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Tetra Campeões

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Crónica de Uma Aventura em Eindhoven ( e Amesterdão ): PSV 2 - 2 BENFICA

 

Quando se começa a planear uma viagem destas há situações que nos parecem muito mais lógicas e inteligentes ao olhar para o monitor, ou seja na teoria, do que na altura em que acontecem. Comprar um vôo com partida a 300 km da nossa casa às 6h40 da manhã de uma quarta feira parece perfeito porque sabemos que ficamos com o dia da véspera do jogo todo para gozar bem o destino. A motivação de iniciar a aventura logo no fim da tarde de 3ª feira e jantar uma francesinha já a norte ajuda. Assim aconteceu, viagem tranquila de carro Lisboa - Porto e seguindo o conselho de quem sabe ataque a uma excelente francesinha no Pontual bem no centro do Porto.

O problema começa quando já estamos para lá da meia noite e ainda ninguém pensa em dormir. Estadia estratégica nos arredores do Porto em casa amiga para dormir umas 2 ou 3 horas. É aqui que uma pessoa se interroga da sanidade mental de quem marca viagens para as 6h40 da manhã. O acordar , a viagem para o aeroporto Sá Carneiro e o embarque é um episódio que na altura parece um pesadelo num misto de sono e ansiedade pela viagem. Os cachecóis e camisolas do Benfica avistadas na fila de embarque dá logo para acordar, sorrir e ficar em forma. Da mesma forma que a essa  turma bem trajada a meio da viagem conseguiu levar-me ao desespero com cânticos que interromperam injustamente o meu sono. Cantar pelo Benfica deve ser sempre bom para os meus ouvidos, uma das excepções é quando me acorda em pleno avião.

 

As expectativas eram altas porque eu nunca tinha estado na Holanda. Desde que cheguei ao aeroporto de Eindhoven até ao regresso as expectativas foram todas superadas.

 

Este é um relato de contemplação ao povo holandês e a duas cidades lindas.

 

 

Por muito que hoje em dia já se saibam pormenores dos nossos destinos por pesquisa na internet, e com a ajuda do google maps, o impacto visual no local é sempre grande. Do aeroporto ao centro de Eindhoven tudo muito simples e facilitado por uma rede de excelentes autocarros que faz a ligação por 3€. A vista durante o trajecto é de ruas largas onde as bicicletas e scooters são tão (ou mais) importantes que os carros tendo cada um a sua via própria. Ruas sempre planas, largas e limpas com casas todas muito parecidas e bonitas envoltas em parques de diversão ou desportivos e zonas verdes. Passagem pelo famoso Evoluon, um edifício da Phillips em formato de ovni que é um centro de congressos onde a marca apresenta as últimas novidades. Isto foi explicado por um guia improvisado que ia connosco no autocarro e falava castelhano. Só porque viu o nosso espanto a olhar para o Evoluon sentiu-se na obrigação de ir explicando a paisagem. Não foi uma excepção, é esta a postura dos holandeses de uma forma geral, simpáticos, abertos e hospitaleiros.

 

Ficámos na estação de comboios da cidade onde íamos buscar a chave do apartamento alugado. A imagem de centenas de bicicletas estacionadas era impressionante. O tempo que para nós era frio para os locais era agradável vendo-se algumas mangas curtas. A primeira impressão das holandesas é que são todas princesas em cima de bicicletas.

O receio quanto ao alojamento deu lugar ao espanto geral da comitiva portuguesa. Além do senhorio nos transportar no seu carro da estação para o apartamento, tendo de fazer duas viagens, o espaço era tão arrebatador que todos concordámos que vivíamos ali sem problemas. Um excelente apartamento com o pormenor de estar com o frigorifico cheio. Parecia que o senhor sabia que ia alojar a malta do Funil que se fez logo às cervejas holandesas. Um luxo. Fiquei conquistado à primeira.

 

Pus o meu plano em marcha. Já bem hospedados havia que regressar à estação de combóios e tratar de uma viagem de ida e volta a Amsterdão para passar lá o dia. Há anos e anos que espero pelo momento de entrar na capital holandesa. Quase todos os companheiros de viagem acharam boa ideia e lá fomos nós. Por 23€ em 1ª classe num óptimo combóio, desconto simpático feito pela senhora da bilheteira. Não há como não gostar daquele pessoal!

