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Red Pass

Tetra Campeões

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Qual o Melhor dos 88 golos do Campeonato?

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O treinador Rui Vitória tem muita razão quando diz que apesar do campeonato ser uma maratona de 34 jornadas, as impressões que ficam são as últimas.

Dos 88 golos marcados quantos é que já estão esquecidos.

O desafio é o seguinte: escolham os três melhores golos da temporada na Liga NOS. 

Como exemplo fica este do Mitroglou. Avancem nos espaço dos comentários.

 

Benfica 4 - 1 Nacional: Tri Campeões !

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 (Fotos: João Trindade) 

 

Este é sempre o texto mais fácil de escrever. Ou devia ser.

Teoricamente, é para este momento que andamos aqui todos os dias na esperança de chegar a meio de Maio e publicar o post sobre o jogo que nos dá o título.

Felizmente, tem acontecido várias vezes ao longo da vida do Red Pass chegar ao fim da Liga como campeão. 

Também por já ser hábito, devida saber que acaba por ser o momento mais delicado para partilhar umas palavras. Toda a tensão acumulada em meses tem uma inexplicável descarga emotiva de adrenalina que pode demorar horas ou dias. É durante essa descarga que gosto de vir aqui e deixar testemunhado mais um momento histórico. 

De uma forma mais directa, meus amigos, não é nada fácil escrever dignamente em pleno estado de ressaca que ainda não chegou e já vai a caminho de mais festa. É aquela fase da vida que todos deviam viver pelo menos uma vez mas só alguns têm esse privilégio. Falo em festejar a sério, não me refiro a vice campeonatos. No dia que me virem a festejar como vice campeão ou uma final perdida hospitalizem-me. Obrigado.

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Depois do jogo da Madeira entrei numa espécie de estado zen. As horas a partir de 2ª feira pareciam dias e os dias pareciam durar anos. Nunca mais chegava o jogo com o Nacional. Pelo meio o Benfica dava motivos para passarmos melhor o nosso tempo. Por exemplo, a meio da semana, 4ª feira à noite, lá nos juntámos na Luz para apoiar o nosso andebol no segundo jogo da final do campeonato. Correu bem, soube melhor. Estar a ver uma equipa do Benfica com os nossos, entre os nossos. Ajuda muito a combater a grande estreia.

 

Na 6ª feira ao fim da tarde senti que o fim de semana começou de uma forma diferente. Havia que comprar bilhete para a final da Taça da Liga e era mais uma boa desculpa para ir à Luz. No sábado houve que assumir que o melhor era rumar para o estádio antes de almoço. 

Neste momento, na minha cabeça parece que estou acordado desde sábado e que até ir à Praça do Município é sempre o mesmo dia! 

No sábado uma jornada de hóquei em patins incrível. Afastar o Barcelona na meia final da Euroliga e ao mesmo tempo saber que somos campeões nacionais. Que festa no nosso pavilhão! 

Festejar no restaurante, que também é a nossa casa, Terceiro Anel com um ambiente de festa e de benfiquismo contagiante. Aliás, as horas parecem não custar nada a passar. Estamos todos em sintonia. Ainda há tempo para à noite ir apoiar o andebol, agora na Challenge Cup e sair já bem tarde do estádio. Juntar com o grupo de companheiros do costume e ir cear ficando até às tantas a falar do dia seguinte. 

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Não me lembro do que dormi de sábado para domingo. Sei que acordei fresquinho que nem uma alface, como dizia o outro, e antes do almoço já estava na Catedral. Fui de mota e senti aquele arrepio na espinha ao ver a quantidade de carros com cachecóis e bandeiras que faziam fila nos acessos ao Alto dos Moinhos. Fiz questão de dar uma volta maior e passar pela zona onde vivi mais de 30 anos, fui até perto do Califa e do parque do Fonte Nova e sorri com a imagem de dezenas de benfiquistas junto aos carros a comerem e a beberem como eu via da janela do meu quarto desde criança em dias como este. 

 

Se há coisa que nunca me habituo é a controlar a ansiedade pré campeão. Apesar de ter 43 anos e já ter vivido dias assim, tantas e tantas vezes, parece que é sempre a estreia. É incontrolável. 

