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Rio Ave 3 - 2 Benfica (Após Prolongamento): A Derrota Interna Mais Amarga da Época

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 Estive no Algarve no jogo com o Olhanense e fui à Luz ver a eliminatória com o Vitória de Setúbal. Estive para ir a Vila do Conde mas acabei por ficar em Lisboa por motivos profissionais. Quero começar por mandar forte abraço a todos os que viajaram até ao Estádio dos Arcos a meio da semana para apoiar o Benfica num jogo que acabou perto da meia noite e ambiente de inverno.

Obviamente, esperava que esta caminhada acabasse no Jamor. Espero sempre. E como nos últimos anos até temos ido com alguma regularidade a finais, não esperava menos esta época.

A apreensão da altura do sorteio confirmou-se hoje em campo. O Rio Ave joga bem, é forte em casa e já em Agosto não tínhamos passado lá.

A diferença para as outras eliminatórias é que, desta vez, Rui Vitória não fez rotação e foi com a sua melhor equipa para dentro de campo mostrando o respeito pelo adversário e pela competição que se esperava.

Ironicamente, o Benfica esta noite fez a melhor primeira parte da época. Faltou concretizar mais oportunidades, particularmente Salvio devia ter feito pelo menos um golo. A equipa ficou-se pelo golo de Jonas, excelente, por sinal, e foi para o intervalo a vencer.

Na 2ª parte confirmou-se que os falhanços da 1ª parte iam sair caros. O Rio Ave acertou posições, foi até ao fim com as suas ideias, futebol de posse de bola, construir desde trás, pressionar alto e deu espaço aos seus melhores artistas para brilharem. Criaram dificuldades e conseguiram dar a volta ao 0-1.

A partir da altura em que se viu a perder, o Benfica nunca mais teve o controlo do jogo nem das emoções, andou sempre a correr atrás do prejuízo dando tudo para evitar a eliminação. Jonas permitiu a defesa de Cássio numa grande penalidade perto do final dos 90'. Aliás, Cássio defendeu quase tudo o que havia para defender. A história da sua carreira contra o Benfica, sempre o melhor em campo.

Com muito coração o Benfica evitou a derrota por Luisão num canto muito perto do final do minuto 90. Alivio e esperança, foi o que se sentiu no universo Benfica. O problema é que logo depois o capitão sai de campo com uma lesão e deixa a equipa desequilibrada e já com as três substituições feitas.

O Benfica partiu para o prolongamento com a equipa toda remendada e improvisando posições. A expectativa era de atacar porque a maioria dos seus jogadores em campo tinham essas características, mesmo com menos um jogador.

Mas o Rio Ave manteve o seu plano de jogo e rapidamente chegou à vantagem no prolongamento. Aí a equipa do Benfica já não teve mais coração para voltar ao jogo.

Os jogadores deram tudo, a primeira parte não deixava adivinhar um fim tão negro, jogou a equipa mais forte. O Rio Ave tudo aguentou e passa com mérito aos 1/4 de final da Taça de Portugal.

Sinto o mesmo vazio de há dois anos. Na altura eliminados em Alvalade. É duro quando se percebe que não vamos voltar ao Jamor, no fundo é o fim da magia daquela tarde chuvosa de Maio que nos deu mais uma Taça de Portugal. A seguir vencemos a Supertaça e pensamos que voltar ao Jamor é um destino que ninguém nos pode tirar. Dói quando sentimos que esta época não vamos lá. Espero que este vazio volte a dar lugar à alegria de vencer o campeonato como há dois anos.

 

Porto 0 - 0 Benfica: Vivos!

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 Para quem ia sair do Dragão a 8 pontos e desmoralizado para o resto do campeonato não está nada mal seguir para a segunda semana de Dezembro a 3 pontos da liderança e com a passagem pelo Porto concluída.

Este constante desprezo pela equipa de futebol do Benfica tem sido o grande defeito dos nossos adversários. Quer dizer, também tem sido usado pelos próprios benfiquistas nos últimos três anos mas aí até é útil porque aumenta sempre a exigência. Tem sido sempre de trás para a frente, a luta do Benfica no campeonato nos últimos anos e mesmo assim acham constantemente que estamos mortos.

 

Mas quero começar por algo superior a tudo o que aqui vamos falar. Este foi o primeiro clássico sem o grande Zé Pedro a torcer por nós. Não vou aqui repetir elogios (merecidos e unânimes) nem contar histórias mais pessoais. Apenas recordar o que o amigo Nuno Calado, da Antena 3 e amigo de longa data do Zé Pedro, ontem me lembrou por sms quando eu ia a caminho do Porto: O nosso clube é tão grande que sempre que os Xutos & Pontapés actuaram nos intervalos dos jogos no Estádio da Luz deixavam o Kalu vestir a camisola do Porto.

Esta era a grande força do Zé Pedro, conseguia ser benfiquista sem melindrar ninguém que fosse seu fã. E tinha o mesmo bom gosto futebolístico que mostrou na música. Um dos maiores que nos vai fazer muita falta.

Este ponto também foi para ti na esperança de te podermos dedicar algo maior em Maio.

 

Posto isto, passo para um pedido muito especial para a nossa querida Liga de Clubes. Olhem lá, eu pago um lugar cativo no meu estádio que dá acesso a todos os jogos da vossa competição na minha casa. O cartão tem o nome que inspira a existência deste blogue. Mas o que eu quero mesmo a partir de hoje é saber quanto custa e como posso arranjar o bilhete que este companheiro, cheio de futebol com talento, adquiriu:

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 É que isto de sair da bancada directamente para o banco do adversário e fazer parte do espectáculo é outra dimensão! Que categoria, invade, empurra, agride e sai escoltado perante os sorrisos dos companheiros de bancada. Se não for pedir muito, alguém pode explicar o que deveria acontecer na teoria numa campeonato profissional quando um adepto do clube da casa entra no relvado e agride jogadores do clube adversário? Há leis para isto? Está previsto no regulamento ou é só mais um delicioso momento terceiro mundista do nosso futebol? Aguardo com muito interesse.

 

Por falar em leis e castigos. Então, o que para aí vai de análises isentas à arbitragem! Um treinador que acha que devia ter dado 5-1 e especialistas que viram tanta coisa.

