Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Tetra Campeões

Red Pass

Tetra Campeões

Benfica 4 - 0 Boavista: Com a Mesma Dignidade de 2002

_JPT2550.jpg

Como é difícil manter a sanidade mental nos dias que correm fugindo de todas as maneiras possíveis à espuma dos destaques da imprensa. E não só imprensa desportiva mas sim da imprensa global. Um sábado com um clássico Benfica - Boavista foi dominado pelo gestor do maior circo que o futebol português já viveu. E o que devia ser desprezado e problema de associados e adeptos de um só clube passa a ser o destaque nacional com capas de jornais, directos em canais privados e públicos, e assunto do país. Todos querem saber se são citados pela figura maior do lodo em que tudo isto se transformou. E são, claro. Meios de comunicação, jornalistas, comentadores, rivais, vai tudo a eito. E , pelos vistos, todos adoram e dão eco a tudo aquilo. 

Antes que comecem já a responder que aqui se está a fazer o mesmo tenham a bondade de dar o beneficio da duvida e perceber o porquê desta introdução, pedindo, mesmo assim, desculpa por abordar um tema tão lamacento.

É que aquilo que não se ouve, nunca se ouviu e nem se vai ouvir naqueles monólogos delirantes é a explicação do facto sobre o qual o último clube a ganhar um campeonato nacional sem ser o Benfica ou o Porto pôde festejar sem jogar. Se calhar, muitos já não se lembram, outros nem sabem, que a última vez que um clube de Lisboa sem ser o Benfica, venceu a Liga foi porque o Benfica cumpriu o dever de vencer o Boavista na penúltima jornada da temporada 2001/02. O Benfica ia terminar a Liga em 4º lugar, já não lutava por nada mas jogou para ganhar mesmo sabendo que a vitória tornava o clube vizinho campeão. Assim o fez. Sem complexos, sem dramas, percebendo que se vivia um ciclo anormal na história gloriosa do Benfica que será por muito e muito tempo o clube com mais campeonatos ganhos, com mais Taças de Portugal ganhas e até com mais Taças da Liga ganhas. Não se pode vencer sempre, como esse ciclo de 2002 mostrou bem mas não se pode perder a dignidade. 

Portanto, a última vez que foram campeões a sério, não falo destes delírios de acrescentarem títulos à conta de pára quedistas, festejaram, celebraram, entraram em clima de festa no dia seguinte na semana seguinte contra o Beira Mar em casa (já que contra o Vitória em Setúbal não foram além de um empate), tudo porque o Benfica venceu o Boavista. O Benfica entregou o último título de campeão ao Sporting. Não vejo ninguém recordar isto. E recordo que nesse tempo o Sporting, ou o seu Presidente, não tinha o tempo de antena absurdo em toda a comunicação social que hoje tem. Na altura vencia, agora faz barulho. Na altura o Benfica não era uma obsessão tão grande como hoje porque até lhes entregava campeonatos. 

 Dezasseis anos depois, o Benfica é Tetra campeão e recebe o Boavista na Luz num contexto complicado com um historial recente de resultados negativos contra os axadrezados. Hoje como há dezasseis anos, o foco era ganhar. O foco é reunir a nossa gente, encher o nosso estádio, vibrar com a nossa equipa de futebol, celebrar mais uma vitória e sentir o entusiasmo de momentos do jogo vibrantes.

Novamente, a dupla de centrais a marcarem no mesmo jogo na Luz. Ruben Dias a assumir o seu glorioso destino no clube ao abrir o marcador e depois Jardel a dar tranquilidade no resultado antes do intervalo. Para Jardel uma palavra de conforto já que dedicou o seu golo ao falecido avô. 

Ver a cumplicidade entre Grimaldo, Cervi e Zivkovic faz-nos sonhar com mais um fim de época épico. Jonas foi a jogo mas não foi feliz quando foi chamado a cobrar um penalti que dava o 1-0. Foi importante mas ficou em branco.

As ausências de Krovinovic e Salvio podiam ser dramáticas mas a verdade é que Rafa e Zivkovic estão a aparecer com vontade de os fazer esquecer e manter a dinâmica de vitórias da equipa. 

Ontem na Luz, os 4-0 espelham bem o estado de espírito da equipa e da multidão que a apoia. O golo de Raul Jimenez é simbólico por vir do banco e dar ideia que a equipa quer mais e está mais focada que nunca. O facto de ter sido aos 90 minutos foi um maravilhoso castigo para a malta que vira costas ao jogo e abandona o estádio antes de ouvir o Ser Benfiquista e aplaudir a equipa no final do jogo. 

