.

Leiam e percebam a revolta das gerações que viveram aqueles anos.

15 minutos à Benfica

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Hoje no jornal Público vem um interessante artigo assinado por Jorge Miguel Matias sobre os 15 minutos à Benfica.

Aqui o reproduzo:

 

Estádio da Luz a fervilhar. Segundo os relatos da época, 69.021 espectadores nas bancadas a acreditarem que o Benfica treinado por Jimmy Hagan seria capaz de dar a volta a uma eliminatória que tinha começado mal, na Holanda, onde o Feyenoord havia ganha por 1-0 a primeira mão. O titularíssimo António Simões era uma carta fora do baralho para a partida de Lisboa, pois escorregou numa escada quando ia para o treino e partiu um braço. Mas nem o azar do esquerdino tirava a crença dos benfiquistas numa reviravolta do marcador e na passagem às meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Afinal, havia Jaime Graça, havia Artur Jorge, havia Jordão, havia Nené, até havia Eusébio…

E o jogo não podia ter começado melhor para as “águias”. Estavam decorridos apenas cinco minutos quando Nené igualou a eliminatória. A Luz incendiava-se e começou a arder 26 minutos depois, após o golo de Jordão. Em pouco mais de meia-hora o Benfica dava a volta à eliminatória e fazia o austríaco Ernst Happel, treinador da equipa holandesa, engolir as palavras proferidas depois do triunfo em Roterdão - no campeonato holandês, os portugueses jogariam para “não descer de divisão".

 

Só que o Feyenoord não era uma equipa qualquer. Os campeões holandeses tinham muitos internacionais e dois anos antes tinham vencido a Taça dos Clubes Campeões Europeus e a Taça Intercontinental. A um quarto de hora do fim, um golo de Schoemaker colocou o resultado em 2-1 e emudeceu a Luz. Os “encarnados” estavam fora da prova e, com apenas um quarto de hora para jogar, muitos foram os que desistiram.

 

Centenas começaram a dirigir-se para o exterior do estádio sem imaginar no que estava prestes a acontecer. Num assomo de raiva, num ímpeto de galhardia, o capitão Jaime Graça rouba a bola aos holandeses, que a passavam com algum desdém de jogador para jogador no seu meio-campo. Num ápice ela acaba nos pés de Nené, que marca o seu segundo da noite (o terceiro dos benfiquistas) aos 81’ e dá início a uma goleada que terminaria com o triunfo dos “encarnados” por 5-1, depois de mais dois golos – um de Jordão (87’) e outro de Nené (89’). Três golos nos últimos 15 minutos.

O que se passou naquele período, no relvado da Luz, entrou para a história como os 15 minutos à Benfica. Uma expressão que tenta descrever um futebol avassalador, uma espécie de vendaval ofensivo que empurra os adversários para trás, uma sucessão de ataques incessantes protagonizada pelos homens vestidos de “encarnado” e que encosta o opositor às cordas até o deixar KO, permitindo dar a volta a resultados desfavoráveis.

Muitos anos mais tarde, Nené, o homem daquele jogo, elegeu-o como o jogo da sua carreira. O avançado, na primeira pessoa, em declarações ao PÚBLICO em 2004: “No jogo da primeira mão, em Roterdão, o treinador do Feyenoord, Ernst Happel, meteu-se muito connosco, disse que o Benfica era uma equipa de provincianos que não sabiam jogar futebol. O próprio capitão, van Hanegem, comparou o Benfica ao Excelsior, na altura o último classificado do campeonato holandês. O ambiente no jogo de Lisboa, como sempre, estava fantástico, com o Estádio da Luz completamente cheio. Os jogadores sentiam muito o peso daquele estádio e aos 30 minutos de jogo já estávamos a ganhar por 2-0 – o suficiente para nos qualificarmos para as meias-finais, já que tínhamos perdido o primeiro jogo por 1-0. Mas eles fizeram o 2-1 perto do fim e tudo parecia perdido. Muita gente começou a abandonar a Luz. Lembro-me que os jogadores do Benfica olharam uns para os outros e acho que não foi preciso dizer mais nada. Cerrámos os dentes. As palavras do senhor Happel ainda estavam nos nossos ouvidos e mexeram connosco. Quisemos demonstrar-lhe o que era o Benfica, o Estádio da Luz, o famoso terceiro anel. Nos últimos dez minutos de jogo, marquei dois golos e o Jordão outro. Tinha 22 anos e essa foi, certamente, uma das noites mais inesquecíveis da minha vida.”

