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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Arouca 1 - 2 Benfica: Do 0-3 (+ Expulsão) ao 1-2 Enganador num Ápice

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 (Fotos de João Trindade e JG)

 

Era uma viagem prometida e desejada desde 2013 quando o Arouca subiu à 1ª Liga. Desta vez tudo devidamente organizado para partir um carro da Luz a seguir ao almoço rumo a Arouca.

A conversa dos últimos quilómetros da longa viagem serem tortuosos ao nível das curvas confirma-se totalmente. É preciso grande concentração para não enjoar até entrar na bonita vila de Arouca.

Estacionar o carro a meio caminho entre o estádio e o restaurante, antecipadamente reservado para atacarmos uma posta arouquesa no pós jogo, revelou-se uma oportunidade para passear a pé e vislumbrar um cenário agradável de ver um estádio inserido numa paisagem muito bonita. Um estádio no meio de árvores e casas espalhadas pela encosta. Com as duas bancadas centrais e as altas torres de iluminação davam um ar bem castiço ao Municipal de Arouca.

Como é possível optar por ir para Aveiro com um cantinho destes tão digno?

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 Encontro num café perto do estádio com mais benfiquistas. Conhecemos sempre gente nova, encontramos sempre os companheiros destas andanças. Atendimento simpático, sandes de panado e bola de presunto com queijo com minis fresquinhas. Conversas cruzadas e a revelação local de que ali a maioria torce pelo Benfica. Boa gente.

 

Caminho para o estádio com o pôr de sol como cenário, uma temperatura agradável e aquele cheiro característico de aldeia cheia de pulmão verdejante. Pena a vista negra mais alta a denunciar terríveis incêndios recentes.

 

Na altura de entrarmos no estádio grupos divididos devido à diferente natureza dos bilhetes. Alguns seguiram para a companhia dos grupos de apoio de sempre outros, como eu, acabaram por ficar na bancada contrária junto aos adeptos da casa. Sem dramas. Éramos muitos e até dava para pôr a conversa em dia com benfiquistas amigos que encontramos poucas vezes. Ouvem-se histórias entre drama e comédia de conhecidos residentes na zona de Aveiro, debate-se a escolha da equipa, comenta-se o bom estado do relvado e descobrimos que na fila de baixo temos a companhia da mulher do Nuno Coelho. Ela que fez logo saber que não queria nada com o Benfica. Só Arouca. Fora dali é do Varzim. Ok.

 

Ainda antes de irmos ao jogo uma nota de incredulidade para o facto dos responsáveis do Arouca terem aberto vários potes de fumos azuis e amarelos atrás de uma baliza. Foi bonito. Tirando o pormenor que é proibido e costuma dar multas pesadas. Ou ali já é legal? Surpreendente, no mínimo.

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 Vamos lá falar de bola.

O facto do Benfica ter viajado na véspera sem Jonas, Mitroglou e Raul Jimenez era bastante preocupante. Pessoalmente, não estava a imaginar como é que a equipa ia assumir o jogo ofensivo sem nenhuma das principais referências no ataque. Mas o passado recente ensinou-me a ter muita calma nestas horas e não stressar em vão. Absoluta confiança nas escolhas de Rui Vitória e enorme expectativa para ver a resposta da equipa.

 

E não é que o Benfica arranca a melhor primeira parte que já vi esta época? Que exibição surpreendentemente boa!

Vitória armou a equipa num 4-4-2. Optou por fazer regressar Jardel ao centro da defesa ao lado de Lisandro, manteve Fejsa e Horta no meio, Salvio na ala direita, Pizzi na esquerda e fixou na frente a dupla Guedes e Rafa. Tanta juventude, tantos portugueses.

Por outro lado, Lito Vidigal apostou num 4-1-4-1 para roubar espaço ao ataque encarnado e tentar sair rápido na esperança de repetir a surpresa do ano passado em Aveiro. Não resultou porque foi completamente atropelado.

 

 (Galeria de fotos)

 

Incrível mobilidade e dinâmica ofensiva do Benfica. A começar por André Horta sempre à procura do melhor espaço para lançar os alas ou fazer tabelas curtas que procuravam baralhar uma defesa do Arouca completamente perdida sem pontos de referência para marcações. Isto porque Gonçalo e Rafa trocavam de posição constantemente vindo buscar jogo mais atrás ou descaindo para as alas abrindo espaço para as subidas dos laterais. Foi um festival de golos perdidos com destaque para Rafa que confirmou ter como ponto menos forte a finalização. Espero ver escrito nos próximos dias que em Janeiro vai para o Arouca, para os espertos opinadores do nosso mundo da bola serem coerentes com o que escreveram e disseram na Supertaça.

Rafa tem mesmo que melhorar a finalização porque de resto é mesmo uma mais valia, velocidade, drible, inteligência na desmarcações e objectividade nas transições. Marcar golos não é um pormenor que se despreze, é o mais importante no futebol.

 

O que foi estranho na primeira parte foi o Benfica só ter feito um golo num lance em que Nélson Semedo beneficiou de um belo passe de Salvio e da atrapalhação da defesa arouquense. Nuno Coelho incluído para desespero da mulher dele.

Facilmente contei seis oportunidades de golo. Pelo menos metade deviam ter sido concretizadas para termos um jogo calmo e um resultado justo.

 

Na 2ª parte um canto muito bem cobrado por Grimaldo, que fez um belo jogo, proporcionou a Lisandro a oportunidade de fazer o 0-2. O argentino na época passada só tinha festejado uma vez, esta época já marcou o dobro. O jogo parecia resolvido.

 

E mais resolvido deveria ter ficado quando Hugo Basto faz um penalti tão claro quanto indiscutível sobre Rafa. Fábio Veríssimo em vez de assinalar o penalti e expulsar o defesa do Arouca mandou seguir o jogo com meia equipa do Benfica incrédula com a decisão e completamente desconcentrada. Acto contínuo, o Arouca vai à frente, Zequinha cruza e Walter González aproveita a passividade de Nélson Semedo para reduzir!

Ou seja, Veríssimo transformou um óbvio e natural 0-3 num perigoso 1-2 aos 51' de jogo. E o Arouca manteve os 11 jogadores em campo.

Odeio falar de arbitragens mas quando jogamos de forma tão superior e sentimos que nos empurram para trás de forma tão escandalosa temos que fazer barulho. Isto é inadmissível.

 

Felizmente, o Benfica acabou por recuperar a concentração e Rui Vitória foi ajustando o jogo com a entrada de Samaris e Carrillo. Mesmo assim o jogo esteve perigosamente em aberto com o Arouca a procurar chegar ao empate. Um sofrimento tão desnecessário quanto injusto.

O Benfica acaba o jogo por cima, com a equipa reorganizada e a entrada de José Gomes, o terceiro mais jovem de sempre a estrear-se na equipa principal, depois de Hugo Leal e Chalana.

André Horta ainda teve força e capacidade para inventar um lance do lado esquerdo que acabou com um passe de bandeja para Gomes assinar estreia de sonho. Ficou a centímetros. Teria sido o desfecho mais merecido.

Assim ficou uma vitória importante e convincente num terreno complicado. O Benfica soma agora 14 triunfos seguidos fora de casa.

Aquela primeira parte foi muito boa.

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Antes do longo regresso a casa a merecida paragem no restaurante Alto da Estrada. Carne maravilhosa, batatas perfeitas, vinho tinto óptimo, vinho verde fresco. Um repasto excelente, um atendimento cinco estrelas. Assim a viagem de volta até se fez com gosto.

Longa vida ao Arouca na primeira divisão.