A alegria de chegar perto da estátua do Eusébio e encontrar um amigo que conheci no liceu de Benfica em 1989. O Vítor Pimenta, de quem já falei aqui algumas vezes. Ele, o filho e os seus amigos vindos lá do norte onde o Benfica é tão bem representado. Sempre generosos partilharam um farnel digno dos Deuses e umas cervejas fresquinhas. Bem hajam, benfiquistas do norte com esse sotaque abençoado e essa vontade de estar perto do clube. Todos. 

 

No grande dia as horas já parecem minutos. É tipo dia de casamento. Meses à espera do dia e passa num instante. 

Às 14h no pavilhão para testemunhar história. Vitória na final da Euroliga de hóquei em patins. Campeões Europeus! 

Festejos feitos e saída para o exterior à conversa com um companheiro sempre presente na hora de apoiar as modalidades, um tal de André Horta que jogou na nossa formação, brilhou no Vitória FC e agora, já se pode ir dizendo, volta às origens. Um puto cinco estrelas, um dos nossos, um dos que nos levam connosco para junto daquele emblema quando vestir o manto sagrado.

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E de repente estava na hora de entrar no Estádio da Luz que se ia enchendo. Desde que saí de casa até entrar na minha bancada passaram horas que a mim me pareceram uns minutitos.

 

Descer as escadas até ao relvado para dar aquele abraço forte e sentido ao João Martins que tanto tem sofrido comigo ao longo dos últimos meses. A casa dele também é Tri Campeã, lá viveram-se vitórias forasteiras fortíssimas.

 

Juntar a turma de sempre, conhecer outros sócios sempre generosos a apresentarem-se e a elogiarem este espaço, tal como o Uma Semana do Melhor, que são feitos, exactamente, para nos juntarmos todos à volta do Benfica. Abraço ao pessoal de Santarém, fica prometida a sopa em Almeirim.

 

O jogo começa mas hoje os nervos eram diferentes. A minha atenção não estava tanto na táctica que Manuel Machado apresentava, ou na atenção aos melhores jogadores do Nacional. Hoje só via Benfica. Punha os olhos na bola e nem prestava atenção a quem a conduzia, só fazia a ligação visual entre a bola e a baliza vislumbrando linhas rápidas para lá chegar. Não queria pensar nos castigados, lesionados ou escolhidos para a equipa. O momento era de cumprir um destino que nos estava traçado, não queria pensar em surpresas ou desfeitas. Só queria perceber como é que a bola ia parar no fundo da baliza de Gottardi rapidamente. 

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Entretanto, a bola não entrava mas o ambiente da Luz era à antiga. Infernal, sentia-se a vontade enlouquecida dos mais de 60 mil ali presentes em festejar. Alguém diz atrás de mim: golo Sporting. 

Nem liguei. Desde o derby que o Mitroglou decidiu a nossa vida é esta. Lutar até à última gota de suor por vitórias arrancadas a ferro enquanto os outros passeiam contra adversários surpreendentemente passivos. Portanto, não esperava menos que uma goleada dos rivais em Braga. Se no Dragão foi o que foi... 

 

Antes que o povo entrasse em transe com a realidade matemática do momento, o Sporting esteve na frente uns bons 3 minutos, apareceu Nico Gaitán a abrir mais um livro de recital na relva. Golo do Benfica, explosão nas bancadas, nas ruas, no país, no mundo. Alguém a partir dali pensou que isto não ia acabar em festa de arromba?

 

Para não haver dúvidas, antes do intervalo Jonas faz o seu golo da ordem e olha para as bancadas com expressão de soltem os fogos. O melhor intervalo da época. Ver nas televisões do estádio o festejo do Gaitán foi a confirmação do que se passou esta época, jogadores a atirarem-se para os braços dos adeptos. Ver a equipa de hóquei correr pelo relvado fora como uns putos foi igualmente marcante.

Nós prontos a retribuir.

 

Para a baliza grande impunha-se nova dose. Mitroglou fez uma justa homenagem a Ruiz e não quis marcar à boca da baliza mas também não atirou para fora porque não é nenhum vice campeão. Mandou a bola à trave fazendo uma bela assistência para a entrada de cabeça do "10" Gaitán. Que Bonito. Os fogos já se soltavam no piso 1, no piso 2 e no piso 3 em vários sectores do estádio. Todos improváveis. Como é lindo ver tochas e fumos nas bancadas que costumam estar desertas em jogos da Taça da Liga.

