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Benfica 0 - 1 Manchester United: Mourinho Show

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 Foi a noite dos regressos de Lindelof, Matic e Mourinho à Luz. Os dois primeiros despediram-se com humildade e classe no final do encontro com palmas, José Mourinho passou com estrondo por Lisboa marcando fortemente as conferências de imprensa antes e depois do jogo.

O Manchester United venceu numa falha de principiante de Svilar. Talvez o resultado mais justo desta noite tivesse sido um 0-0. Deu toda a ideia que seria um final que o treinador português do United não desdenharia. A sua equipa reagiu muito bem a uma entrada forte e imprevisível do Benfica com muitas surpresas no onze. Desde logo, Rui Vitória optou por deixar Raul Jimenez mais isolado na frente reforçando o meio campo com Fejsa, Augusto e Pizzi. Diogo Gonçalves, outra aposta inesperada, e Salvio nas pontas.

O Benfica conseguiu mandar no jogo, Grimaldo e Douglas a subirem muito criando vários problemas a defensiva inglesa. Foi pena não ter resultado em nada este melhor período do Benfica. É que um pouco antes do intervalo e, principalmente, no arranque da 2ª parte, o Man United optou pela posse de bola com a equipa posicionada em campo de forma superior, preenchendo todos os espaços jogáveis de uma linha lateral à outra.

Posse de bola com muita paciência e o Benfica a cheirar a bola a apostar tudo em contra ataques, assim foi o jogo do Manchester até aquele golo de Rashford que Svilar confirmou. Pareceu-me ouvir uma gargalhada neste momento, Vítor Baía terá expressado a sua admiração por ter sido validado o golo, no seu tempo não era assim...

Acabou por ser um golo ainda mais inglório que aquele de 2005 mas desta vez não houve resposta à altura e o Benfica perdeu mesmo este clássico com a equipa inglesa que me parece muito mais equilibrada e dominadora esta época.

 

O que fica desta noite é o show que José Mourinho deu no pós jogo explicando muito do que está a acontecer no Benfica. Sou insuspeito para o citar, pois sou, assumidamente, muito mais pró Pep Guardiola do que Mourinho Team:

 

«Significa isto que o Benfica vai ganhar 10 campeonatos nacionais seguidos? Acho que não. O FC Porto ou o Sporting não vão deixar. Farão investimentos a outro nível. Mas o Benfica está a seguir uma linha que tem dado títulos e coisas como esta partida. Perde o jogo, mas perde-o com os adeptos atrás da equipa. Os jogadores saem com níveis de confiança mais altos e o Rui reforçado. Foi uma daquelas derrotas em que se ganha um futuro próximo. Sendo adversário mas português, sinto-me orgulhoso e mais orgulhoso ainda quando mostrei aos meus colegas do United o que são instalações desportivas de alto nível», disse em conferência de imprensa.

Olhanense 0 - 1 Benfica: Noite de Estreias

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 Começo por lamentar o facto do jogo não ter sido em Olhão. Para ser coerente como que sempre defendo aqui há anos, os jogos da Taça de Portugal deveriam ser sempre no estádio das equipas e não em recintos emprestados. Não abdico disto e nos últimos anos tem sido comum ver o 1º de Dezembro ir para o Estoril, o Real para Belém, o Vianense para Barcelos e agora o Olhanense para o Estádio do Algarve.

Neste caso, é um mal menor. Mantém-se o jogo numa região que o Benfica visita pouco. Só por isso, acabei por me fazer à estrada. Ir ter com amigos do Algarve, comer caldeirada, lulas e outras iguarias do sul na melhor companhia antes do jogo e aviar um franguinho da guia antes do regresso, já justifica um sábado à Benfica.

Pegando nos exemplos que citei de jogos destas primeiras fases da Taça de Portugal, se nos lembrarmos bem todos eles foram partidas que ficaram marcadas por vitórias do Benfica mas com exibições fracas. Ou seja, sempre com resultados de vantagem mínima e dificuldades inesperadas. Tem sido sempre assim. Ainda no ano passado o Benfica ultrapassou o 1º de Dezembro com um golo de Luisão no final do jogo e, no entanto, o clube acabou a época a festejar mais um triunfo na Taça de Portugal.

Com esta experiência não ia com grandes expectativas para o Estádio do Algarve, só queria ganhar.

