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Red Pass

Tetra Campeões

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Barcelona, a Cidade Que se Confunde com o Clube e o Respeito Pelo Benfica!

 

Ao longo dos últimos anos tenho partilhado aqui e nos anteriores projectos as minhas experiências em viagens por essa europa fora. Principalmente as aventuras a acompanhar as deslocações do Benfica como aconteceu recentemente na Holanda.

De há uns anos para cá resolvi que o meu dia de aniversário é para ser festejado longe de casa a conhecer novos espaços. Sempre com o Benfica em pensamento o mês de Abril não é fácil para se marcar viagens encaixando no calendário de jogos, este ano , felizmente, ainda mais difícil foi devido À presença em várias frentes.

Há um ano vim de Salamanca no próprio dia de anos para ver o Benfica golear o Olhanense no caminho para o título, este ano marquei a viagem de partida para o dia de anos porque na véspera havia a final da Taça da Liga para ganhar. O regresso ficou marcado para quinta feira com chegada a Lisboa pelas 17h30. Na altura que marquei não fazia a menor ideia se estariamos nas meias finais da Liga Europa mas como acreditava tomei as devidas cautelas. Só na Luz é que soube que ontem corri o risco de perder o jogo por atrasos em vários vôos devido a uma greve dos homens das malas no aeroporto de cá. Felizmente não me calhou nenhuma má surpresa.

 

Este ano escolhi Barcelona para o aniversário. Para mim um destino terá que ser minimamente interessante em termos de futebol local, música ou gastronomia e lugares míticos. Convenhamos que Barcelona tem isto tudo em doses altamente intensas. Por isso resolvi regressar lá depois de ter conhecido a cidade por alturas da eliminatória com o Espanhol que o Fernando Santos não quis ganhar. Como a minha mulher não conhecia a capital da Catalunha foi sem hesitar que regressei lá. Desta vez levava a vantagem de já conhecer um dos estádios locais e ter a ajuda do amigo Tiago que por lá vive e deu dicas muito valiosas para que a experiência fosse inesquecível.

 

Nolito


Foi chegar guardar as malas e correr para ... Camp Nou. Não para ver o campo principal mas sim para ir ao Mini Estádio, o recinto onde joga o Barcelona B que no meu dia de anos jogava ao meio dia com o Betis de Sevilha empenhado no regresso à liga principal espanhola. Mesmo em passo de corrida só consegui chegar ao campo já na 2ª parte e deparei-me com uma lotação esgotada! E digo-vos que o Mini Estádio do Barça é bem melhor que alguns dos recintos das nossas ligas profissionais. A minha mulher confirmou que este campo ganha de goleada ao estádio do Trofense onde ela viu o Benfica de Quique.

Ambiente fantástico porque metade das bancadas eram sevilhanas que vibraram com a vitória por 0-3. Vi uma enorme festa à volta do relvado e uma equipa do Bétis forte contra os putos do Barça que têm realmente pinta de jogadores. O tal Nolito esteve discreto mas deu para ver o quanto os culés gostam dele. Eu consegui entrar na bancada 15' antes do fim do jogo porque abriram simpaticamente as portas à malta, como eu, que via o jogo cá de fora entre umas colunas. E dava para ver perfeitamente. Foi aí que perguntei a um senhor que estava ao meu lado qual era o número de Nolito. Depois de me dizer que era o "9" perguntou-me se eu era português com ar desconfiado. Disse-lhe que sim mas não gostava da armada tuga do Real, ele sorriu. Acrescentei que estava ali só para ver o Nolito jogar porque o meu clube o ia roubar para o ano. Foi-se embora.

Engraçada experiência de ver um jogo da 2ª Divisão espanhola e ouvir ao vivo um dos meus sons favoritos do mundo da bola; oportunidades de golo falhadas que provocam um ruidoso coro: UUUUUUUHHHHHI! Adoro.

 

Respeito pelo Benfica no Museu do Barça


Desta vez fiz a visita ao Camp Nou e ao seu Museu.

