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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Benfica 1 - 2 Nápoles: Obrigado, Dínamo!

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 Vamos por partes, como diria Jack The Ripper.

Objectivamente, o Benfica cumpriu a primeira etapa desta época, apuramento para os 1/8 de final da Champions League conquistado. Não me peçam para desvalorizar esta qualificação por causa da derrota, que é outra conversa a que já lá vamos.

Eu lembro-me de conquistar 10 pontos na fase grupos desta competição e ficar de fora. Agora, passamos com 8 pontos e só ganhámos a um adversário. Não se pode considerar uma vergonha ficar atrás deste Nápoles na classificação final, e não devemos esquecer a reacção dos jogadores do Besiktas na altura do sorteio, todos contentes por estarem no nosso grupo. Os turcos evitaram perder duas vezes connosco nos instantes finais dos dois encontros e acabaram cilindrados em Kiev, onde o Benfica ganhou bem.

Portanto, o apuramento é muito importante financeiramente e precioso do ponto de vista desportivo mantendo o Benfica onde deve andar, nos últimos 16 clubes da competição mais importante de clubes.

 

Agora, o jogo deixou sinais preocupantes mas também teve duas faces. Benfica e Nápoles partiam para este desafio com a responsabilidade de definir o seu destino, uma vez que era expectável que o Besiktas fosse vencer a Kiev o Dínamo já relegado para o último lugar.

Assim, tivemos um começo de jogo muito vivo, bastante aberto e com as duas equipas a procurarem chegar à vantagem. Nesta fase, o Benfica demonstrou problemas a nível defensivo para travar os ataques do Nápoles mas conseguiu criar duas boas oportunidades na baliza contrária. Sempre com Raul Jimenez como dominador comum, o mexicano ganhou uma bola em pressão que sobrou para Gonçalo Guedes que não conseguiu fazer golo e depois num remate forte, Reina negou o golo a Raul.

Ou seja, o Benfica esteve dentro do jogo e a disputar os 3 pontos olhos nos olhos com o Nápoles.

 

Fotogaleria de João Trindade

 

Só que na Ucrânia começou a nascer uma inesperada goleada que eliminava os turcos da competição. Quando a equipa do Benfica percebeu que o apuramento já não fugia, estava 4-0 para o Dínamos ao intervalo, o ritmo abrandou a olhos vistos.

E aqui é que me custou compreender o excessivo relaxamento em campo. É que o Nápoles também soube do resultado ao intervalo e voltou a todo gás para a 2ª parte. E bem.

Os primeiros minutos da 2ª parte foram muito preocupantes pela atitude. Nada justifica tirar assim o pé do acelerador num jogo desta dimensão, ainda por cima, depois da derrota do Funchal.

Rui Vitória sentiu o jogo a fugir e mexeu na equipa mais cedo do que é costume. Lançou Rafa para o lugar de Guedes mas a o resultado prático foi nulo. Aos 60' Callejón fez o anunciado golo dos italianos. A vitória do Nápoles era tão justa quanto clara. 20 minutos depois Mertens, vindo do banco, aumentou a vantagem.

A sensação confortável de um apuramento conquistado deu lugar a grande apreensão nas bancadas. É que todos esperavam mais da equipa depois do acidente na Madeira e, sobretudo, pediam-se sinais de confiança para o importante derby que aí vem.

O futebol é o momento, os resultados dependem dos contextos, a alta competição é assim. Se por um lado, a derrota podia ser minimizada por um apuramento europeu importantíssimo, por outro, a qualidade do futebol do Benfica após o conhecimento da derrota do Besiktas desceu a níveis preocupantes.

 

O Benfica adiou para o derby a resposta do real valor do seu futebol no estado actual. Espera-se que este abrandar de ritmo em virtude do resultado, seja compensado no jogo de domingo onde a equipa vai defender a liderança no campeonato.

Não foi uma noite agradável, devido à derrota, mas cumpriu-se um objectivo e, por isso, não se deve ignorar a má exibição só por causa do apuramento, como não se pode olhar só para a derrota ignorando a qualificação para a próxima fase da Champions League.

 

Reflectir, pensar, alterar, afinar e preparar bem o derby, é o que se pede a partir de agora. Em Fevereiro a Champions volta e nós estamos lá.

Marítimo 2 - 1 Benfica: Horrível Noite Atlântica

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Tudo mau. Jornada horrível.

