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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Benfica 4 - 0 Belenenses: Resposta à Campeão

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Perdoem-me os benfiquistas que vêm aqui logo em busca de umas linhas sobre o jogo do Benfica porque hoje vou ter de começar pelo adversário. Nunca consegui detestar o Belenenses. Mesmo que ao longo da vida tenha aprendido que eles odeiam o Benfica, mesmo percebendo a rivalidade que alguns amigos sentem com os azuis do Restelo por serem de Alcântara e estarem mais ligados ao Atlético da Tapadinha, por exemplo.

Não tenho nenhuma ligação real ao Belém mas houve na minha formação de adepto pontos interessantes que me fizeram gostar do Belenenses. O pai da minha mãe, o meu avô, viveu numa moradia, que ainda existe, na Av. Ilha da Madeira situada do lado direito antes de chegar ao estádio para quem desce em direcção ao rio. Logo aqui ficou uma curiosidade pelo clube porque passava ali algum tempo e o futebol já era a minha paixão maior. Vi lá jogos incríveis de noites europeias como o Bayer, que caiu, ou o Barcelona, que ia caindo.

Depois, tenho um tio que gosta do Belenenses, e o falecido padrasto da minha mãe também era todo "pastel". Ouvi boas histórias dos tempos do Matateu, do jogo com o Vasco da Gama, entre outras.

Finalmente, um senhor que todos os que frequentavam a pastelaria Califa, em Benfica, desde os anos 80, como eu, deviam conhecer. O Sr. Costa, um cavalheiro à moda antiga, sempre atrás do balcão pronto a atender e a dar uma palavra simpática. Um enorme belenense com quem passei horas da minha vida à conversa. Enquanto vivi ali bem perto do Califa era raro o dia que não ia meter a conversa em dia com o Sr. Costa.

Hoje, dia de clássico, recebi um triste SMS da minha mãe a dar conta que a pastelaria estava fechava porque o Sr. Costa faleceu. Duvido que alguém que o conheça leia estas humildes linhas mas , de qualquer maneira, quero deixar aqui a minha singela homenagem a um senhor que tanto me aturou, que tanto me falou da sua paixão, o Belenenses. Que descanse em paz.

 

Posto isto, estranho que a bancada dos visitantes tenha levado tão pouca gente de um clube que é de Lisboa. Não bate certo a militância azul com a qualidade do campeonato que a equipa está a fazer.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

E deu para ver essa qualidade em campo, a equipa de Quim Machado procurou sempre equilibrar o jogo e um resultado positivo. Basta recordar que aquele tiro de Miguel Rosa ao poste podia ter empatado o jogo.

Por falar no ex-jogador do Benfica. Quando não joga um derby é uma vergonha porque não quer defrontar a sua equipa de formação ou não o deixam. Quando joga, é uma vergonha porque esteve infeliz num golo de André Almeida. Decidam-se!

 

O Benfica tinha de responder ao mau resultado europeu e também ao triunfo do Porto para voltar a liderar o campeonato. Surpreendentemente foi a jogo sem Nelson, lesionado, e com Almeida no seu lugar. Correu bem já que o André foi considerado o melhor em campo.

Aliás, o jogo correu muito bem. De forma prática até podemos dizer que o Benfica jogou à Dortmund, depois de sofrer um aperto com 1-0 no marcador, reagiu e rapidamente chegou ao 3-0 que matou o adversário.

Boas notícias no golo de Salvio, na exibição de Jonas, no regresso de Mitroglou à lista de marcadores, e em Ederson imbatível em mais uma partida da Liga.

O regresso de André Horta à competição também é factor positivo, já havia saudades daqueles festejos como se viu no 4-0 que fechou o jogo.

Um resultado óptimo no regresso à prova que é a principal preocupação do Benfica até ao final da época.

Saborear esta vitória e começar a pensar no difícil jogo na Mata Real. Até ao fim vai ser sempre assim, preocupação e concentração total no próximo desafio.

