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Galatasaray 2 - 1 Benfica : Ironicamente Traídos Pelo Génio

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A UEFA falha em pormenores básicos. Reparem, um jogo da Champions que começa com uma obra de arte como aquela que Nico Gaitán assinou por cima de Muslera, ainda por cima a jogar longe da Luz, devia dar o que pensar. É que a jogada entre Jonas e Gaitán resultou no 12º golo do dia do Benfica na Turquia, isto somado os seniores com os miúdos da formação dos dois clubes.

A ganhar assim tão cedo a tendência era ver a equipa relaxar. Foi o que aconteceu. A UEFA devia ter dado o jogo por terminado logo após o lance de Gaitán. Estava tudo visto, a partir dali seria sempre a descer.

 

A verdade é que o Benfica entrou muito bem no terceiro jogo da maior competição de clubes do mundo, vinha moralizado com duas vitórias, uma delas no campo da equipa mais forte do grupo, e até já se apontavam para a quebra de recordes. O golo logo no começo deu uma falsa sensação de facilidade num terreno sempre complicado e contra uma equipa que tem bons argumentos, principalmente no ataque com duas figuras do futebol mundial como são Sneijder e Podolski.

 

O Galatasaray não acusou o golo sofrido que teve o efeito de apressar a equipa turca num assalto imediato à baliza de Júlio César. Era de esperar que o Benfica lidasse bem com a pressão dos turcos e aproveitasse para usar um dos seus maiores trunfos, rápidos contra ataques a apostar na velocidade de Guedes, no génio de Gaitán e na eficácia de Jimenez e Jonas. A eficácia não esteve presente no Turk Telecom Arena, e o Benfica pagou caro por isso.

 

Em 33 minutos o Galatasaray deu a volta ao marcador. Primeiro num penalti por mão na bola de André Almeida. Em Madrid um lance parecido passou sem danos mas desta vez deu mesmo oportunidade para Selçuk Inan empatar. Depois Podolski arrancou pela direita, aproveitando um passe longo de Chedjou e sem oposição de Eliseu, fez com classe o 2-1.

Foi uma grande resposta da equipa de Hamza Hamzaoglu que anulou por completo aquela entrada de sonho do Benfica.

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Assim, na 2ª parte o Benfica encarava um novo desafio. Voltar a agarrar no jogo, procurar novamente o golo para evitar a derrota. Disto resultou uma segunda metade de jogo bem mais entusiasmante do Benfica.

Mesmo criando algumas oportunidades de golo, o Benfica não se livrou de grandes sustos que podiam ter dado mais golos para os da casa, o poste e Júlio César evitaram diferença maior no marcador. Não tão bem estiveram os dois defesas laterais, noite para esquecer mesmo. Também na frente não houve inspiração, Jonas e Raúl Jimenez não foram eficazes e andaram longe do jogo quando a equipa mais precisava. Pior foi o aspecto táctico, sem ajudas entre sectores o meio campo do Benfica ficou demasiado exposto e só Samaris, obviamente, não chegava para contrariar a zona do terreno onde os turcos desiquilibraram a partida. André Almeida andou perdido muito por culpa do desvio de Sneijder do meio para ala sem que nenhum dos jogadores mais adiantados viesse ajudar a equilibrar a equipa do ponto vista defensivo.

 

Rui Vitória percebeu tudo isto, tirou os dois defesas laterais, procurou dar sangue novo no meio campo e criar novas soluções na frente com a entrada de Mitroglou, demasiado tarde, Pizzi e Victor Andrade.

 

Se fossemos outro clube que todos conhecemos bem, estávamos agora a chorar um penalti que ficou por marcar para nós, Sneijder meteu-se a jeito ao puxar o braço e a camisola de Raul Jimenez mas preferimos ver o que correu mal e fazer uma leitura sensata de um jogo que começou muito bem e acabou a ferver com o Benfica em cima da área turca a ganhar um canto que o árbitro nem deixou marcar.

 

Ironicamente, o obra de arte de Gaitán traiu a concentração da equipa. O Galatasaray também não é o Carcavelinhos, expressão muito na moda, e em casa tem argumentos válidos. Mas fica a ideia que o Benfica não é inferior ao campeão da Turquia e na Luz pode rectificar este amargo 2-1.

De resto, esta foi uma das derrotas menos dramáticas na Europa dos últimos anos, continuamos na frente do grupo, temos dois jogos em casa e um fora, vamos defrontar o adversário directo na luta pela qualificação no estádio da Luz e as expectativas de seguir em frente na Champions estão intactas. O plano B, um desvio para a Liga Europa, também parece não estar em perigo. Portanto, esta está a ser uma das melhores épocas europeias na principal prova da UEFA dos últimos tempos. Mas os organizadores que pensem nisso do golo mais bonito valer logo a vitória.

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