Despachemos a parte do Benfica. Entrou meio surpreendido com tanta agressividade defensiva do Marítimo, sem espaço e sem velocidade para contornar a pressão forte do adversário. Isto originou falta de oportunidades para o Benfica começar bem no jogo e ainda resultou num golo sofrido nascido de uma falha de Luisão.

Assim, o Benfica via-se a perder sem perceber bem como.

Nelson Semedo deu o mote para a reacção e foi feliz no seu remate cruzado que bateu em Gonçalo Guedes e ajudou a bater o guarda redes. Antes, Ederson tinha feito uma incrível defesa dupla que agarrou a equipa ao jogo. Com o 1-1 parecia que o Benfica tinha encontrado o rumo para dar a volta ao jogo mas os seus ataques até ao intervalo foram ineficazes.

Na 2ª parte, o futebol do Benfica apareceu determinado em resolver o jogo. Só que Salvio continua a sua saga de tiro ao poste e Rafa teima em não conseguir finalizar. Só aqui, o Benfica já teria chegado ao resultado normal e pretendido.

Para agravar a situação, o Marítimo aproveita um canto e volta à vantagem. Quanto tudo tem que correr mal, corre.

Depois, seguiu-se muito desespero com Rui Vitória a apostar tudo e a eficácia do Benfica a bater no zero. Tentou-se um pouco de tudo mas de maneira pouco convincente. De qualquer maneira, foi feito o suficiente para se dar a volta ao resultado enquanto esteve no 1-1.

 

O Marítimo bateu-se como se estivesse a disputar o jogo da sua vida, limpou a má imagem deixada na Taça de Portugal e lutou até ao fim por uma vitória que o seu treinador aceitou como um belo bónus depois de ter montado uma estrutura bem defensiva a pensar na conquista de um ponto.

 

Agora, permitam-me uma palavra para a realização televisiva do jogo. Um pesadelo. Cada vez que a bola saía de campo vinha uma overdose de repetições em loop. Tantas que quando as imagens do jogo em directo voltavam já tínhamos perdido qualquer coisa. Desesperante.

Foi óptimo para não percebermos o que se passava com os apanha bolas, já que nem percebemos quanto demorava uma reposição de bola.

Ao nível do grafismo, o que era de valor era terem mostrado quantas faltas tinham cada jogador do Marítimo só na primeira parte, por exemplo.

 

Finalmente, a arbitragem. Quem aqui vem sabe que raramente encontra grandes referências a árbitros. Pois bem, hoje vou deixar umas palavras a Vasco Santos. Deixar o jogo decorrer no meio de um festival de faltas e varridelas sem apitar metade delas e sem dar cartões a ninguém, fez-me recuar aos anos 90. Permitir todo e qualquer anti jogo, mesmo já no nível cómico como aconteceu numa das substituições da equipa da casa, é ir longe demais. Não dar descontos depois de uma 1ª parte com dois golos, é gozar com isto. Andar a dar cartões amarelos em pleno período de compensação no final do jogo é mostrar ao que vinha.

 

Hoje, o Benfica chocou de frente com isto tudo mas não conseguiu contornar como tem sido normal. As palavras de Luisão no final do jogo são motivadoras. Fomos parados de muitas maneiras no Funchal, que tenha sido esta a excepção do que temos vindo a fazer nos últimos anos.

Para o resto do mundo, está tudo de parabéns, a Sport TV, a arbitragem e o Marítimo.

 

A História do Sócio 34.341 do Benfica Que Fez do Palmeiras Campeão

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Antes da tragédia invadir o futebol sul americano, o Palmeiras viveu horas de grande felicidade ao garantir a conquista do título de campeão do Brasil muitos anos depois da última vez. Foi no jogo do último fim de semana contra a... Chapecoense. 

Vale a pena conhecer a história do homem que devolveu o sucesso ao Palmeiras. Antes de deixar o link para o artigo da Veja, fica a curiosa informação que Paulo Nobre é também adepto do Benfica, tem o cartão de sócio número 34341.

Parabéns, consócio!