 

Não foi uma segunda parte de um jogo de futebol, foram 45 minutos de festa rija na bancada. Troncos nús ao vento e ao sol, cânticos para todos os gostos, sorrisos com a goleada do vice campeão e abraços repartidos por todos.

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O momento que marca a diferença deste título para outros recentes, o estádio a pedir Paulo Lopes e Rui Vitória a fazer gestos para a bancada explicando que sabe que o nosso careca trepador de balizas tem de entrar. Calma, ele já entra. Diálogo entre benfiquistas directamente do banco para a bancada, coisa linda.

Claro que Paulo Lopes entrou, emocionou-se e emocionou-nos. 

 

Quase que me esquecia de um pormenor. Houve mais um golo! Assistência de Jonas e golão de Pizzi com remate de primeira para mandar o Topo Sul abaixo. Estávamos a fechar o campeonato como o abrimos, quatro golos em casa e final de jogo em festa.

Naquela primeira jornada contra o Estoril o estádio acreditou que em Maio isto ia acontecer e aconteceu. Nas derrotas com o Sporting e Porto na Luz o ambiente no fim de jogo foi de confiança à equipa, ficou célebre a reacção do povo ao minuto 70 contra os verdes. Fomos recompensados. O Benfica é assim.

 

Depois seguiu-se a festa. Cada um de nós viveu-a à sua maneira, as fotos, os vídeos, os testemunhos estão por aí.

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Eu tento sempre celebrar da mesma forma, junto dos meus companheiros que me aturam durante a época, dos que me convencem a viajar quando hesito, dos que gostam tanto de comer e beber como eu, dos que vejo sempre, dos que vejo às vezes, dos que me pedem para lhes dar confiança em tempos de ansiedade, dos que me dão confiança quando estou nervoso, dos que me arranjam bilhete em tempos de filas, dos que me dão o seu cartão quando é a minha vez de arranjar para eles, de todos.

E mesmo assim ficam sempre tantos e tantos abraços por dar. Só trocas de sms e chamadas telefónicas que sabem a pouco, queria abraçar, um por um, todos aqueles que partilham comigo sempre este amor incondicional ao Sport Lisboa e Benfica.

Com os meus pais é diferente, desde sempre que me sinto logo acarinhado pelo pai sportinguista mas que gosta de me ver feliz e pela minha mãe que vibra tanto com isto que se tivesse um red pass era tão "índia" como nós. E a santa da minha mulher que só com uma troca de sms sabe perfeitamente o estado tresloucado em que estou nestas alturas, sendo o mais importante e incrível é que compreende sempre com um sorriso.

Mais complicado é pensar nos que já não estão aqui connosco. E já vão sendo alguns. Sempre que olho para o céu, naquele espaço entre a cobertura do estádio por cima de nós, lembro-me de quem já esteve naquela bancada comigo, naquele estádio e no outro e que agora estão lá em cima a aplaudir e a piscar o olho. Acredito que continuam a celebrar.

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Somos Tri Campeões. Tecnicamente, já vivi isto, tal como o Pietra, só que o nosso defesa direito lembra-se e eu não. 

Agora sim, começa a festa. Até aqui a festa do futebol é sofrer desgraçadamente. 

A sorte é ser do Benfica e ser do Benfica é tão bom. Hoje e sempre.

Rumo ao 36!

 

 

Benfica - Nacional Domingo às 17h

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Os jogos do Benfica e do Sporting na 34.ª e última jornada da Primeira Liga, nos quais se vai apurar o campeão, disputam-se no domingo, a partir das 17:00, anunciou hoje o Nacional.

 

O clube madeirense, que visita o Benfica na última ronda, divulgou a marcação do encontro no Estádio da Luz, em Lisboa, para a 17:00 de 15 de maio, o que implica que pelo menos a visita do Sporting ao Sporting de Braga esteja agendada para a mesma hora.

 

O regulamento de competições determina que os jogos da última jornada devem ser realizados ao mesmo dia e à mesma hora, excluindo-se aqueles cujos resultados não interfiram direta ou indiretamente na classificação, em matéria de promoção e despromoção, obtenção do primeiro lugar, de lugares de posicionamento nas fases da Taça da Liga e de lugares de acesso às competições europeias.