Ora, não consigo ter a certeza absoluta que o Luisão fez penalti, no golo "anulado" vejo uma falta sobre o Grimaldo, do Jardel também não vi nada que desse penalti. Acho que é isto que se agita por aí, certo?

Agora, o que levei com carinho do Dragão foi a proeza do Porto acabar com um cartão amarelo no total do jogo. Um! E por simulação do Otávio.

Já o Zivkovic levou um amarelo assim que entrou por estar em pé e a respirar em frente à bola. Isto para logo depois fazer uma falta, repito, uma falta, e foi para a rua. Brilhante!
É aqui que chamo a esta prosa uma figura simbólica deste nosso futebol. O central Felipe. Vamos todos ver a repetição daquela entrada do defesa portista sobre Jonas aos 12 minutos. Estamos todos sintonizados? Pronto, então estamos de acordo que Jorge Sousa esteve bem em não lhe mostrar o cartão amarelo. É que aquela entrada é para expulsão. O árbitro até esteve bem ao não mostrar o amarelo. "Só" faltou mostrar o respectivo vermelho. E Isto seria aos 12 minutos de jogo. Assim, o Porto não ficou em desvantagem numérica e ainda pôde continuar a beneficiar da classe e magia de Felipe, que até um jogador do Benfica no chão pisou, e que conseguiu acabar sem ver um único cartão. Não é para todos. O Zivkovic que o diga.

 

Voltemos à manhã do clássico.

Então o jornal A Bola e Record resolveram entrar no espírito natalício e lembraram-se que o futebol pode ser um lugar engraçado de rivalidades sãs? Fiquei emocionado com aquela foto de dois jovens adeptos, cada um com a camisola do seu clube a olhar para o estádio e a frase "divirtam-se". Tão emocionado que nem abri os jornais ontem.

É preciso não ter mesmo vergonha nenhuma na cara para fazerem capas tão hipócritas. Os mesmos jornais que se alimentam de lixo e difundem as teorias das conspirações de figuras sinistras ligadas a um clube que já aceitou perder pontos por corrupção, ganhando na mesma títulos, e por outras figuras, ainda mais lunáticas, de clubes que nada ganham e inventam campeonatos conquistados no calor do verão. Dão palco, dão voz, submetem-se às suas agendas, espalham as suas mentiras, os seus ódios desmedidos, as suas invejas, as suas raivas incontidas em páginas e páginas de jornais, em linhas e linhas dos sites online na busca selvagem de pageviews, ajudam a conspurcar todo um ambiente que se tornou absolutamente irrespirável para aqueles que só gostam de futebol. Mas no dia clássico tomem lá umas capas todas giras, cheias de fair play e muito preocupadas com o futebol.

Assumam-se! Deixem de ser hipócritas. Deixem de fazer de nós otários. Os jornais, as televisões e os sites online só querem a podridão em movimento para aumentar audiências.

 

Olhem, da próxima vez façam-se à vida, sejam homenzinhos, saiam do casulo e venham connosco numa maravilhosa viagem atrás da nossa paixão num feriado para apoiar a nossa equipa num jogo vergonhosamente marcado para depois das 20h que nos obriga a regressar para junto das nossas preocupadas famílias depois das 4 da manhã.

Venham connosco mas não é de microfone, gravador ou cameras afiadas. Não venham em busca de mais uma reportagem hipócrita sobre "claques" ou grupos organizados. Nada disso. Entrem connosco num carro a seguir ao almoço no estádio da Luz. Façam a viagem Lisboa - Porto, e já agora preparem-se para partilhar despesas de gasolina e portagens, vão ver que é um rombo engraçado nas finanças. Venham sentir a adrenalina de entrar na cidade do Porto em dia de clássico enquanto ligam para casa a dizer que está tudo bem e começam a pensar onde é que vão estacionar o carro. E o que acontece se alguém embirrar com a matrícula do carro ser de um stand de Lisboa. Ou se houver o azar de alguém reconhecer uma cara que até aparece na BTV com regularidade. Ah, e perceber que para ir a um jogo da sua equipa deve vestir todas as cores menos aquela que identifica o seu clube. E depois ir a pé à volta do estádio e sentir o clima de ódio enquanto percebem que as capas que fizerem são mais fictícias que os volumes do Harry Potter. Caminharem até ao sector visitante em passo largo sem ceder aos cânticos insultuosos.

Depois, serem revistados como se estivessem a entrar nos Estados Unidos da América vindos do México. Várias vezes. E esperarem ao frio duas horas para subir umas escadas e entrar no estádio. No final terem de ficar mais uma hora após o fim do jogo à espera de sair. E voltar a pé até à Estação da Campanhã. Entretanto, irem ligando a companheiros que viram o jogo noutros sectores e sairam após o jogo para nos irem buscar perto da estação em segurança. Venham sentir isto tudo e vão ver se da próxima vez há vontade para brincarem às capas de realidade virtual.

 

Desta vez o roteiro gastronómico resume-se a uma paragem na estação de serviço da Mealhada. Sandes de Leitão, pastel de bacalhau, uma imperial, umas batatas fritas de pacote, um café e um pastel de Vouzela. Deu vontade de usar o visa e pagar aquela pequena fortuna em dez meses mas soube pela vida.

 

Afinal, que amor é este que mexe com mais de três mil adeptos que não hesitam em largar tudo para passarem um dia num comboio, ou de carro como já vimos, para apoiar uma equipa que todos dizem estar acabada, sem rumo, sem chama e sem hipóteses de ganhar? Serão estes milhares de adeptos que estão enganados? Serão eles que não percebem nada de futebol e contrastam com os sábios que poluem jornais e televisões com teorias do Apocalipse?

Pode parecer estranho mas esta forma de vida é a única solução para manter intacto o amor pelo clube e pelo futebol. Temos a vantagem de ver o jogo todo tal como ele é e não o jogo que a realização da Sport TV quer mostrar. Temos a vantagem de cantarmos juntos apenas e só pelo clube que amamos em vez de passarmos o jogo todo a insultar rivais. A propósito, quando é que a Liga do futebol com talento resolve ter a coragem de punir seriamente os clubes que nos seus estádios têm como "hino oficial" de cânticos o famoso SLB, FDP, SLB. Ou fingem que não ouvem? Ou não vos incomoda? Ou faz parte de uma espécie de cânticos com talentos. Sempre que se brindar o adversário com algo como FDP devia dar castigo, digo eu.