A experiência custa 19€ e é parecida com o que já tinha feito no Santiago Bernabeu há 3 anos ou com o que se faz na Luz. A diferença está no conteúdo e na maneira como nos é apresentado.

A passagem pelo corredor dos troféus ganhos é incrível, aproveitei para me concentrar junto da Supertaça Europeia e deixo aqui a foto acreditando que também a vamos ter em Agosto no nosso Museu.

O grande trunfo deste espaço são as paredes e as mesas multimédia interactivas. Podemos tocar no mosaico que mais nos interessa para ver detalhes, fotos e até vídeos da chegada de Cruyff ou Maradona, de noites inesquecíveis de Lineker, Stoitchkov ou de conquistas imortais desde as mais antigas às mais recentes. É um regalo para os olhos e para a memória desfilar tantos momentos marcantes da história do futebol.

No meio de tanta conquista esmagadora a minha alma enche-se de emoção e orgulho ao perceber que a única final europeia que o Barcelona não venceu e tem direito a fotografia em destaque é a de Berna. Uma final a que eles chamam de Final dos Postes! Não dá para acreditar que no meio daqueles craques todos que fizeram a história do Barça está a imagem do grande José Águas a levantar a Taça dos Campeões Europeus. Está numa mesa dedicada às finais e basta um toque na imagem para aparecer uma janela maximizada com a história do jogo que eles lamentam ter perdido pela falta de sorte mas que nunca metem em causa a justeza da vitória do Benfica de Coluna, Águas, Simões, Costa Pereira... Eu fico eufórico e vejo várias vezes o vídeo e desabafo alto: Muito grandes, muito ganhadores mas o meu Benfica ganhou-lhes a Taça dos Campeões!

Um senhor italiano que estava por perto sorriu e apontou para a foto de Águas e disse qualquer coisa como: que grande equipa esse Benfica, meu deus!

Depois citou mais de meia equipa para meu espanto e com delicadeza deu-me uma palmada enquanto me dizia ser do AC Milan. Tudo isto para acalmar a minha alegria e explicar que podemos ter vencido o Barça mas com o Milan dele nunca lhes demos a volta. Verdade. Mas em compensação em não sei o nome de metade do Milan dele dos anos 60 e ele sabe do meu Benfica.

 

O respeito com que é tratado esta conquista do Benfica é impressionante. Depois há mais uns sinais ao longo do Museu como o gabinete Presidencial ter um galhardete com o emblema do Benfica e Eusébio estar homenageado junto ao autocarro antigo do clube.

Além disto ainda fui surpreendido por um dos seguranças do Museu que ao ver o meu pólo do SLB veio fazer conversa. É português, já está há muitos anos em Barcelona e resume assim a sua vida: "tenho o melhor trabalho do mundo, sou empregado do grande Barcelona e sou benfiquista orgulhoso". Não lhe consegui tirar a dor da recente eliminação da Taça de Portugal, o homem tinha tudo programado para ir ao Jamor, estava de rastos. Por isso já disse e repito, os nossos profissionais é que deviam ir a Barcelona perceber a nossa grandeza e dar explicações a quem tanto sofre tão longe.

Com tantos sinais do Benfica presentes naquela visita acabei por me entusiasmar mesmo na sala de imprensa onde somos convidados a pousar junto da mãe de todas as taças europeias. Fui lá aproveitar para ensaiar a passagem de testemunho que se quer para breve, da Catalunha para a Luz. Fi-lo com convicção e não resisti a comprar a foto no fim da visita para poder guardar para sempre o momento em que um emblema do Benfica levantou a Taça dos Campeões. O empregado que me recebeu junto da Taça sorriu e identificou logo as cores sagradas aprovando a presença ali de um benfiquista.

 

O ponto alto da visita é a entrada nos balneários onde fui surpreendido por um mosaico de fotos de jogadores que iam mudando em jeito de moldura digital. Os maiores craques das equipas que já visitaram o Camp Nou estão lá. Todos! Até o nosso Rui Costa como se pode ver na fotografia acima. Mais Benfica em Barcelona.

