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Red Pass

Rumo ao Tetra

Red Pass

Rumo ao Tetra

Amigos Coloridos

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Há exemplos tristes de como se pode andar para trás em termos de mentalidade em vez de evoluirmos. As cores dos clubes de futebol sempre foram uma das questões mais básicas em discussões, provocações, opções e brincadeiras entre adeptos.

Quem nunca optou em criança por um objecto usando o critério da cor?

- Oh mãe quero um daqueles rebuçados.

- Está bem, toma este. Só um que o açúcar faz mal.

- Mãe, este não!

- Então porquê?

- É verde/azul. Quero o vermelho.

 

Todos já passámos por isto dando preferência às cores do nosso clube. E Isto é replicado em todas as infâncias. Não ofende ninguém.

 

Quando comecei a ver futebol achava piada a um pormenor na camisola do Porto, os números nas costas eram vermelhos. Nunca os vi incomodados com isso e brincava-se dizendo que levavam o Benfica às costas. Também me lembro de ver um avançado a brilhar na Antas com o nome de ... Vermelhinho.

Dava para brincar, mesmo porque no Benfica também me habituei a ver o grande capitão, e a minha maior referência no clube, Manuel Bento a equipar de verde. Também usava muito o azul. E ficava-lhe bem. Sem problemas nem complexos. E havia piadas dos rivais, claro que havia. Mas incomodavam zero.

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Na nossa gloriosa história há imagens de conquistas de taças que estão ao alcance de qualquer pessoa numa rápida pesquisa no google. O grande goleador Nené levantou uma Taça de Portugal no Jamor com a camisola do Porto vestida.

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 O gigante dinamarquês Michael Manniche aparece numa fotografia de vencedores no Jamor equipado à Porto. O Manuel Fernandes após um derby na Taça Guadiana trocou de camisola com o amigo Miguel Veloso e deixou-se fotografar com ela vestida na entrega de prémios.

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Não consta que nenhuma das fotografias tenha sido alvo das novas tecnologias, ninguém usou o Photoshop para apagar aquilo que hoje em dia parece uma ousadia. Aceitamos sem complexos de inferioridade.

Até já jogámos com uma equipamento alternativo que ficou conhecido por azul à Benfica e ninguém morreu.

Hoje rimos disso.

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Nos guarda redes do Benfica de vez em quando vem a discussão porque os guarda redes jogam de verde ou azul. Não tem discussão, até faz parte da nossa história como já aqui expliquei.

 

Um dado novo é a cor das chuteiras dos jogadores. Nos últimos anos abandonou-se o preto e cada marca passou a ter uma palete de cores à disposição dos craques. Irrita um bocado ver jogadores do Benfica com verde ou azul nos pés mas é apenas um pormenor, tal como era o vermelho nos números das camisolas do Porto. É uma questão de bom senso, não é um caso de polícia que mereça regras em contratos.

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Nunca vi no meu clube nenhum jogador ser castigado ou multado por usar verde ou azul nos pés, na cabeça, nos pulsos ou na baliza. Nem por ter trocado de camisola com um rival e vesti-la.

Era o que faltava. O Benfica que teve eleições democráticas em tempos de ditadura, o Benfica que tinha a palavra Avante no seu hino em tempos de proibição, palavra bem recuperada pela bancada agora, o Benfica que passou ser identificado como os Encarnados por uma comunicação social sempre medrosa mas que exibiu sempre o vermelho onde brilha a luz intensa do sol que lá no céu risonho vem beijar com orgulho muito seu.

As cores para nós nunca foram um problema, antes pelo contrário, foram sempre um orgulho.

 

Isto contrasta com a mudança de mentalidades a norte e ali ao lado. Os nossos rivais foram consomando um ódio ao vermelho, ou encarnado, como preferirem, até ao nível do rídiculo.

O Benfica nem chega a esse problema porque se tivesse que banir a cor de um rival tinha logo um dilema; qual deles?! É que eles têm um alvo comum, nós não. Também por isso é que a diferença no apoio das bancadas é tão grande. Enquanto as claques de Sporting e Porto em momentos de euforia, longe de clássicos ou derbys, dedicam cânticos ofensivos ao rival comum, atrás do Benfica só se ouve apoio.

Nos últimos anos a cor vermelha tornou-se uma doença em Alvalade. O líder faz questão de legislar contra a cor do rival. Nem é preciso comentar mais nada.

Qualquer dia estão a embirrar com as cores da Selecção Nacional e a pedir para os seus jogadores não vestirem a camisola principal...

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Ah, esperem! Afinal, um qualquer advogado sportinguista já deu o mote no Record.

Estamos conversados.

 

 

 

 

Aquele Brasil - Suécia de 1990 Que Só Deu Benfica

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A propósito da pausa para os jogos das selecções e ao regresso à titularidade de benfiquistas na Suécia e Brasil, é tempo de recuperar o jogo mais mítico de sempre em Campeonatos do Mundo de futebol para os benfiquistas. Uma recuperação dedicada a Lindelof e Jonas.

 

Quando oiço falar na seca que foi o mundial Itália'90 deixo sempre escapar um sorriso baseado em dois pensamentos. É certo que foi uma prova sem grande espectacularidade mas coroou a melhor camisola de sempre num Mundial, a da Alemanha, e teve o jogo mais benfiquista de sempre sem a presença de Portugal. São estes dois pensamentos que ainda hoje me fazem sorrir.

 

Diga-se que a ausência de Portugal do Mundial 1990 não era problema algum para quem se habituou a acompanhar fases finais sem as cores nacionais presentes. O México 86 e o Euro 84 foi as excepções. Na década de 90 nem uma presença em fases finais de Mundiais, e a o sonho de 1996 em Inglaterra acabou no chapéu de Poborsky.

Portanto, era fácil arranjar motivação extra FPF para vibrar com as fases finais das grandes competições.

 

Nunca um jogo foi tão desejado como o de 10 de Junho em Turim no Mundial 1990. Desde que a sorte ditou a junção de Brasil e Suécia no mesmo grupo, com o calendário a ordenar que o jogo inaugural fosse entre os dois países das camisolas amarelas, os benfiquistas sonhavam com aquele encontro. Os cromos da colecção da Panini dedicada à prova eram comprados e trocados sempre na maior ânsia de encontrarmos os maiores craques dos dois países.

Isto porque em 1990 o Benfica estava muito bem cotado em ambas as selecções.

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 A época 1989/90 foi intensa para o nosso clube. Foi o ano que marcou o regresso de Sven-Goran Eriksson à Luz. O Benfica venceu a Supertaça em dois jogos contra o Belenenses, fez uma grande carreira europeia afastando com goleadas históricas Derry City, Honved e Dniepr, para depois bater o Marselha na Luz como todos nos recordamos, acabando por cair na final de Viena frente ao AC Milan.

A Taça de Portugal foi curta nessa época, vitória em Vila do Conde para depois cairmos em Setúbal.

No campeonato a veia goleadora de Magnusson, 33 golos em 32 jogos, não chegou para ganhar a Liga. Os 9 empates acabaram por dar o titulo ao Porto, ficando o Benfica no 2º lugar com o melhor ataque da prova.

 

Este era o enquadramento do futebol do Benfica por alturas do Mundial italiano. A excitação toda estava depositada naquele Brasil - Suécia recheado de jogadores benfiquistas. A saber:

Magnusson, 44 jogos

Valdo, 37 jogos

Thern, 33 jogos

Aldair, 33 jogos

Ricardo, 25 jogos

 

Além destes convocados, havia ainda a curiosidade de vermos o ex-benfiquista Mozer (regressaria dois depois à Luz) e o futuro reforço Schwarz, que assinou com o Benfica precisamente no verão deste Mundial.

Eram muitos jogadores do Benfica juntos que criavam uma enorme expectativa para um duelo clássico que o Mundo todo ia ver. O Brasil já não vencia a Suécia desde 1966, os suecos estavam em alta sabendo que iam organizar o Europeu 1992.

 

O dia mais esperado chegou e agora faltava saber quantos benfiquistas iam ser titulares. Antes do jogo de Turim começar houve um grande aperitivo na televisão com uma corrida de Fórmula 1 a acabar com dobradinha brasileira no pódio, Senna e Piquet já alegravam os brasileiros.

 

Quando os dois "onzes" são anunciados a emoção fica mais forte.

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 Ricardo Gomes é o número 3 e capitão do Brasil, Valdo joga com o 8, Aldair fica de fora e Mozer é o 13. Isto na Canarinha.

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 Na Suécia, Stefan Schwarz é o 8, Jonas Thern joga com o 16 e Mats Magnusson tem o 20 nas costas.

