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Benfica 4 - 0 Estoril: Da Mão Cheia de Nada à Mão Cheia de Golos Na Baliza Grande

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Começo por um pormenor que não deve interessar a ninguém mas que me faz uma confusão terrível. Porque razão o Estoril vem jogar à Luz de camisola branca e calção azul?! Será para venderem mais camisolas alternativas? Foi para o Júlio César poder jogar todo de amarelo? É para evitar um cansaço da cor amarela aos olhos dos benfiquistas que a seguir jogam com o Arouca? Não faz sentido. E já que comecei por pormenores que não interessam a ninguém, permitam-me que desabafe sobre a cor das chuteiras do capitão Luisão; não podiam ser de outra cor?

 

Fim de tarde cinzenta, até a ameaçar chuva, a marcar o regresso do Bi Campeão à Luz três meses depois da festa no jogo com o Marítimo. Não me lembro de ter esperado tanto tempo para ver o Benfica no estádio da Luz entre duas épocas. Apesar do clima pouco veraneante e do ambiente de desconfiança que tem rodeado o começo desta nova Era no Benfica, mais de 53 mil adeptos encheram o estádio convictos de um arranque positivo e criaram uma excelente atmosfera para a estreia na Liga NOS. Começou nas bancadas, novamente, o caminho da vitória.

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Vitória apostou num 4 4 2 dando a titularidade na frente a Jonas e Mitroglu, no apoio nas alas Nico Gaitán pela esquerda, Ola John pela direita e Pizzi no meio. Fejsa foi o escolhido para a frente da defesa que contou com o regresso de Luisão ao lado de Lisandro Lopez, com Eliseu e Nélson Semedo nas faixas. Júlio César na baliza.

 

Foi precisamente na baliza que começou a primeira vitória do Benfica. Júlio César foi um dos homens mais importantes do jogo ao negar o golo a Léo Bonatini no fim da primeira parte e no arranque da segunda parte ao defender magistralmente um remate de Sebá. Podia ter ficado muito complicado sem Júlio César na plenitude da sua forma.

 

Em resposta a estas duas grandes oportunidades o Benfica tinha apresentado poucos argumentos mas suficientes para ter chegado ao golo, pelo menos, uma vez. Jonas aos 22' de cabeça, Mitroglou aos 31', Lisandro aos 39' e Luisão aos 40' que acerta com a bola na trave de Kieszek, que teve uma noite tranquila até aos golos.

 

O Benfica mostrava vontade mas o jogo não saía fluido, os jogadores não acertavam linhas, os sectores pareciam demasiado separados, as jogadas só não eram previsíveis quando a bola chegava aos pés de Gaitán.

Por seu lado, Fabiano Soares montou uma equipa muito interessante com uma pressão eficaz sobre o começo de jogo do Benfica, contou com uma defesa sólida com Diego Carlos e Yohan Tavares no centro seguros, Mano à esquerda e Anderson Luís à direita. À frente da defesa esteve um Taira a assinar uma bela exibição. Uma táctica de 4 1 4 1 onde Leandro Chaparro e Gerso tanto ajudavam Taira a defender como apoiavam Sebá, Babanco e Léo Bonatini em rápidos contra ataques.

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Com mais de uma hora de jogo a tarefa parecia cada vez mais complicada, o fantasma do enguiço à 1ª jornada pairava na Luz e a impaciência chegava às bancadas. Até que chegaram as substituições. Foi aqui que mudou o destino de Rui Vitória que não teve receio de lançar Victor Andrade no lugar de Ola John, cada vez com menos espaço no sistema nervoso dos adeptos, e Talisca para o lugar de Pizzi que começa a parecer não ter estofo para aguentar a posição "8" inventada para si na época passada.

 

A dinâmica de jogo do Benfica melhorou, o jogo passou a ser mais rápido e directo e sentia-se vontade em chegar ao golo que começou a parecer uma miragem depois de Jonas ter oferecido uma bola a pingar ao companheiro grego que rematou para o Jardim Zoológico!

