Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Pré-época do Benfica em directo e exclusivo na BTV

publicado por J.G. às 11:53
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Domingo, 6 de Julho de 2014

Campeonato 2014/15

publicado por J.G. às 20:03
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Sábado, 7 de Junho de 2014

Scouting do Benfica: é urgente renovar com Boto!

 

Correm rumores que José Boto, responsável pelo scouting europeu do Benfica, estará perto de assinar por um clube espanhol ou russo.

 

Primeiro, tenho algumas dificuldades em perceber que um profissional com esta qualidade, responsável pelas descobertas/aquisições de Oblak, Javi García, Witsel, Rodrigo, Nolito, Matic, Sulejmani, Markovic, Djuricic, Fejsa, Siqueira, Dawidowicz ou Gerhardt, esteja em fim de contrato e livre para decidir o futuro.

 

Segundo, parece-me urgente que lhe seja renovado o contrato, pois muito do sucesso desportivo e financeiro tem passado pelas suas descobertas.

 

Terceiro, confirmando-se a saída, o scouting do futebol profissional poderá ficar entregue ao indivíduo cuja religião é o fc porto, algo que tem comprovado com a sua participação nas descobertas de Falcao, Alvaro Pereira, James Rodríguez e Reyes, ou em aquisições de fenómenos como Jara, Fernández, Shaffer, Mora, Jim Morrison Varela, Juan San Martín, Correa, Ramírez ou Mvom.
Atentem no vídeo abaixo:

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publicado por J.G. às 23:22
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Vencedor do Livro Noites Europeias

Quem ganhou o livro Noites Europeias foi o leitor mramos29 ( envia os teus dados para o mail jjoaomcgoncalves@gmail.com ).

Boa forma de fecharmos a época na véspera da final da Champions na nossa casa.

 

Solução do passatempo

 

- Porque decidiu o SL Benfica não participar na edição de 1955 da Taça Latina depois de ter conquistado o titulo de campeão portugues na mesma temporada?

Resposta - O Benfica preferiu trocar a participação na prova por uma rentável digressão no Brasil onde realizou uma série de memoráveis exibições e impressionou a imprensa sul-americana com o seu estilo de jogo.

 

- Quantos (e quais) jogadores do Benfica estiveram em campo nas duas finais europeias contra o Real Madrid, a da Taça Latina em 1957 e a da Taça dos Campeões Europeus de 1962?

Resposta: 4- Angelo, Cavém, Coluna e José Aguas

 

- No ano em que o Benfica voltou a uma final da Taça dos Campeões Europeus depois de vinte anos de ausência, porque motivo a equipa encarnada só teve de disputar a primeira-mão dos dezasseis avos de final?

Resposta - Porque o Partizani Tirana, campeão albanes, acabou com sete jogadores o encontro inaugural na Luz (4-0) e a UEFA decidiu, como punição para o clube albanes, cancelar o encontro da segunda mão.

 

- A rivalidade ás vezes pode criar inesperadas amizades. Por uma vez na história os adeptos do Sevilla vestiram a camisola do Benfica e apoiaram o clube da Águia numa eliminatória europeia. O que levou a essa situação?

Resposta - Em 1982/83 os encarnados defrontaram o eterno rival do Sevilla, o Real Betis, na primeira ronda da Taça UEFA. A imprensa andaluza patenteou o apoio do clube sevillista aos portugueses no jogo da segunda-mão no Benito Villamarin que o Benfica acabou por ganhar por 2-0 carimbando o bilhete até à sua primeira final na competição que agora disputa.

 

- O Sevilla participou na antiga Taça dos Campeões Europeus mas o seu unico titulo de liga foi conquistado em 1946. Em que ano e porque motivo participou o clube andaluz na competição rainha das Noites Europeias?

Resposta: O Sevilla participou na edição de 1957/58 na competição para ocupar a vaga de Espanha já que o Real Madrid era campeão em titulo. Fê-lo debaixo do titulo de subcampeão espanhol e foi eliminado pelos merengues da competição.

 

- O clube andaluz venceu a Liga Europa por duas vezes consecutivas. Que outros clubes europeus (e em que anos) venceram de forma consecutiva duas provas das noites europeias da UEFA?( tanto valiam as provas conquistadas de forma consecutiva como duas vitorias consecutivas na mesma prova. )

Resposta - 8 clubes. Real Madrid (pentacampeão da Taça dos Campeões Europeus entre 55-60 e duplo vencedor da Taça UEFA entre 1985 e 1986), Sport Lisboa e Benfica (bicampeão europeu 61-62), Internazionale (bicampeão europeu 64-65), Ajax Amesterdam (tricampeão europeu 1971-73), Bayern Munchen (tricampeão europeu 74-76), Liverpool (bicampeão europeu 77-78), Nottingham Forrest (bicampeão europeu 79-80), AC Milan (bicampeão europeu 89-90)

 

 

 

publicado por J.G. às 13:45
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Benfica 1 - 0 Rio Ave

Num dia como este mas em 1987 fui ao Jamor festejar uma dobradinha. Na altura foi contra o nosso rival e vizinho. Nessa altura foi particularmente complicado conviver com os lags que andavam doidos por um resultado conseguido em Dezembro de 1986. Reparem que não estavam eufóricos por ganharem alguma coisa, nada disso. Viviam em loucura porque já tinham vingado os 5-0 para a Taça da época anterior. E cheios deles próprios lá foram para o Jamor a pensar nos 7-1 ignorando que o Benfica já era Campeão Nacional tendo ganho na Luz o derby da 2ª volta. Obviamente ganhámos a final, 2-1 com um dos golos de Diamantino ainda hoje recordado por mim como a mais bela folha seca que vi.

 

Serve esta introdução para explicar que nessa longínqua tarde de 1987 não me passava pela cabeça ter de esperar por 2014 para ver nova dobradinha. Algumas finais vencidas, outras perdidas mas dobradinhas nunca mais.

Há um ano senti-me destroçado com o final de jogo e de época que vivi no Jamor. Tudo mau demais para ser verdade. Um pesadelo que começou na  remontada do Vitória de Guimarães e que se prolongou com a triste saída de campo da equipa e com o episódio Cardozo e Jesus.