Pessoal, agora a sério, onde é que vocês vão com tanta pressa a partir dos 70 e muitos minutos? O que é que há lá fora assim de tão importante que eu não saiba? Caramba, é o Benfica que está a jogar, ainda por cima a golear, o que é que há assim de tão importante que supere o prazer supremo de ver o Benfica na Luz? Nunca conseguirei entender. Por mim, ganhávamos os jogos todos por 3-0 com golos aos 89, 91 e 93 minutos só para lixar a malta que sai antes do final. 

Foi um jogo de ironia profunda, pois o Boavista leva uma bela série de golos marcados em lances de bola parada e na Luz sofreu desse veneno, além de ter sido uma bonita maneira de acabar com os maus resultados contra o Boavista.

Com a dignidade de sempre, com o foco do costume, sem distracções da imensa poluição sonora ali dos vizinhos e com a possibilidade da família benfiquista passar um santo domingo na frente do campeonato enquanto prepara a ida a Paços de Ferreira.

 

Benfica 5 - 1 Rio Ave: Inspiração na Baliza Grande

_JPT0200.jpg

Entre o dia 4 de Fevereiro de 1985 e o dia 4 de Fevereiro de 2018, nasceu Rúben Dias em 1997.

Em 1985, num fim de semana como este, eu tinha 11 anos e apressei o fim do almoço familiar. Para espanto dos meus pais, o motivo era um jogo do Benfica. Um jogo da Taça de Portugal que , tal como agora, passava sempre para segundo plano quando o adversário era de divisões inferiores. Eu expliquei que ia pelo Benfica e que não interessava contra quem era. Até que a minha mãe perguntou afinal com quem era o jogo. Régua, respondi de imediato. 

Pelo silêncio e pelo ar preocupado percebi que os meus ficaram preocupados. A partir dali deixaram de estranhar as idas à Luz. 

Esse jogo com o Régua aconteceu no mesmo dia desta partida com o Rio Ave. Foi uma tarde divertida, havia muita gente que da Régua nas bancadas, os equipamento da equipa da 3ª divisão eram originais, camisola com o desenho da bandeira municipal de Lisboa mas em vermelho e branco o que obrigou o Benfica a jogar com o lendário equipamento branco adidas da Shell. 

reguaveloso.jpg

 Dei conta desta efeméride ao preparar o jogo com o Rio Ave e isto fez-me viajar no tempo. Como tenho a felicidade de conversar com craques daqueles tempos, antes da partida de ontem puxei conversa com o José Luís sobre esse jogo. Ele foi titular com o irmão, o Jorge Silva que até fez o primeiro golo, e sorriu quando lhe mostrei imagens do jogo. Fotografias que o ilustre benfiquista Francisco Araújo, de Arcos de Valdevez, me fez chegar depois de lhe perguntar se ele tinha alguma coisa sobre aquele dia. O Francisco tem sempre algo sobre qualquer jogo do nosso clube. É uma reserva enciclopédica que foi ainda mais longe. Contou que o guarda redes do Régua dessa tarde é benfiquista ferrenho e costuma vir à Luz ver o Benfica! 

 

Em 1997 já estávamos longe dos tempos gloriosos dos anos 80. Já tinha passado muito tempo daquele Benfica - Rio Ave de 1986 num sábado à noite, que era um acontecimento por ser à noite e que só acontecia em vésperas de compromissos europeus. Eu adorava os jogos à noite, aquelas torres de iluminação acesas, os jogadores com quatro sombras projectadas no relvado, o orgulho de termos a luz mais potente do país e uma das mais eficazes da Europa. Depois banalizou-se, como se sabe. 

Nessa recepção ao Rio Ave de 1986, já com Silvino na baliza, o meu primeiro ano pós Bento, o Benfica venceu por 3-1 um aguerrido Rio Ave que quase sempre se mostrou ambicioso nestes confrontos. Depois fomos a Bordéus e não demos a volta ao 1-1 da Luz, perdemos 1-0 e caímos na Europa.

Em 1999, já Rúben Dias era nascido, e nosso Vietname ganhava contornos dolorosos, voltámos a repetir o 3-1. Era o arranque da 2ª volta com Souness e Vale e Azevedo, com Nuno Gomes (vão ver o Conversas à Benfica com ele)  a marcar um golo e a falhar um penalti, com Cadete a fazer o 2-1, com o Benfica a jogar em casa de camisola preta e calções vermelhos e com um tal de Pepa a entrar nos minutos finais para fazer o 3-1 deixando a Luz em delírio e a acreditar que ia chegar ao titulo.

