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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Rumo ao Tetra

Mercado Fechado. Atacar o Tetra Juntos e Tranquilos

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Fechou o mercado e o que o Benfica tem para atacar o tetra é o plantel que podemos ver mais acima já dividido por sectores. Pelo menos, até ao final de Janeiro, Rui Vitória tem muito por onde escolher.

A primeira dor de cabeça do treinador será escolher os eleitos inscritos para jogarem a Liga dos Campeões, quatro dos nomes que vemos ali em cima terão de ficar de fora.

Para as competições internas todos contam.

Partindo do principio que o núcleo duro da conquista do 35º título se mantém, Gaitán e Renato são as únicas baixas, e que há jogadores que ajudaram a conquistar o 34º e 33º título que continuam na plenitude das suas capacidades, temos que dar o beneficio da dúvida, no mínimo, a quem constrói o plantel.

O Benfica é tri campeão nacional apesar de ter perdido sempre o campeonato do mercado de transferências nos últimos anos.

O Benfica é tri campeão nacional apesar de ter visto um treinador que venceu três ligas em seis anos ter ido para o rival Sporting. Apesar de ter visto um dos capitães de equipa com oito anos de casa ter ido para o rival Porto. Apesar de assistir ao ingresso de ex-jogadores campeões na Luz irem para os rivais.

O Benfica tem mantido um rumo, uma ideia, um projecto e uma postura que em dado frutos. O Benfica tem mostrado coerência na hora de decidir. As épocas não começam em Setembro, quando os jogos oficiais arrancam o plantel da equipa de futebol costuma estar quase todo definido. Tem sido assim nos últimos anos. Por isso, já estamos acostumados a um fecho de mercado tranquilo. Há sempre a hipótese de sair alguém ou entrar uma mais valia. Este ano entrou Rafa. É uma mais valia inegável. Em jeito irónico, podemos dizer que de um dia para o outro duplicámos o número de jogadores na Selecção campeão europeia.

 

Olhando para o quadro de jogadores que ilustra o topo deste texto podemos constatar que em relação à equipa campeã de Maio só temos duas entradas num hipotético onze actual, Rafa na esquerda e André Horta no meio campo. Ou seja, nove titulares transitam da época passada. Não houve revoluções, não se vendeu meia equipa e mantemos jogadores como Júlio César e Ederson, Jardel e Lindelof, o esteio Fejsa e o génio Jonas. Salvio tem mostrado estar de volta ao seu melhor e também continua por cá e, finalmente, o capitão Luisão mantém-se como líder do grupo, ele que já soma cinco títulos de campeão nacional.

Portanto, todas as notícias dadas desde Maio até ontem sobre a saída de quase todos estes jogadores que mencionei foram desmentidas pelo fecho de mercado. O Benfica não tinha que fazer nenhuma revolução no plantel porque é o clube campeão, porque ganha Taças da Liga de maneira tranquila e porque em Abril andou a disputar o acesso à meia final da Champions League de igual para igual com o campeão da Alemanha. Esse trabalho está feito e os principais obreiros continuam nos mesmos lugares.

 

Já sabemos o que é preciso sofrer e lutar para termos um Maio feliz. Também já sabemos o que é a alegria dos outros ao serem campeões do mercado, do inverno e da vida. Nada mudou. É olhar para dentro, não responder ao que aí vem - e deve vir outra dose igual ou maior à da época passada com o auge de racismo à volta do Renato e do circo de vouchers - continuar a encher o nosso estádio e fazer dos campos dos outros uma mini Catedral. Este foi o caminho, este tem de continuar a ser o caminho. Se ainda estão com dúvidas voltem ao quadro lá de cima e entretenham-se a desenhar o vosso "11" ideal e reparem bem nas várias opções. É um plantel jeitoso, ou não?

 

Porque Não Há Que Hesitar em Ir à Luz

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Se estiverem a hesitar em ir amanhã à Luz pensem bem.

Ver o Benfica jogar na Luz é um privilégio que milhares de adeptos não podem ter pelas mais variadas razões. Podendo não há desculpa para faltar a um jogo oficial do Benfica.

A época caminha rapidamente para o fim. Em poucas semanas vamos ficar sem jogos oficiais do Benfica até ao Agosto. Há mais dois desafios na Luz, depois são semanas e semanas sem bola na Catedral.