Saí do jamor desfeito, cheguei a casa ainda o Vitória não tinha recebido a Taça e partilhei aqui toda a minha revolta. Fiquei à espera de uma revolução no meu clube, apatecia-me um novo ciclo, novo treinador, novo goleador, enfim tudo de novo.

Passei os anos anteriores sempre a defender o trabalho de Jesus, estive sempre do lado da equipa técnica mas depois daquele fim de época do ano passado não consegui ver mais à frente. Interiormente sentia um vazio porque não tinha alternativa para o comando técnico da equipa e sabia que era uma mudança penosa mas não conseguia imaginar mais um ano com as mesmas figuras de tamanho falhanço.

 

Afinal ficou tudo na mesma, o Presidente teve um rasgo de teimosia e acertou em cheio. Olhou para o exemplo do Bayern de Munique e deu-se bem. A minha vénia a Vieira pela coragem na aposta, a minha vénia a Jesus por ter aceite tamanho desafio. Desconfiado não acreditei num final de época vitorioso mas lá me lancei para mais uma temporada de militância na Luz onde vi Sporting e Porto a caírem lindamente na Taça de Portugal. Foi, aliás, nesta Taça de Portugal que vivi os meus momentos mais fortes emocionalmente e enterrei o pessimismo e a desconfiança. Os 3 golos de CarDeuz contra os lags e aquela obra de arte, que já devia estar no nosso Museu, do André Gomes contra o Porto.

 

A grande dúvida na Taça de Portugal era saber como íamos ultrapassar o cansaço de uma longa época, o trauma de há um ano e como recuperávamos da jornada esgotante de Turim. Não fizemos uma exibição espantosa mas garantimos o mais importante, ganhámos a Taça de Portugal!

Gaitan assinou um golão, Oblak mostrou porque é que faz parte da fórmula ganhadora da mudança de rumo do nosso clube, Salvio e Enzo vingaram-se da ausência europeia, Maxi acabou a época em grande e Jesus geriu tudo sem stresses. Cardozo acabou a tarde a tirar fotos com o seu treinador e a festa que os jogadores fizeram perto dos adeptos benfiquistas mostra uma rara comunhão que me emociona mesmo.

 

Mas isto hoje foi muito mais do que uma dobradinha, hoje concretizou-se um triplete que anda aí há anos à mercê de quem o queria completar e só o Benfica conseguiu fazer! É um momento incrível para o clube e para os adeptos , ainda para mais quando olhamos para trás e nos lembramos do nosso estado de espírito à precisamente um ano. Isto não foi só dar a volta à dor, foi reagir e dar um passo em frente. Alias, dar três grandes passos em frente. Isto é entrar numa passada que temos de saber continuar já na Supertaça.

 

 

 

Há um ano não fui para o Jamor. Passei pelo Jamor, o que é uma coisa diferente. No ano passado nem me apetecia ir ao Estádio Nacional mas fui. Cheguei lá uma hora antes, passei pelo lugar onde o pessoal se juntou só para beber uma cerveja e seguir para a bancada.

Este ano fui para o Jamor. Às 11h já lá estava com o pão que combinei levar. Passei lá meio dia, almocei, lanchei, jantei e vivi um dia à Benfica com benfiquistas. Uma festança pela mata fora que só quem nunca a viveu é que pode ousar querer tirar dali! Que nunca se tire a Taça do Jamor. Que nunca demore tanto tempo a fazermos um dobradinha e um triplete, já agora.

Que nunca desistamos do nosso Benfica, acabamos sempre na mesma conclusão: é tão bom ser do Benfica!

Viva o Benfica!

publicado por J.G. às 01:09
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

Sevilha 0 - 0 Benfica ( 4 - 2 nos Penaltis )

Faz hoje, dia 15 de Maio, um ano que perdemos a Liga Europa de forma dolorosa. Parece que foi ontem.

E assim que arranco o regresso a crónicas de jogo. Assim com vontade de mostrar que a dor de hoje não é igual à de 2013.

 

Há um ano parti para Amesterdão ferido de morte por "aquilo" do Kelvin. Tal como aqui contei senti-me renascido durante o jogo e acabei destroçado já a prever o prolongamento do sofrimento até ao Jamor. Depois foi o sofrimento que se sabe e a incompreensão em ver o clube continuar a apostar nos mesmos líderes, técnicos e jogadores. No final do jogo nos Barreiros, já esta época, não aguentei e calei-me para não me tornar num daqueles benfiquistas a viver em negação e sempre a dizer mal de tudo e de todos. Assim que parei de escrever aqui deu-se um milagre, os últimos minutos , que tão cruéis tinham sido connosco, revelaram uma remontada que nos lançou para a conquista do 33º título nacional.

Esta época de todos os jogos oficiais que fizemos na Luz falhei o encontro com o Paços de Ferreira por estar no baptizado da filha de um amigo e companheiro de bancada. De resto , como sempre, estive lá em crescendo de entusiasmo que só se saltou mesmo definitivamente naquele golo do André Gomes e uns dias depois atingiu o auge com Garay e , especialmente, Lima naquele golão à Juventus em pleno dia do meu aniversário. O Benfica , mais uma vez, fez-me sentir nas nuvens.

Depois da heróica noite de Turim em que deixámos de fora o clube favoritissimo à conquista da Liga Europa, percebi que ia acontecer tudo de novo, lá teria de ir para a "guerra" dos bilhetes, dos orçamentos, da marcação de férias, das viagens mas não podia faltar à chamada.

 

Este ano com menos disponibilidade profissional para marcar dias de férias optei pela viagem charter graças à sugestão do amigo T. e assim assumi a presença no estádio da Juventus.

O plano era estar à 4h30 da manhã no aeroporto da Portela no dia da final. Sim, 4h30. E sim, se fosse para trabalhar ou ir ter com uma familiar distante não sei se iria com a mesma facilidade. Mas é o Benfica que me espera lá longe, nem se hesita. 4h30 da manhã pareceu-me uma hora tão boa como outra qualquer. Não conseguir dormir direito, saltar da cama antes da 4h da matina, ir de mota sozinho na 2ª circular a meio da noite e só avistar táxis cheios de pessoal vestido de vermelho com o mesmo destino. É o Benfica.