Depois é a ida ao relvado, a passagem pelas bancadas e local de imprensa que proporcionam sempre boas fotos e momentos de reflexão onde tentamos imaginar o momento em que Simão falhou o 1-1 há poucos anos ou a noite em que José Carlos viu Stoitchkov passar por ele o jogo todo.

Aconselho a todos os amantes de futebol fazerem esta visita. Vão ver como mudam de opinião em relação ao clube catalão, nunca vi tanto respeito pela nossa história como ali. Arrisco até dizer que em Camp Nou sabem mais do nosso glorioso passado do que muito boa gente assalariada presentemente no Benfica.

 

O Grande Clássico visto por dentro


Não , não fui a Madrid ver o duelo para a Champions. Segui a sugestão do amigo Tiago que me marcou dois lugares ao balcão do La Terreta que é de um amigo dele independentista de Valência, tal como seu pai, e que já viveu em Portugal durante quatro anos. O grande Miguel recebeu-me, e à minha mulher, de braços abertos e apesar do enorme nervosismo à volta do jogão foi sempre dando notas interessantes acerca do local e dos clientes.

 

Vi o jogo no meio de adeptos absolutamente apaixonados pelo seu clube, pela sua causa e em loucura por estarem a defrontar o principal inimigo. O facto de sermos portugueses podia até causar algum mau estar, sim porque nesta altura não é fácil ser português na Catalunha devido às figuras que a armada lusa anda a fazer na capital espanhola, José Mourinho à cabeça. Mas bastou explicar que sou do Benfica e que não gosto de Mou porque em Portugal limpou tudo pelos Corruptos, pela mesma razão não gosto de Pepe nem de Carvalho e sobre CR7 é apenas um ex-lagarto, e fiquei logo entre amigos.

Antes de começar o jogo o Terreta vai enchendo, rapazes, raparigas, velhos, novos, engravatados ou em calções e geralmente de camisola com emblema do Barça. Quase todos de pé cantam o hino do Barça segundos antes de começar a partida. O anfitrião Miguel é dos mais empenhados e ainda tem tempo para aconselhar uma tapa valenciana, uma espécie de crepe aberto com recheio de atum e anchovas para acompanhar a cerveja de marca desconhecida por mim, Moritz. Divimos o crepe cortando com garfo e faca e no fim percebemos que aquilo era para enrolar e comer à mão. Da próxima já sabemos como é. Apostámos 2€ num 1-2 para o Barça que nos podia ter dado 70€ de prémio num totobola caseiro. Falhámos por 1...

 

Cada plano de José Mourinho originava um coro de insultos e muitos dedos espetados para as duas tv's do bar. Com CR7 acontecia o mesmo. Ambiente muito quente.

A primeira parte corria sem grande interesse mas a posse de bola do Barça ia aumentando brutalmente com os culés a ganharem cada vez mais confiança. O remate de Villa ao lado suscitou um dos melhores UUUUHHHI's que já ouvi. Confesso que também me juntei ao coro. Não me julguem por isto, sempre quis gritar isto em casa pela piada do som, ali é irresistível!

Entretanto o Miguel ia resumindo na perfeição estes clássicos: João, é isto!! O Real é isto! Só conversa fora de campo, dentro de campo não jogam nada de nada, só defendem , não querem a bola, não atacam, nada! Ganharam a Copa nem sabem como, hoje voltámos ao normal. Mourinho é um palhaço, e o Cristiano também!

Concordei.

 

No intervalo tudo lá para fora fumar e disfarçar os nervos mas a confiança era altíssima.

Recital de bola na segunda parte com muitos cânticos dentro do bar e euforia com a expulsão de Pepe seguido de um cântico muito na moda entre os adeptos do Barça: Ese portugués , hijo  puta és!