Em 2009 com Quique Flores o Benfica só tinha vencido um campeonato desde o jogo de 1999. Corria atrás do primeiro lugar já na 2ª volta do campeonato e para vencer o Rio Ave foi preciso chamar Pedro Mantorras, o jogador do povo como Hélder Conduto lhe chamou nessa noite no relato para a RTP. Mas ainda não foi naquela época que o Benfica voltou a festejar um campeonato. Faltava-nos qualidade e jovens que sentissem o clube desde cedo.

Faltavam-nos jogadores como Rúben Dias que em 2018 são titulares naturais do Benfica e participam numa reviravolta épica num jogo com o Rio Ave.

 

Foram dois jogos e meio a sofrer com este Rio Ave. Só ao fim de dois jogos e meios é que o Benfica 2017/18 conseguiu dar a volta ao futebol dos vilacondenses. Fê-lo com força e à campeão. Aquela segunda parte faz-nos sonhar mas também nos faz pensar porque é que não pode ser sempre assim e, de preferência, logo de inicio nos jogos.

 

 

 

De 0-1 para 5-1 em 45 minutos. Golos todos marcados na Baliza Grande da Luz. Também só foi possível alimentar o mito da Baliza Grande porque o Rio Ave respeita a ordem natural de ataques do Estádio da Luz, ao contrário de outras equipas de verde, diga-se.

 

A conclusão a tirar desta goleada é que a atitude, a dinâmica, a motivação e o empenho, são mais importantes que qualquer 4-3-3 e que não é só por um jogador estar ausente que devemos sofrer com a questão da sua substituição. A maneira com que se abordou a 2ª parte é que é determinante, se foi com o Zivkovic ou com o João Carvalho, acaba por ser secundário. Mesmo porque deu para jogarem os dois e até foram os centrais a darem o exemplo de como se finaliza na área de cabeça.

 

Vou repetir o que disse sobre o Belenenses do Silas, o treinador do Rio Ave merece a boa imprensa que tem, merece elogios pelo seu futebol mas se não lutar com os seus jogadores para que estes não caiam na tentação do anti jogo com perdas de tempo primárias nunca poderá ter o cenário todo positivo. 

 

O sentimento de satisfação de uma vitória do Benfica é sempre o mesmo, seja contra o Régua em 1985, seja contra o Rio Ave em 1999, seja em plena luta pelo Penta, o que nos tem que interessar é sempre o Benfica. 

O golo do Rúben Dias festejado ali no Topo Sul da Luz com ele a bater no emblema e a olhar para os seus é um grande momento. Mesmo assim guardo com mais carinho o primeiro dele pela equipa principal, foi no Bonfim e os que lá estavam sabem como foi especial.

 

Viajar com o Benfica ao longo do tempo é um privilégio de uma vida.

 

PS: agora não se esqueçam de irem investigar a Taça de Portugal de 1985 por causa daquilo do guarda redes do Régua...

14 Anos de Estádio da Luz: O Momento

SimpleImageHandler.jpg

Ao fim de 14 anos de vida no novo Estádio da Luz é sempre complicado escolher o melhor momento ali passado. Durante muito tempo aquele golo de Luisão ao Sporting que quase garantiu o título de 2005 foi o escolhido. Agora, passada década e meia de vida, inclino-me para escolher o golo de André Gomes contra o Porto. O momento em que o Benfica dá a volta ao contexto do futebol nacional. O arranque para um ciclo incrível de vitórias. Um golo mágico, André passou a bola por cima de Fernando e levou a Catedral a uma euforia desmedida. Desde ali que o Porto nada ganha, talvez inspirado pelo golpe que Gomes deu no Fernando, conhecido pelo Polvo, ainda hoje os azuis andam desesperados contra o... polvo.

Estádio da Luz é mágico.

Qual é o vosso momento?

Graeme Souness Conta a Sua Passagem Pelo Benfica no Seu Livro

IMG_2873.PNG

 

 

 Acaba de ser editada a biografia de Graeme Souness. Um livro bem interessante e com uma passagem dedicada à sua estadia no Benfica de... Vale e Azevedo. Partilho aqui as páginas em que o treinador fala das mentiras do presidente, explica como era impossível o Benfica ganhar o título ao Porto por causa do sistema de arbitragens, conta como o Benfica falhou a contratação de Nistelrooy, esse mesmo, e ainda fala de Hugo Leal.

Tempos que parecem fictícios mas que aconteceram mesmo e nós lá estávamos atrás da equipa a acreditar sempre que ia ser possível. Nem foi assim há tanto tempo.

