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O Sporting Está de Volta! Mas... Isto NÃO é o Sporting

 

Começo por assumir que com este post também eu caio nas pretensões que este "novo" Sporting quer: falar deles de preferência a mal. Tornou-se inevitável abordar o assunto tal o estardalhaço que os dirigentes montaram antes e depois de um simples jogo de futebol ainda longe do fim da primeira volta do campeonato.

 

Como perceberam tentei tratar este derby com o máximo de desprezo possível e resumi a crónica do jogo a um simples Enfim... , não porque tenha deixado de gostar deste jogo mas por tudo o que se passou à volta. Se isto fosse uma final de Taça ou o fim do campeonato talvez ainda entrasse na "guerra" com posts cheios de orgulho e motivação. Mas da minha parte não houve nenhuma excitação antes do derby. É a primeira vez que tal acontece em muitos anos mas é a verdade. Este jogo aparece na ressaca de uma viagem memorável ao estádio do vice Campeão Europeu onde assinámos a exibição que todos sabemos dentro e fora de campo. Foram muitos dias passados em Londres a falar de futebol, a visitar estádios como o de Wembley e a invejar a forma apaixonada como aquela gente vive o futebol. Chegar à Portela e perceber que aqui o assunto continuava a ser uma suposta jaula tira a motivação a qualquer um.

 

Falemos então do Jogo


 

Sobre o jogo, realmente podia ter feito uma crónica onde dizia que o Benfica apesar da ausência de Luisão, do desgaste de uma passagem de contornos aquáticos na Figueira da Foz e na ressaca de uma noite europeia histórica em Manchester conseguiu jogar o suficiente para somar a 6ª (!) vitória seguida num derby. Penso que será um registo inédito na história destes confrontos. Isto enquanto o rival não saiu de Alvalade nas últimas semanas e passou a semana inteira a preparar um jogo que , imagine-se, chegaram a apelidar de Jogo do Ano!

Suponho que este será mais um episódio para o imaginário lagarto e que daqui a uns anos vão falar deste jogo explicando que o Benfica sofreu um autêntico massacre na Luz e teve a sorte do ano (já que era o jogo do ano) ao ter feito um golo e saído vencedor. O jogo que eu vi foi diferente. Partida equilibrada, o Sporting fresquinho (pudera!) eufórico com a possibilidade de passar para a frente do rival e com a fé toda nas corridas do Capel. Uma cabeçada ao lado e um remate perigoso também ao lado da baliza de Artur na primeira parte e estava mostrado o grande massacre verde na Luz. Entretanto na bancada da polémica nem ponta de sinal de descontentamento. Antes pelo contrário, loucura total entre adeptos leoninos, cânticos fortes e alegria em estarem ali a apoiar a equipa.

Do nosso lado um jogo controlado e contido devido ao tal desgaste que parece que ninguém valoriza. Gaitán arranca remate mágico que só por muita infelicidade bate no poste atravessa a frente da baliza toda e acaba por sair na linha final. Foi este o momento alto da SORTE do Benfica. Depois de algumas ameaças em bolas paradas aparece Aimar num canto clássico a meter a bola na cabeça de Javi que faz o golo. Para desespero dos sportinguistas um golo limpo que nem deu para criticar árbitros. Esta a sua maior frustração!

 

O golo de Javi foi tão natural e tão pouco original para quem tinha estado na Luz há uns meses a ver a meia final da Taça da Liga que se tornou num déjá vu.

Tudo normal até aqui. A 2ª parte prometia muito porque o Sporting era obrigado a atacar a sério e o Benfica podia repetir o jogo de Old Trafford defendendo com segurança e saindo em ataques perigosos por Gaitán e Bruno César contando com um joker muito importante, um banco de luxo de onde podiam saltar frescos Nolito, Rodrigo ou Saviola. Mas o árbitro quis pôr em prática uma nova regra desta época: o Sporting tem que jogar sempre com mais um e assim se expulsou Cardozo, que até já tinha ameaçado com uma bela a jogada que só não deu golo porque Patrício esteve em grande. Cardozo foi expulso porque saltou com um adversário e achou que sofreu falta. Ficou no chão e reagiu batendo com a mão no relvado. Foi expulso. Bonito. Não oiço nenhum sportinguista falar disso.

Este foi o momento que virou o jogo e deu ao Sporting toda a posse de bola de que se gabam e os empurrou para o nosso meio campo. Resultado? Uma cabeçada de Elias que Artur defendeu, uma desatenção de Artur que não souberam aproveitar e ... mais nada! Andaram ali às voltas e nada fizeram. Foi este o enorme massacre. Eu já vi o Sporting a perder por mais e a jogar bem melhor. Mas isto sou eu.

 

E pronto estamos falados do grande derby. Até o Domingos disse que talvez o empate fosse mais justo mas chorar um possível empate com mais um jogador em campo, sem nenhum desgaste antes do jogo e com todo o tempo para preparar a partida enquanto o adversário se batia com um dos grandes do mundo acho que é pouco. Para eles foi a loucura, vitória moral, ganharam uma equipa e por aí fora. Óptimo.