Passar por isto tudo para estar ali no estádio com a nossa equipa tem mais vantagens. Não ouvir os disparates que se dizem durante a transmissão televisiva, não levar com mil repetições e mais teorias da conspiração e, acima de tudo, no final do jogo ficar longe do circo que logo se instala para falar de tudo menos do jogo, menos de futebol. Bem melhor estar ali ao frio a conversar entre nós e a pensar que dia 17 há uma saída com muito potencial gastronómico a Tondela.

 

E quando é que nos sentimos recompensados? É quando a nossa equipa entra no Dragão com uma personalidade, atitude e um futebol de posse digno de um tetra campeão. A primeira parte do Benfica no Dragão foi à campeão. É isso que nos move. É isto que exigimos, uma atitude que bata certo com a nossa, ir ali com tudo, sem receios e com personalidade. Dentro e fora de campo. Não esquecer que aos 12' devíamos ter ficado em vantagem numérica e aí o jogo era outro.

Elogiar a postura do Benfica, o jogo superior de Varela, dos dois centrais, de Fejsa e, especialmente de Krovinovic. Então se o croata faz aquele golo, que José Sá negou, era a coroação total de um jogador que começa a apontar para uma presença num Mundial que vai ter um prometedor Argentina-Croácia.

Não gostei tanto de Pizzi, e esperava mais de Jonas. Mas o facto do brasileiro não se ter desmanchado todo aos 12' já foi positivo. Aquele aperto que o Porto deu no jogo pelo minuto 60 era aquilo que eu esperava desde o começo da partida, afinal jogavam contra o maior inimigo da sua existência, perante a sua gente na sua casa. Só a partir dali deram um sinal de força. No entanto, o falhanço do Marega, ao melhor estilo do seu bom aliado de guerra, Ruiz, foi a demonstração de falta de eficácia deste Porto. Já ali passei noites bem piores. Esta até foi relativamente tranquila.

Resultado menos mau para o Benfica, falhanço do Porto em fugir na tabela classificativa e muito sangue para os vampiros que esvaziam o futebol com as suas análises laterais, secundárias, desnecessárias e dramáticas para sobreviverem.

Quanto a nós, 3ª ainda há uma noite europeia e foco na recepção ao Estoril.

 

 

 

Benfica 6 - 0 Vitória de Setúbal: Os Pontos nos Is

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 Se não se importam, vou voltar ao outro jogo com o Vitória F.C., aquele para a Taça de Portugal onde levantei várias questões que ninguém quis discutir nem responder. Não só ninguém quis discutir como, cada vez mais, o espaço de comentários deste blog se tornou um convite a insinuações e insultos que me levou a tomar a decisão que mais à frente explicarei.

 

O Vitória de Setúbal voltou à Luz, agora para o campeonato, insistindo em usar o seu equipamento alternativo. Desta vez, confundia-se com o escuro dos equipamentos do árbitros. A resistência em usar o equipamento tradicional escapa-me.

Além das questões que levantei no anterior encontro acrescento uma curiosa história dessa partida. Quando os responsáveis sadinos perceberam que as cores do seu guarda redes confundiam-se com o equipamento do Benfica, resolveram a questão enviando um carro a Setúbal para trazer um equipamento de outras cores. Isto, durante o jogo para que na 2ª parte o guardião pudesse fazer a troca. É assim o futebol português. Deve ser destes pormenores que Couceiro se queixou na conferencia de imprensa depois do jogo.

Por outro lado, o treinador vitoriano insistiu na rábula de quebrar a tradição ao Benfica de atacar primeiro para a baliza norte.

Couceiro, já percebemos que no Vitória F.C. está tudo descontrolado, nem Presidente há, e mostram o belo exemplo nos equipamentos que preferem usar. Mas com o Benfica, isso de quebrar tradições, costuma resultar mal. Foram afastados da Taça e hoje levaram um cabaz jeitoso para Setúbal. Sendo que a maioria dos golos até foi na baliza norte, mais perto do banco de Couceiro e de Edinho que tanto prometeu antes do encontro da Taça de Portugal.

Não tenho pena nenhuma do Vitória F.C. depois disto.

 

Apesar dos adeptos sadinos mostrarem todo o seu ódio para com as cores benfiquistas sempre que recebem o Benfica no Bonfim, na Luz há espaço para cachecóis do Vitória em plena bancada central. Sem dramas e para memória futura:

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O Benfica hoje alcançou a sua 6ª vitória seguida em provas internas. Desde o empate do Funchal que a equipa da Luz ganhou todos os jogos. Ora, como o Porto perdeu pontos em Aves (onde o Benfica venceu por 1-3) o mês de Novembro termina com o tetra campeão a 3 pontos do 1º lugar. Para uma equipa que foi dada como morta e enterrada até nem está mau este cenário na Liga NOS, convenhamos.

Mas nem esta goleada por 6-0 mostrou uma equipa perfeita, nem as exibições mais apagadas em resultados anteriores, bem mais curtos, revelavam um drama tão profundo que se traçou.

 

Quem chegou até esta parte do texto é porque está mesmo interessado em o ler e, por isso, deixo aqui uma explicação importante que só os leitores mais fieis merecem.

Nos últimos tempos, toda e qualquer crónica é motivo para vários comentários desagradáveis entrarem no blog. Nem falo dos (bem) pagos rivais que enchem o espaço com comentários imbecis de teorias orquestradas. Falo dos vários benfiquistas que acham que têm o direito de insultar e fazer juízos de valor só porque respiram. Estão enganados em tudo.

 

O facto de eu colaborar com a BTV não me retira o discernimento para escrever as minhas crónicas. Eu publico crónicas desde 2003 na internet. Já tive outras páginas antes de 2009, altura em que abri este Red Pass. Não me lembro de ter assinado um único texto que fosse encomendado ou condicionado. Já passei por ciclos muito negativos na vida do Benfica em que escrevi que acreditava que a situação ia melhorar, já aconteceu estarmos em senda vitoriosa e eu publicar textos desconfiados. Até já aconteceu ter estado uma época inteira sem escrever nada depois de tudo perdermos, vejam lá. Ah, e nessa altura não estava exposto na BTV.

