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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Marítimo 0 - 2 Benfica: Com Menos Um Mas Já Só Falta Mais Um

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Um dia vou arriscar escrever um romance melodramático sobre os dias, as horas, que vivemos entre jogos decisivos do nosso clube. A eternidade a que parece estar o próximo jogo, as conversas, as confissões, os prognósticos, as palavras de confiança que deitamos da boca para fora, os receios, os ses, ir a um concerto e só pensar no próximo desafio, encontrar companheiros e trocar olhares sem dizer uma palavra, ler notícias, ouvir teorias, rejeitar saber dos outros, pensar só em nós, horas e horas que deviam ser de sono profundo e se transformam em noites mal dormidas, estarem a conversar connosco e não ouvirmos metade porque estamos a pensar se o Jonas estará bem, perguntarem-nos por planos daqui a uns dias e nem sabermos se sobrevivemos a mais um jogo decisivo, combinar ver o jogo em locais que nos deram sorte noutras noites, evitar aqueles em que não fomos felizes. São dias e dias de ansiedade, de demência que nos congela o pensamento até aos próximos 90 minutos. Andamos horas e horas, dias e dias, a arranjar desculpas para viver até que chegue mais um momento da verdade.

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O momento chegou, a bola rodou. O Benfica todo de branco (que equipamento tão à Benfica) empurrado por uma espécie de Estádio da Luz pintado de vermelho no meio do Atlântico. 

As fotos dos últimos dias nas redes sociais não enganavam. Era difícil passar por um mural de algum companheiro que não estivesse a partilhar imagens de lapas, espetadas, bolo do caco, milho, ponchas ou coral! Os adeptos não falham, o apoio no Funchal era igual ao da Luz.

 

O Marítimo optou por uma postura defensiva, abdicou da posse de bola e dedicou-se à pressão sobre os adversários, marcações apertadas e preenchimento eficaz dos espaços no seu meio campo. 

Valha a verdade que nunca chegou a entrar naquele capítulo vergonhoso do anti-jogo, apenas apostou num jogo mais defensivo.

 

O Benfica tardou em fugir da teia da equipa de Nelo Vingada e só quando metia velocidade no jogo criava perigo. Era preciso Jonas recuar muito para haver desequilíbrios e tentar servir as alas para conseguir cruzamentos. 

O momento do jogo na primeira parte acontece quando Renato Sanches entra na área e cai no confronto com um carrinho de Plessis. Ficou a dúvida se podia ser penalti mas dificilmente seria lance para o jogador do Benfica ver um cartão amarelo.

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Foi a melhor fase do Benfica. Jonas, sempre ele, inventou uma jogada que acabou com uma bomba no poste. Mais tarde só não marcou de cabeça porque Salin fez grande defesa. Também Carcela ameaçou mas o nulo teimava em manter-se.

 

Aos 37 minutos o céu parecia cair sobre as nossas cabeças. Renato tem uma atitude irreflectida e derruba um adversário de forma a merecer ver cartão amarelo. O problema foi o primeiro mal mostrado. Inexplicavelmente, o miúdo que endireitou a equipa no assalto ao Tri vacilava num jogo decisivo.

 

 Rui Vitória pediu a Pizzi para jogar no interior para não descompensar o meio campo e a equipa aguentou-se.

Ao intervalo o cenário não era o mais agradável. Se o jogo já tinha começado em alta tensão, a 2ª parte arrancava na tensão máxima.

 

Mais uma vez, o Benfica cerrou fileiras e foi à procura do golo. Mesmo com menos um, a entrada para a segunda metade foi exemplar e de repente Mitroglou aproveita uma bola caída na área para o seu pé esquerdo e leva à loucura milhões de adeptos que só pensavam em ter um momento destes há dias e noites!

Estava feito o mais complicado, o Benfica ficava na frente do marcador, as bancadas explodiam de alegria, os jogadores ganhavam motivação extra e o Marítimo tinha que sair do seu quintal.

Houve mais espaço e era preciso afinar táctica, estratégia e equipa.

 

Pelo meio um grande susto com a lesão do central do Marítimo, Maurício. A saída de ambulância foi dramática e espero que a recuperação seja total e rápida. Pior momento do jogo.

 

Quem tem visto os jogos do Benfica esta época sabia o que havia de fazer Rui Vitória. Samaris tinha que entrar urgentemente, substitui Jonas, mas Talisca foi chamado para o lugar de Carcela primeiro. 

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O brasileiro voltou a entrar bem no jogo e repetiu a obra de arte que tinha vendido a Neuer. Desta vez foi Salin o comprador. O 0-2 estava feito dando um pouco de descanso nos desgastados corações benfiquistas.

Com Samaris em campo e depois Raul Jimenez, o jogo pareceu sempre controlado. O mexicano podia ter feito o 0-3 mas a barra voltou a negar o golo ao Benfica.

Cheios de alma, com muita luta, muito sacrifício, os jogadores do Benfica seguraram uma vitória importantíssima num terreno nada fácil e escorregadio.

 

A tão esperada e ansiada vitória esta conquistada. O alivio de, finalmente, irmos à Madeira e jogarmos o nosso jogo a tempo e horas, sem adiamentos nem folclores.

O problema é que uns minutos depois começa tudo de novo porque agora o pensamento só está no primeiro golo que temos de marcar ao Nacional. 

Voltamos ao começo. Depois da enorme satisfação que foi ver o Benfica não vacilar, aí vamos nós para horas, dias e noites de ansiedade outra vez. Adepto sofre.

O Benfica tem mostrado um orgulho muito seu que nos faz acender a chama imensa mais intensamente do que nunca! 

 

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