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Red Pass

Rumo ao Tetra

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Benfica 1 - 1 Vitória de Setúbal: Surpreendentemente Mau

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 O pior que pode acontecer após um mau jogo é uma má reacção. Quem quiser resumir este inesperado empate a uma má arbitragem pode já mudar de poiso. A estreia do campeonato na Luz correu mal e tem que servir de alerta para voltarmos todos a concentrar o foco no essencial: construir para ganhar.

 

Foi uma semana inteira a falar de Luisão, Garay, Rafa ou Talisca, quem deveria sair, quem tem que ficar. Na conferência de imprensa antes deste jogo não se falou uma única vez no Vitória FC. O foco tem de ser sempre o próximo adversário, o próximo jogo, os três pontos.

 

Começámos bem a época e com o plantel bem recheado embora com algumas dúvidas por resolver até ao fim do mês. Mas temos que assumir quando temos problemas em vez de achar que tudo são soluções. E temos, realmente, um grande problema. Para quem ainda não tinha percebido, Jonas não é só um bom jogador da equipa. Jonas é um génio que faz um ataque funcionar e que justifica o equilíbrio de um sistema ou táctica, como preferirem, porque ele é a solução.

Com a lesão de Jonas, o Benfica anda a cair numa perigosa tentação que é encontrar o substituto ideal para o lugar do brasileiro que mantenha a dinâmica da equipa. O grande problema é que não temos esse substituto. Mas não temos dentro do plantel nem no mercado porque simplesmente não há muitos jogadores assim. É inconsequente testar Pizzi ou Guedes no lugar de Jonas. É desnecessário imaginar se o Rafa pode ali jogar. Jonas é Jonas. E quando não há Jonas é preciso arranjar alternativas que passam em alterar o estilo de ataque.

 

Com o Estádio da Luz vibrante e cheio era de esperar uma entrada forte convincente do Benfica em busca do primeiro golo. O que se viu foi um começo morno que rapidamente esbateu numa parede bem montada. Isto é, o Vitória apresentou-se na Luz muito bem organizado, com a lição bem estudada ao nível individual e táctica e não deu nenhum espaço para o Benfica criar perigo. Foi uma primeira parte decepcionante. A aposta de Pizzi atrás de Mitroglou não funcionou nunca, Cervi e Salvio também não foram determinantes nas opções atacantes, Horta e Fejsa lutaram mais pela bola do que conseguiram criar soluções, no caso do sérvio era o que se pedia.

 

Uma exibição muito vulgar do Benfica na primeira parte que deu até tempo e espaço para o Vitória ensaiar alguns contra ataques preocupantes.

 

Pediam-se alterações profundas a Rui Vitória, era preciso muito mais para ganhar. Era preciso outra atitude.

Foi chamado ao jogo o mexicano Raul Jimenez para ajudar Mitroglou mas a aposta era demasiado previsível e o Vitória não se mostrou muito incomodado. A forma como o Benfica atacava continuava a ser insuficiente. Para agravar a situação o Vitória começou a sair com mais perigo. Depois de uma ameaça que Júlio César defendeu superiormente, o golo sadino apareceu mesmo numa bola parada que deixou muitas dúvidas quanto à posição de fora de jogo.

 

Aqui importa dizer que o árbitro esteve tão fraco como a exibição do Benfica. Principalmente, a permitir o anti jogo que retirou vários minutos ao jogo não compensados no final de cada parte com descontos provocadores. Foi o mesmo homem que veio aqui estragar um belo jogo de Natal no final do ano passado. Já devíamos estar avisados.

 

Sem termos estado perto do triunfo passávamos a ter que revirar um inacreditável 0-1. Foram lançados Carrillo e Guedes. O peruano não trouxe nada ao jogo, o português não podia ter entrado melhor ao ganhar um penalti que Raul transformou no empate. Depois foi o assalto final com a equipa do Benfica, finalmente, a dar tudo e a tentar tudo para chegar ao triunfo que só não aconteceu porque a trave negou o golo a Lindelof depois de um livre de Grimaldo que Varela defendeu para a frente. Se essa bola tivesse entrado, a disposição agora seria outra mas os avisos tinham que ser dados na mesma. Não tendo entrado, foram dois pontos perdidos e tudo se torna mais dramático mesmo à 2ª jornada.

 

Que este percalço sirva de exemplo para nunca perdermos o foco objectivo do que realmente interessa. Hoje foi mau, a equipa entrou mal, as mudanças não resultaram e o final foi mau.A arbitragem pactuou com o tal anti jogo e deixou tudo e todos ainda mais irritados, é verdade. Mas temos de jogar muito mais e, acima de tudo, temos de ter um jogo alternativo que disfarce a ausência de Jonas.

 

Não deixamos de ser favoritos mas agora podemos voltar a ser humildes e lembrar o quão difícil é construir uma equipa campeã.

 

 

Tondela 0 - 2 Benfica: Arranque Vitorioso

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 Deixem-me começar por contornar o assunto principal da crónica, o jogo. O primeiro jogo do campeonato nunca é um jogo normal, é a partida mais esperada de cada verão e sempre por motivos diferentes mas com a esperança igual, a de começar a ganhar.

Eu ando há doze anos à espera de ver o Benfica vencer o seu jogo inaugural na Liga fora da Luz e nunca tem acontecido. Há mais de uma década que sempre que o primeiro jogo calha fora passo o verão a ler notícias sobre o nosso adversário, a ponderar se interrompo as férias para ir ver a equipa seja onde for e dou comigo a pensar que desta vez não pode correr mal. Nós, adeptos, sabemos que entrar a ganhar é meio caminho andado para afastar aquela tensão de pré época. Nós, benfiquistas, nas últimas, vá lá, duas décadas conhecemos muito bem a ansiedade de uma longa espera por aqueles 90' que inauguram a maratona mais desejada e que, não raras vezes, rapidamente se transformam em amargo sabor de um pesadelo que achamos sempre não merecer viver. Arranques em falso fora de casa nos últimos doze anos aconteceram sempre! Se alargarmos o espaço de tempo, recordamos jogos que nos queremos esquecer para sempre. Treinadores despedidos ao fim de umas poucas centenas de minutos de campeonato jogado ou mesmo ao fim do primeiro jogo, compras e vendas assustadoras, começos em sobressalto que muitas vezes anunciavam um fim de época triste. Vezes de mais. O Benfica falhou arranques várias vezes a mais. Mesmo em anos mais recentes em que nos sentimos mesmo candidatos a ganhar tudo, acabámos o primeiro jogo com a moral de rastos. E, atenção, não aconteceu só em jogos fora. Várias vezes sentimos isto na nossa Catedral. Sair da Luz com o peso de uma falsa partida, aconteceu também vezes a mais.

 

Por tudo isto, eu dou mesmo muito valor a uma vitória no jogo inaugural da Liga. Fico verdadeiramente aliviado e moralizado. Não peço uma exibição convincente, não peço uma goleada, não peço um show de bola, só desejo uma vitória, três pontinhos. Porque sei que ninguém está no auge da forma e com os mecanismos colectivos afinados a meio de Agosto. Aliás, se estiverem é mau sinal. Porque sei que isto começa de baixo para cima. Porque tenho a certeza que são estes jogos com os "tondelas" que fazem a diferença, não garantem títulos mas podem comprometê-los.

 

Sem exageros e sem dramas, sejamos claros: jogar no campo do Tondela não é tarefa fácil. O relvado é mau, as dimensões são curtas, a equipa da casa é aguerrida e lutadora à imagem do seu treinador. Era esta a nossa realidade para o arranque, um típico jogo de campeonato português com o apoio de sempre de bravos benfiquistas que investiram uma pequena e vergonhosa fortuna para garantirem a sua presença ao lado da sua equipa. Eu até cheguei a ponderar ir conhecer Tondela, depois de ver os preços recusei porque acho que tem de haver mínimos olímpicos de decência nestes constantes "roubos". Obrigado aos que foram e que nos fizeram sentir em casa. Como sempre.

 

Vamos ao jogo.

O facto de termos feito uns minutos muito bons na Supertaça não nos dava grande conforto porque o adversário era completamente diferente e o cenário era outro para muito pior. Não tinha esperança de grandes números artisticos, queria só uma atitude combativa e lutadora. Acho que tivemos a atitude certa de entrada.

Tal como esperado, a primeira meia hora foi muito dura. A ausência de Jonas sentia-se cada vez mais à medida que o tempo passava sem chegarmos à baliza adversária, Gonçalo Guedes não conseguia impôr a sua qualidade no apoio a Mitroglou e o Benfica mostrava dificuldades em gerir o desenho de 4-2-3-1.

Pior, a equipa não conseguia estabilizar o jogo e permitiu que o ritmo fosse algo descontrolado com o Tondela a sair várias vezes com perigo para o ataque. Aí estranhou-se o desacerto inicial de Lindelof. Com a saída forçada de Luisão e a entrada de Lisandro tudo estabilizou lá atrás e percebeu-se que o sueco estava a ser vítima da ineficácia do capitão debilitado. Nas alas, Nelson e Grimaldo continuavam fortes no ataque mas permissivos e surpreendidos, mais o jovem português do que o espanhol, na defesa. Aliás, Grimaldo foi importantíssimo em recuperações defensivas, numa delas tira um golo que parecia certo com um desarme superior.

 

Fejsa foi a mais valia do costume mas mais parecia um bombeiro a apagar vários fogos ficando sem espaço para ajudar Horta a construir o que levou a equipa a demorar muito tempo a estabilizar o jogo. André foi importante nos lançamentos longos, onde é exímio executante, enquanto Cervi e Pizzi tentavam tudo para fazer a diferença em termos individuais.

Acabou por ser Pizzi a bater bem um livre para a área do Tondela onde apareceu Lisandro a aproveitar uma marcação desastrosa da equipa de Petit. Era uma oportunidade que tinha de ser aproveitada e abriu caminho para uma vitória.

 

Pedia-se uma segunda parte mais controlada e em busca da tranquilidade mas não aconteceu porque o Tondela soube sempre estar por dentro do jogo. Até que Rui Vitória lançou Samaris para acabar com aquela vertigem de bola cá, bola lá. Também já tinha metido Pizzi no meio com Gonçalo na ala e tudo mudou para melhor. O triunfo estava longe de estar garantido mas passou a ficar bem mais próximo. Depois com a entrada de Salvio, André Horta teve liberdade para avançar mais no terreno e aproveitou a oportunidade para marcar a diferença.

 

Portanto, o jogo terminou da seguinte forma épica: eu, João Gonçalves, recuperei uma bola a meio campo já em tempo de desconto. Como estava com o manto sagrado vestido vivendo um dos meus sonhos, não senti nenhum cansaço. Pelo contrário, senti que tinha espaço para ser o super herói que sempre procurei ser nos jogos de rua nos arredores do Califa. Embalei com a redondinha, fui direito a um, dois, três adversários sempre a driblar, sempre a mudar de direcção, sempre com técnica superior que até baralhei o companheiro Mitroglou. Já tinha na minha cabeça o final daquela jogada. Já tinha o final desenhado desde a minha infância, por isso foi com naturalidade que fintei os adversários para o meio da área, puxei o pé atrás e rematei triunfante para o melhor golo da minha vida. Não parei de correr, senti a felicidade suprema que só em sonhos tinha imaginado, tirei a camisola para perceberem que eu estava ali em carne e osso e não fruto da imaginação de ninguém, gritei, cerrei punhos e só parei extasiado a olhar para bancada onde os meus companheiros vibravam quase tanto como eu. Depois caí em mim e lembrei-me que afinal, desta vez, eu sou um dos onze heróis que me habituei a apoiar. Abracei-os e o sonho tornava-se realidade.

 

Bem, não fui eu mesmo porque neste momento eu estou ao nível do Jonas, ou seja, tive o azar de cair estupidamente de uma rede de descanso para um duro chão e fiz uma luxação e fracturei uma clavícula no ombro direito e, por isso, estou em vias de ser operado. Desejava ter tido esta lesão de manto sagrado vestido depois de ter feito o golo que relatei. Não fiz o golo mas o André fez por mim e , acreditem, é quase a mesma a coisa. Foi o mais perto que estive de marcar um golo pelo Sport Lisboa e Benfica.

Começar a ganhar, era tudo o que eu queria.

Benfica 3 - 0 Braga: Fechámos a Celebrar, Começamos a Conquistar

Em Maio festejámos 35º título em casa numa festa que se espalhou pelo país. Continuámos em festa até Coimbra onde fechámos a época com uma goleada que garantiu a conquista da Taça da Liga. Saíram Gaitán e Renato. Veio o Europeu de França e, apesar da teimosia inicial, o seleccionador rendeu-se a Renato Sanches e o caminho ficou aberto para uma conquista inesquecível. Mais festa.

Depois entrou o verão e começou a tentativa de nos explicarem que devíamos entrar em depressão. Porque o rival do norte tinha acertado, finalmente no seu treinador e agora é que é a sério e, sobretudo, porque o rival do Campo Grande é o maior favorito a ganhar tudo porque mantém tudo igual. Como sempre, nós é que tínhamos que ficar apreensivos a cada jogo da pré época que corria menos bem, a cada notícia de saídas do plantel. O costume.

 

Como sabem, por aqui assim que termina a temporada afasto-me de dar opiniões e fazer previsões. Aproveito o intervalo entre temporadas para manter a minha sanidade mental, acompanho com interesse relativo o que se vai passando mas à distância. Guardo-me para o primeiro jogo a sério da temporada. Felizmente, connosco tem sido quase sempre primeiro que os outros. Ainda andam os grandes favoritos a tentar definir os plantéis já andamos nós a festejar novas conquistas.

 

E vamos lá ao que interessa. O Benfica começa 2016/17 como acabou a última, a ganhar.

Primeira nota impressionante deste Benfica, o banco de suplentes. Além de Paulo Lopes, Lisandro, Samaris, Salvio, Guedes, Jimenez e Carrillo! Quanto a opções, a qualidade destes nomes fala por si.

Então e o onze? Como ia Rui Vitória lidar com as ausências de Ederson, André Almeida, Eliseu ou as partidas de Gaitán e Renato? Fácil. Com a qualidade do plantel.

Júlio César na baliza continua a ser uma garantia de qualidade.

Grimaldo da esquerda continua a crescer de maneira espectacular, Luisão mesmo longe do seu melhor é uma autoridade, Lindelof mesmo atrasado na condição física é um esteio, Nelson Semedo na direita vive a sua segunda vida e corre para atingir o bom nível que o levaram à Selecção há um ano.

Fejsa no meio é... Fejsa. Pizzi na direita vem em crescendo e acabou o jogo de forma épica, Jonas e Mitroglou na frente são a dupla que se sabe, o brasileiro já abriu o livro e inaugurou a sua conta pessoal de golos.

Até aqui nada de novidades.

As boas novas estão nos lugares que mais preocupavam. Na esquerda, Cervi em poucos minutos mostrou ao que vem. Rapidez, improviso, velocidade, técnica e um golo assombroso a abrir a época. Foi Cervi que mostrou o caminho para a primeira conquista da época. Não consigo imaginar melhor forma de suceder a Nico Gaitán que estará orgulhoso da exibição do pequeno Franco Cervi. Tem tudo para fazer história no Benfica. A sua estreia foi um abuso.

Finalmente, falemos de André Horta, o número 8. Um puto que conheci por força do nosso benfiquismo, uma amizade que nasceu como tantas outras na minha vida, por causa do Benfica, pelo Benfica e a ir ver o Benfica. Neste caso fomos no mesmo carro a Oliveira de Azeméis ver um jogo de hóquei. Parece mentira que aquelas conversas de imaginar o puto a sair do Vitória de Setúbal para titular do Benfica se tenham tornado realidade. A verdade é que está mesmo a acontecer. O André foi à luta, conquistou o seu espaço e na estreia oficial pelo Benfica foi um dos melhores jogadores em campo. É uma sensação incrível ver um dos nossos a jogar e a festejar daquela maneira.

Eu não quero amigos, companheiros ou conhecidos na equipa do Benfica, eu quero é que os melhores jogadores estejam do nosso lado e se forem benfiquistas, então melhor! O André Horta é isto tudo e entusiasma a bancada.

 

Não consigo imaginar melhor arranque de época. Foi perfeito? Não. Há muito para trabalhar. Depois da obra prima de Cervi o Braga reagiu e mostrou bons argumentos que Rafa desperdiçou na melhor oportunidade que tiveram numa bola lançada pelo guarda redes. Um lance que não deve acontecer na nossa defesa. Devíamos ter resolvido o jogo nos primeiros 20 minutos onde a equipa jogou um futebol incrivelmente sedutor. Não conseguimos e tivemos que sofrer.

 

O Braga não conseguiu aproveitar os desacertos naturais desta altura da época e isso fez toda a diferença porque além de Rafa não ter sido decisivo, Boly também não conseguiu evitar com os seus companheiros o aparecimento da inspiração de Pizzi e Jonas que resolveram o jogo de maneira poética. O português com um chapéu superior e uma assistência maravilhosa que Jonas agradeceu fazendo golo.

 

Depois havia aquele pormenor do banco do Benfica estar recheado de opções de um nível insultuoso para Peseiro. O técnico do Braga acabou a época a perder a Taça e começa esta a perder a Supertaça. Só lamento que não tenha lançado o Ricardo Horta que ia proporcionar um encontro de irmãos dentro do jogo. Não quis, perdeu e lamentou-se como é seu hábito.

 

Está aberta a temporada, o Benfica continua forte como nos tem habituado esta década onde não conseguimos parar de ganhar troféus.

Estamos preparados para o ataque ao tetra.