 

Convívio

 

Depois do apito final voltei ao meu derby. Aqui importa explicar que o meu derby não foi falar em jaulas, elevar isto a jogo do ano, prometer uma vitória, nada disso. O meu derby foi juntar os amigos de sempre, companheiros de bancada e de estrada (e avião) e passarmos a tarde a comer bem a beber melhor, a rir com histórias de outros derbys, com outras mais recentes vindas de Inglaterra e mais antigas clássicas. Este é o verdadeiro derby, tudo junto rumo ao Estádio da Luz para apoiar o nosso Benfica. Com um resultado positivo o pós jogo prolonga a festa à volta de um simples jogo de futebol. Mas connosco isto acontece em dia de derby ou em dia de defrontar um Monsanto em Torres Novas. É este o nosso espíritio que vai além de momentos e resultados futebolísticos.

 

O Circo Lagarto

 

Nada disto seria publicado se o jogo tivesse terminado ali aos 90'. Mas da parte do Sporting há mesmo vontade de prolongar o circo que montaram um mês antes do derby. O Benfica antes do jogo não reagiu mesmo porque tinha mais que fazer em Inglaterra do que alimentar touradas leoninas. Mas depois do jogo ultrapassaram-se todos os limites e ficou claro que para o Sporting o menos importante desta jornada era o jogo ( a menos que o ganhassem ). Assistiu-se pela primeira vez em Portugal a um fogo posto num estádio de futebol. Ali à frente das autoridades e das câmaras de vigilância. Incendiaram parte de uma bancada de tal maneira cega que nem perceberam que adeptos do seu clube ali presentes quase entravam em pânico com o cenário dantesco como se pode perceber pela leitura de uma excelente prosa de uma adepta leonina ali presente. Parte da bancada ardeu. Ardeu a sério enquanto os incendiários impediam os bombeiros de apagar as chamas partindo para a agressão! Tudo se passou ali num pequeno espaço fechado alegadamente controlado pelas forças de segurança. Se isto não é ultrapassar todos os limites então não sei o que é.

A reacção a quente do dirigente mais pirómano da actual direcção do Sporting não augurava nada de bom para as horas seguintes. Não tenho dúvidas que aquelas chamas foram o culminar de um fogo que Cristovão e seus pares atearam desde que se concentraram em tornar isto num circo.

 

O Sporting Como Clube Realmente Diferente e o Sporting Actual.

 

Voltemos então atrás. A memória é curta mas não tanto...

O Sporting mergulhou nos últimos anos numa comédia dramática divertida para adversários desesperante para os seus adeptos. Vale a pena perdermos um pouco de tempo a olhar para eles.

 

O Sporting nos últimos 29 anos venceu por duas vezes o campeonato nacional. Repito, duas vezes. Vamos então dividir este tempo em duas fases. Uma entre 1982 e 2000 e outra de 2002 a 2011.

 

 1982 - 2000

 

Nos primeiros 18 anos de jejum conheci um Sporting cujo maior orgulho era dizer ao mundo que eram um clube diferente. Ainda hoje o dizem, podem já estar a pensar. Pois dizem mas agora dizem por dizer, nem sabem bem o que isso quer dizer. Mas eu sei.

O grande problema que os meus amigos e conhecidos sportinguistas têm comigo é que eu apesar de sempre assumir que o meu rival é o Sporting e que é neles que concentro a minha ironia também conheço bem a sua história. Posso até dizer que a minha memória tem muitos mais dados e imagens do Sporting que a maior parte dos lagartos que eu conheço. Isto tem uma explicação muito simples. É que eu ainda vivi a época romântica do nosso futebol. Eu passei a minha infância e adolescência na Luz. Mas também passei uma boa parte em Alvalade. Ia com a mesma certeza apoiar o Benfica à luz como ia com a mesma vontade agoirar o rival no seu próprio estádio com amigos vizinhos verdes.

 

Era o tempo de chegar à porta do estádio e usar as palavras mágicas que nos punham lá dentro: "Senhor, posso fingir que sou seu filho e entrar consigo". Simples, sem torniquetes nem revistas nem seguranças. Umas palavras mágicas e o jogo era nosso.

Curiosamente não tive muitas alegrias nos anos 80 em Alvalade. Poucas vezes os vi a perder no campeonato e quando perdiam até era o clássico que nos dava jeito que ganhassem. Nas saudosas noites europeias às 4ªs feiras vi ali jogar algumas das boas equipas da Europa como o Ajax, Feyenoord, o Sevilha, o Barcelona, Inter, Nápoles, Real Madrid ou Real Sociedad e outros. Sempre com casa cheia, sempre com os lagartos orgulhosos da sua equipa.

Era aqui que residia o segredo do serem diferentes, nada ganhavam mas os adeptos enchiam o estádio sempre com a equipa mantendo sempre a fé. Curiosamente, nesta década das poucas vezes que lá fui sem ser com o SLB raramente ganharam um jogo!

 

2002 - 2011

 

Depois vieram os quase 10 anos de jejum que ainda vivem após dois títulos ocasionais. Esta fase não tem nada a ver com a dos anos 80 e 90. Entraram numa indefinição total. Chegaram ao ponto de se contentarem com 2ºs lugares submissos a um clube corrupto que os usou como quis e precisou perante a apatia verde geral. A bem ou a mal desviaram jogadores como Moutinho ou Varela, ganharam os clássicos que precisaram e chegaram a convencer o Sporting a entrar numa estratégia letal com objectivo de acabar de vez com o Benfica no reinado de Roquete como já foi contado recentemente.