Estamos perante a meia final de uma competição oficial que envolve todos os clubes profissionais de futebol em Portugal. Jogam duas das três únicas equipas que já conseguiram ganhar a prova.

Em vez de passarem mais uma noite em casa a passar os olhos por programas de televisão que promovem futebol falado tóxico, podem estar num dos estádios mais elogiados da Europa a ver futebol a sério. 

O compromisso que o Benfica prometeu aos seus adeptos passa por lutar por todas as provas em que está envolvido. No campeonato a luta é o que se sabe, na Taça de Portugal caímos num prolongamento num derby fora de portas e na Taça da Liga estamos nas meias finais. A equipa, e os jogadores menos utilizados, merecem todo o nosso apoio e carinho por terem chegado até aqui.

O facto de termos um jogo oficial a começar uma semana que se prevê de grande tensão, é uma boa ideia para não nos lembrarmos do que se fala sobre jogos de malas e afins.

Mais grave tem sido a diferença de comportamento dos adversários que apanhamos sempre tão aguerridos na luta por um ponto e quando jogam com o 2º poupam jogadores, rodam a equipa, têm situações caricatas nos dias que antecedem o jogo com eles, enfim, um fartote.

Hoje o Marítimo bateu tudo no que diz respeito ao cumprimento da verdade desportiva tão badalada em vão. No Estoril a equipa de Nelo Vingada poupou meia equipa não arriscando utilizar jogadores que estavam em perigo de castigo. 

O Rio Ave está fora da Europa porque poupou a sua equipa na deslocação a Arouca antes de receber o Benfica.

Tem sido uma sucessão de loucura para os adversários do Benfica roubarem pontos. 

Por tudo isto, este jogo é um escape para a nossa sanidade mental. Na Champions soube tão bem o duplo duelo com o Bayern sem pensarmos em jogos de bastidores, tal como agora vai saber bem lutar pelo apuramento para mais uma final mesmo com jogadores menos utilizados.

Basicamente, vale sempre a pena ver o Benfica no estádio. 

Um Exemplo da Desonestidade Intelectual: O Bayern de 2009 Muito Melhor Que o Actual!

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Como se sabe, faço parte do painel de um programa da BTV desde o final da época passada, e também já me terão visto a comentar antes ou depois de alguns jogos do Benfica. Faço-o com a mesma paixão com que escrevo aqui e sempre com a preocupação de acrescentar algo com a minha experiência de acompanhar o clube há vários anos. Mas tenho sempre um enorme pavor antes das minhas intervenções públicas, não quero ser apanhado nunca a dizer barbaridades. Uns lapsos, uns erros de memória, isso é normal de acontecer. Tento evitar ao máximo mas, às vezes, acontece. Agora, dizer mentiras, inventar e aldrabar a história, isso nunca farei. Tenho pavor de ser induzido em erro e dizer alguma alarvidade que fique registada para sempre.

 

Posto isto, podem imaginar o meu espanto quando me deparo com uma figura pública, Helder do Amaral, respeitado deputado na Assembleia da República pelo CDS, comparar na CMTV o Bayern que eliminou o Sporting e aquele que veio agora à Luz.

São poucos segundos cheios de pérolas:

 

Bom, para quem tem memória futebolística, como eu, não é complicado soltar imediatamente uma exclamação de espanto perante tanta mentira dita em tão pouco tempo.
Para quem tem uma cabeça bem mais saudável que a minha e não guarda estes dados automaticamente, pode pensar que se calhar o homem tem razão em alguma coisa. 
Em jeito de resumo avanço já que não acertou em nada! Falamos da época 2008/2009, nem foi assim há tanto tempo, caramba! 
Vocês ouviram bem, o senhor deputado disse que aquele Bayern que humilhou o seu clube ganhou TUDO! 
Ou o conceito de ganhar mudou mesmo de vez para aqueles lados ou o ilustre representante popular na Assembleia da República pelo CDS é mentiroso. É que aquele Bayern não ganhou NADA!! 
 
Para explicar ao pormenor o que foi aquela triste época do Bayern, apenas animada com as goleadas europeias aos tristes coitados às listas, recorro de um texto do Ricardo Solnado que, cheio de ironia, mostra as diferenças entre aquele "grande" Bayern e este "pobre" Bayern: 
 

Então vamos lá falar do Bayern de 2008/09, o Bayern dos 12-1.