Chegar à Portela e ver o aeroporto tão cheio de vermelho deixou logo para trás o pormenor da hora obscena. Era como se fosse hora de almoço e estava ali tudo animado para mais uma aventura benfiquista. O bom destas loucuras encarnadas é encontrar amigos de sempre que não são fáceis de ver no dia-a-dia. Logo à cabeça com o grande JPM com os seus encantadores pais com quem me sentei a meter a conversa em dia tão naturalmente como o abraço que troquei com o R. e o J. antes do embarque. Tudo rápido, nada de sentimento de seca. Seca passei eu no complicado processo de renovação de Cartão de Cidadão uma semana antes em que o grande CF me ajudou de forma decisiva. Grande abraço, CF, lembrei-me de ti na altura em que mostrei o bilhete de embarque e o cartão de cidadão.

 

Às 6h já estávamos no avião a partir para Milão. Viagem fácil passada na conversa com o F.P.. Rapidamente estávamos a aterrar em Milão e a entrar no autocarro que nos levaria para Turim. Nesse intervalo entre avião e bus troquei umas palavras animadas com o grande RAP que depressa foi engolido pelos benfiquistas que queriam fotos. O costume. Ainda não foi desta, RAP mas um dia acontecerá como te disse.

 

Viagem de autocarro confortável por uma auto-estrada que tem como cenário os imponentes Alpes cheios de neve. Bonito. Paragem para passarmos a ser escoltados pela polícia italiana, piadas de circunstância a animar o ambiente e orientações para o resto do dia. Os autocarros seguiam para o centro de Turim para o Parque del Valentino e deixava-nos a tarde livre para passear por ali. Reencontro marcado para as 16h30 ( mais uma hora em Turim ) para a ida para o Estádio.

 

O que dizer da cidade de Turim?
Não tinha feito trabalho de casa porque sabia que só ali estaria uma horas e assim apostámos em passeio até ao centro e ir à descoberta. Bonitas ruas, monumentos bem cuidados, polícias simpáticos, raparigas bonitas e muito simpáticas ( beijinho para a Toura que me atendeu na loja do Torino ), muitos restaurantes , muitas pizzas à vista, jardins com relvados ocupados por italianos desejosos de sol e uma cidade relativamente calma em termos de movimento local. O resto era animação de finalistas. Malta sevilhana porreira, não vi problemas nenhuns na cidade ( houve um foco de tensão criado fora do estádio pelos famosos Biris Norte mas sem grandes consequências ).

É sempre uma sensação engraçada andar numa cidade onde nunca estive e enquanto tento descobrir pormenores que me agradem ( estive para comprar uns livros sobre futebol mas nunca irei conseguir ler italiano além da capa da Gazzetta dello Sport) vou encontrando pessoal de forma mais ou menos esperada. Destaco o encontro com o Pedro Adão Silva, fomos colegas na Secundária de Benfica e nunca nos vemos em Lisboa, só pelo twitter falamos mas em Turim não falhou. Troca de cumprimentos com pessoal que vai a todo o lado atrás do Maior, encontros com pessoal que nem sei o nome mas conheço da Luz, e o reencontro com os companheiros de sempre que optaram por aventura de carrinha. Tudo junto atacámos a pizzaria Caravella onde, incrivelmente, estava a almoçar o casal que nos alimenta há anos no Terceiro Anel. Almoço de família benfiquista, pois então. Fotos, animação e um belo almoço de pizzas. Finalmente, posso dizer que já comi pizza em Itália. O azeite picante é que faz a diferença. Tudo óptimo, é para isto que me atiro nestas aventuras. Este convívio tendo como dominador comum o Sport Lisboa e Benfica, é algo único e quase inexplicável. Aquela gente toda ali bem longe de Portugal, tudo por causa do mesmo. Isto são vitórias que ninguém nos tira.

 

Depois regresso ao Parque para ir de autocarro para o estádio. Ambiente bem mais animado. Ao meu lado duas benfiquistas que eram caras conhecidas do bairro de Benfica falam-me do nome do ausente JA. Claro, são amigas da irmã mais nova. Dos tais casos que reconheço as pessoas mas nem do nome me lembro. Fica um beijinho para a dupla C & C , sendo que acho que uma delas até vai ler isto já que me disse que tinha gostado do texto que fiz sobre Eusébio.

 

Chegada ao estádio e mais encontros, mais conversa, mais histórias partilhadas. Um mar vermelho e uma pausa para olhar bem para o Estádio da Juventus. Ali já foi o Estádio dos Alpes, agora nasceu um moderno Estádio da Juventus. Muito curiosa a localização do estádio no meio de nada , só com parques à volta mas com a cidade ali bem perto e do outro lado os tais imponentes Alpes. Bonito o estádio e o contexto paisagístico.

Entrada pacifica com pessoal com quem costumo partilhar os momentos antes das entradas na Luz e companheiros de outras viagens.Tudo boa gente, claro. Entrada nas bancadas e uma vista agradável. Não sendo maior que a Luz o recinto da Juventus é bonito, prático, com boa visibilidade, boa acústica e até de aparência respeitosa por ter as bancadas bem perto do relvado. Gostei do que vi.

Fiquei no piso superior no topo Sul e subi até à fila mais alta. Como na Luz só encontrei malta conhecida. O casal "pobeiro" J&A sempre presente, troca de fotos, poses para mais tarde recordar e o reencontro com o grande JP e seus pais. Ao lado deles vi a 1ª parte.

 

Engraçado como nos habituamos bem e depressa a estas altas andanças uefeiras. No espaço de um ano estar presente em duas finais tira um pouco da magia de um ano para o outro. Ontem já tudo me pareceu mais normal depois daquela emoção de Amesterdão. A mesma mancha vermelha na bancada, o mesmo apoio enlouquecido dos benfiquistas, o mesmo brilho do nosso emblema nos cartazes do estádio e na coreografia da UEFA, a solenidade do momento da entrada das equipas, o mesmo entusiasmo na bancada contrária. Uma pessoa habitua-se a isto e tem até cabeça para puxar da memória e pensar: caramba, estou no mesmo local onde nos rebentaram com o Silvino, onde se jogaram outras finais europeias, onde se jogou o Italia'90... Noutro estádio mas no mesmo sitio. É sempre arrepiante fazer parte da história do futebol. Sempre.