 

Todos titulares, menos Aldair, o que dava um total de cinco jogadores do Benfica em campo num jogo de campeonato do mundo!

Mas ainda havia mais uma surpresa. No banco da Suécia estava o velho conhecido Glenn Stromberg com o número 15 e que entrou em campo aos 70 minutos.

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 Era o ponto mais alto a ver jogos da maior prova de futebol do mundo. Benfica por todo o lado.

O jogo está todo no YouTube, voltei a vê-lo há pouco tempo e até fiquei com a ideia que foi melhor do que aquilo que a minha memória registou.

O Brasil venceu com naturalidade mas teve que sofrer. O primeiro golo só apareceu muito perto do intervalo, Branco a jogar e Careca a marcar. A Suécia não se limitava a defender e procurava sair em contra ataques rápidos deixando a incerteza no resultado até ao fim. Nem mesmo o segundo golo de Careca aos 63' derrotou de vez os vikings, naquela noite a jogarem de azul.

Brollin a dez minutos do fim marcou um golo que relançou o jogo. O sueco com 20 anos já mostrava o grande avançado que veio a ser.

Os jogadores benfiquistas não ficaram ligados de maneira especial ao jogo mas cada jogada em que qualquer um deles participava era um acontecimento aos olhos dos benfiquistas. Valdo deu o lugar a Silas aos 82' e Magnusson saiu para entrar o veterano Pettersson.

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Nas contas finais do grupo, o Brasil passou naturalmente com 3 vitórias. Caiu aos pés da Argentina num jogo cheio de truques que alimentam a magia da história da competição. A Suécia foi a grande decepção ao somar 3 derrotas. Uma delas contra a surpreendendo Costa Rica que se apurou deixando a Escócia também para trás. O resto é história.

 

Aquele Brasil - Suécia de 1990 merece ser visto por quem nunca viu e revisto por quem já não se lembra.

Jonas e Lindelof simbolizam o reencontro do Benfica com as selecções das camisolas amarelas.

Aqui fica o jogo completo com narração da Globo, com destaque para os comentários de Pelé:

 

Johan Cruyff, Um Antídoto do Benfica Europeu

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 Esperei por um artigo de Valdano para terminar o meu luto simbólico pela morte de Johan Cruyff. O argentino já se manifestou com a genialidade à altura que o momento exigia e sinto-me obrigado a deixar um testemunho sobre um homem que marca a minha vida.

Desde a hora de choque em que soube da perda de Cruyff tenho dedicado muito do meu tempo a ler tudo o que me parece mais relevante sobre o holandês. Fiz questão de procurar e comprar a edição do L'Équipe com uma das melhores capas que já vi, guardei a Marca em versão digital, devorei artigos de nomes conhecidos e outros anónimos. Reli e partilhei as melhores frases de Johan sobre o futebol e ia pensando no queria dizer sobre o génio.

 

Podemos mesmo começar por Valdano. Estou em situação de poder afirmar duas constatações que explicam este texto. A primeira é que cedo descobri que nunca teria o jeito de Cruyff para jogar à bola, a segunda é que nunca terei o talento de Jorge Valdano para escrever.

No entanto, estão aqui dois dos principais nomes que mais influenciam algumas das maiores paixões da minha vida. Ver futebol, querer saber mais sobre o jogo, ler sobre futebol, escrever sobre futebol, entender a arte e falar sobre ela.

 

Depois de eu ter nascido em 1973 o primeiro campeão europeu foi o Ajax. Isto ajuda a explicar a facilidade com que herdei o fascínio por Cruyff. Naqueles primeiros anos de descoberta no mundo do futebol era essencial absorver a sabedoria dos mais velhos.

À medida que ia conhecendo o Benfica do final da década de 70, ia aprendendo que o futebol tinha mais encanto além da Luz. Já tinha revelado ao mundo grandes artistas, alguns com aura de imortais pelo que ganharam, pelo que jogaram e pela marca que deixaram no jogo. Eusébio, Coluna e seus companheiros de conquistas europeias eram os primeiros a ser absorvidos, naturalmente. Mas nomes como Pelé, Di Stefano, Puskas, Gento, Best, Charlton, Garrincha e tantos outros, iam entrando no meu universo de aprendizagem ouvindo histórias dos seus feitos pelo meu pai, pelo meu avô e outros adultos próximos. Depois, lendo os poucos livros dedicados ao assunto que havia por cá e vendo/ouvindo as transmissões raras de jogos internacionais onde Gabriel Alves e Rui Tovar acrescentavam sempre mais conhecimento da causa que era a paixão pelo futebol.

