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Tetra Campeões

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Benfica 1 - 1 Braga: Gloriosos 24160

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Há pouco mais de um mês o Benfica recebeu o Braga na Luz para o arranque do campeonato. O Benfica vinha da conquista da Supertaça e conquistou os três pontos contra o Braga.

Repito, pouco mais de um mês depois e o contexto futebolístico está virado ao contrário. O Benfica volta a receber o Braga na Luz mas em luta para inverter um ciclo negativo que teima em manter-se.

Rui Vitória sentiu necessidade de lançar novas caras, novos nomes e algumas estreias no clube, como foi o caso de Krovinovic. Também tentou inovar na organização táctica da equipa.

Júlio César voltou à baliza, Eliseu, André Almeida, Jardel e Ruben Dias, na defesa. Depois, Filipe Augusto e Samaris, com Krovinovic mais à frente e Gabriel na direita, Rafa na esquerda e Raul na frente de ataque.

O mais interessante é que a equipa respondeu de forma positiva, tomou conta do jogo, mostrou vontade e chegou ao 1-0 por Raul.

O que é misterioso é o que se passa depois. Uma espécie de apagão colectivo progressivo que vai deixando a equipa apática a assistir à reacção do adversário até este chegar ao golo. Foi assim com o Portimonense, CSKA e Boavista. Muito estranho.

Dá ideia que psicologicamente a equipa não está estável, sinais mais evidentes à medida que chegamos perto do final do jogo e não se vê objectividade no ataque. Jonas podia ter dado a vitória mas André Moreira negou-lhe o golo e há uma jogada de Gabriel pela direita que é interrompida por fora de jogo inexistente e que dava golo. São pormenores que podiam ter mudado a história do jogo.

As coisas não estão a sair a bem mas hoje viu vontade de mudar o rumo dos acontecimentos, seja pela aposta em novos jogadores, seja pela escolha táctica, seja pela maneira como se chegou à vantagem.

É verdade que o ciclo é delicado mas falamos de três jogos seguidos para três competições completamente diferentes. Marcámos passo em todas elas mas não é o mesmo do que estar três jogos sem ganhar para o campeonato.É uma fase má que a equipa precisa de ultrapassar e hoje voltou a contar com a ajuda dos seus adeptos.

 

(Fotogaleria: João Trindade)

 

24160 que foram dignificar uma competição tratada aos pontapés pela Liga de Clubes. Que justificação dá a Liga para este Grupo ter o seu primeiro jogo depois da 9 da noite e até há pouco tempo nem se saber bem quando é que se disputava o outro encontro. Que competição é esta que tem um calendário completamente baralhado, o Porto adiou o seu jogo por alma de quem?! Um grupo que era para ter o Real mas que foi afastado para entrar o Belenenses que, por sua vez, trocou de lugar com o Portimonense como parceiro de Benfica e Braga. Isto é tudo surreal mas 24160 quiseram acompanhar a sua equipa numa competição que apenas o Benfica costuma prestigiar.

24160 que percebem o momento mau que a equipa atravessa e fizeram um esforço por vir ao estádio aproveitando os preços dos bilhetes baratos.

24160 num jogo de abertura da Taça da Liga na Luz deve ser um recorde, costumamos ser menos.

24160 nas bancadas não chega a ser metade da lotação do estádio e, por isso, temos sempre de perguntar pela outra metade. Parece-me que a equipa precisa do apoio dos seus adeptos mais do que nunca.

Valentes 24160, mereciam mais felicidade naquele último tiro do Jonas.

Que tudo volte ao normal no sábado com o Paços de Ferreira, já noutra competição.

Boavista 2 - 1 Benfica: O Desnorte Não Desculpa o Desprezo

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 O poder de uma imagem é este, olha-se e vê-se milhares de pessoas unidas por um ideal, neste caso, o melhor de todos, o Sport Lisboa e Benfica. Estes adeptos vivem, teoricamente, na sua maioria no norte de Portugal e resolveram dar tudo para estarem neste sábado à tarde no Bessa para criar um incrível ambiente de apoio que começou antes do jogo e durou até ao apito final. São adeptos que percebem o momento da equipa e quiseram mostrar que podiam contar com eles. Uma resposta às últimas exibições que estiveram longe de convencer. Criaram-se condições fora de campo para que a equipa se sentisse acarinhada, motivada e apoiada para regressar às vitórias após a estreia europeia.

Tudo parecia estar no caminho certo quando Jonas fez o 0-1 e o Benfica mostrava vontade de chegar cedo à vantagem.

Misteriosamente, a equipa voltou a decair após o mais complicado, ou seja, estar a ganhar. Progressivamente, o Benfica tornou-se menos atacante, mais passivo e apenas com um golo de vantagem chegou ao intervalo.