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 - Campeão europeu nessa época, que depois dos 12-1 foi levar 4-0 a Barcelona, e depois conseguiu empatar 1-1 em casa.

- Campeão alemão com 20 vitórias, 7 empates e 7 derrotas, com menos 2 pontos que o Wolfsburgo.

- Vencedor da Taça depois de perder 4x2 em Leverkusen nos 1/4 de final, num jogo em que até marcou um tal de... Arturo Vidal.

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Lukas Podolski foi o melhor marcador da Champions, com os 2 golos que apontou ao Sporting. Únicos nessa época na prova europeia num total de 9 em 31 jogos em todas as competições.

Klinsmann seria despedido em Abril, pois o Bayern corria risco de não se qualificar para a Champions. Heynckes foi treinador interino em 5 jornadas, e fez 13 pontos, levando a equipa ao 2ºlugar. Van Gaal seria o seu sucessor.

 

Para quem ainda estiver com paciência, vamos falar do plantel do Bayern:

Kahn tinha-se reformado, Rensing era o titular e Butt, contratado ao Benfica, o seu suplente. Iam alternando a baliza depois de Rensing ter provado que não tinha valor.

Como centrais tínhamos Lúcio, Demichelis e van Buyten. Ah, e nos 7-1 jogou Breno, que anos mais tarde seria preso por incendiar a própria casa.

Lahm era lateral...esquerdo. À direita alternavam Oddo (emprestado pelo Milão) e Lell. Altintop safava às vezes.

A meio-campo Van Bommel era o capitão e referência. Ao seu lado jogava a jovem promessa brasileira Zé Roberto, filho de Renato Sanches. Por vezes jogava Ottl, futura referência do meio-campo da Mannschaft. Kroos era emprestado ao Leverkusen para ganhar rodagem.

Nas alas, brilhava Ribery num lado e no outro jogava... Schweinsteiger, ainda antes de ter sido "inventado" como número 8 e ainda antes de ter saído do Bayern para estar lesionado toda a época em Manchester. Suplentes para as alas eram Altintop e Sosa, para quem não sabe viria a marcar o golo decisivo na final de um Mundial.

Na frente, alem do matador e habitual suplente Podolski, os titulares eram Toni e Klose. Juntos nessa época gloriosa, fizeram 38 golos, num total de 72 presenças combinadas.

 

A 15 de Abril de 2016, Lewandowski tem 36 golos e Muller 29 (que até se estreou a marcar pelo Bayern, vindo dos juniores, nos tais 7-1).

E claro, quem são Neuer, Alaba, Javi Martinez, Xabi Alonso, Vidal, Thiago, Douglas Costa, Gotze, Coman, para não falar dos lesionados Robben, Boateng, Badstuber ou Benatia ?

 

Choram os adeptos do Bayern, com saudades da gloriosa época de 2008/09, onde não ganharam nada mas deram 12-1 ao Sporting! Faz lembrar uns adeptos que têm saudades da gloriosa época de 1986/87, onde nada ganharam mas deram 7-1 ao seu rival.

 
 

10 Coisas a Reter no Regresso ao Nosso Triste Quintal

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Andámos uns dias nas nuvens dedicados a leituras deliciosas, respeitosas e elogiosas para com o nosso Benfica que nos chegavam de Itália, França, Espanha, Inglaterra ou Brasil. Pelo menos, os que têm prazer em ler sobre futebol e seguem com atenção os editores e colaboradores de publicações de referência publicadas em línguas que consigamos perceber. Vários textos sobre a aposta do Benfica em sete miúdos que tiveram a sua estreia absoluta na Liga dos Campeões este ano, alguns deles deixando fortes marcas, sobre Rui Vitória que jogou pela primeira vez a prova, sobre o nosso estádio, sobre o apoio dos nossos adeptos em Munique, sobre o ambiente fantástico criado na noite de 4ª feira passada. Isto a juntar aos saborosos elogios vindos de figuras maiores do futebol mundial como Pep Guardiola, Arturo Vidal e até Cristiano Ronaldo.

 

Mais de metade do que li não apareceu em lado nenhum da imprensa nacional. É algo espantoso que tantas referências ao Benfica não tenham tido eco por cá. Tudo o que descobri foi porque apareceu em edições internacionais que já costumo acompanhar ou partilhado por amigos que são igualmente atentos a artigos de futebol. 

