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Red Pass

Tetra Campeões

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Já há horários e datas dos jogos da 4ª até à 12ª jornada da Liga

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4ª jornada: Arouca vs Benfica, dia 9 de Setembro, sexta feira,  às 20h30.

5ª Jornada: Benfica vs Braga, dia 19 de Setembro, segunda feira, às 20h.

6ª Jornada: Chaves vs Benfica, dia 24 de Setembro, sábado, às 18h15.

7ª Jornada: Benfica vs Feirense, dia 2 de Outubro, domingo, às 16h.

8ª Jornada: Belenenses vs Benfica, dia 23 de Outubro, domingo, às 20h15.

9ª Jornada: Benfica vs Paços de Ferreira, dia 28 de Outubro, sexta feira, às 19h.

10ª Jornada: FC Porto vs Benfica, dia 6 de Novembro, domingo, às 18h.

11ª Jornada: Benfica vs Moreirense, dia 27 de Novembro, domingo, às 18h.

12ª Jornada: Marítimo vs Benfica, dia 2 de Dezembro, sexta feira, às 20h30.

Coluna no TodoFutebol

Mário Coluna

 

Artigo publico no excelente site brasileiro http://www.todofutebol.com

 

Mário Coluna era o grande jogador de Portugal antes de receber no Benfica o jovem Eusébio. Uma carta da mãe do “Pantera Negra” pedia que o meia e capitão do clube encarnado tomasse conta de seu herdeiro. Nascia assim uma relação de respeito entre mestre e aprendiz.

 

Tricampeão português e da Taça de Portugal, Mário Coluna vivia grande fase no esporte em 1960. Artífice do meio-campo histórico do Benfica que interrompeu o reinado do Real Madrid na Europa e do Sporting dentro de Portugal, o capitão nascido no Moçambique instruiu um compatriota que chegava à Lisboa com sonhos de grandeza.

Para muitos benfiquistas, Coluna não era só mais um jogador. Era “O Capitão” ou o “Monstro Sagrado”, tamanha classe e a reverência prestada mesmo por aqueles que eram seus adversários. Com a bola no pé, Mário chegou a um nível altíssimo de rendimento. Como era muito forte e atlético, também teve alguns anos como jogador de basquete e saltador em altura. Viver do esporte era o destino do rapaz que saiu da Ilha de Inhaca para ganhar fama em Lourenço Marques, no ápice de sua juventude. Filho de um goleiro do Desportivo, clube da cidade onde cresceu.

Como Moçambique ainda pertencia a Portugal, era comum ver talentos de lá deixarem a terra natal para ganhar espaço e melhores condições de vida em solo português. Coluna, por sua vez, foi descoberto em um torneio contra uma equipe sul-africana, irritado por não poder atuar pelo Desportivo na casa do adversário, em meio ao regime do apartheid. Na volta, fez sete gols como represália e caiu nas graças de olheiros lusitanos. Porto e Sporting fizeram propostas para tira-lo de Lourenço Marques, sem sucesso. No caso, o Desportivo era uma espécie de clube-satélite do Benfica, que contratou o menino Mário aos 19 anos, em 1954.

Coluna aperta as mãos de Bobby Charlton na final da Copa dos Campeões Europeus em 1968
Coluna aperta as mãos de Bobby Charlton na final da Copa dos Campeões Europeus em 1968

De garoto a craque decisivo, Coluna era a personificação do novo Benfica que terminou a década de 1950 com conquistas importantes e moral no continente. Inicialmente, seria atacante, mas como perderia fácil a vaga para José Águas, o goleador, foi deslocado pelo técnico Oto Glória para uma função mais cerebral e de armação, no centro do gramado.

Entretanto, faltava uma peça para os Águias decolarem de vez. Foi de Lourenço Marques que outro jovem saiu para mostrar o que sabia. A pedido da mãe deste rapaz, Mário ficou responsável por instrui-lo e mostrar as dificuldades que ele teria como cidadão lisboeta. Eusébio da Silva Ferreira ganhou um tutor que levaria para toda a sua vida, o responsável pelo seu desabrochar no futebol como um astro nato.