Convém lembrar ou esclarecer que colaborar com o canal do clube não é a mesma coisa que ser funcionário do mesmo. Acho que se percebe a diferença. Eu comecei por ser convidado a dar os meus testemunhos num documentário chamado Vitórias & Patrimónios que teve mais de 100 episódios dedicados a todas as vertentes da vida do clube. Já agora, esse programa não foi produzido pela Benfica TV, foi uma produtora independente que o fez, e foi com eles que colaborei em vários episódios que ainda hoje vão passando em repetição na grelha do canal. Não tenho dúvidas que só fui convidado por ter um historial de crónicas e textos sobre o Benfica em blogues pessoais e colectivos desde 2003. Foi o único argumento válido para me convidarem e foi por isso que aceitei.

 

Depois, naturalmente, surgiram convites desde 2010, altura da gravação do documentário, para programas, esses sim na BTV. Aceitei sempre os convites para debates com outros sócios com blogues, para painéis de comentários, para análises pré e pós jogos, para um programa sobre o Mundial 2014. Isto sempre de uma maneira muito natural.

Como se sabe, sempre mantive o blog activo, sempre dei aqui as minhas opiniões e sempre fiz crónicas de jogos. É verdade que a colaboração com o canal passou a ser mais intensa e profissional a partir do momento que aceitei um convite para fazer um programa semanal, no qual tenho imenso orgulho, e que ainda se mantém no ar. A partir daí, acabei por ser solicitado para mais espaços do canal, convites que aceito sempre por achar que posso acrescentar qualquer coisa a nível de conhecimento, informativo e de memórias.Felizmente, esta ligação tem servido para testemunhar os maiores feitos do futebol do Benfica dos últimos anos. O inédito tetra à cabeça.

 

Não precisava de explicar isto, porque é público. Sempre confessei que estas crónicas não pretendem ser um espaço de discussão com ninguém, são apenas um exercício egoísta de documentar o que acho de cada jogo para minha memória futura. Uma espécie de dossier dos jogos do Benfica pessoal mas aberto ao público. Não me interessa se gostam ou não. Ninguém é obrigado a vir aqui ler. Ninguém me paga para publicar nada, portanto nem isto tem de ser lido, nem eu tenho de aturar gente imbecil. É muito simples.

Nos últimos três anos o Benfica tropeçou muitas vezes, perdeu muitos pontos, andou várias ocasiões longe do título, foi dado como morto inúmeras vezes e eu sempre dei a minha opinião. O melhor exemplo é a crónica de um 0-0 com o União da Madeira, que até figura no livro oficial do clube que assinala o Tri. Quase sempre recusei entregar-me ao derrotismo e ao drama. Tive sempre razão nos últimos três anos em quase todas as competições. Só que depois nos meses de Maio dos últimos anos nunca vejo ninguém chegar aqui e escrever nos comentários: desculpa lá o que te insultei durante a época, somos campeões, correu bem. Não, nunca ninguém reconhece que afinal havia um rumo que teve um bom fim.

Esta época ultrapassou todos os limites. Fizemos uma campanha miserável na Europa e eu nunca escrevi aqui que estivemos bem. Mas as reacções iam sempre no mesmo sentido. Coisas como "agora estás na BTV não podes dizer mal" aqui não pegam. Publico sempre a minha opinião, seja depois de levar 5 em Basileia, seja depois de dar 6 ao Vitória. O que as pessoas não podem esquecer é que o autor desta página tem muitos anos de ver o Benfica. Pago as mesmas quotas mensalmente desde Maio de 1984, mantenho o meu lugar cativo em dia época após época, vejo os jogos na Luz na mesma bancada há muitos anos e vou atrás do Benfica por esse país, e Europa, fora sempre que posso, sem favores de ninguém. A novidade aqui é: O Benfica não nasceu com os routers e modems. Já houve muito Benfica vivido antes da Internet. Pensem nisso.

Por a minha vida profissional passar por uma colaboração com a BTV, que muito me orgulha, repito, não quer dizer que o Benfica seja a minha vida profissional. Não é mesmo. E por isso não estou para levar com palermas que julgam que tudo sabem e que todos podem insultar. Daí que tenha acabado aqui o espaço para comentários. Não me preocupa absolutamente nada o que acham ou deixam de achar. Só estou a ter deste desabafo no meio de uma crónica porque respeito muito todos os companheiros benfiquistas, e não só, que gostam de visitar este espaço e sempre respeitaram o que aqui foi publicado.

A nível pessoal ainda menos tenho para explicar. Basta dizer que fiz dois anos de casado no dia deste jogo e estive na Luz. Não é preciso acrescentar muito mais.

Enquanto eu achar que devo partilhar estas minhas considerações de cada jogo mantenho o blog. Reparem que não alimento o Red Pass para ganhar dinheiro com publicidade, não tem, nem mantenho nenhuma agenda, como se diz agora, com nenhum fim obscuro. Isto aqui são só textos subjectivos sobre cada jogo do Benfica. Assim tem sido desde 2003 no blog Terceiro Anel, assim continua a ser no Red Pass. Sem truques.

 

O Benfica ganhou po 6-0, Jonas passou os 100 golos pelo Benfica. Íamos ao Dragão para sair de lá com uns 8 pontos de atraso, podemos acabar a jornada com os mesmo pontos do Porto. Ou ficar a 3 ou a 6. Já não é o mesmo do que 8. Tem sido sempre esta a minha postura nos últimos anos. Nunca achei que estivesse tudo bem e perfeito mas não contem comigo para achar que está tudo mal. E não procurem aqui politiquices, polémicas, mails, arbitragens e afins porque esse nunca foi o meu campeonato, nem há de ser. Eu sempre me comprometi a falar do jogo, de futebol. O compromisso comigo sempre foi esse. Sei que falar só de futebol em 2017 não interessa a ninguém. Não faz mal, já encontrei um nicho de companheiros que tem a mesma teimosia que eu. Vivo bem com isto.

 

E agora só peço que mantenhamos o ciclo vitorioso interno.