 

PS: com tantas preocupações com equipamentos alternativos e cores descabidas, como é que em 2017 um jogo da primeira Liga começa com a equipa de arbitragem vestida com cores semelhantes à da equipa visitante?! E quando mudaram ao intervalo, escolheram a mesma cor do equipamento do guarda redes do Benfica. Lamentável.

 

 

Sim, Já Estivemos Assim. E Nem Foi Assim Há Tanto Tempo...

Desde já peço desculpa pelo teor violento do post mas é preciso dar cor, nomes, imagens e vídeos aos tempos que parecem da pré história mas que aconteceram nos últimos 20 anos.

Talvez seja egoísmo meu mas, mesmo assim, quero partilhar com os leitores mais novos ou mais esquecidos o que vivi quando acreditava que era impossível perder com o Belenenses em casa.

Que me lembre, na minha vida de estádio da Luz nunca tinha visto o Benfica perder um derby para o Belém entre o final dos anos 70 e 1997. Aconteceu em 1997 a derrota perante um cenário já desolador, éramos muitos poucos a ir à Luz e o Benfica andava a atravessar o seu Vietname, como diz o Pedro Ribeiro.

Mas prefiro até começar por algo ainda mais recente. Numa tarde de primavera do ano 2000, com o estádio bem mais composto, assisti ao Benfica de Poborsky, João Pinto e Nuno Gomes a perder contra o Belenenses. Era a segunda vez em 3 anos!

Deixo as equipas e o resumo do jogo para que se sinta que nunca devemos dar nada como garantido. Custou muito viver esta década e, por isso, gosto mais de relembrar estes momentos do que grandes vitórias. Não quero voltar a viver isto.

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  Sobre o jogo de 1997, olhem para a equipa do Benfica e vejam que mesmo com Preud'Homme e Valdo, ídolos indiscutíveis do clube, não dava para evitar uma derrota em plena Luz com um Belenenses orientado por Vítor Manuel. Mais abaixo está o jogo completo, vejam como era desolador o estádio antigo vazio. Doeu viver isto mas nem foi assim há tanto tempo...

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Segunda feira há novo capítulo no derby lisboeta, o resultado mais vezes registado é a vitória do Benfica. Só queremos que aconteça normalidade. A bem dita normalidade.

5 Boas Razões Para Encher a Luz no Derby com o Belenenses

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- Estamos na fase decisiva do campeonato e todo o apoio é preciso para a equipa não vacilar nesta recta final. E este até é um derby com imensa história no futebol português. Bom cartaz.

 

- O Estádio da Luz tem capacidade para 65 mil adeptos. Porque é que nos devemos contentar com a presença de cerca de 50 mil? Onde estão os mais de 10 mil que faltam para esgotar o nosso estádio? Não é tão bonito ver recintos, como o do Dortmund, por exemplo, sem cadeiras vazias na televisão? Então porque é que não podemos ter a Catedral também assim?

 

- O jogo é numa 2ª feira. Sim, retira a muitos benfiquistas a oportunidade de estarem presentas. Mas sobram muitos milhares de adeptos que vivem na Grande Lisboa e que a partir das 19h estão disponíveis para ir ao Estádio. Pensem assim, é muito melhor estar na nossa casa do que no sofá correndo o perigo do comando da televisão nos levar a um daqueles programas sobre futebol das 2ªs feiras à noite. Sobre futebol, que é como quem diz, sobre barulho. A bola vê-se bem é na bancada.

 

- Vejam lá quantos jogos faltam para terminar a época. Pois é, mais meia dúzia de partidas e acabou-se o futebol na Luz até à próxima época. Depois, levam o verão todo a dizer que têm saudades de ir ao estádio. Vão agora!

 

- Sabem quantos benfiquistas espalhados pelo mundo sofrem todos os dias em que há jogo na Luz e eles não podem estar lá presentes? Como se explica uma cadeira vazia a estes companheiros a sofrerem ao longe? Vamos por eles, também.

