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Rumo ao Tetra

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Nápoles 4 - 2 Benfica: Sete Minutos à Maradona

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Chegar ao intervalo a lamentar as duas perdidas de Mitroglou e nada convencido com o golo sofrido num canto, dava esperança para uma segunda parte mais eficaz e feliz. Estranhar o desacerto dos primeiros seis minutos da segunda parte nunca me fez pensar no pesadelo dos sete minutos seguidos.

É isso, passámos de um injusto 1-0 ao intervalo para um caótico 4-0 ainda antes de termos chegado a uma hora de jogo! Não me lembro de tal coisa. E mesmo que venha já um engraçadinho lembrar que até já pode ter acontecido, não quero saber.

Aos 58 minutos fiquei agoniado. Três golos de bola parada e uma oferta da defesa num jogo que até prometeu outro desfecho nos primeiros minutos. O futebol consegue ser tão estranho quanto cruel. Acresce a isto a lesão de André Horta e quatro jogadores com cartões amarelos.

Salvou-se a reacção do Benfica a partir do minuto 70 a transformar uma goleada numa derrota por dois golos de diferença fora de casa. Boa notícia da noite, Gonçalo Guedes fez golo e pode ganhar mais confiança. Também Salvio ganhou moral com o seu golo. E mais uma boa nova, a estreia europeia de José Gomes. Não esquecendo a bela exibição de Grimaldo, sempre inconformado.

 

À partida, as escolhas de Rui Vitória pareceram-me lógicas. A escolha de Júlio César para a baliza parecia pacifica mas acabou por ser, talvez, a pior noite do guarda redes desde que chegou ao Benfica. Fez-me lembrar um jogo dele no Inter que o Schalke venceu em Milão onde tudo correu mal ao brasileiro. Estes jogos negros não escolhem hora, aparecem quando menos se espera. Hoje foi uma noite má de Júlio César, o futebol tem destas coisas. Por mim, joga já contra o Feirense. Não merece cair assim da equipa depois de tantos jogos em que foi herói. Basta recuar um ano e lembrar a exibição de Madrid.

As outras duas alterações do treinador passaram por reforçar o meio campo com a entrada de André Almeida e apostar na velocidade de Carrilho na esquerda, deixando de fora Salvio, com Pizzi a passar para a direita, e colocando André Horta mais perto de Mitroglou, em vez de Gonçalo Guedes. Na teoria aceitam-se as apostas mas na condição de treinador de bancada, e na confortável posição de já ter visto o jogo, arrisco dizer que Rui Vitória voltou a procurar um "jonas" como tinha feito com Pizzi contra o Vitória na Luz. André Horta também não se deu bem naquela posição mais adiantada e a equipa depois do golo inaugural da partida não mais se entendeu na frente.

André Almeida justificou a aposta para jogar perto de Fejsa, Carrilho desperdiçou uma bela opoSete tunidade para se impor neste plantel.

Mesmo assim, se Mitroglou tem convertida uma das duas oportunidades que teve no arranque da partida, estávamos agora a elogiar a escolha da partida. Infelizmente, desta vez não houve eficácia e a equipa na segunda parte foi engolida por um pesadelo chamado "bolas paradas". Um golo de canto, na primeira parte, um golo de livre directo, outro de penalti e jogo perdido. Surreal!

 

Foi um jogo muito estranho, aqueles sete minutos foram um buraco negro que apareceu do nada. Pareciam sete minutos à Maradona inspirados na canção "Life is Life" que consegui ouvir antes do jogo arrancar. Como nos tempos de D10s. É capaz de ainda haver por ali a mão de Deus na alma daqueles napolitanos. Infelizmente para o Benfica.

Chaves 0 - 2 Benfica: Para Lá do Marão, Uma Viagem à Tricampeão

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Esta era a deslocação mais desejada desde a definição do calendário para esta temporada. O regresso de Trás-os-Montes à primeira divisão e a oportunidade para muitos benfiquistas, como eu, de irem conhecer a zona de Chaves naquela que terá sido a viagem mais longa em Portugal para assistir a um jogo do Benfica.

Depois de ponderar alguns cenários ficou decidido atacar a jornada toda no mesmo dia. Sair bem cedo de Lisboa e regressar após o jogo a casa. Quase 900 Km, cerca de 8 horas e meia de viagem de carro. Parece assustador mas tem tudo a ver com a motivação.

Desde logo, a principal; ver o Benfica. Depois, descobrir a região transmontana e a sua gastronomia, finalmente, passar um dia com amigos que encarem estes desafios com a maior naturalidade de quem vai só ali passear, comer e ver um jogo de futebol do Glorioso. É uma combinação que não falha. São muitos os amigos e companheiros que vivem assim a sua paixão pelo clube. Este sábado muitos puderam viver a aventura Chaves, muitos outros não puderam cumprir este desejo pelas mais variadas razões mas também estão lá connosco a apoiar através das nossas vozes.

