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Red Pass

Tetra Campeões

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Braga 1 - 1 Benfica

 

Braga continua a ser um enorme Circo. Um circo de segunda, uma extensão rasca do que aprendem um pouco mais abaixo perto do rio Douro. Proença continua a ser um palhaço sempre pronto a brilhar nestes circos. E o Benfica continua a ir nestas bizarrias encolhendo os ombros enquanto eleva este estádio à condição de terreno temível em vez de tentar ir lá acabar com toda aquela palhaçada, mas aí o nosso treinador também tem as suas culpas ao montar desastrosamente uma equipa receosa virada para contra ataque com a contradição de ser Cardozo o último homem. Tudo somado deu um ponto. Já aqui vi o Benfica jogar bem melhor e perder...

 

A nível pessoal assumo que hoje em dia não é só o simples jogo que me faz abandonar o conforto do lar durante um fim de semana e mudar-me para os ares gelados do Minho. Assumo que um dos maiores prazeres da minha vida, até umas das maiores prioridades, é ver o Benfica ao vivo. Se na Luz é um facto consumado na minha vida, joga o Benfica eu estou lá, sem grande dificuldade , quando jogamos fora tem sempre que haver um esforço logístico, financeiro e emocional para que seja possível ir apoiar a equipa de norte a sul, nas ilhas e no estrangeiro.

A tendência geral é com o passar dos anos trocar as viagens pelo conforto do sofá. Eu continuo a acreditar que ir ver o Benfica , seja onde for, é um ritual que pode ser saudável e entusiasmante. E tenho cada vez mais a certeza que não estou sozinho neste pensamento e por isso cada vez mais se consegue inventar fins de semana memoráveis à volta de um simples jogo de futebol.

 

Ter amigos que sofrem da mesma doença de querer estar sempre presente onde está o Benfica é a base para conhecer mais e mais pessoas movidas do mesmo propósito. Alargar essas amizades e arriscar convencer as caras metades a embarcarem numa aventura de uma fim de semana no Gerês com cenários naturais lindos, em busca das maiores riquezas gastronómicas deste país e encontrarmos anfitriões de luxo atraindo para as mesas casais que nunca vimos, amigos de amigos tornando dias e noites em convívios à partida impossíveis de acontecer se não fosse esse dominador comum chamado Benfica!

 

Chegar ao Porto na sexta feira à noite e atacar francesinhas com companheiros do norte, grelhar carne numa casa isolada no Gerês e ter a companhia de um casal algarvio (que fez as viagens sul-norte-sul de avião) que não conhecíamos a não ser do Twiter, é um exemplo entre muitos outros como se fazem amizades a partir das redes sociais e até da existência deste blog. Tudo isto acontece sempre com o Benfica como elo de ligação. Do Porto a Caniçada, da Pousada do Gerês a Amares, de Torres a Braga, nunca nos sentimos à parte. Há benfiquismo por todo o lado, há grandes benfiquistas por todo o lado, sentimo-nos em casa e à vontade em todo o lado. Aprendemos e conhecemos histórias de benfiquismo, ficamos orgulhosos de ali estar e , sobretudo, ficamos (literalmente) de barriga cheia com os roteiros gastronómicos que nos são sugeridos. Francesinhas, broa, chouriço, salpicão, queijo, carne barrosã, marmelada caseira, panikes, vinho verde tinto, alheiras, bacalhau, costelinhas, papas de sarrabulho, cabrito, bife de boi e outras iguarias que condimentam todo um fim de semana a norte e obrigam sempre a pensar no regresso breve.

 

Para o final fica o tal desafio de futebol. Um jogo que nos últimos anos se tornou num dos momentos mais complicados da época, a visita à Pedreira é uma enorme dor de cabeça desde que os locais se tornaram numa espécie de sucursal dos corruptos. Com a maioria das mulheres a caminho de Lisboa de regresso a casa lá fomos para o frio do Axa, ou lá como aquilo se chama.

O ambiente do costume, o ódio da moda, a motivação própria de um fim de mundo espelhada cara de um qualquer Mossoró.

Jesus tinha pedido para termos, finalmente, um jogo sem truques.

No final Artur disse que realmente quando o Benfica ali joga acontecem coisas do outro mundo.

Duas figuras que conhecem bem aquela casa, duas pessoas que devem saber bem do que estão a falar.

