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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Pedro Marques Lopes, a Pressão e o Lixo. Aguenta, Pizzi!

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Hoje n'A Bola, o Pedro Marques Lopes cumpre a cartilha e, também ele, menciona a questão dos cartões amarelos ao Pizzi. Nem levo a mal, é pago para isto. Os floreados à volta da questão é que eram desnecessários porque são todos facilmente rebatidos. Mas era preciso encher a coluna e escrever só vejam lá se mostram o raio do amarelo ao Pizzi, era pouco.

 

Tenho para mim que esta conversa dos cartões para o Pizzi encontra semelhanças naquela "polémica" com a data do aniversário do nosso clube. Enquanto o Sport Lisboa e Benfica assinalou, comemorou e festejou o 28 de Fevereiro, anos após ano, até 2003, nunca ninguém levantou nenhum problema. Em 2004, o clube deu natural destaque ao seu centenário e apareceram os experts com os seus dogmas históricos. Os azuis resolveram a questão inventando uma data de nascimento para o século 19, os verdes arranjaram mais uma razão para chorar e berrar. O espelho dos três clubes.
Esta novela à volta do desejado 5º cartão amarelo é a mesma coisa. Durante quase meio campeonato ninguém falou da possibilidade, ou não, do Pizzi ver cartões. Aproxima-se o clássico e, de repente, passou a ser questão nacional. Se durante dezenas de jogos, o Pizzi faz o seu trabalho sem falhar partidas no campeonato, o mérito é seu.

Agora, eu também vi o que foi termos o Pizzi condicionado no jogo dos Barreiros. Com metade desta pressão, Pizzi jogou em bicos de pés e até evitou fazer uma falta numa jogada que podia ter dado golo para o Marítimo. Curiosamente, perdemos esse jogo.

Está explicada a urgência em pressionar o jogador, os adversários e o árbitro para o jogo da Mata Real. O Pizzi tem sido superior a isto mas não é nada bom conviver com esta loucura. É preciso manter a frieza e ser inteligente.

 

Quanto ao resto do artigo do Pedro Marques Lopes, acho que se entusiasmou divagando nas suas fantasias. A história do Jesus afastado das fotografias é só mais uma mentira repetida para passar a ser verdade. Ora então, diga lá em que fotografias o treinador Jorge Jesus foi apagado pelo Sport Lisboa e Benfica. Eu poupo-lhe trabalho, em nenhuma. Para que não fiquem dúvidas, eu esclareci tudo neste artigo: Isto não é uma foto!
De nada, Pedro.

 

Quanto à posição táctica e posicional de Pizzi na equipa do Benfica, nem Luís Filipe Vieira, nem Rui Costa, decidiram onde ele joga. Jorge Jesus tirou proveito de Pizzi, utilizou-o à direita e no meio. Umas vezes melhor, outras pior. Mesmo porque usou outros jogadores nessas posições.

O Pizzi com Jesus fez 31 jogos e marcou por 4 vezes. Depois, chegou Rui Vitória, que até conhecia muito bem Pizzi de outras épocas em que estiveram juntos, e o rendimento foi 47 jogos, 8 golos , na época passada e 42 jogos e 12 golos, só nesta época. Dá para ver bem a diferença e a evolução , certo?

 

Portanto, por estes últimos números percebo bem a necessidade da pressão, o resto do texto é lixo.

Aguenta, Pizzi!

 

 

 

 

O Malandro do Pizzi, o Malandro do Presidente do Vitória SC e a Ausência de Penaltis Contra o Benfica

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 Chegámos aquela fase que eu chamo de carreira de tiro final. Isto é, a recta final do nosso peculiar campeonato. É a altura em que o desespero justifica que vale tudo. Jornais estrategicamente colocados na luta, disfarçados de isenção, calúnias, afirmações incendiárias, polémica, enfim, o verdadeiro vale tudo.

 

Sabemos que estamos nesta fase decisiva quando vemos um jornal diário desportivo, teoricamente isento, a levantar suspeitas sobre os jogos em que o nosso Pizzi não vê cartão amarelo. Assim, à cara podre mesmo.

Depois recupera-se o soundbyte que esteve muito na berra na época passada, por esta altura, claro, que é o facto do Benfica não ter penaltis assinalados contra. Não, não se levanta a questão daquele penalti que ficou por marcar no Bonfim por falta no Carrillo. O problema é a falta de penaltis marcados contra o Benfica.

Aliás, esse árbitro agradou tanto ao país do futebol que está nomeado para nos apitar em Paços de Ferreira!

 

A enorme vantagem do crescimento desportivo do Benfica na última década, é que nos colocou nos centros das decisões de todas as competições de futebol. Algo que se tinha perdido e que chegou a parecer impossível voltar a acontecer.

Fala-se que o Benfica corre atrás do seu Tetra, do seu quarto campeonato seguido conquistado. Mas é bom lembrar que podíamos estar a ambicionar algo bem mais grandioso. É que o Benfica tem estado na luta pelo título sempre até ao fim nos últimos dez anos, umas épocas mais, outras menos. Mas tem sido o objectivo real do clube. A partir de 2009, já lá vão 8 anos, o Benfica tem andado sempre lá em cima. Descontem-se duas épocas de desorientação técnica, e pensemos que podíamos estar neste momento a lutar por um penta. Bastava não ter acontecido aquele empate com o Estoril na Luz, para não voltar a falar do golo do Kelvin.

Isto só trouxe mais maturidade aos jogadores que vão fazendo os plantéis, às equipas técnicas, aos dirigentes e também aos adeptos. Nós já sabemos muito bem o que é viver estas últimas semanas de campeonato, a tal fase do vale tudo. A nós não nos dão nada. Nunca festejamos títulos no sofá como o rival do norte teve. Temos sempre algum clube em cima, nem que seja o Braga! Sim, o Braga lutou até ao último jogo da época em que no Benfica jogavam Cardozo, Aimar, Saviola, Ramires, Coentrão, Javia Garcia, Di Maria e David Luiz!

 

Para não andar muito para trás, recuemos só até a 2016. O Sporting fez o que faz sempre, chateia, insulta, aponta, inventa, reclama, duvida e ameaça. Só que no ano passado estavam a lutar anormalmente pelo título. Uma coisa que lhes acontece de vez em quando. Geralmente, nesta altura preparam a nova época.

