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Red Pass

Tetra Campeões

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Vitória de Guimarães 1 - 3 Benfica: Minho Vermelho

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 Os sinais positivos da noite de Manchester foram aproveitados pelo treinador do Benfica para lançar uma equipa dentro da linha do que foi pensado para a noite europeia. Isto é, manteve-se a aposta em três jogadores no meio campo para o Benfica jogar num 4-3-3.

A nível individual também houve surpresas, desde logo com a inclusão de Filip Krovinović com Pizzi e Fejsa na linha média, mantendo as apostas em Salvo e Diogo Gonçalves na alas e com Jonas na frente.

Atrás, o regresso de Luísão ao centro da defesa, Eliseu e André nas alas.

 

Se há estádio, tirando os dos rivais directos, em que dá gozo ir apoiar o Benfica, em que sabe melhor festejar cada golo do Benfica, em que se sente um ambiente próprio dos grandes jogos, é o estádio D. Afonso Henriques.

Quando Jonas colocou o Benfica em vantagem aos 22 minutos a bancada atrás daquela baliza entrou em ebulição. O Benfica chegava à vantagem e estava bem no jogo.

Só que o Vitória respondeu com qualidade e o ambiente no estádio é incrível, aquela gente não desanima com um golo sofrido. Aliás, no começo da 2ª parte a força vinda das bancadas empurrou a equipa de Guimarães para um bom período no jogo, a fazer lembrar a espaços a exibição em Aveiro na Supertaça.

Mas o Benfica manteve a tranquilidade e ia tentando responder com ataques rápidos. Rui Vitória meteu Samaris na partida e a substituição foi muito acertada. O grego aos 76' faz o 0-2 para logo a seguir Salvio fazer o 0-3.

 

 

 

Mesmo assim o Vitória não desistiu, nem dentro, nem fora de campo e acabou por reduzir para 1-3. Só não ficou a um golo de distância porque Tallo desperdiçou um penalti mesmo a fechar a partida.

Boa vitória do Benfica no Minho num campo sempre complicado e ainda com um bónus dos vizinhos minhotos terem ido pontuar a Alvalade. Bela jornada.

 

Do ponto de vista pessoal, foi mais uma viagem ao norte com direito a almoço. Como isto anda tudo ligado fomos onde tínhamos acabado na última saída da Luz. Voltámos à Vila das Aves para almoçar arroz de pica no chão com o famoso vinho Boca Aberta. A simpatia e atendimento do costume, um almoço de domingo a mais de 300 km de casa mas... em casa. Sobremesa resgatada em Santo Tirso na Confeitaria Moura por um dos nossos. Limonetes e Jesuítas de grande qualidade. Tudo em forma para um grande noite de futebol.

Ganhar é sempre bom mas em Guimarães é especial.

Futebol com Talento para o... Desprezo Total.

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 Lembram-se do caso da conferência de imprensa do Rio Ave para um jornalista? Falei disso aqui:

O Que Estão a Fazer ao Futebol Português?

 

Pois bem, hoje foi a vez de Lito Vidigal cancelar a conferência de imprensa que antecedia o jogo com o Vitória FC porque apenas compareceu a Rádio Santo Tirso!

Isto duas semanas depois de sala cheia antes da recepção ao Benfica.

Ninguém quer saber do jogo, ninguém quer saber do encontro entre o Vitória de Setúbal e o Desportivo das Aves. Um jogo da Liga do futebol com talento. Uma partida no país do campeão europeu de futebol. O presidente da FPF terá alguma coisa a dizer sobre este desprezo pelo futebol ou só está preocupado em cursos para dirigentes?

E a culpa desta ausência de interesse por jogos da Liga é dos grupos organizados adeptos e das claques legalizadas? Os programas de televisão que poluem horas e horas o futebol português nada comentam sobre esta autentica anormalidade digna de um país culturalmente e desportivamente de terceiro mundo?

O futebol em Portugal é um circo à volta de três clubes, dois deles juntaram-se contra o que tem ganho mais e o resto é deserto como dizia o outro.

Alguém se vai preocupar com isto? Liga? FPF? Imprensa?