Foi o que aconteceu, foi um jogo parecido com todos os outros desta fase dos últimos anos mas com o aliciante de percebermos que pode ter nascido uma nova estrela na baliza. O jovem Svilar deixou boas indicações e pode ter acontecido um daqueles momentos que daqui a uns anos vou poder dizer orgulhoso que estive lá, naquele jogo em que o miúdo se estreou.

 

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Também Douglas fez a sua primeira partida pelo Benfica e mostrou muita vontade, pouca condição física, boas ideias a atacar e preocupações ao nível defensivo, normal para uma estreia.

Gabriel Barbosa aproveitou para fazer um belíssimo golo que marca a sua estreia como marcador pelo Benfica.

Uma vitória por 0-1 num jogo sem grande história.

Surpreendeu o facto da equipa não ter criado muitas mais oportunidades de golo, assim como também surpreendeu a pouca afluência de benfiquistas algarvios ao estádio. Em 2017 o Benfica só foi duas vezes ao Algarve e os adeptos locais nunca quiseram encher o estádio. Estranho.

O essencial dentro de campo foi conquistado. O convívio de mais um dia a viajar tendo o Benfica como pretexto foi óptimo. Menos um passo para o Jamor.

Curiosamente, há uns meses no Jamor apanhei uma das maiores chuvadas da minha vida enquanto adepto, estava o versão a chegar. Agora, já com um mês de Outono e passei um belo dia de Verão no Algarve.

 

 

Marítimo 1 - 1 Benfica: Jonas Merecia Mais

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 O contexto era mau. Uma derrota inadmissível na Suíça, uma Assembleia Geral quente, atraso no campeonato mas com a possibilidade de virar o cenário. A equipa do Benfica entra em campo no Funchal já a saber que os dois rivais tinham empatado em Lisboa, naquela espécie de clássico amigável, e, por isso, com hipótese real de ganhar terreno na classificação e inverter uma fase má.

Jonas mostrou o caminho. Um grande golo a abrir o jogo num terreno vergonhoso.

Há várias semanas que se sabe que o relvado do estádio do Marítimo está num estado miserável. A imagem de um pantanal verde não bate certo com as inúmeras fotografias de que os benfiquistas que foram à Madeira publicaram em pleno clima de verão durante o fim de semana. A Liga de Clubes nada disse, como sempre, e tentou-se disfarçar nos últimos dias com notícias de melhoras do relvado nos jornais.

O estado vergonhoso do tapete de jogo esteve à altura de uma péssima realização televisiva, como já vem sendo hábito na Sport TV.

 

De qualquer maneira, o Benfica fazia o mais complicado que era conseguir entrar no jogo a ganhar e , assim, conquistar confiança e motivação para uma partida tranquila ficando mais perto do objectivo dos três pontos.

Ou, pelo menos, devia ter acontecido assim.

Na realidade, voltou a acontecer algo que esta época é um verdadeiro mistério à espera de ser desvendado. Porque raio a equipa quando se vê em vantagem tem tendência para ir largando o domínio de jogo até ao ponto de ceder a tal vantagem?!

Não se percebe esta apatia de que já falei noutras crónicas desta época.

Olhando a frio, entende-se que Pizzi está muitos furos abaixo daquilo que costuma estar e isso reflecte-se, e muito, no futebol atacante da equipa. A confiança da defesa também não é famosa. O golo do Marítimo é o exemplo perfeito disso mesmo, deixa-se o jogador adversário centrar à vontade, a bola cai em plena pequena área e não oposição nem da defesa nem do guarda redes.

Depois, quando se espera uma reacção forte e convivente não se vislumbra tranquilidade, nem cabeça, para voltar para a frente do marcador.

É verdade que Jorge Sousa conseguiu condicionar Fejsa muito cedo no jogo, numa altura em que o Benfica estava por cima e os jogadores madeirenses apresentavam um desfile de entradas faltosas todas a desafiar cartões por parte do árbitro. É verdade que, na minha opinião, há um penalti que fica marcar para o Benfica por mão na bola na área do Marítimo e numa altura crucial do jogo. E também é verdade que o terreno vergonhoso não dava espaço a grandes jogadas elaboradas nem trabalhadas pela relva. Mas esperava-se muito mais da equipa do Benfica. Jonas merecia muito mais eficácia da parte dos seus companheiros para se sair desta jornada com um ânimo novo.

Assim, foi só mais um jogo pouco conseguido, um mau resultado e o prolongar de um ambiente desfavorável à volta da equipa e do clube que aumenta a desconfiança de seguidores e observadores do futebol do Benfica desta época.

