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CSKA Moscovo 2 - 0 Benfica: A Confirmação de um Desastre Europeu

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 Se me dissessem em Dortmund que os próximos cinco jogos europeus iam acabar com cinco derrotas, recusava-me a acreditar.

A verdade é que a temporada europeia está a ser o maior pesadelo que me lembro. Pior só quando ficámos de fora da Europa. As primeiras quatro derrotas só não foram mais dramáticas porque, por uma questão matemática, o Benfica mantinha uma pequena esperança de seguir em frente na Europa. Para isso acontecer era preciso acertar as agulhas todas hoje em Moscovo.

Primeiro, pedia-se que a equipa tivesse uma reacção na Europa e recuperasse o próprio orgulho.

Segundo, pedia-se que a equipa arrancasse uma exibição convincente e que lutasse pela primeira vitória na prova.

Terceiro, era importante encarar a partida como se fosse uma eliminatória, ou seja, remontar o 1-2 da Luz em Moscovo para ficar em vantagem perante os russos.

Nada disto aconteceu. A única surpresa da noite em relação às outras quatro, foram as meias brancas no equipamento do Benfica.

Deu ideia que a equipa nunca acreditou verdadeiramente na possibilidade de seguir em frente e não arranjou motivação suficiente para limpar uma imagem negra. Para piorar o cenário, o CSKA chega à vantagem num golo em fora de jogo. O 2-0 é um auto golo do Jardel. Não havia mais nada para correr mal. Ponto final na carreira europeia. O mal já estava feito antes.

Que sirva para um foco a dobrar em todas as competições internas.

Benfica 2 - 0 Vitória de Setúbal: Os Mistérios do Futebol Português num Apuramento Lógico

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 Vou começar pelos pormenores que ninguém quer saber. Um jogo da Taça de Portugal no Estádio da Luz, o primeiro desta temporada. Ora, diz a regra, bem velhinha, que nesta competição em caso de semelhança nas cores dos equipamentos a equipa da casa muda o equipamento. Passei a minha vida toda a ver jogos entre Benfica e Vitória F.C. tanto no Bonfim como na Luz com os clubes a usarem as suas cores de equipamento normais. Aliás, em 2005 no Jamor o Vitória bateu o Benfica com as suas camisolas verde e brancas às riscas verticais.

Pois bem, expliquem-me lá qual é a necessidade de usar o equipamento alternativo. E se havia essa necessidade porque é que não foi a equipa da casa a mudar?

O mais engraçado é que com tanta preocupação em alterar as cores tradicionais, a equipa sadina conseguiu ir a jogo com um guarda redes equipado com cores que se confundiam com as camisolas do Benfica. Dizem-me que na televisão ainda era mais evidente do que no estádio. Tanto assim foi que Cristiano na 2ª parte aparece equipado de... amarelo!

Eu sei que sou um chato do caraças com estes pormenores, mas também gostava de saber o que aconteceu às quinas de campeão nacional nas mangas das camisolas do clube campeão? Não era costume na Taça de Portugal o "ovo" da Liga desaparecer para dar lugar às quinas de campeão numa manga? Agora, só vejo lá outro "ovo", o da Taça de Portugal, presumo que seja devido ao Benfica ser o actual vencedor do troféu.

Mistérios do futebol português que não interessam a ninguém mas que eu gostava muito de saber as respostas.

 

 

 

Para entrarmos no jogo mais uma curiosidade, o Vitória F.C. de José Couceiro não perdeu a oportunidade de trocar o campo obrigando o Benfica a jogar para sul na primeira parte. Fica registado.

 

Depois de uma paragem para as selecções definirem as suas posições no próximo mundial, a competição regressou a Portugal. A 4ª eliminatória da Taça de Portugal, 2ª para estas duas equipas, foi disputada na Luz e resultou no apuramento do Benfica para a próxima ronda.