 

A modernização do Sporting tem sido triste e feia. Mudaram para um estádio com cadeiras às cores, com um fosso estúpido entre bancadas e relvado que a maior parte do tempo está num estado lamentável. Tornaram Alvalade num atabalhoado campo de futebol ignorando assim aquela imagem de marca que era a pista de atletismo que conseguia dar mais elan ao estádio que todos estes novos azulejos do Taveira. Tiveram como golo inaugural um pontapé do Luís Filipe o que espelha bem esta nova era. Esqueceram-se de construir um pavilhão que juntasse as modalidades ditas amadores que sempre foram tão queridas dos associados. Acabaram aos poucos com a vida que havia naquele recinto. E a tudo isto os sportinguistas reagiram com entusiasmo justificando tudo com a dedicação ao clube e demorando quase uma década a perceber que têm de acabar com aquele fosso, têm que pintar a sua casa com as suas cores e que precisam mesmo de um pavilhão que devolva algum sentimento de ecletismo que pessoas como o Prof. Moniz Pereira mereciam que nunca tivesse sido tirado dali.

 

Nesta nova era, 2002 - 2011, as derrotas caseiras passaram a ser muito mais comuns do que nos outros 18 anos, as grandes noites europeias também se contam pelos dedos das mãos, o ambiente de estádio cheio é uma miragem convertida numa média de 20 mil pessoas nas bancadas. Até as claques se multiplicaram por divergências e transformaram-se numa espécie de braço armado das últimas direcções com Salema Garção e agora Paulo Cristovão em destaque.

Raramente vencem um derby na Luz ou em casa ou em campo neutro. Depois dos tais 2ºs lugares tão festejados foram deixados para trás pelos corruptos que viram no Braga uma parceria muito mais importante e nos últimos anos os sportinguistas passaram a ver o Sporting minhoto a lutar mais pelo título do que eles e até a igualar uma presença numa final europeia! Deixaram de poder lutar pelo título e têm actualmente como grande objectivo recuperarem a posição terciária ameaçada por outsiders.

 

Tiveram presidentes anedóticos que em situação de aperto se atiravam sempre ao Benfica para agradar às massas, receberam na sua casa homens cujas maiores qualidades eram ser... anti benfiquistas, como Costinha, viram o seu futebol caír na lama e puseram todas as esperanças numas eleições já este ano.

O que seria um momento de viragem no Sporting tornou-se apenas e só em mais um brutal episódio de comédia dramática com uma noite pré histórica, usando palavras tão em voga por aqueles lados, com trafulhices denunciadas, pancadaria, sacos de votos enigmáticos e o anúncio de um vencedor que embaraçava a nação sportinguista como se pôde ler e ouvir nas horas imediatas. Como se não bastasse terem um Presidente indesejado passaram a ter um treinador que transporta toda a herança corrupta de anos e anos ligados ao Porto. Um homem que sempre foi odiado em Alvalade passava a ser a maior esperança. E com tudo isto a própria identidade leonina vai desaparecendo. Já estão por tudo para voltarem a ganhar, tudo vale.

Onde estão os tempos de serem realmente diferentes? Enterrados no século passado. Já foram.

 

Nova Direcção Entra a Matar

 

Mas esta Direcção entrou mesmo determinada em mudar o ciclo e realmente preparou muito bem o novo look do leão para a nova temporada. Fez um trabalho soberbo ao nível da conversão dos descontentes em vozes de concordância. Felizmente tenho amigos e conhecidos que não perdoam nada daquela noite eleitoral e naturalmente afastaram-se da vida do clube passando apenas a acompanhar os 90' de cada jogo e mais nada. Mas foram muitos os que embarcaram nestes novos tempos de Alvalade. Alguns que eu até tomava por serem genuinamente "diferentes".

 

O mérito desta direcção explica-se muito rapidamente. Percebeu o erro que os responsaveis anteriores estavam a cometer com os desprezados bloggers e inverteram a situação. Chamaram-nos para dentro do clube oferecendo alguns mimos que os fizeram sentir, finalmente, importantes. Têm uma pessoa a acompanhar os principais blogs verdes que os alimenta com informações previligiadas, reuniões nas instalações do clube e trocas de sms que podem até resultar em campanhas concertadas. Poucos foram os bloggers que resistiram a este canto da sereia. Isto fez com que a opinião bloguista mudasse passando tudo a falar praticamente a uma só voz. Umas criticas ali outras aqui mas no essencial sempre todos juntos mesmo quando nem percebem bem porquê, tudo em nome de uma forte união que os vai levar de volta aos títulos.

Perde-se o sentido critico, toldam-se os pensamentos e incentiva-se os adeptos a episódios graves como este dos incêndios.

 

Os Novos Soundbytes

 

Como nas grandes campanhas políticas o Sporting também optou por dar aos seus seguidores umas frases fortes ou como se costuma dizer uns soundbytes. Este ano começou por ser O Sporting está de Volta. Não correu muito bem porque na apresentação levaram 3 em casa e depois a volta do Sporting foi não ganhar ao Olhanense, ao Beira Mar oa NordsNãoseiquê e perder com o Marítimo em casa. A frase tornou-se gozo para os rivais. Agora apareceu uma muita mais acertada: Isto é o Sporting. Bem exibida na bancada da polémica na Luz. Os adeptos mostraram a frase anunciando o que aí vinha. O resultado foi esclarecedor.

Como depois do péssimo arranque de época a equipa entrou numa senda de vitórias o universo verde passou num instantinho da profunda depressão à euforia desmedida que só tinha olhos para o tal derby. E aqui começaram os problemas.

Há mais de um mês dizia-me um amigo ao almoço que tinha ouvido da boca de um jogador do Sporting que na paragem por causa do jogo da Selecção a estrutura do clube já passava a mensagem ao plantel que o jogo da Luz tinha de ser para ganhar. Estranhei porque faltava imenso tempo mas depois percebi que a obcessão era tão real que elevaram aquilo a jogo do ano.