Uma oportunidade falhada para se dar a volta por cima. Marcou-se passo antes da paragem do campeonato que só regressa depois das decisões de selecções apuradas para o Rússia 2018 e da estreia na Taça de Portugal no Algarve.

 

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: A Fase com Fejsa é Sempre Boa

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 Hoje a questão era entre ganhar ou ganhar. O Benfica tinha de manter o caminho imaculado nos jogos em casa no campeonato e com isso regressar à normalidade das vitórias após estreias em falso na Europa e na Taça CTT, a que se somou uma inesperada derrota no Bessa.

Respirar fundo e preparar um onze que desse garantias de uma noite tranquilo com três pontos conquistados, era tudo o que os benfiquistas pediam para esta primeira noite de outono no Estádio da Luz neste sábado.

 

Júlio César aproveitou a oportunidade aberta na Taça da Liga a meio da semana para reconquistar a titularidade natural na baliza do Benfica. Almeida manteve-se à direita, Luisão voltou a encontrar ao seu lado o jovem Ruben Dias e Grimaldo está a regressar aos bons desempenhos na esquerda da defesa.

 

Depois o mais importante, Fejsa regressa à equipa e é logo outra dinâmica. Isto com Fejsa é quase começar a ganhar o jogo. Pizzi continua a subir de forma na sua posição e nas alas houve oportunidade para Zivkovic brilhar mais à direita, como tanto gosta, e Cervi pela esquerda.

Na frente, a dupla desta época, Jonas e Seferovic.

 

 ( Fotogaleria de João Trindade)

 

Curiosamente, os golos nascem destas duas últimas duplas. Zivkovic assistiu Cervi, Seferovic assistiu Jonas.

A história do jogo fez-se mais dos golos falhados do que dos golos marcados. Numa noite mais inspirada e de acerto, o Paços de Ferreira saía da Luz como mais uma, das muitas, goleadas que tem no historial de encontros com o Benfica.

 

Mas para o contexto do jogo hoje o mais importante era mesmo vencer e sentir confiança na equipa.

Acham mesmo que com um guarda redes com a carreira de Júlio César, com Fejsa a titular, com Pizzi a subir de forma, com dois alas daquela qualidade e um avançado da classe de Jonas, o Benfica está morto e enterrado?

A mim não me parece que seja assim.

Hoje não foi brilhante mas foi bom. A resposta está dada e até já se recuperaram pontos a um dos rivais.

É este o caminho.

E nós, melhor do que ninguém, conhecemo-lo muito bem.

Que tenha sido a viragem de uma fase má porque com Fejsa a fase é sempre boa.

Benfica 1 - 1 Braga: Gloriosos 24160

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Há pouco mais de um mês o Benfica recebeu o Braga na Luz para o arranque do campeonato. O Benfica vinha da conquista da Supertaça e conquistou os três pontos contra o Braga.

Repito, pouco mais de um mês depois e o contexto futebolístico está virado ao contrário. O Benfica volta a receber o Braga na Luz mas em luta para inverter um ciclo negativo que teima em manter-se.

Rui Vitória sentiu necessidade de lançar novas caras, novos nomes e algumas estreias no clube, como foi o caso de Krovinovic. Também tentou inovar na organização táctica da equipa.

Júlio César voltou à baliza, Eliseu, André Almeida, Jardel e Ruben Dias, na defesa. Depois, Filipe Augusto e Samaris, com Krovinovic mais à frente e Gabriel na direita, Rafa na esquerda e Raul na frente de ataque.

O mais interessante é que a equipa respondeu de forma positiva, tomou conta do jogo, mostrou vontade e chegou ao 1-0 por Raul.

O que é misterioso é o que se passa depois. Uma espécie de apagão colectivo progressivo que vai deixando a equipa apática a assistir à reacção do adversário até este chegar ao golo. Foi assim com o Portimonense, CSKA e Boavista. Muito estranho.

Dá ideia que psicologicamente a equipa não está estável, sinais mais evidentes à medida que chegamos perto do final do jogo e não se vê objectividade no ataque. Jonas podia ter dado a vitória mas André Moreira negou-lhe o golo e há uma jogada de Gabriel pela direita que é interrompida por fora de jogo inexistente e que dava golo. São pormenores que podiam ter mudado a história do jogo.

As coisas não estão a sair a bem mas hoje viu vontade de mudar o rumo dos acontecimentos, seja pela aposta em novos jogadores, seja pela escolha táctica, seja pela maneira como se chegou à vantagem.

