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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Braga 0 - 1 Benfica: Mitroglou Factura no WC de Jorge Simão

mitroglou braga benfica.jpg

 Roses are red

Violets are blue

e quem ficou com a miúda

foi o Mitroglou

 

Comecemos por responder à conferência de imprensa de Jorge Simão antes do jogo da Pedreira. O infeliz treinador do Braga meteu a martelo uma história popularizada pelo argentino Jorge Sampaoli, actual técnico do Sevilha, para falar da posse de bola. O conto do Jorge Simão terminava no WC. Ora, já se sabe desde a época passada o quanto Mitroglou gosta de ir ao WC. Foi um passo arriscado do treinador minhoto que só podia acabar mal.

Parece-me que Simão precisará mais do que histórias alheias para explicar a sua inaptidão em colocar o Braga a jogar um futebol ofensivo de acordo com as expectativas de adeptos e direcção de um clube que aponta para, pelo menos, o 3º lugar na Liga.

Estava Jorge Simão a preparar a imprensa, que o adora, para um jogo de contenção e defensivo, ao seu estilo, na esperança de ir aguentando um empate, ou num golpe de sorte um triunfo que seria um precioso balão de oxigénio.

 

Pegando na quadra mais popular desta semana nas redes sociais, respondemos ao Simão com a solução para sua história. No dia dos namorados choveram partilhas de versos começados por Roses are red e terminados em Mitroglou. Pois bem, o grego anda de tal maneira inspirado que prolongou o estado graça até ao Minho e resolveu um desafio bem complicado.

 

O Benfica chegou a Braga sem Ederson, expulso a meio de um jogo resolvido com o Arouca na Luz, sem Jonas, lesionado, em 2º lugar depois de ver o Porto resolver o seu jogo com o Tondela de forma surreal, como disse Pepa, e com o ambiente hostil que há muito as gentes de Braga tentam imitar de outros lados.

Para piorar o cenário, hoje tivemos um penalti sobre Salvio por assinalar e um golo mal anulado a Mitroglou. Felizmente, houve forças para marcar um que não pudesse ser invalidado. Na garra, na insistência, com fortuna, com sentido de baliza e com determinação, assim foi o golo de Mitroglou. Uma jogada que valeu 3 pontos.

 

O objectivo foi cumprido mas agora tem de haver espaço para, do cimo da nossa liderança, interrogarmos o que se anda a passar no futebol português desde a visita da claque do Porto ao centro de treinos dos árbitros no norte. A conversa de termos de jogar o dobro para assim podermos ultrapassar barreiras exteriores é muito linda e comovente mas é do domínio do surreal, para repetir Pepa. Não temos que andar a conviver com penaltis não marcados, golos sofridos irregulares, golos mal anulados e expulsões de fiscais de linha e cruzar os braços pedindo aos nossos jogadores que joguem a dobrar porque isso não é justo nem possível.

 

Tal como na época passada, o Benfica voltou a entrar na Pedreira sem estar na liderança mas saiu com uma vitória muito saborosa e moralizadora. Foi apenas mais uma barreira ultrapassada mas temos de olhar para o que não correu tão bem. Olhar para dentro e para fora. É essencial.

Sigamos o nosso caminho. Quanto ao Jorge Simão, depois disto duvido muito que chegue ao final da época com este trabalho. Depois terá tempo para ler mais histórias.

 

 

Benfica 1 - 0 Borussia Dortmund: Ederson Lendário!

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 É de noites destas que se fazem lendas. A exibição do guarda redes do Benfica foi soberba, a Europa do futebol ficou a conhecer  o valor do jovem brasileiro Ederson que segurou uma vitória épica do Benfica.

 

Claro que é injusto colocar o foco apenas na baliza quando a equipa fez um jogo de resistência tremenda e soube marcar um golo que deixa a nação benfiquista a sonhar com uma proeza daquelas à altura do passado europeu glorioso do clube.

Luisão fez um jogo monstruoso, Nelson e Eliseu foram incríveis nas alas, Fejsa foi incansável no meio e Mitroglou fez explodir a Luz com o seu oportunismo. Toda a equipa esteve bem quando se olha para o poderio do adversário.