Foi o dia de estreia de Ruben Dias ao lado de Luisão. De resto, as escolhas de Rui Vitória não surpreenderam ninguém em relação ao que tem sido esta época.

Nas bancadas ninguém se conformava, sentia-se que a vantagem era demasiado curta e puxava-se ainda mais pela equipa. Era preciso um Benfica convicto para resolver o jogo.
Mas voltámos a ter uma quebra inexplicável que começou aos 51 minutos com a saída de Salvio lesionado. Um filme tantas vezes visto que já nem surpreende e um claro sinal que vinham aí dificuldades para gerir o jogo. Nem foi preciso esperar muito, empate 4 minutos depois por Renato Santos depois de uma jogada que a defesa do Benfica não consegue resolver. A vantagem ali era só uma, ainda sobrava muito tempo para fazer um golo que desse a vitória. Reacção era o que se pedia. Na bancada nem um sinal de rendição, mais convicção no apoio.

Mas o filme dos últimos jogos repetiu-se, a equipa parece emotivamente afectada, não consegue responder de maneira afirmativa e convincente. Para piorar o cenário, aos 74' um livre que parecia inofensivo acaba em golo do Boavista por infelicidade de Bruno Varela. A Lei de Murphy a funcionar, tudo o que podia correr mal, correu.

A infelicidade de Bruno Varela a abordar o lance não foi maior que a ineficácia dos seus colegas da frente. Não foi maior que a falta de objectividade de Rafa e Gabriel na hora de fazerem um golo fácil e atrapalharam-se, nem foi maior que o desaproveitamento total das bolas paradas, em livres e cantos, que a equipa desperdiçou em série.

E, o mais importante de tudo, esta infelicidade do Varela não foi maior, nem nada que se pareça, do que o desprezo que os adeptos, os tais que nunca se renderam e tudo deram para um final de tarde mais digno, sofreram por parte da sua equipa de futebol. Inexplicável.

 

Sem dramas, aqui personalizo um pouco a crónica. A 16 de Setembro estava na Luz a ver o Benfica bater o Partizani da Albânia numa 4ª feira europeia. Porque sei isto? Porque é o dia de anos da minha irmã que agora chegou aos "entas". Se naquela noite de 1988 foi um pouco chocante eu abandonar o jantar de aniversário pelo Benfica, em 2017 já ninguém acha anormal que eu esteja no Porto num sábado à tarde. Não há dramas, como dizia. É aborrecido para a família mais próxima sentir que há quem largue tudo para estar perto daquilo que é mais importante naquele momento. Ao fim de tantos anos nesta vida, os jogos que não acabam da maneira que queremos já são encarados com a devida experiência. Esta é a primeira derrota no campeonato desde aquela negra noite no Bonfim no começo deste ano. O sabor amargo é sempre o mesmo, a esperança de um jogo melhor cai logo para o próximo. Mas a sensação de desprezo de uma equipa cabisbaixa a sair do relvado sem um agradecimento por quem larga tudo só para ali estar não é descritível por palavras.

O ciclo pode estar a ser mau, o momento pode ser delicado mas o respeito tem que haver sempre no Sport Lisboa e Benfica. De fora para dentro e de dentro para fora. Sempre!

Benfica 1 - 2 CSKA Moscovo: Sem Público, Sem Equipa, Sem Pontos

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 Apetece-me escrever que a equipa de futebol do Benfica resolveu ter a mesma atitude que a maior parte dos seus associados e adeptos. Se compareceram 38 mil adeptos no Estádio da Luz para a estreia do Benfica na Champions League, quer dizer que 27 mil desprezaram a prova mais mediática de clubes do mundo. Mais coisa, menos coisa, tivemos meia casa para recebe um dos três jogos europeus.

Já sei que o problema é o preço dos bilhetes. Problema esse que, prevejo eu, não se irá verificar quando o adversário foi o Manchester United. Não perco mais tempo com isto, ver o Benfica na Champions deixou de ser um estímulo suficiente para os seus adeptos. Agora é preciso que do outro lado esteja um Manchester United. Portanto, depois não me venham com lirismos quando terminarmos a aventura europeia aos pés de um Borussia da vida, como em Março passado, porque os clubes grandes na Europa de hoje são aqueles que conseguem ter os seus estádios sempre cheios, seja para ver um Manchester, um Qarabag ou um... CSKA.

 

A equipa seguiu a ideia dos seus adeptos. Poucas ideias e nenhuma inspiração para contornar uma organização defensiva conhecida e previsível.

