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Red Pass

Tetra Campeões

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Estou Oficialmente Contagiado

Vou a conduzir e páro num cruzamento. À minha esquerda uma simpática senhora pára para eu entrar, à minha direita um senhor abranda fazendo sinal para eu avançar. Avanço e para agradecer dou por mim a fazer uma vénia à esquerda seguida de outra à direita. À Benfica!

Benfica 2 - 0 Bate



Há clubes pequenos, há clubes médios, há clubes grandes, e há há clubes enormes. Estou a falar de dimensão. Enormes haverá poucos espalhados pelo mundo fora. Por cá só há um, o Benfica.
Essa dimensão traz muitos problemas porque nos ciclos menos bons tudo parece atrapalhar.
Serve esta introdução para explicar porque é que a noite que vivemos ontem na Luz foi das mais bonitas da nossa História recente.
Um clube ganha dimensão com aqueles que lutam dentro de campo. Quanto maiores as vitórias, e quanto mais títulos somarem, maior é a dimensão. Ao mesmo tempo cresce uma aura em volta do campo, e os adeptos passam também a ser grandiosos. Veja-se o caso do Liverpool, por exemplo.
Quando se chega a esta combinação de grandiosidade, dentro e fora de campo, os estádios tornam-se míticos. É o caso da(s) nossa(s) Catedral.
Voltemos aos ciclos menos positivos para explicar que por aí se perde muita identidade, e o bater no fundo dá-se quando os que lutam dentro de campo ignoram aqueles que os acompanham. No fim do século passado, e no arranque deste senti muitas vezes a indiferença vinda de dentro do relvado. No principio dos jogos, no fim, depois de golos, não havia a empatia que, parecendo coisa menor, faz muita diferença na vitalidade do clube.

Pois ontem à noite senti-me recompensado pelos anos de desprezo, e indiferença, que o meu lugar na Luz foi sujeito. Ignorar quem tanto apoia, reparar só nos defeitos, e nas campanhas sensacionalistas que tanto atacam um só sector de bancadas, é injusto porque o saldo final é francamente positivo para quem la anda dentro a lutar pela bola. E nas últimas duas décadas nem sempre foram dignos desse apoio que nunca lhes faltou.

Ter alguém dentro da Direcção do nosso futebol que sabe reconhecer a História, e essa também é feita nas bancadas, que sabe homenagear aqueles que tudo dão ao clube, é das maiores vitórias do nosso Benfica. Ter alguém que sabe ouvir de fora para transmitir para dentro e explicar a quem não sabe que há 15 anos houve quem morresse bem longe do nosso país depois de ir apoiar a equipa à Croácia, é de uma importância enorme!

Ontem vi a minha equipa de sempre unida após a saudação às duas bancadas centrais a dirigir-se ao Topo Sul e mesmo ali junto da linha de cabeceira curvarem-se em jeito de homenagem por quem mais merece o carinho e respeito deles.
Depois vi o Nuno Gomes a marcar um belo golo e nos festejos aponta para o nosso lado e dedica convictamente o momento à bancada.
Isto após 5 minutos iniciais de absoluto silêncio em memória de três adeptos que estarão Sempre Presentes.

Arrisco que 90% dos benfiquistas não saiba o que estes momentos significam mas garanto-lhes que este "pormenor" é revelador da enorme vitalidade que o Benfica vive. Muito mais do que golos, do que vitórias, do que exibições, há coração, há reconhecimento, há o renascer de uma ligação que vale títulos, a relação entre relvado e bancada.
Também nesta ligação não há igual em Portugal. E não são muitos que se podem orgulhar de tal química por esse mundo fora.

Segunda noite europeia da época na Luz segunda vitória sem espinhas.
Estou orgulhoso do meu clube. Mais do que nunca.
Viva o Benfica!