Marítimo 0 - 2 Benfica: Com Menos Um Mas Já Só Falta Mais Um

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Um dia vou arriscar escrever um romance melodramático sobre os dias, as horas, que vivemos entre jogos decisivos do nosso clube. A eternidade a que parece estar o próximo jogo, as conversas, as confissões, os prognósticos, as palavras de confiança que deitamos da boca para fora, os receios, os ses, ir a um concerto e só pensar no próximo desafio, encontrar companheiros e trocar olhares sem dizer uma palavra, ler notícias, ouvir teorias, rejeitar saber dos outros, pensar só em nós, horas e horas que deviam ser de sono profundo e se transformam em noites mal dormidas, estarem a conversar connosco e não ouvirmos metade porque estamos a pensar se o Jonas estará bem, perguntarem-nos por planos daqui a uns dias e nem sabermos se sobrevivemos a mais um jogo decisivo, combinar ver o jogo em locais que nos deram sorte noutras noites, evitar aqueles em que não fomos felizes. São dias e dias de ansiedade, de demência que nos congela o pensamento até aos próximos 90 minutos. Andamos horas e horas, dias e dias, a arranjar desculpas para viver até que chegue mais um momento da verdade.

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O momento chegou, a bola rodou. O Benfica todo de branco (que equipamento tão à Benfica) empurrado por uma espécie de Estádio da Luz pintado de vermelho no meio do Atlântico. 

As fotos dos últimos dias nas redes sociais não enganavam. Era difícil passar por um mural de algum companheiro que não estivesse a partilhar imagens de lapas, espetadas, bolo do caco, milho, ponchas ou coral! Os adeptos não falham, o apoio no Funchal era igual ao da Luz.

 

O Marítimo optou por uma postura defensiva, abdicou da posse de bola e dedicou-se à pressão sobre os adversários, marcações apertadas e preenchimento eficaz dos espaços no seu meio campo. 

Valha a verdade que nunca chegou a entrar naquele capítulo vergonhoso do anti-jogo, apenas apostou num jogo mais defensivo.

 

O Benfica tardou em fugir da teia da equipa de Nelo Vingada e só quando metia velocidade no jogo criava perigo. Era preciso Jonas recuar muito para haver desequilíbrios e tentar servir as alas para conseguir cruzamentos. 

O momento do jogo na primeira parte acontece quando Renato Sanches entra na área e cai no confronto com um carrinho de Plessis. Ficou a dúvida se podia ser penalti mas dificilmente seria lance para o jogador do Benfica ver um cartão amarelo.

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Foi a melhor fase do Benfica. Jonas, sempre ele, inventou uma jogada que acabou com uma bomba no poste. Mais tarde só não marcou de cabeça porque Salin fez grande defesa. Também Carcela ameaçou mas o nulo teimava em manter-se.

 

Aos 37 minutos o céu parecia cair sobre as nossas cabeças. Renato tem uma atitude irreflectida e derruba um adversário de forma a merecer ver cartão amarelo. O problema foi o primeiro mal mostrado. Inexplicavelmente, o miúdo que endireitou a equipa no assalto ao Tri vacilava num jogo decisivo.

 

 Rui Vitória pediu a Pizzi para jogar no interior para não descompensar o meio campo e a equipa aguentou-se.

Ao intervalo o cenário não era o mais agradável. Se o jogo já tinha começado em alta tensão, a 2ª parte arrancava na tensão máxima.

 

Mais uma vez, o Benfica cerrou fileiras e foi à procura do golo. Mesmo com menos um, a entrada para a segunda metade foi exemplar e de repente Mitroglou aproveita uma bola caída na área para o seu pé esquerdo e leva à loucura milhões de adeptos que só pensavam em ter um momento destes há dias e noites!

Estava feito o mais complicado, o Benfica ficava na frente do marcador, as bancadas explodiam de alegria, os jogadores ganhavam motivação extra e o Marítimo tinha que sair do seu quintal.

Houve mais espaço e era preciso afinar táctica, estratégia e equipa.

 

Pelo meio um grande susto com a lesão do central do Marítimo, Maurício. A saída de ambulância foi dramática e espero que a recuperação seja total e rápida. Pior momento do jogo.

 

Quem tem visto os jogos do Benfica esta época sabia o que havia de fazer Rui Vitória. Samaris tinha que entrar urgentemente, substitui Jonas, mas Talisca foi chamado para o lugar de Carcela primeiro. 