Claro que não.

Vergonhoso mas previsível. Ninguém gosta de futebol em Portugal. Tirando meia dúzia de "malucos" que ainda se indignam com isto. A minha indignação fica aqui testemunhada, tal como fiz quando aconteceu em Vila do Conde.

Benfica 1 - 0 Feirense: Três Pontos e Nada Mais

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 Depois de se conquistarem três pontos a tendência é de respirar de alivio antes de pensar no próximo compromisso. Mas quando a vitória chega de uma maneira tão simples, um adepto tem que desconfiar.

Mais uma vez, o Benfica entra bem num jogo, isto é , chega à tão desejada vantagem muito cedo no jogo. Jonas aos 11 minutos colocou o Benfica na frente.

Aos 12 ninguém desconfiava que o gente tinha acabado ali, praticamente. Gerir resultados tão curtos não costuma dar finais felizes. Ver que a equipa nunca descola para uma exibição superior é preocupante. Mas foi isso que aconteceu esta noite na Luz. Foram cumpridos os objectivos mínimos, sem brilho nem entusiasmo. E, desta vez, nem há muito para analisar já que Rui Vitória resolveu apostar exactamente no mesmo onze que ganhou na Vila das Aves.

Não é que na última temporada a exibição tenha sido de gala, recordo que o primeiro golo foi um auto golo ridículo do Feirense, o segundo foi um remate do defesa do Feirense contra Salvio que deu golo e até Cervi marcou de... Cabeça. A questão é que desta vez o resultado foi demasiado curto e perigoso, tal como a exibição.

O mais importante e o que marca a noite, foi o Benfica ter ganho. Internamente o Benfica venceu na Taça de Portugal, na Liga NOS fora da Luz e em casa, nos últimos jogos. Sem brilho, é certo, mas a construir um ciclo de resultados positivos.

 

Adorava que alguém me explicasse porque raio o Feirense não joga de azul na Luz.

Mais uma vez correu mal a rábula de nos alterarem o hábito de atacarmos primeiro para norte.

 

 

Aves 1 - 3 Benfica: Ala Esquerda Que Avança com Toda a Confiança

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 O futebol do Benfica virou à esquerda. A grande conclusão desta vitória tranquila na Vila das Aves é que há uma nova movimentação ofensiva na equipa tetra campeã.

Rui Vitória optou por deixar Pizzi no banco, já não acontecia há uns dois anos, e voltou ao esquema clássico de consumo interno, o 4-4-2 com Jonas e Seferovic na frente.

Foi, precisamente, Jonas o elo de ligação da irrequieta juventude que compõe o lado esquerdo. Grimaldo e Diogo Gonçalves foram sempre empreendedores encontrando no "10" um excelente vértice de um triângulo de talento. E esta opção pela ala esquerda explica-se pela ausência de ideias no corredor central, Fejsa e Filipe Augusto não se desprendem, o brasileiro não consegue chegar-se à frente na condução do ataque, fica uma dupla mais posicional e de contenção mas sem fulgor atacante.

Assim, é natural que sejam as alas a ser chamadas ao jogo. Salvio e, o regressado, André Almeida também foram construindo pela direita mas sem o mesmo entusiasmo que o corredor oposto.

O Benfica fez o suficiente para sair das Aves com um resultado folgado, Quim resolveu assinalar o jogo em que se tornou o mais velho de sempre a jogar no campeonato com uma enorme exibição.

Por falar em opostos, na outra baliza o miúdo Svilar estreou-se na Liga com uma noite tranquila, uma bela defesa no começo e um golo sofrido num pontapé de canto em que a culpa tem de ir para quem falhou na marcação a Defendi.

Uma vitória com dois penaltis, o que é maravilhoso para os dependentes de audiências televisivas, mas que nem merece discussão.

 

Foi a minha estreia no Estádio do Aves.

Claro que tudo começou com a organização de um almoço que juntou mais de duas dezenas de benfiquistas. Repasto feito no restaurante Lazer Sampaio, em Monte Córdova, freguesia do concelho de Santo Tirso. A simpatia do costume das boas gentes do norte, atendimento impecável e um cabrito assado que não dá para descrever aqui de tão bem que soube. A viagem já estava justificada só com aquele almoço.