Arrisco dizer que o CSKA é a equipa menos forte deste grupo A. O seu 3-5-2 não tem segredos, lentidão, posicionamento e veterania atrás, qualidade no meio com Golovin e Dzagoev, frescura e irrevencia no ataque com uma dupla atrevida. O facto de ter ouvido muitas piadas com o nome de Vitinho após o penalti, só veio confirmar o que já se sabe há muito tempo, ninguém ligou nenhuma às prosas que apresentavam a equipa russa que elegiam o brasileiro como a principal ameaça.

"Olha, e o gajo que marcou chama-se Vitinho" Ena, bem vindos ao futebol em 2017.

 

Na primeira parte, O Benfica apostou num onze que tinha no regresso de Filipe Augusto, Grimaldo e Zivkovic como aposta na esquerda, com Salvio de volta à direita, uma organização parecida ao que tem mostrado neste arranque de temporada. O problema é que se notou muita previsibilidade na construção dos ataques e um certo desespero para contornar a defesa russa com três centrais.

Muita posse de bola, alguns remates de longe, algumas tentativas de bola na área, muito pouco perigo para a baliza de Akinfeev.

 

(Fotogaleria: João Trindade)

 

O arranque da 2ª parte foi muito mais promissor. Mais velocidade, mais diagonais, mais intensidade e uma jogada pela esquerda com Grimaldo a descobrir Zivkovic que passou para mais um golo oportuno de Seferovic.
Parecia que o mais complicado estava feito, vantagem no marcador aos 50'.

O apagão que se seguiu foi de todo inesperado e surpreendente. O CSKA reagiu, subiu no terreno, o treinador Goncharenko trocou na frente Olanare por Zhamaletdinov e a defesa do Benfica nunca conseguiu mostrar eficácia, confiança e tranquilidade. Isto é um problema grave que Rui Vitória tem para resolver. Com mais de um mês de competição, a defesa do Benfica é demasiado vulnerável.

A reviravolta dos russos aconteceu rapidamente, em 9 minutos passaram de 1-0 para 1-2! Primeiro num penalti que deixa dúvidas quando nos lembramos do agarrão a Seferovic na 1ª parte, o tal Vitinho das piadas converteu, e depois com um golo de... Zhamaletdinov, o tal que tinha entrado.

Assustadora a forma fácil e natural com que o CSKA deu a volta à equipa do Benfica. Mais estranho ainda porque depois do 1-0 era de prever que a equipa ganhasse confiança e subisse a qualidade da exibição.

Se no sector recuado temos sempre que lembrar as saídas dos titulares da época passada, do meio campo para a frente não há desculpas para tanta desinspiração. Estão lá os mesmos artistas, não há Mitroglou mas há Seferovic e Gabirel Barbosa.

O que me deixa mais apreensivo é, precisamente, a maneira como o Benfica acaba o jogo. Uma equipa descontrolada em busca de salvar um ponto. Foram chamados Raul, Gabriel e Rafa, este só aos 89'! Saíram dois defesas, Grimaldo e Lisandro, além do apagado Jonas. Ou seja, acabar o jogo apenas com Luisão e André Almeida como defesas foi estranho e não deu resultado nenhum. O mal já estava feito, foram aqueles 8 minutos da remontada russa.

 

É dramático porque os jogos em casa com o CSKA e Basileia tinham de ser para ganhar. Mas isto na Europa às vezes não começa bem e depois endireita-se. A estreia foi uma decepção. A todos os níveis, em campo e nas bancadas.

Aguardemos por melhores noites.

Análise ao CSKA Moscovo por Rui Malheiro

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 Partilho aqui o trabalho do Rui Malheiro na análise ao primeiro adversário desta época, o CSKA Moscovo. O artigo está no jornal Record:

 

A aposta na continuidade, bem patente na inexistência de reforços, é evidente na abordagem do CSKA Moscovo ao novo exercício, o que reduz o núcleo-duro do plantel às ordens do bielorrusso Victor Goncharenko a uma dezena e meia de jogadores. Algo que complexifica a missão do treinador na gestão de duas partidas por semana, até porque é notório o contraste entre a veterania do setor defensivo, onde ainda constam Akinfeev (31 anos), Vasili Berezutski (35 anos), Aleksei Berezutski (35 anos) e Ignashevish (38 anos), e a juventude do irreverente setor ofensivo, onde Vitinho (23 anos), Chalov (19 anos) e Zhamaletdinov (20 anos) surgem como protagonistas. O apuramento para a fase de grupos da Champions, primeiro objetivo da temporada, foi alcançado com brilhantismo, deixando pelo caminho os vice-campeões grego – AEK – e suíço – Young Boys – com quatro triunfos e sem qualquer golo sofrido em quatro jogos. Contudo, a nível interno, o vice-campeão russo não tem sido tão impositivo, como atestam as três derrotas – todas em casa – e um empate em nove partidas.