Para o jogo propriamente dito eu não estava muito nervoso. Era a primeira vez que sentia numa final europeia que o meu Benfica era mais forte que o adversário. Lamentava a ausência do Enzo pela inegável importância que tem no meio campo, e notou-se muito, a ausência do Salvio também me deixava apreensivo porque não temos melhor para desequilibrar nas alas e sobre Markovic estava mais calmo porque em Leiria não o vi fazer grande coisa mas seria importante tê-lo no banco para usar como trunfo. Assim, sem três jogadores importantes, encarámos a final com a mesma naturalidade com que fomos encarando todos o jogos na Europa nestes últimos anos. Fiquei enervado quando percebi que a finalização não estava apurada. Nunca senti que o jogo estivesse em perigo apesar de perceber que o Benfica jogou no limite sem grande frescura física.

 

No intervalo mais caras conhecidas nos corredores do Juventus Stadium. O reencontro com o grande RC que ajudou a passar aqueles minutos. Regresso à bancada tardio já com a bola a rolar e por isso não voltei para a última fila, desculpa JP, fiquei pela varanda, como chamávamos no antigo 3º anel.

O grande senão desta mudança posicional foi a perca de visibilidade para fora do estádio. Lá no alto consegue-se lançar a vista além cobertura e vislumbrar a neve nos Alpes com o céu azulado como cenário. É uma vista magnífica, olhar para o relvado e ver a bola fora, subir o olhar e ver Alpes com neve. Não é o Restelo mas era gajo para ver ali muito jogo de bola.

 

Cá em baixo a visão é diferente, ver o piso inferior todo vermelho e pôr os olhos no ataque do Benfica que agora vinha na nossa direcção. Como na Luz. Era na 2ª parte que íamos marcar, obviamente. Mas não foi a nossa noite. A bola parava sempre em pernas sevilhanas, a apontaria estava desafinada e nem a cabeça de Garay deu justiça aquele resultado. O pânico do prolongamento foi se aproximando e só era superado pelo medo dos descontos pós minuto 90. Tudo acabou empatado, este ano não há cá minutos 92 nem 93. Aliás, já devolvemos o efeito Kelvin não uma, não duas mas sim três vezes. Pagaram na Liga, na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Pode não parecer relevante mas foi esse triplo pagamento que nos elevou a um estado de alma maior e melhor. Estamos ali na final da Liga Europa em paz connosco e com os nossos. Estamos ali para apoiar e aceitar o que o futebol tem para nos dar. Não é como no ano passado que tudo parecia uma conspiração religiosa feita nos momentos finais de cada partida decisiva. Nada disso.

Em Turim foi só um jogo em que não conseguimos fazer os golos que normalmente fazemos. É futebol.
O prolongamento jogado com uma substituição por fazer fez-me confusão, o Ivan podia ter entrado mais cedo para tentar a sua sorte mas se o treinador achou assim melhor não sou eu que venho aqui contestar. Fiquei só com esta ideia.

 

Aos poucos fui percebendo que não ia ser a nossa noite. A bola não entrava, a reacção dos jogadores a cada golo falhado deixava a entender que a esperança ia acabando. O remata do Bacca que foi ao lado também mostrou que o Sevilha não tinha muito mais para dar além da excelente qualidade do Rakitic e da confiança cega e certeira que tinham no Beto.

Penaltis. Estugarda 1988 nunca me saiu da cabeça, por isso ... A minha esperança rondava os zero. E depois tenho a minha cabeça cheia de informação absolutamente inútil como esta de me lembrar que em Dezembro de 2008 fomos corridos da Taça de Portugal nos penaltis pelo Leixões onde brilhava um tal de ... Beto. O que irrita nem é perder nos penaltis, quer dizer irrita porque já não é a primeira vez mas tendo como um adversário o mesmo do Leixões? É tramado o futebol.

Assim que vi a forma horrorosa como CarDeuz desperdiçou o penalti afastei-me para a saída do estádio e assisti ao inevitável fim infeliz já longe da varanda. Não vi o remate do Gameiro e assim posso dizer que desta vez nem sei como foi o último pontapé.

Não chorei, não me deixei cair no chão como há um ano, ainda confortei uns benfiquistas mais desesperados. Concentrei-me só na tarefa de regressar a casa.

Desta vez não foi uma tragédia, foi só um jogo onde não finalizámos como é costume e acabou mal. Uma final perdida numa altura em que somos Campeões, já ganhámos a Taça da Liga e corremos para um inédito triplete.

 

Cá fora já de noite e com frio ainda ouvi palavras simpáticas de um segurança italiano. Tudo porque optei por levar ao pescoço um cachecol do Torino. Foi a melhor compra que fiz! Desde que saí da loja do Torino e resolvi colocar o adereço grená pendurado ao lado do emblema do Benfica assisti a algo que não esquecerei. Em todo o percurso que fiz na cidade só ouvi palavras simpáticas: Toro! Benfica! Obrigado! Forza Benfica, Grande Toro!

Incrível a força do Torino na cidade. O ponto mais alto foi quando passei a primeira barreira de acesso ao estádio e fui revistado. De seguida um segurança chama-me e indica-me o caminho sorrindo. Pede para eu parar e agarra no meu cachecol e beija o emblema do Torino! Ali, à frente de outros seguranças e polícia. Que belo momento. Força , Toro !

 

Depois foi tentar dormir no autocarro em silêncio até Milão, embarcar e fazer o mesmo no avião e chegar a casa já bem depois das 6 manhã. Mais de 24h nisto. E vale a pena? Vale sempre a pena. 8ª final europeia perdida? Paciência, se me pedirem para assinar já a presença na final do próximo ano eu assino já e preparo já a viagem. São experiências incríveis. E no nosso caso não foi nada de vida ou morte. Não íamos ali salvar a época, era "só" mais uma final neste fim de época bíblico.

Apurámo-nos para a Liga Europa somando 10 pontos da Liga dos Campeões, não entrámos pela porta do cavalo como o Sevilha que só participou porque o Málaga foi castigado e o Rayo não conseguiu autorização.

Fizemos um trajecto na Liga Europa incrível, não perdemos um único jogo, nem o da final em 120', afastámos gregos e holandeses, brilhámos na capital do país do futebol, e deixámos a Europa espantada ao afastar os anunciados vencedores da prova. Morremos nos penaltis. Paciência. Foi uma carreira brilhante para juntar à da época passada. Somos, sem ponta de exagero, uma das grandes equipas do futebol europeu da actualidade. Não ficamos fora da Europa, não andamos a terminar em último em grupos com videotons e genks e não levámos 4 secos de um Sevilha. Jogámos uma final, já tínhamos vencido a Liga e outra final interna e vamos jogar mais uma, e não correu bem. Jogámos aqui o regresso à glória europeia e a concretização de uma época perfeita. Não deu. Olhemos para o que fica que é algo de grandioso, saibamos aproveitar este momento enorme do nosso clube em vez de nos deixarmos abater por uma final maldita. Foi duro? Foi. Mas há muito boa gente próxima de nós que nem sabe o que é ir ver o seu clube a uma final algures na Europa e o nosso clube já andou bem longe destas andanças.

Voltámos ao nosso lugar que é este. A perder ou a ganhar finais ou meias finais eu quero continuar neste ritmo. Eu tenho um orgulho inexplicável em ter feito parte daquelas bancadas carregadas de benfiquismo em Amesterdão ou Turim. Mais ano menos ano voltaremos a sair de um destes estádios como entramos; em grande.

 

Reparem como se passou um texto sobre uma final europeia do Benfica sem de falar de Guttman. A maldição era só para a Taça dos Campeões europeus que até já nem existe. Não precisamos de quebrar maldições, precisamos é de chegar às finais com a equipa toda em força.
Domingo há mais. Sabiam que um triplete é uma coisa espantosa?

Viva o Benfica !

 

 

publicado por J.G. às 18:45
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2014

Comemorar Turim: Oferta de 1 Livro Noites Europeias

Agora que o campeonato está ganho e a Taça da Liga garantida viremo-nos para a Europa. Quem acertar com as respostas mais completas leva um exemplar deste excelente livro.

 

- Porque decidiu o SL Benfica não participar na edição de 1955 da Taça Latina depois de ter conquistado o titulo de campeão portugues na mesma temporada?

 

- Quantos (e quais) jogadores do Benfica estiveram em campo nas duas finais europeias contra o Real Madrid, a da Taça Latina em 1957 e a da Taça dos Campeões Europeus de 1962?

 

- No ano em que o Benfica voltou a uma final da Taça dos Campeões Europeus depois de vinte anos de ausência, porque motivo a equipa encarnada só teve de disputar a primeira-mão dos dezasseis avos de final?

 

- A rivalidade ás vezes pode criar inesperadas amizades. Por uma vez na história os adeptos do Sevilla vestiram a camisola do Benfica e apoiaram o clube da Águia numa eliminatória europeia. O que levou a essa situação?

 

 

- O Sevilla participou na antiga Taça dos Campeões Europeus mas o seu unico titulo de liga foi conquistado em 1946. Em que ano e porque motivo participou o clube andaluz na competição rainha das Noites Europeias?

 

- O clube andaluz venceu a Liga Europa por duas vezes consecutivas. Que outros clubes europeus (e em que anos) venceram de forma consecutiva duas provas das noites europeias da UEFA?

 

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publicado por J.G. às 10:32
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

5ª Taça da Liga Ganha

publicado por J.G. às 10:55
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Venda de Bilhetes Para o Jamor

publicado por J.G. às 08:58
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Domingo, 4 de Maio de 2014

Bilhetes Final da Liga Europa - Disponíveis a 6 de Maio

publicado por J.G. às 22:38
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Sábado, 3 de Maio de 2014

Oferta de 1 Livro Noites Europeias

 

Para festejar o apuramento para mais uma final europeia do Benfica vamos oferecer um exemplar do excelente livro Noites Europeias. Fiquem atentos.

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publicado por J.G. às 16:09
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

É o Sport Lisboa e Benfica. Entendes agora, Pirlo ?

publicado por J.G. às 22:19
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Bilhetes para a Final da Taça da Liga

Condições de venda dos bilhetes para a final da Taça da Liga
7 / Maio 20h30 Estádio Dr. Magalhães Pessoa
Benfica - Rio Ave Futebol Clube

 

 

publicado por J.G. às 13:30
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Terça-feira, 29 de Abril de 2014

Enzo - JUVE Apela Ao Seu Adepto Platini

Vi as notícias sobre as queixas dos italianos e sem ler o conteúdo fiquei impressionado pelo fair-play. Pensava eu que a Juventus chamava a atenção para o facto do árbitro não ter assinalado um penalti sobre o Enzo no jogo de 5ª feira na Luz. Era justo que a UEFA tomasse nota.

Afinal não. A Juve está preocupada com o que tem acontecido por cá ao seu clube gémeo de corrupção e puxa de todas as armas à disposição sendo que ter um ex-jogador e adepto como Presidente da UEFA já um certo jeito.

Até a faixa a relembrar o desastre do Grande Torino, muito oportunamente mostrada pelos Diabos Vermelhos, foi alvo de acusação.

Eu, que em Setembro acreditava zero neste Benfica, acabo por sentir orgulho ao ver tanta movimentação ao mais alto nível europeu mas como adepto de futebol fico (mais) enojado com este reinado de Platini.

Não nos calemos, façamos barulho com isto. É o mínimo que podemos fazer pelos nossos jogadores que tão determinados têm estado a ultrapassar aquilo de Maio e tão brilhantes estão na missão de assinarem uma época épica. Quem sabe a maior de sempre.