 

A meio da viagem avistei o estádio do Utrecht e partilhei um pouco de história com a carruagem: o Utrecht no ano em que fomos à final da Taça UEFA jogou na Luz mas contra o Porto que tinha o estádio interdito na altura em que Fernando Martins era o nosso Presidente. Este cruzamento com o Utrecht pode dar sorte para a nossa desejada ida a Dublin.

Antes de entrarmos na Capital do nosso lado esquerdo aparece na janela o imponente ArenA do Ajax. Impressionante como os dois rivais PSV e Ajax têm os seus estádios ligados por uma linha de comboio à distância de 2 horas!

O objectivo de ir conhecer o estádio foi abortado porque a distância para o centro de Amesterdão ainda é considerável. Ainda por cima só soube que o Ajax até jogava nessa noite um jogo particular de ajuda ao Japão quando caía a noite e faltava menos de uma hora para o jogo.

 

Fiquei por Amesterdão e percebi uma enorme ligação entre cidade e clube. Orgulhosos do seu Ajax os vendedores têm sempre artigos do clube em qualquer canto. Não resisti a comprar uma sweat.

Como faço questão de passear com o símbolo sagrado do Benfica vestido sempre à vista acabei por fazer alguns "amigos" nas longas caminhadas durante todo o dia nas zonas mais famosas da cidade. Quase todos os que me abordaram para conversar sobre futebol pediram que o Benfica goleasse novamente o PSV. Percebi que a rivalidade é enorme, até doentia, e é só com o PSV. Confirmei umas horas mais tarde já nos bares de Eindhoven que o "amor" é recíproco.

A ideia com que fiquei é que a maioria das pessoas adoram futebol, adoram o Ajax e veneram a selecção laranja. Percebem do assunto e gostam de conversar mostrando conhecimento sobre a actualidade do futebol português. Facilmente se pode ir para Amsterdão sozinho e passar uma tarde em cafés conversando sobre futebol e também sobre música.

Depois os fumos, os canais, as holandesas e as montras correspondem às expectativas e merecem toda a publicidade que gozam no mundo inteiro. Amesterdão é uma cidade para voltar de certeza absoluta. Se nos sair o Ajax brevemente melhor ainda.

 

Depois do regresso a Eindhoven temi fraquejar e entregar-me , finalmente, ao sono. Mas a ida ao apartamento só serviu para encontrar companheiros prontos para irmos explorar os bares da zona. Na Holanda é mais uma hora do que cá por isso já não me recordo se saímos à meia noite de lá ou daqui. Sei que facilmente encontrámos animação na zona mais conhecida perto do centro. Uma rua só de bares onde se podia andar à vontade. Acabámos num bar com outros adeptos que jogavam snooker e setas onde descobrimos um empregado português e benfiquista que ainda nos pagou umas cervejas.

Mesmo em frente outro bar cujo dono era fanático do PSV mas que adora futebol e tem fama de ser o melhor anfitrião dos adeptos visitantes. Dizia-se que as noites em que os escoceses do Rangeres invadiram a cidade ficaram para a história. Pela amostra que vivi acredito perfeitamente. Ofereceu também cerveja em troca de uma foto lado a lado, cada um envergando os seus emblemas de coração, enquanto pendurou um cachecol do Benfica no bar.

 

Entre os bares convivia-se alegremente. De vez em quando aparecia um outro adepto da casa a provocar gritando porto mas à resposta Ajax mudavam a cara e iam embora. Fizemos amizade com raparigas universitárias simpáticas que além de saberem de bola sabiam de moda e música e ficaram facilmente conhecidas por primas. Alguém se lembrou de meter conversa com as jovens explicando que eu era um famous writter em Portugal e elas ao acederem aos meus blogues pelos telemóveis ficaram convencidas. Connosco é assim, tudo serve para meter conversa. Conversa que já tinha começado com um amigo português mais velho que nós e que ali estava sozinho deliciado com aquela animação. Vim a saber que era o piloto do avião que transportou o Benfica. Festa nele , logo! Sem cerveja, que pilotar os nossos meninos não é para brincadeiras.

Mais tarde entram no bar umas caras conhecidas. Um olhar mais atento e descobri que a equipa do jornal A Bola já conhecia bem aquelas paragens com Fernando Guerra no comando das operações. O resto da imprensa portuguesa passou por nós na tarde seguinte com Helder Conduto a acenar para a nossa esplanada.

