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Nápoles 4 - 2 Benfica: Sete Minutos à Maradona

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Chegar ao intervalo a lamentar as duas perdidas de Mitroglou e nada convencido com o golo sofrido num canto, dava esperança para uma segunda parte mais eficaz e feliz. Estranhar o desacerto dos primeiros seis minutos da segunda parte nunca me fez pensar no pesadelo dos sete minutos seguidos.

É isso, passámos de um injusto 1-0 ao intervalo para um caótico 4-0 ainda antes de termos chegado a uma hora de jogo! Não me lembro de tal coisa. E mesmo que venha já um engraçadinho lembrar que até já pode ter acontecido, não quero saber.

Aos 58 minutos fiquei agoniado. Três golos de bola parada e uma oferta da defesa num jogo que até prometeu outro desfecho nos primeiros minutos. O futebol consegue ser tão estranho quanto cruel. Acresce a isto a lesão de André Horta e quatro jogadores com cartões amarelos.

Salvou-se a reacção do Benfica a partir do minuto 70 a transformar uma goleada numa derrota por dois golos de diferença fora de casa. Boa notícia da noite, Gonçalo Guedes fez golo e pode ganhar mais confiança. Também Salvio ganhou moral com o seu golo. E mais uma boa nova, a estreia europeia de José Gomes. Não esquecendo a bela exibição de Grimaldo, sempre inconformado.

 

À partida, as escolhas de Rui Vitória pareceram-me lógicas. A escolha de Júlio César para a baliza parecia pacifica mas acabou por ser, talvez, a pior noite do guarda redes desde que chegou ao Benfica. Fez-me lembrar um jogo dele no Inter que o Schalke venceu em Milão onde tudo correu mal ao brasileiro. Estes jogos negros não escolhem hora, aparecem quando menos se espera. Hoje foi uma noite má de Júlio César, o futebol tem destas coisas. Por mim, joga já contra o Feirense. Não merece cair assim da equipa depois de tantos jogos em que foi herói. Basta recuar um ano e lembrar a exibição de Madrid.

As outras duas alterações do treinador passaram por reforçar o meio campo com a entrada de André Almeida e apostar na velocidade de Carrilho na esquerda, deixando de fora Salvio, com Pizzi a passar para a direita, e colocando André Horta mais perto de Mitroglou, em vez de Gonçalo Guedes. Na teoria aceitam-se as apostas mas na condição de treinador de bancada, e na confortável posição de já ter visto o jogo, arrisco dizer que Rui Vitória voltou a procurar um "jonas" como tinha feito com Pizzi contra o Vitória na Luz. André Horta também não se deu bem naquela posição mais adiantada e a equipa depois do golo inaugural da partida não mais se entendeu na frente.

André Almeida justificou a aposta para jogar perto de Fejsa, Carrilho desperdiçou uma bela oportunidade para se impor neste plantel.

Mesmo assim, se Mitroglou tem convertida uma das duas oportunidades que teve no arranque da partida, estávamos agora a elogiar a escolha da partida. Infelizmente, desta vez não houve eficácia e a equipa na segunda parte foi engolida por um pesadelo chamado "bolas paradas". Um golo de canto, na primeira parte, um golo de livre directo, outro de penalti e jogo perdido. Surreal!

 

Foi um jogo muito estranho, aqueles sete minutos foram um buraco negro que apareceu do nada. Pareciam sete minutos à Maradona inspirados na canção "Life is Life" que consegui ouvir antes do jogo arrancar. Como nos tempos de D10s. É capaz de ainda haver por ali a mão de Deus na alma daqueles napolitanos. Infelizmente para o Benfica.

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