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Astana 2 - 2 Benfica: Do Desastre ao Apuramento

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 Pedia-se uma reacção forte e positiva do Benfica na Europa para sarar feridas domésticas e avançar na prestigiada Champions League. A equipa até entrou bem no estádio mais distante de Lisboa onde alguma vez jogámos em provas da UEFA.

Avisados que estavam para os grandes desempenhos caseiros do Astana, os jogadores do Benfica tentaram tomar o controlo do jogo e mostrar que estavam ali para fazer golos e resolver a questão do apuramento já esta semana.

 

Foi um Benfica remendado que encarou esta 5ª jornada da Liga dos Campeões. Sílvio continuou na direita da defesa que teve a presença de Lisandro no lugar do lesionado capitão Luisão.

Rui Vitória optou por voltar ao modelo que tem sido a sua aposta desde que chegou ao Benfica e fez alinhar uma dupla de ataque com Jonas e Raul Jimenez, relegando Mitroglou para o banco. No meio campo a grande novidade foi a aposta, finalmente, em Renato Sanches para acompanhar Samaris, Pizzi jogou no lugar do castigado Gaitán e trocou de posição com Gonçalo Guedes que andou mais pela esquerda.

 

À boa entrada do Benfica responderam os homens do Astana com contra ataques rápidos tendo em Kabananga, Twumasi, Muzhikov e Kéthévoama os principais agitadores a representarem perigo para a baliza de Júlio César.

 

Depois de ambas as equipas terem ameaçado, foi Twumasi quem inaugurou o marcador. Kabananga fugiu pela esquerda e cruzou para uma cabeçada exemplar.

O 1-0 nasce de uma perda de bola de Jimenez que ilustrou o desnorte do Benfica a partir do minuto 18. Tem sido uma constante ao longo da época, as recuperações defensivas do Benfica são assustadoras de tão más executadas. Se fosse uma situação de quando em vez até podia dizer que era preciso emendar posicionamentos e rotinas, mas acontecem demasiadas vezes por jogo para ser só um azar. O Benfica continua a defender mal e a reagir tarde à perda de bola. É bem visível na repetição do primeiro golo do Astana a recuperação completamente descompensada do sector defensivo que, não só, deixa Kabananga cruzar à vontade como, mais grave ainda, permite que haja um jogador a cabecear completamente à vontade na cara de Júlio César. É grave e preocupante que no fim de Novembro se defenda assim.

 

Depois, a equipa do Cazaquistão motivada com a vantagem e com a falta de pontaria de Gonçalo Guedes aproveita para aumentar num livre batido para a área do Benfica onde ninguém se entende com as marcações e Anicic acaba por fazer o 2-0 com as costas!

Foi uma fase de jogo muito má do Benfica, chegou a lembrar uma negra noite em Israel para não andarmos mais trás no tempo...

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Felizmente, o Benfica reagiu e não se deixou abater. É o que nos tem valido desde o começo da temporada, apesar das más exibições há uma reacção forte a contrariar um mau destino.

Pizzi tentou mas Eric negou, Jonas rematava mas longe da baliza. Até que Jonas veio à linha receber um lançamento lateral e cruzou na perfeição para uma entrada de Raul Jimenez de cabeça a fazer lembrar o seu golo de estreia com o Moreirense. Finalmente, o mexicano marcava e numa altura muito importante a deixar a porta aberta para a recuperação da equipa na segunda parte.

 

Apesar do susto ficaram os bons momentos de Pizzi, talvez o melhor em campo a jogar numa posição que domina, de Jonas, misteriosamente apto depois de tanto se falar de uma lesão que o deveria levar a uma cirurgia, de Raul Jimenez sempre à procura de ser feliz, de Samaris e de Renato Sanches sem se esconder do jogo.

 

A segunda parte foi bem mais agradável. O jogo continuou dividido enquanto a equipa de Stoilov teve pernas para aguentar o ritmo de ataque e resposta dos dois lados. Gonçalo Guedes isolado não conseguiu enganar Eric, após brilhante passe de Renato, Jonas continuava de pontaria desafinada, Júlio César ia mantendo o Benfica no jogo e aos 72' Raúl Jimenez é feliz num remate em jeito de reflexo que levou a bola a bater no poste antes de entrar na baliza de Eric. Acontecia o empate que o Benfica tanto procurava e que já se justificava.

Nesta altura já com André Almeida em campo, entrou para o lugar do lesionado Silvio, e foi ele que passou a bola a Jimenez. Destaque ainda para as entradas de Cristante, afinal o italiano também conta, e de Talisca deixando um desenho de triangulo no meio campo atrás de Raúl, já que saíram Samaris e Jonas.

 

Depois do 2-2 o Benfica não quis ir à procura da vitória preferindo garantir o valioso ponto conquistado porque sabia que na última jornada na Luz basta um empata contra o Atlético de Madrid para acabar como vencedor do grupo. Se isso acontecer será o culminar de uma das melhores participações de sempre do clube nesta nova versão da Champions League. Aliás, garantir assim um apuramento para os 1/8 de final desta prova é coisa muito rara e por isso há que dar os parabéns à equipa.

Começou muito mal mas terminou em alegria esta atípica jornada europeia jogada a meio da tarde em Portugal lá do outro lado do mundo onde não faltaram bravas dezenas de benfiquistas na bancada a apoiar. São o Benfica.

O apuramento não resolve nada ao nível dos problemas da equipa. Continuo sem perceber como é que o Clésio conseguiu uma titularidade nesta equipa mais depressa que o Renato Sanches. O jovem médio mostrou que não há que hesitar em promovê-lo a titular da equipa principal, não vejo melhor que ele naquela posição.

Esperemos que os golos de Raúl tenham vindo para ficar e gostava de acreditar que se vai melhorar as rotinas do sector defensivo, porque piorar é impossível.

Há que aproveitar este momento feliz com a promoção da equipa aos melhores 16 clubes da maior competição da UEFA para capitalizar esta moral extra a nível interno. Algo que não aconteceu depois daquela grande noite de Madrid. É preciso, desta vez, dar seguimento a esta recuperação e vencer já em Braga. Identificar e reconhecer os problemas da equipa é sempre meio caminho andado para os tentar resolver.

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