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Tetra Campeões

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Benfica 3 - 1 Rio Ave: O Natal é Quando Jonas Quiser

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(Fotos: João Trindade)

 

 Na última semana tive a honra de apresentar publicamente um livro sobre os 50 melhores jogos do Sport Lisboa e Benfica. Também houve um jogo em atraso que me deixou muito decepcionado e foi no rescaldo desse empate na Madeira que me lembrei que a vida de adepto tem este lado tão irracional que me leva a fazer um reset após uma noite negra e sentir que o próximo jogo tem de ser tão fantástico que pode entrar na tal lista restrita de meia centena de encontros marcantes.

 

Foi com este espírito que resolvi levantar uns quantos bilhetes que temos de oferta pelo pagamento de débito directo e renovar o Red Pass, e apadrinhar a estreia do Guilherme no Topo Sul. Veio o puto e o pai, juntou-se a minha mulher e assim o ambiente a caminho da bancada já estava renovado. Uma criança de olhos emocionados a agradecer a oportunidade, o desejo de ver o Benfica ganhar, uma tarde de sol e estarmos ali na nossa casa. Já ninguém se lembra da neura pós União.

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Todas as equipas que chegam à Luz e resolvem mudar a natural ordem das coisas na nossa casa merecem perder ainda mais que as outras. O Rio Ave obrigou o Benfica a atacar primeiro para Sul e isso atrapalha logo a educação das crianças estreantes.

A equipa entrou determinada em ultrapassar a péssima imagem do último jogo e chegou cedo ao golo. Jonas concluiu um bela jogada com um toque de classe de Gonçalo Guedes pelo meio.

Esperava-se que a equipa aproveitasse o balanço de jogar para Sul e o apoio da bancada para construir um resultado tranquilo com exibição convincente.

Um quarto de hora jogado e já o Rio Ave voltava a empatar o jogo. Livre directo de Bressan.

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 Entre os 15 minutos de jogo e o minuto 80 passou-se muito mal na Luz, a equipa não mostrava futebol de qualidade, os adeptos enervavam-se, o árbitro conseguia passar por três penaltis do tamanho do Colombo sem nada marcar e até o Rio Ave preferia aguentar o pontinho em vez de procurar a vitória.

 

Por falar em vitória, o treinador do Benfica voltou a chamar Samaris para titular. Uma aposta óbvia que foi traída por um cartão amarelo demasiado cedo a condicionar o grego. Uma falta na recta final da primeira parte levaram Vitória a recorrer a Fejsa. O futebol do Benfica não ganhou nada com isso, como já sabemos.

Ataques muito previsíveis, Jonas e Pizzi, os mais inconformados, não estavam a ser felizes na hora de finalizar e a paciência na Luz era nenhuma.

 

O empate parecia inevitável e eu pensava no Guilherme ali ao lado nervoso a não compreender como é que o Benfica não conseguia ganhar ao Rio Ave. Muitos mais Guilhermes estavam espalhados pelas bancadas, muitos miúdos a irem pela primeira vez à Luz e a levarem com aquela exibição sofrida.

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 Lembrei-me de como tinha vibrado ali ao lado no Pavilhão Fidelidade umas 24 horas antes com pouco mais de um minuto à Benfica em hóquei em patins. Precisávamos de um Nicolia e de um Miguel Rocha. E de repente o futebol relembra-me porque é tão apaixonante. Apareceu Jonas. Grande Jonas. O cruzamento veio de Carcela, lançado na 2ª parte, e Jonas fez o desejado 2-1 com um belo golpe de cabeça. Depois aconteceu Benfica. O brasileiro sai disparado para a bancada e mergulha para abraçar os adeptos do Benfica proporcionando mais umas imagens inesquecíveis na Catedral. Não tive reacção eufórica, na verdade nem me mexi. Olhei em volta e vi a alegria dos putos a delirarem com a chegada da vitória do Benfica, qual Pai Natal!

 

Depois de feito o mais complicado veio o bónus, novamente Jonas a desmarcar Raul Jimenez, que rendeu Mitroglou, que disparou com convicção para o 3-1. Senti enorme alivio, missão cumprida na Luz. Daqui a alguns dias, em plena época festiva familiar, os putos vão estar a mostrar as fotos e a contarem felizes como viveram aqueles últimos minutos.

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 Para o dia acabar ainda melhor chega a notícia da derrota do ex-líder do campeonato. Num jogo em que a maior parte do tempo houve nervos dentro e fora de campo, o Benfica volta a ficar mais perto do primeiro lugar.

É tempo de mostrar também a nossa indignação com a arbitragem deste jogo na Luz. Duas mãos na grande área do Rio Ave de jogadores adversários, um empurrão incrível a Pizzi que o projectou na altura em que remata à baliza, tudo isto passou em claro. Inacreditável! Tal como já tinha sido o golo do Moreirense fora de jogo ali mesmo. Fora de jogo que desta vez foi tirado a Raul que podia ter feito o 4-1. É nestas vitórias que temos de falar.

 

O facto de só voltarmos a jogar no campeonato em 2016 numa altura em que podemos reforçar a equipa no mercado e recuperar lesionados, Gaitán à cabeça, consegue desdramatizar um pouco o Natal que se segue. E isso só o futebol consegue. E o Benfica, vá.

Abraço a todos os Guilhermes que realizaram hoje um sonho e que o Benfica saiba alimentar o entusiasmo destes putos.

 

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