Até que aparece Messi e aí entramos numa nova dimensão. Quando Leo embala os adeptos vão com ele, sentem que vai haver magia. Ele faz o primeiro golo e a explosão de alegria no Terreta foi brutal! No meio de vénias ao argentino, abraços, saltos surge nas colunas o hino do Barça agora cantado por todos!

E não mais pararam os cânticos e a respectiva cerveja para matar a sede e aguentar as gargantas. No segundo golo ainda foi mais impressionante. O amigo Miguel tinha acabado de me avisar que Messi sempre aparece nestes momentos, e foi com espanto que vejo o pequeno génio a fintar os merengues enquanto à minha volta todos gritavam GOL a cada nó do argentino até ao GOL final com a bola a entrar na baliza de Casillas. Tive a calma suficiente de filmar o momento que se viveu logo após o 0-2 e deixo aqui para verem como se festeja em Barcelona:

 

  

Noite ganha, até ao fim ambiente de festa, no final do jogo festejava-se como se tivessem ganho a Taça, e ouve-se o hino da Catalunha! Grande noite, grande ambiente e grande anfitrião.

Quando quiserem ver bola em Barcelona procurem o Terreta, digam ao Miguel que vão da minha parte.

 

O regresso de Grácia para o Bairro Gótico foi para testemunhar a loucura que se instala na cidade com toda a gente na rua com camisolas e cachecóis do Barça a festejar. Mais do que a provável presença em Wembley festeja-se a vitória contra o inimigo, as capas do Sport, jornal de referência da Catalunha, são bem a prova disso no dia do jogo e no dia a seguir.

Dizia a minha mulher que aquele ambiente fazia lembrar Lisboa na Altura do Euro 2004. Faz sentido, eles ali juntam-se em volta de um emblema que é mesmo mais que um clube, é como uma selecção nacional que só lhes dá alegrias. Contaram-nos que um estudo recente dizia que ali a esperança de vida é maior e uma das causas apontadas é toda a sucessão de triunfos do Barça!

 

As camisolas do clube estão espalhadas por toda a parte, da Boqueria ao metro, homens, crianças e mulheres, turistas, emigrantes ou locais, todos envergam a camisola do Barça que tem lojas oficiais em todo o lado da cidade, sendo a do estádio a maior e o exemplo do que deve ser uma loja de um clube grande de futebol. Aqui também podíamos ir lá aprender qualquer coisa.

 

Quando andei de camisola do Benfica vestida pela zona do Bairro Gótico e Ramblas fui cumprimentado por alguns catalães com um sorriso a dizerem Bénefica! Apenas um comerciante com ares de indiano hesitou ao olhar para o manto sagrado e perguntou se era do Liverpool. Respondi que não, mostrei melhor o emblema e disse Benfica. Atrapalhado emendou logo: Ah si si ... Benfica, Benfica... do Di Maria...!

 

Outros espaços ficaram por conhecer, como o novo estádio do Espanhol ou um bar onde se vê os jogos da nossa Liga. Fica para a próxima, porque de certeza que isto não foi uma despedida a Barcelona, foi apenas e só um até já.

Na memória ficou-me a parte de trás de uma t-shirt que vi um puto envergar quando já ia em direcção ao aeroporto e que dizia qualquer coisa como: não penses numa temporada. pensa na história!

Benfica 2 - 1 Braga

 

Se há 17 anos a seguir ao jogo de Parma me dissessem que só voltaria a ver o Benfica nas meias finais de uma prova da UEFA ontem eu ficaria chocado.

Se há 17 anos me dissessem que quando voltássemos às meias finais europeias seria contra uma equipa portuguesa eu estranharia.

Há 17 anos o Braga na Europa limitava-se a aparições ocasionais que contavam sempre com a nossa simpatia torcendo para que fossem passando as primeiras fases.