Ideário. Fiel a uma organização estrutural em 3x5x2, partindo, muitas vezes, de um 5x3x2 em momento defensivo, o CSKA é capaz de assumir um papel dominador dentro de portas. Para isso, alterna a projeção pelo espaço interior, onde Golovin e Dzagoev assumem um papel determinante em ações de construção e de condução, como também na produção de desequilíbrios, com a busca do jogo exterior, solicitando as desmarcações de dois laterais extremamente incisivos no ataque à profundidade: preferencialmente Mário Fernandes, brasileiro naturalizado russo, que oferece grande dinamismo ao corredor direito, ou o menos contundente Schennikov, à esquerda, mas protagonista de um ótimo arranque de temporada com 3 golos em 10 jogos. Contudo, o perfil dos moscovitas na abordagem à Liga dos Campeões poderá conduzir a uma postura mais cínica, refletida num bloco médio-baixo que permita à equipa defender de forma mais curta e compacta, para depois indagar a exploração de contra-ataques e ataques rápidos, beneficiando da mobilidade e da criatividade das unidades mais adiantadas: Dzagoev, Golovin (o mais acelerativo) e Vitinho. Esse fator poderá levar Goncharenko a abdicar de um dos avançados – Chalov (ou Zhamaletdinov) –, de forma a colocar Dzagoev no apoio direto a Vitinho, o que permitirá reforçar o setor intermediário com mais uma unidade de contenção: o israelita Natcho.

Debilidades. É no momento de transição defensiva que a equipa se sente menos confortável, já que se desequilibra com extrema facilidade, mas os problemas do setor defensivo em velocidade e agilidade são mais do que evidentes, mesmo quando a equipa se encontra em organização defensiva posicionada num bloco mais baixo. É que são manifestos os problemas no controlo do espaço entre a linha defensiva e a linha intermediária, convidativas ao assalto das entrelinhas, e entre defesas-centrais e laterais, abrindo crateras para o ataque pungente à profundidade ou para a busca de desequilíbrios no um contra um. A isto junta-se a pouca incisividade de Akinfeev nas saídas aéreas, o que poderá desfraldar debilidades na defesa de livres laterais e pontapés de canto, onde é clara a opção por uma defesa individual com cobertura zonal pouco enérgica do primeiro poste.

Equipa-tipo (3x5x2): Akinfeev – Vasin, Vasili Berezutski, Aleksei Berezutski – Mário Fernandes, Golovin, Wernbloom, Dzagoev, Schennikov – Vitinho, Chalov.

Nota: Mário Fernandes (direita) e Schennikov (esquerda) fazem todo o corredor. Wernbloom, médio mais defensivo, numa linha mais recuada em relação a Golovin e Dzagoev, médios-interiores.

Análise um a um

Akinfeev. Destaca-se pelos reflexos, elasticidade e agilidade sobre a linha de baliza. Muito desconfortável nas saídas aéreas.

Vasin. Impositivo no jogo aéreo e robusto fisicamente. Dificuldades ante rivais velozes e ágeis.

Vasili Berezutski. Lento e pouco ágil, mas sagaz posicionalmente e com bom tempo de desarme. Oferece critério às saídas.

Aleksei Berezutski. Autoritário nos duelos pelo ar e eficaz no desarme, mas pouco ágil. Assume riscos nas saídas.

Mário Fernandes. Faz todo o corredor direito. Bons argumentos a defender – desarme e jogo aéreo – e extremamente incisivo ofensivamente.

Golovin. Muito dinâmico, conduz a bola de forma acelerada e cria desequilíbrios. Bons atributos no passe, remate contundente, e ótima reação à perda.

Wernbloom. Recuperador tremendo em ações pelo ar ou sob o solo. Fisicamente robusto e disponível, ainda que algo faltoso.

Dzagoev. Craque. Qualidade técnica (e drible fácil), tomada de decisão e capacidade de definição – no passe e no remate – muito acima da média.

Schennikov. Faz todo o corredor esquerdo, dando algum espaço nas costas. Bons argumentos na desmarcação, no passe e no remate. Sagaz na antecipação em momento defensivo.

Vitinho. Virtuosismo técnico e poder de drible garantem-lhe desequilíbrios no um contra um. Arguto no último passe e nos cruzamentos, como também muito espontâneo no remate: dentro ou fora da área.

Chalov. Promissor. Avançado móvel, virtuoso no drible e incisivo no ataque à profundidade. Combinativo e com remate fácil de pé direito.

 

Autor: Rui Malheiro