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Foi a meio da década de 80 que a minha febre com o futebol atingiu o auge, após os mundiais de Espanha e México, do Euro de França, de assimilado tudo o que havia para saber sobre o Benfica da altura, a necessidade de saber mais e mais sobre futebol estrangeiro tinha uma solução nas transmissões das finais das taças europeias em Maio. Noites inesquecíveis, esperadas com ansiedade enquanto se tentava ler a Onze e devorava a Foot, revistas que começavam aproximar o futebol dos adeptos.

 

Curiosamente, foi durante a transmissão da final da Taça das Taças em Atenas no ano de 1987 que tive das conversas mais proveitosas sobre futebol com adultos. Em boa hora perguntei porque é que o treinador do Ajax era tão respeitado pelos comentadores. Na altura já sabia que Cruyff tinha sido grande jogador e que procurava ter o mesmo sucesso enquanto treinador mas via-se que era tratado como uma figura superior.

A mim não me parecia nada de especial o feito do Ajax vencer a Taça das Taças contra o Lokomotive Leipzig. Ganhou com um golo de um tal de Van Basten.

Fiquei contente porque me foram contando ao longo do jogo as proezas de Cruyff como jogador. Se o homem venceu 3 Taças dos Campeões seguidas a jogar pelo Ajax já era motivo suficiente para entrar para a galeria dos imortais. Mas ainda ter brilhado no Barcelona e ter levado a Holanda à final do Mundial de 1974 eram feitos ainda muito frescos na memória do meu pai e do meu avô. Não havia como não ficar rendido.

 

O meu avô morreu convencido que Johan Cruyff foi o melhor jogador do Mundial 1978 precisamente pela sua ausência. Contava-me repetidamente que o holandês se recusou a jogar um torneio organizado pela Argentina sob uma ditadura militar comandada por Jorge Videla. Ficámos a saber há poucos anos que não foi bem assim mas nada mudou sobre a imagem de Cruyff.

 

Cedo fiquei a saber que a minha Holanda 1974 foi o Brasil 1982. Percebia perfeitamente o encanto dos mais velhos com a Laranja Mecânica, já sabia que nem sempre os melhores vencem mas os que jogam melhor ficam sempre na história. Cruyff já estava na história.

 

Felizmente, fui a tempo de acompanhar a sua carreira como treinador. Assisti à tal vitória europeia e depois vi como mudou o futebol do Barcelona. Já todos sabem o que foi Cruyff a treinar o Barça entre 1988 e 1996.

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 Infelizmente, o percurso de Johan Cruyff rumo à glória como jogador e treinador cruzou-se com o Benfica. Infelizmente porque ele foi sempre feliz. Pode-se dizer que Cruyff foi uma espécie de antídoto ao Benfica europeu.

Em 1968/69 o Ajax disputou um dos duelos mais épicos da Taça dos Campeões daquela era. A equipa de Cruyff travou mais uma caminhada do Benfica rumo à final nos 1/4 de final da prova.

O Benfica foi ganhar a Amesterdão por 1-3 e pensou ter a questão resolvida mas os holandeses responderam com o mesmo resultado na Luz deixando tudo empatado. Desempate em campo neutro e vitória categórica do Ajax. A imprensa internacional falou de passagem de testemunho de Eusébio para o jovem Cruyff. Foi por esses dias que se soube da enorme admiração que Johan tinha pelo King. Vinha desde o dia que foi apanha bolas em Amesterdão na final que o Benfica venceu o Real Madrid! Eu só descobri esta história agora...

 

Em 1971/72 nova desfeita. Nas meias finais da Taça dos Campeões Europeus, o Ajax de Cruyff venceu na Holanda por 1-0 e sobreviveu na Luz com um 0-0. Johan disse que foi dos maiores massacres que sofreu mas como saíram vivos aproveitaram e ganharam mais um troféu na final com o Inter.

 Ficou para sempre um enorme respeito e amizade entre dois figurões do futebol mundial, Eusébio e Cruyff.

 

O Benfica podia queixar-se de ter voltado a ser vitima das géneses de Cruyff ao perder mais tarde as finais de Estugarda e Viana contra o PSV da... Holanda e o Milan com os três melhores ... holandeses.