É verdade que o ciclo é delicado mas falamos de três jogos seguidos para três competições completamente diferentes. Marcámos passo em todas elas mas não é o mesmo do que estar três jogos sem ganhar para o campeonato.É uma fase má que a equipa precisa de ultrapassar e hoje voltou a contar com a ajuda dos seus adeptos.

 

(Fotogaleria: João Trindade)

 

24160 que foram dignificar uma competição tratada aos pontapés pela Liga de Clubes. Que justificação dá a Liga para este Grupo ter o seu primeiro jogo depois da 9 da noite e até há pouco tempo nem se saber bem quando é que se disputava o outro encontro. Que competição é esta que tem um calendário completamente baralhado, o Porto adiou o seu jogo por alma de quem?! Um grupo que era para ter o Real mas que foi afastado para entrar o Belenenses que, por sua vez, trocou de lugar com o Portimonense como parceiro de Benfica e Braga. Isto é tudo surreal mas 24160 quiseram acompanhar a sua equipa numa competição que apenas o Benfica costuma prestigiar.

24160 que percebem o momento mau que a equipa atravessa e fizeram um esforço por vir ao estádio aproveitando os preços dos bilhetes baratos.

24160 num jogo de abertura da Taça da Liga na Luz deve ser um recorde, costumamos ser menos.

24160 nas bancadas não chega a ser metade da lotação do estádio e, por isso, temos sempre de perguntar pela outra metade. Parece-me que a equipa precisa do apoio dos seus adeptos mais do que nunca.

Valentes 24160, mereciam mais felicidade naquele último tiro do Jonas.

Que tudo volte ao normal no sábado com o Paços de Ferreira, já noutra competição.

Boavista 2 - 1 Benfica: O Desnorte Não Desculpa o Desprezo

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 O poder de uma imagem é este, olha-se e vê-se milhares de pessoas unidas por um ideal, neste caso, o melhor de todos, o Sport Lisboa e Benfica. Estes adeptos vivem, teoricamente, na sua maioria no norte de Portugal e resolveram dar tudo para estarem neste sábado à tarde no Bessa para criar um incrível ambiente de apoio que começou antes do jogo e durou até ao apito final. São adeptos que percebem o momento da equipa e quiseram mostrar que podiam contar com eles. Uma resposta às últimas exibições que estiveram longe de convencer. Criaram-se condições fora de campo para que a equipa se sentisse acarinhada, motivada e apoiada para regressar às vitórias após a estreia europeia.

Tudo parecia estar no caminho certo quando Jonas fez o 0-1 e o Benfica mostrava vontade de chegar cedo à vantagem.

Misteriosamente, a equipa voltou a decair após o mais complicado, ou seja, estar a ganhar. Progressivamente, o Benfica tornou-se menos atacante, mais passivo e apenas com um golo de vantagem chegou ao intervalo.

Foi o dia de estreia de Ruben Dias ao lado de Luisão. De resto, as escolhas de Rui Vitória não surpreenderam ninguém em relação ao que tem sido esta época.

Nas bancadas ninguém se conformava, sentia-se que a vantagem era demasiado curta e puxava-se ainda mais pela equipa. Era preciso um Benfica convicto para resolver o jogo.
Mas voltámos a ter uma quebra inexplicável que começou aos 51 minutos com a saída de Salvio lesionado. Um filme tantas vezes visto que já nem surpreende e um claro sinal que vinham aí dificuldades para gerir o jogo. Nem foi preciso esperar muito, empate 4 minutos depois por Renato Santos depois de uma jogada que a defesa do Benfica não consegue resolver. A vantagem ali era só uma, ainda sobrava muito tempo para fazer um golo que desse a vitória. Reacção era o que se pedia. Na bancada nem um sinal de rendição, mais convicção no apoio.

Mas o filme dos últimos jogos repetiu-se, a equipa parece emotivamente afectada, não consegue responder de maneira afirmativa e convincente. Para piorar o cenário, aos 74' um livre que parecia inofensivo acaba em golo do Boavista por infelicidade de Bruno Varela. A Lei de Murphy a funcionar, tudo o que podia correr mal, correu.

A infelicidade de Bruno Varela a abordar o lance não foi maior que a ineficácia dos seus colegas da frente. Não foi maior que a falta de objectividade de Rafa e Gabriel na hora de fazerem um golo fácil e atrapalharam-se, nem foi maior que o desaproveitamento total das bolas paradas, em livres e cantos, que a equipa desperdiçou em série.