Há 17 anos já eu tinha vivido na Luz cinco inesquecíveis noites de meias finais europeias. Contra o Karl Zeiss Jena da RDA ganhámos 1-0 e foi curto para o 0-2 sofrido na Alemanha de Leste. Contra o Universidade de Craiova empatámos a zero numa noite de pontaria desafinada, na Roménia empatámos a 1 e avançámos. Contra o Steua de Bucareste uma das melhores noites da minha vida com um 2-0 num ambiente absolutamente infernal depois do zero a zero da Roménia. Contra o Marselha o lendário golo de Vata a juntar ao 2-1 de França que fez explodir a Luz. Contra o Parma numa noite de ambiente fabuloso um resultado de 2-1 que soube a pouco depois de um penalti falhado por Paneira contra uma equipa que era na altura uma das mais fortes de Itália. Sensini matou-nos o sonho em Parma.

 

Se há 17 anos me dissessem que a próxima meia final da nossa história iria ser jogada contra o Braga eu ria-me.

Se há 17 anos me dissessem que no dia da próxima meia final eu ia acordar em Barcelona e que iria viajar para Lisboa perto da hora do jogo e chegaria à Luz mesmo a tempo de ver a partida eu iria duvidar.

 

O que é certo é que em 2011 tudo isto é uma realidade. E o que está a faltar agora para me sentir eufórico com esta jornada europeia? Está a faltar a paixão de há 17 anos. Não minha, porque essa está cá, falta a paixão de uma nação benfiquista que hoje é reduzida a estatísticas. Dantes não havia recordes do Guinness nem conversas de 6 milhões, havia uma moldura humana na Luz impressionante e imponente. As pessoas ocupavam as bancadas de pedra muitas horas antes do jogo. Não havia adeptos a entrar com o jogo a decorrer, porque quando as equipas apareciam para aquecer já o estádio estava quase lotado, não havia adeptos a virar costas à partida porque se acreditava até ao fim e o Benfica naqueles 90' para aquela gente era coisa mais importante do mundo. Não havia assobiadelas em fases de jogo difíceis, não havia assobiadelas individuais aos jogadores menos queridos do 3º anel porque havia o sentimento de responsabilidade e  a noção da importância que era ter o estádio a empurrar a equipa.

 

Andámos 17 anos para regressar a uma noite assim, muitos dos leitores do Red Pass nem sabem o que é ver o Benfica numa meia final europeia. Infelizmente continuam sem saber porque ontem o que eu presenciei na Luz foi apenas e só mais um jogo de futebol de casa cheia e pouco mais. Não senti diferença em relação ao último encontro da Liga ou da Taça de Portugal contra o Braga em casa. Foi apenas e só mais um jogo importante. Não foi o grande momento de regresso a uma meia final europeia.

 

Para ter sido sido um momento digno de figurar na memória colectiva ao lado das outras meias finais que mencionei e das outras em que eu nem era nascido faltou explicar aos nossos rapazes a herança que o emblema, que eles carregam ao peito, tem. Mas teríamos também de explicar aos adeptos mais recentes do nosso clube a importância de uma noite destas.

 

Como se poderia fazer isso?! Nao é fácil mas avanço uma ideia baseada numa experiência pessoal recente.

Levem o nosso plantel , os nossos dirigentes, os nossos funcionários e já agora façam excursões para os nossos adeptos ao museu do FC Barcelona. Nem mais. Só precisam de ir a um espaço dentro do museu onde há uma enorme mesa multimédia interactiva onde estão em mosaico fotos de todas as finais que o colosso catalão já jogou. Num canto do lado esquerdo está uma foto do estádio de Berna e uma legenda que diz qualquer coisa como: A Final dos Postes!

Coloca lá o dedo e aparece uma janela maximizada com um vídeo onde se vê logo a equipa do Benfica alinhada com o lindo manto sagrado a preto e branco. O resultado foi uma vitória épica de 3-2 para o Benfica e a conquista da 1ª Taça dos Campeões Europeus. Na realidade tivemos sorte com algumas bolas do Barça a irem ao poste, mas a vitória foi incontestável. E desta maneira a meio da visita ao museu do Barça quando nos sentimos esmagados pela grandeza das conquistas daquele clube aparece ali um gigantesco momento de orgulho, nós vergámos aquele gigante a uma derrota histórica. Eu que estava com um pólo com o emblema glorioso ao peito senti um orgulho inexplicável, senti os olhos brilharem perante a história. Já fomos do tamanho do mundo e os nossos adeptos estavam lá ao lado da equipa. Adeptos como o meu falecido avô que viveu as páginas mais lindas da nossa história.

 

Era preciso que os homens que fazem o presente do nosso Benfica sentissem o peso da nossa história, soubessem o que significa estar numa meia final europeia. Era preciso que os homens que hoje frequentam as confortáveis cadeiras da Luz soubessem como era o ambiente das noites europeias até há 17 anos.

 

Com isto não quero dizer que o Benfica ontem tenha feito um mau jogo. O que me deixa triste é isto. O Benfica não fez um mau jogo, procurou ganhar, tentou fazer mais golos, tentou contrariar a pressão a todo o campo do Braga e apesar de andarmos a gerir o plantel há mais de um mês apresentámos uma equipa remendada para o jogo europeu mais importante dos últimos 17 anos. Ganhámos o jogo mas sofremos um golo, acertámos nos postes mas só fizemos dois golos. Ou seja repetimos o resultado de há 17 anos só que do outro lado em vez do Parma de Bucci, Sensini, Brolin, Zola ou Asprilla estava o ... Braga. Não sei em que altura da nossa história é que baixamos as expectativas ao ponto de acharmos positivo vencer por 2-1 o Braga numa meia final europeia. É que eu lembro-me da frustração que sentimos com o mesmo resultado contra a equipa italiana na altura. Mas também estávamos noutro tempo... Era o tempo que as noites europeias eram apenas e só às 4ªs feiras às 21h, era o tempo em que na Luz estavam 120 mil pessoas a empurrar a equipa, era o tempo em que o apoio era incondicional mas também era o tempo que acabado o jogo havia muita gente a ficar nas bancadas e a surpreender o sueco Brolin com uma ovação enorme na altura em que os italianos regressaram ao relvado para uma corrida de descompressão, coisa rara de se ver na altura, e o 3º anel mostrou o quanto apreciava bom futebol aplaudindo o génio sueco  que ficou surpreendido. Nada de sair mais cedo ou chegar mais tarde, era uma altura que a noite europeia era para absorver na sua totalidade.

 

Ganhámos 2-1, diz-nos a estatistica que nesta época europeia este resultado tem servido para seguirmos em frente, foi assim em França e na Alemanha, espero que seja assim em Braga. Não me passa pela cabeça que se falhe uma presença numa final europeia por cair em Braga, com todo o respeito pelo esforço dos minhotos, mas é que a nossa história obriga-nos a estar em Dublin. Se isso não acontecesse podiam começar a pensar em ir todos ao museu do Barça...

BENFICA 2 - 1 Paços de Ferreira

 

Uma competição que envolve todos os clubes profissionais de Portugal, que obriga a jogar na Luz e longe da Luz contra equipas da nossa divisão e da divisão inferior, que nos sugere um derby nas meias finais e uma final em campo neutro, é uma competição para ganhar, obviamente! Soubemos vencer Marítimo e Olhanense na Luz, fomos à Vila das Aves em pleno inverno ganhar por 4-0 para depois roubarmos aos nossos rivais de Lisboa a última possibilidade que eles tinham de vencer alguma coisa nos últimos anos ganhando por 2-1 nos últimos instantes do derby. Esta caminhada foi coroada hoje em Coimbra com uma abordagem séria ao jogo e com procura pelo golo que aconteceu por Jara com naturalidade. Centro de Coentrão e bela cabeçada de Jara a fazer 1-0.

Depois veio o obstáculo extra o sempre coerente Pedro Proença que conseguiu arranjar um penalti para o Paços regressar à discussão do jogo. Um lance a fazer lembrar aquele momento inesquecível de Yebda e Lizandro no Dragão.