 

O destino havia de trazer Johan Cruyff ao Estádio da Luz que ele tanto respeitava.

Eu vi em 1991 o grande Barcelona de Cruyff ao vivo. Foi no caminho para a conquista da primeira Taça dos Campeões para os catalães. Foi o começo do Barça ganhador.

Havia limite de estrangeiros, Cruyff apostou em Ronald Koeman e Richard Witschge, seus compatriotas e nos geniais Stoichkov e Michael Laudrup. Tudo comandado dentro de campo por Guardiola. Mais uma vez, o Benfica não foi adversário fácil para o holandês. Na Luz ficou 0-0, no Camp Nou um magro 2-1 apurou o Barcelona para Wembley onde bateu a Sampdoria. Local mais simbólico para coroar o futebol do Barça de Cruyff era impossível.

Estava aberto um caminho que obedecia a uma regra, o Barcelona podia ganhar muito mas teria sempre que respeitar a filosofia de Cruyff. Não é por acaso que só espanhóis e holandeses, seguidores da escola de Johan, têm tido verdadeiro sucesso à frente dos culés. Uma herança preciosa mas muito séria.

 

O facto do jogador e treinador Johan Cruyff ter cruzado o seu destino vitorioso tantas vezes com o Benfica só acelerou e aumentou a minha admiração por ele.

Descobrir graças ao YouTube toda a a sua classe a jogar futebol, aquela finta contra a Suécia em 1974, o golo impossível ao Atlético em Barcelona, a jogada épica de abertura de partida na final de 1974 contra a Alemanha, são só alguns pormenores de uma figura maior. Tão grande quanto as suas frases que pretendiam simplificar o jogo, ditas por alguém que assumia que falava mal cinco línguas. A inteligência, o humor e a paixão pelo futebol enquanto arte elevou Cruyff para o patamar dos guardiões do templo da bola.

Gostar de futebol é compreender Cruyff.

Não por acaso, em Portugal os três diários desportivos conseguiram não respeitar a sua memória...

 

 

 

O Renato é o Benfica, o Benfica é o Renato

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Sabíamos que esta época ia ser um tempo de mudança no futebol do Benfica. Nova liderança no banco, e uma maior aposta na prata da casa. Chegados que estamos à recta final da temporada já é possível identificarmos uma das maiores realidades reveladas nesta época 2015/16, o Renato simboliza o futebol do Benfica, dentro e fora de campo.

 

Apesar das primeiras apostas terem sido Nelson Semedo e Gonçalo Guedes, as grandes revelações até estavam guardadas mais para a frente. Na baliza Ederson mostra estar à altura das responsabilidades, Lindelof surpreendeu pela facilidade com que se impôs no centro da defesa e Renato Sanches ascendeu num ápice a figura central deste novo Benfica.

Pelo caminho ficaram Vítor Andrade, a rodar em Guimarães e Clésio Baúque, transferido para o clube grego Panetolikos.

Apesar da boa conta que a maior parte dos miúdos tem dado, é preciso ter ciente que Júlio César, Luisão ou Lisandro, por exemplo, são titulares em circunstancias normais. O que fica é a valorização imediata de jovens que mostravam ter potencial e passaram a ser verdadeiras opções para os vários lugares. Esta é uma novidade do Benfica desta temporada, tem dado bons resultados e empolgado os adeptos.

 

Não será exagero dizer que Renato concentra em si todas as atenções. A forma como entrou na equipa já com o campeonato bem lançado, a maneira como se impôs no meio campo e a rapidez com que se tornou uma referencia imprescindível no sistema de jogo do Benfica é algo muito raro, não só no futebol do Benfica como no jogo de uma maneira global.

 

Ainda no outro dia víamos o Renato a dinamitar a defesa do Galatasaray na Youth League e agora olhamos para ele,  orgulhosos, na equipa principal de Portugal. Uma ascensão merecida, justificada e acarinhada.

 

Houve o cuidado de proteger o miúdo na primeira parte do campeonato, ir preparando o seu lançamento entre os maiores e depois acompanhar da melhor maneira a sua "explosão".

 

Neste momento, Renato é destacado pelos mais importantes observadores do futebol internacional sendo escolhido para estar entre os melhores médios da Champions League, está na Selecção A com naturalidade, é titular indiscutível do Benfica. Está a fazer uma época incrível, inesperada e surpreendente.