 

Depois, viagem para o estádio. Estradas curtas, cheias de curvas, paisagens verdejantes e a ideia que íamos rompendo por entre aldeias até chegar a um estádio no meio de uma Vila. Gosto muito. É o futebol a andar pelas terras de Portugal, é o povo a invadir estradas e caminhos da sua paixão num final de tarde de domingo.

Oportunidade para matar saudades do Vítor Pimenta, amigo de longa data de quem já falei por aqui várias vezes. Hoje é fisioterapeuta do Aves. A simpatia daquele abraço num rápido convívio que marca de forma diferente estes dias especiais.

Estádio pequeno e pintado de vermelho e branco, mesmo porque as cores da equipa da casa também são bonitas.

Guarda a visão que se tem da bancada num pôr de sol digno da estação de verão. Cabos de alta tensão que ladeiam o recinto contrastam com a tranquilidade da vitória do Benfica. Pessoas que enchem as varandas e janelas das casas que substituem uma bancada de topo dão um ar de futebol de outros tempos àquela partida. Do nosso lado esquerdo vibra-se tanto no alto daquelas casas como na nossa bancada. Muitos cachecóis do Benfica pendurados e festa garantida no único golo que Jonas fez naquela baliza.

À saída em conversa com os locais percebemos que a Vila das Aves é composta por uma larga maioria de benfiquistas. Teoria que depois confirmámos num jantar inesperado e improvisado junto do local onde estacionámos o carro. No caminho até lá o encontro, que já é um clássico, com a boa malta de Fafe. Esses é que levam isto bem. Carro parado num passeio, porta bagagens aberto para improvisar uma banca que exibe panados, presunto e uma bôla que devia ser considerada património mundial da gastronomia. Claro que tudo devidamente partilhado e oferecido. É uma turma que só por si representa o que é ser Benfica. Abraço a todos e também à malta que ainda ia para Vila Real. Ali respira-se Benfica.

 

Para o fim ficou um inesperado convívio no Clube Amadores Pesca Vila Ave, penso ser este o nome oficial de um restaurante onde nos serviram uma bifana de qualidade superior ao nível das famosas do Conga. E ficámos também a conhecer um vinho chamado Boca Aberta. Faz jus ao nome. A simpatia de uma família que ficou com histórias para contar de um grupo de adeptos do Benfica que sabem que ser benfiquista vai muito além daquilo que se passa num jogo de futebol. A senhora cozinheira é a que trata da alimentação do plantel do Aves. É assim este pequeno mundo. Sair de casa para ir ver um jogo é uma maneira de ver a coisa, conhecer sempre mais e mais mundo por esse Portugal fora com emblema glorioso no comando é outra. A que eu mais gosto. Tenho pena dos que acham que isto tudo se resume a um jogo.

O Benfica ganhou, 6ª feira há mais.

 

Marítimo 1 - 1 Benfica: Jonas Merecia Mais

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 O contexto era mau. Uma derrota inadmissível na Suíça, uma Assembleia Geral quente, atraso no campeonato mas com a possibilidade de virar o cenário. A equipa do Benfica entra em campo no Funchal já a saber que os dois rivais tinham empatado em Lisboa, naquela espécie de clássico amigável, e, por isso, com hipótese real de ganhar terreno na classificação e inverter uma fase má.

Jonas mostrou o caminho. Um grande golo a abrir o jogo num terreno vergonhoso.

Há várias semanas que se sabe que o relvado do estádio do Marítimo está num estado miserável. A imagem de um pantanal verde não bate certo com as inúmeras fotografias de que os benfiquistas que foram à Madeira publicaram em pleno clima de verão durante o fim de semana. A Liga de Clubes nada disse, como sempre, e tentou-se disfarçar nos últimos dias com notícias de melhoras do relvado nos jornais.

O estado vergonhoso do tapete de jogo esteve à altura de uma péssima realização televisiva, como já vem sendo hábito na Sport TV.