 

Paulo Nobre, o milionário que colocou o Palmeiras de volta ao topo

Alviverde fanático, ele peitou rivais, brigou com a própria torcida e tirou 200 milhões de reais do próprio bolso por amor ao time 

 

A Chapecoense Merecia Mais

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O mundo vai descobrir hoje que há um clube de futebol modesto no Brasil com o curioso nome de Chapecoense. O nicho de adeptos do futebol, aqueles que vivem  para conhecer histórias relacionados com o futebol, aqueles que compram e partilham livros para descobrir mais curiosidades, factos e episódios escondidos ou do passado, aqueles que facilmente ficam acordados a ver um jogo de competições sul americanas porque a Sport TV está a transmitir em directo, esses conhecem bem a história da Chapecoense. É preciso sublinhar que é mesmo a Chapecoense e não o Chapecoense. Quando nos interessamos pela história do clube começamos logo por aprender a usar o artigo certo.

 

Reduzindo o nicho dos entusiastas do futebol, já de si pequeno, para apenas os adeptos portugueses, a Chapecoense sempre foi vista com carinho pela sua humilde e modesta história, além, claro, dos pontos de contacto com o nosso futebol. Este ano a equipa foi treinada por Caio Júnior, um avançado que brilhou no Minho ao serviço do Vitória SC entre 1987 e 1992. Depois ainda passou pelo Estrela da Amadora e o Belenenses. Como não ficar a ver um jogo de madrugada com uma equipa a ser treinada pelo Caio Júnior?

Recentemente, foi para lá que o Marcelo Boeck foi jogar. O guarda redes que brilhou no Marítimo e foi fazer número para o Sporting faz parte do plantel, continuando a fazer número na Chapecoense.

 

Para se perceber o excelente trabalho organizativo do clube de Chapecó, Santa Catarina, relembro que em 2009 estava a competir na Serie D, 4º escalão do Brasil. Em 2012 subiu à Serie C. Um ano depois foi promovido à Serie B. Em 2014 chegou ao principal campeonato brasileiro. Contrariando as apostas, a Chapecoense manteve-se entre os grandes e esta época está na primeira metade da tabela a uma jornada do fim.

Meio mundo ficou a saber da sua existência no último fim de semana, a Chapecoense fez parte do jogo mais mediático do Brasileirão que confirmou o Palmeiras como campeão.

Mas foi no jogo anterior que a Chapecoense surpreendeu o mundo ao conseguir um incrível apuramento para a final da Copa Sudamericana contra os argentinos do San Lonrenzo. Um empate 1-1 na Argentina valeu o apuramento, já que na 2ª mão em Chapecó, os brasileiros conseguiram manter o 0-0. Um feito que deixou os adeptos do futebol felizes, tirando os simpatizantes do clube do Papa, claro. Como todos os feitos de equipas não favoritas.

 

Desde 2014 houve quem passasse horas a jogar com a Chapecoense no Football Manager ou no FIFA na playstation, houve quem se afeiçoasse e passasse a torcer por eles, ninguém, dentro do tal nicho, ficou indiferente à evolução do clube brasileiro.

Agora ia acontecer o ponto alto da época, todos queríamos ver a Chapecoense a bater o Atlético Nacional da Colômbia na final da Sudamericana. A 1ª mão estava marcada para amanhã em Medellín.

 

A tragédia que aconteceu mexe connosco porque a sentimos demasiado perto e injusta. Perto porque nos afeiçoámos à equipa via televisão, injusta porque nos faz pensar nos livros que lemos sobre as equipas do Torino ou do Manchester United e que ainda hoje tanto nos chocam.

 

A Chapecoense é tema do dia no mundo todo. Fizeram o suficiente para serem falados e serem descobertos pelos seus méritos desportivos e não por uma tragédia assim. De uma forma ou de outra, o clube de Santa Catarina passa a ser lendário.

 

Benfica 3 - 0 Moreirense: Ganhar Com Casa Cheia à Benfica

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 ( Fotografias de João Trindade )

 

Às vezes, é bom colocar os jogos em perspectiva. Agarremos neste tranquilo e normal 3-0 ao Moreirense e recuperemos o mesmo jogo na época passada a fechar o mês de Agosto de 2015.

Também fizemos 3 golos, também somámos 3 pontos. Só que no fim do jogo sentíamos um misto de alívio, pela vitória, e de preocupação, pela margem mínima, ficou 3-2.

Na época passada ganhámos devido à alma que esta equipa tem. É a mesma alma porque a equipa é praticamente a mesma, penso que só Gaitán não está no plantel, em relação ao onze do ano passado. A vitória por 3-2 foi na garra, depois de muito sofrer a equipa quis dar um sinal aos seus adeptos, podiam ainda estar no começo de um novo ciclo mas a fome de vencer era a mesma. Acabámos campeões.

 

Hoje, mais de um ano depois, um jogo com o Moreirense na Luz parece um aborrecido cumprir de calendário onde as dúvidas na bancada estão na ordem do quem marca os golos e quanto tempo temos de esperar pelo primeiro. Reparem, não é se ganhamos ou se vamos perder anos de vida. Não. É por quantos ganhamos. E isto não é nenhuma demonstração de arrogância nem de bazófia. É apenas registar o reencontro do Benfica com a sua história. Foi assim que o conheci, é assim que gosto de o viver.

Por isto, quando o Benfica não ganha um jogo na Luz é tema para espanto universal no mundo da bola. E às vezes acontece, como sabemos e como vimos com o Vitória FC. Só que a regra é ganhar, marcar e ter jogos bem agradáveis de seguir no nosso Estádio.

Também por isto é que a Luz nos dias de hoje apresenta números de assistência acima do 50 mil adeptos. Também aqui é um reencontro com o que deve ser. Há anos, poucos, muito boa gente achava que os 30/40 mil que faziam a média de assistência nos jogos do campeonato era normal. Quando se explicava que não era e que era preciso lutar contra isso em vez de nos acomodarmos, aparecia sempre a linha teórica que nos explicava que a média baixa se justificava pela crise, pelos preços, pelo clima, pela temperatura, pela hora e sabe-se lá mais o quê.

Tal como dizia na altura, a única maneira de termos a Luz cheia é o futebol do Benfica voltar a ser o ... futebol do Benfica. Aquele que a minha geração viu deslumbrada, as mais velhas se recordam e as mais novas ansiavam por ver sem ser via YouTube.

Esse futebol voltou, ir à Luz para ver o Benfica, sim, ver o Benfica, independentemente de quem está no outro lado, porque do outro lado está mais uma vítima do Benfica e nós vamos à Catedral para testemunhar mais uma vitória à Benfica.

 

 

Se, por acaso, o jogo foge à regra e torna-se complicado, as bancadas fazem o seu papel empurrando o glorioso e assustando a vitima. Se, mesmo assim, o desfecho não for o esperado e normal, os jogadores sabem que serão acarinhados e motivados para o próximo combate. Como aconteceu num passado recente contra o Zenit ou num derby. E os jogadores depois recompensam os seus fieis adeptos, indo a uns 1/4 de final da Champions ou sagrando-se campeões nacionais mesmo que não tenhamos sido felizes em todos os derbies.

Isto é um processo natural e espontâneo, não se compra no mercado, nem se impõe em redes sociais. É assim. Por isso, ninguém no Benfica fica extasiado por ter tido mais gente na Luz do que outros a receber o Real Madrid, nem há cá voltas olímpicas no final de um jogo onde só aconteceu absoluta normalidade. É o Benfica a ser Benfica.

 

Dou muito valor a esta exibição do Pizzi, à entrega do Raul a aproveitar a sua titularidade e abrindo todo o espaço para que os médios brilhem, à maneira como André Almeida entrou bem no jogo após mais uma saída por lesão, desta vez de Eliseu.

Dou muito valor aos 3 golos, ao facto de não termos sofrido golos, ao reconhecimento do adversário no final assumindo a superioridade do Benfica. Dou muito valor ao prazer que é ver o resumo do jogo em paz sem precisar de levar com o circo a discutir cartões, penaltis, expulsões ou se a bola entrou ou não, porque o Benfica voltou a ganhar de maneira tão clara, tão natural que consegue ridicularizar todos os fantoches que acenam vouchers e colinhos.

E sabem porque dou tanto valor à normalidade? Porque lembro-me muito bem, demasiado bem, os tempos em que a normalidade era o Benfica não ganhar tanto e tropeçar. Lembro-me bem de qualqer clube vir à Luz para não perder e acreditar nisso. Não foi assim há muito tempo.

 

Agora o Benfica ganha e não é de hoje. Nos últimos anos tem sido sempre assim, tem a vantagem de ter arriscado mudar para melhor mesmo quando estava no top e os resultados estão à vista.

Se há um ano saímos aliviados e com dúvidas, hoje cumprimos mais uma ida ao Estádio e voltamos tranquilos com o sentimento de quem foi assistir a mais um capítulo natural na nossa história. Quase como ir à missa mas em bom.

 

Continuemos assim, a ser o Benfica.