A verdade é que os dois estavam fadados ao sucesso. Coluna tinha um DNA de liderança, o sangue que corria em suas veias era o de um nobre guerreiro e estrategista. Era ele que ditava as regras dentro de campo, aos berros e pegando os companheiros pelo braço para indicar o caminho certo. E só perdeu a coroa quando Eusébio chegou ao seu pico, se transformando em “Pantera Negra”, tamanha ferocidade com que conduzia a bola e a colocava dentro das redes. Mário, que tinha sete anos a mais que ele, usou de sua experiência para polir o diamante que era o futebol de Eusébio.

Mário Coluna, Chico e Eusébio
Visita de Chico Buarque ao Estádio da Luz, ao lado de Coluna e Eusébio

E juntos formaram um esquadrão formidável no Benfica, conquistando a Copa dos Campeões Europeus em 1962, já com Eusébio em posição de destaque. Mais adiante na década, ergueram sete vezes a Liga Portuguesa, doutrinando os rivais Porto e Sporting. Além disso, engrandeceram a história da seleção de Portugal, levando o país a uma histórica terceira colocação na Copa do Mundo de 1966. Deixaram o Brasil de Pelé, bicampeão mundial, pelo caminho, em um jogo que teve mais violência do que necessariamente um confronto técnico. Só não foram páreo para a Inglaterra, mandante e que conquistou logo depois o título em cima da Alemanha.

 

À aquela altura, Coluna já estava com a sua missão cumprida. Colocou Eusébio no trilho para a eternidade e também fez sua parte para se tornar uma das lendas benfiquistas mais queridas. Nem mesmo o companheirismo e a amizade com o Pantera Negra mudaram o respeito de filho que Eusébio nutria por ele, e até o fim o mais jovem o chamava por “Senhor Coluna”. Em 1968, abandonou o posto de atleta selecionável português e dedicou seus últimos anos de carreira ao Benfica e por fim o Lyon, na derradeira temporada de 1970-71. Saía de cena como decacampeão nacional e bicampeão europeu após 16 anos de dedicação aos encarnados.

 

Eusébio, por sua vez, ficou até 1975 em Lisboa antes de juntar as malas e partir para uma verdadeira peregrinação que duraria até 1980, passando por México, Canadá e Estados Unidos, onde ajudou a promover a NASL por três equipes diferentes (Boston Minutemen, Toronto Metros-Croatia e Las Vegas Quicksilvers). Foi campeão em 1976 pelo Toronto.

 

Em 2014, no mês de janeiro, Eusébio sofreu um infarto e morreu aos 71 anos, gerando comoção no mundo do futebol. O Benfica prestou uma homenagem ao seu craque usando uma braçadeira preta pelo resto da temporada. Como se não bastasse perder um ídolo deste tamanho, Coluna seguiu o caminho de Eusébio um mês depois, com 78 anos de idade, em Maputo, no Moçambique. Havia voltado a morar no país em 1975, como presidente da federação moçambicana e eventualmente como Ministro dos Esportes. Tinha uma infecção pulmonar grave e não resistiu.

E foi assim que o Benfica voltou a ter o trio Coluna-Águas-Eusébio reunido, em outro plano que jamais teremos notícias novamente.

Nacional 1 - 3 Benfica: Marcar, Falhar, Sofrer, Reagir e Matar

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 Desde domingo a acordar todos os dias a pensar como é que aquela bola do Lindelof não entrou na baliza do Vitória de Setúbal. Uma semana inteira à espera de voltarmos a jogo e as conversas a irem dar sempre ao mesmo, como é que o Benfica ia dar a volta a uma exibição preocupante na estreia em casa.

 

Lentamente, chegou a hora do jogo. Uma das deslocações mais delicadas do campeonato, a ida à Choupana onde se acumulam novelas de nevoeiros e adiamentos, além das dificuldades naturais e tradicionais.

Sinais de mudança na hora de conhecer a equipa inicial. Revolução no ataque. Algo tinha de mudar e Rui Vitória mudou mesmo. Surpreendente regresso de Jonas após a cirurgia, algo que veio dar razão ao que aqui escrevi há uma semana, para o lugar de Jonas só temos Jonas porque ele é único. Sálvio sobreviveu do lado direito com a braçadeira e confirma subida de forma entusiasmante. Mitroglou pagou pelas exibições apagadas que rubricou neste arranque de temporada e Raul Jimenez aproveitou para mostrar toda a sua disponibilidade, vontade e eficácia. Cervi perdeu a titularidade e Pizzi voltou para uma ala, a esquerda. De resto, tudo igual. Chegaria para dar a volta?