Benfica 2 - 0 Vitória de Setúbal: Os Mistérios do Futebol Português num Apuramento Lógico

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 Vou começar pelos pormenores que ninguém quer saber. Um jogo da Taça de Portugal no Estádio da Luz, o primeiro desta temporada. Ora, diz a regra, bem velhinha, que nesta competição em caso de semelhança nas cores dos equipamentos a equipa da casa muda o equipamento. Passei a minha vida toda a ver jogos entre Benfica e Vitória F.C. tanto no Bonfim como na Luz com os clubes a usarem as suas cores de equipamento normais. Aliás, em 2005 no Jamor o Vitória bateu o Benfica com as suas camisolas verde e brancas às riscas verticais.

Pois bem, expliquem-me lá qual é a necessidade de usar o equipamento alternativo. E se havia essa necessidade porque é que não foi a equipa da casa a mudar?

O mais engraçado é que com tanta preocupação em alterar as cores tradicionais, a equipa sadina conseguiu ir a jogo com um guarda redes equipado com cores que se confundiam com as camisolas do Benfica. Dizem-me que na televisão ainda era mais evidente do que no estádio. Tanto assim foi que Cristiano na 2ª parte aparece equipado de... amarelo!

Eu sei que sou um chato do caraças com estes pormenores, mas também gostava de saber o que aconteceu às quinas de campeão nacional nas mangas das camisolas do clube campeão? Não era costume na Taça de Portugal o "ovo" da Liga desaparecer para dar lugar às quinas de campeão numa manga? Agora, só vejo lá outro "ovo", o da Taça de Portugal, presumo que seja devido ao Benfica ser o actual vencedor do troféu.

Mistérios do futebol português que não interessam a ninguém mas que eu gostava muito de saber as respostas.

 

 

 

Para entrarmos no jogo mais uma curiosidade, o Vitória F.C. de José Couceiro não perdeu a oportunidade de trocar o campo obrigando o Benfica a jogar para sul na primeira parte. Fica registado.

 

Depois de uma paragem para as selecções definirem as suas posições no próximo mundial, a competição regressou a Portugal. A 4ª eliminatória da Taça de Portugal, 2ª para estas duas equipas, foi disputada na Luz e resultou no apuramento do Benfica para a próxima ronda.

Curiosamente, foi a Taça de Portugal a abrir um novo ciclo positivo para o Benfica nas competições internas. Desde o desafio no Algarve com o Olhanense que a equipa de Rui Vitória só soma triunfos. Foi ao norte bater o Aves e o Vitória de Guimarães, ganhou ao Feirense em casa e agora confirmou o ciclo positivo com mais uma vitória. O próximo desafio interno é uma repetição do encontro de hoje mas a contar para o campeonato e será bem diferente do que vimos hoje.

 

O Benfica apresentou duas ideias fortes para esta partida, a manutenção na aposta do 4-3-3 que deu bons sinais em Guimarães e uma janela de oportunidade para vários jogadores menos utilizados. Ao que se acrescenta mais uma estreia de um miúdo trabalhado no Seixal, o norte americano Keaton Parks que até fica bem ligado ao jogo por acção sua no 2º golo da equipa.

 

Portanto, o desenho táctico manteve-se, as individualidades mudaram. Varela regressou à baliza, curiosamente bem menos ansioso do que no começo da época, Douglas na direita, Grimaldo na esquerda, Luisão e Jardel no meio, isto na defesa.

No meio campo, Samaris, Pizzi e Krovinovic, nas alas Cervi e Rafa, na frente Jonas.

O Benfica venceu o jogo mas voltou a demonstrar uma atracção pelo perigo algo incompreensível, isto porque chega ao 1-0 de maneira natural. Após muita posse de bola, vários ataques, pressão alta, velocidade e oportunidades de perigo até chegar o golo. Um original canto batido por Pizzi com a bola rasteira que vai até Cervi, o argentino agradece e remata convictamente para golo.

Antes de Pizzi bater o canto, o capitão do Vitória, Nuno Pinto, não tirou uma bola do relvado que estava ao seu lado a atrasar a continuação do jogo. Irritou Pizzi e a bancada. Acabou por sofrer golo. O futebol por vezes bate tão certo.

Depois de conseguida a vantagem a equipa caiu na tal tentação de recuar, ceder a posse de bola e voltar a procurar o segundo golo. É estranho e tem acontecido regularmente esta época.

 

A tendência manteve-se na 2ª parte e só com as entradas de André Almeida, Raul e Keaton é que se sentiu sangue novo na equipa. Estar a vencer por 1-0 é sempre intranquilo e se pensarmos que nos últimos três encontros com o Vitória de Setúbal o Benfica só venceu um que acabou com um grande susto que podia ter dado um dramático 2-2, temos o cenário que justifica os nervos vividos nas bancadas da Luz.

Por falar em bancadas, nem 30 mil benfiquistas acharam que este cartaz, um duelo entre clubes que já venceram Taças de Portugal e Taças da Liga, com bilhetes a preços reduzidos, era digno da sua presença. Os outros aguardam confortavelmente pelo Jamor.

 

É verdade que a vantagem era mínima mas também não se pode dizer que o Vitória tenha estado muitas vezes perto do empate. Varela respondeu muito bem a uma oportunidade que podia ter dado o empate com uma finalização de um jogador do Vitória em flagrante fora de jogo. Depois veio o lance que os entendidos vão falar para sempre e até, quem sabe, fazer livros. João Amaral isolado tenta meter a bola entre as pernas de Varela, só que este consegue parar o remate fazendo a bola ressaltar para as suas costas onde já estava Jardel a aliviar. Enquanto se virava para chegar à bola envolveu-se com o jogador sadino que caiu. João Capela podia ter apitado penalti mas interpretou que Jardel já tinha resolvido o lance antes. Foi isto que vi.

 

Para acabar com as dúvidas, Krovinovic fez o 2-0 que arrumou a questão e apurou a equipa para os 1/16 de final da Taça de Portugal.

Uma vitória lógica e natural, um ciclo de vitórias a nível interno muito interessante, um sistema táctico que parece que veio para ficar, algumas oportunidades agarradas, outras nem tanto e uma exibição que não deslumbrou mas suficiente para garantir o objectivo da noite.

Segue-se a Europa.

Vitória de Guimarães 1 - 3 Benfica: Minho Vermelho

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 Os sinais positivos da noite de Manchester foram aproveitados pelo treinador do Benfica para lançar uma equipa dentro da linha do que foi pensado para a noite europeia. Isto é, manteve-se a aposta em três jogadores no meio campo para o Benfica jogar num 4-3-3.

