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Besiktas 3 - 3 Benfica: Cair no Medo Cénico

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O futebol tem destas coisas. Depois de uma primeira parte de sonho, uma das melhores que já vi do  Benfica na Europa, veio uma segunda metade deprimente.

O resultado final foi um empate, na prática vamos para a última jornada obrigados a vencer o Nápoles em casa, algo que já se esperava antes deste jogo na Turquia.

A diferença está na maneira como o jogo decorreu. Imagine-se que o Benfica chegava ao intervalo a perder 3-0 e que na 2ª parte acontecia uma bela oportunidade para o 4-0. E depois o Benfica recuperava e acabava o jogo com um empate conquistado perto do fim. No fundo, invertíamos as partes e estávamos todos moralizados e felizes com o empate. Como aconteceu ao contrário, há um sentimento de frustração por termos visto o Benfica tão perto do apuramento. Mas o desfecho prático desta jornada é sempre o mesmo, com mais ou menos moral, é preciso não fazer pior do que o Besiktas fizer em Kiev.

 

A primeira parte deste jogo merecia um resultado final favorável que podia ter ficado garantido no lance que Mitroglou falhou o 0-4. Grande golo de Gonçalo Guedes, golão de Nelson Semedo e golo de Fejsa após teimosia da bola em não entrar indo ao poste três vezes.

Na 2ª parte tudo a sair bem ao Besiktas. Logo a começar pela entrada de Tosun que resgatou a sua equipa com um belo golo.

O Valdano tem uma boa expressão para aquilo que a equipa, e todos nós, sentimos a partir daqui: medo cénico.

O medo de mexer mal na equipa, o medo da reacção, o medo de sofrer mais um golo que levasse o jogo a ficar decidido no fim. E aconteceu tudo porque o futebol às vezes parece sair um guião certo que valida o medo cénico.

 

Além do crescimento do Besiktas, as alterações de Rui Vitória foram todas infelizes. Rafa foi a jogo e nada de novo trouxe à sua equipa. Saiu Cervi para lhe dar o lugar mas Salvio pouco ou nada ajudou Nelson Semedo a domar Tosun. Samaris entrou no auge do tal medo cénico e também nada de bom trouxe, além de ainda tirar espaço a Fejsa. Finalmente, o jogo pedia Raul Jimenez mais cedo.

Isto tudo conclusões muito sábias de sofá e depois de saber o que aconteceu, claro. Na altura tudo parecia fazer sentido mas aquele golo no fim levanta todas as questões.

Foi duro sentir o apuramento nas mãos e acabar a pensar que vamos ter que ganhar ao Nápoles. Mas esta é a nossa vida, receber no nosso estádio os melhores e preparar-nos para vencer.

 

 

Benfica 1 - 1 Besiktas: Ataque Encarnado Perdoa, Talisca não!

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( Fotos: João Trindade)

 

Começa a atacar a Champions League com uma equipa improvisada nunca é um arranque desejado. No entanto, depois de ver a 1ª parte, a sensação que ficou é que se o treinador tem optado por este plano na recepção ao Vitória de Setúbal o resultado podia ter sido diferente para melhor. Isto porque voltou a ficar provado que a alternativa à dupla Jonas - Mitroglou/Raul deve ser mesmo esta aposta na mobilidade e velocidade, em vez de andarmos à procura de um substituto para Jonas. Primeiro porque não temos, segundo porque mudar o estilo de jogo pode ser benéfico. Ficou demonstrado na 1ª parte de Arouca e comprovado na 1ª parte europeia de ontem.

 

O problema é que jogar a Liga dos Campeões não é a mesma coisa do que disputar 3 pontos em Arouca. A diferença sentiu-se na 2ª parte. A solução passa por não se falhar tantas oportunidades de ataque. Na Liga NOS chegámos vivos ao fim, na Champions evitámos a perda de pontos até ao último minuto. Os intérpretes adversários são diferentes e um lance individual faz mesmo a diferença.

 

Vejamos como Rui Vitória preparou a equipa para a estreia europeia. Trocou Júlio César por Ederson e o jovem brasileiro correspondeu com uma excelente exibição até ao golo do empate. Não digo que tenha culpa no golo mas nunca é bom para um guarda redes sofrer um golo de livre directo. Neuer que o diga.

Na defesa Lindelof regressou para o lugar de Jardel e na frente a aposta foi para Guedes e Cervi apoiados por Pizzi na esquerda e Salvio na direita.

Do lado turco, Senol Gunes apostou no previsível 4-1-4-1, bem visível em postura defensiva, mas não conseguiu lidar com a imprevisibilidade das movimentações atacantes do Benfica. Também não conseguiram responder em ataques rápidos como queriam tendo Aboubakar como referência na área. Na primeira parte a equipa de Rui Vitória esteve muito bem.

O 1-0 ao intervalo era curto para o futebol apresentado. Cervi marcou aos 12' após um excelente passe longo de André Horta para Salvio que chutou cruzado deixando Zengin limitado a fazer uma defesa apertada para a frente que o "22" do Benfica aproveitou para carimbar uma boa estreia europeia.

 

Com os quatro jogadores da frente a trocarem constantemente de posição, Cervi e Guedes a virem atrás e às alas dando espaço para Salvio e Pizzi ocuparem mais espaços interiores, o futebol do Benfica ganhou uma dinâmica muito interessante. Horta e Fejsa estiveram impecáveis no meio campo, o sérvio voltou a fazer uma exibição assombrosa a nível defensivo, posicional e táctico.