Contaram com a abençoada colaboração dos eternos aliados azuis, o clássico no Dragão foi um amigável oferecido ao Sporting na luta desesperada de evitar o título benfiquista. Quando começaram a perceber que o Benfica não ia perder pontos, partiram para ataques jamais vistos em Portugal. Recordo apenas o que fizeram com o menino Renato Sanches. Eu não esqueço o racismo dos verdes no alto do seu desespero. Foi do pior que assisti.

Assim, posso afirmar com tranquilidade que aguardo ataques a ferro e fogo até Maio. Isto do Pizzi é só o começo. Será que este "artigo" não é matéria suficiente para o Benfica fechar as portas das suas instalações ao O Jogo ? Fica a dúvida.

 

Dando o mote para o que aí vem, acho oportuno referir os seguintes factos neste campeonato:

 

Penalties a favor:

Sporting - 7

Porto - 6

Benfica - 4

 

Inferioridade numérica:

Benfica - 50'

Sporting - 26'

Porto - 0'

 

Superioridade numérica:

Porto - 284'

Sporting - 100'

Benfica - 1'

 

Curioso, não?

Mas preparem-se porque o grande escândalo do nosso futebol foi o presidente do Vitória SC ter estado ontem no Seixal a ver um jogo da 2ª divisão com dirigentes do Benfica. Isto sim, uma pouca vergonha.

Além, claro, de não haver penaltis contra o Benfica e do Pizzi não ver cartões amarelos.

Vamos à luta sem medo porque destas batalhas já nós estamos calejados.

 

 

Balanço da "Vergonha" Europeia do Benfica

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 Uma semana depois já podemos fechar as contas europeias das equipas portuguesas nas provas da UEFA em 2016/17.

Uma breve passagem pela imprensa nacional e percebemos logo o que é importante e que conclusões podemos tirar nesta última semana com clubes portugueses em competição.

O Benfica caiu aos pés do Borussia Dortmund sendo a vergonha de Portugal. Uma eliminatória que serviu de pretexto para se abrirem várias frentes de discussão que visam colocar a nu a falta de qualidade do futebol do Benfica, a duvidosa qualidade do plantel e a competência de quem treina a equipa.

Como escrevi na minha crónica de Dortmund, até muitos benfiquistas se sentiram envergonhados com este duelo europeu.

 

Vamos, então, a factos e às contas finais.

Com o desempenho dos clubes portugueses esta época na Liga dos Campeões e na Liga Europa ficamos a saber que brevemente perdemos uma vaga na Champions. Só o campeão nacional tem presença garantida na prova maior, o 2º classificado do campeonato sujeita-se a um playoff e o 3º segue para a Liga Europa.

Para este triste desfecho deve ter contribuído o 4-0 de Dortmund e as pobres exibições contra Nápoles além dos pontos conquistados contra Dinamo de Kiev e Besiktas.

A carreira europeia do Benfica boicotou o excelente contributo de equipas como o Sporting que somou pontos muito valiosos das soberbas exibições contra Real Madrid e Borussia Dortmund. Pontos tão importantes como a superioridade teórica sobre o Legia e aquela ausência leonina da Liga Europa.

Também o Braga esteve impecável nos seus contributos europeus.

Portanto, devemos culpar o Rio Ave e o Arouca pelas saída prematuras, e Benfica e Porto por não terem ganho a Liga dos Campeões.

Para que fique registado, só nestas últimas duas épocas, o Benfica fez 39 pontos em 18 jogos. Coisa pouca comparando com os 29,5 do Porto e os extraordinarios 14 do Sporting!
Portanto, aqui a culpa também é do Benfica.

 

Posto isto, vamos à comparação de reacções com os diferentes desfechos na Champions League.

A saída do Benfica, já se sabe, foi um desastre. Já a do Porto foi incrivelmente digna. Conseguiram só perder por 1-0 em Turim. Ena, quanta dignidade.

O Porto esteve quanto tempo por cima da eliminatória com a Juventus? Ah, não esteve.

E esteve dentro da discussão da eliminatória quanto tempo? Foi só até os italianos fazerem dois golos no Dragão na primeira mão.

O Buffon sofreu imenso neste duplo confronto. Até ponderou pagar a taxa turística no Porto pelo passeio.

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Então, o Porto é afastado num total de 3 golos negativos de diferença, certo? Em dois jogos dos 1/8 de final da Champions somou aproximadamente zero euros de prémios da UEFA.

Ah! Mas jogou quase sempre em inferioridade numérica por expulsões dos seus jogadores. No Dragão o comentador Freitas Lobo achou a expulsão  uma injustiça e no jogo de Turim Bruno Prata não percebeu bem porque é que o Casillas não pode ser substituído por um defesa direito.
Eu entendo, afinal o Porto tem feito todo um campeonato nacional em que a maior parte dos jogos acaba em superioridade numérica, é um conceito que na Europa os deixou baralhados.

 

Já o vergonhoso Benfica atreveu-se a ganhar um jogo que lhe valeu somar 1 milhão e meio de euros. O Benfica esteve mais de meia eliminatória em vantagem e mais de jogo e meio contra o Dortmund na luta pela passagem aos 1/4 de final. Depois, dois golos seguidos deram vantagem aos alemães que acabaram por seguir com naturalidade. Mas, repito, foi mais de jogo e meio com o resultado nivelado.

Perdeu-se dentro de campo mas nas bancadas os adeptos do Benfica golearam. Está bem mas o que isso interessa? Nada. Os outros também deram show e são falados na imprensa.

Ainda ontem se ouviu os adeptos portistas em Turim a apoiar a sua equipa. Como? Saltando e cantando alegremente ao som de "E quem não salta é lampião". Que brilhante apoio à equipa, como referiu um dos narradores que acompanhava a emissão na televisão. Hoje nos jornais também se pode ler que os adeptos azuis atacaram a sede da claque da Juventus. Bem digno. E no pouco que ouvi do relato na Antena 1 falava-se do lançamento de petardos para a bancada dos italianos.