Curiosamente, foi a Taça de Portugal a abrir um novo ciclo positivo para o Benfica nas competições internas. Desde o desafio no Algarve com o Olhanense que a equipa de Rui Vitória só soma triunfos. Foi ao norte bater o Aves e o Vitória de Guimarães, ganhou ao Feirense em casa e agora confirmou o ciclo positivo com mais uma vitória. O próximo desafio interno é uma repetição do encontro de hoje mas a contar para o campeonato e será bem diferente do que vimos hoje.

 

O Benfica apresentou duas ideias fortes para esta partida, a manutenção na aposta do 4-3-3 que deu bons sinais em Guimarães e uma janela de oportunidade para vários jogadores menos utilizados. Ao que se acrescenta mais uma estreia de um miúdo trabalhado no Seixal, o norte americano Keaton Parks que até fica bem ligado ao jogo por acção sua no 2º golo da equipa.

 

Portanto, o desenho táctico manteve-se, as individualidades mudaram. Varela regressou à baliza, curiosamente bem menos ansioso do que no começo da época, Douglas na direita, Grimaldo na esquerda, Luisão e Jardel no meio, isto na defesa.

No meio campo, Samaris, Pizzi e Krovinovic, nas alas Cervi e Rafa, na frente Jonas.

O Benfica venceu o jogo mas voltou a demonstrar uma atracção pelo perigo algo incompreensível, isto porque chega ao 1-0 de maneira natural. Após muita posse de bola, vários ataques, pressão alta, velocidade e oportunidades de perigo até chegar o golo. Um original canto batido por Pizzi com a bola rasteira que vai até Cervi, o argentino agradece e remata convictamente para golo.

Antes de Pizzi bater o canto, o capitão do Vitória, Nuno Pinto, não tirou uma bola do relvado que estava ao seu lado a atrasar a continuação do jogo. Irritou Pizzi e a bancada. Acabou por sofrer golo. O futebol por vezes bate tão certo.

Depois de conseguida a vantagem a equipa caiu na tal tentação de recuar, ceder a posse de bola e voltar a procurar o segundo golo. É estranho e tem acontecido regularmente esta época.

 

A tendência manteve-se na 2ª parte e só com as entradas de André Almeida, Raul e Keaton é que se sentiu sangue novo na equipa. Estar a vencer por 1-0 é sempre intranquilo e se pensarmos que nos últimos três encontros com o Vitória de Setúbal o Benfica só venceu um que acabou com um grande susto que podia ter dado um dramático 2-2, temos o cenário que justifica os nervos vividos nas bancadas da Luz.

Por falar em bancadas, nem 30 mil benfiquistas acharam que este cartaz, um duelo entre clubes que já venceram Taças de Portugal e Taças da Liga, com bilhetes a preços reduzidos, era digno da sua presença. Os outros aguardam confortavelmente pelo Jamor.

 

É verdade que a vantagem era mínima mas também não se pode dizer que o Vitória tenha estado muitas vezes perto do empate. Varela respondeu muito bem a uma oportunidade que podia ter dado o empate com uma finalização de um jogador do Vitória em flagrante fora de jogo. Depois veio o lance que os entendidos vão falar para sempre e até, quem sabe, fazer livros. João Amaral isolado tenta meter a bola entre as pernas de Varela, só que este consegue parar o remate fazendo a bola ressaltar para as suas costas onde já estava Jardel a aliviar. Enquanto se virava para chegar à bola envolveu-se com o jogador sadino que caiu. João Capela podia ter apitado penalti mas interpretou que Jardel já tinha resolvido o lance antes. Foi isto que vi.

 

Para acabar com as dúvidas, Krovinovic fez o 2-0 que arrumou a questão e apurou a equipa para os 1/16 de final da Taça de Portugal.

Uma vitória lógica e natural, um ciclo de vitórias a nível interno muito interessante, um sistema táctico que parece que veio para ficar, algumas oportunidades agarradas, outras nem tanto e uma exibição que não deslumbrou mas suficiente para garantir o objectivo da noite.

Segue-se a Europa.

Vitória de Guimarães 1 - 3 Benfica: Minho Vermelho

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 Os sinais positivos da noite de Manchester foram aproveitados pelo treinador do Benfica para lançar uma equipa dentro da linha do que foi pensado para a noite europeia. Isto é, manteve-se a aposta em três jogadores no meio campo para o Benfica jogar num 4-3-3.