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O brasileiro voltou a entrar bem no jogo e repetiu a obra de arte que tinha vendido a Neuer. Desta vez foi Salin o comprador. O 0-2 estava feito dando um pouco de descanso nos desgastados corações benfiquistas.

Com Samaris em campo e depois Raul Jimenez, o jogo pareceu sempre controlado. O mexicano podia ter feito o 0-3 mas a barra voltou a negar o golo ao Benfica.

Cheios de alma, com muita luta, muito sacrifício, os jogadores do Benfica seguraram uma vitória importantíssima num terreno nada fácil e escorregadio.

 

A tão esperada e ansiada vitória esta conquistada. O alivio de, finalmente, irmos à Madeira e jogarmos o nosso jogo a tempo e horas, sem adiamentos nem folclores.

O problema é que uns minutos depois começa tudo de novo porque agora o pensamento só está no primeiro golo que temos de marcar ao Nacional. 

Voltamos ao começo. Depois da enorme satisfação que foi ver o Benfica não vacilar, aí vamos nós para horas, dias e noites de ansiedade outra vez. Adepto sofre.

O Benfica tem mostrado um orgulho muito seu que nos faz acender a chama imensa mais intensamente do que nunca! 

 

Benfica 1 - 0 Vitória de Guimarães: Jardel Resolve!

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 (Fotos: João Trindade) 

 

Desta vez tive o cuidado de ir espreitar o que diz a imprensa desportiva sobre o jogo antes de vir aqui deixar a habitual crónica de jogo. Confirma-se que vivem numa realidade paralela e acabam por ver um jogo diferente daquele que vi. Sobre a primeira parte absolutamente vergonhosa que o adversário do Benfica fez ontem na Luz nem uma critica. Faz tudo parte do espectáculo e da estratégia. Por isso, voltei a lembrar-me o que , realmente, me motivou a abrir um blog para escrever sobre o futebol do Benfica. Voltei a recordar o dia em que tive uma imensa vontade de desabafar após cada jogo do meu clube num espaço público. A razão é a mesma de sempre, não vejo o mesmo futebol que aparece reproduzido e tratado nos meios de comunicação social tradicionais. E , por acaso, até há mais pessoas que pensam como eu e gostam de passar os olhos pelas minhas crónicas, e por outros textos de outros companheiros que fazem o mesmo, porque se revêem nestas palavras.

 

Por outro lado, não vim a correr para casa ligar o computador à internet numa 6ª à noite porque, felizmente, não vivo solitário e sem amigos, por isso acabo por ir saborear o triunfo à mesa rodeado de companheiros de sempre. Infelizmente, não me pagam para estar aqui a escrever, nem sabia que isso faz parte das tarefas de um presidente de clube bem remunerado. 

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Não há que ter rodeios na abordagem a este jogo. Que fique aqui documentado que aquilo que vi no Estádio da Luz na primeira parte foi tudo o que futebol não pode nem devia ser. Nunca tinha visto um festival tão intenso de anti-jogo como este que o Vitória veio mostrar. Depois do minuto 20 e até perto do intervalo não houve futebol. Jogadores no chão por todo o lado, a equipa médica a entrar em campo mais vezes do que a soma de todos os jogos que vi nas competições europeias durante a semana, um treinador que converte a sua expulsão de campo num acto de circo interminável aos olhos de mais de 60 mil adeptos que pagaram para ali estar a ver futebol. Nós vamos preparados para sofrer com a nossa equipa, para respeitar o adversário e sabemos que ninguém nos vai oferecer nada, por isso temos muito que aguentar mas nada nos prepara para um encontro entre uma equipa que joga para ser campeã e outra que joga para nada mais do prestigiar o emblema que leva o peito mas prefere usar o anti-jogo reles e baforento para se agarra a um ponto que lhe vai dar não se sabe bem o quê a mais.

 

Sobre os primeiros 45 minutos não há muito mais a dizer, lamento o que vi e também que o Benfica não tenha conseguido meter mais intensidade no seu ataque para contornar o mural de três centrais, cinco defesas mais um reforço de médios defensivos. Ao fim de 45 minutos senti-me enganado, a loucura que se tem abatido sobre os últimos jogos do campeonato transformam-nos em batalhas com guerreiros improváveis que nada têm a ver com a luta pelo título mas lutam como se a vida terminasse ali. Usar métodos pré históricos é que me parece um pouco de mais. Mas já estamos habituados desde a jornada 2 em Aveiro quando o Arouca passou metade do tempo a não jogar futebol.

