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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Rumo ao Tetra

Benfica 1 - 2 Vitória de Guimarães

 

Infelizmente não posso dizer que seja um desfecho de todo inesperado. Depois do que tenho passado já estava a contar com um fecho de época destes. A motivação era tanta que expliquei aos companheiros de bancada e viagens que me ia baldar ao almoço na mata e aparecia mais perto da hora do jogo. A motivação era tanta que com o resultado em 1-0, antes da reviravolta, a exibição sabia-me a pouco.

Não festejei exuberantemente o golo do Benfica. Não sei quando voltarei a festejar um golo de maneira descontrolada como aquele do Cardozo que deu o apuramento para Amesterdão no outro dia que agora já parece há uma eternidade. A desconfiança tomou conta das minhas emoções.

Vi o jogo sentado no muro de pedra que separa o primeiro anel de bancadas do segundo. Tem sido sempre assim desde 1988. Nem é de propósito, quando chego ao estádio depois de andar um bocado acabo sempre por ir para ali. Há um sentimento de recuperação do futebol de outros tempos, sentado num muro a torrar ao sol e a ver bola. Tinha passado a semana a recordar com a minha mãe a final perdida para o Belenenses em 1988. Foi uma tarde parecida com esta. Festa o dia todo, eu , amigos, irmã, prima e a minha mãe, tudo para o Jamor. No fim perante a festa azul caíram-me umas inocentes lágrimas. Não estava nada habituado a ver o Benfica perder... Ainda hoje a minha mãe brinca com esse momento. Depois de sairmos do Jamor conseguimos esquecer um pouco a desfeita à conta de um concerto dos Delfins nas traseiras da nossa casa, o parque do centro comercial Fonte Nova. Era a festa da Benflor e a presença da banda de Cascais era o ponto alto do evento. Antes que comecem já com bocas, reparem bem que estávamos em 1988 e nessa altura a canção "1 Lugar ao Sol" era uma granda malha, não me lixem!
Vinte e cinco anos depois nova desilusão no Jamor e novo consolo em casa, um jantar preparado com todo o carinho pela santa da minha mulher que sofre com isto só por saber que eu sofro. Vendo bem nem me posso queixar do rumo da minha vida, o Benfica continua igual a retribuir com facas nas costas ao meu amor incodicional mas tenho quem me ampare. Isso é positivo.

 

Outro jogo que recordei muito esta semana foi a final de 1980 quando ganhámos ao Porto 1-0. Foi a minha primeira vez no Jamor. Uma estreia de todo inesperada. Estávamos a almoçar pacatamente em casa quando o meu pai atende o telefone da sala e admirado solta uma interrogação: "Olha, um colega meu tem bilhetes a mais para a final, queres vir connosco?" . A excitação foi tanta que nem acabei de comer, saí disparado ao quarto buscar a bandeira que tinha sempre pendurada na cama e apresentei-me pronto. Foi uma tarde que me marcou porque senti ali a magia do Jamor. Depois desse nunca mais falhei uma final com o Benfica no Estádio Nacional. Curiosamente, nunca vi o Benfica perder para Sporting ou Porto mas assisti aos triunfos de Belenenses, Vitória de Setúbal e agora Vitória de Guimarães.

 

Hoje foi a desfeita que menos me custou suportar nas últimas semanas. A de Amesterdão rebentou comigo, foi cruel. Não esperava grande coisa da final europeia e acabei desfeito com aquele golo nos descontos. Hoje foi diferente. Quando um adepto bate no fundo das emoções fica mais forte para suportar horas más. Como o Vitória não arranjava maneira de criar perigo foi o Artur que resolveu relançar o jogo. Lá está, como já o tinha visto fazer o mesmo com o Porto na Luz nem foi surpresa. A primeira vez custa sempre mais. Depois o resto é futebol, levar um segundo golo daqueles... É o fora de jogo que não é marcado, é o ressalto da bola, é tudo. E assim que a vejo lá dentro penso para comigo: "já vi disto, já senti isto, já sei o que se segue". Finalmente, levantei-me do muro e fui andando pela bancada. Não me despedi do casal mais simpático que conheço do meu sector de bancada da Luz e que hoje foram a minha companhia de muro. Não falei com ninguém, fui só andando à medida que o jogo acabava e até tive a calma de olhar para a bancada branca do outro lado e esboçar um sorriso, aquela malta merece aquela alegria. São uns adeptos do caraças! Aliás, muito pior do que perdermos o jogo e discussões no relvado , muito pior, repito, é não terem tido a dignidade de ficarem no relvado a assistir à entrega da Taça ao Vitória. Com o Chelsea não se foram embora, pois não? O Vitória vale muito mais do que um Chelsea, não tem magnatas russos a gastar fortunas com a equipa mas tem uma massa adepta que dá lições de paixão a qualquer beto daquele bairro de Londres. O Benfica tem que saber ser digno. Ou melhor, tem que reaprender a ter a sua dignidade. Não devia ser eu a lamentar isto aqui, devia haver alguém responsável lá dentro que não deixasse a equipa ir embora.

 

E agora? Foi a pergunta que mais me fizeram nas útlimas horas. E agora o quê?

É como disse lá atrás, esta até foi a derrota que me custou menos de engolir. O pior momento foi o fim do jogo com o Estoril. Aí sim, passei dos piores momentos que me lembro enquanto benfiquista. E olhem que já passei muitos e variados! O que aconteceu naquele jogo com o Estoril é que rebentou com a época. Era a noite em que não podíamos falhar, era contra o Estoril e falhámos à grande. O impacto cá dentro foi brutal. Saí de rastos da Luz, dormi mal nos dias seguintes e senti que tudo tinha acabado ali apesar de ainda haver esperança de mudar o destino fatal. Mas o Benfica recente obrigou-me a não acreditar em mudanças de destino. Por isso o jogo com o Estoril serviu de anestesia geral para a tragédia que se viveu em 3 actos posteriores. Em Amesterdão custou muito porque parecia que íamos ter uma fuga ao tal destino mas nem isso.

E agora? Não sei. Manda-se embora o Artur? Deixa-se ir o treinador? Vende-se o Cardozo? Voltamos às Assembleias Gerais de insultos e confrontos? Não sei.

 

Não votei nesta Direcção, votei em branco. Mas tenho sido um acérrimo defensor de Jorge Jesus desde o final da sua primeira época na Luz. Quando chegou cá eu não o queria, disse-o ao Rui Costa no pavilhão da Luz depois de um derby de andebol. Mudei de opinião e sempre o defendi. Agora, sinceramente, não sei ... Eu sou um simples sócio que pago quotas desde 1984, um adepto descontrolado que ama o clube desde que me conheço, um mero frequentador da Luz com RedPass. Vou continuar assim, obviamente. Já passei muito pior que isto tudo e nunca desisti, nunca o farei. Mas voltamos ao ponto de partida de Agosto passado quando saí a ferver da Luz com o empate com o Braga depois de ter feito centenas de Km's desde Paredes de Coura. Nessa noite fiquei logo com aquele horrível travo amargo a derrota na boca. Aos poucos foi passando, voltei a acreditar acabei por ir atrás deles outra vez mas no fim vejo que naquela noite de Agosto o sentimento estava certo. Acabou mal.

 

A solução é começar tudo do zero? É apostar mais uma vez nesta estrutura e esperar numa recompensa tipo Bayern que após uma época de fim trágico ganhou tudo com relativa facilidade? Não sei, meus amigos.

Sei que da minha parte vivi a época com toda a energia que podia dar ao clube, fui às AG's, não falhei um jogo em casa, sacrifiquei orçamento e dias de férias em deslocações, tentei motivar companheiros e amigos. Sinto que cumpri o meu papel.