A nível individual também houve surpresas, desde logo com a inclusão de Filip Krovinović com Pizzi e Fejsa na linha média, mantendo as apostas em Salvo e Diogo Gonçalves na alas e com Jonas na frente.

Atrás, o regresso de Luísão ao centro da defesa, Eliseu e André nas alas.

 

Se há estádio, tirando os dos rivais directos, em que dá gozo ir apoiar o Benfica, em que sabe melhor festejar cada golo do Benfica, em que se sente um ambiente próprio dos grandes jogos, é o estádio D. Afonso Henriques.

Quando Jonas colocou o Benfica em vantagem aos 22 minutos a bancada atrás daquela baliza entrou em ebulição. O Benfica chegava à vantagem e estava bem no jogo.

Só que o Vitória respondeu com qualidade e o ambiente no estádio é incrível, aquela gente não desanima com um golo sofrido. Aliás, no começo da 2ª parte a força vinda das bancadas empurrou a equipa de Guimarães para um bom período no jogo, a fazer lembrar a espaços a exibição em Aveiro na Supertaça.

Mas o Benfica manteve a tranquilidade e ia tentando responder com ataques rápidos. Rui Vitória meteu Samaris na partida e a substituição foi muito acertada. O grego aos 76' faz o 0-2 para logo a seguir Salvio fazer o 0-3.

 

 

 

Mesmo assim o Vitória não desistiu, nem dentro, nem fora de campo e acabou por reduzir para 1-3. Só não ficou a um golo de distância porque Tallo desperdiçou um penalti mesmo a fechar a partida.

Boa vitória do Benfica no Minho num campo sempre complicado e ainda com um bónus dos vizinhos minhotos terem ido pontuar a Alvalade. Bela jornada.

 

Do ponto de vista pessoal, foi mais uma viagem ao norte com direito a almoço. Como isto anda tudo ligado fomos onde tínhamos acabado na última saída da Luz. Voltámos à Vila das Aves para almoçar arroz de pica no chão com o famoso vinho Boca Aberta. A simpatia e atendimento do costume, um almoço de domingo a mais de 300 km de casa mas... em casa. Sobremesa resgatada em Santo Tirso na Confeitaria Moura por um dos nossos. Limonetes e Jesuítas de grande qualidade. Tudo em forma para um grande noite de futebol.

Ganhar é sempre bom mas em Guimarães é especial.

Futebol com Talento para o... Desprezo Total.

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 Lembram-se do caso da conferência de imprensa do Rio Ave para um jornalista? Falei disso aqui:

O Que Estão a Fazer ao Futebol Português?

 

Pois bem, hoje foi a vez de Lito Vidigal cancelar a conferência de imprensa que antecedia o jogo com o Vitória FC porque apenas compareceu a Rádio Santo Tirso!

Isto duas semanas depois de sala cheia antes da recepção ao Benfica.

Ninguém quer saber do jogo, ninguém quer saber do encontro entre o Vitória de Setúbal e o Desportivo das Aves. Um jogo da Liga do futebol com talento. Uma partida no país do campeão europeu de futebol. O presidente da FPF terá alguma coisa a dizer sobre este desprezo pelo futebol ou só está preocupado em cursos para dirigentes?

E a culpa desta ausência de interesse por jogos da Liga é dos grupos organizados adeptos e das claques legalizadas? Os programas de televisão que poluem horas e horas o futebol português nada comentam sobre esta autentica anormalidade digna de um país culturalmente e desportivamente de terceiro mundo?

O futebol em Portugal é um circo à volta de três clubes, dois deles juntaram-se contra o que tem ganho mais e o resto é deserto como dizia o outro.

Alguém se vai preocupar com isto? Liga? FPF? Imprensa?

Claro que não.

Vergonhoso mas previsível. Ninguém gosta de futebol em Portugal. Tirando meia dúzia de "malucos" que ainda se indignam com isto. A minha indignação fica aqui testemunhada, tal como fiz quando aconteceu em Vila do Conde.