 

A noite esticou-se animada entre cerveja e fumos de Amesterdão como convém na Holanda. O dia já ia muito longo, desde que tinha acordado para trabalhar na 3ª feira até às 5 da manhã já de quinta feira apenas tinha dormido 2 horas. Fomos até ao apartamento dormir. Mas pouco porque havia que levantar cedo para tentar curar a ressaca rápido e ir explorar Eindhoven de dia.

 

Eindhoven é uma cidade muito mais recatada que Amesterdão. Tudo muito mais calmo. Vê-se que os habitantes vivem muito bem, andam sempre sorridentes, entre a bicicleta e os passeios a pé mostram boa disposição e também gostam de mostrar orgulho no clube da sua cidade, vi gente de todas as idades e feitios envergando camisolas do PSV durante o dia. Em conversas com alguns adeptos da casa fiquei espantado com a capacidade cerebral de análise deles. Não tiveram problemas nenhuns em dizer que iam na esperança de ver um milagre mas não tiveram dúvidas em elogiar o nosso futebol dizendo que tínhamos muito melhor equipa. Mais tarde cheguei a pensar, aos 2-0, que tinham feito bluff.

 

Impressionante como o custo de vida em Eindhoven cai para metade do que eu vi na véspera em Amesterdão. Os 5€ que vale a cerveja na capital ali desce para metade, tal como a comida. Aquela rapaziada não sabe o que é comer. Para eles um pacote de batatas fritas tipo McDonalds compradas na rua cheias de molho serve perfeitamente para almoço ou lanche. Só os vi a comer sanduíches ou comida de centro comercial. Fomos nos safando com kebabs, hambúrgueres e muita cerveja.

 

Em passeio por várias lojas lá descobrimos outro português, ou um africano que falava português para ser mais preciso, que nos explicou algo de espantoso. Atentem bem: o rapaz trabalha na Zara e por dois dias serviço por semana recebe ao fim do mês 400€! Ele estuda e com outro biscate diz que consegue viver bem, pagar os estudos e passear pela Europa. Fiquei a pensar o que andamos cá a fazer, ainda por cima quando todo e qualquer contacto com o nossos país nestes dias apenas resultavam em ecos de desgraça e FMI.

 

Eu que tinha ido a pensar na reportagem que vi há pouco tempo na RTP dos Portugueses no Mundo feita em Amesterdão pude confirmar localmente que quem tenha a coragem de tentar lá a sua sorte tem grandes possibilidades de ser feliz.

 

Ok, vivem melhor, aparentemente estão mais felizes que nós mas o PSV fica agora em casa e o Benfica está nas meias finais. Foi para isso que lá fui, apoiar a minha equipa e mostrar ao país que não há crise que abata o nosso clube, pelo menos em futebol senti-me mais feliz e superior aos amigos de Eindhoven.

O estádio Phillips é bonito por fora, está muito bem conservado, tem uma loja grande do clube, e está perfeitamente localizado e assinalado. Deixei a praça das enormes esplanadas repletas de benfiquistas que ali estiveram toda a tarde e fui cedo para o recinto do jogo. Reparei que no meio da cordialidade à volta do estádio só uns cachecóis anti-Ajax quebravam aquele clima.

A nossa entrada é feita por um corredor superior em forma de tubo. Tudo pensado para quandos os rivais vão ali jogar não ataquem nem sejam atacados já que esse tubo fica muito perto da estação de comboio, portanto não dá espaço a grandes confrontos. Destaco a rapidez da revista que fazem os seguranças, a simpatia e a educação com que fui tratado. Nenhum problema com a famosa faixa Funil.

O problema foi subir a frio 6 andares de escadas até ao topo onde ficámos. O nosso sector é um canto do estádio com bancadas construídas a pique que chegam a dar vertigens. Estamos rodeados de paredes envidraçadas o que dificulta a exposição de bandeiras e faixas. Têm que ser coladas. Um segurança ao ver a minha desilusão de faixa da mão veio sugerir que suba tudo e a pendure nas grades onde terminam as cadeiras. Agradeci e segui o conselho. Resultou porque amigos em Portugal mandaram sms a dizer que a viram e já há vídeos onde se vê.

O estádio é engraçado, tem o seu carisma, e quando se encheu perto da hora do jogo deu para sentir um ambiente quente e entusiástico que aumentou quando o PSV começou a crescer no jogo.

O nosso sector estava à pinha, depois havia benfiquistas espalhados pelas bancadas ao lado e o apoio ao Benfica foi fortíssimo do principio ao fim.