A ajudar as mudanças de Rui Vitória esteve Fabiano Soares ao mexer de forma desastrosa no Estoril. Aos 71' lançou Bruno César, com peso muito além do ideal, para o lugar de Gerso e Mattheus para a posição de Anderson Luís. Correu mal, o Benfica cresceu e foi mesmo do lado de Mattheus que Gaitán arrancou um cruzamento perfeito para uma cabeçada convicta de Mitroglou a rebentar com a resistência do Estoril. Assim o grego fez esquecer as finalizações desastrosas que tinha apresentado e entra em estado de graça na Luz. Poucos dias de treino, longe da melhor forma, Mitroglou só pode ir melhorando e este golo é o tónico ideal para isso.

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Como disse uma vez Cristiano Ronaldo, isto dos golos é como o "ketchup", depois de sair o primeiro vem tudo seguido. A Equipa do Benfica soltou-se de vez e vimos um quarto de hora final inesperadamente empolgante. Passou-se da apreensão à festa nas bancadas e à alegria de jogar ao ataque no relvado. Talisca saca um penalti ao infeliz Mattheus, Jonas aproveita para começar o seu caminho na luta dos melhores marcadores aos 78'. Dois minutos depois uma jogada "made in" Benfica B na direita com Nélson Semedo e Victor Andrade que cruzou na perfeição para Jonas de cabeça bisar! De repente 3-0 e tudo voltou a fazer sentido na Luz.

 

Com o estádio a festejar a estreia positiva houve ainda tempo para o grande momento da noite, Victor Andrade procura Gaitán, que tende a juntar-se sempre aos melhores, o argentino assiste de calcanhar Nélson Semedo que não hesita em ir para o golo de pé esquerdo. Mais simbólico que isto era impossível ter terminado este jogo.

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Já está tudo bem no futebol do Benfica? Não, assim como não estava tudo mal há oito dias. Há questões por resolver. O lado esquerdo da defesa não precisará de um reforço convincente? Se é para apostar na formação não se pode experimentar Renato Sanches no lugar de Pizzi ou então ir ao mercado? Fejsa fará sentido em jogos como este quando temos Samaris no banco? Se sair Nico Gaitán não ficará uma herança demasiado pesada por preencher?

Tudo dúvidas para contrastar com esta alegria de termos respondido bem na altura certa, no primeiro passo do caminho para o Tri. Mais do que satisfação, foi um alívio ver o Benfica fazer golos. Agora a frio até foi engraçado esperar mais de uma hora pelo primeiro golo, imagino os antis todos agarrados à Benfica TV já a pensarem nos trocadilhos com o apelido do nosso treinador. Agora podem variar e chamar de Rui Goleada durante esta semana...

 

Dou muito valor a esta vitória porque os arranques do Benfica costumam ser traumáticos. Só nos últimos 13 anos tenho 11 histórias dramáticas para partilhar de vindas à Luz ou a estádios onde o Benfica se estreou na Liga. Tenho demasiados momentos maus associados ao começo dos campeonatos, por isso esta noite saí muito contente da Luz. Há muito tempo que não festejava não efusivamente um golo como este do Nelson Semedo. Que maravilha! Um feito que merece ser destacado mesmo porque desde 1943/1944 que dois estreantes na Liga Portuguesa não marcavam no mesmo jogo pelo Benfica.

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E para quem gosta muito de números nestas primeiras jornadas, ficou um registo claro: o Benfica começa como acabou a época passada, líder.

 

Não esquecendo todas as dúvidas e o muito que ainda temos para melhorar, há que aproveitar este final de jogo para nos lançarmos para mais uma época em grande.

Estamos vivos. Quando pensam que a águia está ferida e susceptível de ser humilhada, ela volta forte e esfomeada.

Preparar a ida Aveiro para o jogo contra o Arouca que tem um dos melhores treinadores da Liga. Concentração.

 

Fotos de João Trindade

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