Manchester United 2 - 0 Benfica: Dignidade

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 A melhor exibição europeia da época não teve reflexo no resultado final do jogo. Não restava outra saída ao Benfica, tinha que chegar ao lendário Old Trafford e jogar um futebol de qualidade superior para lutar por um resultado positivo contra um Manchester United muito motivado.

Tal como já tinha acontecido na última passagem pelo Teatro dos Sonhos, em 2011, a força do Benfica começou por se evidenciar de fora para dentro. Novo festival dos adeptos do Benfica a mostrarem ao mundo o amor pelo seu clube e a transformar o estádio do United num mini Estádio da Luz. Estive lá em 2011 e já sabia que ia ser assim. As noites europeias do Manchester United são reservadas para adeptos "ricos" que preferem o conforto do seu lugar em detrimento do apoio vocal.

Nos primeiros 20 minutos de cada parte, adeptos e equipa estiveram em sintonia total. Boa atitude, boa exibição e uma reacção convincente. Mas esta é uma campanha europeia que está destinada ao fracasso. Tudo o que pode correr mal acaba mesmo por correr mal. Hoje até no aquecimento o titular Felipe Augusto fica fora de combate por lesão!

Rui Vitória optou Samaris no lugar do brasileiro. Voltou a deixar Jonas no banco para formar uma espécie de 4-3-3, com Raul Jimenez como referencia na área contrária, Salvio pela direita e Diogo Gonçalves pela esquerda. Pizzi, Samaris e Fejsa no meio campo, enquanto que atrás a dupla de centrais foi Ruben Dias e Jardel, Grimaldo na esquerda e Douglas na direita. Svilar voltou a ser titular.

Podemos começar pelo jovem guarda redes. Hoje, deu mais um importante passo para a sua afirmação no mundo do futebol. Defender um penalti em Old Trafford é um belo cartão de visita e compensava aquele erro da Luz. Só que o factor sorte não quer nada com o miúdo. Um remate de Matic leva a bola a bater no poste e bate nas costas do "1" acabando dentro da baliza. O Manchester fez dois golos ao Benfica sem ter marcado nenhum. E o 2-0 veio de outro penalti. Em jogo jogado, Svilar esteve sempre à altura dos acontecimentos. Não me parece exagerado afirmar que ganhámos um guarda redes.

Por falar em ganhar, Diogo Gonçalves pela rebeldia, pelo atrevimento, pela qualidade e pela irreverencia mostrou o seu nome à Europa do futebol. Ruben Dias fez uma exibição tranquila e parece que já ali joga há anos. São boas noticias para o Benfica.

O problema é que não chegou. A luta constante de Raul Jimenez merecia melhor sorte que acertar no poste, a atitude da equipa, mesmo depois de estar em desvantagem esbateu num De Gea em grande forma.

A qualidade do Manchester United é imensa, obviamente, e Mourinho percebeu que era pelo seu lado esquerdo que podia chegar ao ouro. A falta de rotina de Douglas como defesa direito é evidente, parar jogadores como Martial ou Rashford é utópico.

A exibição do Benfica foi positiva mas o resultado acaba por ser natural quando se percebe que nasce de mais valias individuais.

Era uma bela noite para se fazer história em Inglaterra mas nos momentos decisivos do jogo o factor azar atrapalhou o sonho.  Este é um ano não em termos europeus. Teoricamente ainda é possível continuar nas provas da UEFA mas na prática não parece que seja viável. Resta lutar nos últimos dois jogos.

Já fomos duas vezes campeões da Europa, a alma de campeões europeus mantém-se intacta na presença dessa massa adepta benfiquista maravilhosa que segue a equipa por todo o lado e cantando alto e em bom som o quanto ama o Benfica. Nas bancadas mantemo-nos, ano após anos, campeões de tudo.

É aproveitar as coisas positivas deste jogo para ir ganhar a Guimarães.

Benfica 1 - 0 Feirense: Três Pontos e Nada Mais

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 Depois de se conquistarem três pontos a tendência é de respirar de alivio antes de pensar no próximo compromisso. Mas quando a vitória chega de uma maneira tão simples, um adepto tem que desconfiar.