E, o mais importante de tudo, esta infelicidade do Varela não foi maior, nem nada que se pareça, do que o desprezo que os adeptos, os tais que nunca se renderam e tudo deram para um final de tarde mais digno, sofreram por parte da sua equipa de futebol. Inexplicável.

 

Sem dramas, aqui personalizo um pouco a crónica. A 16 de Setembro estava na Luz a ver o Benfica bater o Partizani da Albânia numa 4ª feira europeia. Porque sei isto? Porque é o dia de anos da minha irmã que agora chegou aos "entas". Se naquela noite de 1988 foi um pouco chocante eu abandonar o jantar de aniversário pelo Benfica, em 2017 já ninguém acha anormal que eu esteja no Porto num sábado à tarde. Não há dramas, como dizia. É aborrecido para a família mais próxima sentir que há quem largue tudo para estar perto daquilo que é mais importante naquele momento. Ao fim de tantos anos nesta vida, os jogos que não acabam da maneira que queremos já são encarados com a devida experiência. Esta é a primeira derrota no campeonato desde aquela negra noite no Bonfim no começo deste ano. O sabor amargo é sempre o mesmo, a esperança de um jogo melhor cai logo para o próximo. Mas a sensação de desprezo de uma equipa cabisbaixa a sair do relvado sem um agradecimento por quem larga tudo só para ali estar não é descritível por palavras.

O ciclo pode estar a ser mau, o momento pode ser delicado mas o respeito tem que haver sempre no Sport Lisboa e Benfica. De fora para dentro e de dentro para fora. Sempre!

Benfica 1 - 2 CSKA Moscovo: Sem Público, Sem Equipa, Sem Pontos

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 Apetece-me escrever que a equipa de futebol do Benfica resolveu ter a mesma atitude que a maior parte dos seus associados e adeptos. Se compareceram 38 mil adeptos no Estádio da Luz para a estreia do Benfica na Champions League, quer dizer que 27 mil desprezaram a prova mais mediática de clubes do mundo. Mais coisa, menos coisa, tivemos meia casa para recebe um dos três jogos europeus.

Já sei que o problema é o preço dos bilhetes. Problema esse que, prevejo eu, não se irá verificar quando o adversário foi o Manchester United. Não perco mais tempo com isto, ver o Benfica na Champions deixou de ser um estímulo suficiente para os seus adeptos. Agora é preciso que do outro lado esteja um Manchester United. Portanto, depois não me venham com lirismos quando terminarmos a aventura europeia aos pés de um Borussia da vida, como em Março passado, porque os clubes grandes na Europa de hoje são aqueles que conseguem ter os seus estádios sempre cheios, seja para ver um Manchester, um Qarabag ou um... CSKA.

 

A equipa seguiu a ideia dos seus adeptos. Poucas ideias e nenhuma inspiração para contornar uma organização defensiva conhecida e previsível.

Arrisco dizer que o CSKA é a equipa menos forte deste grupo A. O seu 3-5-2 não tem segredos, lentidão, posicionamento e veterania atrás, qualidade no meio com Golovin e Dzagoev, frescura e irrevencia no ataque com uma dupla atrevida. O facto de ter ouvido muitas piadas com o nome de Vitinho após o penalti, só veio confirmar o que já se sabe há muito tempo, ninguém ligou nenhuma às prosas que apresentavam a equipa russa que elegiam o brasileiro como a principal ameaça.

"Olha, e o gajo que marcou chama-se Vitinho" Ena, bem vindos ao futebol em 2017.

 

Na primeira parte, O Benfica apostou num onze que tinha no regresso de Filipe Augusto, Grimaldo e Zivkovic como aposta na esquerda, com Salvio de volta à direita, uma organização parecida ao que tem mostrado neste arranque de temporada. O problema é que se notou muita previsibilidade na construção dos ataques e um certo desespero para contornar a defesa russa com três centrais.

Muita posse de bola, alguns remates de longe, algumas tentativas de bola na área, muito pouco perigo para a baliza de Akinfeev.

 

(Fotogaleria: João Trindade)

 

O arranque da 2ª parte foi muito mais promissor. Mais velocidade, mais diagonais, mais intensidade e uma jogada pela esquerda com Grimaldo a descobrir Zivkovic que passou para mais um golo oportuno de Seferovic.
Parecia que o mais complicado estava feito, vantagem no marcador aos 50'.