 

Ou seja, com tantas limitações resultantes desta estranha onda de lesões, Rui Vitória cumpriu a sua máxima de fazer dos problemas novas oportunidades. O que falta neste futebol mais veloz e imprevisível é ser mais eficaz na hora de finalizar. Nomeadamente, Gonçalo Guedes precisa de dar o salto qualitativo que lhe falta. Há muito tempo que digo aqui que falta ao Gonçalo ser mais objectivo e prático na hora de assistir e eficaz no momento de decidir em frente à baliza. Ainda não aconteceu mas vai a tempo, porque de resto ele tem tudo. A maneira como roubou aquela bola a Quaresma na 2ª parte diz tudo sobre a sua atitude em campo. Depois foi traído, lá está, pela ineficácia finalizadora. E por uma boa defesa de Zengin, também é justo reconhecer.

 

O jogo mudou na 2ª parte mas só para um lado. Senol Gunes leu bem a partida e lançou Talisca no lugar de Ozyakup, depois retirou Adriano na esquerda para lançar Tosun e finalmente trocou Aboubakar por Sahan. O Besiktas foi crescendo no jogo, adaptou-se melhor ao jogo do Benfica e começou a criar reais oportunidades de golo.

Aqui pareceu-me que Arnaldo Teixeira (e Rui Vitória por fora, suponho) demorou muito a reagir. A equipa estava esticada ao máximo a nível físico. É verdade que aquele quarteto atacante é útil na hora de defender porque pressiona muito alto e vem atrás da bola mas há um inevitável esforço físico a gerir. Tanto assim é que não compreendo bem como o Benfica acaba com uma substituição por fazer...

Quando Grimaldo ficou imóvel no relvado após uma bolada de Quaresma pedia-se a entrada de André Almeida. O espanhol recuperou.

Quando o Besiktas crescia no jogo pedia-se uma renovação para refrescar a resposta atacante. Talvez Carrillo tivesse sido boa aposta.

Aos 70' , finalmente, o Benfica mexeu e deu um sinal, talvez cedo demais, que queria agarrar a vantagem mínima com a saída de Cervi por Samaris. A equipa recuava mais. Na condição de treinador de bancada não me parecia mal pensado lançar o miúdo Zé Gomes para tentar manter a defesa turca em sentido lá atrás.

O problema é que mesmo com Samaris em campo, a figura do jogo passou a ser Ederson que negou o golo ao Besiktas além de ter visto o adversário falhar à boca da baliza um lance ao estilo de Ruiz.

 

(Galeria de  várias fotos de João Trindade)

 

Quando o Benfica conseguiu dar um safanão na embalagem atacante do Besiktas voltou a ser vítima da falta de eficácia. O tal lance de Guedes é o que fica mais na memória. Era preciso matar o jogo.

Quando parecia que ia entrar José Gomes, Fejsa pede para sair aos 88'. Celis é chamado de forma natural para a luta do meio campo. Mas, lá está, fica uma substituição por fazer.

O colombiano teve uma entrada infeliz e foi oferecer uma última oportunidade ao Besiktas.

Nos últimos anos tenho escrito aqui que nunca percebi qual é a posição de Talisca mas sei porque é aposta dos treinadores. Tem algo que dá muito jeito à sua equipa, tem golo! Ontem via-o dentro de campo e pensava nisto. Quando percebo que é ele que vai bater aquele livre lembrei-me logo do jogo com o Bayern há uns meses. Confirmou os nossos receios, um golo à Talisca.

Nem se pode dizer que o Besiktas não tenha merecido pelo que atacou na 2ª parte mas ficou aquela sensação que o empate podia ter sido muito bem evitado.

 

O facto de Talisca festejar a mim não me chocou nada. Acho uma falta de respeito pelos seus ex companheiros, que lhe fizeram ver isso mesmo no final, com Salvio à cabeça, e pelos adeptos que o aplaudiram no aquecimento. Eu não aplaudi nem assobiei. Marcou, festejou. Normal. O que não lhe perdoo é o que disse a seguir ao jogo. Se tem um problema com o clube então que o resolva à homem. Mas como me habituei a lidar com as infantilidades do Talisca quando resolveu ir jogar futsal como se não fizesse parte de uma organização profissional ou da forma como respondia nos últimos meses na Luz quando dizia que não lhe interessava para onde ia no futuro porque isso era o seu empresário que decidia, o que mostra bem a fraca personalidade do homem. É gente que não pensa, lá por estarem a viver do outro lado do mundo acham que podem vir aqui e largar umas bombas e voltarem a esconderem-se no seu canto sem consequências. Foi o Talisca, foi o Aboubakar. Enfim, dos "portugueses" do Besiktas, parece que só Quaresma tem juízo, o que diz bem da personalidade dos outros dois.

 

Este empate na estreia da prova mais apetecida dos clubes europeus é negativo porque ganhar em casa é importante mas prefiro um golo aos 93' na primeira jornada do que na última sem espaço para emendar nos próximos jogos.

O grupo é muito equilibrado e traiçoeiro, foi importante o Nápoles confirmar o seu favoritismo na Ucrânia, agora é pensar em pontuar fora da Luz e esperar que a onda de lesões passe para termos uma equipa mais forte nos próximos desafios.

Foi um final duro mas não é nenhum drama.