Para ler aqui:

 

 

 

 

Champions League: Um Olhar Pelo Grupo A

cl.jpg

O Benfica está no grupo A da Champions League 2017/18 com a companhia de Manchester United, Basileia e CSKA de Moscovo.

À partida é um grupo que tem como claro favorito o Manchester United, vencedor da Liga Europa, e deixa em aberto a luta pelo apuramento para os 1/8 de final porque Basileia e CSKA são equipas habituadas a estes desafios mas, claro, que o Benfica é favorito a acompanhar o Manchester United na próxima fase da Champions. Também o acesso à Liga Europa é uma incógnita.

 

Manchester United

Aqui no Red Pass existem duas crónicas que testemunham o último duelo que o Benfica travou com os ingleses. Foi há seis anos quando o Manchester United calhou pela terceira vez no mesmo grupo do Benfica no espaço de meia dúzia de épocas.

A 14 de Setembro de 2011 o jogo acabou com um empate 1-1:
Benfica 1 - 1 Manchester United  marcaram Cardozo e Giggs.

 

Em 22 de Novembro o Benfica foi a Old Trafford devolver o empate. Desta vez 2-2. Uma partida que testemunhei ao vivo:

Manchester United 2 - 2 Benfica: Crónica de Uma Viagem a Old Trafford Com Passagem em Wembley

 

Para trás tinha ficado a negra época de 2006/07, quando o Manchester United venceu na Luz por 0-1 e em Old Trafford por 3-1, depois do Benfica ter estado em vantagem com um golo de Nelson.

Uma época antes aconteceu magia. Em Inglaterra o Benfica perdeu por 2-1 mas na última jornada do grupo na Luz o Benfica de Koeman ganhou por 2-1 com golos inesquecíveis de Beto e Geovanni. Os ingleses ficavam fora da Europa e o Benfica seguia caminho para afastar o Liverpool.

 

 Na década de 60 o Manchester United ficou com boas recordações do Estádio da Luz e do Benfica. Em 1965/66 houve duelo nos 1/4 de final da Taça dos Campeões Europeus. Vitórias inglesas na 1ª mão em Old Trafford por 3-2 e na Luz por... 1-5!

Em 1967/68, os dois clubes disputaram a final da prova maior da UEFA em pleno Wembley. O jogo acabou empatou mas no prolongamento o Manchester United venceu por 4-1.

 

Agora aconteceu o reencontro com jogos a 18 e 31 de Outubro, uma jornada de dupla que marca a viragem do calendário no Grupo A.

clmu.jpg

 

 

Basileia

 

Benfica e Basileia só se encontraram numa época. Foi em 2011/12 também na fase de grupos da Liga dos Campeões. No Red Pass há registos desses dois jogos no arquivo que aqui recupero:

Basileia 0 - 2 Benfica Foi a 18 de Outubro de 2011, os golos foram de Bruno César e Cardozo.

Benfica 1 - 1 Basileia Na Luz , o Benfica não conseguiu repetir a vitória da Suíça e cedeu um empate a um golo. Marcou Rodrigo

 

Jogamos com o Basileia fora de casa a 27 de Setembro e recebemos na Luz os suíços a 5 de Dezembro, na última jornada num jogo que pode ser decisivo no apuramento.

clbsl.jpg

 

CSKA Moscovo

 

Também só há registo de dois jogos entre Benfica e CSKA. Aconteceram nos 1/8 de final da Liga Europa em 2005. Uma época feliz para ambos os clubes por razões diferentes. O Benfica acabaria a época como campeão nacional, o primeiro título desde 1994! O CSKA depois de afastar o Benfica voltaria a Portugal para conquistar a Taça UEFA, como era conhecida na altura, em Lisboa na casa do outro finalista, o Sporting.

Em 17 de Fevereiro o Benfica perdeu em Moscovo por 2-0 no Estádio de Kuban. Na 2ª mão, em Lisboa, o Benfica não foi além de um empate a uma bola, golo de Karadas, e o CSKA seguiu assim o seu triunfante caminho.

Agora os russos são o primeiro adversário do Benfica regressando ao Estádio da Luz a 12 de Setembro. A 22 de Novembro, o Benfica viaja até Moscovo para discutir a penúltima jornada do grupo.

clcska.jpg

 

 Calendário:

12/09: SLB-CSKA

27/09: Basileia-SLB

18/10: SLB-M. United

31/10: M. United-SLB

22/11: CSKA-SLB

5/12: SLB-Basileia

 

 

O grafismo dos adversários do Benfica é retirado do Record de 25/8.