 

Por um lado o Benfica pôs-se a jeito para cair em mais número de circo porque não quis entrar na Pedreira autoritário, confiante, com a bola nos pés e tentar pôr em sentido o Braga. Jesus baralhou demasiado os processos da equipa colocando Ruben Amorim na frente de Maxi, recuperando Javi para o lado de Witsel que quando se adiantava muito esbarrava em Aimar completamente perdido em campo e a passar ao lado do jogo. Depois sobrava Gaitán para desequilibrar na ala mas sair em contra ataque tendo como referência Cardozo nunca podia ser uma boa ideia. Ou bem que íamos tomar conta do jogo tentando construir lances nos flanco e diagonais onde estivesse Cardozo na área ou bem que tentávamos contra atacar e para isso seria melhor termos lá Rodrigo de inicio. Demasiadas hesitações a juntar a uma louca mania de sair sempre e de qualquer maneira nos pontapés de baliza com a bola corrida para o lado. Artur passava para Luisão e Garay para tentar construir não se sabe bem o quê porque nunca dava em nada. E pior do que se ter insistido neste tipo de reposição de bola foi nunca se ter acabado com esta parvoíce até ao fim. Aproveitou o Braga para pressionar sempre mais à frente. Quando o Benfica consegui dar seguimento e velocidade ao jogo com alguns rasganços de Gaitán, Amorim e Witsel o ritmo quebra com uma inacreditável falha de luz, metade dos holofotes desligados do nosso lado da bancada! Pausa estranha mas levada com o humor de quem já está habituado a passar por cenas destas.

Mas quando se reata o jogo para mais uma interrupção e outro reatamento e outra interrupção já passamos do nível do acidente ou da falha para o lado das bizarrias do costume na Pedreira. Acho que é impossível desenvovler qualquer tipo de jogo profissional num contexto destes.

 

Aqui posso estar a dizer um grande disparate mas acho que enquanto o Benfica não tomar uma decisão drástica contra estes números de circo vamos continuar a ser envolvidos em casos destes lynchianos e a passar por otários que tudo aguentam. Em Abril do ano passado escrevi aqui que o Benfica devia ter respondido aquele ambiente bélico no Porto com meia volta do autocarro da equipa, apedrejado e vandalizado, para Lisboa. Depois além de mostrar as provas da falta de segurança e do animalesco ambiente à volta da nossa equipa às entidades nacionais devia ter exposto tudo à UEFA. E depois alguém que decidisse o que fazer.

Voltei a insistir nesta tecla de virar costas e deixar os animais a grunhir sozinhos quando na época passada em Braga vi uma chuva de bolas de golf o jogo todo contra nós chegando mesmo a atingir jogadores em plena actividade. Era ter agarrado na equipa e vir embora. Expor o circo e esperar por decisões. Fomos a jogo perdemos ambos os jogos porque não sabemos dar a volta a estes circos.

Hoje repito, à terceira vez que desligaram as luzes o benfica devia ter saído imediatamente de campo e informado árbitros e delegados que arranjassem uma data para fazer o jogo, talvez ao meio dia, quando quisessem jogar futebol sem estas palhaçadas.

Ficámos ali sujeitos ao reatar e à primeira oportunidade que o Proença teve para mostrar toda a sua simpatia pelo nosso emblema. Numa primeira parte jogada aos soluços conseguimos sofrer um penalti no último minuto e assim sem perceber bem como o jogo de Braga já estava perdido.

Curiosamente a partir daí não faltou mais a luz, mas houve oportunidade de voltarmos a ouvir o speaker de serviço a meio do jogo abrir o microfone e iniciar cânticos, apelar ao apoio e incentivar o público da casa. Volto a perguntar: isto é permitido pelas regras? Vale tudo? Podemos ter o nosso speaker na Luz a puxar do "Glorioso SLB" à vontade a meio de jogos oficiais?! Não vamos denunciar isto e pedir multas?

Ainda houve imaginação para cortarem a água quente nos nossos balneários. Tudo boa gente.

 

 

 

Com Rodrigo em campo fomos naturalmente mais perigosos mas nunca chegámos a ter um "11" em campo 100% convincente e talhado para tomar conta do jogo. Foi aos poucos que tentámos voltar à vida e desta vez conseguimos, finalmente, responder fazendo um golo que nos colocava novamente a pontuar e a evitar a primeira derrota de toda a época.

Pensei que íamos fazer tudo para completar a remontada mas continuámos com muitos receios e a deixar o Braga jogar. Rodrigo teve nos pés o 1-2 mas a bola saiu ao lado e acabámos por sair do circo da Pedreira com um empate.

Tendo em conta que na primeira parte não se conseguiu jogar e acabámos com um penalti contra o empate na 2ª parte é um mal menor. Mas o que chateia é que a equipa passou ao lado de uma grande resposta aquele clube e público e não apresentámos uma equipa para ficarmos isolados na frente da tabela. Deixámos que o fantasma da Pedreira fosse mais forte que a nossa enorme vontade de somar 3 pontos e descolarmos de vez para o título. E isso eu lamento imenso.

A todos que se juntaram a nós durante o fim semana, a todos os que deixaram sugestões e ofereceram-se para orientar o pessoal no norte o meu agradecimento e até breve.

Ao fim de um terço de campeonato não temos ninguém à nossa frente e já passámos duas tormentas invictos. Podia ter sido melhor, sem dúvida. Mas tem sido bem pior em anos recentes.

Força Benfica!