O bom desta final da Taça é que significa o encerramento da época, amanhã já estamos em defeso e em loucura de nomes de jogadores e, provavelmente, treinadores. Volta tudo ao zero. É a altura do ano em que me desligo disto. Não quero saber de possíveis reforços, nem quero saber se renovam ou não com o Jesus. Façam o que quiserem, decidam o que quiserem, eu já sei qual é a minha resposta... Em Agosto lá estarei no meu lugar cativo na Luz para ver o primeiro jogo da época e começar nova aventura. É sempre assim, sempre assim será. Não contem comigo para a dança das transferências.
Não faço ideia do que é melhor para o clube, já não sou capaz de defender ninguém, não quero atacar toda a gente. Quero descanso disto e como faço todos os anos quero diminuir a chama desta loucura à volta do Benfica e aproveitar o sol, os festivais de verão e tudo o que tenho direito. Temos 3 meses para digerir isto, só espero que na nova temporada estejamos todos mais fortes e ambiciosos.
Boas "férias", VIVA O BENFICA !

Benfica 3 - 1 Moreirense

 

O Benfica cumpriu a sua obrigação nesta última jornada e apesar de uma exibição meio ressacada conseguiu impor-se ao Moreirense e virou o 0-1 para 3-1 somando os 3 pontos. A motivação já não era muita a partir do momento que se soube na Luz que em Paços de Ferreira já tinha acontecido aquilo que todos sabíamos que ia acontecer, o Porto chegava rapidamente ao golo com um penalti inventado que também originou logo a expulsão de um jogador do Paços. Tudo limpinho. A partir dali sobrava a honra de vencermos o nosso jogo e nada mais.

 

A vitória também teve o sabor de ver essa personagem nojenta chamada Inácio conhecer o amargo da descida de divisão. Mereceu e bem. Para o ano vai trabalhar para um clube um pouco mais acima na tabela, fica-lhe bem um cargo no 7º classificado.

 

Pena termos de esperar pelo jogo de despedida da temporada na Luz para vermos bola com a luz do sol. Também é pena só termos visto assistências na Luz com cerca de 50 mil pessoas nestes últimos jogos.

 

É quase inacreditável que tenhamos perdido este campeonato. A coisa começou torta em casa com um empate contra o Braga mas depois andou certinha , mais ou menos ao ritmo do adversário. Mais uma vez conseguimos uma vantagem pontual numa altura determinante da época e deixámos fugir. Dá que pensar.

 

É fácil dizer que perdemos a Liga no jogo com o Estoril e irmos por aí fora a culpa o Carlos Martins pela expulsão, o Jesus por não ter tirado o Lima que passou ao lado do jogo, o Artur que facilitou no golo sofrido, etc... Mas não me parece que seja um só jogo a justificar este fracasso. Penso que o problema começou no jogo contra o 7º classificado do terminado campeonato. No fim do derby o campeonato começou a mudar e a estrutura do Benfica não soube defender o clube. Não é o Jesus nem os jogadores que têm de vir rebater as teorias da conspiração que aparecem sempre que passamos obstáculos complicados. O clube tem que saber conviver com esses êxitos e interpretar os sinais dos inimigos.

 

O Porto apostou tudo numa perda de pontos do Benfica no derby. O Sporting surpreendeu tudo e todos ao conseguir mostrar na luz um futebol com mais de dois passes certos, coisa pouco vista nos últimos anos para aqueles lados. O Benfica , com mais uma dezena de jogos nas pernas, respondeu com dois golos, um deles uma obra de arte, e os lances polémicos foram aproveitados pelos verdes, o que pouco importa para a história, e pelos azuis que apelidaram logo este campeonato de Capela. O Benfica em vez de encolher os ombros e rir-se e ficar vaidoso do Golão Lima/Gaitán foi na conversa e começa a responder.