 

A equipa pode ainda não estar a jogar na perfeição das suas rotinas, longe disso, mas com Jonas em campo a ligação entre ataque e meio campo acontece mesmo com o brasileiro a meio gás. Não há volta a dar, Jonas é a peça chave desta dinâmica que Rui Vitória construiu. Pode não haver plano B consistente mas quando o "10" está no relvado o futebol do Benfica funciona.

Nem se pode dizer que tenha sido uma entrada empolgante mas percebeu-se a vontade e viu-se a atitude certa para colocar o Benfica no caminho certo. Sabendo que Manuel Machado tinha vários problemas para chegar a um "11" ideal, Aly Ghazal teve de fazer de defesa central improvisado e Witi também não estava a 100% no lado direito do ataque, cabia ao Benfica explorar essas dificuldades e, desde logo, tentar travar esse fenómeno anti-Benfica chamado Salvador Agra que sempre que defronta o Glorioso parece estar a fazer o jogo da sua vida. Desconfio que quer jogar na Luz quando for grande. Felizmente, já não cresce mais que aquilo.

Ainda era preciso ter em conta as motivações extra de Tiago Rodrigues, jogador ligado ao Porto, e Tobias Figueiredo que chegou a fazer as delicias dos sportinguistas com o golo do empate. Ironicamente, foi outro ex-leão a resolver o jogo para o lado certo.

 

O futebol tem destas coisas, estivemos uma noite inteira à espera de um golo contra o Vitória FC que só apareceu de penalti, chegamos à Madeira e aos 17' marcamos um golo por desentendimento dos adversários, Rui Silva falha a saída da baliza e Ali Ghazal confirma-se como o homem no lugar errado à hora errada. Foi assim até sair lesionado.

Um golo que deu tranquilidade dentro e fora de campo. Sentia-se que era preciso marcar mais porque o jogo estava sempre muito aberto. É verdade que Fejsa voltou a fazer um jogo incrível ao nível da cobertura do meio campo mas falta mais consistência para podermos controlar o jogo. Por exemplo, André Horta tem que conseguir pegar mais no jogo e marcar o ritmo de maneira que não passemos tanto tempo a jogar em vertigens de ataque e contra ataque.

Grimaldo podia ter ampliado o resultado numa das suas boas incursões pelo lado esquerdo mas a bola saiu para a malha lateral. Júlio César ia mostrando eficácia contra a vontade de Washington, médio interessante, e do pequeno Agra.

 

Na 2ª parte o Benfica assumiu a necessidade de fazer o 0-2 e aqui esbarramos noutro capítulo que urge afinar, a finalização. Vejamos: aos 53' Salvio acerta no poste, aos 54' Raul Jimenez na hora de marcar acerta em Rui Silva, aos 55' Jonas faz uma incrível recepção de bola no peito após um canto e quando atira para festejar acerta em cheio no guarda redes do Nacional!

São perdidas a mais. Também é verdade que seria mais importante não termos construído estas oportunidades mas a equipa pode não resistir a tanto falhanço. A prova apareceu poucos minutos depois desta azarada sequencia. Após mais uma bomba de Agra que Júlio César defendeu para a frente valendo a pronta intervenção de Lindelof, aconteceu o canto que trouxe o empate pela cabeça de Tobias Figueiredo. Desacerto de marcações à zona.

 

Tal como no jogo da Luz da semana passada, o golo contrário aparece na altura em que Rui Vitória preparava uma mexida que já tardava, tirar Horta que já estava amarelado e reforçar o meio campo com Célis. Com um empate, além do colombiano foi também chamado o peruano Carrillo.

A boa notícia é que a equipa reagiu muito bem ao empate e transformou aquela ineficácia toda em golos. Primeiro com Raul a fazer óptimo passe para Salvio que cruzou na perfeição para o coração da grande área onde apareceu Carrillo cheio de calma a finalizar com segurança repondo a vantagem. Estava dada a resposta. O Nacional acusou a nova desvantagem e desmoronou-se com as mexidas de Machado que não percebeu que o infeliz Ghazal estava por um fio em campo. Esgotou as substituições e depois perdeu o seu capitão ficando apenas com 10 jogadores.

 

O Benfica ficou confortável no jogo, Salvio e Jonas aguentaram o jogo todo e foram sempre o farol que a equipa precisava para não perder de vista o ataque. Raul Jimenez guardou energia suficiente para matar o jogo numa das suas pressões altas que Washington não aguentou. O mexicano isolou-se e não hesitou em fazer o seu 2º golo na prova. Um final de jogo já sem Jonas e com Gonçalo Guedes em campo que valeu a Raul o título de melhor jogador em campo. Uma distinção que ficaria bem também ao capitão Salvio que fez uma excelente exibição.