UEFA, não me lixes!

publicado por J.G. às 10:25
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Tiago Alves Ganha o Livro "Lá Em Casa Mando Eu"

O Tiago Alves foi o primeiro a acertar nas duas questões e é o vencedor do passatempo no dia mundial do livro.

- Data e resultado do jogo com maior diferença de golos entre Benfica e Porto
: Benfica 12-2 Porto a 7 fevereiro de 1943


- Data do melhor "post" de sempre do Lá Em Casa Mando Eu chamado Sífilis Clube de Portugal

: Dia 5 de abril de 2012

 

 

Tiago, preciso que mandes um mail para jjoaomcgoncalves@gmail.com com o teu nome completo e uma morada onde queres receber o livro. Parabéns!

Obrigado a todos pela participação. E façam como eu, comprem o livro porque vale bem a pena.

publicado por J.G. às 10:08
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Campeões ! E quem é que não acreditava ? Eu!

publicado por J.G. às 02:10
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Oferta de 1 Livro "Lá em Casa Mando Eu!"

 

Em jeito de começo de festejos há um livro para celebrar, divulgar e oferecer. O excelente blog http://laemcasamandoeu.blogspot.pt/ ganhou formato literário digno e convidou o Red Pass a voltar à actividade com um passatempo. Orgulhoso com o convite passo a bola aos leitores e lanço o seguinte desafio:

O primeiro a acertar às seguintes questões receberá um exemplar do "Lá em Casa Mando Eu", um livro que vale pela prosa do amigo Manuel e onde também podemos rir com textos da Catarina que mal sabia o que ia passar na altura em que o livro é lançado.

 

- Data e resultado do jogo com maior diferença de golos entre Benfica e Porto

 

- Data do melhor "post" de sempre do Lá Em Casa Mando Eu chamado Sífilis Clube de Portugal

 

Respostas nos comentários que só serão visíveis após resposta certa.
Boa sorte.

 

 

publicado por J.G. às 16:50
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

Obrigado, Sr. Coluna

 

O Benfica tem uma responsabilidade gigante de somar rapidamente títulos que possa dedicar a quem tanto fez pelo clube. É a melhor forma de honrar quem nos deu tanto. Depois do Rei Eusébio parte o Capitão Sr. Coluna. São muito do Benfica. Honremos o seu legado.

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publicado por J.G. às 11:54
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014

Nós Só Queremos

 

Presidente, não preciso de 1 ano de luto, não preciso da imagem do Eusébio nos equipamentos (horríveis, por sinal), não preciso do nome de Eusébio nem no Estádio nem no Centro de Estágio, não preciso do espaço envidraçado da estátua do Eusébio. Nem eu nem o King. Preciso é que nos diga agora e já que em Maio vamos dedicar conquistas de títulos ao Eusébio! Era "só" isso que ele queria. É só isso que nós queremos. De "folclore" já estamos bem servidos. Obrigado.

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publicado por J.G. às 22:28
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Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

Morreu o Outro nome do Sport Lisboa e Benfica, Eusébio

Nasci em Abril de 1973 em Moçambique. Vim logo para Lisboa e os meus pais foram viver para a rua em frente ao Califa onde havia uma paragem de eléctricos e autocarros. A paragem em que o povo saía e rumava a pé para a Luz subindo a rua onde eu ia viver mais de três décadas da minha vida.

 

Tinha eu dois meses e meio de vida e o Benfica ganhava 6-0 ao Montijo e sagrava-se campeão nacional. Marcaram Toni e Jordão, pelos humanos. Eusébio fez quatro golinhos.

Esta introdução serve para explicar que não faço a menor ideia qual foi o momento em que deixei o Benfica entrar na minha vida, eu é que entrei na vida do Benfica sem ter consciência disso. Já fazia parte do universo encarnado por defeito. O Estádio ao lado de casa, o povo benfiquista a passar à minha porta aos domingos e quartas à noite, estava tudo feito mas faltava o empurrão. 

O pai da minha mãe, o avô Alberto, fez o resto ao passar-me aquele benfiquismo lindo cada vez que ia lá a casa ver a bola, como se dizia. O padrinho da minha irmã, o tio Victor, criou definitivamente o monstro (eu) ao levar-me para o Estádio quando a família achou que eu já tinha idade para isso.

Até ao dia que entrei na Luz para ver um jogo a sério ficou muito tempo para trás de sonhos a ouvir relatos e, raramente, a ver na televisão com um curioso ritual. Se era jogo europeu, quarta feira à noite, ficava na varanda virada para a rua do califa a olhar fixamente para o impressionante clarão que rompia o negro da noite por trás daqueles prédios vermelhos mais perto do estádio com a janela um pouco aberta para ouvir o , igualmente, impressionante barulho do povo a gritar cada golo. Ainda hoje tenho na mente esse som maravilhoso! Ouvia o relato e assim que se começava a gritar golo na rádio tirava o som para ouvir o verdadeiro "bruá" da Catedral. Era um quadro mágico, o clarão das luzes a iluminar o céu e o som do golo festejado.

Nos jogos de dia ligava o rádio e ouvia os relatos enquanto reproduzia o jogo na alcatifa em cima do tapete do Subbuteo. E tão feliz que uma criança pode ser assim, nem imaginam.

 

Foi também nesta fase pré Estádio que descobri que uma década antes o Benfica tinha dominado a Europa do futebol e que havia muitos jogadores para descobrir além daqueles que jogavam na altura. O avô Alberto contava histórias sobre o Benfica europeu, sobre campeonatos nacionais ganhos, sobre os Magriços e de como era bom ganhar ao Sporting. O tio Victor explicava o problema de sucessão dos grandes craques dos anos 60, das esperanças que tinha nos novos miúdos e de como era bom ganhar ao Sporting. Em comum havia sempre um nome: Eusébio. Já uma lenda na minha cabeça e mal tinha ele acabado de jogar.

 

Depois veio a escola primária, a preparatória e o Liceu. Não poucas vezes ao dizer alto o nome e a naturalidade , Moçambique, recorde-se, o eco era repetido: terra do Eusébio! O orgulho que eu tenho de ter nascido no país do Eusébio!