 

Então com que é a imprensa nacional, e as redes sociais, anda entretida, agora terminou a carreira europeia das equipas portuguesas? Depois de um duro regresso à realidade do nosso triste quintalzinho futebolístico tirei algumas conclusões que partilho:

 

- O Benfica andou a amealhar milhões na Champions mas foi ao Sporting que saiu o Euromilhões. Isto pelo que se lê pelas redes sociais onde se fala de prémios motivacionais aos nossos próximos adversário. Mais de 200 mil euros para o Sado, e reforço do plantel para a nova época em Vila do Conde com a cedência em definitivo de Heldon mais dois emprestados. Nada mau. Não admira que os jogadores do Rio Ave estejam mais preocupados com a recepção ao Benfica do que com a deslocação a Arouca, importantíssima para o acesso à Europa. 

 

- O Benfica é que chegou a Abril envolvido em três frentes de luta mas o Sporting é que está preocupado com o calendário. Em vez de nos agradecerem os pontos que conquistámos para o ranking da UEFA, que permite a clubes que raramente ganham campeonatos irem à Champions, apressaram-se a criticar a data do jogo do campeonato após o duelo com o Bayern. Acham um escândalo que se jogue só na 2ª feira. Mas já acharam óptimo que tivéssemos jogado com o Braga poucas horas após o regresso de Jonas do Brasil, por exemplo. Surreal! 

Também a data da Taça da Liga faz comichão em Alvalade. A Liga decidiu marcar para dia 2 de Maio, o Sporting queixa-se que isto é tudo como o Benfica quer. O Belenenses riu-se porque ainda há poucos dias não quis jogar um derby numa 2a feira à noite mas não teve outro remédio. 

Isto tudo vindo de um clube que paga milionariamente ao seu treinador que não conseguiu entrar na Champions, que foi corrido da Liga Europa, que se despediu da Taça de Portugal antes do Natal e que falhou o apuramento na Taça da Liga com derrota contra uma equipa do segundo escalão. Imaginem se estivessem na luta por quase todos os troféus como nós...

 

- Escrevi um treinador milionariamente pago com rigor, porque parece que daquela equipa técnica só o chefe é que tem os ordenados em dias

 

- Renato Sanches na imprensa internacional é o puto do momento, cheio de elogios. Por cá continua a ser um delinquente que foge ao serviço militar com idade falsa. É o que temos.

 

- Pelo que leio na imprensa portuguesa, um tal de Alan Ruiz é mais craque que todos os craques que disputaram o acesso às meias finais da Champions. Óptimo para o nosso campeonato.

 

- Outro facto relevante, o Sporting é o que está no melhor momento enquanto o Benfica só ganha com sorte. É isso.

 

- O Sporting é a equipa mais carregada de jogos esta época, tem mais um que o Benfica. O facto de terem andado em pré eliminatórias que dispensam campeões não é relevante. E o facto de desse jogo a mais não ter servido para nada, também não.

 

- Carlos Mané não tem problema nenhum. Desabafa em redes sociais. 

 

- João Pereira não desapareceu, continua a treinar muito bem. O resto são decisões. Que nenhuma imprensa ousa colocar em causa, obviamente. Tal como os desabafos do Mané. A tal imprensa que protege o Benfica. Olha, olha... se isto fosse na Luz... 

 

- No Porto está tudo calmo e tranquilo a preparar a nova época. Capas a falar de crise? Zero.

 

Percebem agora que quanto mais tempo andarmos na Europa menos tempo temos para ler a excelente imprensa portuguesa e todos os comunicados e todas as provocações saídas de vários canais verdes plantados um pouco por todo lado. 

Voltamos à realidade do nosso quintal. É aguentar esta poluição sonora e escrita mais cinco jornadas com a mesma força que temos mostrado até aqui. Os elogios de quem nos vê mais longe servem de motivação contra isto que se vê por cá. 

 

Os Caça Fantasmas Baralhados

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Vamos recuperar esta pérola de 2 de Janeiro de 1993 no reinado de Sousa Cintra para esclarecer o que é importante nesta caça aos fantasmas que vejo por aí em tons de verde.

 

À falta de melhor tenta-se transformar em fantasia tudo o que é notícia na realidade. Distorce-se um pouco, embrulha-se e incluem-se em comunicados e tarjas. Uma moda como outra qualquer.

