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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Benfica 1 - 2 Atlético de Madrid: A Uma Cabeçada do 1º Lugar

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(Fotos: João Trindade)

 

Faço parte daquele grupo de pessoas que usa como auxiliar de memória para identificar datas os jogos do Benfica. Sei que tive de faltar a um jantar de aniversário da minha irmã em Setembro de 1988 porque fui ver o Partizani Tirani na Luz, sei que não vi o Benfica - Leixões na Luz porque estava no casamento do Rui Malheiro em Ponte da Barca. Podia fazer um livro ordenado por datas com acontecimentos associados a partidas do Benfica. 

Raramente acontece o contrário. Associar algo da minha vida num jogo do Benfica. Esta semana tem acontecido. Ao fim de oito anos de namoro e quase tantos a viver com a minha mulher, resolvemos oficializar tudo. Coisa muito simples e rápida, papel assinado e direito a onze dias de descanso, aquilo que, muito pirosamente, se chama de lua de mel. Ora bem, a minha ficará marcada por intervalos entre viagens e passeios com deslocações ao estádio para ver o Benfica. Nada de extraordinário, pois a mulher em causa já atura isto desde sempre e não estranha. Tudo controlado.

Assim, este jogo com o Atlético ficará na minha memória como o dia em que acordei em Alpalhão a aproveitar todos os mimos do Monte Filipe Hotel & Spa, que muito recomendo para quem quiser ir conhecer e descansar ali entre Portalegre, Nisa, Castelo de Vide e Marvão. Viagem até Tomar, para conhecer uma cidade que merecia ter futebol nas ligas profissionais e levar até lá o pessoal que aprecia a gastronomia regional a comer n'A Lúria uma açorda ou cabrito. Passeio pelo Convento de Cristo e rumar a Lisboa.

 

À hora champions, 19h45, lá estava na bancada pronto para o último jogo desta fase de grupos.

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O Benfica entrava em campo com a sua missão cumprida, o apuramento garantido, mas à procura de suavizar o lote de adversários do sorteio da próxima 2ª feira. O Atlético de Madrid vinha para se vingar da derrota caseira e em alto momento de forma. A almofada de dois resultados positivos servirem os nossos interesses tirou toda a pressão à volta do jogo.

 

Infelizmente, Simeone cumpriu o prometido e veio mesmo para ganhar o grupo.

O começo de jogo não deixava dúvidas a ninguém. Os espanhóis vinham com um onze muito rápido, dinâmico e apostados em pressionar muito alto deixando o Benfica em apuros logo na fase de construção.

Vietto era o homem mais avançado, Griezmann e Carrasco apoiavam nas alas e logo atrás o capitão Gabi, Koke e Saul davam uma terrível consistência ao meio campo. Juntemos as subidas de Juanfran e Filipe Luís mais as dos centrais nas bolas paradas, Godín e Savic, e percebia-se a qualidade do nosso adversário.

Rui Vitória optou pelo sistema de um só avançado, Jonas, com Gonçalo e Pizzi no apoio nas alas e Gaitán mais perto de Jonas, algo entre o 4-2-3-1 e o 4-4-2. A aposta em Fejsa e Renato manteve-se.

Os elos mais fracos foram rapidamente identificados nas laterais da defesa, Eliseu e André Almeida não estiveram bem e foi de lá que vieram os golos do Atlético. Diga-se que Jardel também não esteve perfeito e fica ligado ao segundo golo, assim como Júlio César. Lisandro foi o melhor do sector recuado.

 

O Benfica respondeu bem à forte pressão dos colchoneros, manteve e circulou a bola garantido que assumia o jogo roubando a bola. Quando teve de defender é que não correu tão bem, o Atlético jogava em passes curtes atraindo demasiado os jogadores do Benfica que muitas vezes eram traídos por tabelas rápidas que deixavam descompensada a defesa. Houve uma ameaça de golo invalidado por fora de jogo mas aos 33' Saul fez mesmo o 0-1. Eliseu não respeitou a linha do fora de jogo e deu uma oportunidade que o Atlético não quis desperdiçar. Um lance onde também Renato Sanches não reagiu a tempo de ajudar a defesa.

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A vantagem dos madrilenos ao intervalo era justa e natural.

O Benfica não criava oportunidades de golo apesar de conseguir equilibrar o jogo e ter posse de bola. Defensivamente a equipa de Simeone esteve impecável.

Rui Vitória lançou para a 2ª parte o melhor avançado de área que tem, Mitroglou entrou e podia logo ter empatado num óptimo trabalho na área que acabou com um remate fraco ao lado. Estava dado o sinal que o Benfica ia lutar pelo 1º lugar.

O Atlético assustou-se e voltou à fórmula da primeira parte, muita pressão, boa circulação de bola e muita atenção na organização defensiva. Num desses lances rápidos pela esquerda chegaram ao 0-2, primeiro golo de Vietto na prova. Com uma hora de jogo parecia que estava tudo resolvido, o vencedor do jogo e do grupo.

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 Foi aí que apareceu Renato Sanches a empurrar toda a equipa para uma reacção. Entrou Jimenez e Carcela, 15' depois, e o Benfica fez o que parecia impossível. Reagiu e encostou o Atlético lá atrás. Mitroglou concretizou o ensaio com que abriu a 2ª parte. Recebeu de Raul Jimenez, rodou sobre Godin e voltou a marcar aos madrilenos tal como tinha feito pelo Olympiakos. Bonito golo que acordou a Luz, mais de 47 mil adeptos acreditaram que dava para chegar ao empate.

O Benfica fez por isso, lutou, pressionou e procurou o 2-2 com força suficiente para contagiar as bancadas e assustar Oblak e companheiros.

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Estava-se a adivinhar um novo final dramático para o Atlético, a lembrar a final da Champions ali perdida para o Real nos últimos minutos. Só não aconteceu porque aos 83' o cruzamento perfeito de Carcela para a entrada fulminante de cabeça de Raul Jimenez desta vez levou a bola uns centímetros ao lado do poste da baliza de Oblak. Era ali o momento para coroar a grande reacção da equipa e chegar ao ponto que valia a vitória no grupo. Saiu ao lado.

Mais épico do que isto só se aquele remate incrível de Renato Sanches tem entrado.

 

Foi um belo jogo que valeu pela superior exibição táctica do Atlético e pela grande reacção do Benfica liderada pelo miúdo Renato na 2ª parte. Venceu a equipa mais forte numa fase de grupos onde o Benfica cumpriu o seu dever europeu. Agora começa um novo sonho com jogos a eliminar.

 

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