Frequentei as escolas de Benfica, perto de casa e perto da Luz. Rapidamente as idas ao estádio em dias de jogo se tornaram curtas. Era preciso ir lá ver treinos, estar perto dos jogadores, ver as imensas bancadas despidas, viver o Benfica. Assim foi fácil para mim ter o primeiro encontro com Eusébio relativamente cedo.

Começo dos anos 80, fim de tarde da Luz. Porta principal ao pé da águia de pedra, passam alguns jogadores a caminho dos seus carros e simpaticamente distribuem fotos autografadas a quem os esperava. De repente vejo Eusébio a poucos metros de mim. Eu, que nem 10 anos tinha e andava ali a pedir autógrafos e "bacalhaus" a tudo o que tivesse pernas e saísse da porta dos balneários, fiquei siderado! Não tive reacção, não pedi nada, não falei, ele passou-me a mão pela cabeça e riu-se. Fiquei horas com aquela imagem na mente, o Eusébio tocou-me.

 

E aqui começou uma relação que até hoje nunca consegui clarificar na minha vida. Eu recebi o Eusébio como herança e já em formato de lenda. Mas ao mesmo tempo ele estava ali bem perto de carne e osso.

Mais tarde descobri que Eusébio morava perto da Estrada de Benfica. Foi num daquelas noites de inverno que perto da escola ia com a minha mãe à papelaria, do outro lado da estrada vi Eusébio a sair de um carro. Gritei para a minha mãe que tinha de ir pedir um autógrafo, desatei a correr em direcção a ele para lhe dizer que o primeiro livro que escolhi para ler na biblioteca da escola era sobre o Mundial de 1966. Pelo meio ficou a Dalila em pânico depois de me ver cruzar a estrada de Benfica sem pestanejar. Eusébio ouviu-me, deu-me o autógrafo, esperou pela minha mãe e disse-me para não voltar a atravessar assim a estrada.

A partir daqui cruzei-me com o Rei muitas vezes, felizmente, e sempre com sorrisos à mistura.

 

Foi à conta dele que fiz coisas sem grande sentido para as pessoas que conviveram comigo ao longo dos anos. Tais como ver os jogos inteiros de Portugal em 1966. É estúpido, um gajo já sabe quanto fica o jogo e quem marca os golos. Pois é mas aquilo é magia pura. Mais tarde consegui ver jogos inteiros do Benfica nas caminhadas triunfantes na Taça dos Campeões Europeus. Impressionante!

 

Entretanto, ia crescendo a ver o Benfica. As inesquecíveis noites europeias dos anos 80 na Luz vi com o meu pai, sportinguista, que torcia pelo Benfica na Europa muito por culpa de Eusébio e companhia e nos jogos de domingo à tarde passei a ir com a rapaziada lá da rua.

Habituei-me a ver Eusébio nas equipas técnicas do Benfica, a trabalhar na formação do clube e , mais tarde, como embaixador ou algo assim parecido.

 

Ainda ele fazia parte da equipa técnica como treinador de guarda redes fez-se um passatempo no campo de treinos nº2. Foram às escolas ali da zona convidar os alunos a aderirem a um desafio que era ir defender um penalti do Eusébio para ganhar bilhetes para um jogo europeu. Obviamente fui. Era malta a perder de vista e o bom do Eusébio ali a chutar a tarde toda. Até chegar a minha vez ninguém tinha defendido nada. Recordo-me de estar na baliza, sendo que nessa altura eu tinha a mania que era o Bento nos jogos de rua, e em vez de olhar para a bola fixei o olhar na figura do King. Ele chutou e eu nem vi onde é que a bola entrou, ao ouvir aquele barulho romântico da bola a enrolar-se nas redes saí disparado da baliza para o abraçar perante os protestos dos organizadores. E então , ganhei o bilhete? Claro que não, ganhei um abraço ao Eusébio!

Lembro-me de contar isto em casa todo orgulhoso perante o sorriso de aprovação da minha mãe. Depois a magia acabou quando o meu pai, sempre bem mais realista, fez uma observação pertinente: "Olha lá, mas tu não tinhas aulas à tarde?". Uma criança sofre muito, todos sabemos...

 

Aos poucos percebi que o Eusébio era uma lenda viva demasiado grande para um clube que inevitavelmente ia perder grandiosidade. Habituei-me a um grau de exigência nas bancadas da Luz que roçava o lunático! O Benfica a construir goleadas de 7, 8, 9-0 ao Penafiel, ao Varzim, ao Vitória de Guimarães e eu nunca pude festejar dignamente essas "tareias" porque à minha volta todos eram mais velhos e encolhiam os ombros. "Isto com o Eusébio eram 14 ou 15."

Eu cresci com os ressacados do maior Benfica da história.

Em 1982/83 vi o melhor Benfica da minha vida. Fui a todos os jogos na Luz, portugueses e europeus, e nunca senti aquelas bancadas verdadeiramente rendidas aquela equipa. Criticavam o Nené, imagine-se! Para mim era maravilhoso ver aquele Benfica jogar mas depois da final perdida com o Anderlecht percebi que, realmente, faltava ali qualquer coisa para ser um Benfica à altura do Benfica de... Eusébio.

 

Depois vieram as lições nobres. Quando eu mostrava orgulho na pêra que o Bento deu ao Manuel Fernandes o avô Alberto explicava que isso já não era o Benfica dele. Ele viu o Eusébio a marcar um golo ao Yashin e em vez de ir festejar foi cumprimentá-lo, ele viu o Eusébio rematar dramaticamente para o golo na final que dava a 3ª Taça dos Campeões ao Benfica em pleno Wembley contra o Manchester United e ao ver que o inglês defendeu valentemente foi dar-lhe os parabéns pela defesa e aplaudiu!

 

Por isso é que 48 anos depois vemos o Old Trafford a aplaudir de pé comoventemente o minuto de silêncio do King.

E é aqui que quero chegar. A grandiosidade, a nobreza, o nome de Glorioso, foi tudo erguido a partir das conquistas internas e externas das equipas onde brilhou Eusébio. Obviamente não vamos esquecer todos os outros grandes nomes que jogaram com ele, que jogaram antes dele e alguns que apareceram já depois da sua retirada. A verdade é que Eusébio pelos seus golos, pela sua educação, pela sua humildade, pela sua figura, encarnou o Benfica e engrandeceu-o à escala planetária.

 

Já me aconteceu em Espanha, na Holanda, em França e , principalmente, em Inglaterra ver e ouvir reacções incríveis só pelo facto das pessoas verem o emblema do Benfica num casaco, numa camisola, num cachecol! Sem eu abrir a boca fui cumprimentado ao som de : "Benfica! EUSÉBIO!" É assim em todo o mundo.

 

Esta foi a herança mais valiosa e pesada que Eusébio deixou ao Benfica, o respeito! O outro nome do Sport Lisboa e Benfica no mundo é Eusébio. O respeito e admiração que as pessoas têm pelo nosso emblema deve-se muito a Eusébio.

 

Infelizmente, Eusébio morreu hoje. O Eusébio dos autógrafos, dos sorrisos na rua, dos acenos, o homem desapareceu. A lenda continua, já era maior que ele há 40 anos quando eu nasci, vai ficar ainda maior.

E o Benfica?

Bom, se o clube já parecia pequeno para tamanha figura nos últimos 40 anos até tenho medo de pensar no futuro.

 

É certo que esta Direcção devolveu a dignidade a Eusébio e fez por ele o que devia ser feito. Na última década Eusébio voltou ao seu lugar natural, viu a sua estátua, teve o seu torneio e voltou a ter a sua independência financeira. Foi uma justa recompensa depois de ter sido tão mal tratado em algumas alturas de desgoverno no nosso clube.

 

O problema é que o actual Presidente não conseguiu nunca ver para além da lenda. Fez muito bem em devolver-lhe a dignidade mas devia ter aproveitado para ver bem fundo nos olhos de Eusébio que a única coisa que ele queria era que o Benfica continuasse a ser do seu tamanho. Eusébio morreu a ver o Benfica a encolher e por muito que tenha apelado a uma inversão de rumo nunca foi ouvido.

 

O clube do Eusébio escolheu o caminho oposto ao seu. O clube que era admirado até entre rivais pela postura de Eusébio enquanto atleta achou que a melhor resposta à falta de títulos era adoptar a postura de confronto, deselegante, com falta de educação e troca de insultos. O Benfica nas últimas duas décadas passou a ser um clube odiado fora do universo benfiquista, o Benfica passou a viver numa letargia agoniante, o Benfica perdeu os seus princípios, o Benfica deitou para o lixo a herança valiosa que Eusébio e companheiros lhe deixaram, o Benfica passou a ser motivo de chacota ao apagar luzes e ligar regas, o Benfica passou a ser refém de um Presidente e de um treinador. É com isto que eu tenho vivido. E julgava eu em 1980 que a herança da lenda Eusébio era muito pesada...

E o pior de tudo isto, o Eusébio foi morrendo a ter de conviver com estes disparates todos. Prometeram-lhe o regresso às vitorias europeias quando nem às portuguesas chegam. Desde que eu nasci (1973) o Benfica ganhou 13 campeonatos nacionais. O eusébio enquanto jogador limpou 11! É disto que estamos a falar.

 

O Eusébio teve que ver a sua camisola 10 entregue a aberrações. Chalana, Rui Costa, Valdo ou Aimar são as excepções. Que tal retirarmos o 10 para sempre em homenagem ao Rei?

 

O Eusébio morreu e os dois rivais conseguiram escrever comunicados sem mencionarem uma única vez a palavra Benfica. Eusébio não ia compreender mas a culpa não é dele, é dos clubes. Sim, do nosso também.

 

O Eusébio teve que ver o Benfica equipar com cores alternativas desconcertantes. Aliás, o Eusébio teve que ver o manto sagrado encarnado ser violado por logos de publicidade e cores sem explicação como preto ou dourado. Lembro-me de lhe terem perguntado o que achava da camisola rosa e da resposta ser só isto: "Para mim o Benfica só joga de encarnado e branco ou branco e encarnado." Era tão bom que isto entrasse para os "novos" estatutos do clube.

 

Alô Marketing, alô Adidas: querem equipamento alternativo a evocar o King? olhem esta maravilha usada num amigável em Londres contra o Arsenal:

 

O Benfica conseguiu devolver em tempo útil a dignidade a Eusébio enquanto homem mas ao mesmo tempo resolveu perder toda a valiosa herança que Eusébio enquanto lenda nos deixou. Agora que o homem morreu, a lenda será cada vez maior e melhor que o clube.

 

Hoje o Benfica voltou a ser falado no mundo todo, hoje voltei a sentir um profundo orgulho em ser do Benfica, hoje os mais velhos recordaram os tempos em que o Benfica era respeitado em todo o lado, os mais novos ficaram impressionados com o respeito demonstrado. Mas isto só foi possível porque desapareceu o outro nome do Benfica, Eusébio. O nome de Benfica só por si já não vai voltar a ecoar com esta força pelo mundo nas próximas décadas, arrisco eu.

De tarde ouvi que o espaço onde está a urna iria ficar aberto toda a noite. Fiquei descansado, resolvi lá ir mais perto da meia noite. Obviamente, deparei-me com as portas do espaço fechadas. Despedi-me de Eusébio cá de fora com uns vidros entre nós, agradeci e curvei-me em jeito de jeito de vénia e em silêncio.

 

Pá, Eusébio, era tão mais fácil chegar ao pé de ti atravessando a movimentada estrada de Benfica do que agora com este Benfica SAD.

O avô Alberto espera-te de braços abertos, deve estar ansioso para desabafar contigo sobre este Benfica que ele deixou em 1999 e que tu aturaste até hoje.

Se isto fosse o que já foi, garantia-te que hoje começámos a ganhar o campeonato nacional 2013/14 mas como tu viste a única coisa que posso prometer é continuar a ser do Benfica com base na herança que nos deixaste.

Olha, nestas coisas nunca há justiça nenhuma mas tu vais a enterrar no dia de Reis, King!

 

Viva o Benfica!

 

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publicado por J.G. às 04:25
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