Vem isto a propósito da recente prisão preventiva de José Veiga na operação Rota do Atlântico que também apanhou Manuel Damásio. Junte-se o presidiário Vale e Azevedo e temos uma série de teorias que tentam dar força a outras teses como a dos vouchers, por exemplo.

Em resumo, para a carneirada do rei dos comunicados o Benfica é um clube de aldrabões, corruptos que acabam todos presos em casas da Carregueira. Este é o dogma e é sobre isto que se vive.

 

É melhor esclarecer que nós não temos medo de fantasmas e que vivemos bem com as condenações a gente que já serviu o nosso clube. E porquê?

Porque nenhum deles foi apanhado por beneficiar o Benfica, antes pelo contrário. Simples.

João Vale e Azevedo preso é uma consolação para todos os benfiquistas. O pessoal do Campo Grande é que devia criar um evento de apoio a ele no facebook, como só eles sabem criar, por se tratar da pessoa que esteve mais perto de concretizar o maior sonho colectivo da existência do Sporting: acabar com o Benfica!

Um sonho, aliás, bem denunciado pelo Presidente mais carismático e lembrado do Sporting. Recordemos:

Em entrevista ao Record, João Rocha, ex-presidente do Sporting, denunciou um acordo obscuro entre José Roquette e Pinto da Costa, que tinha como objectivo afastar o Benfica dos primeiros lugares... Vozes leoninas discordaram e as pessoas sérias do clube de Alvalade ficaram indignadas...

Eis uma parte da entrevista de João Pedro Abecassis

RECORD – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette,você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?

JOÃO ROCHA – Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.

 

Nunca tivemos nenhum Presidente cujo sonho seria acabar com o Sporting. É a diferença. Sobre Vale e Azevedo resta acrescentar que tem a sua figura presente na galeria de honra dos presidentes do nosso clube. O clube, que segundo os diferenciados verdes, tinha problemas em manter Jesus na sua história.

 

Falemos agora de Damásio. Este foi o Presidente que começou o declínio do Benfica a meio dos anos 90. Aquela fase que fez todos os sportinguistas felizes com resultados que ainda hoje exultam. Pessoalmente, foi o homem que acabou com o sonho de ver o meu ídolo Klinsmann jogar no nosso clube. A seguir a Vale e Azevedo, deve ser o Presidente mais detestado pela maioria da nação benfiquista. Foi preso por ter cometido crimes a favor do Benfica?
Claro que não! Foi apanhado em negociatas com José Veiga. Chegamos assim ao ex-funcionário do Benfica que despoletou toda esta tentação de associar o nome do Benfica a criminosos.

 

Este caso em que Veiga e Damásio são acusados tem tanta relação com o Benfica como o Bryan Ruiz tem com o golo, zero!

Mas vale a pena ir mais atrás. Se Veiga é vigarista não será só pela sua existência no ano de 2004/05. É que foi ele que entrou no Sporting com um tal de João Vieira Pinto para que o clube conseguisse um dos seus 18 campeonatos. Mas talvez isto já não dê muito jeito recuperar.

O mais irónico é que nesta operação Rota do Atlântico apareceu mais uma cara bem conhecida do nosso futebol. Pedro Sousa foi noticiado como comentador da TVi mas podia ter sido apresentado, ao nível de Damásio e Veiga, pelo seu passado: ex Director de Comunicação da SAD do Sporting. Pronto, também há ex funcionários verdes no caso que tanto tem dado que falar e ninguém chateia o clube com isto. E bem.

 

Já vi dirigentes acusados de crimes desportivos a serem condenados e com o seu clube até a perder pontos sem que ninguém contestasse.

Aliás, quando começarem a fazer considerações sobre controles de arbitragem, corrupção, subornos e afins, lembrem-se, porque ainda está fresquinho, que a única pessoa que está a ser julgada por isso mesmo é um ex-vice presidente do Sporting, que agiu no exercício dessas funções. A sentença é lida dia 22 de Abril. Apareçam. A sessão é pública.

Até lá leiam a notícia que ilustra este post. Não eram jantares, eram máquinas fotográficas. Antes de haver facebook.

 

Desde 1973 a Viver Esta Lenda Começada em 1904

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 São 112 anos de história. Entrei nela em 1973 mas só em 1984 oficializei a ligação tornando-me sócio porque já não dava para entrar na Luz como menor acompanhado por um adulto.