 

A Viagem

 

As primeiras horas de viagem foram normais. A ligação Lisboa - Porto é do mais rotineiro que pode haver na nossa vida. Quase todos os jogos a norte de Lisboa cumprem esse trajecto. Destaque para o encontro na área de serviço de Leiria com a nossa equipa de andebol. Ganharam ao Ismai, obrigado rapazes!

Como já estávamos mentalizados para uma viagem bem mais longa do que o habitual, deu-me ideia que a nossa aventura só começou a sério quando nos arredores do Porto virámos em direcção a Vila Real por vias rápidas que eu ainda não tinha experimentado. E a partir daí, sim, foi olhar com mais atenção para a paisagem. A curiosidade de atravessar o túnel rodoviário mais longo da Península Ibérica, quase 6 Km na Serra do Marão, enquanto continuávamos a subir o país.

Primeira paragem em Vidago. Tínhamos de ir ao local onde o Benfica estava hospedado e ainda bem porque vi a beleza exterior do Palace Vidago Hotel. Deslumbrante cenário com o edifício a fazer lembrar as imagens da série Downton Abbey. Estava à espera de encontrar a todo o momento Mr. Carson. Aquele quadro ficava ainda mais bonito com a presença do autocarro do Benfica ali estacionado. Um dia tenho que apostar num fim de semana naquele paraíso.

 

A ligação de Vidago para Chaves é tranquila e rápida. A chegada à cidade revela logo a invasão encarnada. Benfiquistas por todo o lado. Vislumbra-se o Castelo no horizonte, por outro lado descobre-se o rio Tâmega e a agitação era visível. Mesmo numa cidade onde nunca tinha estado, assim que saí do carro senti-me em casa. É esta a magia do Benfica. Somos do país, somos do mundo. Descobrimos logo caras conhecidas, companheiros de outras viagens, consócios que conhecemos da Luz e gente boa que faz questão de nos cumprimentar porque já passaram por este blog ou noutro lugar qualquer. É o Benfica.

 

O Almoço, A Gastronomia

 

A aposta para almoço foi no restaurante Adega Faustino. Um almoço tardio, eram 15h quando quase duas dezenas de benfiquistas sentiam que os muitos km's percorridos se tinham transformado em vontade de atacar todos os petiscos locais. E foram muitos que nos serviram.

Atendimento cinco estrelas, grande simpatia e prazer em servir iguarias como o obrigatório presunto, alheira, linguiça, bacalhau desfiado e vários tipos de carne com arroz e batatas fritas. Vinho tinto e branco , foi até não sobrar uma ponta de fome. Embora ainda tenha testado a encharcada com o café e a forte aguardente que foi oferta da casa.

 

O espaço é castiço, era uma enorme adega agora decorada de maneira simples e regional. O nosso entusiasmo foi premiado com a visita da Srª Odete, a responsável com uma respeitável idade e um orgulho no serviço que apresenta que é contagiante. Em cima de uma cadeira, no topo da mesa, agradeceu e aplaudiu os cânticos improvisados que esta boa gente, que só quer ver o Benfica a ganhar e comer bem, lhe dedicou. São estes momentos que justificam estas loucuras de atravessar o país de um lado ao outro no mesmo dia.

 

A primeira parte estava ganha, agora era seguir a multidão e ir a pé para o estádio ajudando à digestão de tanta caloria.

 

A Vergonhosa Entrada no Estádio

 

Infelizmente, tem sido quase sempre assim. O entusiasmo por reencontrarmos clubes históricos, por visitarmos localidades longínquas e distantes dos habituais cenários de competição do nosso futebol, dá lugar à decepção e tristeza como alguns idiotas e imbecis tentam assumir modernas, desnecessárias e pacóvias rivalidades. O tempo de antena que a imprensa dá aos incendiários e índios que todos os dias mostram ao país que o caminho para o sucesso passa por afrontar, insultar, criticar, provocar e alimentar o ódio ao maior clube de Portugal, resulta em momentos dignos da Pide do tempo da outra senhora à entrada no estádio.

Muitos benfiquistas tinham bilhete para a bancada central coberta do Estádio Municipal Engº Manuel Branco Teixeira. Entre bilhetes comprados e convites, eram muitos os adeptos do Benfica que se preparavam para entrar nas portas indicadas pelo bilhete. Só que a entrada foi barrada a todos os adeptos que tivessem algo vestido com o emblema do Tricampeão ou algum acessório!

Ouvir qualquer coisa como "Você com essa camisola não pode entrar" é algo que em 2016 bate todos os recordes de atrasadice mental. Parabéns a todos que todos os dias intoxicam o país nas redes sociais e órgãos de comunicação social com as suas cruzadas anti Venfique. Isto está a resultar. Continuem.