O mesmo podemos dizer do Benfica. Vai entrar em Abril na liderança da Liga, entre as 8 melhores equipas da Champions League e ainda a defender o título na Taça da Liga. Isto depois de uma pré época tensa e uma primeira parte de temporada acidentada é uma autentica proeza que poucos estavam à espera.

O futebol do Benfica escolheu o seu caminho e tem lutado por ele de forma convincente, os benfiquistas estão cada vez mais unidos à volta da sua equipa querendo fazer parte de um grupo que pode ficar na história.

 

Fora de campo também há semelhanças entre Renato e o Benfica. Desde o começo da época que o Benfica se vê envolvido numa guerra sem limites com o "novo" rival na luta pelo título. Nem o Porto nos seus tempos áureos de terrorismo mediático movido a fina ironia foi tão longe como o que se tem visto e ouvido por parte do Sporting esta temporada.

Tem sido uma loucura descontrolada dos rostos mais conhecidos e com maiores responsabilidades num clube que se dizia diferente e liderado por cavalheiros. Tudo o que foi vomitado ao longo de meses desde o verão é bem conhecido e continua a ser veiculado. No meio de tanta verborreia houve um espalhanço, que pode ter sido fatal, por parte do treinador verde ao ultrapassar todos os limites no tratamento com Rui Vitória. Desde aí que os novos hooligans venerados pela imprensa nacional tentam acertar o passo e minimizar estragos.

 

Se dúvidas houvessem quanto à falta de escrúpulos e limites por parte daquela gente, ficaram todas dissipadas quando o novo nível de ataque foi centralizado no nosso Renato. Lá está, o Renato é o Benfica 2016, por isso é preciso "matá-lo".

Já que os vouchers, as teorias dos cérebros e afins não estavam a resultar, montou-se uma campanha, com pré aviso de bomba e tudo, contra Renato Sanches. O impensável aconteceu.

Se Jesus foi mesmo longe demais quando ofendeu Vitória, agora é a vez de responsáveis do clube, dirigentes, doutores e índios se atirarem sem dó a um puto!

O que se tem dito e insinuado sobre as origens humildes de Renato, sobre os seus pais, sobre a sua vida é algo inédito e explicativo de quão baixo se pode ir na ânsia cega de ver um "All in" tresloucado funcionar e dar um título ao fim de anos e anos de seca. Vale tudo. Mas mesmo tudo.

 

Como aquela teoria, pós trauma de derby ,em que se tentou transformar o nosso miúdo num carniceiro,  por causa de uma jogada com um jogador derrotado, não deu em nada passou-se para um outro nível de suspeita.

O que tenho lido e ouvido sobre Renato Sanches pela parte de sportinguistas conhecidos ou anónimos provoca-me náuseas. Nada que espante e que vem na sequencia do que tem sido esta nova liderança pautada pela raiva, inveja e ódio visceral a um só clube, o Benfica.

Neste novo figurino assanhado e ordinário, o Sporting esqueceu-se do que significa a coerência. Um conceito que já nada diz para aqueles lados.

Como é possível que um clube que passa a vida a apresentar "brunos paulistas" tendo como cenário dois miúdos formados no clube e que se auto promove como melhor academia de formação do mundo, se dê à vergonha de atacar um jovem futebolista com o talento do Renato só porque é do Benfica?

 

O clube que se aproveita de forma ridícula da fama das bolas de ouro que Cristiano Ronaldo e Figo ganharam lutando arduamente em clubes estrangeiros, miúdos que nada ganharam a nível individual a jogar pelo Sporting, é o mesmo clube que não tem o menor pudor em tentar "matar" a carreira de um jovem acabado de chegar ao nível mais alto enquanto jogador do Benfica. O único clube português que viu um jogador com a sua camisola ganhar uma bola de ouro, acrescente-se.

 

E a imprensa acha isto tudo normal dando eco a estas alarvidades sem se indignar, e a FPF recebe o nosso Renato de braços abertos sem fazer um único reparo aos ataques vergonhosos conhecidos publicamente. É tudo normal. Viva a hipocrisia.

 

Assim como o Benfica atingiu o ponto alto da sua temporada este mês, ao chegar ao 1º lugar da Liga e aos 1/4 de final da Champions, também Renato brilha no mais alto patamar da sua curtíssima carreira entre os maiores estreando-se na Selecção.