O Benfica que me foi dado a conhecer está simbolizado na camisola desta fotografia. Era o Benfica do Bento e do Humberto, destes bigodes, do Jorge Gomes como primeiro estrangeiro da equipa de futebol, das luvas pretas do Alves das conquistas nacionais e das provas europeias.

A foto deste jogo é de uma eliminatória que me marcou por vários motivos. Por compreender a regra dos golos fora, por achar engraçado o nome do adversário, por ter gostado do equipamento deles na Luz e por termos seguido em frente.

Foi nos 1/4 de final da Taça das Taças 1980/81 contra o Fortuna Düsseldorf na RFA.

Hoje a mesma paixão de sempre.

As Siglas Ganharam ao Futebol

A Bola Record Marca Superdeporte Sun Sport Corriere dello Sport

 

Rescaldo de semana europeia na imprensa desportiva de hoje com um pequeno apanhado de alguns jornais europeus.

Curiosamente, no país que consegue apurar 6 equipas para as provas europeias esta época, o desprezo pelos resultados na UEFA é, no mínimo, embaraçoso. Os mesmos jornais que se preocupam tanto com os rankings europeus, onde Portugal luta com França e Rússia pelo 5º lugar, e onde, outrora, destacava o desempenho uefeiro de clubes nacionais que abriam portas para o apuramento de outros, agora é tudo chutado para canto.

O que interessa é o CJ, o CD da FPF e tudo o que gravita à volta daquela coisa sem importância que se joga num relvado durante 90 minutos e que até parece atrapalhar a verdadeira luta de quem quer vencer a todo custo por via de influências, pressões, ameaças, comunicados e falatório incendiário e interrupto.

 

Clubes portugueses a caírem perante clube alemães nem é vergonha nenhuma para ninguém, embora no caso do Bayer Leverkusen até tenha sido a primeira vez que os farmacêuticos conquistaram um apuramento em eliminatórias com clubes do nosso campeonato. O Belenenses e o Benfica, por duas vezes, foram felizes contra o Bayer. ( emenda:  eliminaram o União de Leiria em 2007/08 )

 

Talvez fosse interessante vermos os jornais dissecarem sobre esta nova moda assustadora de vermos clubes aliviados por serem rapidamente afastados das provas da UEFA. Na mesma época a caírem da Champions para a Liga Europa e sempre com pressa de sair. Não faz sentido quando são os mesmos jornais a alimentarem as suas páginas com sonhos europeus, recordando epopeias de provas ganhas no passado, de motivarem clubes mais pequenos a lutarem pelo complicado apuramento europeu. Tanto trabalho para depois saírem quase todos airosamente em Fevereiro?!

E as capas de reacção a esse descalabro, e em alguns casos desprezo, é falar de siglas de órgãos que mexem no nosso campeonato?

 

Temos mesmo o futebol que merecemos. Hoje em dia em Portugal são felizes todos aqueles que sabem na perfeição o que são e o que significam as siglas CJ, CD, APAF e afins. São felizes aqueles que sabem quem são os homens que votam e não votam nas reuniões dessas organizações, quem sai e quem vem, porque vão e que querem vir. São felizes todos aqueles que suspiram a cada comunicado no facebook reproduzido com pompa e circunstância nas páginas dos tais jornais com chamadas de capa. Jornais que não hesitam em destacar na capa a prisão imaginária de dois adeptos de futebol que invadiram um relvado para tocarem nos seus ídolos mas já têm pudor em destacar o fracasso de dois grandes clubes de futebol numa competição que era para ganhar, como se pode ler em Dezembro nas mesmas páginas.

 

Ponderar sobre o facto de termos nesta altura da época a Espanha com 7 clubes em prova, todos os que começaram a época na Europa, a Alemanha com 4 dos 7, a Inglaterra com 6 dos 8, a Itália com 3 dos 6 e Portugal com apenas 2 dos 6, ao nível da Ucrânia e Bélgica, não parece ser importante nem interessante. O que isto importa quando podemos falar do CJ e do CD?

 

Os craques dos comunicados, dos circos televisivos, das patetices das redes sociais, das tagarelices choronas estão a ganhar em toda a largura.