 

Muitos adeptos contaram-me que tiveram de tirar camisolas e casacos, outros optaram por vestir ao contrário e até houve quem entrasse em tronco nu! Isto numa bancada que tinha de ter obrigatoriamente um espaço para adeptos visitantes. Enorme confusão cá fora com benfiquistas indignados perante a indiferença de forças policiais e Liga de clubes.

A entrada acabou por se fazer na porta mais lateral perto do topo dos adeptos do Benfica mas lá dentro verificou-se que não ia haver lugares sentados para todos. Enfim, um triste e muito preocupante episódio originado por responsáveis de um clube que os benfiquistas aceitaram com carinho na hora do regresso ao futebol principal.

 

Foi a única nódoa negra de um belo dia de futebol. O ambiente do estádio é excelente, os adeptos do Chaves são empolgados, puxam bem pela equipa, vibram muito com o jogo e dão uma enorme dignidade à região. Os dirigentes não precisavam de ter estragado tudo com aquela atitude bélica na entrada de adeptos visitantes. Ou querem ser recebidos da mesma maneira quando forem à Luz?

 

O Jogo

 

 O jogo começava com um cenário belíssimo. O relvado visto do canto entre a bancada central coberta e o topo dos adeptos encarnados proporciona um quadro de beleza natural incrível. As pequenas bancadas do outro lado e a paisagem verde até perder de vista a lembrar que estamos para lá do Marão a ver futebol de primeira. Ver as camisolas vermelhas a moverem-se em tão bonito cenário vale a viagem.

Rui Vitória tinha lembrado que em Outubro conta com o verdadeiro reforço do plantel quando voltarem os lesionados. Só para lembrar que íamos para mais um jogo com soluções de recurso. Apostou em Ederson na baliza, talvez para tirar proveito dos longos lançamentos do jovem guarda redes, e armou a equipa na zona atacante à volta de Mitroglou, com Pizzi na esquerda e Salvio na direita e Guedes no meio.

Apesar da intenção em atacar, o Benfica da primeira parte deixou uma preocupação no ar por tão pobre exibição com poucas possibilidades de marcar. O facto de André Horta e Fejsa terem ficado demasiado dependentes das ajudas dos alas tirou consistência defensiva à equipa. O desequilibro na zona central do terreno onde Jorge Simão tinha Battaglia, Rafael Assis e Braga sempre em superioridade, dava hipótese ao ataque do Chaves se tornar realmente perigoso com as investidas de Fábio Martins e Perdigão nas alas e Rafael Lopes sempre à procura de espaço na frente.

 

Mesmo assim, foi o Benfica que podia e devia ter ficado em vantagem com um oportuno golo de Mitroglou misteriosamente anulado! Se já não havia muitas oportunidades e quando o golo aparecia não contava, a tarefa complicava-se bastante.

O Chaves acaba a primeira parte muito perto do golo com a bola a bater duas vezes seguidas na poste direito da baliza de Ederson, terminado com Rafael Lopes a cabecear ao lado.

 

O susto serviu para o Benfica mudar de atitude e pegar mais no jogo. Fejsa ameaçou mas foi de bola parada que se desatou o nó. Grimaldo marca um livre descaído para a direita e Mitroglou corresponde com uma cabeçada perfeita para o 0-1. Estava feito o mais difícil. Mais uma vez as bolas paradas a serem muito importantes no jogo do Benfica.

Apesar das entradas de Cervi e, principalmente, de Celis, o jogo ficou perigosamente aberto até perto do fim. Até que Grimaldo voltou a cobrar um livre perigoso, a bola bateu na barreira e foi ter com Pizzi que parecia estar ali a aguardar o momento para ser feliz na sua região e confirmar a vitória saborosa.

Mais uma vez, a equipa arranjou alternativas à falta de inspiração e também de alguns intérpretes, como Jonas, que fazem sempre falta. O objectivo foi cumprido.

Uma palavra para o Chaves que fez uma bela exibição, tem uma equipa equilibrada, bem montada e sabe o que quer nos momentos importantes do jogo. Não será fácil passar aqui em Trás-os-Montes, o que valoriza ainda mais este triunfo do tricampeão e líder.

 

O Regresso

 

Excelente ambiente na saída do estádio, umas cervejas para o caminho e o carinho de vários adeptos benfiquistas e flavienses que contrastava com a vergonha da entrada nas bancadas. Fiquei com boa imagem das gentes de Chaves porque é preciso não confundir dirigentes imbecis com os adeptos que apesar da derrota não levantaram problemas nenhuns na bancada. No fim trouxe uma pequena bandeira do Chaves oferecida por um jovem adepto que confessou torcer pelo Glorioso apesar de envergar uma bonita camisola do Barcelona transmontano, como ouvimos referir.