Ora bem, isto comparado com aqueles cânticos de "Benfica, o amor da minha vida" ou "Amo o Benfica", mostra a diferença de cultura dos dois clubes. Por mim, estou bem assim.

 

Finalmente, temos notáveis adeptos do actual campeão europeu de clubes, o Sporting. Título ganho pela enorme exibição de 88 minutos, em espanhol já sabem como se diz, da equipa em Madrid.

Do alto da sua moralidade europeia, riem-se de uma eliminação nos 1/8 de final da Champions. Do alto da sua enorme experiência europeia qualificam uma derrota na Alemanha com gozo. Do alto da sua sabedoria, fazem piadas por se ser eliminado com o Borussia Dortmund.

Logo eles que este ano tiveram oportunidade de mostrar ao mundo como é que se ganha aos amarelos. Quer dizer, perderam as duas vezes mas jogaram muito melhor, claro. Num dos jogos nem levaram com o Aubameyang e apanharam o auge de lesões de Tuchel, não fizeram um pontinho mas foram muito melhores, como é apanágio deles.

O Benfica ainda lhes ganhou um joguinho mas não chega para disfarçar a vergonha que é.

Os adeptos verdes que gozam de um estatuto único na europa do futebol, estão em pré época desde o natal e aproveitam para brincar às eleições, ao melhor marcador e preparam com o afinco habitual a nova época, acham que devem apontar o dedo a quem envergonha o futebol português:

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Ok, quero pedir desculpa ao Doutor e a todos os outros que se sentem assim. Se não fossem os pontos daquela Taça das Taças o Benfica nem à Europa ia, eu sei.

 

Por tudo o que argumento aqui, desejo mais do que nunca que o Benfica entre na tal liga europeia de clubes rapidamente. Estou farto de ser de um clube que envergonha o meu país.
É deixá-los a jogar uns contra os outros e nós vamos à nossa vida. É que o Porto na época passada caiu com o mesmo Borussia que, entranto, ganhou dois jogos ao Sporting. E há pouco tempo a Juventus caiu em casa a um jogo da sua final europeia caseira contra um clube português que acabou a jogar com 9 em Turim.

 

Benfica 4 - 0 Belenenses: Resposta à Campeão

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Perdoem-me os benfiquistas que vêm aqui logo em busca de umas linhas sobre o jogo do Benfica porque hoje vou ter de começar pelo adversário. Nunca consegui detestar o Belenenses. Mesmo que ao longo da vida tenha aprendido que eles odeiam o Benfica, mesmo percebendo a rivalidade que alguns amigos sentem com os azuis do Restelo por serem de Alcântara e estarem mais ligados ao Atlético da Tapadinha, por exemplo.

Não tenho nenhuma ligação real ao Belém mas houve na minha formação de adepto pontos interessantes que me fizeram gostar do Belenenses. O pai da minha mãe, o meu avô, viveu numa moradia, que ainda existe, na Av. Ilha da Madeira situada do lado direito antes de chegar ao estádio para quem desce em direcção ao rio. Logo aqui ficou uma curiosidade pelo clube porque passava ali algum tempo e o futebol já era a minha paixão maior. Vi lá jogos incríveis de noites europeias como o Bayer, que caiu, ou o Barcelona, que ia caindo.

Depois, tenho um tio que gosta do Belenenses, e o falecido padrasto da minha mãe também era todo "pastel". Ouvi boas histórias dos tempos do Matateu, do jogo com o Vasco da Gama, entre outras.

Finalmente, um senhor que todos os que frequentavam a pastelaria Califa, em Benfica, desde os anos 80, como eu, deviam conhecer. O Sr. Costa, um cavalheiro à moda antiga, sempre atrás do balcão pronto a atender e a dar uma palavra simpática. Um enorme belenense com quem passei horas da minha vida à conversa. Enquanto vivi ali bem perto do Califa era raro o dia que não ia meter a conversa em dia com o Sr. Costa.

Hoje, dia de clássico, recebi um triste SMS da minha mãe a dar conta que a pastelaria estava fechava porque o Sr. Costa faleceu. Duvido que alguém que o conheça leia estas humildes linhas mas , de qualquer maneira, quero deixar aqui a minha singela homenagem a um senhor que tanto me aturou, que tanto me falou da sua paixão, o Belenenses. Que descanse em paz.

 

Posto isto, estranho que a bancada dos visitantes tenha levado tão pouca gente de um clube que é de Lisboa. Não bate certo a militância azul com a qualidade do campeonato que a equipa está a fazer.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

E deu para ver essa qualidade em campo, a equipa de Quim Machado procurou sempre equilibrar o jogo e um resultado positivo. Basta recordar que aquele tiro de Miguel Rosa ao poste podia ter empatado o jogo.

Por falar no ex-jogador do Benfica. Quando não joga um derby é uma vergonha porque não quer defrontar a sua equipa de formação ou não o deixam. Quando joga, é uma vergonha porque esteve infeliz num golo de André Almeida. Decidam-se!

 

O Benfica tinha de responder ao mau resultado europeu e também ao triunfo do Porto para voltar a liderar o campeonato. Surpreendentemente foi a jogo sem Nelson, lesionado, e com Almeida no seu lugar. Correu bem já que o André foi considerado o melhor em campo.

Aliás, o jogo correu muito bem. De forma prática até podemos dizer que o Benfica jogou à Dortmund, depois de sofrer um aperto com 1-0 no marcador, reagiu e rapidamente chegou ao 3-0 que matou o adversário.

Boas notícias no golo de Salvio, na exibição de Jonas, no regresso de Mitroglou à lista de marcadores, e em Ederson imbatível em mais uma partida da Liga.

O regresso de André Horta à competição também é factor positivo, já havia saudades daqueles festejos como se viu no 4-0 que fechou o jogo.

Um resultado óptimo no regresso à prova que é a principal preocupação do Benfica até ao final da época.

Saborear esta vitória e começar a pensar no difícil jogo na Mata Real. Até ao fim vai ser sempre assim, preocupação e concentração total no próximo desafio.

 

PS: com tantas preocupações com equipamentos alternativos e cores descabidas, como é que em 2017 um jogo da primeira Liga começa com a equipa de arbitragem vestida com cores semelhantes à da equipa visitante?! E quando mudaram ao intervalo, escolheram a mesma cor do equipamento do guarda redes do Benfica. Lamentável.