O que deveria ser um momento inesquecível e sem contestação aconteceu no meio da triste exibição de Portugal contra a Bulgária. O minuto em que um puto invade o relvado para dar um emocionante abraço ao Renato foi das imagens mais bonitas que o futebol tem para nos dar. Um puto que se está nas tintas para o lixo publicado sobre o registo de Renato e um jogador que correspondeu com todo o carinho mostrando que é só um miúdo feliz com o que está a viver.

Infelizmente, este quadro não chegou para fazer esquecer tanta atrocidade publicada sobre Sanches. Foi só mais um pretexto para nova investida. O invasor foi comprado, o abraço foi programado, o momento foi encenado. Isto foi sugerido, isto foi defendido publicamente para que todos possamos ler. Isto já não tem volta, não há retorno. É alucinar até ao fim.

E não há um, um só, representante daquele clube enlouquecido que diga basta. Até o João Mário, o único que tem o meu respeito neste caso, foi criticado por grande parte dos seus adeptos quando mostrou alguma sanidade mental em público.

 

O Benfica é o Renato, o Renato é o Benfica.

O Benfica se chegar ao fim da época com o objectivo do Tri conquistado vai olhar para trás e sorrir com os seus seguidores, o Renato se chegar ao fim da época campeão e no Euro vai continuar a mostrar aquele sorriso ingénuo e desarmante.

Se a época não acabar com os objectivos alcançados e voltarmos a ter que sofrer como no arranque da temporada, então o clube terá sempre o apoio dos seus adeptos e o Renato Sanches terá sempre os abraços daqueles que já o idolatram e acarinham porque nós sabemos que este é o caminho certo, a olhar para dentro e a cuidar dos nossos.

Ofender, achincalhar, insultar e "cortar pernas" a outros miúdos, só porque não são da nossa cor, pode dar um título ou outro mas não servirá para nada a longo prazo nem honra a nossa história. E isso não se compra, nem se vende, nem , muito menos, se troca por causa de um "All in" qualquer.

 

 

 

A Vitória do Benfica no Bessa Agora em Imagens

 

A grande jornada de domingo vista pela lente do grande João Trindade.

Boavista 0 - 1 Benfica: Sorte? Sorte é Sermos do Benfica!

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Acordar num domingo ansioso por causa do Benfica. Só de ler esta frase já há quem sorria e a pensar: oh, tantas vezes.

A verdade é que é demasiado repetitivo este estado de ansiedade, principalmente quando chega a recta final do campeonato e estamos na luta como é tradição no nosso clube. E mesmo assim a sensação é sempre nova. É incontrolável acordar a meio da noite a pensar que nem fui assim tantas vezes ao Bessa na minha vida. Fazendo bem as contas só lá fui em 2005 e voltei campeão e depois com o Leixões num 1-1 no último jogo de Fernando Santos no Benfica. Pânico! Nunca vi o Benfica a ganhar no Bessa. Sono estragado. É gerir até chegar a hora de acordar e ir beber café.

Dar os bons dias aos meus amigos que na véspera brilharam no Jornal da Noite da SIC desde a Praia de Ipanema no Posto 9. A reportagem era sobre a situação politica no Brasil, o que eu vi foi vários portugueses de camisola do Benfica vestida numa esplanada com chapéus e cadeiras com emblemas do Benfica. Mas disso ninguém falou. Ir à foto do facebook dar um olá aquele pessoal.

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Depois usar o chat do facebook para dar ânimo aos benfiquistas que foram até Turim levar benfiquismo junto do Torino em dia de derby com a Juventus, algo que destaquei ontem.

Continuar a falar com o pessoal que trocou a viagem ao Bessa pela ida ao pavilhão para ver o voleibol e acompanhar com mais atenção a final da Taça de Portugal de basquetebol.

Saber como estava a turma que ia partir para o norte.

Trocar uns cumprimentos pelos comentários do facebook com os companheiros de sempre que estão espalhados um pouco por todo o mundo e que sofrem ainda mais nestes dias com a distância.

No fundo, sentir-me perto de toda a família que sofre a mesma ansiedade que eu num domingo tranquilo a chamar a primavera.

É reconfortante saber que vamos ter amigos a apoiar nos pavilhões, que temos quem represente o Glorioso em Turim e todos queremos tudo de bom para o nosso clube.