Belenenses 0 - 2 Benfica: Assim Vai Ser Difícil Não Bater Recordes

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Comecemos por algo menor mas que me faz sempre muita confusão. Que cor de equipamento é este do Belenenses?! Olho para a imagem em cima e não consigo entender a ideia da equipa que joga em casa. Um clube pode ser original em muita coisa mas a jogar no seu estádio com os seus adeptos devia respeitar as suas cores. Acho estranho isto ser aceite de ânimo leve.

 

Deixei aqui a minha indignação pelo facto do relvado do Restelo ter sido usado 48 horas antes do clássico. Felizmente, a maioria dos benfiquistas reagiu com indiferença. Também felizmente, o relvado aguentou-se. Mas continuo a achar surreal a escolha do palco do jogo da selecção feminina com tantas opções disponíveis. Não era um caso de choradinho, era uma questão de bom senso.

 

Para a minha geração, nascida nos anos 70, era comum dizer e ouvir que se tinha uma simpatia pelo Belenenses. Porque têm um estádio bonito com uma paisagem lindíssima, porque são de uma zona de Lisboa muito turística e porque fazem parte de um derby com a segunda deslocação mais curta do campeonato. Andei muito tempo para perceber os mais velhos que se revoltavam com essa simpatia, isto entre os benfiquistas. Depois lá percebi que além de não ser uma simpatia recíproca, há um grande ódio entre os adeptos azuis (não aquela cor de equipamento de ontem) ao Benfica. As gerações mais novas não precisaram de saber muitas histórias do passado para serem completamente indiferentes ao clube da cruz de Cristo, bastou ouvir a frase vinda da bancada belenense durante o minuto de silêncio antes do jogo. Um momento que até era de homenagem a um homem que representou o Belenenses.

 

Este Benfica de Rui Vitória tem conseguido feitos assinaláveis. Talvez, o mais relevante seja o facto de ter acabado com o mito das ressacas europeias. Mais um jogo depois de uma viagem longa na Champions League, mais um triunfo.

A forma como o treinador do Benfica tem vindo a reagir às ausências por lesão dando oportunidade a jogadores, muitos deles jovens, que seguram convictamente o lugar, tem sido uma das explicações para este ciclo incrível de bons resultados da equipa. A equipa técnica achou que o jogo de Kiev marcou uma passagem de nível em termos competitivos, maior ritmo, alta rotação e, portanto, já não vai mexer nos titulares só porque sim. Os que estão de fora vão ter de pedalar mais para voltar a entrar. Foi esta a mensagem que ficou da convocatória para este jogo, reforçada com a aposta na mesma equipa.

 

Galeria de imagens do jogo do Restelo de João Trindade

 

Os jogadores escolhidos limitaram-se a dar razão à opção. O Benfica entrou no Restelo determinado a pegar no jogo e a chegar ao golo. Conseguiu marcar cedo, Pizzi marcou o canto que levou a bola direitinha a Mitroglou. O grego confirmou o seu gosto por pasteis de Belém e acrescentou mais um golo aos azuis, depois de um bis e um hat-trick.

A vantagem no marcador soltou a equipa para uma bela exibição. A velocidade que Grimaldo e Nelson colocam nas alas, dão asas a Cervi e Salvio que se juntam ao rápido Gonçalo Guedes. Na hora de trocar a bola e postura ofensiva, chega a ser deslumbrante a maneira como a equipa arranja soluções, sempre em velocidade, para criar oportunidades. E ontem criou várias para voltar a repetir as goleadas da última época. Mas o poste, a trave e Joel negaram essa hipótese.

 

Como não dá para jogar em alta velocidade o jogo todo, há que contar com Fejsa para segurar a equipa nos momentos mais passivos. Depois, Luisão revela-se uma mais valia ao lado de Lindelof, em vez do problema que tantos de fora desejavam que fosse.

 

Mesmo com boa parte do jogo a ser condicionado por chuva e sabendo que o Belenenses estava bem mais fresco, além de não ter jogado durante a semana tinha ido passear a Coimbra há uma semana na sua embaraçosa despedida da Taça de Portugal, o Benfica pautou sempre o ritmo do jogo.

Foi com naturalidade que chegou ao 0-2 na 2ª parte, novamente Grimaldo a marcar e a confirmar toda a sua qualidade como defesa esquerdo. Talvez o melhor que ali passou desde Coentrão. Diga-se que o passe foi de Guedes que no Restelo foi sempre um diabo à solta. O miúdo Gonçalo é um dos melhores exemplos de aproveitamento por ausência de titulares.

 

O mais importante foi conquistado, os 3 pontos. Por consequência o clube bateu um recorde do tempo em que eu ainda nem era nascido, 16 vitórias seguidas fora da Luz! Se me dissessem em 1999 que ainda ia assistir a um recorde destes... ria-me do disparate.

A verdade é que esta é a nossa actual realidade. Uma equipa de futebol super competitiva que vai fazer cair registos históricos, colectivos e individuais da maneira mais natural.

O Benfica voltou a ser Benfica.

Belenenses 0 - 5 Benfica: Perus, Galinhas? A Malta Gosta é de Pastéis!

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O futebol português nesta época tem sido assim: durante a semana insinuações,ruído, provocações e insultos nas redes sociais do líder dos líderes no campeonato. Depois há uma pausa para a bola rolar e o Bi Campeão entra em campo e resolve os seus jogos de maneira categórica. Sem cotoveladas, sem turbulências na zona do banco dos suplentes, sem treinador nem presidente expulsos, sem penaltis polémicos, sem apertos a árbitros, sem choradinhos e sem grandes sustos.

 

Por exemplo, nesta época 2015/16 o duplo cruzamento com a equipa do Belenenses, que até deixou uma boa imagem na Liga Europa e tem vindo a fazer um campeonato interessante, saldou-se com um total de 11-0 para o Benfica. Assim, sem espinhas. Sem Tonel.

A resposta às provocações de Perus e Galinhas veio desta forma arrasadora, devorando pastéis. Por isso é que o povo benfiquista enche o Restelo numa 6ª feira à noite, entra sorridente no estádio e sai feliz para um fim de semana tranquilo.

 

O Benfica chega à fase decisiva da época com uma confiança impressionante. Não havia Luisão, houve Lisandro. Os dois estão lesionados? Entra Lindelof e ninguém treme. Isto é de valor.

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No Restelo havia a pressão de ser o primeiro a jogar e não poder falhar para encarar o clássico na máxima força. A equipa correspondeu e entrou como tem sido habitual, forte, com posse de bola e um futebol atacante à procura do golo desde o primeiro minuto.

Do outro lado havia a promessa de não defender com autocarro e tentar jogar o jogo de igual para igual. O maior mérito de Julio Velásquez foi ter cumprido a promessa e ter alimentado o sonho dos adeptos da casa durante toda a primeira parte. À medida que o Benfica ia desperdiçando oportunidades de golo, a equipa azul ia ganhando confiança e procurando responder sempre conduzida por Carlos Martins e Miguel Rosa, à procura das desmarcações de Juanto Ortuño e Sturgeon. O mediátio e recente reforço colombiano Abel Aguilar ajudou no meio campo mas ainda longe da integração ideal.

 

Rui Vitória manteve a confiança em André Almeida, apesar de Nelson Semedo estar apto, e só mexeu onde foi obrigado a mexer, Lindelof ao lado de Jardel. Geriu Eliseu que continua a um cartão amarelo do castigo de um jogo. Do meio campo para frente começa a fazer-se história. Renato com Samaris, Pizzi e Gaitán nos flancos, Jonas e Mitroglou na frente, é uma combinação que está a resultar numa produção ofensiva nunca vista em tempos recentes!