O falhanço de Gaitán e o brinde que Saviola desperdiçou deram a errada ideia que íamos ter uma noite fácil e os cânticos portugueses calaram por completo os holandeses que pareciam resignados.

O primeiro golo do PSV veio mudar tudo. Os adeptos da casa ficaram loucos de alegria e a partir dali começaram a empurrar a equipa de cada vez que a bola ia ao nosso meio campo. Os nossos jogadores pareceram apáticos, a nossa bancada tentou puxar mais por eles mas quando surge o 2-0 a nossa boa disposição deu lugar à preocupação. Pessoalmente não contava ter de sofrer naquele jogo, quando caí na realidade e olhava para o marcador antes da meia hora a dar 2-0 no jogo e 4-3 na eliminatória comecei a ficar com o coração tão acelerado e com a cabeça tão quente que por momentos todos aqueles elogios à Holanda que fiz até ali iam passar a ofensas sem fim. Eindhoven tinha de ser uma cidade marcada por boas recordações e tinha de viver ali uma das grandes jornadas de benfiquismo da minha vida porque desde 1988 que estou para me vingar do grupo desportivo da Phillips que arruinou dias de vida da minha juventude.

 

Entre o pânico de poder assistir ao vivo a uma reviravolta embaraçosa e a felicidade de estar ali presente e poder com a minha voz bem alto ajudar os nossos homens a recomporem-se acho que fechei os olhos quando o Maxi teve uma rara falha e isolou o avançado do PSV. Devo ter fechado os olhos no momento em que Roberto negou o fatal 3-0 e a partir daí cresceu a minha confiança. Cresceu o apoio da bancada e cresceu o nosso Benfica.

Já tinha desejado o intervalo há muito tempo, no marcador lá estava o minuto 45 parado há um bocado mas estávamos com um livre a nosso favor mesmo ali à nossa frente. Respirei fundo e pensei que se marcássemos o golo agora a alegria voltava e a Holanda voltava a ser um lindo país.

Bola cruzada para a área, eu vejo a trajectória da minha esquerda para a direita onde vi que o Javi quase cabeceava, sobra para o Luisão que não chuta logo apesar de eu ter rematado por ele na cadeira da frente, ajeitou e sai pontapé acrobático genial a vingar o falhanço de Gaitán... A bola sai alta e vai entrar mesmo no cantinho superior da baliza ali à minha frente! Não vi mais nada do relvado tal foi a festa na bancada. Abracei-me a conhecidos da Luz e a desconhecidos que nem devem viver no nosso país, desci umas dezenas de filas de cadeiras aos saltos a gritar e acabei nos braços de alguém que me gritou ao ouvido: MEIAS FINAIS!

Foi aí que voltei a olhar para o relvado e já nem havia jogadores em campo. Estávamos no intervalo e aí é que tive bem noção que estava a viver uma alegria enorme de ir a uma meia final europeia 17 anos depois.

 

Só para não nos esquecermos daquela noite negra de Maio de 1988 apareceram ali os malandros que nos roubaram a 3ª Taça dos Campeoes. Uma homenagem bonita e perfeitamente lógica de quem se orgulha da história do seu clube. Vi um pano holandês a pedir o regresso de Guus a casa. Ele também viu e sorriu mas acho que não volta.

Este intervalo foi uma delícia. Ainda deu para voltar a descer os 6 andares de escadas para ir ao wc e beber uma cola no Bar e ser surpreendido por uma armada de empregadas lindas a servirem a comida e bebida!

Era como se o jogo fosse começar com a nossa moral altíssima. Voltou o apoio massivo na 2ª parte, alguns suspiros porque se o 3-1 acontecia voltávamos à corda bamba e não me apetecia nada ficar ali para um prolongamento quando na rua dos bares havia litros de cerveja para beber e holandesas em desfile.

César Peixoto percebeu o meu pensamento e pegou no jogo de uma maneira tão surpreendente quanto embaraçosa para os assobiadores da Luz que espero que tenham ficado de consciência bem pesada quando ele sacou o penalti da morte do PSV.

Penalti lá na outra baliza. Os holandeses assobiavam inconformados com o fim do sonho que se adivinhava, lembrei-me a tempo e fiz ligação pelo telemóvel para minha cara metade que sofria por nós longe em casa pela tv. Foi ela a primeira em Portugal a festejar o golo do Cardozo juntamente com a nossa bancada. Quando a imagem da SIC mostrou o golo já ela sorria por nós e tinha festejado connosco. Foi a melhor prenda que consegui dar.