 

O actual problema do Sporting nem é só a fraca figura do Presidente Godinho, homem honrado mais conhecido pelo julgamento por corrupção do caso "paquetes da expo". A tropa que ele reuniu à sua volta é que levou o Sporting rapidamente aos patamares dos Guerreiros do Minho na senda dos amigos corruptos. Além do regresso dos outrora escorraçados Duque e Freitas há uma figura de peso (literal) neste novo Sporting, Paulo Pereira Cristovão que já tinha tentado chegar à presidência do clube e que viu agora uma porta aberta para realizar o seu sonho de colocar em prática todo o seu doentio anti benfiquismo primário já testemunhado até por alguns amigos sportinguistas.

 

A rábula da Jaula

 

Portanto, numa época em que no Dragão acabaram com as bolas de golf e todo aquele vandalismo ao autocarro da equipa, às casas do Benfica, deixaram de levar galinhas para o campo, voltaram a exibir a bandeira do nosso clube no estádio, percebendo que todos esses pormenores só os diminuiam, os amigos do Sporting resolvem passar ao ataque.

O pretexto foi então uma decisão do Benfica em passar a instalar os adeptos visitantes numa bancada superior devidamente delimitada e guardada. A opção foi clara e explicada muitas semanas antes. Já esta época adeptos do Manchester United e Basileia ( e Bósnia ) ficaram nas bancadas superiores sem qualquer drama nem incidente.

 

O Sporting usou a imprensa que tem mais à mão para iniciar uma mega campanha de vitimização agarrando num pormenor comparativo ao que se faz lá fora. Estádios que têm essa zona para visitantes e a que normalmente se chama de "The Cage". A caixa. Ou numa tradução mais conveniente; A JAULA. E é a partir deste nome, divulgado pelos media, note-se bem, que começam as teorias da afronta, da provocação, do afrontamento. O Benfica muito pacientemente insistiu na explicação que era uma bancada normal e delimitada, nada de especial. Até que entram em campo os cãezinhos de caça como Eduardo Barroso a levaram ao extremo a irritação dos adeptos leoninos cada vez mais escaldados com a indignação dos seus dirigentes.

 

O Benfica tenta resolver a questão com um convite a responsáveis do Sporting para visitarem o recinto antes do jogo. Estes aceitam e juntamente com representantes da Liga e da PSP aprovam as condições e nenhuma critica têm a fazer. Pessoalmente nada tiveram a apontar. Escondidos nos seus gabinetes , numa atitude hipócrita, continuavam a regar com gasolina uma fogueira que só eles ateavam.

Entre a Figueira da Foz e o derby o Benfica teve um compromisso realmente importante e por isso nunca entrou , felizmente, no circo verde. Não emitiu comunicados, não fez apelos, apenas mostrou a responsáveis rivais que não havia motivo nenhum para tanto barulho.

Pessoalmente fiz o mesmo. Aproveitei o jogo contra a Bósnia na Luz, convidei um bom amigo verde que também é blogger e mostrei-lhe ao vivo e a cores que não havia motivos para tanto drama. Ele concordou!

 

Para espanto geral a polémica não parava. Venho de Manchester encantado com a jornada europeia chego a Lisboa ávido de notícias sobre a Champions e só encontro o tema Jaula. Os dirigentes leoninos vão com os adeptos e recusam o tradicional almoço com o Benfica! Pensei que realmente está tudo doido e que já estavam mesmo a esticar a corda toda.

Parecem um puto de 18 anos a puxar de tabaco e álcool para se afirmar perante os mais velhos. Não faz sentido.

Claro está que a ida à Luz ia ser uma palhaçada e tudo ia ser potenciado em nome de um drama forçado.

Demoraram muito tempo a entrar? Saíram atrasados de Alvalade com a PSP? Sentiram-se apertados na multidão? Desesperaram nas revistas à entrada? Os lugares eram apertados? A visão era má?

 

Oh pá, santa paciência!! Mas foi a primeira vez que foram à bola na condição de visitados? Sabem há quantos anos é que eu passo por isso em mais de metade dos jogos fora da Luz que eu vou ver do Benfica, incluindo Alvalade? Tudo isto que andam a relatar acontece há anos e anos em todo o lado em que há jogos chamados de alto risco. Brincamos ? Até o facto do cortejo sair atrasado de Alvalade é culpa do Benfica? Tenham juízo. Aliás, quem vos viu e ouviu nos primeiros 40 minutos de jogo no estádio pode testemunhar que não se sentiu nenhum desconforto no vosso sector tal era a alegria com que cantavam e aplaudiam o vosso clube. Desconfio é que o Javi tornou a vossa latrina irrespirável...

 

Perderam o Jogo Mas Ganharam um ... Cristovão

 

O Sporting optou por esta via, a do confronto, liderados pela ceguês do Cristovão. O Benfica finalmente reagiu no dia do jogo mostrando 40 e tal bilhetes devolvidos que para eles eram só 12 e depois já eram fait divers e reagiu bem contra toda esta palhaçada que acabou com um fogo inédito num recinto desportivo que parece não incomodar ninguém porque foi uma reacçãoválida não se sabe bem a quê.