Os 15 minutos à Benfica foram, assim, forjados num período aúreo do Benfica, com Jimmy Hagan no comando de uma equipa quase imbatível. O inglês chegou à Luz em 1970-71 e rodeado de uma série de jogadores de excelência conduziu os “encarnados” a três títulos de campeão nacional, o último dos quais praticamente perfeito: 30 jogos, 28 vitórias, dois empates e zero derrotas; 101 golos marcados, 13 sofridos; 18 pontos de avanço para o segundo classificado.

 

Sim, Já Estivemos Assim. E Nem Foi Assim Há Tanto Tempo...

Desde já peço desculpa pelo teor violento do post mas é preciso dar cor, nomes, imagens e vídeos aos tempos que parecem da pré história mas que aconteceram nos últimos 20 anos.

Talvez seja egoísmo meu mas, mesmo assim, quero partilhar com os leitores mais novos ou mais esquecidos o que vivi quando acreditava que era impossível perder com o Belenenses em casa.

Que me lembre, na minha vida de estádio da Luz nunca tinha visto o Benfica perder um derby para o Belém entre o final dos anos 70 e 1997. Aconteceu em 1997 a derrota perante um cenário já desolador, éramos muitos poucos a ir à Luz e o Benfica andava a atravessar o seu Vietname, como diz o Pedro Ribeiro.

Mas prefiro até começar por algo ainda mais recente. Numa tarde de primavera do ano 2000, com o estádio bem mais composto, assisti ao Benfica de Poborsky, João Pinto e Nuno Gomes a perder contra o Belenenses. Era a segunda vez em 3 anos!

Deixo as equipas e o resumo do jogo para que se sinta que nunca devemos dar nada como garantido. Custou muito viver esta década e, por isso, gosto mais de relembrar estes momentos do que grandes vitórias. Não quero voltar a viver isto.

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  Sobre o jogo de 1997, olhem para a equipa do Benfica e vejam que mesmo com Preud'Homme e Valdo, ídolos indiscutíveis do clube, não dava para evitar uma derrota em plena Luz com um Belenenses orientado por Vítor Manuel. Mais abaixo está o jogo completo, vejam como era desolador o estádio antigo vazio. Doeu viver isto mas nem foi assim há tanto tempo...

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Segunda feira há novo capítulo no derby lisboeta, o resultado mais vezes registado é a vitória do Benfica. Só queremos que aconteça normalidade. A bem dita normalidade.

Estoril 1 - 2 Benfica: Mais Perto do Jamor em Dia de Aniversário

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 Passo largo para a final do Jamor, deu o Benfica na visita ao Estoril. Já ali tinha eliminando o 1º Dezembro pelo mesmo resultado e vencido o Estoril para o campeonato pela margem mínima. Agora, garantiu vantagem na eliminatória a duas mãos que decide o apuramento para a desejada tarde no Estádio Nacional.

 

Ao sair das bancadas ia ouvindo o lamento de vários companheiros mais novos pela exibição do Benfica não ter sido melhor em dia de aniversário do clube. Percebo. Ainda bem que estamos assim. A exigência no Benfica voltou a estar ao mais alto nível mas é preciso não perder o fio do pensamento racional. Neste contexto de Taça de Portugal, o resultado é óptimo e o Benfica cumpriu a sua tarefa de equipa favorita. Pode ser sempre melhor, em termos de golos e de exibições, colectiva e individual.

 

Permitam-me que introduza aqui duas histórias pessoais relacionadas com jogos do Benfica em dia de aniversário e em dia de Carnaval.

A 16 de Fevereiro e 1999 celebrava-se mais uma 3ª feira de carnaval, o Benfica vinha de uma derrota desmoralizadora para o campeonato no Funchal com o Marítimo, marcou Tulipa, e a vontade de ir ver o segundo jogo da equipa na Taça de Portugal dessa época era nula. O Benfica tinha afastado a Académica por 4-1 em Janeiro, na 4ª eliminatória, a primeira para nós, e agora tinha de ir ao Bonfim na 5ª eliminatória. O jogo estava marcado para a noite. Acontece que à tarde o Torreense foi pregar uma impensável partida de Carnaval ao Porto em pleno estádio das Antas. Cláudio Oeiras fez um golo histórico que eliminou o Porto. Isto fazia esquecer o último jogo do Benfica e a motivação para ir a Setúbal ver o Benfica subiu em flecha. De repente parecia perfeitamente possível vencer a Taça.