 

De qualquer maneira, o Benfica fazia o mais complicado que era conseguir entrar no jogo a ganhar e , assim, conquistar confiança e motivação para uma partida tranquila ficando mais perto do objectivo dos três pontos.

Ou, pelo menos, devia ter acontecido assim.

Na realidade, voltou a acontecer algo que esta época é um verdadeiro mistério à espera de ser desvendado. Porque raio a equipa quando se vê em vantagem tem tendência para ir largando o domínio de jogo até ao ponto de ceder a tal vantagem?!

Não se percebe esta apatia de que já falei noutras crónicas desta época.

Olhando a frio, entende-se que Pizzi está muitos furos abaixo daquilo que costuma estar e isso reflecte-se, e muito, no futebol atacante da equipa. A confiança da defesa também não é famosa. O golo do Marítimo é o exemplo perfeito disso mesmo, deixa-se o jogador adversário centrar à vontade, a bola cai em plena pequena área e não oposição nem da defesa nem do guarda redes.

Depois, quando se espera uma reacção forte e convivente não se vislumbra tranquilidade, nem cabeça, para voltar para a frente do marcador.

É verdade que Jorge Sousa conseguiu condicionar Fejsa muito cedo no jogo, numa altura em que o Benfica estava por cima e os jogadores madeirenses apresentavam um desfile de entradas faltosas todas a desafiar cartões por parte do árbitro. É verdade que, na minha opinião, há um penalti que fica marcar para o Benfica por mão na bola na área do Marítimo e numa altura crucial do jogo. E também é verdade que o terreno vergonhoso não dava espaço a grandes jogadas elaboradas nem trabalhadas pela relva. Mas esperava-se muito mais da equipa do Benfica. Jonas merecia muito mais eficácia da parte dos seus companheiros para se sair desta jornada com um ânimo novo.

Assim, foi só mais um jogo pouco conseguido, um mau resultado e o prolongar de um ambiente desfavorável à volta da equipa e do clube que aumenta a desconfiança de seguidores e observadores do futebol do Benfica desta época.

Uma oportunidade falhada para se dar a volta por cima. Marcou-se passo antes da paragem do campeonato que só regressa depois das decisões de selecções apuradas para o Rússia 2018 e da estreia na Taça de Portugal no Algarve.

 

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: A Fase com Fejsa é Sempre Boa

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 Hoje a questão era entre ganhar ou ganhar. O Benfica tinha de manter o caminho imaculado nos jogos em casa no campeonato e com isso regressar à normalidade das vitórias após estreias em falso na Europa e na Taça CTT, a que se somou uma inesperada derrota no Bessa.

Respirar fundo e preparar um onze que desse garantias de uma noite tranquilo com três pontos conquistados, era tudo o que os benfiquistas pediam para esta primeira noite de outono no Estádio da Luz neste sábado.

 

Júlio César aproveitou a oportunidade aberta na Taça da Liga a meio da semana para reconquistar a titularidade natural na baliza do Benfica. Almeida manteve-se à direita, Luisão voltou a encontrar ao seu lado o jovem Ruben Dias e Grimaldo está a regressar aos bons desempenhos na esquerda da defesa.

 

Depois o mais importante, Fejsa regressa à equipa e é logo outra dinâmica. Isto com Fejsa é quase começar a ganhar o jogo. Pizzi continua a subir de forma na sua posição e nas alas houve oportunidade para Zivkovic brilhar mais à direita, como tanto gosta, e Cervi pela esquerda.

Na frente, a dupla desta época, Jonas e Seferovic.

 

 ( Fotogaleria de João Trindade)

 

Curiosamente, os golos nascem destas duas últimas duplas. Zivkovic assistiu Cervi, Seferovic assistiu Jonas.

A história do jogo fez-se mais dos golos falhados do que dos golos marcados. Numa noite mais inspirada e de acerto, o Paços de Ferreira saía da Luz como mais uma, das muitas, goleadas que tem no historial de encontros com o Benfica.

 

Mas para o contexto do jogo hoje o mais importante era mesmo vencer e sentir confiança na equipa.