 

Quando se esperava que o Sporting acabasse com o circo após terem ultrapassado todos os limites com os seus adeptos a cometer crime de fogo posto a Direcção resolve dar o passo em frente rumo ao abismo e insiste em endeusar a figura do Cristovão. Entra numa guerra de comunicados de onde saem claramente goleados e acabam a ameaçar divulgar imagens ilegalmente gravadas no nosso espaço que comprometem o nosso Presidente. O Benfica sorri e pede já essas imagens no ar. O Sporting atrapalha-se e percebe que nem uma TV própria tem para as mostrar e então vai entregar na Liga. Eu confesso que gostava de as ver já porque adoro ver Vieira a gesticular recorrendo ao calão em grande estilo. Já vi o nosso Presidente assim noutras situações e tem piada. Mostrem!

 

Com isto tudo ninguém fala do jogo e o Sporting assume-se como grande opositor ao Benfica em termos de bastidores. Mas também aqui não conseguem a liderança, estão a anos luz do Porto e até do Braguinha que se devem estar a rir desta tentativa de mostrar ao país um Sporting índio.

 

Quando me criticam aqui por eu eleger o Sporting como meu rival em vez de outro clube qualquer e de ser o responsável por algumas expressões como LOL de Portugal (que me dizem ter nascido neste texto de Janeiro de 2010 ) eu respondo sempre que escolho o rival que quiser. Cresci a discutir com eles, tenho amigos de infância que são verdes e (para quem não sabe) tenho um pai que é do Sporting.

Por isto tudo apesar de todo o gozo que me dá ironizar com o LOL de Portugal eu sei o que é o Sporting. Eu sei o que é que eles queriam dizer com a cena do diferentes e por isso estou à vontade para falar sobre eles.

 

Cortem-se as Relações!

 

Sei que Vieira tem feito um enorme esforço para manter uma relação saudável com o Sporting convivendo sempre bem com os últimos presidentes leoninos. Mas quando a estrutura deles tem um incendiário anti benfiquista disfarçado de dirigente chega a altura de cortar toda e qualquer relação com aquela gente. Chega!

 

Escolheram este caminho, conseguiram mais do que nunca a tal união entre adeptos, sócios e bloggers, mesmo daqueles que odiavam Domingos e se sentiram enganados pela vitória de Godinho. É deixá-los seguir o seu caminho. Esquecem-se que só há 2 ou 3 derbys por ano e que essa chama depois apaga-se assim que caírem perante outra equipa qualquer. Estamos cá para ver o que dá este novo look guerreiro mas para já digo-vos com muita convicção: eu sei o que é o Sporting e Isto NÃO é O Sporting.

Manchester United 2 - 2 Benfica: Crónica de Uma Viagem a Old Trafford Com Passagem em Wembley

 

Horas após o regresso de Inglaterra, mais particularmente de Londres, a única certeza que trago é que não foi a última vez que visitei a capital inglesa. Agora , mais do que nunca, tenho a certeza que em Inglaterra sou muito feliz e tenho vivido alguns dos melhores dias da minha vida. Recordando: foi em Anfield Road que vi o épico 0-2 , foi em Londres que conheci de perto a realidade de Upton Park e Emirates Stadium em dia de jogo e acrescentei agora o capítulo de um dos maiores apoios no estrangeiro que o Benfica teve. Estive em Old Trafford e voltei a ser feliz. Pelo meio ainda fui conhecer essa casa do futebol chamada Wembley.

 

Desta vez tudo começou com a possibilidade de ir ver um concerto histórico numa sala emblemática de Londres. Quando a vontade é grande e o esforço igual tudo se vai conseguindo e organizando para vivermos momentos únicos. Consumada a presença em Inglaterra por causa do tal concerto tal como explico detalhadamente no Grandes Sons aparece a oportunidade de meter mais uns euros, mais dias de férias e fazer uma ligação por comboio Londres - Manchester para estar no Old Trafford a apoiar o Benfica rumo aos 16 melhores da Europa.

 

Mãos à obra, marcação de vôos, hóteis, viagens de combóio e afins, tudo via internet e com ajuda preciosa de outros companheiros benfiquistas que se juntaram nesta aventura. Tal como na viagem de há dois anos contei com o apoio e excelente companhia da minha mulher que ao fim destes anos já deixa escapar desabafos deste género: «tenho de renegar o gosto por ver estes jogos ao vivo porque não tenho vida para ir sempre a jogos». Bonito.

 

Partida para Londres sábado de manhã e logo um belo avistamento na Portela já com alguns viajantes a exibirem cachecóis do Benfica nos embarques para Manchester e Londres. A operação começava bem devido ao excelente desfecho da véspera na terrível Batalha Naval da Figueira da Foz. Rodrigo era o assunto do dia.

Chegar a Londres e ter a tarde toda para aproveitar é óptimo. Check in no hotel bem no centro da cidade, carregar os passes para metro e autocarro e correr para os locais do costume, Covent Garden, Picadilly, Oxford, Soho...

A atracção pelas lojas que só podemos visitar na net com aquilo de que gostamos é irresistivel. Roupa e vinil no topo das preferências e um esforço para não estoirar com o visa em poucas horas.

Sem combinações encontramos o grupo de companheiros que viajaram mais tarde. Em pleno Soho sugerem-nos jantar num libanês (thai, emendou um dos companheiros de viagem) com excelente relação preço/qualidade/ambiente chamado Busaba, fica a sugestão. É bom termos gente amiga a divagar pela mesma cidade e incrível a facilidade com que nos cruzávamos ocasionalmente. Durante o fim de semana via-se cada vez mais benfiquistas a passear.