 

Era esta a resposta que se pedia, é este o caminho que temos de seguir. Vem a paragem para as selecções, a janela de mercado de transferências vai fechar e agora podemos arrumar a casa em termos de plantel ao mesmo tempo que recuperamos o essencial Jonas para os níveis ideais. 

A viagem mais delicada à Madeira está feita e com sucesso. Menos um obstáculo.

 

 

 

 

 

 

 

Benfica 1 - 1 Vitória de Setúbal: Surpreendentemente Mau

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 O pior que pode acontecer após um mau jogo é uma má reacção. Quem quiser resumir este inesperado empate a uma má arbitragem pode já mudar de poiso. A estreia do campeonato na Luz correu mal e tem que servir de alerta para voltarmos todos a concentrar o foco no essencial: construir para ganhar.

 

Foi uma semana inteira a falar de Luisão, Garay, Rafa ou Talisca, quem deveria sair, quem tem que ficar. Na conferência de imprensa antes deste jogo não se falou uma única vez no Vitória FC. O foco tem de ser sempre o próximo adversário, o próximo jogo, os três pontos.

 

Começámos bem a época e com o plantel bem recheado embora com algumas dúvidas por resolver até ao fim do mês. Mas temos que assumir quando temos problemas em vez de achar que tudo são soluções. E temos, realmente, um grande problema. Para quem ainda não tinha percebido, Jonas não é só um bom jogador da equipa. Jonas é um génio que faz um ataque funcionar e que justifica o equilíbrio de um sistema ou táctica, como preferirem, porque ele é a solução.

Com a lesão de Jonas, o Benfica anda a cair numa perigosa tentação que é encontrar o substituto ideal para o lugar do brasileiro que mantenha a dinâmica da equipa. O grande problema é que não temos esse substituto. Mas não temos dentro do plantel nem no mercado porque simplesmente não há muitos jogadores assim. É inconsequente testar Pizzi ou Guedes no lugar de Jonas. É desnecessário imaginar se o Rafa pode ali jogar. Jonas é Jonas. E quando não há Jonas é preciso arranjar alternativas que passam em alterar o estilo de ataque.

 

Com o Estádio da Luz vibrante e cheio era de esperar uma entrada forte convincente do Benfica em busca do primeiro golo. O que se viu foi um começo morno que rapidamente esbateu numa parede bem montada. Isto é, o Vitória apresentou-se na Luz muito bem organizado, com a lição bem estudada ao nível individual e táctica e não deu nenhum espaço para o Benfica criar perigo. Foi uma primeira parte decepcionante. A aposta de Pizzi atrás de Mitroglou não funcionou nunca, Cervi e Salvio também não foram determinantes nas opções atacantes, Horta e Fejsa lutaram mais pela bola do que conseguiram criar soluções, no caso do sérvio era o que se pedia.

 

Uma exibição muito vulgar do Benfica na primeira parte que deu até tempo e espaço para o Vitória ensaiar alguns contra ataques preocupantes.

 

Pediam-se alterações profundas a Rui Vitória, era preciso muito mais para ganhar. Era preciso outra atitude.

Foi chamado ao jogo o mexicano Raul Jimenez para ajudar Mitroglou mas a aposta era demasiado previsível e o Vitória não se mostrou muito incomodado. A forma como o Benfica atacava continuava a ser insuficiente. Para agravar a situação o Vitória começou a sair com mais perigo. Depois de uma ameaça que Júlio César defendeu superiormente, o golo sadino apareceu mesmo numa bola parada que deixou muitas dúvidas quanto à posição de fora de jogo.

 

Aqui importa dizer que o árbitro esteve tão fraco como a exibição do Benfica. Principalmente, a permitir o anti jogo que retirou vários minutos ao jogo não compensados no final de cada parte com descontos provocadores. Foi o mesmo homem que veio aqui estragar um belo jogo de Natal no final do ano passado. Já devíamos estar avisados.

