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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Benfica 2 - 1 Galatasaray: Respect!

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(Fotos: João Trindade)

 

Quando vi Luisão apontar para a manga esquerda onde está a palavra Respect lembrei-me de Nuno Gomes no Dragão a apontar para as quinas de campeão numa época algo semelhante como esta. Tal como em 2005/06, o Benfica está com dificuldades em assumir com clareza a defesa do título interno mas brilha na Europa. O capitão quis lembrar que tem doze anos de clube e que o Benfica não é uma equipa qualquer que se abate às primeira contrariedades.

 

Nesta 4ª jornada da Liga dos Campeões era essencial garantir nova vitória em casa para deixar bem encaminhado o acesso aos 1/8 de final da prova, uma ambição que devia ser sempre o mínimo europeu do Benfica todas as épocas.

Rui Vitória tinha uma tarefa complicada pela frente devido à reconhecida limitação do plantel em termos qualitativos a que se juntavam ausências de vulto por lesão ou castigo. O ensaio em Aveiro não foi entusiasmante mas o treinador optou por disfarçar as ausências do determinante Samaris e do útil Fejsa com uma dupla de missões mais definidas, André Almeida mais como "6" e Talisca como "8". Na defesa voltou a normalidade com Silvio a ocupar o lugar da revelação na direita, Nelson Semedo. Na frente a dupla continuou a ser Jonas e Raúl Jimenez por lesão de Mitroglou.

 

A grande incógnita era saber como se ia portar o meio campo do Benfica num desafio tão importante e contra uma equipa com argumentos individuais consideráveis.

Era preciso construir e criar oportunidades mas também ter atenção na luta a meio terreno com os turcos a apostarem numa dupla de médios defensivos formada pelo excelente capitão Selçuk Inan e Bilal Kisa a que se juntava Sneijder na hora de pressionar e construir ataques. Depois ainda bem servidos nas alas por Podolski, jogador de topo, e Sabri Sarioglu. Na frente, preocupações acrescidas com o regresso ao "11" de Burak Yilmaz. Embora ninguém queira saber deste "pormenor", o Galatasaray não é propriamente uma equipa fraca, principalmente do meio campo para a frente.

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 Mas como é tradição por cá, o nome do adversário não entusiasma, o conhecimento dos intervenientes é quase nulo e o facto de ser um jogo absolutamente decisivo no futuro europeu do Benfica, só por si não chega para encher o estádio numa das noites europeias mais importantes na Luz até ao final do ano.

No fim do jogo, perto da loja adidas um simpático grupo de adeptos turcos tinha duas grandes dúvidas: qual era o caminho mais perto para o metro e qual era a razão para os benfiquistas desprezarem um jogo da Champions deixando o estádio meio vazio? Indiquei-lhes o caminho para o Alto dos Moinhos.

 

O Benfica entrou bem no jogo a reboque da inspiração de Nico Gaitán que deu o mote para o assalto aos 3 pontos. Rapidamente se percebeu que não ia ser fácil porque o treinador Hamza Hamzaoglu estava mais preocupado em anular as opções de ataque encarnado do que tentar impor o seu jogo. Ou seja, o empate satisfazia os turcos.

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O Benfica quando tem que fazer as despesas do jogo até se sente bem e disfarça os problemas de crescimento que a equipa tem mostrado. Para isso conta com Gaitan que é determinante para desequilibrar o jogo. Talisca assumiu o papel de médio atacante e esforçou-se por ter a bola. Bem nos passes longos a procurar desmarcar no espaço os homens das alas, mas com grandes dificuldades tácticas e técnicas na recuperação de bola. Pior, André Almeida em posição defensiva. Ele que foi escolhido para "6", cometeu erros básicos de posicionamento quando caía na tentação de ir logo fechar nas alas deixando espaço para os médios adversários aparecerem em zona frontal de finalização. Estes problemas de compensação pagam-se caros e são um dos maiores desafios que o treinador do Benfica tem por resolver.