Ainda não perceberam que isto vai ser sempre assim? Sempre que o Benfica ganhe ou esteja perto de ganhar alguma coisa há de ser sempre por causa de árbitros ou jogadas de bastidores. Há três anos a culpa foi do túnel, com o Trap foi o jogo no Algarve, no ano passado após a derrota do Porto em Barcelos as faixas estavam entregues e este ano ia ser o ano do Capela. E nós caímos nisto.

 

Qual foi a necessidade do João Gabriel vir falar após o jogo dos Barreiros?! O que ganhámos com isso?! Qual foi a necessidade de respondermos ao discurso do "sujinho, sujinho" ?

E o que fizemos após a arbitragem absolutamente escandalosa que transformou a viagem do Porto à Choupana ( onde tivemos uma oposição fortíssima que nos custou 2 pontos ) num passeio alegre ? O que fizemos quando o Braga no Dragão foi prejudicado por causa de uma mão na área azul? E noutros jogos com lances duvidosos , já para não falar do facto de nunca serem marcados penaltis contra o rival, o que fizemos ? Nada. Num jogo com jogadas polémicas que acabaram por nos beneficiar, repito em UM jogo, os nossos inimigos transformaram a nossa vitória num escândalo e e a partir daí foi uma festa. Isto vindo do clube que tem a relação espectacular que todos sabemos com poder/arbitragem/corrupção. Isto tudo para dizer que acho inacreditável que sejamos comidos por aquela máfia que se habituou a controlar todo o nosso futebol e assim que vê o Benfica ganhar alguma vantagem abrem os fogos todos de guerra atirando com sujinhos, capelas e afins para no fim virem dizer que afinal o Campeonato não foi nada sujinho, foi muito espectacular e o Jesus até percebe disto.

E tudo o que nós temos contra este império é o João Gabriel numa 2ª feira à noite após ganhar ao Marítimo armado em irónico ?! A sério que é só isto?

É que podemos falar da táctica, da substituição, do minuto 92, da bola ao poste, do erro deste ou daquele jogador mas não se pode ignorar a maneira como tudo se passa fora de campo. E se dentro do relvado acho que estamos mais perto de ganhar do que estávamos, fora do relvado parece-me que estagnámos , para não dizer que andámos para trás.

Eu recebi parabéns de amigos portistas, sim tenho alguns bons amigos portistas, por alturas do jogo nos Barreiros. Disse-lhes que era parvoíce porque nada estava resolvido. Eu não sou do futebol, não ando lá dentro mas já tenho anos suficientes para saber que isto é sempre muito complicado de gerir. Aproveito para lhes devolver os parabéns pelo êxito, aos que já me tinham entregue o campeonato e aos que esperaram pelo final.

 

Quanto a nós, é bom reflectirmos como é que um Vítor Pereira consegue incendiar as nossas cabeças pensantes sem que ninguém consiga colocá-lo no lugar dele. Nem que fosse da maneira mais fácil, com silêncio.

Era para ter sido sujinho, era para ter sido o título do Capela e acabou por ser um exemplo de limpeza como se viu na Choupana e hoje na Mata Real. Tal como foi há um ano com o Proença na Luz ou como no nosso jogo em Coimbra.
Perdemos o campeonato em casa no Estoril ou no último minuto no Dragão, é isso que nós achamos e é isso que está mal porque se fosse ao contrário estavam eles a espumar e a culpar o Capela. Nós estamos aqui calados e resignados e ninguém acha anormal todas as polémicas deles. Sendo assim a culpa também é nossa. Perdemos por culpa própria mas só porque o rival estava em boas condições de aproveitar um deslize nosso de última hora.

 

Terminou o campeonato mas não acabou a época. Para a semana há Jamor. Concentração para sermos nós a fechar a época com um sorriso e termos a oportunidade de abrir a próxima com categoria.

Benfica 1 - 2 Chelsea

Quando há 30 anos no final do Benfica - Anderlecht vi uma lágrima atrevida a escorrer pelo rosto do meu avô materno em plena central do Estádio da Luz fiquei embaraçado. Naquela altura senti-me triste por ver os belgas levantarem ali o troféu estragando uma festa que devia ser nossa mas estava convencido que brevemente ia voltar a ver o Benfica em nova final e ser feliz. Parecia-me lógico tendo em conta o futebol que me habituei a ver até ali. Abracei o meu avô a tentar perceber a razão daquela rara lágrima. Ele lá me disse revoltado que a culpa era do sacana do Gutman e que ficou com a certeza que realmente já não ia ver o Benfica ganhar mais troféus europeus, isto numa altura em que os sucessos de 60 estavam ainda bem frescos na memória da geração dele. Ali cresci como benfiquista, fui procurar estudar muito bem o assunto e à medida que ia descobrindo e ouvindo sobre a maldição ia sorrindo pensado que era um grande disparate. Para que não pensem já que isto vai acabar comigo rendido à lenda digo que continuo a achar um disparate.

 

Com as finais de Estugarda e Viena, mais umas quantas saídas injustas de provas da UEFA pelo meio, comecei a perceber que isto não tem a ver com lendas mas sim com ciclos. As gerações de  benfiquistas anteriores à minha tiveram mais sorte que eu. Também tiveram as suas noites de pesadelo, amarguras e tristezas. Eu bem me lembro da maneira como o meu avô falava das derrotas de Wembley e San Siro... Mas festejaram dois títulos europeus que nós recebemos como pesada herança.

A realidade é que em 40 anos já vi o Benfica disputar quatro finais europeias, duas assisti no estádio, duas vi pela televisão. Em nenhuma delas senti vergonha de ser benfiquista. Em nenhuma delas aconteceu acordar no dia a seguir e sentir arrependimento pelo empenho que meti ao logo da época em ir ver os jogos, apoiar e acreditar no sonho. E isso é o que me descansa.

 

 

Em vésperas do jogo com o PSV comentei com o meu avô, que andou pela Europa atrás do Glorioso, que ia ser muito complicado ganhar porque aquela equipa era quase a Selecção da Holanda mais um dos maiores craques dinamarqueses e nós até tínhamos perdido o Diamantino. A resposta foi sábia e pedagógica , como sempre. O Benfica era conhecido como Glorioso desde os primeiros tempos de existência quando venceu uns ingleses numa tarefa que parecia impossível. O Benfica entrou para o restrito núcleo de clubes mundialmente conhecidos porque bateu o melhor Real Madrid e Barcelona da época. E o Benfica não venceu mais porque tem sempre como adversários nas finais as melhores equipas em prova. Eu vi o Anderlecht de Munaron, Vercauteren , Vandenbergh , Lozano e Frimann. Eu vi o PSV com quase todos os campeões europeus da Holanda de 1988. Eu vi o AC Milan de Van Basten, Gullit, Rijkaard e Ancelotti. Todos foram mais felizes que o Benfica mas ninguém pode dizer que não perdemos contra equipas lendárias.

O ponto de vista do meu avô era este, nós para sermos felizes tínhamos que mostrar ao mundo que jogávamos mais que os maiores. Por duas vezes conseguimos e por isso é que ainda hoje passeamos em Amesterdão com o símbolo do Benfica e corremos o risco de ouvirmos de pessoas mais velhas: "Benfica! Eusébio"

Ele tinha razão, faleceu em 1999 numa altura em que o Benfica já estava a anos luz de distância da glória europeia. Deixou-me uma herança pesada.

 

Trinta anos após aquela triste noite na Luz, a última do meu avô em estádios, acontece novo apuramento para uma final europeia. Depois dos festejos justificados pelo golo de CarDeuz aos turcos começou a tensão. Os bilhetes, o cansaço, a outras provas, os dias de férias não marcados, os preços das viagens, as opções de alojamento, o trajecto da aventura, a ansiedade, tudo isto ao mesmo tempo em contagem decrescente. O Benfica em toda a sua dimensão, pensar no Benfica dia e noite, andar nervoso com o momento. Como gerir a competição nacional e esperar pela final internacional? Como se sabe não foi nada fácil viver os dias até à final e cumprir o plano traçado. Partir de Lisboa segunda à noite para Madrid, esperar por novo voo para Bruxelas, que esteve em perigo até à última por causa de uma greve, alugar carro para cumprir a ligação Bruxelas - Amesterdão e depois fazer tudo de volta, uma aventura que terminou há poucas horas.