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Como ninguém quer saber disto para nada, basta ver os resumos dos canais de televisão e ler as crónicas dos jornais desportivos, ninguém condena o anti jogo, levanto aqui outra questão curiosa. Num jogo do principal campeonato português é possível ter um guarda redes a usar as mesmas cores de camisola que a equipa de arbitragem usa? Num lance na área do Benfica há dois elementos de amarelo, porquê? Estou a delirar ou isto é mais uma falha amadora de quem devia mandar no jogo? 

 

Felizmente, a 2ª parte abre com um golo do Benfica. Tudo o que devia ter acontecido logo nos primeiros minutos do jogo aconteceu quando a equipa virou o ataque para a baliza grande. Livre de Gaitán, cabeçada de Jardel.

O mais complicado estava feito, porque se aquela bola não entrasse íamos ser levados à loucura com a perda de tempo que se seguiria. 

A partir dali apareceu uma nova equipa em jogo. O Vitória de Guimarães afinal sabe jogar à bola, sabe o que é o conceito de atacar e até percebe que os seus jogadores devem repor a bola rapidamente em campo mantendo-se em pé o tempo todo. Curioso! 

O Benfica acusou a reacção do Vitória e o jogo ficou equilibrado.

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A aposta de Rui Vitória no mesmo onze começa a evidenciar o desgaste de alguns jogadores. Desde logo Pizzi, Mitroglou e Renato Sanches, que muitas vezes querem mas as pernas não obedecem. Também Gaitán está longe da frescura física. Mesmo assim o argentino somou mais uma assistência à sua conta pessoal. Em sentido de forma oposto está Fejsa que tem sido o seguro desta equipa nestas batalhas. Já nem vale a pena desfilar elogios ao sérvio, basta dizer que quando ele é titular não há outro jogador que mereça mais o prémio de melhor em campo. Monstruoso! 

Também Ederson merece destaque, decisivo e corajoso a negar o golo a Hurtado. Já é uma certeza absoluta entre os postes. A ajudar o guarda redes esteve André Almeida que efectuou o duplo corte da época ao negar o golo a Hurtado, outra vez. Ainda teve o discernimento de ser expulso para poder jogar na Madeira falhando a Taça da Liga. 

Para todos aqueles que embirram com Eliseu, revejam o jogo do defesa esquerdo e percebam a utilidade e a entrega do homem. Essencial.

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As substituições de Rui Vitória foram todas trocas directas sem mudar o seu 4-4-2. A entrada de Raul Jimenez voltou a ser épica. O mexicano sente-se confortável com o estatuto de reserva moral e entra com tudo. Podia ter feito um dos golos do ano mas Miguel Silva negou-lhe com uma grande defesa que foi transformada em pontapé de baliza! Depois arrancou um daqueles pontapés fora da área que a barra devolveu e justificou a sua entrada. 

 

Faltou ver o Benfica fazer uns 15/20 minutos convincentes como aqueles em que deu a volta ao resultado com o Setúbal mas, ainda assim, a equipa não se recusou a encarar o desafio com toda a alma. 

No fim Sérgio Conceição disse que os adeptos do Benfica são fabulosos, são o 12º jogador. Pois somos. O treinador do Vitória deve saber do que fala quando nos elogia porque está num clube que tem uma massa adepta incrivelmente dedicada ao clube que não merecia passar pelo enxovalho que a sua equipa mostrou em metade deste jogo.

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O Sérgio em vez de elogiar os adeptos do Benfica devia era honrar os vimarenenses e jogar com honra, orgulho, para ganhar. Olhem, como aquele Vitória que eu vi há um ano por esta altura em Guimarães que jogou olhos nos olhos com o Benfica prestes a ser campeão nacional, curiosamente, treinado por Rui Vitória. 

 

Esta passagem pela Luz do Vitória quase que me faz perder o imenso respeito que tenho pelo clube. Nem faltou uma vergonhosa e embaraçosa declaração pública de uma rádio minhota para me deixar feliz com a classificação final miserável que o clube vai ter.

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Da nossa parte, objectivo cumprido. Mais um triunfo, fim de semana descansado e pensar nos dois últimos jogos da competição. Preparar muito bem a ida ao Funchal é o maior objectivo a partir de agora.

Estamos perto mas falta sofrer muito.