
O que está no chão é a estrutura (em branco) que supostamente nos separava do relvado. Foi abaixo no golo do Cardozo.
Depois de tanta conversa em receberem o Benfica no seu renovado recinto, depois da Liga vir dizer que não autorizou o jogo em Aveiro, depois de nos assaltarem a carteira em troco de um bilhete, tenho de perguntar:
- a Liga pensa devolver-nos os euros que gastámos para ir para uma bancada assassina?
- o Benfica pensa fazer qualquer coisa para defender os seus adeptos que pagam fortunas para acabarem caídos atrás de uma baliza?
Foi na madrugada de 18 de Setembro de 1994 que perderam a vida Jorge Maurício "Gullit", Laurentino Soares (Tino) e a Ana Rita Fernandes (Rita), depois de uma ida a Split para apoiar o SL Benfica contra o Hajduk. Daí nasceu a amizade entre os NN e a Torcida de Split que perdura até hoje. Ontem foi noite de lembrar esse triste acontecimento, que apesar de já ter sido há 17 anos continua e continuará sempre a marcar tanto o Topo Sul da Luz como todos aqueles que os amavam.
A foto em jeito de homenagem é do grande benfiquista Luís Manuel Neves.
O desafio é o seguinte:
ajudar um amigo e companheiro benfiquista de bancada, estrada e avião a ter o casamento do ano. O que se pede é que simplesmente acedam a este link façam um like e ainda partilhem no vosso facebook.
O casal merece, ele porque precisa de abater as divídas que acumulamos nas deslocações atrás do Benfica, ela porque... o atura.
É votar e partilhar.
Hoje toda a imprensa faz eco do treino da tarde de ontem do Benfica no Seixal. À porta aberta depois de uma vitória no terreno do rival do norte e com cerca de sete centenas de adeptos nas bancadas.
Até aqui tudo bem, tudo normal.
Eu lamento voltar atrás e ir buscar um assunto sensível a muitos leitores que na altura manifestaram o seu descontentamento com a minha abordagem à situação. Mas quero hoje lembrar que a 13 de Novembro também houve adeptos num treino do Benfica. Não eram sete centenas, eram cem. Não era um treino à porta aberta, e não havia por perto nenhum dos adeptos que ontem foram ( e muito bem ) fazer a festa no fim de tarde no Seixal.
Eu quero que percebam agora que não há adeptos "bons" e adeptos "maus". Tanto faz sentido que ontem se tenha enchido as bancadas com bom ambiente e alegria pelo momento que atravessamos, como fez todo o sentido que um grupo de associados tenha ido conversar com os jogadores e técnicos numa semana muito dura para todos os que adoram o Benfica. Não quero exagerar de maneira nenhuma mas permitam-me que assuma o seguinte pensamento: se na manhã da véspera do jogo com a Naval os jogadores não tivessem ouvido da boca daqueles que sempre os apoiam em qualquer campo em que joguem palavras de revolta, de incentivo e de acusação talvez não estivéssemos agora neste estado de graça. Talvez o Fábio não tivesse tido aquele maravilhoso impulso de ir festejar o golo mergulhando no sector dos sempre presentes, talvez o Javi não tivesse ido mostrar ao mesmo sector com aquele orgulho o emblema que carrega quando fez o 0-2.
É que depois dessa manhã em que adeptos, jogadores e técnicos conversaram abertamente sem qualquer tipo de problema, longe dos olhares da imprensa, o Benfica só sabe vencer em todas as competições nacionais!
Claro que isto vale o que vale mas eu não tenho memória curta e nestas alturas gosto de recordar criticas que achei muito injustas. Como se pode ver não há adeptos "bons" e adeptos "maus". Somos todos do Benfica, queremos todos viver semanas destas. Cada um vive o Benfica à sua maneira, todos estão sujeitos a reparos. Mas na altura de elogiar não se deve esquecer os que lutam pelas vias menos simples e menos politicamente correctas.
E agora siga para Setúbal!
( foto: Catenaccio )
Excerto do livro do Saviola:
"Ao longo da carreira encontrei vários tipos de adeptos. Dos fanáticos de Sevilha, aos low profile do Mónaco. Mas como também já referi, não encontrei nenhuns com a genuína paixão dos benfiquistas. É quase inexplicável. Sente-se olhando fundo nos olhos das pessoas. Sente-se nas manifestações espontâneas nas ruas, nos restaurantes, no estádio. Sente-se nas cartas que recebemos (...). Quem já passou pelas mesmas situações - em países diferentes, com clubes diferentes e adeptos diferentes - sabe distinguir claramente os sentimentos. Aqui é distinto. Garanto!."
"O Benfica é um clube muito especial. Não digo isto para ser politicamente correcto ou conquistar o coração de quem quer que seja. Aliás, antes de vir para Portugal, posso confessar que desconhecia em absoluto esta grandeza. O Benfica foi-me conquistando e convencendo com factos. É daqueles clubes que te surpreende dia após dia. Quando conto isto a alguns colegas de outros clubes eles estranham. Como é que alguém que passou pelo Real Madrid ou Barcelona se pode surpreender? A explicação é simples. O Real ou o Barça são como teatros gigantescos e nós, os jogadores, somos os actores principais de uma grandiosa encenação. No Benfica é outra coisa, mais ligada ao sentimento, ao povo, à paixão. Vem das raízes, é genuíno.” “Os adeptos conseguem transmitir-nos exactamente o que lhes vai na alma. Sentimos essa força na pele. (...). Cheguei a dizer ao Jorge Jesus: "Mister, isto nem no Madrid! O mesmo já tinha acontecido no estágio da Suiça. No meio das montanhas, num local que nem vem no mapa, havia centenas de benfiquistas a apoiar-nos. Após o primeiro treino liguei à minha mãe e disse: "Mãezita, este clube é impressionante!"
Javier "El Conejo" Saviola








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