Também a atacar a dupla do meio campo não oferece grandes opções, a equipa acaba naturalmente por procurar Gaitan para a iniciativa individual. Não há qualidade no meio para se pegar no jogo.

O trunfo da equipa foi reconhecer estas limitações e cerrar esforços mostrando grande ambição em chegar à vitória, o que é um dado muito positivo.

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Depois de algumas jogadas promissoras e dois sustos na baliza de Júlio César o Benfica pegou definitivamente no jogo. Sentia-se a vontade de ganhar. Aos 52' Jonas aproveita a hesitação da defesa turca para dar seguimento a um livre para área de Gaitán e fez o merecido 1-0.

Só que, tal como aconteceu na Turquia, o Benfica deixou o Galatasaray responder. É aqui que se notam as deficiências defensivas. A equipa dá imenso espaço entre linhas e reage tarde às movimentações contrárias. Depois quando há homens com a qualidade de Sneijder e Podolski é ainda mais complicado evitar o que o alemão concretizou. 1-1 seis minutos depois do golo de Jonas.

Com o jogado lançado sobrava a dúvida, o Benfica ia voltar a pegar no jogo ou o Galatasaray ficaria embalado pelo golo? Felizmente, a vontade dos jogadores do Benfica voltou a ser determinante e voltaram à carga.

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Talisca tentou de longe mas ao lado, o brasileiro até devia apostar mais neste aspecto porque tem remate fácil e colocado, mas foi novamente de bola parada que apareceu o golo da vitória. Canto de Gaitan, Jimenez dá para Luisão que volta a fazer um golo decisivo naquela baliza onde tem coleccionado momentos inesquecíveis. Bem, o capitão a lembrar que é preciso respeito.

 

Sobravam mais de vinte minutos e a acção dos treinadores ia ser determinante. Se Hazam não arriscou por aí além, Vitória também não ousou mudar nada nos sistema. Talvez a equipa pedisse um reforço no meio campo abdicando de um avançado mas apenas aconteceu refrescar a ala direita com a troca de Guedes por Carcela. Só aos 81' entrou Pizzi para o lugar do lesionado Jonas e a aposta em Cristante é nula porque foi aos 93 minutos...

 

O Benfica aguentou a vitória com um final bem sofredor onde Júlio César e Eliseu foram heróis ao negar o empate.

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Pelo meio ficam algumas notas individuais, nomeadamente para Raul Jimenez e Gaitán. O mexicano continua a mostrar alguns dados interessantes que já mencionei noutras crónicas, é o primeiro a pressionar o adversário, atrapalhou Muslera e caiu em cima do transportador da bola à saída da área turca criando recuperações de bola, integra-se bem no ataque, até deu o golo a Luisão mas um avançados de 9 milhões de euros tem que mostrar outra qualidade na finalização. O falhanço após a brilhante jogada de Gaitán é inexplicável, mesmo reconhecendo a grande defesa de Muslera.

O argentino é o craque indiscutível da equipa mas isso não o deixa isento de criticas. Não pode levar aquele primeiro cartão amarelo, por muita razão que tivesse. Nesta competição já se sabe como os árbitros se defendem mostrando cartões por tudo e por nada. Gaitán amarelado não pode tentar uma recepção de classe para depois perder a bola e ter de ir derrubar o adversário evitando, bem, o contra ataque perigos a dez minutos do fim. Tinha de ser mais prático a abordar a recepção de bola mas , sobretudo, tinha que ter evitado o primeiro amarelo. Deixou a equipa num situação delicada para os últimos dez minutos. O génio não pode desculpar tudo.

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 Tudo terminou bem, o Benfica soma 9 pontos em quatro jogos, é uma grande campanha europeia. Agora falta carimbar a passagem, de preferência vencendo o grupo. Estas noites europeias mereciam mais gente nas bancadas.

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