A dupla atacante já assinou 34 golos em 21 jogos, ontem o grego fez o seu primeiro hat-trick pelo Benfica e Jonas voltou a bisar. Pizzi e Gaitán voltaram a contribuir para os golos e ficaram a dever a si próprios mais uns golos para as suas contas pessoais.

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Tudo isto movido pelo poder de Renato Sanches, um talento puro sem filtros que só sabe empurrar a equipa para a frente e que se tornou o ponto de referência incontornável nesta equipa. Simples e eficaz para um miúdo acabado de chegar aos seniores. Daqui a uns anos vamos poder dizer com orgulho que assistimos aos primeiros passos do Renato e que já jogava mais que muito.

Uma palavra para o nosso guarda redes, Júlio César está ao nível dos maiores "números 1" que já defenderam a nossa baliza. Categórico!

 

Falando objectivamente do jogo, há que dizer que a primeira parte não estava a ser bem conseguida devido ao arrastar do 0-0 e que foi preciso uma falha de Ventura para chegarmos ao intervalo de forma mais descansada. Depois deste primeiro golo de Mitroglou é que o futebol do Benfica se mostrou em todo o seu esplendor, uma segunda parte de luxo com golos a partir do minuto 53. A partir daí a única dúvida era saber por quantos o Belenenses ia perder na sua casa. Ficámos pelos cinco, o suficiente para termos de ir a 1964 encontrar um triunfo maior ali: 0-6 em 1964/65.

 

Aliás, estas goleadas têm o condão de deixar os adeptos e observadores entretidos entre os jogos a fazer contas e consultarem estatísticas que revelem os recordes históricos em termos de golos e vitórias. Muito mais elegante e saudável do que pertencer a um circo de vouchers e influências arbitrais a que outros grupos se dedicam.

 

Há registos para todos os gostos, 59 golos em 21 jogos de campeonato, 80 golos em 33 jogos, contando todas as competições oficias, 11ª vitória seguida e por aí fora.

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Mas o melhor é pensarmos que apenas estamos a cumprir a nossa obrigação, com brilho é certo, mas são apenas 3 pontos de cada vez. E temos que ter mente que esta veia goleadora não se tem reflectido nos duelos directos com os dois rivais. Seguem-se os jogos decisivos da temporada, o clássico para a Liga e o duelo com o Zenit na Europa, é para a frente que temos de olhar com a humildade de nos lembrarmos que até agora ainda não fomos felizes em nenhum jogo contra os dois concorrentes directos. A moral está alta, a motivação no máximo, a confiança é maior que nunca mas a verdade é que vamos à procura de fazer os primeiros golos na Liga a Porto e Sporting, isto é que tem de nos preocupar a partir de hoje.

É válido para nós como é válidos para os nossos inimigos que devem estar bastante apreensivos com estas sucessivas demonstrações de futebol à Bi Campeão.

 

A recuperação desde o jogo com o União na Choupana foi exemplar, na altura eu pensei que tínhamos desistido do Tri, mas de nada serve se não for só o nosso lançamento para uma ponta final de campeonato feliz. A começar já na próxima sexta.

O 21º jogo no campeonato foi mais um tratado de futebol em casa alheia, vamos saborear esta goleada sentados no nosso lugar até os outros jogarem.

Benfica 6 - 0 Belenenses: Pastéis à Meia Dúzia São Mais Saborosos

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Recuperemos três ideias que tenho defendido nas crónicas dos jogos desta temporada.

Era preciso um tempo de trabalho sem circos nem fantasmas e nesse contexto a paragem das selecções veio a calhar.

Era preciso saber com quem o treinador realmente contava entre os jogadores negociáveis, entre os jogadores em processo de renovação e entre os jovens à porta da equipa principal. Com o fecho do mercado ficámos a saber que Gaitán fica de corpo e alma, que Jonas é para continuar de águia ao peito (Júlio César deve ser o próximo a renovar) e que há mesmo miúdos prontos a agarrar a titularidade.

Finalmente, a questão do treinador. Tenho dito que Vitória precisa de encontrar o seu espaço e para isso tinha que apresentar uma equipa próxima do onze ideal e uma exibição convincente.

 

Duas semanas de trabalho depois o Benfica apresenta a melhor exibição da temporada com uma das maiores goleadas de sempre ao rival azul da capital!

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Rui Vitória arrumou ideias, aproveitou a recuperação de todos e apresentou uma equipa que agradou aos adeptos e correspondeu às expectativas.

Na defesa houve o regresso de Jardel, recuperando a dupla de centrais de sucesso da época passada. No meio campo apostou em Talisca no lugar de Pizzi, uma escolha que se pedia e se mostrou acertada. Para a ala direita foi lançado Gonçalo Guedes que não desiludiu.

 

O Belenenses chegava à Luz com grande moral, ainda não tinha perdido na Liga e vai lançado na Liga Europa. Para não haver choros, não faltou Miguel Rosa e Carlos Martins em campo liderados pelo leão Sá Pinto que deixou os rivais verdes cheios de esperança nesta visita à Luz. Correu mal. Acontece.

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O Benfica entrou muito bem e fez tudo o que ainda não tinha feito esta época. Pegou no jogo, mostrou qualidade na organização do ataque, e os jogadores mais valiosos mostraram mais vontade do que nunca para tentar resolver o jogo cedo. Em meia hora, entre  o minuto 5 e 40, o Benfica fez golos pela primeira vez na baliza norte. Três sem parar, Mitroglou a passe de Jonas que depois comemorou a renovação de contrato com um bis que resolveu o jogo. O Benfica que queremos, o Benfica que sempre esperamos, apareceu em força e atropelou a equipa de Belém.

 

Com a estreia europeia no horizonte ficava a dúvida ao intervalo, gerir a vantagem confortável ou manter o ritmo em busca de uma goleada à antiga.

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A resposta vem em 10 minutos, entre o minuto 53 e 63 mais três golos para não desiludir o público da baliza grande. Mitroglou bisou, Nico Gaitán juntou um golo a finalizar uma jogada de elevada nota artística com Jonas. O argentino ficou depois do fecho do mercado e só me apetece dizer: obrigado!

Para a noite ficar ainda mais inesquecível faltava Talisca voltar aos golos muitos meses depois, sete. Um pontapé incrível do meio da rua, como se dizia antigamente, e a bola a terminar na baliza de Ventura pela sexta vez.

Há noites assim... Em Aveiro houve remates de toda a forma e feitio e nenhum entrou, hoje até aquela bomba de Talisca foi lá parar. É assim o futebol.

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Quando se joga bem, com qualidade, os golos ficam sempre mais perto. Hoje o show de bola teve correspondência nos golos.

Ainda houve tempo para Jimenez jogar mais uns minutos, para Nuno Santos se estrear na equipa principal e Pizzi fazer a recta final. Ganhar o jogo, ganhar uma equipa e ganhar vários jogadores para acompanharem o génio de Gaitán e Jonas.

 

Um grande triunfo também para os adeptos da Luz que não se têm cansado de apoiar este novo Benfica, hoje chegou a recompensa por tanta e tão boa entrega mesmo depois de dois jogos complicados. Em três jogos na Luz já festejámos 13 golos. Nada mau.

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Uma última nota para dizer que os problemas entre adeptos do Benfica resolvem-se entre adeptos do Benfica. Quando se torna um pretexto para um festival selvático e desmedido de violência pela parte do Corpo de Intervenção da PSP é só triste e vergonhoso. Impensável que o final de um jogo destes fique marcado pelo êxodo de quem paga bilhete para fora das bancadas.

 

Agora é manter a qualidade já na estreia da Champions League. Grande noite de futebol, Benfica!

 

Fotos de João Trindade