 

Domingo de manhã foi para ir conhecer um dos locais mais emblemáticos do futebol mundial. Já não fui a tempo de conhecer o original mas fui agora ao novo Wembley muito motivado pela tal foto que aqui publiquei com a nossa camisola exposta logo na página oficial na internet.

Viagem de metro do centro de Londres até à zona 4 onde fica Wembley Park. Saída da estação e primeiro susto, tudo aquilo que eu imaginava estava certo tirando um pormenor: não havia estádio nenhum à vista. Reconheci a escadaria que desce ao passeio largo que dá acesso ao recinto de onde são tiradas aquelas lindas imagens de rumaria popular em dia de jogo, especialmente na final da FA Cup.

A explicação estava num enorme nevoeiro que não deixava ver nada 300 metros à frente dos olhos. Ou seja, fomos avançando pelo passeio com base em memórias visuais e intuição do que eu conhecia pela televisão. Até que chegámos a um parque e lá deu para perceber que havia ali qualquer coisa.

A simplicidade com que os responsáveis ingleses tratam do acesso ao seu estádio só tem paralelo na imensa paixão e enorme orgulho que sentem pelo seu futebol! Fiz a marcação da visita em Lisboa via internet. Paguei e imprimi as folhas que me mandaram e ao mostrá-las na porta do estádio fui imediatamente encaminhado para a sala de espera do Tour sem mais confusões nem explicações. Ganhei uma credencial toda gira e ficamos numa entrada cujo "tecto" é apenas e só a famosa trave da baliza da final do Mundial de 1966! Logo para ficarmos rendidos à primeira.

 Rapidamente chega um guia. Figura tipicamente escocesa, ar de adepto fervoroso de estádio e um discurdo marcado pelo humor britânico. Podia ser um funcionário a cumprir o seu papel sem alma nem paixão. Mas não. O homem vibrava e respirava futebol por todos os lados. Quis saber a nacionalidade de cada um dos visitantes e respectivos clubes e à medida que ouvia as respostas disparava sempre um comentário sobre a equipa. No meu caso olhou para o Manto Sagrado que fiz questão de levar, grandes ocasiões grandes vestimentas, apontou para o emblema e disse; Benfica? OH, Eusébio!! Great, great team Benfica Lisboa! Tinha feito um amigo.

 Sentados nas bancadas superiores do estádio vemos a beleza e o encanto de Wembley, lembro-me da final de Maio que o Barça venceu, da FA Cup de estreia neste novo recinto que o Liverpool ergueu, dos playoffs de acesso às divisões principais. Mal se via a bancada do lado contrário, o nevoeiro aqui é tipo Choupana. Sam, o guia, mantinha um diálogo sempre aberto connosco. Confessou ser escocês mas adepto do Manchester United. Meteu-se com pai e filho ao meu lado que tinham vindo de Liverpool para ir testemunhar a vitória dos reds na casa do Chelsea nessa tarde. Sempre bom ambiente, aproveitei para também lhe ensinar qualquer coisa que ele não sabia. Não é só a Inglaterra que tem uma estádio próprio para a sua Selecção jogar, tipo estádio Nacional. Expliquei que o Jamor também tinha esse propósito e que até foi lá que o Celtic do seu país viveu o momento mais alto da sua história ao vencer a Taça dos Campeões. Ficou admirado porque sempre pensou que esse jogo tivesse sido no Stadium of Light. Não lhe consegui explicar porque é que o Jamor não é melhor aproveitado.

 

Andámos nas escadarias, corredores, áreas vip, bares, balneários, acesso ao relvado e lugares honrosos do estádio. Se os nossos novos estádios têm 5 estrelas da UEFA este tem de ter 6 tal é o luxo de todos os acabamentos e pormenores. Sentei-me perto do lugar do Platini na final da Champions e por momentos não me importava de entrar naquela Mafia da UEFA para poder ver dali os grandes jogos. Depois de ter agarrado na réplica da Champions em Barcelona em Abril passado tive a enorme honra e prazer em levantar a mais bela e antiga Taça de competições de clubes, a FA CUP!

 

O fim da visita é feito num hall com uma maravilhosa exposição com uma montra por cada final da Champions. Lá estava o encarnado do Benfica bem vivo a marcar a história da competição. Um orgulho passear com o emblema glorioso por Wembley e sentir tanto respeito pelo nosso clube. Acabei a tirar uma foto com o grande Sam e a explicar-lhe que ele ia conhecer o Rodrigo brevemente.

 

Na loja do estádio levantei umas lembranças compradas baratas na altura da marcação da visita, um guia oficial do Estádio, um pin da Selecção, um dvd e uma bandeira que considero levar a alguns jogos do Benfica, branca e de cruz encarnada. Inglaterra, realmente a pátria mãe do futebol.

 

De regresso a Londres os encontros habituais com locais que adoram futebol e reconhecem o nosso Manto Sagrado, o respeito de sempre que insistem em mostrar pela nossa história e muitos incentivos para vencer em Old Trafford. Nas imensas conversas com ingleses nunca ouvi um nome de um árbitro, de um dirigente, de queixas da federação nem de nenhum Rui Santos lá do sitio. Nada, apenas e só futebol. Golos, memórias, tradições, histórias de adeptos e paixão pelos clubes. Ali sim, adoram futebol.

