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Benfica 0 - 1 Sporting : Uma Mão Cheia de... Nada!

Assim foi a estreia do novo Benfica de Rui Vitória, uma mão cheia de nada. E outra cheia de coisa nenhuma.

O pior nem foi o resultado, por muito que nos custe, muito menos a maneira como ele é conseguido, com tabelas de sorte. O pior foi chegarmos ao fim do primeiro jogo oficial e ficar sem perceber o que é o tal novo Benfica.

Andamos há várias semanas a tentar esquecer o nome de Jorge Jesus mas como o primeiro embate da época era precisamente contra ele tornou-se impossível ignorar o choque. Há que dizer que o ex treinador do Benfica ganhou em toda a linha este combate ficando, para já, como o grande vencedor nas arriscadas opções que tomou nos últimos tempos. Desde logo lançou este jogo como quis, da maneira que mais gosta, chegando a ficar na incrível posição de sair sempre ganhador desta Supertaça. Se o Benfica ganhasse era com as ideias dele, se o Sporting ganhasse era porque já mudou tudo no seu novo clube. E contra isto não vi ninguém a conseguir dar a volta.

 

Dos jogos da pré época raramente comento e não é agora que vou fazê-lo mas ontem tornou-se evidente que aquele desnorte que se viu no futebol do Benfica numa digressão que não deixa saudades, não foi coisa do acaso.

A maior derrota desta Supertaça foi deixar evidente que não há uma ideia de jogo, um sistema principal que possamos trabalhar. Obviamente, também não há plano b. Rui Vitória hesitou e entrou num labirinto que não se está a ver muito bem como há de sair. Aproveitar o que estava bem feito é sempre sinal de inteligência, não perceber onde acaba esse aproveitamento para sintonizar com ideias próprias é preocupante.

Estamos a poucos dias do começo do campeonato e ninguém sabe se este Benfica quer jogar pelas alas, com dois avançados ou só com um, se dá prioridade a bolas longas ou tenta ir mais pelo meio. Não se sabe porque é impossível, para já, vislumbrar uma ideia de jogo, um sistema para ser trabalhado, mais do que uma visão táctica.

 

O discurso recai em mais reforços mas temos quase como certeza a saída do melhor jogador da equipa, Nico Gaitán. Seria uma surpresa o argentino ficar mais uma época. Assim como é de esperar a venda de mais um jogador útil de plantel, André Almeida tem mercado como é sabido.

 

Mesmo assim estes ficaram até ontem e já tinha chegado um nome sonante. Portanto, Rui Vitória nem se pode queixar de falta de argumentos. Aliás, olhando para o onze só uma posição merece análise, a de defesa direito onde a partida de Maxi deixou caminho aberto para o miúdo Nelson Semedo. A tal aposta na formação vai ter ali a sua bandeira em campo. Provavelmente, a única em termos de titulares.

A outra ausência foi Lima mas para o seu lugar jogou quem já cá estava no plantel. De resto, só temos a lamentar a lesão de Luisão. A equipa foi praticamente a mesma que nos habituámos a ver ganhar. O facto de perdermos com estes jogadores, Gaitán incluído, da maneira como perdemos é alarmante.

Outro sinal inquietante foi ver o desespero de lançar um jogador acabado de chegar a Lisboa para tentar chegar ao empate. Depois de semanas de trabalho o melhor que temos para mudar o rumo é tentar o número do milagre?

 

Eu não duvido que Rui Vitória tenha ideias fortes próprias. Eu compreendo que o desafio de pegar num Benfica que ganhou praticamente tudo nos últimos dois anos não seja tarefa fácil. Não se pede que o novo treinador chegue e mude tudo, mesmo porque não faz sentido mudar o que está bem. Mas esperava ver nesta altura a equipa já com um principio de ideias de jogo próprias da nova equipa técnica. O que vi foi um amontoado de equívocos dentro de campo. Está visto que o Ola John não dá mais do que isto, nem com novo treinador, já se percebeu que Talisca é uma herança envenenada que condiciona o desenvolvimento táctico. O que ainda não se viu, e isso pode ser positivo para Rui Vitória, é o que este treinador quer fazer com os jogadores que tem à disposição.

Falar de reforços, para já, não resolve absolutamente nada. A menos que esteja em cima da mesa a chega de Messi ou Cristiano Ronaldo, homens que merecem um desenho táctico em função daquilo que jogam. Como não é isso que está em causa, não serão os reforços, sejam eles quais forem, a endireitarem uma equipa que, neste momento, está longe de ser algo estável e compreensível de analisar.

 

Com os jogadores que lá estão já devíamos estar numa nova era e não estamos. Isso é o pior.

Quer dizer, na verdade o pior é sempre perder contra o Sporting. Nos últimos 16 derbys perdemos duas vezes e eu não quero abdicar desta estatística assim tão depressa.

Doeu perder para o rivais, doeu estar no Estádio do Algarve e ver a invencibilidade do Benfica neste local ir ao ar com um pontapé de sorte, doeu não ter sentido uma única vez durante 90 minutos que seria possível ver o normal acontecer, isto é, ganhar uma competição.

 

Uma palavra para a FPF que tornou a Supertaça numa competição muito digna com um excelente trabalho organizativo e de divulgação exemplar. Óptimo sinal.

 

Outra palavra para os benfiquistas que tenho conhecido pelo Algarve. Este jogo veio mesmo a calhar porque apanha-me numa estadia usual no sul. Desta vez não tive de fazer o vai-vem com os companheiros do costume, já cá estava e aceitei o convite de gente que aqui mora e que me conhece de um encontro na Luz. O suficiente para proporcionar uma tarde incrível de comida e bebida num invejável jardim onde só se falou de Benfica. Laços que são criados constantemente tendo como dominador comum sempre o Sport Lisboa e Benfica. São horas que valem tanto como golos e taças, são prazeres que nenhuma táctica nem nenhuma mudança vai poder acabar, porque à volta do Benfica há sempre muito Benfica que se multiplica de maneira incontrolável. Essa será sempre a nossa maior consolação.

 

No domingo lá estaremos para os primeiros três da época, está na altura do novo treinador mostrar o que quer e ao que vem, na certeza que a paciência do Terceiro Anel costuma ser curta e com a necessidade de perceber que a exigência no Estádio da Luz está altíssima.

Agora sem Jesus no horizonte, trabalhe-se bem a estreia na Liga.