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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Benfica 3 - 0 Paços de Ferreira: A Beleza da Monotonia

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 ( Fotografia: João Trindade )

 

Sei que não interessa a ninguém mas se algum dia alguém quiser saber o que é que eu gostava que fosse um modelo de jogo de futebol envolvendo o Benfica, eu apresentaria esta partida.

Passo a explicar. Este Benfica - Paços de Ferreira roçou a perfeição no que diz respeito à maneira como se vive um jogo. É isto que eu quero na minha vida.

A bonita monotonia das vitórias do Benfica.

A banalização de um resultado como o 3-0.

A rotina aborrecida de somar 3 pontos, atrás de 3 pontos.

Chegar ao minuto 90 e pensar quantos dias faltam para o próximo jogo sem estar preocupado com o final deste.

Não quero emoção, não desejo incerteza no resultado, não faço questão de esperar muito por um golo. Não quero festa nem quero depressão. Apenas golos. Golos que quanto mais cedo aparecerem, melhor. E golos só na baliza adversária. Na do nosso guarda redes quero paz e sossego. Por mim, o Ederson só tocava na bola para ajudar a construir jogadas nossas.

 

É que passo os dias a olhar para o calendário e a desejar que o tempo passe rápido para ver o Benfica jogar. Então aqueles 20 minutos até o jogo começar parecem nunca mais passar.

Só que depois o árbitro apita, a bola rola e, de repente, já passaram um ou dois minutos. Caramba, já só temos uns 88 minutos para ganhar e ainda está 0-0. E a partir daí parece que os minutos voam!

Até ao primeiro golo, queremos que tudo seja mais calmo mas sentimos que vamos em direcção ao minuto 90 de forma dramática mesmo que ainda só tenham passado 10 minutos.

Por isso, é muito importante celebrar o primeiro golo. Também é isto que quero nos jogos do Benfica. Sorrir para o lado afirmando que o Guedes mandou uma bomba e ouvir: "Oh! Já vem tarde, o puto estava a merecer há muito"

É isso! O Gonçalo abriu o marcador à bruta mas o golo estava mesmo a ver-se que vinha dos pés dele porque anda a jogar muito. A naturalidade que me agrada é esta.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Com 1-0 sinto-me  menos ansioso e menos nervoso mas não dá para ficar tranquilo. E tudo o quero, a ver os jogos do Benfica, é tranquilidade.

Para muita emoção e reviravoltas espectaculares nos resultados tenho a Premier League ou a Bundesliga. Nas partidas do Benfica quero que tudo seja assustadoramente enfadonho, sem sinal de surpresa nenhum. Só normalidade, só a vitória.

 

No intervalo para evitar pensar muito sobre o jogo nada melhor que perceber que Seu Jorge tem muito bom gosto ao nível do futebol. Não é só no cinema e na música que o artista brasileiro é craque, na escolha da equipa portuguesa para ver ao vivo também revela inteligência. Seu Jorge fez questão de ir à Luz ver o Benfica antes de actuar no MEO Arena. ( para quem quiser saber mais sobre o concerto de Seu Jorge e Ana Carolina siga para bluegazine.pt )

 

Assim, é com muito agrado que recebo o 2-0. Eliseu na assistência, o alvo predilecto dos agoiradores de bancada, Salvio na finalização. A naturalidade do Benfica a ganhar é tão bonita.

Com dois golos de diferença, o objectivo está mais perto de ser atingido. Tudo faz sentido, era para isto que ansiávamos o começo do jogo, para sentirmos esta confiança numa noite em que cumprimos a nossa parte. Em que não há tropeções nem surpresas.

Nada melhor do que Pizzi fazer uma jogada individual que acaba no 3-0. Assunto encerrado. O Benfica voltou a ganhar. A monotonia da vitória é tudo aquilo que quero na minha vida.

Nada de novo trouxemos ao futebol esta noite, o líder era favorito e ganhou. Óptimo. Jogo tranquilo sem grande emoção, é o que se quer. Por mim, era sempre assim. Sempre.

Vivo bem sem triunfos no último minuto ou defesas milagrosas a evitar a perda de pontos.