A nível individual também houve surpresas, desde logo com a inclusão de Filip Krovinović com Pizzi e Fejsa na linha média, mantendo as apostas em Salvo e Diogo Gonçalves na alas e com Jonas na frente.

Atrás, o regresso de Luísão ao centro da defesa, Eliseu e André nas alas.

 

Se há estádio, tirando os dos rivais directos, em que dá gozo ir apoiar o Benfica, em que sabe melhor festejar cada golo do Benfica, em que se sente um ambiente próprio dos grandes jogos, é o estádio D. Afonso Henriques.

Quando Jonas colocou o Benfica em vantagem aos 22 minutos a bancada atrás daquela baliza entrou em ebulição. O Benfica chegava à vantagem e estava bem no jogo.

Só que o Vitória respondeu com qualidade e o ambiente no estádio é incrível, aquela gente não desanima com um golo sofrido. Aliás, no começo da 2ª parte a força vinda das bancadas empurrou a equipa de Guimarães para um bom período no jogo, a fazer lembrar a espaços a exibição em Aveiro na Supertaça.

Mas o Benfica manteve a tranquilidade e ia tentando responder com ataques rápidos. Rui Vitória meteu Samaris na partida e a substituição foi muito acertada. O grego aos 76' faz o 0-2 para logo a seguir Salvio fazer o 0-3.

 

 

 

Mesmo assim o Vitória não desistiu, nem dentro, nem fora de campo e acabou por reduzir para 1-3. Só não ficou a um golo de distância porque Tallo desperdiçou um penalti mesmo a fechar a partida.

Boa vitória do Benfica no Minho num campo sempre complicado e ainda com um bónus dos vizinhos minhotos terem ido pontuar a Alvalade. Bela jornada.

 

Do ponto de vista pessoal, foi mais uma viagem ao norte com direito a almoço. Como isto anda tudo ligado fomos onde tínhamos acabado na última saída da Luz. Voltámos à Vila das Aves para almoçar arroz de pica no chão com o famoso vinho Boca Aberta. A simpatia e atendimento do costume, um almoço de domingo a mais de 300 km de casa mas... em casa. Sobremesa resgatada em Santo Tirso na Confeitaria Moura por um dos nossos. Limonetes e Jesuítas de grande qualidade. Tudo em forma para um grande noite de futebol.

Ganhar é sempre bom mas em Guimarães é especial.

Manchester United 2 - 0 Benfica: Dignidade

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 A melhor exibição europeia da época não teve reflexo no resultado final do jogo. Não restava outra saída ao Benfica, tinha que chegar ao lendário Old Trafford e jogar um futebol de qualidade superior para lutar por um resultado positivo contra um Manchester United muito motivado.

Tal como já tinha acontecido na última passagem pelo Teatro dos Sonhos, em 2011, a força do Benfica começou por se evidenciar de fora para dentro. Novo festival dos adeptos do Benfica a mostrarem ao mundo o amor pelo seu clube e a transformar o estádio do United num mini Estádio da Luz. Estive lá em 2011 e já sabia que ia ser assim. As noites europeias do Manchester United são reservadas para adeptos "ricos" que preferem o conforto do seu lugar em detrimento do apoio vocal.

Nos primeiros 20 minutos de cada parte, adeptos e equipa estiveram em sintonia total. Boa atitude, boa exibição e uma reacção convincente. Mas esta é uma campanha europeia que está destinada ao fracasso. Tudo o que pode correr mal acaba mesmo por correr mal. Hoje até no aquecimento o titular Felipe Augusto fica fora de combate por lesão!

Rui Vitória optou Samaris no lugar do brasileiro. Voltou a deixar Jonas no banco para formar uma espécie de 4-3-3, com Raul Jimenez como referencia na área contrária, Salvio pela direita e Diogo Gonçalves pela esquerda. Pizzi, Samaris e Fejsa no meio campo, enquanto que atrás a dupla de centrais foi Ruben Dias e Jardel, Grimaldo na esquerda e Douglas na direita. Svilar voltou a ser titular.

Podemos começar pelo jovem guarda redes. Hoje, deu mais um importante passo para a sua afirmação no mundo do futebol. Defender um penalti em Old Trafford é um belo cartão de visita e compensava aquele erro da Luz. Só que o factor sorte não quer nada com o miúdo. Um remate de Matic leva a bola a bater no poste e bate nas costas do "1" acabando dentro da baliza. O Manchester fez dois golos ao Benfica sem ter marcado nenhum. E o 2-0 veio de outro penalti. Em jogo jogado, Svilar esteve sempre à altura dos acontecimentos. Não me parece exagerado afirmar que ganhámos um guarda redes.

Por falar em ganhar, Diogo Gonçalves pela rebeldia, pelo atrevimento, pela qualidade e pela irreverencia mostrou o seu nome à Europa do futebol. Ruben Dias fez uma exibição tranquila e parece que já ali joga há anos. São boas noticias para o Benfica.

O problema é que não chegou. A luta constante de Raul Jimenez merecia melhor sorte que acertar no poste, a atitude da equipa, mesmo depois de estar em desvantagem esbateu num De Gea em grande forma.

A qualidade do Manchester United é imensa, obviamente, e Mourinho percebeu que era pelo seu lado esquerdo que podia chegar ao ouro. A falta de rotina de Douglas como defesa direito é evidente, parar jogadores como Martial ou Rashford é utópico.

A exibição do Benfica foi positiva mas o resultado acaba por ser natural quando se percebe que nasce de mais valias individuais.

Era uma bela noite para se fazer história em Inglaterra mas nos momentos decisivos do jogo o factor azar atrapalhou o sonho.  Este é um ano não em termos europeus. Teoricamente ainda é possível continuar nas provas da UEFA mas na prática não parece que seja viável. Resta lutar nos últimos dois jogos.

Já fomos duas vezes campeões da Europa, a alma de campeões europeus mantém-se intacta na presença dessa massa adepta benfiquista maravilhosa que segue a equipa por todo o lado e cantando alto e em bom som o quanto ama o Benfica. Nas bancadas mantemo-nos, ano após anos, campeões de tudo.