Se vão sobrar interessados em futebol entre as gerações mais novas e futuras, é coisa que não preocupa ninguém. Ganhar os derbys dos CJ-CD para depois tentarem ganhar qualquer coisa no final da época é que é o caminho, e vale tudo com a bênção dos jornais.

Pobre futebol.

Oriental de Lisboa. O “clube de bairro” que não nasceu para ser pequeno

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 Um Oriental-Benfica, no Estádio Engenheiro Carlos Salema. Na foto, o orientalista Mário Luz disputa a bola com Coluna.

 

Esta é uma peça assinada pelo Filipe d'Avillez e publicada hoje no site da Rádio Renascença. Tive o prazer de ser um dos seus entrevistados e reproduzo aqui o trabalho à volta do Oriental. Chamo a atenção também para a edição da Bola Branca às 22h30 onde podem ouvir na rádio esta reportagem.

 

Todos os anos há alguns clubes de divisão inferior que têm a oportunidade única de defrontar um grande. Não é o caso do Clube Oriental de Lisboa, para o qual o jogo com o Benfica de terça-feira é antes um regresso ao passado. Este clube não nasceu para ser pequeno.
 

Chegamos ao Estádio Engenheiro Carlos Salema, onde esperamos encontrar o plantel do Clube Oriental de Lisboa a treinar. Mas não se ouvem gritos, nem ordens do treinador. O silêncio sepulcral apenas é interrompido pelo balir de ovelhas e cabras que pastam as ervas junto ao muro exterior, ignorando os prédios altos que rodeiam o campo.

 

Entrando, torna-se evidente a razão do silêncio. Os jogadores foram treinar para outro lado para tentar poupar o relvado. Devido às chuvadas, o campo está em mau estado. Há 40 anos que o clube de Marvila não joga na principal divisão do futebol profissional, mas os orientalistas ostentam um passado de grandeza e querem receber o bicampeão nacional com as melhores condições possíveis.

 

Com as melhores condições, mas que sejam as suas condições. Muitos esperavam que o jogo com o Benfica (terça-feira, a contar para a Taça da Liga) fosse transferido para um estádio com melhores condições para garantir maior encaixe financeiro. Mas o presidente do clube nem quer falar dessa possibilidade.

 

“O sorteio ditou que o jogo era aqui, o jogo é aqui! Não há mais que ver. Não faz sentido deslocarmo-nos daqui, daquilo que é o nosso meio ambiente, esta é a nossa casa, é aqui que gostamos de jogar, é aqui que nos sentimos bem e é aqui que vamos reviver, em certa medida, o passado”, diz.

 

José Fernando Nabais sabe do que fala. Conhece esse passado melhor que a maioria dos orientalistas. “Eu nasci no Oriental, praticamente. Nem na maternidade nasci, nasci na rua de Marvila. Vejo os jogos do Oriental desde que me conheço, tive a felicidade de ver o Oriental ascender à primeira divisão pela última vez em 1973.”

Este jogo com o Benfica não é, por isso, uma oportunidade única na vida para o Oriental jogar com um grande, é mesmo um “reviver do passado” e, espera o dirigente, uma “catapulta para o futuro”. Um futuro “que tem de ser melhor do que aquilo que tem sido, não haja dúvida nenhuma”.

 

Chelas, Marvilense, Fósforos

 

O presidente não é o único adepto do Oriental que tem memória de melhores dias. Diante da sede do clube encontramos dois amigos à frente de um quiosque, ambos sócios, que confirmam aquilo que nos tinham confidenciado alguns dos jogadores: os orientalistas são exigentes e não se poupam nas críticas ao plantel e aos atletas, sobretudo quando as coisas correm mal.

 

Há décadas que o Oriental não estava sequer na segunda liga, onde se encontra agora, mas há clubes que não foram feitos para ser pequenos.

“Ainda bem que somos exigentes, se não fôssemos exigentes já o Oriental tinha acabado”, diz um dos homens, que se identifica apenas como “Russo do Poço do Bispo”. Distingue entre os adeptos que vão ver os jogos mas não se importam que o Oriental perca e os verdadeiros orientalistas (“A que nós chamamos a quinta coluna”).