 

 

Sim, Já Estivemos Assim. E Nem Foi Assim Há Tanto Tempo...

Desde já peço desculpa pelo teor violento do post mas é preciso dar cor, nomes, imagens e vídeos aos tempos que parecem da pré história mas que aconteceram nos últimos 20 anos.

Talvez seja egoísmo meu mas, mesmo assim, quero partilhar com os leitores mais novos ou mais esquecidos o que vivi quando acreditava que era impossível perder com o Belenenses em casa.

Que me lembre, na minha vida de estádio da Luz nunca tinha visto o Benfica perder um derby para o Belém entre o final dos anos 70 e 1997. Aconteceu em 1997 a derrota perante um cenário já desolador, éramos muitos poucos a ir à Luz e o Benfica andava a atravessar o seu Vietname, como diz o Pedro Ribeiro.

Mas prefiro até começar por algo ainda mais recente. Numa tarde de primavera do ano 2000, com o estádio bem mais composto, assisti ao Benfica de Poborsky, João Pinto e Nuno Gomes a perder contra o Belenenses. Era a segunda vez em 3 anos!

Deixo as equipas e o resumo do jogo para que se sinta que nunca devemos dar nada como garantido. Custou muito viver esta década e, por isso, gosto mais de relembrar estes momentos do que grandes vitórias. Não quero voltar a viver isto.

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  Sobre o jogo de 1997, olhem para a equipa do Benfica e vejam que mesmo com Preud'Homme e Valdo, ídolos indiscutíveis do clube, não dava para evitar uma derrota em plena Luz com um Belenenses orientado por Vítor Manuel. Mais abaixo está o jogo completo, vejam como era desolador o estádio antigo vazio. Doeu viver isto mas nem foi assim há tanto tempo...

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Segunda feira há novo capítulo no derby lisboeta, o resultado mais vezes registado é a vitória do Benfica. Só queremos que aconteça normalidade. A bem dita normalidade.

5 Boas Razões Para Encher a Luz no Derby com o Belenenses

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- Estamos na fase decisiva do campeonato e todo o apoio é preciso para a equipa não vacilar nesta recta final. E este até é um derby com imensa história no futebol português. Bom cartaz.

 

- O Estádio da Luz tem capacidade para 65 mil adeptos. Porque é que nos devemos contentar com a presença de cerca de 50 mil? Onde estão os mais de 10 mil que faltam para esgotar o nosso estádio? Não é tão bonito ver recintos, como o do Dortmund, por exemplo, sem cadeiras vazias na televisão? Então porque é que não podemos ter a Catedral também assim?

 

- O jogo é numa 2ª feira. Sim, retira a muitos benfiquistas a oportunidade de estarem presentas. Mas sobram muitos milhares de adeptos que vivem na Grande Lisboa e que a partir das 19h estão disponíveis para ir ao Estádio. Pensem assim, é muito melhor estar na nossa casa do que no sofá correndo o perigo do comando da televisão nos levar a um daqueles programas sobre futebol das 2ªs feiras à noite. Sobre futebol, que é como quem diz, sobre barulho. A bola vê-se bem é na bancada.

 

- Vejam lá quantos jogos faltam para terminar a época. Pois é, mais meia dúzia de partidas e acabou-se o futebol na Luz até à próxima época. Depois, levam o verão todo a dizer que têm saudades de ir ao estádio. Vão agora!

 

- Sabem quantos benfiquistas espalhados pelo mundo sofrem todos os dias em que há jogo na Luz e eles não podem estar lá presentes? Como se explica uma cadeira vazia a estes companheiros a sofrerem ao longe? Vamos por eles, também.

Borussia Dortmund 4 - 0 Benfica: Crónica de uma Viagem a Dortmund

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 Para eles será sempre a noite de Aubameyang, para nós será sempre a noite dos adeptos do Benfica no Westfalenstadion.
A esta hora já todos os leitores viram os vídeos que captaram os cânticos dos benfiquistas que deixaram os alemães rendidos. Foi um momento de inspiração, não foi exibicionismo porque ao intervalo não há jogadores em campo, não há televisões em directo, só há adeptos no estádio.

Quem se emociona a ver os vídeos não consegue imaginar o que foi viver aquilo ao vivo. Mas já volto a este momento.

 

Como tudo começa

 

Muita gente, conhecida ou não, contacta-me das mais variadas maneiras perguntando como é que é a melhor maneira para ir ver o Benfica no estrangeiro. Meus amigos, estamos em 2017 portanto permitam-me que diga que o que é mesmo preciso é muita força de vontade. Havendo essa vontade e sentindo que não podemos ficar de fora desse momento único que é estar nas bancadas de um estádio mítico a apoiar o nosso clube, meio trabalho está feito. O resto é capacidade de sacrifício, poder financeiro e sentido de organização. Há hipóteses para todos.

Pessoalmente, não tenho um plano definitivo. Em Liverpool, há 11 anos, investi bastante dinheiro para poder ir e vir no mesmo e não ter de faltar mais de 8 horas no trabalho. Mas também já fui para Faro apanhar um avião para Birmingham e depois seguir para Londres, assim como já segui de carro para o Porto onde dormi umas horas para depois ir de avião para Eindhoven, ou ir de avião para o Porto e seguir no dia seguinte para Munique, ou fazer Lisboa - Madrid - Bruxelas de avião, alugar uma carrinha e seguir por estrada até Amesterdão.

Enfim, dou todos estes exemplos para se perceber que há opções para todos os gostos. A comodidade e o conforto pagam-se, quem pode pagar avança das formas mais simples e óbvias, quem não pode tem que se fazer à vida. Claro que dormir em aeroportos, stressar com ligações que chegam a parecer perdidas, lidar com imprevistos, torna tudo mais emocionante e desesperante. Óbvio, que quando contamos o que passamos e fazemos só para estar 90 minutos ao lado da nossa equipa, há muita gente que não entende mas para nós faz todo o sentido. Sendo que todos os que sentimos isto da mesma maneira temos tendência para nos aproximar-mos, para nos ajudarmos e assim nascem companheirismos e amizades que ficam para a vida, apenas e só baseado em algo abstracto chamado benfiquismo.