 

 

O dia da final europeia contra uma equipa que é "só" o campeão europeu em título que conta com jogadores campeões mundiais e alguns dos melhores do futebol mundial torna tudo muito especial. O cenário não podia ser melhor, Amesterdão é uma cidade que já conhecia dos tempos da visita a Eindhoven e está no top das cidades mais interessantes e cativantes para visitar sempre. O orgulho de ver o nosso emblema destacado na imprensa local e europeia, os cartazes de rua a anunciarem o jogo, os locais a falarem de Benfica, os encontros e reencontros com benfiquistas que já não via há anos, a naturalidade com que encontro o Toni no meio do povo na apertada e caótica entrada para o sector H. Tudo faz reacender a chama imensa, tudo me faz sentir orgulho na minha vida de adepto benfiquista.

 

 

Enquanto se espera a entrada passa-me pela cabeça os momentos mais marcantes de outras finais, especialmente o ambiente da Luz contra o Anderlecht. Foi exactamente esse ambiente que vim redescobrir nas bancadas do ArenA ! Que coisa espantosa de se viver, que vontade de vencer, que determinação a apoiar a equipa e fazer frente à mancha azul do outro lado do estádio. Foi o melhor ambiente europeu que vivi fora da Luz. Arrepiante. Funcionou para me motivar. Confesso que ia completamente desmotivado, convencido que não ia correr bem, ainda abalado com o descalabro interno. Foi das poucas vezes que me senti puxado pela bancada, costuma ser ao contrário.

A maneira como exibimos o nosso futebol fez-me sorrir, o ar preocupado dos ingleses que pensavam que iam ter uma noite calma deixou-me orgulhoso. Grande atitude do Benfica, bom futebol. O facto de não termo marcado na melhor fase deixou-me preocupado mas ao intervalo estava bem mais animado do que antes do jogo.

 

O golo do Torres abateu-me, o penalti do CarDeuz ressuscitou-me, a bola do Lampard angustiou-me, a bola do CarDeuz fora da área para defesa de Cech alterou-me, a cabeçada do Ivanovic matou-me. Outra vez. A carambola logo a seguir na área do Chelsea com a bola a não entrar enterrou-me. Quando vejo os nossos jogares a caírem pelo relvado fiquei incomodado, quando reparo nos majestosos écrans do estádio que alguns choravam como crianças senti algo que muito poucas vezes na vida senti. Sentei-me e tentei ser racional, olhei para quem festejava e via grandes craques e tentava convencer-me que isto é futebol. O futebol que eu tanto adoro, o futebol que me deu a conhecer as histórias mais apaixonantes e marcantes do que qualquer biografia ou romance já alguma vez escrito, estava a tratar-me de maneira sádica. Talvez pelo meu carinho para finais dramáticos ao melhor estilo do Maracanazo, ou da final em que o Liverpool deu a volta ao Milan, ou a do Bayern com o Manchester United... Desta vez é a minha equipa a ser vítima das maiores estocadas finais que há memória. Aquele arco que a bola do Ivanovic fez jamais sairá da minha cabeça. A imagem dos nossos jogadores completamente devastados ali à minha frente teve um fim dramático. Pela primeira vez em muitos anos rebentei em lágrimas. Consegui controlar na bancada, mas depois de uma fuga para os corredores aconteceu a visita das lágrimas atrevidas que tinham aparecido ao meu avô 30 anos antes. Agora percebo-o bem. Ele naquela noite não chorou o 1-1, chorou por se ter apercebido que não ia voltar a ver uma final ganha, eu rebentei pelas quatro que vi fugirem, por perceber que a minha humilde missão na imensa história do Sport Lisboa e Benfica é acompanhar um ciclo que começou alto mas já na ressaca da melhor década de sempre, para depois bater no fundo ( e nem foi assim há muitos anos ) , para depois assistir à reconstrução de tudo a partir do zero.