Lá fui eu mais um grupo de amigos à última da hora para o Estádio do Bonfim. Chiquinho Conde aos 16' e Chipenda aos 89' acabaram com a nossa alegria de Carnaval. Um jogo horrível do Benfica de Souness.

 

No dia 28 de Fevereiro de 2004 o Benfica festeja o seu centenário. A 24ª jornada do campeonato era na Luz entre Benfica e Moreirense. Parecia tudo perfeito para largar um fogo de artificio no final da partida e assinalar a data histórica em ambiente de festa. Lá fomos para o Estádio da Luz, já o novo, com vontade de ver uma vitória convincente que nos desse motivação para assinalar com felicidade os 100 anos do clube. O Benfica de Camacho fez o 1-0 aos 54' por Fernando Aguiar. Pelo tempo e marcador já se pode imaginar a qualidade da exibição da equipa. A 4 minutos do final, Demétrios faz o 1-1 estragando assim um dia tão especial para os benfiquistas. Não conseguimos bater o Moreirense em casa em dia de anos.

 

Por ter estas e muitas outras memórias bem arrumadas na minha cabeça é que dou sempre valor quando a equipa cumpre a sua obrigação nestas datas especiais.

Não foi uma exibição brilhante? Pois não, mas valeu pelo bis de Mitroglou que vive uma fase de sonho e que nós temos a felicidade de a estar a testemunhar. Hoje ficámos mais perto do Jamor e isso tem muito valor.

Dignificar o aniversário do Benfica é importante, nem sempre aconteceu, mas hoje temos motivos para sorrir.

Parabéns, Glorioso.

O Benfica - Borussia Dortmund de 1963

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 O Benfica reencontra amanhã o Borussia Dortmund, mais de 53 anos depois da única vez em que os dois clubes se defrontaram nas competições europeias. Na segunda eliminatória da Taça dos Campeões Europeus, os encarnados caíram aos pés dos alemães (2-1 e 5-0), tendo o duelo na Luz ficado marcado pelos seis disparos de Eusébio e companhia aos ferros.

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 Na edição de 9 de novembro de 1963, três dias depois da primeira mão, Record assinalou que Tilkowski, guarda-redes do campeão alemão, foi "bafejado por uma sorte invulgar, que chegou a ser... escandalosa!"

 

Autor do primeiro golo das águias, aos 47’ (Eusébio faria o segundo, aos 67’), Simões foi o homem do jogo, realizando exibição que, mais de meio século depois, não esquece. "Inspiramo-nos, transpiramos, o grande jogo é reconhecido, mas tudo isso é igual a zero", lamenta o antigo extremo, hoje com 73 anos, de quem o nosso jornal disse ter "alma de gigante em corpo de menino". A verdade é que o sonho da equipa que um ano antes se sagrara bicampeã europeia bateu nos ferros.

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 Embora reconhecendo a infelicidade dos comandados pelo húngaro Lajos Czeizler, Simões admite que o Benfica poderia ter sido "mais rigoroso na finalização". O nosso jornal classificou a exibição como "portentosa", sublinhando que o Benfica "tinha direito absoluto a ganhar a eliminatória em Lisboa". Não o fez e caiu na segunda mão, com uma goleada (0-5). "Faltaram-nos alguns elementos nucleares", refere Simões, esperando "um duelo renhido" entre duas equipas que "transportam qualidade para o jogo". "O Benfica tem uma palavra a dizer."

A época de 1963/64, a do duelo com o Borussia, terminaria com a vitória das águias no campeonato, no que foi o segundo título do tricampeonato conseguido na seguinte. 

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 Simões, que juntamente com Eusébio tem três tricampeonatos , recusa ver o título como vingança. "A eliminação não beliscou o valor dos jogadores, mas sentíamos que tínhamos de ganhar o campeonato."

 

in Record

Um Novo Vídeo Daquele Benfica - Marselha de 1990

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 Sabem aquele jogo de 1990 em que o Benfica ganhou ao Marselha com um golo do Vata carimbando o regresso a uma final da Taça dos Clubes Campeões Europeus? Esse mesmo, o tal que quem o viveu na Luz nunca mais esquecerá.

Pois bem, há agora um novo vídeo de origem francesa com toda uma nova perspectiva vista de fora para dentro.

É ouro audiovisual: