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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Borussia Dortmund - A Análise de Rui Malheiro

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 Uma perturbante onda de lesões durante a primeira metade da temporada, que afastou várias unidades nucleares das opções regulares de Thomas Tuchel, é a principal responsável por um trajeto muito titubeante na Bundesliga, onde o Borussia Dortmund se posiciona a 15 pontos do líder Bayern. Contudo, a campanha dececionante tem contrastado com um percurso imaculado na Champions, competição em que venceu o Grupo F, onde se digladiaram com Real Madrid (dois empates frente ao campeão europeu), Sporting e Legia Varsóvia, com 21 golos marcados, novo recorde da primeira fase da principal competição de clubes da UEFA.

 

Mutantes. Durante a metade inicial do exercício, à semelhança de 2015/16, Tuchel alternou a utilização do 4x1x4x1 e do 4x2x3x1 como estruturas táticas preferenciais. Mas nunca escondeu a sua predileção por estruturas com três defesas, algo que colocou em prática, com veemência, no último mês, à medida que o seu leque de opções foi alargando. Por isso, nos últimos jogos, o Borussia apresentou-se mais próximo de um 3x5x2, com variações para 3x4x1x2 e 3x4x3, fruto do posicionamento de Dembélé, sagaz a desdobrar-se entre o papel de quinto médio e de terceiro avançado, no apoio a Aubameyang e Reus. Na Luz, face à desastrosa prestação, no último sábado, ante o Darmstadt (1-2), Tuchel poderá sentir-se tentado a recuperar uma estrutura com quatro defesas, de forma a equilibrar mais a equipa.

 

Contundência ofensiva. Mantendo alguns princípios fundamentais do futebol a todo o gás de Klopp, como a agressividade superlativa colocada na reação à perda, recorrendo a uma asfixiante pressão alta ou média-alta, e os veementes contragolpes, onde Aubameyang, referência ofensiva de grande mobilidade e agressividade, e Reus, cirúrgico no último passe, perspicaz a desmarcar-se e letal como finalizador, assumem um papel decisivo, Tuchel privilegia futebol de posse e dominador, o que conduziu a um robustecimento do jogo interior, mesmo não abdicando da exploração vigorosa dos corredores laterais. Apesar da forma cirúrgica com que alterna a circulação de bola pelos três corredores, o que lhe permite chegar com facilidade a zonas de finalização, uma das armas mais utilizadas em ataque organizado é a busca da profundidade através de passes de rutura, aproveitando o posicionamento subido da última linha rival. Em jogos mais embrulhados, os lances de bola parada são um dos pontos que o Dortmund busca exaustivamente.

 

Debilidades defensivas. O sector defensivo tem denotado uma tremenda falta de estabilidade, bem patente nos erros na definição da última linha – convidativos a que o adversário explore as suas costas – e a nível posicional, nomeadamente no espaço entre centrais e, principalmente, entre central e falso lateral. Além disso, a forte vocação ofensiva faz com que se exponha excessivamente no momento de transição defensiva, nomeadamente sobre os corredores laterais, mas também no central, fruto dos riscos assumidos nas saídas em condução e pelas dificuldades de assimilação de alguns conceitos de uma defesa a três, sobretudo quando Sokratis denota muitas dificuldades no um contra um defensivo em velocidade: algo que o jogar mais explosivo de Jiménez ou de Rafa poderá retirar mais dividendos do que o estaticismo oportunista de Mitroglou.

 


Autor: Rui Malheiro/Record

Dinamo Kiev - A Análise de Rui Malheiro (Record)

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 Rui Malheiro escreve no jornal Record sobre o adversário do Benfica de amanhã:

 

O 4x3x3, partindo, muitas vezes, de um 4x1x4x1, fruto do recuo – nem sempre eficaz – dos médios-ala em momento defensivo, é a estrutura tática preferencial de Serhiy Rebrov. Apesar de se tratar de uma equipa habituada a assumir o jogo na competição interna, mostrando-se confortável a realizar uma circulação de bola muito direcionada aos corredores laterais, o Dínamo perde várias bolas em zonas de construção e de criação. Ao invés, revela-se letal no contragolpe, ao perscrutar o virtuosismo de Yarmolenko, incisivo a realizar diagonais para o espaço interior em busca do seu forte remate ou a procurar assistências para zonas de finalização através de cruzamentos e passes de rutura, bem secundado pela velocidade, aceleração e sagacidade na desmarcação de Derlis González, e pelo oportunismo e ataque feroz à profundidade do avançado Júnior Moraes, um ninja ardiloso a ganhar posição na área e a conquistar segundas bolas.

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Análise

A este trio juntam-se a revelação Tsygankov, habitual relevo do internacional paraguaio, e Garmash, extremamente sagaz a surgir em posições de remate dentro e fora da área, procurando dar sequência a passes atrasados ou bolas perdidas. Outro aspeto a ter em conta é a capacidade dos ucranianos para criarem oportunidades a partir de lances de bola parada. O Dínamo é forte na exploração de livres laterais, direcionados ao segundo poste, e apresenta inúmeras soluções na execução de pontapés de canto – curtos e atrasados –, o que abre a possibilidade a remates de fora da área e ao eventual ataque a segundas bolas (Moraes é um especialista). Além disso, apresenta soluções de qualidade na execução de livres diretos, como Moroziuk, Yarmolenko ou Antunes.

 

Além dos riscos assumidos em zonas de construção e de criação, que acabam por conduzir a perdas de bola, o Dínamo desequilibra com extrema facilidade em transição defensiva, sobretudo quando o rival ultrapassa uma primeira linha de pressão mais alta e busca os corredores laterais. Quando se apresenta com linhas mais recuadas, denotam-se arduidades na defesa do espaço entre a linha defensiva e intermediária, na definição da última linha e no controlo da profundidade, e na reação a segundas bolas, fruto de alguma falta de agressividade dos médios, convidativa à exploração de remates de meia distância.


Autor: Rui Malheiro