 

Durante muito tempo tive o sonho de jogar no Benfica. Depois o tempo passa e aos poucos passei a olhar para o banco de suplentes e a desejar um dia estar ali a treinar a equipa. Se me dessem essa oportunidade, eu escolhia a noite de ontem para realizar esse sonho.

Eu acompanho tão de perto a Bundesliga, gosto tanto do futebol germânico, selecção incluída, e vejo tantos jogos do Borussia que sentia-me capaz de desenvolver uma táctica e escolher uma equipa para lutar com os amarelos. Até à hora do jogo passei horas a discutir sobre o modo como Tuchel viria jogar na Luz e , ao mesmo tempo, desenvolvia a minha ideia de jogo para surpreender o Dortmund.

Como é possível ignorar a magia destas noites europeias, da adrenalina de termos de lutar contra clubes de uma dimensão financeira de outro planeta que não o nosso? Foi em noites como esta que o Benfica se fez Glorioso aos olhos do mundo. O Benfica tem que ser sempre Campeão Nacional, certo. Mas também tem que andar nesta alta roda europeia para que no dia seguinte a cada jornada, o seu nome seja falado em todo o lado.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Voltando ao sonho de ser treinador por um dia. Ainda bem que não passa de um sonho. Eu estava convencido que Thomas Tuchel vinha à Luz jogar de uma maneira mais conservadora, com um quarteto defensivo e com menos posse de bola. Mas os alemães não abdicaram do seu plano jogo, mesmo que não tenho dado certo nos últimos jogos de competições internas. O Borussia veio à Luz com um principio de jogo idealizado pelo seu treinador, com os tais três centrais, arriscando tudo na posse de bola e na velocidade de alguns dos melhores futebolistas da actualidade, Dembélé, Reus ou Aubameyang. Que maravilha ver gente deste calibre a competir na nossa casa. Mais discreto, Julian Weigl, é só por si merecedor do valor do bilhete para o ver actuar. O médio defensivo mais elegante e encantador do futebol actual. Que jogador!

Felizmente, o futebol não é uma ciência exacta e por razões que só os deuses do jogo podem explicar, os craques do Dortmund também têm apagões. Foi o caso de Pierre-Emerick, a lenda do Gabão, que teve dois falhanços históricos e falhou um penalti, aqui com mérito para Ederson que estudou as últimas conversões de Aubameyang e deixou-se ficar de pé.

 

Thomas Tuchel no final do jogo dizia, incrédulo, que o resultado foi ridículo. Compreendo a frustração dele mas como os germânicos costumam dizer: ganha quem é mais eficaz. O Benfica foi incrivelmente germânico deste primeiro duelo na Champions League.

Geralmente, o Glorioso costuma aproveitar estas noites de sorte para aumentar o seu prestigio internacional com mais proezas. Foi assim nos duelos, já neste novo estádio, com Manchester United, Liverpool ou Juventus, só para citar alguns.

Foi uma enorme vitória que dá moral e confiança, além de visibilidade internacional. Isto sem Jonas, note-se!

Vamos entrar na Alemanha em vantagem e, por isso, tudo é possível.

Agora é descer à terra e pensar no campeonato. Acrescentámos mais um capítulo bonito na nossa maravilhosa história europeia. Isto sim, é honrar o passado vivendo com dignidade o presente. Estas noites mágicas também são nossas e precisam do Benfica.

Benfica 3 - 0 Arouca: No Carrillo Certo

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 O Arouca tem tão pouco tempo de 1ª divisão e, no entanto, já soma um historial curioso de polémicas nos jogos com o Benfica. Assim de cabeça, lembro-me de um empate na estreia na Luz, de um golo anulado a Jonas, em Aveiro, que até hoje ninguém me soube explicar porque não contou, evitava a derrota, e ainda não me esqueci daquele penalti sobre o Rafa na 1ª volta que podia ter dado o 0-3 e acabou por transformar o final desse jogo num sofrido 1-2.