"Russo": "Se não fôssemos exigentes já o Oriental tinha acabado"

 

Fala-se muito em bairrismo, mas a verdade é que o Oriental não nasceu com vocação de clube de bairro. Fruto de uma junção de três clubes, o Chelas, o Marvilense e o Fósforos, todos da zona leste da capital, a ideia era ter um clube capaz de ombrear com os maiores e que representasse toda a parte oriental de Lisboa. Daí o nome. O problema é que Lisboa cresceu muito desde 1946 e o clube não conseguiu acompanhar.

 

“A zona oriental de Lisboa, na altura, extinguia-se no início da freguesia dos Olivais. Hoje vai até ao Rio Trancão, com milhares de pessoas, que o Oriental deveria fidelizar. É um trabalho que estamos a fazer, mas que vai levar gerações”, diz o presidente.

O Oriental na época 1984/1985

 

Acredita que “o Oriental tem todas as possibilidades de crescer. Está numa zona densamente populacional, só pode crescer. É preciso é ter as políticas certas e crescer de forma sustentada”.

Joaquim Lopes, amigo de “Russo”, tem duas grandes queixas. “A malta nova que é do Oriental é toda do Benfica, do Sporting e do Porto”, diz. “A gente ia ver o Oriental porquê? Porque jogava lá o primo deste, o primo daquele e o primo do outro. Hoje não. Hoje vamos ver o Oriental e vê-se lá um argentino, dois brasileiros, que nem conhecemos de lado nenhum.”

 

O futebol é do povo

 

Já dentro da sede do Oriental forma-se fila para comprar os bilhetes que começam a ser vendidos para o jogo com o Benfica. Enquanto esperam por Maria João – que na qualidade de secretária também trata da bilhética – trocam-se impressões sobre o estado do clube. O consenso é que a descida de divisão será desastrosa e há quem não compreenda que se tenha perdido a oportunidade de encaixar mais dinheiro com a mudança do campo.

Curiosamente, entre os adeptos do Benfica, que habituados a estádios com melhores condições mais naturalmente lamentariam as do Engenheiro Carlos Salema, encontramos quem aplauda efusivamente a decisão da direcção do Oriental.

 

Não se trata de clubismos, mas de um apreço pela cultura futebolística, explica João Gonçalves, autor do blogue Redpass e comentador da Benfica TV. “Um estádio de futebol antigo, com muita história, é um espaço quase de peregrinação do adepto de futebol e que contrasta completamente com os estádios modernaços, que são precisos também para os grandes espectáculos, mas o futebol não pode viver só disso.”

“O futebol sempre foi do povo e sempre que uma equipa de dimensão menor, mas com grande historial e que ainda tem o campo original, tenta fugir do seu local para gerar um encaixe financeiro maior, seja pela transmissão televisiva, seja por via de maior venda de bilhetes, é errado”, diz.

 

João Gonçalves não tem idade para se lembrar de ter visto o Benfica a jogar em Marvila, mas recorda do seu avô os relatos da reputação aguerrida dos adeptos locais. Memórias confirmadas por António Correia Rodrigues, com quem falamos à mesa do restaurante A Concha. Estamos em Marvila, à volta de uma dose de cozido. “Era um clube, bairrista, como se costuma dizer, e até o campo tinha uma fama... Chamavam-lhe o Monte dos Vendavais”, diz o sócio, de 84 anos, que era do Marvilense antes da fusão.

“Recordo-me do Portimonense vir aqui, trazia umas dezenas de rapazes que pertenciam à Armada, ou lá o que era aquilo, e vinham de Portimão para aqui já preparados para a guerra. Mas o Oriental tinha rapazes que eram bons nisso. Havia uma equipa de 13 aí que eram fora de série.”

Os jogos mais intensos nem eram contra os grandes, garante o sócio. “Os jogos bons do Oriental era o Oriental-Montijo, o Oriental-Barreirense. Íamos ao Montijo e iam sempre parar gajos dentro de água. O Oriental levava sempre mais gente aos campos fora do que o adversário traz aqui”, recorda. “O Oriental nunca tratou mal ninguém, nunca tratou mal ninguém!”

 

Nunca tratar mal ninguém é talvez um ligeiro exagero, a julgar pela história que se segue quase de imediato, sobre um árbitro que num jogo de juniores terá prejudicado o clube local. “Ele trabalhava aqui na Companhia de Gás e Electricidade e o Oriental não ganhou ao Benfica porque ele inventou coisas. Passados dois dias foi ele, foi mota, foi tudo para a doca. Foi tudo parar lá dentro.”