 

Sem termos estado perto do triunfo passávamos a ter que revirar um inacreditável 0-1. Foram lançados Carrillo e Guedes. O peruano não trouxe nada ao jogo, o português não podia ter entrado melhor ao ganhar um penalti que Raul transformou no empate. Depois foi o assalto final com a equipa do Benfica, finalmente, a dar tudo e a tentar tudo para chegar ao triunfo que só não aconteceu porque a trave negou o golo a Lindelof depois de um livre de Grimaldo que Varela defendeu para a frente. Se essa bola tivesse entrado, a disposição agora seria outra mas os avisos tinham que ser dados na mesma. Não tendo entrado, foram dois pontos perdidos e tudo se torna mais dramático mesmo à 2ª jornada.

 

Que este percalço sirva de exemplo para nunca perdermos o foco objectivo do que realmente interessa. Hoje foi mau, a equipa entrou mal, as mudanças não resultaram e o final foi mau.A arbitragem pactuou com o tal anti jogo e deixou tudo e todos ainda mais irritados, é verdade. Mas temos de jogar muito mais e, acima de tudo, temos de ter um jogo alternativo que disfarce a ausência de Jonas.

 

Não deixamos de ser favoritos mas agora podemos voltar a ser humildes e lembrar o quão difícil é construir uma equipa campeã.

 

 

Tondela 0 - 2 Benfica: Arranque Vitorioso

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 Deixem-me começar por contornar o assunto principal da crónica, o jogo. O primeiro jogo do campeonato nunca é um jogo normal, é a partida mais esperada de cada verão e sempre por motivos diferentes mas com a esperança igual, a de começar a ganhar.

Eu ando há doze anos à espera de ver o Benfica vencer o seu jogo inaugural na Liga fora da Luz e nunca tem acontecido. Há mais de uma década que sempre que o primeiro jogo calha fora passo o verão a ler notícias sobre o nosso adversário, a ponderar se interrompo as férias para ir ver a equipa seja onde for e dou comigo a pensar que desta vez não pode correr mal. Nós, adeptos, sabemos que entrar a ganhar é meio caminho andado para afastar aquela tensão de pré época. Nós, benfiquistas, nas últimas, vá lá, duas décadas conhecemos muito bem a ansiedade de uma longa espera por aqueles 90' que inauguram a maratona mais desejada e que, não raras vezes, rapidamente se transformam em amargo sabor de um pesadelo que achamos sempre não merecer viver. Arranques em falso fora de casa nos últimos doze anos aconteceram sempre! Se alargarmos o espaço de tempo, recordamos jogos que nos queremos esquecer para sempre. Treinadores despedidos ao fim de umas poucas centenas de minutos de campeonato jogado ou mesmo ao fim do primeiro jogo, compras e vendas assustadoras, começos em sobressalto que muitas vezes anunciavam um fim de época triste. Vezes de mais. O Benfica falhou arranques várias vezes a mais. Mesmo em anos mais recentes em que nos sentimos mesmo candidatos a ganhar tudo, acabámos o primeiro jogo com a moral de rastos. E, atenção, não aconteceu só em jogos fora. Várias vezes sentimos isto na nossa Catedral. Sair da Luz com o peso de uma falsa partida, aconteceu também vezes a mais.

 

Por tudo isto, eu dou mesmo muito valor a uma vitória no jogo inaugural da Liga. Fico verdadeiramente aliviado e moralizado. Não peço uma exibição convincente, não peço uma goleada, não peço um show de bola, só desejo uma vitória, três pontinhos. Porque sei que ninguém está no auge da forma e com os mecanismos colectivos afinados a meio de Agosto. Aliás, se estiverem é mau sinal. Porque sei que isto começa de baixo para cima. Porque tenho a certeza que são estes jogos com os "tondelas" que fazem a diferença, não garantem títulos mas podem comprometê-los.

 

Sem exageros e sem dramas, sejamos claros: jogar no campo do Tondela não é tarefa fácil. O relvado é mau, as dimensões são curtas, a equipa da casa é aguerrida e lutadora à imagem do seu treinador. Era esta a nossa realidade para o arranque, um típico jogo de campeonato português com o apoio de sempre de bravos benfiquistas que investiram uma pequena e vergonhosa fortuna para garantirem a sua presença ao lado da sua equipa. Eu até cheguei a ponderar ir conhecer Tondela, depois de ver os preços recusei porque acho que tem de haver mínimos olímpicos de decência nestes constantes "roubos". Obrigado aos que foram e que nos fizeram sentir em casa. Como sempre.

 

Vamos ao jogo.