 Viagem para baixo tranquila apesar da chuva. O almoço tardio e forte deu para aguentar a fome até Coimbra onde houve paragem no café Atenas para atacar uma francesinha que sabe sempre bem num sábado à noite.

Quão feliz se pode ser num carro conduzido por um benfiquista de uma geração ligeiramente mais antiga que a minha, com o seu filho e nosso companheiro mais jovem de outros jogos enquanto conversamos um pouco sobre tudo, inclusive com o elemento que falta referir a descobrir que já foi "vizinho" da família do banco da frente? Muito.

É o Benfica em todo o seu esplendor.

E é tão bom ser do Benfica.

Os jogos do Benfica em Chaves

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 1985/1986 Chaves 0 - 1 Benfica

10ª jornada

10 de Novembro 1985

Bento (cap); Samuel, Veloso, Oliveira e Álvaro; Shéu, Diamantino, Carlos Manuel e Nunes; Nené (Pietra 66') e Manniche (Bastos Lopes 85')

Treinador: Mortimore

Golo de Nunes aos 19'

O Benfica terminou em 2º lugar, o Chaves em 6º.

 

 

 

1986/87

8ª jornada

19 de Outubro de 1986

Chaves 1 - 2 Benfica

Silvino; Veloso, Oliveira, Dito e Álvaro; Sheu (cap.) (Zivkovic 57'), Carlos Manuel e Wando; Diamantino (César Brito 75'), Rui Águas e Chiquinho

Treinador: Mortimore

Golos: Rui Águas 26', Radi 41', Manniche 61'

 

O Benfica foi campeão e o Chaves ficou num incrível 5º lugar europeu!

 

1987/88

7ª jornada

11 de Outubro

Chaves 1 - 0 Benfica

Silvino; Veloso, Edmundo, Mozer e Álvaro; Shéu (cap); Diamantino, Carlos Manuel e Wando (Chiquinho 80'); Magnusson e Rui Águas (Tueba 57')

Treinador: Skovdahl

Golo: Júlio Sérgio de penalti aos 89'

Benfica acabou em 2º, o Chaves em 7º

 

 

1988/89

33ª jornada

9 de Abril de 1989

Cahves 0-2 Benfica

Silvino; Veloso (cap), Mozer (Samuel 40'), Ricardo e Fonseca; Garrido, Paneira, Valdo, Ademir e Abel; Magnusson

Treinador: Toni

Golos: Ricardo 15' e Ademir 17m

O Benfica foi campeão e o Chaves terminou em 13º.

 

 

 1989/1990

9ª jornada

19 de Novembro de 1989

Chaves 0-0 Benfica

Silvino; José Carlos, Samuel, Aldair e Veloso (cap); Thern; Paneira, Valdo e César Brito (Pacheco 72'); Abel (Vata 45') e Magnusson

Treinador: Eriksson

Benfica acabou a liga em 2º e o Chaves repetiu o fantástico 5º lugar.

 

 

1990/91

32ª jornada

13 de Abril de 1991

Chaves 0-3 Benfica

Neno; José Carlos (Magnusson 59'), Ricardo, William e Veloso (cap); Thern; Paneira, Valdo e Pacheco (Sousa 78'); Rui Águas e César Brito

Treinador: Eriksson

Golos: Magnusson 74', Pacheco 77' e Thern 87'

O Benfica foi campeão e o Chaves 8º.

 

 

1991/92

26ª jornada

30 de Abril de 1992

Chaves 1-0 Benfica

Neno, José Carlos (expulso aos 38'), Paulo Madeira, William e Veloso (cap); Rui Costa (Rui Águas 76'), Sousa , Schwarz e Pacheco; Isaías e Magnusson

Treinador: Eriksson

Benfica terminou em 2º lugar e o Chaves em 9º

 

 

1992/93

29ª Jornada

2 de Maio de 1993

Chaves 0-1 Benfica

Silvino; Veloso (cap), Hélder, Mozer (William 34') e Schwarz; Paneira, Rui Costa, Sousa (expulso aos 80') e Pacheco; Futre (João Pinto 59') e Yuran (expulso aos 80')

Treinador: Toni

O Benfica acabou em 2º lugar no campeonato e o Chaves desceu de divisão terminando na última posição

À falta de resumo do jogo de Chaves deixo as imagens da partida da 1ª volta na Luz:

 

 

1994/95

25ª jornada

19 de Março de 1995

Chaves 0-1 Benfica

Neno; Veloso (cap), William, Paulo Pereira (expulso aos 73') e Dimas; Paneira (Abel Xavier 67'), Paulo Bento e Nelo (Stanic 58'); Edilson e João Pinto; Cannigia (expulso aos 75')

Treinador: Artur Jorge

Golo: Edilson 69'

O Benfica terminou em 3º, o Chaves em 14º

 

 

1995/96

8ª jornada

22 de Outubro de 1995

Chaves 1-2 Benfica

Preud'Homme, Marinho (Paulão 29'), Hélder, Ricardo e Dimas, Paulo bento, Valdo, Panduru (Bruno Caires 83') e Edgar (Luiz Gustavo 64'); João Pinto (cap) e Hassan

Treinador: Mário Wilson

Golos: Rui Loja 68', Valdo 75' e Hassan 78'

O Benfica acabou em 2º lugar e o Chaves em 15º

 

 

1996/97

22ª jornada

1 de Março de 1997

Chaves 3-1 Benfica

Preud'Homme; Amaral, Jorge Soares, Bermúdez e El Hadrioui (Pauloão 69'); Tahar e Bruno Caires (Panduru 45'); Edgar, Valdo e João Pinto (cap); Akwá (Mauro Airez 74')

Treinador: Manuel José

Golos Miner 24', Jorge Soares 46', Dani Diaz 55' e Milinkovic 84'

Benfica acaba em 3º e o Chaves em 10º

 

 

1997/98

8ª jornada

1 de Novembro 1997

Chaves 0-1 Benfica

Preud'Homme; Sousa (Jordão 73'), Ronaldo, Gamarra e El Hadrioui; Tahar, Calado , Sanchez (Pringle 58') e Panduru (Taument 83'); João Pinto (cap) e Nuno Gomes

Treinador: Mário Wilson

Golo: Calado 14'

O Benfica ficou em 2º lugar, o Chaves em 16º

(este jogo ficou marcado pela chegada de Vale e Azevedo e Souness)

 

 

1998/99

15ª jornada

14 de Dezembro de 1998

Chaves 0-4 Benfica

Ovchinnikov, Tahar, Paulo Madeira, Ronaldo e Minto (Luís Carlos 76'); Thomas, Poborsky, Calado e Hugo Leal (Kandaurov 76'); João Pinto (cap) (Pringle 52') e Nuno Gomes

Treinador: Souness

Golos: Nuno Gomes 9', 27' e 68', Tahar 48'

O Benfica acabou em 3º, o Chaves em 17º

Este jogo foi interrompido devido ao nevoeiro e continuou no dia seguinte. Nuno Gomes marcou nos dois dias.

 

 

 

Benfica 3 - 1 Braga: Marafona Irritou, Mitroglou Bisou!

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 (Foto: João Trindade)

 

Oportunidade de acesso à liderança aproveitada. Fechar a jornada em 1º lugar é a grande notícia de Setembro depois do drama do empate com o Vitória FC e uma onda interminável de lesões, o Benfica está de volta ao seu lugar.

 

Comecemos pelo Braga porque não é um adversário qualquer do meio da tabela.

Mais uma vez, o Braga chegou à Luz e mostrou um futebol à altura de um duelo pela liderança no campeonato. Já na época passada tinha entrado muito bem no nosso estádio e acabou traído pela falta de eficácia atacante. A história repetiu-se, os avançados de Peseiro não aproveitaram as oportunidades criadas e concedidas e acabaram a sofrer. Mas há um factor comum nestas últimas visitas do clube minhoto à Luz. Além de conseguirem marcar sempre, o que prova a intenção atacante e até os premeia, há ali um pormenor que o clube tem de limar. Vou puxar pela memória da última passagem do Braga por cá antes desta jornada, foi na meia final da Taça da Liga quando o Benfica teve de jogar numa 6ª feira para o campeonato e numa 2ª feira disputou o acesso à final de Coimbra. Aí o Braga tinha tudo a seu favor, a equipa do Benfica lutava até à exaustão pelo título, tinha ido longe na Champions League e Rui Vitória teve de rodar a equipa quase toda. O que fez o Braga? Tentou arrastar o jogo para o desempate por penaltis. O Benfica venceu o jogo nos 90'.

Agora, à 5ª jornada, os minhotos chegavam à Luz com possibilidade de subir ao 1º lugar da Liga. Começaram bem e proporcionaram um começo de jogo emotivo, aberto, contagiante. Lá está, foram desperdiçando oportunidades e sentiram o Benfica a crescer.

A partida estava electrizante até que Marafona resolveu pôr gelo. É isto que não bate certo com a atitude do resto da equipa que parecia determinada a lutar olhos nos olhos pelos 3 pontos. Quando o guarda redes começa a demorar a repor a bola em jogo, quando é ele o grande culpado por pouco se jogar entre o minuto 15 e o minuto 23 com assistências no relvado prolongadas, quando se quebra assim o ritmo de jogo opta-se por retirar intensidade ao ataque do Benfica mas acaba também por trair o esforço dos seus jogadores mais ofensivos.

Ou seja, aos 23 minutos passava-se da vertigem de lances atacantes para a manha menor de um guarda redes. Perguntava-se na bancada: mas se está assim tão magoado porque não sai?

A resposta veio rápida. Aos 27 minutos Mitroglou fez o 1-0 e as dores, a lesão e o sofrimento de Marafona desapareceram por milagre até ao final do jogo.

O Braga tem que decidir se quer lutar de igual para igual com os clubes que estão em patamares superiores ou se prefere continuar a pensar pequeno.

 

Depois há a conversa de José Peseiro que goza de enorme apoio mediático. Dizer que foi um pobre coitado expulso por defender os seus jogadores não serve de nada quando todos vimos a maneira descontrolada como saiu da sua área de intervenção para vir até ao outro lado do campo refilar com a equipa de arbitragem num lance obviamente legal. Ou tem que perceber melhor as regras ou precisa de mais auto controlo. Fazer-se de vitima fica-lhe mal. Mesmo com todo o conforto dos media.

A tentativa de Peseiro ir para o meio de benfiquistas na bancada central é ainda mais surreal. Na Pedreira o Benfica é tratado com um ódio idêntico ao que vemos no Dragão, por exemplo, por adeptos e intervenientes no jogo. Nas últimas épocas são mais que muitos os casos ali passados mas o treinador do Braga acha que na Luz pode e deve ver o jogo em harmonia com os adeptos que são mal tratados na casa que agora representa. Surreal.

 

( Galeria de fotos de João Trindade)

 

 

O que interessa, o Benfica.

Os outros resultados da jornada só seriam bons para o Benfica se a equipa conseguisse superar o adversário na luta pela liderança. O jogo não era nada fácil e o contexto continua a ser delicado. Muitas lesões, dois jogos em casa, embora em cenários muito diferentes, sem ganhar e a ansiedade de chegar a um lugar que na época passada demorou muitas semanas a ser conquistado.

A melhor ideia que Rui Vitória expôs desde que tomou conta do banco encarnado é esta: de cada problema fazer uma nova oportunidade.

Um lema que não é só teoria nem fachada. É uma ideia que tem sido posta em prática e que tem sido a melhor notícia no Benfica em décadas. Sem medos, o treinador tem lançado jogadores dentro de uma ideia de jogo e tem dado toda a confiança para que os mais novatos ganhem o seu lugar.

 

É bom relembrar que temos estado sem André Almeida, Jardel, Luisão, Jonas e Raul Jimenez. Isto na ressaca das partidas de Gaitán e Renato. De repente, a equipa ganhou uma nova alma com Grimaldo a defesa esquerdo, Nelson na direita e Lisandro a jogar ao lado de Lindelof, que agora já nos parece um veterano. André Horta tem batalhado pelo seu espaço, Salvio renasceu na direita, Pizzi adapta-se à esquerda e Gonçalo Guedes tem aproveitado para usar a sua maior arma, a velocidade. Com o regresso de Mitroglou as coisas funcionaram bem.

 

Longe de termos a equipa ideal, muito longe disso, mas com tantos problemas as soluções, as tais oportunidades, têm resultado bem. Há uma ideia de jogo, há rotinas, há objectividade na hora de lutar pela vantagem no jogo.

Claro, que se vislumbram muitos problemas. Desde logo a nível defensivo, a definição de linhas e profundidade do ataque adversário não estava fácil de gerir. Hassan, Ricardo Horta, Wilson Eduardo e Pedro Santos, ontem exploraram bem as hesitações defensivas do Benfica. Mas com ajuda do incrível Fejsa e o esforço dos jogadores mais ofensivas a equipa vai se segurando. Quando já não há nada a fazer também temos Júlio César que negou de forma soberba o golo ao Braga várias vezes. A qualidade conta muito.

 

O Benfica mesmo em vantagem não conseguiu controlar o jogo, andou muito tempo atrás da bola e não conseguiu fechar o jogo. Até aos 74', altura do 2-0, a partida estava perigosamente aberta. Rui Vitória jogou um triunfo importante para relançar a equipa para o ataque. Não foi tanto a entrada de Carrillo que mudou o jogo mas sim a passagem de Pizzi da esquerda para a direita para o lugar de Salvio. O português renasceu dentro do jogo. Assumiu mais a bola, motivou-se e faz uma parte final impressionante. É ele que assina o 2-0 e ainda teve tempo para oferecer o 3-0 a Mitroglou. Pizzi na direita é um luxo.