Por isso, o conselho que dou é que quando tiverem muita vontade de estar com a equipa do vosso coração seja onde for, juntem-se a quem já esteja mais habituado. Mas comecem o trabalho ainda antes do sorteio, prevejam cenários e definam os vossos orçamentos para a aventura. Se for grande sigam directos da maneira mais rápida, ninguém vos pode levar a mal. Se não podem gastar o que não têm, há um mundo de alternativas mais fáceis do que parece.

Só para finalizar este primeiro capítulo, desta vez, assim que soube que o Benfica ia ao Westfalenstadion avisei uns amigos que já estavam com o dedo no gatilho para contarem comigo. Voo na véspera do jogo, com regresso marcado para o dia seguinte, pela TAP de Lisboa para Dusseldorf, casa alugada via Airbnb, viagem de comboio Dusseldorf - Dortmund - Dusseldorf para o dia de jogo e bilhete de jogo comprado. Tudo tratado via chat de facebook entre uma dezena de benfiquistas. Tudo correu bem, tudo bateu certo. É muito simples quando a vontade é maior que hesitação.

Isto tudo, claro, partindo do principio que estamos no universo dos benfiquistas disponíveis para uma aventura destas. Para não virem já os que não podem por razões profissionais, familiares, de saúde, financeiras e afins. Como é evidente.

Eu cruzei-me nestes dias com amigos de longa data e desconhecidos que chegaram ao jogo vindos dos pontos mais incríveis do mundo. Seis canadianos foram para Dusseldorf sem bilhete de jogo. Só para dar um exemplo. E também posso falar aqui de quem venceu todas as contrariedades e foi sempre arranjando soluções entre TGV's e carrinhas até chegar ao destino.

 

 

 

Que tal é Dusseldorf?

 

À hora que escrevo esta crónica sabe-se que o dia seguinte ao jogo de Dortmund fica marcado por um ataque assustador na estação central de comboios de Dusseldorf. Só por isto, apetece-me dizer que a cidade não merece este mediatismo por estas razões.

Dusseldorf é uma cidade simpática quando vivida na parte mais perto do rio Reno. A zona de Altstadt é bonita. Fiquei a saber que a Volta à França vai partir de uma praça daquele bairro e já tem publicidade ao evento. A oferta gastronómica é boa e basta seguir as indicações do Trip Advisor para se encontrar um local simpático para degustar um clássico joelho de porco com cerveja.

À noite também se encontra boa oferta de restaurantes, bons bares irlandeses sempre com muita atenção para o futebol. Em noite de Liga dos Campeões podíamos seguir os jogos em qualquer lado.

Nota-se que é uma cidade habitada por gente com poder de compra, basta reparar nas lojas de marcas fortes no centro da cidade. Ou seja, vale uma visita, sim senhor.

 

E a cidade de Dortmund? O Museu do Futebol.

 

Não querendo ser injusto, devo dizer que fui influenciado pelas opiniões de quem já lá tinha estado. Todas as indicações apontavam para não passar lá muito tempo porque não era uma cidade atraente, nem de dia, nem de noite. Daí a opção de teremos dormido as duas noites em Dusseldorf.

O clima não ajudou nada. Um dia cinzento, sempre a chover e com um frio desagradável.

O plano era simples. Sair na estação central de comboio de Dortmund, atravessar a rua, literalmente, e visitar uma loja do Borussia. Deu para comprar o cachecol do jogo e ver a excelente oferta que há para os adeptos do clube amarelo. Depois, andar uns metros e entrar no Museu do Futebol. Os 17€ que pedem à entrada podem desmotivar alguns mas eu ia determinado a encontrar-me com a minha história de adepto.

Quem costuma acompanhar as minhas prosas sabe da minha admiração pelo futebol alemão, a minha simpatia pelo Hamburgo e pela Selecção da Alemanha.

Podem imaginar a emoção que senti quando fiquei a centímetros da camisola 6 de Buchwald. Entre mim e o camisola mais linda de sempre em competições de Selecções estava apenas um vidro a separar-nos. Para animar, mesmo ao lado estava a azul de um tal de Maradona, a relembrar o grande duelo daquela final de Roma de 1990. Nunca tinha estado tão perto de um futebol que me marcou para sempre.

Senti o mesmo arrepio quando estive à mesma distância das camisolas do Hamburgo, claro, do Borussia Mönchengladbach, um clube respeitadíssimo na Alemanha, do Colónia ou da mítica 18 do Klinsmann, meu ídolo de juventude, do Bayern.

Há muito para ver, tudo sobre a selecção campeã do mundo, muitas curiosidades. É uma visita que recomendo a quem apreciar o futebol da Bundesliga. Gostei, foi uma óptima maneira de passar o tempo até ao almoço.

Aí valeu de novo o Trip Advisor. Fomos parar a um restaurante de decoração incrivelmente clássica, com pratos locais e boa cerveja. Já se sabe que almoço em dia de jogo do Benfica no estrangeiro é coisa para durar horas.  Histórias desta época e recordações de outros tempos. Gerações mais novas a ouvirem, aprenderem e, também, a ensinarem. Gente que vai ao Estádio da Luz e benfiquistas que vieram da Holanda. Realidades diferentes, mundos distantes, apenas unidos por um simples fio, o Benfica. Um restaurante em Dortmund que por algumas horas parecia uma casa portuguesa com mesas cheias de benfiquistas vindos sei lá eu de onde. Um aceno, um sorriso, um "vamos a eles", unem o universo benfiquista que parece estar todo ali naquela zona da Alemanha.

Depois umas cervejas bebidas no centro da cidade, algumas num bar de adeptos do Borussia nada incomodados com a invasão vermelha, diga-se, mas com pouco ambiente nas ruas devido à chuva e frio.

A ida para o estádio é muito fácil, tal como já tinha sido em Munique. Transportes eficientes, saída mesmo no estádio, tudo bem organizado sem margem para erros. É a Alemanha.

 

 

 

O Westfalenstadion

 

Sim, eu reparei numa tarja que os adeptos do Borussia mostraram a recordar que ali é o Westfalenstadion, apesar do naming obrigar a chamá-lo de Signal Iduna Park. É o estádio com maior capacidade na Alemanha, mais de 80 mil pessoas devido aos lugares em pé. Em noites europeias baixa para 65 mil por causa da UEFA.
A grande atracção é a bancada, chamada muro amarelo, por trás da baliza .

Mas o encanto começa cá fora. É uma zona de parque, acessos pedonais amplos, muitos pontos de venda de comida, bebida e artigos do Borussia. Há uma imagem incrivelmente romântica e forte que é observar a fachada da bancada central do estádio paralela ao recinto antigo do clube. O passado e a modernidade lado a lado. Lindíssimo cartão de visita para quem vê numa espécie de beer garden.

Adeptos da casa simpáticos e tolerantes, ambiente descontraído. Entrada fácil e acesso à nossa bancada sem problemas.

Primeiro impacto com o estádio vazio. Aquilo é maior do que parece na televisão. Não é só o muro. É tudo.

Muitos adeptos nossos queixaram-se do ambiente, esperava-se mais. Eu não consigo concordar. Só não ouvi o muro a cantar porque o sector do Benfica teve uma noite de sonho. Não se ouvia nada mais a não ser Benfica.

Porque eu vi e ouvi o que esperava dali. Antes das equipas entrarem, escutei, e até cantei para dentro, o You'll Never Walk Alone em versão alemã. É bonito mas não chega ao epicismo de Anfield Road. De qualquer maneira, foi respeitado pela nossa bancada que até aplaudiu no fim. Era o mote para uma noite memorável.

A coreografia não desiludiu. Uma original alusão à goleada do Borussia em 1963. Se ainda se lembram e até levaram jogadores dessa época ao relvado para os homenagear só engrandece o Benfica, eles sabem que foi uma proeza incrível bater o Glorioso dos anos 60. Gostei de ver.

Depois, a partir do começo do jogo não deu para perceber mais nada porque o os 3 ou 4 mil, não sei ao certo, que estavam no sector visitante resolveram dar um show vocal como nunca tinha visto. Pelo menos, com aquele intensidade e durabilidade.

Mas o estádio tem ambiente, estava esgotado e aqueles adeptos têm cultura de futebol.

 

 

 

O respeito do Borussia merece ser eternamente reconhecido

 

O jogo começou e o apoio ao Benfica disparou para níveis altos. Não sei o que se cantava no muro amarelo porque os nossos cânticos faziam eco! O 1-0 veio muito cedo e o Westfalenstadion explodiu, mais de alivio do que de euforia. A eliminatória estava empatada e poderia esmorecer o apoio vermelho e branco.

Mas aquilo só serviu para motivar ainda mais a mancha vermelha. Os golos ali são assinalados nas colunas com a passagem do "Go West" dos Pet Shop Boys. Pois bem, o pessoal aproveitou e imprimiu a sua força roubando o cântico e começando a cantar "Allez, Força Benfica, Allez", sem parar. Mas sem parar mesmo.

A equipa correspondeu e equilibrou o jogo. Passámos a discutir a posse de bola, soltámos os artistas. Salvio andava a fintar amarelos no meio campo, Nelson subia com perigo, Cervi pedia bolas em velocidade. Finalmente, o Benfica discutia o apuramento cara a cara.

Tal como em Munique no ano passado, o golo cedo só veio dar força à nossa equipa para subir no terreno e mostrar os seus argumentos.

A bancada sentiu o crescimento dos jogadores, os adeptos sentiram que todo os esforços feitos para ali estar naquela noite faziam sentido e expressavam-se a uma só voz com uma força que entrava nos ouvidos de quem lá longe acompanhava o jogo, via televisão, internet ou rádio.

Quando se chega ao intervalo com 1-0 significa que após um jogo e meio estávamos empatados na discussão de um apuramento na Champions League com o colosso de Dortmund.

Quando o apito soou para o intervalo cantava-se a versão "Lisboa Menina e Moça" adaptada pelo Topo Sul que termina com um forte "O Amor da Minha Vida".

Os jogadores saíram ao som disto. Os adeptos no resto do estádio preparavam-se para um intervalo normal. Só que o sector visitante num momento de inspiração benfiquista, numa espontaneidade sem igual e numa demonstração de benfiquismo puro e descontrolado não parou de cantar "Benfica, o Amor da Minha Vida" em loop. O tal momento que tem sido divulgado em vídeos.

O que esses vídeos não mostram é o espanto dos alemães a olhar, a fotografar, a filmar e a aplaudir aquela dezena mágica de minutos.

O que esses vídeos não explicam é a vontade incontrolável que eu tive de fechar os olhos enquanto gritava a plenos pulmões: Benfica, o Amor da Minha Vida. Olhos que quando se abriam estavam húmidos de tanta emoção de fazer parte daquele momento.

O que esses vídeos não captam é o que cada um de nós observou. Olhei para trás e vi uma menina, tinha uns 15 anos, de braços no ar, olhos brilhantes a olhar para o céu enquanto gritava Benfica, e de mão a bater no peito do lado do coração quando chegava a parte do Amor da Minha Vida.

Isto explica-se? Não. Sente-se.

Cinco minutos já me lavava a alma. Mais de dez, marca-me para sempre. Ao nível do que vivi há 11 anos em Anfield Road.

E há ingénuos que pensam que aquilo vem por causa de uma alucinação colectiva. Uma bebedeira geral. Pensam que é tudo por causa de um jogo, de 90 minutos na Champions, pela possibilidade de apuramento. Nada disso. Estão enganados. O Benfica é muito mais que um jogo. É muito mais que uma vitória inesperada ou uma derrota mais pesada. É muito mais que uma eliminatória. O Benfica também é muito maior do que aquilo que cabe em estádios como o do Feirense. Por isso, os benfiquistas quando sentem que o Benfica está no local certo, na hora certa, no estádio certo com o mundo todo a ouvir, manifestam-se assim.

O Benfica é o amor da nossa vida e nós cantamos desta maneira não pelo presente, não pelo imediato, mas sim pelo futuro. Por sentirmos que temos o Benfica de volta. Aquele Benfica que anda sempre na alta roda europeia. Que nos faz sonhar mesmo nos estádios mais míticos do mundo. Nós cantamos assim porque temos memória. Temos bem presentes na memória os grandes feitos que já vivemos, conhecemos bem a Glória conquistada nos anos 60 mas também não nos esquecemos nunca da sensação de impotência de não termos futebol para um HJK na Luz, de cair aos pés de um Halmstadt ou , pior, nem participar nestas noites.