Acham mesmo que com um guarda redes com a carreira de Júlio César, com Fejsa a titular, com Pizzi a subir de forma, com dois alas daquela qualidade e um avançado da classe de Jonas, o Benfica está morto e enterrado?

A mim não me parece que seja assim.

Hoje não foi brilhante mas foi bom. A resposta está dada e até já se recuperaram pontos a um dos rivais.

É este o caminho.

E nós, melhor do que ninguém, conhecemo-lo muito bem.

Que tenha sido a viragem de uma fase má porque com Fejsa a fase é sempre boa.

Boavista 2 - 1 Benfica: O Desnorte Não Desculpa o Desprezo

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 O poder de uma imagem é este, olha-se e vê-se milhares de pessoas unidas por um ideal, neste caso, o melhor de todos, o Sport Lisboa e Benfica. Estes adeptos vivem, teoricamente, na sua maioria no norte de Portugal e resolveram dar tudo para estarem neste sábado à tarde no Bessa para criar um incrível ambiente de apoio que começou antes do jogo e durou até ao apito final. São adeptos que percebem o momento da equipa e quiseram mostrar que podiam contar com eles. Uma resposta às últimas exibições que estiveram longe de convencer. Criaram-se condições fora de campo para que a equipa se sentisse acarinhada, motivada e apoiada para regressar às vitórias após a estreia europeia.

Tudo parecia estar no caminho certo quando Jonas fez o 0-1 e o Benfica mostrava vontade de chegar cedo à vantagem.

Misteriosamente, a equipa voltou a decair após o mais complicado, ou seja, estar a ganhar. Progressivamente, o Benfica tornou-se menos atacante, mais passivo e apenas com um golo de vantagem chegou ao intervalo.

Foi o dia de estreia de Ruben Dias ao lado de Luisão. De resto, as escolhas de Rui Vitória não surpreenderam ninguém em relação ao que tem sido esta época.

Nas bancadas ninguém se conformava, sentia-se que a vantagem era demasiado curta e puxava-se ainda mais pela equipa. Era preciso um Benfica convicto para resolver o jogo.
Mas voltámos a ter uma quebra inexplicável que começou aos 51 minutos com a saída de Salvio lesionado. Um filme tantas vezes visto que já nem surpreende e um claro sinal que vinham aí dificuldades para gerir o jogo. Nem foi preciso esperar muito, empate 4 minutos depois por Renato Santos depois de uma jogada que a defesa do Benfica não consegue resolver. A vantagem ali era só uma, ainda sobrava muito tempo para fazer um golo que desse a vitória. Reacção era o que se pedia. Na bancada nem um sinal de rendição, mais convicção no apoio.

Mas o filme dos últimos jogos repetiu-se, a equipa parece emotivamente afectada, não consegue responder de maneira afirmativa e convincente. Para piorar o cenário, aos 74' um livre que parecia inofensivo acaba em golo do Boavista por infelicidade de Bruno Varela. A Lei de Murphy a funcionar, tudo o que podia correr mal, correu.

A infelicidade de Bruno Varela a abordar o lance não foi maior que a ineficácia dos seus colegas da frente. Não foi maior que a falta de objectividade de Rafa e Gabriel na hora de fazerem um golo fácil e atrapalharam-se, nem foi maior que o desaproveitamento total das bolas paradas, em livres e cantos, que a equipa desperdiçou em série.

E, o mais importante de tudo, esta infelicidade do Varela não foi maior, nem nada que se pareça, do que o desprezo que os adeptos, os tais que nunca se renderam e tudo deram para um final de tarde mais digno, sofreram por parte da sua equipa de futebol. Inexplicável.