Destaque para as combinações que nascem à esquerda. Grimaldo tem feito um arranque de época incrível e é ele que dinamiza todo aquele corredor. Atenção ao primeiro golo que aparece todo por aquele lado. Velocidade de transição de Grimaldo, qualidade de passe de Pizzi e explosão de Guedes que foi até ao fim para cruzar na perfeição para Mitroglou marcar. Há movimentações muito interessantes a aparecer entre jogadores que , teoricamente, nem eram para estar todos juntos em campo.

 

Foi um excelente resultado, uma exibição motivadora e há que reconhecer que o Benfica tem lutado contra adversidades que o estão a tornar mais forte. Veja-se a entrada do menino José Gomes. A estreia na Luz podia ter sido com um golo, tal como a estreia na Liga em Arouca esteve para ser épica. Adivinham-se grandes feitos ao nosso avançado.

Sabendo que tudo isto só pode melhorar com os regressos de Jonas, Raul, Rafa, Jardel ou André Almeida, ficando ainda a expectativa de ver o que vale Zivkovic, por exemplo, eu diria que estamos num belo caminho.

 

Felizmente, já lá vai o tempo em que ríamos das quedas dos nossos rivais e depois não aproveitávamos. Hoje já todos sabem que não podem vacilar, o Tri Campeão continua com muita vontade de vencer.

 

Mas temos muito que melhorar, nada melhor que recordar mais um golo sofrido para entender as dificuldades da equipa.

Depois de tanto foguetório que se viu por aí na última semana, sabe bem preparar a próxima luta na liderança.

Benfica 1 - 1 Besiktas: Ataque Encarnado Perdoa, Talisca não!

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( Fotos: João Trindade)

 

Começa a atacar a Champions League com uma equipa improvisada nunca é um arranque desejado. No entanto, depois de ver a 1ª parte, a sensação que ficou é que se o treinador tem optado por este plano na recepção ao Vitória de Setúbal o resultado podia ter sido diferente para melhor. Isto porque voltou a ficar provado que a alternativa à dupla Jonas - Mitroglou/Raul deve ser mesmo esta aposta na mobilidade e velocidade, em vez de andarmos à procura de um substituto para Jonas. Primeiro porque não temos, segundo porque mudar o estilo de jogo pode ser benéfico. Ficou demonstrado na 1ª parte de Arouca e comprovado na 1ª parte europeia de ontem.

 

O problema é que jogar a Liga dos Campeões não é a mesma coisa do que disputar 3 pontos em Arouca. A diferença sentiu-se na 2ª parte. A solução passa por não se falhar tantas oportunidades de ataque. Na Liga NOS chegámos vivos ao fim, na Champions evitámos a perda de pontos até ao último minuto. Os intérpretes adversários são diferentes e um lance individual faz mesmo a diferença.

 

Vejamos como Rui Vitória preparou a equipa para a estreia europeia. Trocou Júlio César por Ederson e o jovem brasileiro correspondeu com uma excelente exibição até ao golo do empate. Não digo que tenha culpa no golo mas nunca é bom para um guarda redes sofrer um golo de livre directo. Neuer que o diga.

Na defesa Lindelof regressou para o lugar de Jardel e na frente a aposta foi para Guedes e Cervi apoiados por Pizzi na esquerda e Salvio na direita.

Do lado turco, Senol Gunes apostou no previsível 4-1-4-1, bem visível em postura defensiva, mas não conseguiu lidar com a imprevisibilidade das movimentações atacantes do Benfica. Também não conseguiram responder em ataques rápidos como queriam tendo Aboubakar como referência na área. Na primeira parte a equipa de Rui Vitória esteve muito bem.

O 1-0 ao intervalo era curto para o futebol apresentado. Cervi marcou aos 12' após um excelente passe longo de André Horta para Salvio que chutou cruzado deixando Zengin limitado a fazer uma defesa apertada para a frente que o "22" do Benfica aproveitou para carimbar uma boa estreia europeia.

 

Com os quatro jogadores da frente a trocarem constantemente de posição, Cervi e Guedes a virem atrás e às alas dando espaço para Salvio e Pizzi ocuparem mais espaços interiores, o futebol do Benfica ganhou uma dinâmica muito interessante. Horta e Fejsa estiveram impecáveis no meio campo, o sérvio voltou a fazer uma exibição assombrosa a nível defensivo, posicional e táctico.

 

Ou seja, com tantas limitações resultantes desta estranha onda de lesões, Rui Vitória cumpriu a sua máxima de fazer dos problemas novas oportunidades. O que falta neste futebol mais veloz e imprevisível é ser mais eficaz na hora de finalizar. Nomeadamente, Gonçalo Guedes precisa de dar o salto qualitativo que lhe falta. Há muito tempo que digo aqui que falta ao Gonçalo ser mais objectivo e prático na hora de assistir e eficaz no momento de decidir em frente à baliza. Ainda não aconteceu mas vai a tempo, porque de resto ele tem tudo. A maneira como roubou aquela bola a Quaresma na 2ª parte diz tudo sobre a sua atitude em campo. Depois foi traído, lá está, pela ineficácia finalizadora. E por uma boa defesa de Zengin, também é justo reconhecer.