Nós temos muita memória e muito benfiquismo, sabemos contextualizar um jogo como este em Dortmund. Isto não são só mais 90 minutos. Por isso cantamos assim. Agora, o muro e as muralhas amarelas à volta, ficaram a saber o que é a força do Benfica.

E sabem porque é que tudo isto foi possível?
Porque aconteceu num local onde o futebol é sagrado. Onde o respeito pelos adeptos é uma lei omnipresente.

Os responsáveis do Borussia ao assistirem aquela manifestação única e apaixonante dos adeptos visitantes optaram por não interromper. Não meteram música, não falaram, não estragaram. E estavam na sua casa, ninguém lhes levava a mal. Estiveram 10 minutos em silêncio como se não houvesse instalação sonora e speaker no relvado. E quando tiveram que abrir as colunas tiveram o cuidado de deixar as da nossa bancada em silêncio.

No final do jogo a mesma coisa. Os adeptos do Benfica assistiram ao festejo da equipa com o muro amarelo e aplaudiram em sinal de respeito. A equipa do Borussia deu uma volta ao campo para se despedir dos seus adeptos e ao passar no nosso canto, que não parava de cantar Eu Amo o Benfica, olharam cá para cima e chegaram a aplaudir! Ao nosso lado, no topo e na central, vi adeptos de camisolas amarelas a sorrir e a aplaudir. No metro fomos elogiados e cumprimentados com respeito e admiração.

Isto também faz um clube ser grande. O nosso e o deles.

 

O Jogo

 

Todos sabíamos ao que íamos, certo?

Vimos a maneira como ganhámos na Luz onde o Borussia mostrou um poder ofensivo impressionante e uma ideia de jogo atraente. Precisávamos de mais uma noite feliz para dar tudo certo.

Depois daquela derrota em Lisboa, o Borussia goleou por 3-0 duas vezes, e despachou com um 6-2 o Bayer. Não estamos a falar de uma equipa qualquer, é um dos modelos de jogo mais fascinantes do futebol actual.

O futebol é engraçado, o Aubameyang deve ter tido uma das noites mais infelizes da sua carreira na Luz. Em casa só precisou de 4 minutos para fazer um golo. Como é que se lidava com aquele desbloqueador tão rápido?

O Benfica respondeu bem. Equilibrou o jogo até ao intervalo.

O futebol pode ser muito cruel. Quando me perguntam qual é o auge de emoção na tua vida, eu invento qualquer coisa para não dizer: são aqueles décimos de segundo quando estou a olhar para um jogador do Benfica que se prepara para fazer golo. Sentir aquela adrenalina descontrolada no momento em que a bola vai parar aos pés de Cervi, ali bem no meio da área amarela, mesmo à nossa frente, parece que a vida pára e tudo acontece em fragmentos mais lentos que a câmara lenta da tv. Em tão curto espaço de tempo eu consigo ver onde é que o Cervi tem de meter a bola, consigo imaginar a melhor maneira de rematar, já estou a ver a bola a entrar naquelas redes pretas e amarelas. Tudo em 2 ou 3 segundos. É esta a magia de vivermos para estas emoções. Só que o remate do argentino é bloqueado por um muro. Parece que a outra bancada entrou dentro de campo e tapou a baliza do Burki. Se aquela bola entra estou convencido que estávamos a falar de uma noite mais do que épica, bíblica!

Não entrou.

O Borussia sentiu a ameaça, esteve perto de ficar atrapalhado na eliminatória. A resposta foi esmagadora. Em três minutos acabaram com a questão. E só assim podiam mesmo resolver o duelo.

O 2-0 nem tem grande impacto porque continuavamos a ter de marcar um golo para seguir em frente e isso permanecia possível. Mas o 3-0 logo a seguir, e a bater um Ederson que tinha estado em modo Galrinho Bento, abateu todas as possibilidades.

Com 3-0 o assunto estava encerrado. Mas o benfiquismo no sector visitante estava mais vivo que nunca. Não havia problema sermos afastados pelo Borussia. Fizemos o que pudemos, lutámos e sonhámos com aquele remate do Cervi. Acabou por prevalecer a lógica e a equipa com maiores craques, sem desrespeito para nenhum dos nossos, ganhou. O Aubameyang não tem duas noites horríveis. Ontem levou a bola de jogo e do seu hat tirck para casa. Geralmente, no futebol, ganham as equipas onde jogam os "Aubameyang's".

O resultado ficou em 4-0 mas ninguém naquela bancada se sentiu envergonhado. Vimos como foi construído, discutimos isto durante mais de partida e meia. Ganhámos em casa, perdemos fora. Paciência.

A sensação não é boa mas depois pensamos nos adeptos do milionário PSG e até dá vontade de sorrir. Ou da tareia que o Arsenal levou do Bayern, ou do triste fim das fanáticas gentes do San Paolo. É a Champions.

Em Setembro há mais e nós lá estaremos para mais histórias.

 

 

Um Enervante Rescaldo

 

Esta é a parte mais pessoal da crónica.

A seguir à dramática derrota de Amesterdão com o Chelsea tive tempo de sobra na viagem de regresso para ver as redes sociais que frequento. Fiquei de tal maneira revoltado com a absurda alegria de pessoas que gostam mais que o Benfica perca do que das vitórias dos seus clubes que dei por mim a eliminar dezenas e dezenas de "amigos". Foi libertador e fiquei com timelines muito mais dignas. Hoje em dia mantenho alguns amigos adeptos de outros clubes. São amigos que respeitam e merecem o meu respeito.

Isto só foi possível porque percebi que no Benfica não precisamos de lidar com o ódio. Nós estamos sempre mais perto de arrancar momentos mágicos como estes que aqui falei porque os nossos cânticos são TODOS pró Benfica. Não se canta uma única vez num jogo de Champions algo contra lagartos ou tripeiros como ouvimos constantemente nos momentos de alegria deles. Nem em jogos de Champions nem em nenhum. Felizmente, é uma cultura de estádio 100% pelo Benfica que foi adoptada por todos os adeptos.