O apagão que se seguiu foi de todo inesperado e surpreendente. O CSKA reagiu, subiu no terreno, o treinador Goncharenko trocou na frente Olanare por Zhamaletdinov e a defesa do Benfica nunca conseguiu mostrar eficácia, confiança e tranquilidade. Isto é um problema grave que Rui Vitória tem para resolver. Com mais de um mês de competição, a defesa do Benfica é demasiado vulnerável.

A reviravolta dos russos aconteceu rapidamente, em 9 minutos passaram de 1-0 para 1-2! Primeiro num penalti que deixa dúvidas quando nos lembramos do agarrão a Seferovic na 1ª parte, o tal Vitinho das piadas converteu, e depois com um golo de... Zhamaletdinov, o tal que tinha entrado.

Assustadora a forma fácil e natural com que o CSKA deu a volta à equipa do Benfica. Mais estranho ainda porque depois do 1-0 era de prever que a equipa ganhasse confiança e subisse a qualidade da exibição.

Se no sector recuado temos sempre que lembrar as saídas dos titulares da época passada, do meio campo para a frente não há desculpas para tanta desinspiração. Estão lá os mesmos artistas, não há Mitroglou mas há Seferovic e Gabirel Barbosa.

O que me deixa mais apreensivo é, precisamente, a maneira como o Benfica acaba o jogo. Uma equipa descontrolada em busca de salvar um ponto. Foram chamados Raul, Gabriel e Rafa, este só aos 89'! Saíram dois defesas, Grimaldo e Lisandro, além do apagado Jonas. Ou seja, acabar o jogo apenas com Luisão e André Almeida como defesas foi estranho e não deu resultado nenhum. O mal já estava feito, foram aqueles 8 minutos da remontada russa.

 

É dramático porque os jogos em casa com o CSKA e Basileia tinham de ser para ganhar. Mas isto na Europa às vezes não começa bem e depois endireita-se. A estreia foi uma decepção. A todos os níveis, em campo e nas bancadas.

Aguardemos por melhores noites.

Benfica 2 - 1 Portimonense: De Onde Vem Esta Apatia ?!

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 Noite bem atípica no Estádio da Luz neste regresso do campeonato a casa.

Na teoria era um compromisso interessante para fazer alguma mudanças na equipa, arrancar uma boa exibição, voltar às vitórias e gerir as expectativas para a estreia europeia que se segue.

Na prática foi tudo ao contrário. A equipa que veio da divisão secundária esta época fez uma exibição muito personalizada e colocou problemas até ao fim.

Rui Vitória manteve o sector defensivo, voltou a chamar Lisandro para o lugar de Jardel. Mas depois optou por apostar em Samaris no lugar de Filipe Augusto, Zivkovic no lugar de Sálvio, mantendo o resto da equipa. O grego ainda não tinha sido chamado depois de cumprir o castigo e o sérvio vinha moralizado da chamada à sua selecção.

O problema é que quando acaba a primeira parte do jogo a pergunta que se fazer era apenas e só: que apatia é esta?

Uma primeira parte cheia de nada que decepcionou os mais de 50 mil adeptos que marcaram presença numa 6a feira à noite na Luz. Não era esta a resposta que se pedia após um empate, após o fecho de mercado e após os compromissos das selecções.

 

(Fotogaleria João Trindade)

 

Para agravar tudo isto, aos 11' da segunda parte, o Portimonense chega à vantagem depois de várias ameaças. Ali o desacerto da equipa de Rui Vitória parecia ainda maior. As entradas de Salvio, Filipe Augusto e Raul Jimenez durante a 2ª parte mostravam bem o desespero vindo do banco a tentar equilibrar a equipa e também a dar mais força atacante.

 

Felizmente, a reacção ao golo sofrido parecia terminar com a apatia geral. Penalti sobre Salvio, respectiva expulsão de Hackman e golo de Jonas. Dezoito minutos depois, quando o desespero nas bancadas já passava para dentro de campo, André Almeida tira da manga um número nunca visto, remate tenso com corte na bola que a levou a efectuar um trajecto tão invulgar quanto lindo. Só parou dentro da baliza de Ricardo Ferreira. Nem me interessa se foi intencional, se foi sem querer, se foi sorte. Azar não foi, de certeza.

 

Parecia estar feito o mais complicado. Puro engano. Apatia voltou. O Portimonense deu tudo na fase final e chegou mesmo ao golo antes dos 90 minutos. Seria o 2-2 perto do fim do jogo.