É aproveitar as coisas positivas deste jogo para ir ganhar a Guimarães.

Benfica 1 - 0 Feirense: Três Pontos e Nada Mais

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 Depois de se conquistarem três pontos a tendência é de respirar de alivio antes de pensar no próximo compromisso. Mas quando a vitória chega de uma maneira tão simples, um adepto tem que desconfiar.

Mais uma vez, o Benfica entra bem num jogo, isto é , chega à tão desejada vantagem muito cedo no jogo. Jonas aos 11 minutos colocou o Benfica na frente.

Aos 12 ninguém desconfiava que o gente tinha acabado ali, praticamente. Gerir resultados tão curtos não costuma dar finais felizes. Ver que a equipa nunca descola para uma exibição superior é preocupante. Mas foi isso que aconteceu esta noite na Luz. Foram cumpridos os objectivos mínimos, sem brilho nem entusiasmo. E, desta vez, nem há muito para analisar já que Rui Vitória resolveu apostar exactamente no mesmo onze que ganhou na Vila das Aves.

Não é que na última temporada a exibição tenha sido de gala, recordo que o primeiro golo foi um auto golo ridículo do Feirense, o segundo foi um remate do defesa do Feirense contra Salvio que deu golo e até Cervi marcou de... Cabeça. A questão é que desta vez o resultado foi demasiado curto e perigoso, tal como a exibição.

O mais importante e o que marca a noite, foi o Benfica ter ganho. Internamente o Benfica venceu na Taça de Portugal, na Liga NOS fora da Luz e em casa, nos últimos jogos. Sem brilho, é certo, mas a construir um ciclo de resultados positivos.

 

Adorava que alguém me explicasse porque raio o Feirense não joga de azul na Luz.

Mais uma vez correu mal a rábula de nos alterarem o hábito de atacarmos primeiro para norte.

 

 

Aves 1 - 3 Benfica: Ala Esquerda Que Avança com Toda a Confiança

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 O futebol do Benfica virou à esquerda. A grande conclusão desta vitória tranquila na Vila das Aves é que há uma nova movimentação ofensiva na equipa tetra campeã.

Rui Vitória optou por deixar Pizzi no banco, já não acontecia há uns dois anos, e voltou ao esquema clássico de consumo interno, o 4-4-2 com Jonas e Seferovic na frente.

Foi, precisamente, Jonas o elo de ligação da irrequieta juventude que compõe o lado esquerdo. Grimaldo e Diogo Gonçalves foram sempre empreendedores encontrando no "10" um excelente vértice de um triângulo de talento. E esta opção pela ala esquerda explica-se pela ausência de ideias no corredor central, Fejsa e Filipe Augusto não se desprendem, o brasileiro não consegue chegar-se à frente na condução do ataque, fica uma dupla mais posicional e de contenção mas sem fulgor atacante.

Assim, é natural que sejam as alas a ser chamadas ao jogo. Salvio e, o regressado, André Almeida também foram construindo pela direita mas sem o mesmo entusiasmo que o corredor oposto.

O Benfica fez o suficiente para sair das Aves com um resultado folgado, Quim resolveu assinalar o jogo em que se tornou o mais velho de sempre a jogar no campeonato com uma enorme exibição.

Por falar em opostos, na outra baliza o miúdo Svilar estreou-se na Liga com uma noite tranquila, uma bela defesa no começo e um golo sofrido num pontapé de canto em que a culpa tem de ir para quem falhou na marcação a Defendi.

Uma vitória com dois penaltis, o que é maravilhoso para os dependentes de audiências televisivas, mas que nem merece discussão.

 

Foi a minha estreia no Estádio do Aves.

Claro que tudo começou com a organização de um almoço que juntou mais de duas dezenas de benfiquistas. Repasto feito no restaurante Lazer Sampaio, em Monte Córdova, freguesia do concelho de Santo Tirso. A simpatia do costume das boas gentes do norte, atendimento impecável e um cabrito assado que não dá para descrever aqui de tão bem que soube. A viagem já estava justificada só com aquele almoço.

 

Depois, viagem para o estádio. Estradas curtas, cheias de curvas, paisagens verdejantes e a ideia que íamos rompendo por entre aldeias até chegar a um estádio no meio de uma Vila. Gosto muito. É o futebol a andar pelas terras de Portugal, é o povo a invadir estradas e caminhos da sua paixão num final de tarde de domingo.

Oportunidade para matar saudades do Vítor Pimenta, amigo de longa data de quem já falei por aqui várias vezes. Hoje é fisioterapeuta do Aves. A simpatia daquele abraço num rápido convívio que marca de forma diferente estes dias especiais.

Estádio pequeno e pintado de vermelho e branco, mesmo porque as cores da equipa da casa também são bonitas.

Guarda a visão que se tem da bancada num pôr de sol digno da estação de verão. Cabos de alta tensão que ladeiam o recinto contrastam com a tranquilidade da vitória do Benfica. Pessoas que enchem as varandas e janelas das casas que substituem uma bancada de topo dão um ar de futebol de outros tempos àquela partida. Do nosso lado esquerdo vibra-se tanto no alto daquelas casas como na nossa bancada. Muitos cachecóis do Benfica pendurados e festa garantida no único golo que Jonas fez naquela baliza.

À saída em conversa com os locais percebemos que a Vila das Aves é composta por uma larga maioria de benfiquistas. Teoria que depois confirmámos num jantar inesperado e improvisado junto do local onde estacionámos o carro. No caminho até lá o encontro, que já é um clássico, com a boa malta de Fafe. Esses é que levam isto bem. Carro parado num passeio, porta bagagens aberto para improvisar uma banca que exibe panados, presunto e uma bôla que devia ser considerada património mundial da gastronomia. Claro que tudo devidamente partilhado e oferecido. É uma turma que só por si representa o que é ser Benfica. Abraço a todos e também à malta que ainda ia para Vila Real. Ali respira-se Benfica.