Mas todos sabemos que são esses jogos decididos de forma épica que ficam mais vivos nas nossas memórias e que são os que dão gozo a isto tudo.

Mesmo assim, prefiro desafio monótonos como o de hoje.

Belenenses 0 - 2 Benfica: Assim Vai Ser Difícil Não Bater Recordes

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Comecemos por algo menor mas que me faz sempre muita confusão. Que cor de equipamento é este do Belenenses?! Olho para a imagem em cima e não consigo entender a ideia da equipa que joga em casa. Um clube pode ser original em muita coisa mas a jogar no seu estádio com os seus adeptos devia respeitar as suas cores. Acho estranho isto ser aceite de ânimo leve.

 

Deixei aqui a minha indignação pelo facto do relvado do Restelo ter sido usado 48 horas antes do clássico. Felizmente, a maioria dos benfiquistas reagiu com indiferença. Também felizmente, o relvado aguentou-se. Mas continuo a achar surreal a escolha do palco do jogo da selecção feminina com tantas opções disponíveis. Não era um caso de choradinho, era uma questão de bom senso.

 

Para a minha geração, nascida nos anos 70, era comum dizer e ouvir que se tinha uma simpatia pelo Belenenses. Porque têm um estádio bonito com uma paisagem lindíssima, porque são de uma zona de Lisboa muito turística e porque fazem parte de um derby com a segunda deslocação mais curta do campeonato. Andei muito tempo para perceber os mais velhos que se revoltavam com essa simpatia, isto entre os benfiquistas. Depois lá percebi que além de não ser uma simpatia recíproca, há um grande ódio entre os adeptos azuis (não aquela cor de equipamento de ontem) ao Benfica. As gerações mais novas não precisaram de saber muitas histórias do passado para serem completamente indiferentes ao clube da cruz de Cristo, bastou ouvir a frase vinda da bancada belenense durante o minuto de silêncio antes do jogo. Um momento que até era de homenagem a um homem que representou o Belenenses.

 

Este Benfica de Rui Vitória tem conseguido feitos assinaláveis. Talvez, o mais relevante seja o facto de ter acabado com o mito das ressacas europeias. Mais um jogo depois de uma viagem longa na Champions League, mais um triunfo.

A forma como o treinador do Benfica tem vindo a reagir às ausências por lesão dando oportunidade a jogadores, muitos deles jovens, que seguram convictamente o lugar, tem sido uma das explicações para este ciclo incrível de bons resultados da equipa. A equipa técnica achou que o jogo de Kiev marcou uma passagem de nível em termos competitivos, maior ritmo, alta rotação e, portanto, já não vai mexer nos titulares só porque sim. Os que estão de fora vão ter de pedalar mais para voltar a entrar. Foi esta a mensagem que ficou da convocatória para este jogo, reforçada com a aposta na mesma equipa.

 

Galeria de imagens do jogo do Restelo de João Trindade

 

Os jogadores escolhidos limitaram-se a dar razão à opção. O Benfica entrou no Restelo determinado a pegar no jogo e a chegar ao golo. Conseguiu marcar cedo, Pizzi marcou o canto que levou a bola direitinha a Mitroglou. O grego confirmou o seu gosto por pasteis de Belém e acrescentou mais um golo aos azuis, depois de um bis e um hat-trick.

A vantagem no marcador soltou a equipa para uma bela exibição. A velocidade que Grimaldo e Nelson colocam nas alas, dão asas a Cervi e Salvio que se juntam ao rápido Gonçalo Guedes. Na hora de trocar a bola e postura ofensiva, chega a ser deslumbrante a maneira como a equipa arranja soluções, sempre em velocidade, para criar oportunidades. E ontem criou várias para voltar a repetir as goleadas da última época. Mas o poste, a trave e Joel negaram essa hipótese.

 

Como não dá para jogar em alta velocidade o jogo todo, há que contar com Fejsa para segurar a equipa nos momentos mais passivos. Depois, Luisão revela-se uma mais valia ao lado de Lindelof, em vez do problema que tantos de fora desejavam que fosse.

 

Mesmo com boa parte do jogo a ser condicionado por chuva e sabendo que o Belenenses estava bem mais fresco, além de não ter jogado durante a semana tinha ido passear a Coimbra há uma semana na sua embaraçosa despedida da Taça de Portugal, o Benfica pautou sempre o ritmo do jogo.

Foi com naturalidade que chegou ao 0-2 na 2ª parte, novamente Grimaldo a marcar e a confirmar toda a sua qualidade como defesa esquerdo. Talvez o melhor que ali passou desde Coentrão. Diga-se que o passe foi de Guedes que no Restelo foi sempre um diabo à solta. O miúdo Gonçalo é um dos melhores exemplos de aproveitamento por ausência de titulares.

 

O mais importante foi conquistado, os 3 pontos. Por consequência o clube bateu um recorde do tempo em que eu ainda nem era nascido, 16 vitórias seguidas fora da Luz! Se me dissessem em 1999 que ainda ia assistir a um recorde destes... ria-me do disparate.

A verdade é que esta é a nossa actual realidade. Uma equipa de futebol super competitiva que vai fazer cair registos históricos, colectivos e individuais da maneira mais natural.

O Benfica voltou a ser Benfica.

Dinamo de Kiev 0 - 2 Benfica: Um Olhar Para o Apuramento

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Antes do jogo tive o enorme privilégio de conversar com José Luís, jogador do Benfica durante vários anos desde o final da década de 70 até mais de metade da de 80. Entre muitas curiosidades de adepto para jogador ficou-me na memória o seguinte pensamento do nosso antigo extremo direito:
hoje em dia sabe-se tudo sobre os nossos adversários, as fraquezas e os pontos fortes individuais ou colectivos. Discute-se modelos de jogo e especulam-se sistemas tácticos, indo até à exaustão do pormenor. Mas nada bate um olhar forte e convicto.

 

Contou o José Luís que com Sven-Göran Eriksson as palestras eram de dois minutos dedicadas ao adversário e o restante tempo ao Benfica. E quando se via aquele olhar brilhante e confiante eles, jogadores, já sabiam que o jogo ia correr bem. Mesmo quando naquela tarde em que fugi da escola para ver o Glorioso em Roma, o treinador sueco tenha parecido louco ao lançar cinco jogadores de características ofensivas tirando espaço e bola à toda poderosa Roma.

Mais que a ousadia, o segredo era o olhar, repetiu Zé Luís.

 

Sigamos o conselho de quem sabe, esta noite mais do que estudar a táctica do Dinamo, Rui Vitória terá falado aos jogadores com o tal olhar. A confiança e a determinação com que o Benfica entrou em Kiev confirmam essa hipótese.

No primeiro jogo da Champions League a vitória fugiu nos últimos instantes, no segundo jogo em Itália o Benfica entrou bem mas não marcou e acabou por passar pela pior fase numa partida europeia, desde que Rui Vitória chegou à Luz. Desta vez tudo voltou ao normal, o Benfica entrou bem, fez golo e pareceu ter sempre o jogo controlado.

 

Deixem-me falar de outra glória do nosso clube. Jantar num restaurante do Estádio da Luz e ter na mesa ao lado, a sofrer tanto como eu, um senhor chamado José Augusto é uma honra. Passar a primeira parte a comentar com o Sr. José Augusto algumas jogadas de uma partida da Champions é algo único. Há dias que o nosso benfiquismo faz mais sentido, hoje foi um desses dias.

 

Foi um jogo bem preparado, as apostas em Ederson, Luisão e Pizzi no meio campo revelaram-se acertadas e o Benfica conseguiu um excelente, e muito importante, triunfo na Ucrânia. Salvio aproveitou bem o penalti que Guedes ganhou, Cervi fez questão de dar uma assistência a Mitroglou antes de confirmar a vitória. Tudo correu bem nesta viagem a Kiev. Agora na 2ª volta do grupo temos dois jogos na Luz para carimbar o apuramento para a próxima fase da Champions League. É esse o caminho.

O olhar benfiquista da confiança nunca falha.

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