Na noite passada, na Luz, o Benfica cumpriu o que se pedia, entrou bem no jogo, resolveu cedo a questão, jogou bem e caminhava para o intervalo com um confortável resultado de 2-0, graças a um bis de Mitroglou, o melhor que saiu da Grécia depois de Demis Roussos, dizem.

Já dava para pensar em gerir o resto do jogo, pensar no próximo adversário amarelo de 3ª feira e cuidar das situações disciplinares de Pizzi e Nelson Semedo para Braga.

Só que a poucos minutos minutos do final da 1ª parte acontece um lance duvidoso com um choque entre Ederson e Mateus que parecia ter sido ignorado pelo árbitro porque o jogo seguiu. Para espanto de todos, a partida é interrompida e sai falta para o Arouca, expulsão para Ederson e jogo estragado.

São este tipo de situações polémicas que o Arouca está destinado a carregar consigo. E Mateus consegue andar há anos envolvido em trabalhos no futebol português. Ederson iguala Neno e o lendário Bento como guarda redes expulso mais do que uma vez pelo Benfica. Um feito.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Júlio César regressou à baliza, a equipa foi para intervalo sabedora do perigo que podia correr e voltou determinada em resolver o assunto. Apareceu Carrillo, o peruano foi titular e assinou a melhor exibição pelo Benfica coroada com um belo golo que encerrou as discussão dos 3 pontos na Luz.

Excelente resposta, boa 2ª parte à altura do que se pedia à equipa e missão cumprida num jogo que podia ter ficado muito complicado.

 

Uma palavra para Lito Vidigal que vai treinar para Israel, que tenha sorte e que volte ainda mais forte para o top do futebol português. Simpatizo com ele.

 

Segue-se uma noite europeia que se espera de gala.

 

PS: espero que esteja já tudo bem na arbitragem nacional, desde aquela "visita" ao centro de treinos de árbtros na Maia que tudo melhorou neste país. Assim dá gosto.

Benfica 3 - 0 Nacional: Jonas Anti-Nacional

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 Uma novidade no lançamento do jogo, entrávamos em campo no 2º lugar do campeonato. Pressão para todos, nas bancadas, no banco, no relvado, tribuna. Um jogo em que a equipa precisava, mais do que nunca, de um estádio cheio a apoiar o Benfica a terminar o dia no seu lugar. Infelizmente, a lotação da Luz ficou abaixo dos 50 mil numa fase crucial da época.

 

A equipa respondeu bem e confirmou o teórico favoritismo perante o último classificado do campeonato. Rui Vitória, ainda suspenso, resolveu fazer regressar Eliseu ao lado esquerdo da defesa, opção mais do que natural, não abdicou de Pizzi, mesmo condicionado após o jogo do Bonfim, e apostou em Sálvio e Zivkovic. O reforço Filipe Augusto teve entrada directa no banco de suplentes, Cervi e André Almeida passaram para a bancada.

 

O mais importante foi resolvido na primeira parte antes que o  jogo ficasse perigosamente bloqueado. Jonas apareceu em grande e confirmou a tendência para fazer golos ao Nacional, bisou em meia parte e , praticamente, resolveu o jogo.

 

O Nacional mostrou porque é que luta dramaticamente para não descer, muito pouca qualidade, apesar da aposta em vários jogadores novos chegados no mercado de inverno.

 

O ambiente na Luz não era totalmente de festa, as últimas duas derrotas pesaram nas bancadas e isso sentiu-se quando os adeptos ensaiavam alguns assobios a uma posse de bola da equipa no meio campo. Depois o jogo esticou e originou o 2º golo do Benfica. Foi um sinal claro da equipa para o tribunal da Luz. A malta gosta imenso de meter likes nas publicações das redes sociais que mostram posses de bola de 40 toques seguidos mas depois refila quando a sua equipa o faz em vantagem no marcador.

 

( Fotogaleria de João Trindade )

 

O que interessa é que ficou uma boa resposta após uma fase má. A equipa reagiu, ganhou e manteve a liderança. Na época passada o Benfica chegou a entrar a 11 pontos do 1º lugar em Braga e conseguiu lidar com a pressão. A recta final do último campeonato é todo um manual de como conviver com a alta pressão na tabela classificativa. Como o grupo é quase o mesmo, há que acreditar que vamos lutar da mesma maneira.