Enquanto metade do estádio lamentava a apatia defensiva e a outra fazia contas no relógio a ver se dava para fazer o 3-2, a última maravilha do desporto nacional, o VAR, indica ao árbitro que a jogada do golo dos algarvios começa com um fora de jogo.

Ou seja, há um ano, com este sistema, não tínhamos cedido pontos ao Vitória FC.

Por outro lado, este VAR que há umas semanas anulou um empate ao Estoril em Alvalade foi muito elogiado. Hoje, já percebi, trata-se de um escândalo.

Acabou o Benfica por vencer mas a exibição deve servir para profunda reflexão de dentro para fora.

Valeu pela vitória e pela recordação da última visita do clube de Portimão à Luz para campeonato, empate. Que tenha sido um bom resultado numa noite má e nada mais que isso.

Rio Ave 1 - 1 Benfica: A eficácia morreu à sede ao pé de um Rio

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Numa semana vejo um jogo do Benfica e lembro-me de evocar o Brasil 1982 e Johan Cruyff, na semana a seguir só me vem à memória expressões como carregadores de piano e homens de barba rija. Obviamente, vivo para ter jogos sempre no primeiro contexto mas já tenho idade suficiente para saber que esses são a excepção. O mais normal é assistir a jogos como o de hoje em Vila do Conde. Faltas e faltinhas, pouco tempo útil seguido de jogo e muita luta dentro de campo.

 

O primeiro destaque tem que ir para a equipa de Miguel Cardoso. Que bela atitude, bom plano de jogo, dinâmica interessante, excelente compromisso na luta pelos pontos em disputa e uma equipa muito bem armada. Até me parece que já não há nos Arcos a qualidade de um Gil Dias ou Kravinovic mas, em compensação, está a crescer uma ideia colectiva muito interessante. Especialmente, na agressividade sem bola. Excelente jogo do Rio Ave, provaram que o bom arranque de campeonato não foi por acaso.

 

Do lado do Benfica deu a ideia que a equipa foi surpreendida pela falta de espaço para pensar o jogo, não conseguiu reagir à falta de posse bola e acabou por ter uma primeira parte em falso. Só quando o Rio Ave insistia em sair a jogar a bola de pé para pé desde o guarda redes, mesmo que pressionados, é que a equipa do Benfica ficava perto de criar perigo. A saída de Jardel logo no começo do jogo não foi bom sinal, mais uma perca por lesão e chamada de Lisandro que, desta vez, acabou por não ser feliz ao ficar directamente ligado ao golo do Rio Ave.

 

A verdade é que a equipa de Rui Vitória caiu numa teia bem montada e não conseguiu assumir o jogo. É verdade que não havia Salvio nem Fejsa mas o problema foi mais profundo que a mudança de individualidades. Não havia espaço para jogar, não havia tempo para pensar o jogo e, muitas vezes, nem havia bola para se construir jogadas ofensivas.

 

(Fotogaleria: João Trindade)

 

Na 2ª parte o jogo melhorou, ficou um pouco mais aberto e o Benfica conseguiu chegar mais à frente. Só que o Rio Ave soube sempre sair muito bem com bola. Tarantini e Pelé, à frente dos centrais Marcelo e Marcão, construiram uma muralha inultrapassável, e ainda serviam rapidamente Ruben Ribeiro e Geraldes que estiveram em plano superior ofensivamente.

Teria que ser com desequilíbrios pelas alas que o Benfica podia criar perigo, imprimir velocidade com Rafa e Cervi à procura de Seferovic, Jonas e das entradas de Pizzi. Por momentos o jogo parecia ficar mais em direcção à baliza de Cássio mas o Rio Ave nunca se deixou encostar. Aliás, num dos contra ataques os vilacondenses chegaram mesmo à vantagem num lance muito infeliz de Varela e Lisandro.

 

Temeu-se o pior, Rui Vitória lançou Zivkovic para o lugar de Cervi e pouco depois veio a resposta do Benfica. Se o golo do Rio Ave foi um autogolo vindo do céu, o do Benfica veio em forma de penalti escusado que Hugo Miguel vislumbrou numa falta sobre Jonas. O próprio Jonas empatou o jogo.

O Benfica embalou com o empate e construiu em pouco mais oportunidades do que no jogo todo. Aqui cruzaram-se dois dados opostos, a falta de eficácia que Rafa teima em mostrar e a inspiração na baliza que Cássio já exibiu contra o Benfica tantas vezes. Nem a entrada de Raul alterou este triste destino. Cássio hoje foi imbatível.