 

Sem dramas, aqui personalizo um pouco a crónica. A 16 de Setembro estava na Luz a ver o Benfica bater o Partizani da Albânia numa 4ª feira europeia. Porque sei isto? Porque é o dia de anos da minha irmã que agora chegou aos "entas". Se naquela noite de 1988 foi um pouco chocante eu abandonar o jantar de aniversário pelo Benfica, em 2017 já ninguém acha anormal que eu esteja no Porto num sábado à tarde. Não há dramas, como dizia. É aborrecido para a família mais próxima sentir que há quem largue tudo para estar perto daquilo que é mais importante naquele momento. Ao fim de tantos anos nesta vida, os jogos que não acabam da maneira que queremos já são encarados com a devida experiência. Esta é a primeira derrota no campeonato desde aquela negra noite no Bonfim no começo deste ano. O sabor amargo é sempre o mesmo, a esperança de um jogo melhor cai logo para o próximo. Mas a sensação de desprezo de uma equipa cabisbaixa a sair do relvado sem um agradecimento por quem larga tudo só para ali estar não é descritível por palavras.

O ciclo pode estar a ser mau, o momento pode ser delicado mas o respeito tem que haver sempre no Sport Lisboa e Benfica. De fora para dentro e de dentro para fora. Sempre!

Benfica 2 - 1 Portimonense: De Onde Vem Esta Apatia ?!

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 Noite bem atípica no Estádio da Luz neste regresso do campeonato a casa.

Na teoria era um compromisso interessante para fazer alguma mudanças na equipa, arrancar uma boa exibição, voltar às vitórias e gerir as expectativas para a estreia europeia que se segue.

Na prática foi tudo ao contrário. A equipa que veio da divisão secundária esta época fez uma exibição muito personalizada e colocou problemas até ao fim.

Rui Vitória manteve o sector defensivo, voltou a chamar Lisandro para o lugar de Jardel. Mas depois optou por apostar em Samaris no lugar de Filipe Augusto, Zivkovic no lugar de Sálvio, mantendo o resto da equipa. O grego ainda não tinha sido chamado depois de cumprir o castigo e o sérvio vinha moralizado da chamada à sua selecção.

O problema é que quando acaba a primeira parte do jogo a pergunta que se fazer era apenas e só: que apatia é esta?

Uma primeira parte cheia de nada que decepcionou os mais de 50 mil adeptos que marcaram presença numa 6a feira à noite na Luz. Não era esta a resposta que se pedia após um empate, após o fecho de mercado e após os compromissos das selecções.

 

(Fotogaleria João Trindade)

 

Para agravar tudo isto, aos 11' da segunda parte, o Portimonense chega à vantagem depois de várias ameaças. Ali o desacerto da equipa de Rui Vitória parecia ainda maior. As entradas de Salvio, Filipe Augusto e Raul Jimenez durante a 2ª parte mostravam bem o desespero vindo do banco a tentar equilibrar a equipa e também a dar mais força atacante.

 

Felizmente, a reacção ao golo sofrido parecia terminar com a apatia geral. Penalti sobre Salvio, respectiva expulsão de Hackman e golo de Jonas. Dezoito minutos depois, quando o desespero nas bancadas já passava para dentro de campo, André Almeida tira da manga um número nunca visto, remate tenso com corte na bola que a levou a efectuar um trajecto tão invulgar quanto lindo. Só parou dentro da baliza de Ricardo Ferreira. Nem me interessa se foi intencional, se foi sem querer, se foi sorte. Azar não foi, de certeza.

 

Parecia estar feito o mais complicado. Puro engano. Apatia voltou. O Portimonense deu tudo na fase final e chegou mesmo ao golo antes dos 90 minutos. Seria o 2-2 perto do fim do jogo.

Enquanto metade do estádio lamentava a apatia defensiva e a outra fazia contas no relógio a ver se dava para fazer o 3-2, a última maravilha do desporto nacional, o VAR, indica ao árbitro que a jogada do golo dos algarvios começa com um fora de jogo.

Ou seja, há um ano, com este sistema, não tínhamos cedido pontos ao Vitória FC.

Por outro lado, este VAR que há umas semanas anulou um empate ao Estoril em Alvalade foi muito elogiado. Hoje, já percebi, trata-se de um escândalo.

Acabou o Benfica por vencer mas a exibição deve servir para profunda reflexão de dentro para fora.

Valeu pela vitória e pela recordação da última visita do clube de Portimão à Luz para campeonato, empate. Que tenha sido um bom resultado numa noite má e nada mais que isso.