 

No entanto, há dúvidas que se levantam em cada treinador de bancada. Pizzi não devia ter saído mais cedo? A questão dos cartões amarelos não preocupa? Temos Pizzi  e Nelson Semedo a um cartão de ficarem de fora no próximo jogo. A próxima jornada é em casa com o Arouca, a seguir vamos a Braga... Aceito que me digam que temos de jogar sempre com os que dão melhores garantias, não deixa de ser legítimo reflectir sobre estas questões.

 

Nota positiva para  a estreia de Filipe Augusto, bem recebido pela Luz, e para o golo de Mitroglou. Foi cumprida a missão de voltar às vitórias e já olhamos para 6ª feira onde esperamos repetir a receita de hoje.

 

Vitória de Setúbal 1 - 0 Benfica: Em Estado de Choco

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(Foto: João Trindade)

 

Triste sina esta de só ter um ou dois jogos por época a sul do Tejo e voltar para casa de mãos a abanar.

Na visita à terra do choco frito aproveitou-se o jantar pré jogo.

Ainda mal refeito daquela segunda parte no Algarve, pensei numa visita ao Bonfim que me devolvesse a tranquilidade emocional.

Para meu espanto, o Benfica resolveu dar continuidade aquela 2ª parte da meia final da Taça CTT. Muito estranha a sensação de previsibilidade do futebol da equipa. Parece estar a atravessar uma fase de falência técnica de ideias e de jogabilidade. A equipa está bloqueada e isso vê-se na fase de construção quando sai a jogar com bola da zona defensiva. A bola anda da direita para o meio, do meio para a esquerda e volta para o meio, fazendo lembrar uma equipa de andebol a circular a bola sem progressão. Isto porque Pizzi não está com forças para criar rupturas, desequilíbrios entre sectores e assim a bola acaba sempre nos alas.

 

Aqui, a meio da primeira parte, lembrei-me de uma entrevista recente do brasileiro Cafu, campeão do mundo, em que confessava que sorri ao ver os cruzamentos que se fazem no futebol actual. No tempo dele tinha o dobro do trabalho porque tinha de cruzar mesmo na linha, agora atira-se a bola antes de se estar ao lado da grande área. Dava jeito ao Benfica usar mais profundidade, ao estilo do Cafu.

Mas o que é mesmo dramático nesta fase é a falta de velocidade imprimida no jogo. Assim torna-se fácil anular o ataque benfiquista. Se calha o adversário fazer um golo, como fez o Vitória, tudo se torna mais dramático.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Na época passada quando o Benfica não venceu na Madeira o União eu escrevi aqui que sentia que era o adeus ao título. Hoje, esta derrota transtorna-me muito mas a minha cabeça pensa em soluções para ter o futebol das vitórias eficazes de volta. Esta exibição somada à de 5ª feira, só dá preocupações, não anima ninguém. Ficámos à espera daquele Benfica da 2ª parte com o Tondela que não apareceu nestes últimos jogos. Complicámos a corrida ao título e agora só temos um ponto de vantagem. Tudo o que peço é o Benfica das vitórias de volta. É preciso ver rapidamente o caminho para a normalidade.

 

Mas é mesmo preciso encontrar soluções sérias porque já vimos que para ajudar a agravar esta má fase somos duplamente castigados, pela má exibição e pelo não cumprimento das regras básicas do jogo, como se viu no último lance do jogo que podia ter evitado a derrota.

Olhos no próximo desafio e pensar que entrámos naquela fase critica em que vivemos toda a recta final do campeonato passado. Tolerância zero a partir de agora. Na época passada conseguimos caminhar na corda bamba depois de Alvalade até ao fim, este ano também temos de conseguir.

 

Moreirense 3 - 1 Benfica: Da Naturalidade ao Buraco Negro

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Para encarar esta meia final da Taça CTT, o Benfica deu todos os sinais de levar tudo muito a sério. A competição, o adversário e o compromisso em dar mais um passo para a final e defender um título que tem sido seu.

Os 11 escolhidos eram os mais rodados, com a novidade do regresso de Eliseu na esquerda, a opção de Carrillo com Salvio nas alas e o ataque entregue a Jonas e Rafa. Portanto, quanto à maneira como o Benfica começou o jogo não há muito a apontar.

 

A exibição na primeira parte foi aceitável, fez-se o que se pedia, posse bola, controlo do jogo e chegar à vantagem. Ou seja, chegámos ao intervalo numa normalidade absoluta. E é bom que a normalidade, actualmente, no Benfica seja isto.

 

Depois, vem uma 2ª parte que não tem explicação. Podemos falar em desconcentração, facilitismo no sub consciente, abordagem com excesso de confiança, a falta de Fejsa mas nada vai explicar realmente aqueles 15 minutos em que a equipa passa de uma vantagem normal para um resultado negativo de 3-1!

Algo que tendencialmente não fazemos nestes jogos é olhar para o outro lado. O Moreirense teve muito mérito na forma como acreditou, como foi à luta e como conquistou um autêntico vira minhoto no marcador. Aproveitou a desorientação do Benfica e conquistou uma vitória muito merecida. Por isso, parabéns ao Moreirense por este inesperado mas justo apuramento.

 

Preocupante no Benfica estas quedas num buraco negro que custam pontos e eliminatórias. Esta época já todos sentimos isto em Nápoles, na Turquia e contra o Boavista. Já são demasiadas vez que vemos a equipa entrar num abismo durante meia parte do jogo sem explicação aparente. É que não consigo apontar à equipa falta de determinação ou irresponsabilidade na abordagem ao jogo, porque ao intervalo estava tudo dentro da normalidade. São uns 15 - 20 minutos de apagão colectivo que devem ser dignos de estudo. Preocupante, repito.

 

Tal como aqui disse nos jogos que acabei de referir em cima, estou sempre pronto para aceitar os momentos inesperados do futebol, a nosso favor fico contente, contra nós fico revoltado. É esta a vida de um adepto de um clube de futebol. É importante não fazer disto o maior drama de sempre, como também é importante não ignorar o que se passou aceitando só que se tratou de um capricho do deuses do futebol.

 

Do ponto de vista pessoal, ao contrário do que oiço depois destes jogos que não nos correm bem, sinto-me muito mais confortável por ter ido ao estádio ver o jogo do que se tivesse ficado no sofá. A viagem de regresso dá para repor as ideias enquanto fazemos centenas de quilómetros debatendo com amigos o que se passou. Acho mais saudável, apesar de terem sido viagens estranhamente desconfortáveis, as piores que fiz entre Lisboa e o Algarve, devido a um temporal que só deu tréguas durante os 90 minutos de jogo. Dos cinco dias que chove no Algarve, tínhamos que levar com um deles em dia de jogo do Benfica.

Como tantas vezes desabafo por aqui, vale sempre a pena cometer estas pequenas loucuras porque salva-se sempre o encontro com amigos de outras paragens, neste caso o repasto num restaurante perto do estádio escolhido pelo benfiquista A.N. que nunca falha nas, infelizmente, poucas ocasiões que podemos ver o Benfica no sul.

 

Gosto muito de coerência nestas coisas do futebol. Exijo mesmo. Quem me lê na última década neste acompanhamento aos jogos do Benfica sabe que sempre disse que a Taça da Liga é para se levar a sério. Sempre. Por isso, podem encontrar no arquivo as crónicas a todos os jogos que o Benfica fez durante a última década nesta competição. A grande maioria dessas crónicas são relatos de jogos que testemunhei ao vivo. Na Luz não falhei um único.

Assim, permitam-me que evoque a coerência entre o interesse demonstrado e a indignação demonstrada pelos adeptos benfiquistas após a 2ª derrota do clube em 10 edições da prova. Sim, a 2ª derrota. Perdemos em Setúbal em 2007, numa noite bem fria no Bonfim, e voltámos a perder agora. Durante 10 anos não perdemos nenhum jogo na Taça da Liga. Acabámos eliminados em Braga mas no desempate por penaltis. Ora, em todos estes anos nos jogos no Estádio da Luz nunca vi grande interesse dos adeptos nos nossos jogos. Na maioria das partidas tivemos assistências abaixo das 20 mil pessoas. Talvez, o grau de cobrança após uma segunda derrota numa década nesta prova deva ser revisto, porque parece-me que o clube tem levado muito mais a sério esta competição que os próprios adeptos e os números confirmam este facto.

Quanto à felicidade dos rivais nem comento porque aí a coerência cora de vergonha.

 

No Benfica é sempre para ganhar, é o que tenho defendido, é por isso que faço questão de estar nos estádios em todas as competições oficiais sempre que possível. Contava com um domingo de festa a sul, estou chateado com esta inesperada derrota mas continuo a dizer que aprecio mais a coerência. Uns dias para reflectir e começar a pensar na deslocação ao Bonfim.

Benfica 4 - 0 Tondela: A Nossa Vida é Isto

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 Um golo. A nossa vida pode estar suspensa uma hora à espera de um golo. Entre as 16h de domingo e as 17h e pouco a vida fica em suspenso, os olhos só querem seguir a trajectória de uma bola para lá da linha de golo na baliza do Tondela. E, no entanto, passam quase 60 minutos em que estamos só a olhar para um jogo que parece ter sido inventado para nos enervar. É a equipa adversária que acerta nas marcações, é a facilidade com que os jogadores oponentes ficam deitados no relvado gastando um tempo precioso, perante nós, os adeptos totalmente impotentes. É o guarda redes adversário que começa a parecer intransponível. Tudo nos parece irritante num domingo à tarde mas há quem diga que não passa de um jogo de futebol. Ainda por cima contra o Tondela, o último da tabela classificativa.

 

A ideia de começar o jogo com Zivkovic e Cervi nas alas parece boa mas antes do final da primeira parte já damos por nós a pensar se não é melhor chamar o Salvio ou o Rafa. É assim a coerência de um adepto de futebol que sofre com o seu clube.

 

De repente, tudo muda. Pizzi, sempre ele, remata para o golo que faz explodir a Luz de alegria. Na verdade, é mais uma explosão de alivio. A alegria veio no 2-0, quando, finalmente, sentimos alguma tranquilidade e os nervos a desaparecerem.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Precisamos de passar dezenas de minutos a sofrer para viver momentos de normalidade, aqui a normalidade é a alegria de ver o Benfica ganhar ao Tondela. Voltar a fazer contas de cabeça, repomos a diferença para o 2º classificado e já vemos os 3ºs, 4ºs e 5º, todos juntos lá mais para trás. Começamos também a pensar que é melhor começar a rodar a equipa porque a seguir partimos para outra aventura.

 

É tudo muito rápido a partir do momento em que o problema parece resolvido. O que custa mesmo é chegar ao desejado golo. Depois até dá para nos espantarmos e festejarmos o primeiro golo do Rafa, e que golão! Que seja o primeiro de muitos.

Mas toda aquela sensação de tranquilidade pelo dever cumprido passa depressa quando pensamos que este foi só o primeiro jogo da 2ª volta. Que ainda vamos ter muitos jogos para sofrer até chegar o golo inaugural. Ainda falta tanto para as alegrias supremas que até nos rimos depois de terminado este jogo das figuras que fizemos enquanto o resultado esteve em 0-0.

É assim a nossa vida. E o Benfica é grande parte da nossa vida. Compreenda-se ou não.

Benfica 6 - 2 Leixões: Desforra de 2008

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Fez há pouco tempo 8 anos que numa noite fria o Benfica foi disputar uma eliminatória da Taça de Portugal com o Leixões. O jogo foi em Matosinhos e acabou empatado para desespero dos benfiquistas. No prolongamento nada de novo e nos penaltis Reyes permitiu a defesa de Beto, sim esse, que eliminou o Benfica de Quique Flores da competição. Não foi assim há tanto tempo.

Nos últimos dois anos não chegámos nem às meias finais da prova que acaba no Jamor e que nos proporciona uma tarde épica de convívio a fechar a época. Por isso, fico muito satisfeito com a atitude e determinação com que a equipa encarou o desafio de hoje, dando mais um passo seguro rumo ao Jamor.

Também era preciso limpar a imagem que ficou daqueles surreais 24 minutos contra o Boavista e esquecer aquela anormalidade.

Hoje, o Benfica fez 3 golos na primeira parte. Só não foi para o intervalo com o sentimento do dever cumprido porque o Leixões fez um golo numa bela jogada colectiva antes de terminarem os primeiros 45'.

Rui Vitória não facilitou, continuou a usar nas alas defensivas Nelson e André, manteve Mitroglou e Jonas na frente e persistiu em não dar descanso a Pizzi.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Com resultado em 3-1, com um golo de Pizzi, o treinador optou por, finalmente, lançar André Horta para a 2ª parte no lugar do "21". O destaque entre os marcadores tem que ir para André Almeida que fez o seu primeiro golo oficial pelo Benfica.

Já Mitroglou aproveitou para afinar apontaria e chegar a um hat trick contando com a bondade de Jonas que deu a sua vez ao grego na marcação de um penalti, já que o brasileiro já tinha feito o seu golo.

Zivkovic continua a mostrar qualidade de jogo que empolga cada vez mais os adeptos do Benfica. Não desperdiça estas oportunidades para se chegar à frente e mostrar o que vale, muito bem o sérvio nesta eliminatória da Taça de Portugal.

O Benfica cumpriu a sua obrigação, venceu com estilo um Leixões que proporcionou um jogo muito agradável de seguir nesta noite gelada que contou com quase duas dezenas de milhar de benfiquistas, e alguns adeptos nortenhos, nas bancadas.

Uma palavra de simpatia para o Leixões de Daniel Kenedy, que voltem depressa aos tempos áureos no futebol nacional.

Agora, ficamos a dois jogos da desejada final do Jamor, duas partidas com o Estoril para levar tão a sério como todas as que temos feito desde o primeiro jogo com o 1º de Dezembro, precisamente no Estoril.

Benfica 3 - 3 Boavista: Meia Volta

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Passadas todas estas horas (mais de 5) ainda não sei muito bem o que dizer sobre o 0-3 que no marcador aos 24' de jogo na Luz. Dizer que entrámos pior do que noutros jogos não me convence pois lembro-me do Gonçalo falhar o golo que podia ter sido o 1-0 e continuámos a atacar. De repente, três jogadas, três golos contra. Todos do meu lado, à minha frente. Do livre directo não percebi porque é que não foi marcada falta sobre o Rafa, no 0-2 fiquei a olhar para o árbitro a ver se marcava falta sobre o defesa, no 0-3 fiquei a olhar para o fiscal de linha à espera de ver o fora de jogo assinalado. E assim, tive que lidar com um surreal 0-3 antes da meia hora de jogo. Ficar a chorar e ensaiar o discurso óbvio de dizer que o circo compensa estava fora de hipótese, portanto comecei a fazer contas de cabeça. Era preciso fazer um golo e reagir depressa aquela tragédia para evitar uma derrota inesperada. O golo apareceu.

 

Ficámos com toda a 2ª parte para fazer 3 golos. Parecia aquelas noites europeias, um jogo de 2ª mão em que era preciso fazer vários golos para seguir em frente e o estádio todo acreditava no milagre.O facto de termos chegado ao empate com mais 20 minutos para consumar a reviravolta deixou-me minimamente satisfeito. Reagimos, fomos à luta, anulámos a desvantagem. Fiquei frustrado por ver que não tivemos forças para mais e não conseguimos fazer um último golo. Não me lembro de ver 6 golos na Luz e não festejar nenhum por estar à espera do 7º para explodir de alegria.

 

Percebem porque é que não quero destes jogos na minha vida? Muita emoção, surpresa, incerteza, muitos golos... Não! Não preciso nada disto em jogos do Benfica. Isso é bom para jogos que estou no sofá a ver de outras Ligas. Aqui só queria vitórias chatas, previsíveis e aborrecidas, sem ponta de emoção.