 

 

Eu sinto que estamos mais perto de sermos especialmente grandes outra vez, os dias maus ainda estão muito presentes na memória portanto a tristeza infinita de perder uma final europeia em Amesterdão quando comparada com desfechos de época que ditavam ausência imediata de provas europeias até dá para rir. Aliás, por falar nisso despacho já aqui outro assunto que tem a ver com clubes que vivem agora momentos de ausência europeia. Malta que viveu esta época momentos sublimes contra Videotons e Genks teve a amabilidade de se manifestar das mais diversas maneiras em tons de gozo comigo. Na pior época das suas vidas acharam que era uma boa noite para a criatividade. Foi óptimo porque deu para separar uns quantos do ramalhete. Foi uma óptima limpeza de contactos de telefone, redes sociais e afins. Felizmente, que tenho aqui muitas mensagens de autores não benfiquistas que nunca esquecerei, alguns até com humor fino, mas todas de um respeito incrível. Repito, nunca os esquecerei, verdes e azuis de valor. O resto são restos.

 

Também nunca esquecerei quem me deu a mão levantando-me daquele chão no corredor do ArenA e das palavras para acabarem com o coma, tal como do benfiquista que teve a coragem de me ver com os olhos molhados e não me conhecendo de lado nenhum deu-me uma palmada nas costas e pediu mesmo assim para eu publicar alguma coisa. Aqui está.

 

Quando percebi que podia completar o ritual de ver jogos do Benfica com a publicação de umas palavras foi quando aceitei entrar num blogue dedicado à temática e depois criar o meu próprio espaço. É para isto mesmo que serve o blogue. Desabafo sozinho, egoísta, monólogos que ninguém merece ouvir, textos que ficam arquivados para um dia mais tarde vir ler e sentir vergonha ou orgulho. É , no fundo, o assumir da fraqueza de admitir que eu penso mais no Benfica que aquilo que seria considerado razoável. Mas a verdade é que penso e sinto mais o Benfica que qualquer outra coisa na minha vida.

Esclarecendo, o Benfica é algo abstracto que está no meio das coisas mais importantes da minha vida, os meus pais, a minha irmã, a minha mulher, os meus amigos. A verdadeira família. Quando algo de ruim acontece a alguém desse universo em sofro. Com o Benfica tenho tido muito mais paciência do que com algum outro membro deste núcleo. A quantidade de vezes que já me senti traído pelo Benfica já dava para não ligar a futebol para aí há 20 ou 30 anos. Mas se há quem vá a pé a Fátima por fé em algo que nunca viu e só sente porque não posso eu meter três dias de férias da minha vida real para ir atrás de um sonho e vivê-lo com intensidade? Acabou mal? Sim, acabou. Repetia tudo outra vez? Repetia. Tudo. Tudinho. Repetia? Em Agosto começa novo sonho, até lá tenho tempo de curar mais esta traição. O nosso dia ainda não chegou. Há de chegar. Se não foi com o neto do meu avô, há de ser com os nossos. E até lá o Benfica será sempre o Benfica, uma espécie de religião mas sem enganar ninguém com milagres, apenas e só oferecendo doses brutais e cruéis de realidade e dor. Mas é o Benfica. E é tão bom ser do Benfica.

 

Bilhetes e Informações Para a Final da Taça de Portugal no Jamor

O Benfica recebe 12.689 bilhetes para a Final da Taça de Portugal, entre o SLB e o VSC, a realizar no Estádio do Jamor no dia 26 de Maio, pelas 17h15 (abertura de portas às 14h45).