Também não precisamos do sarcasmo, ironia ou humor de terceiros. É que para nos rirmos nas nossas desgraçadas temos também os melhores. Quem tem a rapaziada do Azar do Kralj, do Cota do Bigode, do Boloposte ou Insónias de Carvão, não precisa de mais nada. Nós lidamos bem com as piadas sobre os nossos dramas.

Eu não conheço outro clube onde isto aconteça, ou seja, as melhores piadas virem de dentro. É que isto vacina-nos para o que vem de fora. Também aí são mais fracos que nós. Não é uma opinião, é constatar um facto.

 

Bem, mas onde eu quero chegar é a algo mais pessoal e aborrecido. Depois daquela lavagem que referi no pós final de Amesterdão, dei por mim ontem à noite a remover "amizades" e "follows" a uma velocidade alucinante. Mas só a gente benfiquista.

Desculpem mas a minha tolerância para a parvoíce acabou. Continuem lá nos vossos dramas, na vossa realidade paralela mas longe do meu olhar. Não estou para sair de alma cheia de um estádio como o do Dortmund e levar com comentários do tipo: que vergonha não jogaram nada.

Aliás, isto serve para a nossa imprensa. Não toquei num único jornal português desde que voltei. Olhei para as capas e desisti.

Não perceber a diferença de valor individual e colectivo entre Benfica e Borussia é preocupante.

Mas exigir ao Benfica que passe pelo Dortmund como se estivesse a jogar com o Arouca, só porque também são amarelos, é parvo. Comentar que os jogadores são uns tristes e ignorar que estivemos dentro do sonho mais de meia partida é desonestidade intelectual.

Reagir desta maneira severa após um duelo desta intensidade é, em última análise, uma prova que, se calhar, torcem pelo clube errado.

Cada vez tenho mais a impressão que a grande maioria de benfiquistas, aquela dos milhões do Guiness, aquela que invade o Marquês, aquela que pode ser sócia mas não quer, aquela que pode ir ao estádio mas não vai, aquela que pode apoiar mas prefere assobiar, só é do Benfica porque quer estar ligada, de alguma maneira, a um clube ganhador. Portanto, o Benfica ganha 49 jogos seguidos mas quando perde um é o fim do mundo. O Benfica chega aos 1/8 de final da Champions, mas é pouco. Tem que ir às meias finais, no mínimo.
O Benfica ganha ao Borussia em casa mas não serve porque jogou muito mal, porque foi o 1-0 que envergonha a maioria benfiquista que se manifesta nas redes sociais.

Realmente, voltou a ser muito fácil ser do Benfica.

Eu não consigo ser assim, e agora também já não consigo tolerar isso. Estou a ficar velho e resmungão, eu sei. Mas cada vez que me lembro que estive na Luz a ver jogos de competições oficiais com mais 2 mil benfiquistas num estádio que chegou a levar mais de 120 mil... Desculpem, mas quando falo disto com alguém que me responde que também lá estava, chego à conclusão que devo conhecer todos os que iam nessa altura miserável aos jogos. Ou então, éramos mesmo poucos e hoje vive-se o milagre da multiplicação.

Não sou nem mais nem menos que ninguém, mas já não me apetece conviver com falsos exigentes e residentes de um mundo perfeito que não existe.

Meus amigos, o Benfica não vai ganhar sempre todos os jogos. Mas enquanto tiver uma massa adepta como a que tem actualmente nos estádios, vai estar sempre muito mais perto de ganhar do que perder. Isto devia chegar para se encherem de orgulho, para aprenderem alguma coisa em vez de quererem que o Benfica seja o vosso super homem particular e vos levarem às festas e a fazerem boas piadas nas redes sociais contra os vossos rivais.

Que os tristes de verde façam piadas no ano em que o Legia foi à Liga Europa e eles ficaram no sofá é digno da alarvidade odiosa em que vivem. Que benfiquistas se sintam envergonhados e revoltados com uma noite destas, é porque não percebem o que é o Benfica.

Para começar, esgotem o nosso estádio em qualquer jogo da Champions League, como eu vi ontem na Alemanha, e não apenas quando cá vem o Barça ou o Bayern. Esgotem os Red Passes no começo da época. Quando isso acontecer, aí sim, podemos falar de exigência galáctica.

O Benfica foi eliminado da Champions. Sim, fomos varridos pelos alemães.

E sim, pode acontecer uma surpresa do Estoril na Luz e ficarmos sem Jamor.

E sim, podemos perder o campeonato numa dessas finais que faltam até Maio.

E então? Se acontecer vão ficar mais felizes para poderem escrever "eu não disse?".

Isto é futebol, não são decretos. Temos que ir à luta e vencer. Ninguém nos dá nada. São todos contra nós. O que nos motiva é que hoje estamos sempre muito mais perto de ganhar do que perder. Foi isso que senti em Dortmund.

Se amanhã a equipa falhar e não corresponder ao que esperava não vou deitar os cartões fora, não vou virar costas, nem vou por tudo em causa.

Eu passei o Vietname do Benfica, expressão usada pelo Pedro Ribeiro, e não desisti nunca. Agora, em tempos destes é que ia deprimir? Só sou maluco pelo Benfica, não sou parvo.
Mas eu sou dos que ainda hoje não lidam bem com o afastamento europeu em Braga, e fico possuído quando alguém me diz que foi melhor assim porque perdíamos a final com o Porto. Nós que não perdemos uma final de Taça de Portugal ou confronto com eles na Taça da Liga, há anos e anos. Mas eu é que sou o maluco...

Não gostam do Luisão, do Salvio ou do Pizzi? Eu vi o Beto a marcar contra o Manchester e a assistir contra o Liverpool. Eu acreditava que o Rojas e o Leónidas iam ser campeões pelo Benfica. Não me lixem.

Acreditem em mim, hoje na casa do muro amarelo há muito mais respeito pelo Benfica do que havia antes dos 4-0. Pensem nisto.
Não perguntem o que o Benfica deve fazer mais por vocês, vejam o que podem fazer pelo Benfica. Vivam mais o clube. Vivam o Benfica. Viva o Benfica!