 

A segunda feira mais dedicada ao tal concerto por isso passemos para Terça Feira. Acordar cedo mandar abaixo mais um British Breakfast que pode ser traduzido para a nossa língua como um pequeno almoço à Benfica. Coisa à homem, bacon, ovos, salsichas, feijão e pão torrado. Maravilha. Fazer check out no Hotel e seguir a pé para a estação de Euston onde já se via muitas camisolas berrantes a desfilar. Também os bilhetes de comboio foram comprados online e nenhum stress houve para embarcar. Tudo tão organizado e simples que até irrita. Viagem de duas horas tranquila com carruagens confortáveis que perto do nosso Alfa são um luxo. E o preço nem é muito diferente, 17£ para Manchester, 11£ no regresso.

 

À saída da estação Picadilly em Manchester uma novidade, o frio dali é muito mais apurado que o de Londres que já é agressivo. Depois o costume numa cidade desconhecida, apanhar um táxi para andar meia dúzia de km's, já que o hotel até era bem perto da estação embora não parecesse no gps. E um estranho olhar e despachanço do taxista na chegada à zona marcada. Percebemos depois que ficámos bem no centro do bairro gay de Manchester! Bandeiras e nomes de bares bem grandes para ninguém ter dúvidas. Hora de agradecer a companhia da minha mulher, deu um jeitão aqui. Mas não se riam a pensarem que só este casal é que ficou ali na zona rosa. Nada disso, quase toda a comitiva de pessoal conhecido que ficou a dormir uma noite ali foi parar à zona do arco íris. Para ninguém se ficar a rir. Muitas piadas irão circular futuramente à conta desta estadia.

 

Na verdade Manchester pareceu-me uma cidade não muito grande que tem na zona gay uma das maiores comunidades. De resto vi uma avenida principal com comércio animado, a zona chinatown com muita oferta de jogo e comida mas sempre muito longe do encanto de Londres.

O estádio é bem longe do centro da cidade e o trânsito não é muito melhor que o de cá. Optámos por ir de autocarro depois de saber que só havia comboio para o estádio às 19h15. Queria chegar cedo para ver bem as imediações de Old Trafford e comprar uns pins e ver a Megastore para depois entrar com calma.

O autocarro pára bem perto do recinto que nos aparece no horizonte depois de passarmos uns bairros residenciais. Com a sua fachada de vidros e muita iluminação mais parecia um shopping. Mas ao chegarmos perto andando a pé revela-se um estádio imponente, muito bem cuidado como é hábito naquele país e com ambiente à volta digno dos grandes jogos. Uma Megastore bem recheada como é normal para aqueles lados, um atendimento impecável e um sistema de pagamento tão rápido que nem parece dia de jogo. Depois do jogo manteve-se aberta.

 

Feito o reconhecimento fomos para a fila da entrada na bancada. Acompanhados pelos habituais cavalos das polícia e com uma revista prática e nada hostil por parte de seguranças e polícias locais. A entrada muito estreita pelo torniquete, tudo parecido com o que vivi em Anfield Road. Subir e entrar na bancada, o impacto de ver ao vivo um velho espaço tão familiar de horas e horas de transmissões televisivas. Parece maior na televisão, sem dúvida. Bonito e muito vermelho, quase que nos sentimos em casa com aquelas cores. Caras conhecidas pela bancada e a certeza que íamos ser mais de 3 mil a puxar pela equipa. O pormenor dos seguranças quererem toda a gente nos respectivos lugares marcados no bilhetes chegou a irritar-me, pois o meu bilhete não era ao lado do da minha mulher. Lá escapámos à ira organizativa daquela gente que nem admite que haja um só adepto nas escadas. Não estamos habituados a tanto civismo, essa é que é essa. Ficámos na última fila com os enormes cativos atrás de nós, cabines envidraçadas onde adeptos viam o jogo com uma bela écran de tv ao lado a dar o jogo , e onde vimos a roubalheira do golo do Berbatov, enquanto comiam e bebiam à vontade. Gente que no fim ficou lá a ver a nossa festa. Uns senhores que mesmo atrás de mim só abandonaram o camarote quando me deram os parabéns aplaudindo e mostrando o polegar em sinal de aprovação ao nosso Benfica e ao nosso apoio. Nesses segundos o orgulho que sinto em ser Benfica é arrepiante. Eu que nem simpatizo com o United acabo por agradecer e desejar boa sorte para o jogo com o Basileia. Estes gajos são mesmo irritantes, obrigam-me a gostar e dizer bem deles!

 

Como em Liverpool as bancadas só enchem quando as equipas entram lado a lado. Sabia que o ambiente de Old Trafford não era o mais barulhento mas estava preparado para um apoio local tremendo. Quando o jogo começa e noto que nem o célebre "Glory Glory Man United" ouvi passei ao ataque. Cantar, cantar e cantar pelo Benfica. Aos poucos os mais de 3 mil benfiquistas tomaram conta do ambiente sonoro de Old Trafford. Era lindo estar ali a cantar de pé pelo Benfica sem reacção à altura dos ingleses que cada vez pareciam mais admirados com o nosso entusiasmo. Estavam à espera que tremêssemos. Mas ali tremer só se fosse de frio, nós somos do Benfica não tememos nenhum estádio e onde vamos é para nos fazermos ouvir. Ainda por cima a equipa está em sintonia connosco e toma conta do jogo. Daí até ao golo foi uma loucura de emoções. Quando vejo a bola entrar festejei como se fosse o 0-3, ou seja, a continuação de Liverpool! Incrível como chego a Inglaterra e vejo o meu Benfica deixar de rastos os temíveis favoritos Liverpool, campeão europeu em título, e Manchester United, vice campeão europeu.