Mas fica uma rápida reacção do Benfica após uma primeira parte apagada e uma desvantagem ocasional. Desta vez, o último esforço da equipa não foi premiado com a vitória. O empate é um prémio justo para o jogo que o Rio Ave fez.

Benfica 5 - 0 Belenenses: Uma Ode a Cruyff

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Johan Cruyff costuma dizer que, no futebol, “não existe som mais fantástico do que o da bola a bater no poste”. E exemplificava, falando que nos jogos já ganhos, gostava mais de, nos últimos minutos, enviar uma bola ao poste e ouvir aquela típica reacção da multidão “oooooohh”, do que fazer mais um simples golo.

 

Eu quando reconheço génios em campo lembro-me logo de outros génios que aprendi a admirar. Aqui me confesso devoto do génio Cruyff, foi por isso que comecei a crónica com ele. Não é todos os dias que estamos a ver um jogo de futebol e os acontecimentos levam-nos até ao universo de Johan. Mas hoje aconteceu. Quando Jonas chuta do meio do campo uma bola para a baliza do Belenenses e o poste a devolve, é como se algo de poético tivesse nascido no relvado da Luz. O resultado já ia em 3-0, sentia-se que a vitória estava segura e, por isso, aquele momento genial do "10" do Benfica tem tudo para ficar eternizado. A tal beleza do fracasso que aquele Brasil de 1982 é o expoente máximo. A noite em que o Benfica goleia o Belenenses mas o momento é um pontapé do meio campo que ia dando golo.

Depois, já na segunda parte, Luisão cabeceia ao seu estilo na área adversário e a bola bate no poste e sai. Segue-se Cervi, cruzamento do lado esquerdo, bola em arco e em vez de entrar na baliza é devolvida pelo poste da baliza sul da Luz.

Precisávamos de Johan Cruyff ali ao nosso lado na Luz para apreciar este festival de bolas a baterem no poste. No entanto, faltava-me o som. Faz toda a diferença, o som da bola a bater no ferro. Pois bem, Raul Jimenez fez-nos, a mim e a Cruyff, a vontade e atirou uma bomba que levou a bola a bater com estrondo no poste direito da baliza mesmo à minha frente. Desta vez ouvi e sorri.

 

Convenhamos que com tanto capricho até ficava mal irmos embora com um marcador nuns "míseros" 3-0. Então regressamos ao mundo dos génios, Jonas finaliza a meia altura um passe de Raul e faz um golo que a maior parte dos futebolistas que já pisaram o relvado da Luz falhariam.

Pizzi também quis servir o Rei Gonçalves e o brasileiro finalizou o seu terceiro golo no jogo.

Mais do que a vitória, viveram-se momentos de epicismo no Estádio do Sport Lisboa e Benfica.

 

Tudo ficou muito claro logo no arranque do jogo. Um golo logo no começo de jogo e mais dois até aos 33 minutos da 1ª parte é algo que está muito perto dum mundo perfeito para mim.

É um arranque de temporada incrível do Benfica. Desde a temporada de Trapattoni que o Benfica não vencia nos três primeiros jogos do campeonato. Esta época junta-se ainda a conquista da Supertaça. Quatro jogos, quatro vitórias. O melhor arranque do ciclo de Rui Vitória no Benfica, e um dos melhores sempre.

Isto depois de mais uma pré época decepcionante. Já ninguém se lembra da crise em que acabou aquele período de treinos e experiências, no entanto cheguei a ouvir que o Benfica este ano partia atrás dos rivais.

O treinador Rui Vitória já definiu o seu 11 ideal para este primeiro mês de competição. Varela, Almeida, Luisão, Jardel e Eliseu, Fejsa, Pizzi, Salvio e Cervi, Jonas e Seferovic. Para o derby com o Belenenses não havia Fejsa, avançou Filipe Augusto. A única alteração na equipa em nada prejudicou o jogo do Benfica. O brasileiro aproveitou bem a oportunidade a titular para mostrar argumentos convincentes para ser opção para aquela posição.

 

Do lado do Belenenses, Domingos Paciência pareceu hesitar muito na opção dos 3 defesas mais ao centro e acabou por não mostrar um plano B que fosse convincente. Nunca conseguiu estar por dentro do jogo ou em condições de discutir o derby,

 

Num jogo em que o Benfica acerta quatro vezes nos postes da baliza e consegue vencer por 5-0 está tudo dito. Cruyff aplaudiu entusiasmado lá em cima.