 

O jogo mudou na 2ª parte mas só para um lado. Senol Gunes leu bem a partida e lançou Talisca no lugar de Ozyakup, depois retirou Adriano na esquerda para lançar Tosun e finalmente trocou Aboubakar por Sahan. O Besiktas foi crescendo no jogo, adaptou-se melhor ao jogo do Benfica e começou a criar reais oportunidades de golo.

Aqui pareceu-me que Arnaldo Teixeira (e Rui Vitória por fora, suponho) demorou muito a reagir. A equipa estava esticada ao máximo a nível físico. É verdade que aquele quarteto atacante é útil na hora de defender porque pressiona muito alto e vem atrás da bola mas há um inevitável esforço físico a gerir. Tanto assim é que não compreendo bem como o Benfica acaba com uma substituição por fazer...

Quando Grimaldo ficou imóvel no relvado após uma bolada de Quaresma pedia-se a entrada de André Almeida. O espanhol recuperou.

Quando o Besiktas crescia no jogo pedia-se uma renovação para refrescar a resposta atacante. Talvez Carrillo tivesse sido boa aposta.

Aos 70' , finalmente, o Benfica mexeu e deu um sinal, talvez cedo demais, que queria agarrar a vantagem mínima com a saída de Cervi por Samaris. A equipa recuava mais. Na condição de treinador de bancada não me parecia mal pensado lançar o miúdo Zé Gomes para tentar manter a defesa turca em sentido lá atrás.

O problema é que mesmo com Samaris em campo, a figura do jogo passou a ser Ederson que negou o golo ao Besiktas além de ter visto o adversário falhar à boca da baliza um lance ao estilo de Ruiz.

 

(Galeria de  várias fotos de João Trindade)

 

Quando o Benfica conseguiu dar um safanão na embalagem atacante do Besiktas voltou a ser vítima da falta de eficácia. O tal lance de Guedes é o que fica mais na memória. Era preciso matar o jogo.

Quando parecia que ia entrar José Gomes, Fejsa pede para sair aos 88'. Celis é chamado de forma natural para a luta do meio campo. Mas, lá está, fica uma substituição por fazer.

O colombiano teve uma entrada infeliz e foi oferecer uma última oportunidade ao Besiktas.

Nos últimos anos tenho escrito aqui que nunca percebi qual é a posição de Talisca mas sei porque é aposta dos treinadores. Tem algo que dá muito jeito à sua equipa, tem golo! Ontem via-o dentro de campo e pensava nisto. Quando percebo que é ele que vai bater aquele livre lembrei-me logo do jogo com o Bayern há uns meses. Confirmou os nossos receios, um golo à Talisca.

Nem se pode dizer que o Besiktas não tenha merecido pelo que atacou na 2ª parte mas ficou aquela sensação que o empate podia ter sido muito bem evitado.

 

O facto de Talisca festejar a mim não me chocou nada. Acho uma falta de respeito pelos seus ex companheiros, que lhe fizeram ver isso mesmo no final, com Salvio à cabeça, e pelos adeptos que o aplaudiram no aquecimento. Eu não aplaudi nem assobiei. Marcou, festejou. Normal. O que não lhe perdoo é o que disse a seguir ao jogo. Se tem um problema com o clube então que o resolva à homem. Mas como me habituei a lidar com as infantilidades do Talisca quando resolveu ir jogar futsal como se não fizesse parte de uma organização profissional ou da forma como respondia nos últimos meses na Luz quando dizia que não lhe interessava para onde ia no futuro porque isso era o seu empresário que decidia, o que mostra bem a fraca personalidade do homem. É gente que não pensa, lá por estarem a viver do outro lado do mundo acham que podem vir aqui e largar umas bombas e voltarem a esconderem-se no seu canto sem consequências. Foi o Talisca, foi o Aboubakar. Enfim, dos "portugueses" do Besiktas, parece que só Quaresma tem juízo, o que diz bem da personalidade dos outros dois.

 

Este empate na estreia da prova mais apetecida dos clubes europeus é negativo porque ganhar em casa é importante mas prefiro um golo aos 93' na primeira jornada do que na última sem espaço para emendar nos próximos jogos.

O grupo é muito equilibrado e traiçoeiro, foi importante o Nápoles confirmar o seu favoritismo na Ucrânia, agora é pensar em pontuar fora da Luz e esperar que a onda de lesões passe para termos uma equipa mais forte nos próximos desafios.

Foi um final duro mas não é nenhum drama.