 

Apenas a preocupação pela lesão de Salvio quebrou o clima de loucura no nosso canto. Foi festa até ao fim.

É tão bom sentir que a 1813 km do estádio da Luz somos o Benfica, cantar o nosso hino, festejar um apuramento europeu. De repente as horas não dormidas, as viagens de carro, os vôos de madrugada, tudo faz sentido, tudo está certo. Estar ali é tão natural como o Benfica voltar a ser falado na Europa do futebol. Foi sempre em festa até ao apito final, loucura no aplauso à equipa que nos foi agradecer o apoio, sorrisos ao vermos que depois dos holandeses saírem as outras bancadas tinham algumas dezenas de portugueses que não se cansavam de gritar para o nosso canto com cachecóis e bandeiras. O Benfica é maior que Portugal, sem dúvida nenhuma!

À saída uma curiosidade; depois de descermos os 6 andares de escadas, passado o tal tubo  fomos surpreendidos por um corredor que nos levava para dentro do estádio novamente. Entrámos directamente para a zona do relvado! Pelo meio os seguranças iam explicando que era mesmo assim e que podíamos tirar fotos à vontade. É aí que vimos aquilo que me pareceu ser uma princesa dinamarquesa vestida de segurança. Não hesitei e pedi para registar aquele momento com uma foto lado a lado com a total simpatia da parte dela. Qualquer um de nós ficaria feliz de casar com aquela loura alta que trabalha no estádio como steward. Já não tenho dúvidas, amo a Holanda!

Não percebi bem a ideia de passarmos paralelamente ao relvado mas adorei, fotos das balizas, das bancadas e de mais seguranças giras.

Regresso para o centro da cidade, deixar a faixa em casa e rumar aos bares. Ambiente espectacular nas ruas cheias de universitários que celebravam a sua noite com tudo a que tinham direito, as miúdas super produzidas, eles sorridentes (pudera!) entre cervejas e fumos, música alta para todos os gostos. E por falar em música, um concerto nesta mesma noite dos Slayer e Megadeth trouxe à confusão mais uns milhares de turistas devidamente tatuados e vestidos de preto. Portanto, entre estudantes, metaleiros, adeptos do PSV e benfiquistas tudo a correr bem na noite de Eindhoven. Presença policial discreta mas oportuna e alguns avisos surpreendentes. Uma senhora polícia veio dar-me os parabéns pela vitória, elogiou o manto sagrado que eu tinha vestido e aconselhou-me a largar o copo de cerveja que estava a beber. É que andar a beber no meio da rua de Eindhoven dá uma simpática multa de 90€! Coisas deles...

 

Cada um dos companheiros de viagem passou a noite à sua maneira, eu acabei a perder-me na conversa com um grupo de adeptos do PSV que adoram futebol como eu e ficámos horas a falar dos nossos clubes e tudo à volta. Diga-se que no grupo também havia raparigas que mereciam na boa uma capa na nossa GQ e que bebiam e discutiam futebol com toda a sabedoria. Fiz a boa acção de dizer bem de Albufeira dando o empurrão final para aquela malta ir passar férias ao Algarve em Julho. O turismo do ALLgarve devia-me pagar porque fiz mais por eles em 10 minutos ( e 2 cervejas ) do que eles na vida toda.

Mais uma vez a cultura futebolísta daquela gente fascinou-me, a maneira racional com que encaram a realidade do seu clube surpreende-me e o pedido que todos me fizeram de levantar a Taça em Dublin motivou-me.

Depois a noite morre a partir das 3 da manhã e havia um avião para apanhar às 10h para o Porto. Sem esperas, sem bolas de golfe pudemos regressar de carro. Mas só depois de voltarmos a ter uma refeição digna desse nome e acabar como começámos, com uma francesinha, desta vez no Cufra.

 

Foi uma aventura concluída com sucesso, fomos carimbar a passagem às meias finais num país espectacular. Agora deixem-me respirar fundo e preparar-me para o regresso à selvajaria que passa pelo regresso aquela Pedreira do Porto B onde nem tenho vontade de ir. Sempre estou para ver se a UEFA também vai permitir bolas de golfe e outros truques que vi ali há um mês.

 

Chego a Portugal e vejo tudo eufórico com umas meias finais europeias com três clubes portugueses. Devo ser o único a lamentar não termos uma meia final com o Benfica e três equipas holandesas...

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