 

Depois, é juntar, rumar ao Porto em ambiente de diversão, parar algures na Mealhada para devorar leitão e vinho gasoso e acabar a viagem até ao estádio onde os nossos jogadores precisam de nós. Ver caras conhecidas cá fora, entregar bilhetes comprados em Lisboa a quem vive a norte e sente o Benfica como eu, entrar no estádio e sofrer. Trocar sms com quem não pôde vir, distribuir ansiedade por todo o lado.

Perceber que o jogo não vai ser nada fácil e aproveitar as várias paragens e a falta de pressa de jogadores e apanha bolas axadrezados para contemplar um estádio do Bessa que é bem bonito e prático para se ver futebol. As cores de fim de tarde no céu casam bem com as luzes saídas dos holofotes saídos das coberturas das bancadas. É um bonito quadro para vermos a nossa equipa jogar.

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 Apoio, como sempre, não falta aos rapazes de vermelho e branco. Jogar fora é um conceito algo estranho de entender para um jogador do Benfica, há sempre uma multidão que vai atrás deles pelo mundo fora para os ajudar nas nossas conquistas.

Mas a vontade das bancadas benfiquistas não estava a chegar ao relvado. O Benfica estava bloqueado perante um Boavista bem organizado e determinado a defender o nulo com todas as suas forças. Não havia momentos de perigo, não havia desequilíbrios, não apareciam oportunidades de golo. Não estava mesmo nada fácil.

A 2ª parte passou num instante e o empate parecia inevitável, embora todos nós, dentro e fora de campo, acreditássemos que a felicidade ia chegar em qualquer momento.

Foi para lá dos 90 minutos que o mundo parou, a terra deixou de rodar, os olhos não pestanejaram enquanto a bola sai do pé de Eliseu para a cabeça de Carcela que dá no ar para a entrada de Jonas que sem deixar a bola bater na relva chuta de pé esquerdo para um golo épico. Sem penaltis, sem cotovelos, sem foras de jogo. Só com classe. Uns segundos em que a bola andou no ar até acabar na baliza de Mika, os instantes em que nada mais importou no resto do planeta.

A loucura com que explodiu uma bancada mesmo atrás dessa baliza, o delírio com que todos os jogadores, banco incluído, festejaram o golo, diz tudo. O momento que sacia os que estavam no estádio, os que sofreram nos pavilhões, os que estavam no Rio de Janeiro, os que se agarravam aos portáteis com ligações complicadas pela mundo fora, a rapaziada em Turim, o Caetano e o Marques, todos, mas mesmo todos, abraçámos o Jonas naquele momento. Um golo inesquecível.

 

E logo ecoou o lamento de meio Portugal: que sorte!

Sim, falemos de sorte. Temos tido imensa sorte. A chamada do Jonas à Canarinha deve ter sido sorte. Ele justificou com sorte, faz sentido.

Mesmo sorte tem tido o Júlio César, o Luisão e o Lisandro, o Gaitán e o Fejsa. E a sorte que é não contar com Jardel e Mitroglou castigados ?!

Assim de repente, conto uns sete titulares, repito SETE, afastados da equipa e ninguém se queixou da sorte. Jogaram outros tantos que lutam por nós até ao fim. Mas lutam mesmo para sermos felizes.

Num jogo em que os jogadores deram tudo, em que o treinador teve que improvisar do principio ao fim, ao ponto de termos Luka Jovic (!) em campo para o assalto final. E isto, meus amigos, de sorte nada tem.

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Aliás, durante o jogo não vi a sorte querer muito connosco dentro de campo. Nas bancadas também não houve sorte nenhuma, para falarmos da incompetência e irresponsabilidade de quem organiza um jogo em que a bancada mais cheia não tem iluminação nas casas de banho, nos corredores, nas bancadas não há luz nem nas portas de emergência... Uma vergonha que mancha a tal magia que é ver futebol num espaço tão bom para se ver futebol.

 

Sorte? Sorte é termos o Jonas. E o Eliseu. E o Carcela. E todos os que têm feito dos infortúnios novas oportunidades de mostrarem serviço.

Sorte é sermos do Benfica. No Bessa, em frente à televisão, a ouvir na rádio, em Portugal ou em Turim, no Rio de Janeiro ou no resto do mundo. Ser do Benfica não é só sorte, é tão bom!

Faltam 7 finais, ainda temos muito que sofrer mas já se percebeu que não se ganham títulos por decretos no facebook.

Paragem para as Selecções, Benfica na frente.

 

 

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