 

Para o fim ficou um inesperado convívio no Clube Amadores Pesca Vila Ave, penso ser este o nome oficial de um restaurante onde nos serviram uma bifana de qualidade superior ao nível das famosas do Conga. E ficámos também a conhecer um vinho chamado Boca Aberta. Faz jus ao nome. A simpatia de uma família que ficou com histórias para contar de um grupo de adeptos do Benfica que sabem que ser benfiquista vai muito além daquilo que se passa num jogo de futebol. A senhora cozinheira é a que trata da alimentação do plantel do Aves. É assim este pequeno mundo. Sair de casa para ir ver um jogo é uma maneira de ver a coisa, conhecer sempre mais e mais mundo por esse Portugal fora com emblema glorioso no comando é outra. A que eu mais gosto. Tenho pena dos que acham que isto tudo se resume a um jogo.

O Benfica ganhou, 6ª feira há mais.

 

Benfica 0 - 1 Manchester United: Mourinho Show

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 Foi a noite dos regressos de Lindelof, Matic e Mourinho à Luz. Os dois primeiros despediram-se com humildade e classe no final do encontro com palmas, José Mourinho passou com estrondo por Lisboa marcando fortemente as conferências de imprensa antes e depois do jogo.

O Manchester United venceu numa falha de principiante de Svilar. Talvez o resultado mais justo desta noite tivesse sido um 0-0. Deu toda a ideia que seria um final que o treinador português do United não desdenharia. A sua equipa reagiu muito bem a uma entrada forte e imprevisível do Benfica com muitas surpresas no onze. Desde logo, Rui Vitória optou por deixar Raul Jimenez mais isolado na frente reforçando o meio campo com Fejsa, Augusto e Pizzi. Diogo Gonçalves, outra aposta inesperada, e Salvio nas pontas.

O Benfica conseguiu mandar no jogo, Grimaldo e Douglas a subirem muito criando vários problemas a defensiva inglesa. Foi pena não ter resultado em nada este melhor período do Benfica. É que um pouco antes do intervalo e, principalmente, no arranque da 2ª parte, o Man United optou pela posse de bola com a equipa posicionada em campo de forma superior, preenchendo todos os espaços jogáveis de uma linha lateral à outra.

Posse de bola com muita paciência e o Benfica a cheirar a bola a apostar tudo em contra ataques, assim foi o jogo do Manchester até aquele golo de Rashford que Svilar confirmou. Pareceu-me ouvir uma gargalhada neste momento, Vítor Baía terá expressado a sua admiração por ter sido validado o golo, no seu tempo não era assim...

Acabou por ser um golo ainda mais inglório que aquele de 2005 mas desta vez não houve resposta à altura e o Benfica perdeu mesmo este clássico com a equipa inglesa que me parece muito mais equilibrada e dominadora esta época.

 

O que fica desta noite é o show que José Mourinho deu no pós jogo explicando muito do que está a acontecer no Benfica. Sou insuspeito para o citar, pois sou, assumidamente, muito mais pró Pep Guardiola do que Mourinho Team:

 

«Significa isto que o Benfica vai ganhar 10 campeonatos nacionais seguidos? Acho que não. O FC Porto ou o Sporting não vão deixar. Farão investimentos a outro nível. Mas o Benfica está a seguir uma linha que tem dado títulos e coisas como esta partida. Perde o jogo, mas perde-o com os adeptos atrás da equipa. Os jogadores saem com níveis de confiança mais altos e o Rui reforçado. Foi uma daquelas derrotas em que se ganha um futuro próximo. Sendo adversário mas português, sinto-me orgulhoso e mais orgulhoso ainda quando mostrei aos meus colegas do United o que são instalações desportivas de alto nível», disse em conferência de imprensa.

Olhanense 0 - 1 Benfica: Noite de Estreias

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 Começo por lamentar o facto do jogo não ter sido em Olhão. Para ser coerente como que sempre defendo aqui há anos, os jogos da Taça de Portugal deveriam ser sempre no estádio das equipas e não em recintos emprestados. Não abdico disto e nos últimos anos tem sido comum ver o 1º de Dezembro ir para o Estoril, o Real para Belém, o Vianense para Barcelos e agora o Olhanense para o Estádio do Algarve.

Neste caso, é um mal menor. Mantém-se o jogo numa região que o Benfica visita pouco. Só por isso, acabei por me fazer à estrada. Ir ter com amigos do Algarve, comer caldeirada, lulas e outras iguarias do sul na melhor companhia antes do jogo e aviar um franguinho da guia antes do regresso, já justifica um sábado à Benfica.

Pegando nos exemplos que citei de jogos destas primeiras fases da Taça de Portugal, se nos lembrarmos bem todos eles foram partidas que ficaram marcadas por vitórias do Benfica mas com exibições fracas. Ou seja, sempre com resultados de vantagem mínima e dificuldades inesperadas. Tem sido sempre assim. Ainda no ano passado o Benfica ultrapassou o 1º de Dezembro com um golo de Luisão no final do jogo e, no entanto, o clube acabou a época a festejar mais um triunfo na Taça de Portugal.

Com esta experiência não ia com grandes expectativas para o Estádio do Algarve, só queria ganhar.

Foi o que aconteceu, foi um jogo parecido com todos os outros desta fase dos últimos anos mas com o aliciante de percebermos que pode ter nascido uma nova estrela na baliza. O jovem Svilar deixou boas indicações e pode ter acontecido um daqueles momentos que daqui a uns anos vou poder dizer orgulhoso que estive lá, naquele jogo em que o miúdo se estreou.

 

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Também Douglas fez a sua primeira partida pelo Benfica e mostrou muita vontade, pouca condição física, boas ideias a atacar e preocupações ao nível defensivo, normal para uma estreia.

Gabriel Barbosa aproveitou para fazer um belíssimo golo que marca a sua estreia como marcador pelo Benfica.

Uma vitória por 0-1 num jogo sem grande história.

Surpreendeu o facto da equipa não ter criado muitas mais oportunidades de golo, assim como também surpreendeu a pouca afluência de benfiquistas algarvios ao estádio. Em 2017 o Benfica só foi duas vezes ao Algarve e os adeptos locais nunca quiseram encher o estádio. Estranho.

O essencial dentro de campo foi conquistado. O convívio de mais um dia a viajar tendo o Benfica como pretexto foi óptimo. Menos um passo para o Jamor.

Curiosamente, há uns meses no Jamor apanhei uma das maiores chuvadas da minha vida enquanto adepto, estava o versão a chegar. Agora, já com um mês de Outono e passei um belo dia de Verão no Algarve.