 

 

 (fotogaleria de João Trindade )

 

Isto foi de todo inesperado, mais um acidente de percurso, espero eu, parecido com aquele primeiro jogo em casa para a Liga. Esta partida final da primeira volta tem que servir de aviso para a metade que falta do campeonato. É verdade que vamos virar na frente mas hoje ficou provado que isto está longe de ser um passeio até ao fim.

 

Quanto à equipa, assinalo a capacidade de recuperação de três golos, estranho a opção de não entrarmos com Mitroglou de inicio e, há que dizer, pareceu-me que Pizzi acusou o cansaço da jornada dupla de Guimarães, não sei se não devia ter descansado na Taça da Liga. Isto são tudo observações de treinador de bancada e após o jogo, diga-se. Quando começou achei que a equipa estava óptima para mais uma vitória, tal como o nosso treinador.

 

Nunca mais me esqueci daquela tarde em que perdemos por 0-3 com o Boavista. Aí nunca acreditei numa reviravolta, hoje, felizmente, nunca acreditei que íamos perder. Tempos diferentes.

O dia de hoje fica marcado pelo almoço que tive antes do jogo com o meu pai que comemorou mais um aniversário. Não precisava de mais factores especiais para recordar o 14 de Janeiro de 2017.

 

Felizmente que este sofrimento inesperado de sábado à noite foi um pouco atenuado porque temos sempre os vizinhos para nos fazer sentir um pouco melhor.

Digerir e reagir é o que se pede, olhando para a frente.

 

 

Vitória de Guimarães 0 - 2 Benfica: Naturalmente, na Final Four

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 Ao ver o jogo de hoje lembrei-me de um livro sobre Bill Shankly e de uma passagem em que ele dizia com piada:

"There are only two sides in Liverpool. Liverpool and Liverpool reserves."

 

Parece-me que é o que se está a passar no futebol português. As duas melhores equipas, pelo menos na Taça CTT, são o Benfica e as "reservas" do Benfica. Este reservas com aspas muito realçadas.

Voltar a Guimarães depois do triunfo para o campeonato e mudar a equipa quase toda, só resistiram Pizzi e André e Nelson, para voltar a fazer uma exibição tranquila, segura com nova vitória é uma proeza que merece todos os elogios. Isto porque os jogadores mudam mas a cara do futebol encarnado é a mesma.

A primeira parte do Benfica foi tudo o que se pedia, marcar e procurar resolver o jogo mesmo sabendo que o empate era suficiente para atingir o objectivo principal. Mas para não se por a jeito, a equipa procurou com toda a seriedade garantir o apuramento e ficar longe de critérios de arbitragem ou dos factores de sorte e azar.

Rafa arranjou um penalti para Pizzi falhar mas depois apareceu Gonçalo Guedes possuído para bisar e colocar o Benfica na desejada Final Four do Algarve. Boas exibições de Zivkovic, a deixar cada vez mais água na boca, Rafa, que tem de marcar golos urgentemente, e Carrillo que procurou entrar na história do jogo com sucesso.

 

Ver o jogo na RTP trouxe uma grande vantagem para nós benfiquistas, pudemos ouvir os nossos adeptos a puxar incansavelmente pela equipa e até deu para ver grandes planos da bancada benfiquista. Estão a ver, Sport Tv ?

 

A postura competitiva do Benfica é impressionante e não é de hoje. É das maiores mais valias do clube nos últimos anos, a motivação com que a equipa do Benfica ataca todas as competições onde entra, seja a Taça da Liga, seja a Liga dos Campeões. Isto é que é à Benfica. Assim fica mais fácil inscrever o nosso nome entre os finalistas e os vencedores das várias provas. É disto que é feito o Glorioso!

 

O valor e a validade do plantel do Benfica é de realçar agora que estamos a meio da temporada. A passagem pela fase de grupos da Taça CTT foi um sucesso só possível por existir um plantel equilibrado. O problema é que o mercado está aberto e muita coisa pode mudar neste mês, mas até aqui já ninguém pode tirar o mérito do caminho feito.

Agora, no Algarve é para ganhar. Como sempre.