 

A venda dos bilhetes a sócios do Benfica irá iniciar-se no próximo domingo (12 MAIO), nas bilheteiras da Praça Centenário, nas seguintes condições:

entre as 08h00 e as 14h00 – Exclusivo a Sócios com Red Pass Fundador, Centenarium e Premium, com quota de Março de 2013 em dia.

entre as 14h00 e as 22h00 – Abertura a todas as categorias de Red Pass, com quota de Março de 2013 em dia.

 

Caso ainda haja bilhetes, iremos continuar a venda no dia 13 MAIo (segunda-feira), nas seguintes condições:

entre as 08h00 e as 14h00 – Exclusivo a todas as categorias de Red Pass, com quota de Março de 2013 em dia.

entre as 14h00 e as 22h00 – Abertura a todos os restantes Sócios, com quota de Março de 2013 em dia.

 

Categorias de bilhetes disponíveis:

Categoria 1 (Central) – 30€;

Categoria 2 (Lateral) – 20€;

Categoria 3 (Topo Norte) – 15€.

 

A venda é exclusivamente efetuada na Bilheteira da Praça Centenário do Estádio do SLB (não há venda nas Casas do Benfica nem no site oficial).

 

- A abertura de portas está prevista para as 14h45 (2h30 antes do inicio da partida).

 

- A entrada no estádio para os adeptos do SLB será a Porta da Maratona.

 

- Os sócios e adeptos do SL Benfica deverão seguir a sinalética pedonal e de trânsito da zona envolvente ao estádio de cor ROXA, que conduz ao parque 3.

 

- Os bilhetes de responsabilidade de venda do SL Benfica também têm uma faixa ROXA (qualquer outro bilhete sem esta cor significa que não corresponderá a área de adeptos do SLB).

 

- Por indicação das forças de segurança, o trajeto que os nossos adeptos vindos de Norte (sobretudo quem vier organizado em excursões) deverão seguir será via a A1. Sendo assim, será este o trajeto a seguir quem vier do Norte será: A1, 2.ª Circular, IC17 CRIL, A5.

 

- O mapa em anexo indica quais os acessos para os nossos adeptos e que deverão utilizar o PARQUE 3 (para efeitos de parqueamento e picnic).

 

Pausa Para: Doutor Sócrates. O Ídolo Ausente.

Vamos fazer o seguinte: para ajudar a recompor do choque de 2ª feira à noite, respiremos fundo e para isso sugiro uma passagem pelo novo Futebol Mundial. O meu modesto contributo para este novo espaço do mestre Rui Malheiro é uma viagem ao mágico ano de 1982. Só para desenjoar um pouco, depois volto ao que interessa. Prometo.

 

Doutor Sócrates. O Ídolo Ausente.

Doutor Sócrates. O Ídolo Ausente.

 

É complicado imaginar como eram as semanas em que os jogos da UEFA decorriam todos na mesma noite e divididos em três Taças. Hoje, o mais difícil é não termos um jogo de futebol para ver em directo durante a época. Quem descobriu a paixão pela bola nos anos 80, como eu, sabe que mais depressa nos lembramos de um golo, de um jogo, de uma equipa, de um jogador dessa época do que de tempos mais recentes. O futebol era consumido de forma feroz porque não havia muita oferta e quando surgiam os directos em um dos dois canais de televisão pública tudo era absorvido ao pormenor.

Tudo isto não se deve a um louvor à saudade, nem é mais uma declaração do estilo naqueles tempos é que era bom. Esta introdução serve apenas para contextualizar a idolatria e admiração por um jogador de futebol. Há mais de 30 anos não tínhamos muitas opções para escolhermos os nossos jogadores favoritos em equipas de meio da tabela ou equipas menos mediáticas. Só nos chegavam à vista os melhores dos melhores. Foi assim que, no verão de 1982, com meia dúzia de jogos, conheci um dos jogadores mais completos, carismáticos e elegantes de sempre!

 

Continuem a ler o artigo em Futebol Mundial onde há mais fotos e vídeos relacionados com este contexto de 1982.

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