São minutos de sonho, estamos outra vez no topo da Europa que olha novamente admirada para o Benfica a bater o pé em pleno Old Trafford! Canto emocionado como cantei em Anfield mas desta vez tenho a minha cara metade a aplaudir connosco e a compreender como é tão comovente estar ali num local tão especial e só se ouvir BENFICA BENFICA BENFICA!

 

A maneira como o Benfica jogava, a forma fácil e até bonita como construía os ataques estava a encher-me de satisfação, valia todo o trabalho e esforço das últimas semanas para ali estar.

Meia hora depois do jogo começar, confirmei no relógio ao lado do marcador, finalmente percebemos que os adeptos da casa não eram só figurantes. UNITED UNITED UNITED , ouviu-se fortemente e pela primeira vez o Old Trafford em desespero à procura do empate. De pouco lhes serviu porque a nossa gente sentiu-se picada e aumentou o apoio e lá voltou o ambiente da Luz a Manchester.

Até que Berbatov faz o 1-1. Em fora de jogo gritou-se na nossa bancada. Ideia confirmada quando me virei para trás e ver claramente na tv o golo ilegal. Sentimento de revolta mas nada de rendição.

 

Ao intervalo 1-1 em Old Trafford não era mau mas para o que tínhamos visto era muito pouco. O que pensar para a 2ª parte? Será que aguentamos o ritmo, será que eles vão mexer na equipa e aparecem espicaçados?

Afinal foi mais do mesmo, da nossa bancada o apoio continuava brutal a puxar a equipa para o meio campo do nosso lado. Lá veio a altura em que o ManU tenta tomar conta do jogo e chegar à vantagem, lá se ouvem alguns cânticos de apoio mas tudo muito tímido. Entretanto Artur apresenta-se aos ingleses que ficam incrédulos com duas defesas impossíveis e olhavam para nós espantados. Pois é, o tempo dos Robertos e Júlio Césares já lá vão. Ladies and Gentlemans: Artur, The Great Keeper of the EAGLES

 

Mas finalmente a muralha cedeu, e já sem Luisão em campo o Manchester chega mesmo à vantagem e não vou esconder que na altura pensei que se tinha acabado o estado de graça e que a partir dali as coisas iam ser negras. Do pensamento à reacção vai um minuto. Bola a meio campo e volta o grito de revolta FAZ O GOLO ALLEZ!!! e a esperança de ver que o nosso acreditar era o mesmo da equipa que não perdeu tempo em subir no terreno, pressionar os adversários, recuperar uma bola no ataque, rematar por Bruno César e confirmar pelo Mago Aimar o restabelecer da justiça naquele marcador! 2-2 o Benfica não se abate assim, o Benfica está vivo, o Benfica ainda não perdeu esta época e não vai ser Old Trafford a contrariar esse facto! Eu vi na baliza do lado da minha bancada o Aimar fazer um golo ao Manchester United, mesmo ali à minha frente. Se isto não vale uma viagem então não sei...

 

Depois foi sofrer até ao fim, já faltava pouco para carimbar em pleno Old Trafford o apuramento para a fase final dos 16 melhores da Europa. E pensar que no Verão tanto benfiquista via a equipa tombar nas pré eliminatórias...

Apesar dos nervos sentidos na altura por faltas parvas, cantos cedidos, a escolha de Ruben Amorim em vez de Nolito e de olhar para o relógio de minuto a minuto, a verdade é que sentia que ia sair novamente triunfante de Inglaterra. Senti uma enorme alegria em perceber que o país que melhor trata o futebol reserva para mim noites tão épicas. Deve ser o agradecimento pela enorme admiração que sempre tive por todo o futebol britânico, só pode.

 

E aqueles minutos sofredores a ver a bola a passar perto da baliza lá do outro lado de repente dão lugar a uns segundos de magia pura em que acho que até sustive a respiração ao olhar para a progressão do Rodrigo perto da área de De Gea. A jogada termina com um remate que dava um golo que mandava abaixo aquele lado do estádio. Saiu uns centímetros ao lado. Foi um final de jogo com as batidas cardíacas no máximo. Tudo o que de melhor o futebol nos pode oferecer, emoção alta com o nosso clube do coração num dos palcos mais emblemáticos do mundo.

Termina o jogo e o sonho concretizava-se: ir a Manchester carimbar o apuramento para os 1/8 de final da Champions quando ainda falta uma jornada para terminar a fase de grupos! Enorme proeza do Benfica na mais importante prova de clubes do mundo. Não há palavras que descrevam o ambiente naquela bancada no final do jogo. Felizmente já não foi novidade para mim. Obviamente que não vai ser a última vez que me vou sentir assim tão recompensado por ser benfiquista e apostar em seguir o meu clube Europa fora.

Mas é sempre especial e inesquecível.

 

É verdade que o Benfica goza de uma especial simpatia e enorme respeito em Inglaterra muito por culpa dos nossos antepassados com Eusébio na frente da lista mas podemos dizer com muito orgulho que a nossa geração muito tem feito para saber merecer essa admiração e até aumentar a nossa boa fama nas últimas décadas. Nos últimos 6 jogos com equipas inglesas só perdemos 1! Eu já testemunhei dois apuramentos europeus na prova máxima da UEFA em estádios ingleses. É um dos pontos mais altos como adepto de futebol poder viver a atmosfera de um jogo do seu clube em Inglaterra, antes, durante e depois da partida. Pelo menos eu vejo assim o futebol.

We Are S L B !

 

 

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