Felizmente, Moreira não fez a vontade a Proença e defendeu acatando as dicas de colegas e treinador que diziam conhecer a maneira como Manuel José bate os penaltis. Foi o grande momento de Moreira que aproveitou para se vingar daquele penalti que o grande Proença inventou num derby na Luz sobre Silva.

 

Aproveitando o balanço do nosso guarda redes antes do intervalo Martins cobrou um livre para a área e Javi acabou por fazer o 2-0.

Tudo parecia controlado na 2ª parte quando Luisão resolve armar-se em Proença e trazer de volta o Paços para o jogo com um auto golo inexplicável! 2-1 com 3 golos benfiquistas.

O Paços acreditou e deu uma excelente réplica até ao fim valorizando ainda mais a conquista do Benfica que acabou o jogo de rastos.

Não é dia para criticar a equipa. Tenho para mim que quando o Benfica vence uma competição deve ser elogiado e celebrado em vez de misturarmos outros jogos de outras competições pelo meio. Nesta competição fomos sérios, competentes e acabámos com a Taça na mão. No nosso museu haverá uma dezena de troféus conquistados com muito menos suor e dedicação, portanto este objectivo foi cumprido e isso só nos pode deixar satisfeitos. Há por aí muitos clubes que acabam épocas de mão a abanar e outros que fazem da Supertaça, por exemplo, um enorme título e no entanto é apenas e só um jogo. Esta competição é longa tem vários jogos e envolve todos os clubes profissionais do país, todos tentaram ganhar. O Benfica vence pela 3ª vez o troféu e isso é motivo de orgulho, ainda para mais numa final apitada por esse grande "benfiquista" chamado Proença.

 

Pessoalmente este troféu é muito saboroso e tem um valor simbólico engraçado por ter sido ganho umas horas antes de entrarmos no dia 24 de Abril. Desde que nasci a 24 de Abril de 1973 nunca comecei os primeiros minutos deste dia com o prazer de ter acabado de ver o Benfica vencer uma competição.

Agora temos mais 3 jogos para vencer uma competição de nível internacional, vamos a isso! Vou até Barcelona celebrar a chegada dos 38 anos e regressarei directo à Luz para viver uma meia final 17 anos depois.

Viva o Benfica!

 

Benfica 1 - 3 Porto (3-3 nas duas mãos)

Hoje assassinámos a época 2010/11.

Hoje não há desculpas nem justificações.

O Porto chegou aqui e correu atrás dos golos que precisava. Não chegou ao intervalo a ganhar porque Júlio César não deixou. Com 45' para jogar e uma vantagem de dois golos na eliminatória o Benfica limitou-se a passear à espera que o tempo passasse e cada vez mais encostado atrás. O Benfica hoje foi tudo aquilo que eu odeio em futebol, arrogância, preguiça, conformismo e falta de ambição.

O Porto fez 3 golos, fez a remontada que parecia impossível, os seus adeptos acreditaram, os jogadores lutaram e hoje provaram que em termos de garra e querer são realmente muito melhores que nós.

A noite do Benfica foi miserável, embaraçosa, pior até que a do apagão! Hoje sim estou completamente lixado.

Uma coisa era terminar a época no Jamor lutando por uma Taça, outra é acabar assim humilhado em casa por uma equipa que já é campeã mas nem por isso se deu ao luxo de rodar a equipa toda e descansar.

Nós andamos há um mês a poupar jogadores, a brincar às equipas B's e acabámos humilhados por quem mais nos odeia.

Vou a todo o lado pelos nossos jogadores, apoio sempre mas hoje tenho que dizer: foram ridículos e traíram a minha confiança.

O Porto mereceu verdadeiramente ir ao Jamor. Parabéns aos portistas que acreditaram sempre até ao fim.

Ao Benfica deixo aqui o desafio, ganhar a Taça da Liga depois disto é o mínimo que podem fazer, para me recompensarem desta vergonha vençam a Liga Europa. Menos que isso é quase nada depois desta noite.

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