O facto de termos feito uns minutos muito bons na Supertaça não nos dava grande conforto porque o adversário era completamente diferente e o cenário era outro para muito pior. Não tinha esperança de grandes números artisticos, queria só uma atitude combativa e lutadora. Acho que tivemos a atitude certa de entrada.

Tal como esperado, a primeira meia hora foi muito dura. A ausência de Jonas sentia-se cada vez mais à medida que o tempo passava sem chegarmos à baliza adversária, Gonçalo Guedes não conseguia impôr a sua qualidade no apoio a Mitroglou e o Benfica mostrava dificuldades em gerir o desenho de 4-2-3-1.

Pior, a equipa não conseguia estabilizar o jogo e permitiu que o ritmo fosse algo descontrolado com o Tondela a sair várias vezes com perigo para o ataque. Aí estranhou-se o desacerto inicial de Lindelof. Com a saída forçada de Luisão e a entrada de Lisandro tudo estabilizou lá atrás e percebeu-se que o sueco estava a ser vítima da ineficácia do capitão debilitado. Nas alas, Nelson e Grimaldo continuavam fortes no ataque mas permissivos e surpreendidos, mais o jovem português do que o espanhol, na defesa. Aliás, Grimaldo foi importantíssimo em recuperações defensivas, numa delas tira um golo que parecia certo com um desarme superior.

 

Fejsa foi a mais valia do costume mas mais parecia um bombeiro a apagar vários fogos ficando sem espaço para ajudar Horta a construir o que levou a equipa a demorar muito tempo a estabilizar o jogo. André foi importante nos lançamentos longos, onde é exímio executante, enquanto Cervi e Pizzi tentavam tudo para fazer a diferença em termos individuais.

Acabou por ser Pizzi a bater bem um livre para a área do Tondela onde apareceu Lisandro a aproveitar uma marcação desastrosa da equipa de Petit. Era uma oportunidade que tinha de ser aproveitada e abriu caminho para uma vitória.

 

Pedia-se uma segunda parte mais controlada e em busca da tranquilidade mas não aconteceu porque o Tondela soube sempre estar por dentro do jogo. Até que Rui Vitória lançou Samaris para acabar com aquela vertigem de bola cá, bola lá. Também já tinha metido Pizzi no meio com Gonçalo na ala e tudo mudou para melhor. O triunfo estava longe de estar garantido mas passou a ficar bem mais próximo. Depois com a entrada de Salvio, André Horta teve liberdade para avançar mais no terreno e aproveitou a oportunidade para marcar a diferença.

 

Portanto, o jogo terminou da seguinte forma épica: eu, João Gonçalves, recuperei uma bola a meio campo já em tempo de desconto. Como estava com o manto sagrado vestido vivendo um dos meus sonhos, não senti nenhum cansaço. Pelo contrário, senti que tinha espaço para ser o super herói que sempre procurei ser nos jogos de rua nos arredores do Califa. Embalei com a redondinha, fui direito a um, dois, três adversários sempre a driblar, sempre a mudar de direcção, sempre com técnica superior que até baralhei o companheiro Mitroglou. Já tinha na minha cabeça o final daquela jogada. Já tinha o final desenhado desde a minha infância, por isso foi com naturalidade que fintei os adversários para o meio da área, puxei o pé atrás e rematei triunfante para o melhor golo da minha vida. Não parei de correr, senti a felicidade suprema que só em sonhos tinha imaginado, tirei a camisola para perceberem que eu estava ali em carne e osso e não fruto da imaginação de ninguém, gritei, cerrei punhos e só parei extasiado a olhar para bancada onde os meus companheiros vibravam quase tanto como eu. Depois caí em mim e lembrei-me que afinal, desta vez, eu sou um dos onze heróis que me habituei a apoiar. Abracei-os e o sonho tornava-se realidade.

 

Bem, não fui eu mesmo porque neste momento eu estou ao nível do Jonas, ou seja, tive o azar de cair estupidamente de uma rede de descanso para um duro chão e fiz uma luxação e fracturei uma clavícula no ombro direito e, por isso, estou em vias de ser operado. Desejava ter tido esta lesão de manto sagrado vestido depois de ter feito o golo que relatei. Não fiz o golo mas o André fez por mim e , acreditem, é quase a mesma a coisa. Foi o mais perto que estive de marcar um golo pelo Sport Lisboa e Benfica.

Começar a ganhar, era tudo o que eu queria.

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