Mais uma vez, o Benfica entra bem num jogo, isto é , chega à tão desejada vantagem muito cedo no jogo. Jonas aos 11 minutos colocou o Benfica na frente.

Aos 12 ninguém desconfiava que o gente tinha acabado ali, praticamente. Gerir resultados tão curtos não costuma dar finais felizes. Ver que a equipa nunca descola para uma exibição superior é preocupante. Mas foi isso que aconteceu esta noite na Luz. Foram cumpridos os objectivos mínimos, sem brilho nem entusiasmo. E, desta vez, nem há muito para analisar já que Rui Vitória resolveu apostar exactamente no mesmo onze que ganhou na Vila das Aves.

Não é que na última temporada a exibição tenha sido de gala, recordo que o primeiro golo foi um auto golo ridículo do Feirense, o segundo foi um remate do defesa do Feirense contra Salvio que deu golo e até Cervi marcou de... Cabeça. A questão é que desta vez o resultado foi demasiado curto e perigoso, tal como a exibição.

O mais importante e o que marca a noite, foi o Benfica ter ganho. Internamente o Benfica venceu na Taça de Portugal, na Liga NOS fora da Luz e em casa, nos últimos jogos. Sem brilho, é certo, mas a construir um ciclo de resultados positivos.

 

Adorava que alguém me explicasse porque raio o Feirense não joga de azul na Luz.

Mais uma vez correu mal a rábula de nos alterarem o hábito de atacarmos primeiro para norte.

 

 

14 Anos de Estádio da Luz: O Momento

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Ao fim de 14 anos de vida no novo Estádio da Luz é sempre complicado escolher o melhor momento ali passado. Durante muito tempo aquele golo de Luisão ao Sporting que quase garantiu o título de 2005 foi o escolhido. Agora, passada década e meia de vida, inclino-me para escolher o golo de André Gomes contra o Porto. O momento em que o Benfica dá a volta ao contexto do futebol nacional. O arranque para um ciclo incrível de vitórias. Um golo mágico, André passou a bola por cima de Fernando e levou a Catedral a uma euforia desmedida. Desde ali que o Porto nada ganha, talvez inspirado pelo golpe que Gomes deu no Fernando, conhecido pelo Polvo, ainda hoje os azuis andam desesperados contra o... polvo.

Estádio da Luz é mágico.

Qual é o vosso momento?

Aves 1 - 3 Benfica: Ala Esquerda Que Avança com Toda a Confiança

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 O futebol do Benfica virou à esquerda. A grande conclusão desta vitória tranquila na Vila das Aves é que há uma nova movimentação ofensiva na equipa tetra campeã.

Rui Vitória optou por deixar Pizzi no banco, já não acontecia há uns dois anos, e voltou ao esquema clássico de consumo interno, o 4-4-2 com Jonas e Seferovic na frente.

Foi, precisamente, Jonas o elo de ligação da irrequieta juventude que compõe o lado esquerdo. Grimaldo e Diogo Gonçalves foram sempre empreendedores encontrando no "10" um excelente vértice de um triângulo de talento. E esta opção pela ala esquerda explica-se pela ausência de ideias no corredor central, Fejsa e Filipe Augusto não se desprendem, o brasileiro não consegue chegar-se à frente na condução do ataque, fica uma dupla mais posicional e de contenção mas sem fulgor atacante.

Assim, é natural que sejam as alas a ser chamadas ao jogo. Salvio e, o regressado, André Almeida também foram construindo pela direita mas sem o mesmo entusiasmo que o corredor oposto.

O Benfica fez o suficiente para sair das Aves com um resultado folgado, Quim resolveu assinalar o jogo em que se tornou o mais velho de sempre a jogar no campeonato com uma enorme exibição.

Por falar em opostos, na outra baliza o miúdo Svilar estreou-se na Liga com uma noite tranquila, uma bela defesa no começo e um golo sofrido num pontapé de canto em que a culpa tem de ir para quem falhou na marcação a Defendi.

Uma vitória com dois penaltis, o que é maravilhoso para os dependentes de audiências televisivas, mas que nem merece discussão.

 

Foi a minha estreia no Estádio do Aves.

Claro que tudo começou com a organização de um almoço que juntou mais de duas dezenas de benfiquistas. Repasto feito no restaurante Lazer Sampaio, em Monte Córdova, freguesia do concelho de Santo Tirso. A simpatia do costume das boas gentes do norte, atendimento impecável e um cabrito assado que não dá para descrever aqui de tão bem que soube. A viagem já estava justificada só com aquele almoço.

 

Depois, viagem para o estádio. Estradas curtas, cheias de curvas, paisagens verdejantes e a ideia que íamos rompendo por entre aldeias até chegar a um estádio no meio de uma Vila. Gosto muito. É o futebol a andar pelas terras de Portugal, é o povo a invadir estradas e caminhos da sua paixão num final de tarde de domingo.

Oportunidade para matar saudades do Vítor Pimenta, amigo de longa data de quem já falei por aqui várias vezes. Hoje é fisioterapeuta do Aves. A simpatia daquele abraço num rápido convívio que marca de forma diferente estes dias especiais.

Estádio pequeno e pintado de vermelho e branco, mesmo porque as cores da equipa da casa também são bonitas.

Guarda a visão que se tem da bancada num pôr de sol digno da estação de verão. Cabos de alta tensão que ladeiam o recinto contrastam com a tranquilidade da vitória do Benfica. Pessoas que enchem as varandas e janelas das casas que substituem uma bancada de topo dão um ar de futebol de outros tempos àquela partida. Do nosso lado esquerdo vibra-se tanto no alto daquelas casas como na nossa bancada. Muitos cachecóis do Benfica pendurados e festa garantida no único golo que Jonas fez naquela baliza.

À saída em conversa com os locais percebemos que a Vila das Aves é composta por uma larga maioria de benfiquistas. Teoria que depois confirmámos num jantar inesperado e improvisado junto do local onde estacionámos o carro. No caminho até lá o encontro, que já é um clássico, com a boa malta de Fafe. Esses é que levam isto bem. Carro parado num passeio, porta bagagens aberto para improvisar uma banca que exibe panados, presunto e uma bôla que devia ser considerada património mundial da gastronomia. Claro que tudo devidamente partilhado e oferecido. É uma turma que só por si representa o que é ser Benfica. Abraço a todos e também à malta que ainda ia para Vila Real. Ali respira-se Benfica.

 

Para o fim ficou um inesperado convívio no Clube Amadores Pesca Vila Ave, penso ser este o nome oficial de um restaurante onde nos serviram uma bifana de qualidade superior ao nível das famosas do Conga. E ficámos também a conhecer um vinho chamado Boca Aberta. Faz jus ao nome. A simpatia de uma família que ficou com histórias para contar de um grupo de adeptos do Benfica que sabem que ser benfiquista vai muito além daquilo que se passa num jogo de futebol. A senhora cozinheira é a que trata da alimentação do plantel do Aves. É assim este pequeno mundo. Sair de casa para ir ver um jogo é uma maneira de ver a coisa, conhecer sempre mais e mais mundo por esse Portugal fora com emblema glorioso no comando é outra. A que eu mais gosto. Tenho pena dos que acham que isto tudo se resume a um jogo.

O Benfica ganhou, 6ª feira há mais.

 

Graeme Souness Conta a Sua Passagem Pelo Benfica no Seu Livro

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 Acaba de ser editada a biografia de Graeme Souness. Um livro bem interessante e com uma passagem dedicada à sua estadia no Benfica de... Vale e Azevedo. Partilho aqui as páginas em que o treinador fala das mentiras do presidente, explica como era impossível o Benfica ganhar o título ao Porto por causa do sistema de arbitragens, conta como o Benfica falhou a contratação de Nistelrooy, esse mesmo, e ainda fala de Hugo Leal.

Tempos que parecem fictícios mas que aconteceram mesmo e nós lá estávamos atrás da equipa a acreditar sempre que ia ser possível. Nem foi assim há tanto tempo.

Para ler aqui: